Lisbela e o prisioneiro



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ALUNO: PROF.MARCIO

LISBELA E O PRISIONEIRO”

OSMAN LINS

I. AUTOR E OBRA

Osman da Costa Lins (Vitória de Santo Antão, PE - 5 de julho de 1924 – São Paulo, 8 de julho de 1978)

Natural de Pernambuco, é autor de contos, romances, narrativas, livro de viagens e peças de teatro.



Obras: O Visitante — romance, 1955.; Os Gestos — contos, 1957.; O Fiel e a Pedra — romance, 1961. ;Marinheiro de Primeira Viagem — 1963. ;Lisbela e o Prisioneiro — teatro, 1964. ; Nove, Novena — narrativas, 1966. ; Avalovara — romance, 1973; entre muitos outros.
TEATRO MODERNO BRASILEIRO: 4 LINHAS FUNDAMENTAIS:

1. EXPRESSIONISMO: Nélson Rodrigues

2. SOCIAL, RURAL: Jorge Andrade

3. NORDESTINO: Ariano Suassuna

4. SOCIAL URBANO: Gianfrancesco Guarnieri


II. LISBELA E O PRISIONEIRO

Estria no Teatro Mesbla (Rio de Janeiro), com montagem pela CTCA (Companhia Tônia, Celi e Autran);

Osman Lins foi aluno num curso de Teatro de Ariano Suassuna, e foi decisivo para escrever Lisbela e o Prisioneiro;

É sua peça de maior sucesso, adaptada para a TV Globo (1994), com os atores Diogo Vilela e Giulia Gam, sendo depois adaptado por Guel Arraes para o cinema, com Selton Mello e Débora Falabella (2003);


Pertence ao gênero dramático: é uma comédia em 3 atos
III. PERSONAGENS

A peça é dominada pela presença de personagens masculinas: LELÉU, o prisioneiro; TENENTE GUEDES, pai de Lisbela; Dr. NOÉMIO, noivo de Lisbela; JABORANDI, soldado e corneteiro; CITONHO, o velho carcereiro; HELIODORO, o cabo da delegacia; TESTA-SECA E PARAÍBA, os presos; FREDERICO, assassino profissional; TIÃOZINHO, vendedor de passarinhos; LAPIAU, amigo de Leléu; JUVENAL, soldado; DOIS SOLDADOS, mudos durante a peça; LISBELA, única mulher em cena (outros são apenas citados: Raimundinho, Inaura, mulheres de Heliodoro, etc).


LELÉU: Anti-herói, malandro, sedutor, acostumado a fugir das autoridades, Don Juan nordestino, sempre mudando de nome e de profissão; atualmente, equilibrista, artista de circo preso, toca violão, canta marchinhas etc. Personagem carnavalizado, representa a liberdade e inversão da ordem social, com tudo o que este significa de risco e subversão dos valores vigentes em seu meio. Incentiva várias personagens a fazerem coisas “erradas”, mas para a sua felicidade. Contudo, Leléu é um homem bom, reconhece seus erros e seu amor pela liberdade, acaba se apaixonando por Lisbela.

LISBELA: Lisbela, a única filha do tenente Guedes, enfrenta a autoridade patriarcal, representada pelo pai e pelo noivo, ao tomar iniciativa para colaborar com a fuga de Leléu da prisão e a se dispor a abandonar o marido no dia de seu casamento para aventurar-se na vida com o equilibrista. Ela quem livra Leléu da morte, ao atirar, aparentemente, em Frederico, o assassino profissional, quando este lhe apontava a arma, pouco antes do desfecho da peça. Por suas ações, Lisbela não apenas renega os mesquinhos valores, mas também expõe as fraturas da sociedade patriarcal.

CITONHO: Velho fraco propício a gozações dos mais jovens e fortes, pela faixa etária e pela categoria da função exercida, a mais desqualificada do contexto da peça, acaba demonstrando sua perspicácia, lucidez, força e coragem.

O velho solitário considerado caduco pelo tenente Guedes é o que, de todos os seus submissos, mais o enfrenta: toma partido de Lisbela e de Leléu, em prol do amor libertário, com todos os seus riscos, e age com esperteza para proteger a jovem da suposta autoria de seu crime. Enfim, do velho também emanam vida e movimento



TENENTE GUEDES: Pai de Lisbela, representante da polícia. Apesar de suas atitudes condenáveis, como os desmandos, a prepotência, a conivência com o crime, o delegado mostra-se humano quase todo o tempo. Por causa de sua função, não consegue se desvencilhar do “encarceramento profissional” e se vê obrigado a tomar atitudes contrárias a seu temperamento. Eis um dos motivos pelos quais está sempre a afirmar que “a autoridade é um fardo”. Bordão com efeitos cômicos, de acordo com as situações nas quais é proferida. No fundo, o tenente Guedes é mais prisioneiro de sua profissão que todos seus subalternos.

JABORANDI: Soldado e corneteiro, vive fugindo do local de trabalho, para assistir fitas em série no cinematógrafo, interrompendo seus momentos de fantasia, na hora que tem de tocar a corneta. Em meio a idas e vindas, ele vive entre o sonho e a realidade, mas uma realidade na qual sua função, tocar corneta, é desprovida de sentido consequente, a não ser o de acentuar a sua falta de sentido naquele contexto: para quê tocar corneta numa prisão? No mínimo, tais cenas provocam o riso, cumprindo sua função na comédia, e abrem brechas para o próprio Jaborandi e outras personagens estabelecerem ligação entre as estruturas das fitas em série (filmes de bandido e mocinho) e os episódios da comédia, além de interiorizarem na própria peça alusões às relações entre a vida e a fantasia.

DR. NOÊMIO: advogado vegetariano, por isso mesmo personagem destoante do meio em que se encontra, prestando-se a alvo de muitas tiradas cômicas.

Representa a estabilidade, pois tem uma vida totalmente “correta”: marido, doutor, representante do estabelecido e da segurança, é o oposto de Leléu. É autoritário, opressor, assim como o Tenente Guedes, representa a sociedade patriarcal, acha que a esposa deve pensar igual ao marido. No final, admite que não comia carne para passar uma imagem de moral.



CABO HELIODORO: cabo de destacamento, casado, já com uma certa idade, apaixonado por uma jovem, o qual chega a forjar um falso casamento para possui-la; Em troca da ajuda de Leléu para conseguir um frade e casar-se com a moça (a mãe dela exigia isso), dá 3 contos para Leléu, e ainda marca os encontros de Leléu e Lisbela na cadeia durante a noite. (Lapiau, amigo de Leléu, é que se passa por frade e faz o casamento de mentira de Heliodoro com a moça).
IV. ESPAÇO

As ações se desenvolvem na cadeia de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco.

As ações se passam quase todas dentro da cadeia, e algumas na calçada;

A prisão pode ser uma antítese para reforçar a ideia de liberdade que está presente na ideologia da peça: na liberdade de vida de Leléu, na escolha de Lisbela, enfim, a liberdade é um dos temas da peça.


V. REGIONALISMO E LINGUAGEM

O regionalismo de Lisbela e o prisioneiro apoiado na transposição de ditados, expressões populares e dísticos encontrados em para-choques de caminhões, é transfigurado sob a pena de seu autor.



Matéria e linguagem reelaboradas tecem esta peça, regada por uma equilibrada dosagem de leveza, comicidade e ternura, e assentada em valores libertários em prol da vida, o que lhe abre as portas para outros tempos e outros espaços.



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