Life priolo



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Figura 3.37 - Resultados de amostragem sazonal com tracking tunnels, referentes à presença de Mus musculus (a), Rattus sp. (b) e Mustela sp (c).

As conclusões retiradas após análise dos resultados deste plano de monitorização da população de Priolo permitem afirmar que, apesar de continuar sob fortes ameaças (abundância de predadores, proporção de habitats, disponibilidade de alimento, clima), esta apresenta actualmente um efectivo populacional maior e ocupa uma maior área de distribuição que no início da década, muito provavelmente devido à necessidade de explorar novas áreas de alimentação e de reprodução face ao aumento do número de indivíduos.

No geral os resultados desta acção e os recursos empregues, na qual se previa simplesmente a realização de censos realizados na época de reprodução e dispersão dos juvenis, ultrapassaram largamente o esperado. Foi obtida informação actualizada e inovadora sobre a evolução da população do Priolo e relacionados os efeitos das medidas de intervenção no habitat. Para além disso, foi efectuado o Atlas do Priolo recorrendo a fundos complementares ao projecto, que permitiram fazer pela primeira vez um censo completo em toda a área de distribuição, com metodologia inovadora. Este esquema de monitorização será mantido no futuro e os dados obtidos com o censo serão de enorme importância para continuar a seguir a população de Priolo.



Anexos:

  • Relatório técnico: Ceia, R. 2008 Monitorização da população de Priolo. Relatório da acção F6 do Projecto LIFE Priolo. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Lisboa.

3.5.7. Acção F7 – Avaliação dos resultados globais do projecto

Responsável pela Acção: Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves

Concluída em 2008

O desenvolvimento do Projecto LIFE Priolo implicou a realização de numerosas acções muitas por uma razão ou outra, pioneiras e inovadoras. Quer pela aplicação de métodos e logística diferentes do que tinha sido alguma vez tentado na Região, quer pelo envolvimento da sociedade, quer pela abrangência do projecto (da conservação à legislação, passando pela monitorização e sensibilização ambiental). Por estes factores a certeza de sucesso e de exequibilidade das acções no início do projecto era muito baixa e em alguns casos veio a comprovar ser de todo impossível, levando à apresentação de um pedido de alterações onde foram modificadas ou excluídas algumas acções.

A necessidade de uma gestão adaptativa verificou-se desde cedo, levando à necessidade de adaptar metodologias e recursos humanos e financeiros ao evoluir dos trabalhos e de acordo com diversas condicionantes (climatéricas, do terreno, recursos humanos, burocracias, planeamento inicial inadequado, etc). Para uma avaliação regular e crítica todas as acções e resultados foram verificados e discutidos pela Comissão executiva (ver Acção F2), pela Comissão Científica (ver Acção F3) e pela equipa de projecto e seu supervisor, especialmente através da confrontação dos dados de monitorização sempre disponíveis e pela cartografia actualizada em Sistema de Informação Geográfica. A informação SIG permitiu verificar o cumprimento das acções de recuperação de habitat.

Numa análise global, os objectivos do projecto foram atingidos e mesmo largamente ultrapassados graças ao esforço da equipa de projecto e também como fruto de uma grande diversidade de acções e projectos que foram gerados e que contaram com a colaboração de numerosos estagiários, bolseiros e voluntários. Este relatório final, em especial a tabela de resultados esperados vs. Resultados atingidos (ver secção 2.2), atesta isso mesmo e indica de modo resumido os resultados das diferentes acções.



3.5.8. Acção F8 – Elaboração do programa recuperação do habitat que dará continuidade às medidas implementadas durante o projecto

Responsável pela Acção: Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves

Concluída em 2008

Foi desenvolvido um plano de forma a resumir o programa de continuidade das medidas desenvolvidas durante o projecto, em articulação com o Plano de Gestão da ZPE Pico da Vara / Ribeira do Guilherme (ver Acção A1), funcionando como uma das principais ferramentas de gestão activa da ZPE, resumindo a experiência adquirida durante o projecto e utilizando-a para programar e assegurar a manutenção da limpeza das zonas intervencionada assim como a limpeza progressiva das exóticas e recuperação do habitat nas zonas tampão em torno da área principal de ocorrência do Priolo. O objectivo de longo termo a atingir será a recuperação do habitat de uma parte significativa da ZPE Pico da Vara/Ribeira do Guilherme que assegure alimento e habitat favorável a uma população de Priolo com um número crescente de efectivos.

As principais linhas de orientação para a gestão a longo prazo da ZPE foram definidas no workshop científico realizado em Maio de 2007 (Ver anexo).Este trabalho foi desenvolvido ao longo dos últimos 18 meses do projecto, tendo-se optado por uma abordagem não só de conservação do Priolo e da Laurissilva (habitat associado), mas também de outros habitats da ZPE classificados como prioritários ao abrigo da Directiva Habitats e em grave risco de destruição principalmente pela expansão das espécies vegetais exóticas invasoras. Estão nesta situação a área de Turfeiras Altas Activas do Planalto dos Graminhais e as poucas áreas propícias à existência de Matos Macaronésicos Endémicos.

Desta forma foi sendo desenvolvido um plano de recuperação dos habitats prioritários da ZPEPVRG de que resultou uma candidatura ao programa LIFE+, a qual foi aceite em Novembro de 2008. Este novo projecto irá iniciar-se em Janeiro de 2009 tendo como principais objectivos:

- desenvolvimento e/ou aperfeiçoamento de técnicas para controlo de exóticas em Turfeiras

- criação de um viveiro dedicado exclusivamente à produção de plantas nativas

- desenvolvimento e fomento de redes de entidades para promoção do turismo de natureza na ZPE e promoção da Marca Priolo com vista à conservação dos habitats

- controlo de exóticas em áreas de Turfeira e Laurissilva.

Embora não sendo dedicado ao Priolo, este projecto LIFE+ irá certamente beneficiar esta espécie, providenciando uma maior área de habitat adequado. Para além disso, ao abrigo do programa estabelecido com a BirdLife Internacional, através da campanha “Species Champions” será possível manter até 2010 as actividades básicas de monitorização de Priolo, nomeadamente a continuação dos censos anuais.

Anexos:


  • Relatório técnico: SPEA 2007. Resumo do Workshop Cientifico sobre o Priolo. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Lisboa.

3.5.6. Acção F9 – Assegurar a contabilidade do projecto

Responsável pela Acção: Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves

Calendarização: Outubro 2003 a Setembro 2008

Estado: em curso

Esta acção está a decorrer normalmente, tendo sido englobada na rotina normal da SPEA e do próprio projecto. A execução financeira final do projecto encontra-se resumida na tabela abaixo. Os custos totais já estão de acordo com o pedido de alterações a que o projecto foi sujeito e depois da sujeitos a auditoria final.



Tabela 12. Resumo das despesas efectuadas no decorrer do projecto.

Categorias de despesas

Total Dispendido

Custos totais

% Dispendida

1. Pessoal

936.308

1.029.939,00

110%

2. Viagens

100.697

110.766,70

110%

3. Assistência externa

1.161.401

1.006.179,37

87%

4. Bens duradouros

163.925

131.750,62

80%

5. Compra/arrendamento de terrenos










6. Consumíveis

278.284

192.898,49

69%

7. Outros custos

26.396

12.255,48

46%

8. Despesas gerais (overheads)

84.916

93.407,60

110%

TOTAL

2.843.728

2.577.197,26

91%



4 ACTIVIDADES EXTRA PROJECTO LIFE PRIOLO


O desenvolvimento do projecto LIFE Priolo na ZPE Pico da Vara/Ribeira do Guilherme possibilitou ao longo do seu decurso realizar e/ou colaborar num vasto conjunto de trabalhos e eventos que de outra forma nunca se teriam desenvolvido nos concelhos do Nordeste e Povoação (e em último caso, na Região Autónoma dos Açores). O Centro Ambiental do Priolo é certamente o mais importante feito extra projecto LIFE. A existência desta estrutura irá permitir ao longo dos próximos anos continuar o trabalho de sensibilização iniciado com o LIFE Priolo. De referir que ao longo do sei primeiro ano de existência o Centro recebeu quase 2000 visitantes o que, dado ser o primeiro ano e ainda estar localizado no concelho mais periférico de São Miguel, é sem dúvida um valor muito motivador para todos os intervenientes.

A investigação sobre o Priolo e a Floresta, e a formação de técnicos foram igualmente outras das mais valias deste projecto. Ao longo dos cinco anos foram mais de 30 técnicos que colaboraram com a equipa de projecto em trabalhos diversos que aumentaram de forma significativa o conhecimento sobre a ZPE. Estes técnicos beneficiaram de programas regionais (Estagiar-L e Estagiar-T) e europeus (Leonardo da Vinci, Argo, Eurodisseia, etc) ou de bolsas de mestrado e doutoramento. Foi ainda possível criar um ponto de contacto e apoio para diversas instituições nacionais e internacionais que assim puderam desenvolver trabalhos sobre os valores naturais desta área tão específica, por Ex: Universidades dos Açores, de Coimbra, de Lisboa, Universidades de Bristol e de Plymouth (Reino Unido), etc.

Ainda ao nível da investigação é de registar o primeiro “Atlas do Priolo”, um projecto inovador e inédito que permitiu juntar cerca de 50 voluntários para percorrer toda a área de distribuição desta espécie. Os resultados obtidos foram surpreendentes e animadores, com um aumento da área de ocorrência do Priolo, tendo-se obtido registos em áreas fora da ZPE. Os dados obtidos, em conjunto com os dados dos censos anuais, parecem indicar uma nítida melhoria da situação da espécie, quer em termos de área quer de número de indíviduos.

A divulgação foi outra aposta forte ao longo dos últimos anos, tendo sido possível aumentar de forma significativa o conhecimento sobre a espécie e a sua situação, quer a nível local quer internacional. O destaque obtido com a campanha da SPEA “Priolo, ave do ano 2008” e da Birdlife International “Species Champions” foram sem dúvida outros dois momentos de especial importância e que projectaram o Priolo como um dos símbolos de São Miguel e dos Açores.



Os resultados alcançados quer nas acções do LIFE Priolo, quer nas diversas acções que surgiram no âmbito deste projecto, levam a encarar os próximos anos de uma forma muito mais optimista do que no inicio deste projecto. Ficou provado de que a sua extinção poderá ser evitada, obtendo com isso grandes mais valias a nível do património e riqueza das populações locais e da Região. A sobrevivência do Priolo está e deverá estar sempre associada a um desenvolvimento local em equilíbrio com o Ambiente e beneficiando da sua conservação. Só assim se poderá continuar a investir nas acções de recuperação da floresta nativa na ZPE do Pico da Vara/Ribeira do Guilherme.


Recuperação do habitat do Priolo na ZPE Pico da Vara/Ribeira do Guilherme. Relatório Final, 2009


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