Liceu: uma interrupção e alguns relatos



Baixar 2,63 Mb.
Página1/2
Encontro12.07.2018
Tamanho2,63 Mb.
  1   2


Liceu: uma interrupção e alguns relatos

Fotos: Natália Ribeiro



Sede do Liceu do Ceará na Praça dos Voluntários


No inicio da entrevista com a coordenadora de ensino, Erivânia Freitas Rodrigues, fui interrompida por ela mesma porque hesitava falar a história do Liceu ou contar mal o caminho já percorrido pela escola. “Trabalho aqui no Liceu há 10 anos, tem uns livros ali que contam coisas belíssimas do Liceu que eu não sabia”.

A senhora Erivânia levantou-se e pegou alguns livros que tratam da trajetória do Liceu até os dias atuais. Um deles se chamava “O Liceu e o Bonde: Na paisagem sentimental da Fortaleza-província”. Nesse momento, ela se expressou como se tivesse sonhado o Liceu do tempo do Bonde, onde os jovens esperavam aquela espécie de carroça para ir estudar.

No meio da conversa bate para o intervalo e a banda do Liceu começa a tocar no pátio (pode ver o vídeo). A banda é composta por 60 alunos do Liceu. Ela toca um som de marchinha, pois é marcial e apresenta-se com coreografias ousadas para quem ao mesmo tempo toca e dança: são as fanfarras. Todos os alunos param para assistir seus outros colegas.


Uma proposta pedagógica
Depois da música e agitação fui à sala dos professores buscar o que tanto procurava: a proposta pedagógica da instituição pública Liceu do Ceará. Entrei e achei uma das minhas fontes sentada em uma cadeira de frente para porta. Um dos professores de sociologia: Ribamar Lima. Ele relatou que a preocupação “Liceuista” é muito mais quantitativa a qualitativa. Tanto que, segundo ele, não se tem proposta pedagógica nenhuma ou então ela é a pior de todas. A conversa foi sendo desdobrada sobre a questão do estilo de escola que o Liceu está enquadrado.

Antes, importante é dizer que chequei algumas informações com a atual diretora do colégio, Amélia Soares. Não foi difícil para ela responder minhas perguntas. Tanto que ela me explicou, insatisfeita, sobre essa mudança do Liceu. Ele, apesar de ser um símbolo da educação pública, agora prioriza em sua gestão a adesão do maior numero possível de alunos. A diretora explica que é uma forma urgente de acolher a classe periférica que são os alunos que freqüentam o Liceu.


A mudança na Educação do Liceu

Pode-se dizer que a trajetória até o atual mutante Liceu seja esta: Fortaleza era uma cidade com menos de 5.000 habitantes. Desse tempo para cá a explosão demográfica aconteceu. Hoje Fortaleza tem 2.473.614 milhões de habitantes. 33% dessa população é pobre. Uma média de 16% são usuários de drogas. A violência aumentou 82,5 % na Região Metropolitana. Pode-se dizer que a Diretora Amélia carrega a cruz das porcentagens que foram citadas. Seu plano, portanto, estabelece metas que estão inteiramente direcionadas a resultados urgentes para segurar seus alunos na escola que estão dentro desta estimativa marginalizada da sociedade.

Dentro disto o professor Ribamar cita que a maior preocupação da escola é mesmo a disciplina dos alunos. “Aqui eu tenho 12 turmas, para você entender o que eu quero dizer, é humanamente e tecnicamente impossível fazer um planejamento abordando a questão de dificuldade do aluno, diante dessa quantidade de alunos e com apenas três ou quatro professores de sociologia. Olha o tamanho da escola! É muito grande. Está fora de padrão! O MEC pede doze salas. Aqui tem trinta salas por turno, mas não estão sendo ocupadas. Porque segue o regulamento da SEDUC (Secretaria de Educação do Estado do Ceará).”
A Constituição e a prática
O esforço dos profissionais para vir a ser uma instituição melhor é o cotidiano do Liceu. Nossa Constituição Federal tem a proposta de nos garantir igualdade de condições para o acesso e permanência na escola de ensino público, valorização dos seus profissionais e a garantia de um modelo de educação com qualidade pedagógica e política das redes de escolas públicas.

A educação é um dos agentes do desenvolvimento pessoal e coletivo de um país. O Ensino Público e aqui no caso, o Liceu, deve ser a preparação do indivíduo para o exercício da cidadania e assim garantir para toda sociedade o seu direito ter acesso a uma educação de qualidade. Porém, os alunos do Liceu estão também engendrados na sistematização de uma sociedade que esquece da educação na vida e propõe apenas a educação no mercado.




De onde eu vim ou para onde eu vou