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Arte depois da arte: consciência e espiritualidade na arte tecnológica

Renata Homem1

A “arte depois da arte” inaugura um novo tempo. Artistas se aproximam cada vez mais da ciência por meio dos avanços tecnológicos. A ciência por sua vez começa a desvendar os mistérios da consciência por meio da física quântica e da descoberta de novas funções no cérebro humano. A “inteligência coletiva” instaurada pelas redes telemáticas aproxima culturas e crenças. O simulacro das operações matemáticas rompe com a representação da imagem e abre caminho para uma arte digital ritualística. A nanoarte torna visível o universo quântico, repleto de mistérios. Questões espirituais e anímicas ganham espaço na ciência, que encontra na arte tecnológica, perspectivas transcendentais.

Palavras-chave: ciência, espiritualidade, ritual, nanoarte.


A “arte depois da arte” 1, que surge após o fim da discussão entre a “morte da pintura e da escultura”2, consagra uma nova arte, diretamente relacionada ao momento atual. O suporte da obra passa a ser virtual, móvel, biológico e mutável. Situações inéditas entre público e obra se estabelecem. A capacidade que uma pessoa tem de interagir com a obra estando em outra localidade, mostra uma nova relação entre arte, espaço e tempo. Em alguns casos, tanto a forma quanto o conceito podem apresentar características combinatórias infinitas. Essa nova arte, que pode ser entendida como arte tecnológica, não possui conceitos fechados e termos fixos.

A libertação de tradições formais e conceituais e o uso de novas tecnologias, já vêm acontecendo há algum tempo. A idéia de interatividade, surgida em 1962 com Ivan Sutherland (1938), cresceria cada vez mais dentro da arte telepresencial e telemática dos anos 80. O termo arte interativa difundiu-se na década de 90 com o avanço computacional, pois as ações realizadas com o uso da máquina multiplicaram a participação do público. Em 1968, já acontecia uma exposição onde obras de arte eram criadas com a ajuda do computador. Max Bense e Jasia Reichardt lançariam a polêmica da arte computacional.

Os computadores pessoais (PCs) surgiram na década de setenta e começaram a se difundir nos anos oitenta. Em 1991, surgiu a World Wide Web, e a partir de 1996, a Internet já popularizada, cresceria 100% ao ano. A alta tecnologia cada vez mais acessível permitiria a criação, publicação, compartilhamento e interação de textos, imagens, vídeos e músicas por qualquer pessoa. O gerenciamento das informações no computador levaria a humanidade à produção do conhecimento coletivo e simultâneo.

A arte das novas tecnologias passa a se desmembrar em vida artificial, realidade virtual, ciberinstalações, telerrobótica, sites colabo-rativos, arte genética ou transgênica, híbrida e cíbrida, biotelemática e nanotecnológica.

A proximidade entre homem e máquina tende a crescer também com a ajuda da nanotecnologia, que desenvolve estruturas capazes de aumentar a capacidade de armazenamento e processamento de dados dos computadores. A nanotecnologia, conceituada por Eric Drexler (1955-) nos anos 80, apresenta a possibilidade de ampliar a habilidade humana de manipular a matéria até os limites do átomo. Presente em vários produtos no mercado, a nanotecnologia refere-se a materiais criados em escala nano (bilionésima parte de um metro). Baseada em um conjunto de técnicas físicas, químicas, biológicas e computacionais, a nanotecnologia cria materiais que muitas vezes não são encontrados na natureza. Um exemplo disto são os discos compactos (CD-ROM), formados por camadas atômicas, fabricadas pelo homem.

A partir dos estudos da escala atômica, surgem infinitas possibilidades poéticas. As imagens das nanoestruturas, além de possuírem beleza inestimável, provocam uma estranha sensação de reconhecimento, de analogia com estruturas visíveis aos nossos olhos. Inevitavelmente, essa nova tecnologia acabou por inspirar a criação da nanoarte.





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