Leonardo da Vinci



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Unip – Universidade Paulista Matemática

Leonardo da Vinci
Nasceu no lugarejo de Anchiano, da aldeia de Vinci, perto de Florença, a 15 de Abril de 1452, sábado, às 22.30 horas, filho de Pedro de Vinci, notário, e de Catarina, camponesa, mulher formosíssima “de olhos celestes e cabelos louros” por quem Pedro se apaixonara profundamente, mas com quem teve uma ligação um pouco irregular.

Leonardo viveu com a mãe até aos três anos, tendo ido depois para casa dos avós onde se criou, sem nunca esquecer a mãe que visitava a “horas propícias do dia e de noite”, e que por ele uma profunda ternura. Tão secreta afeição por aquela que lhe dera o ser, e que ele retratava na formosura dos olhos e no loiro dos cabelos, revelava um traço bem característico da profunda humanidade de Leonardo.

Cresceu na casa dos avós, em plena liberdade do campo, na experiência direta com a Natureza, para a qual os sentidos e a múltipla curiosidade do seu espírito se abriam. Aos sete anos freqüentou a escola de uma Igreja próxima mas, refratário ao estudo livresco, antipatizou, em particular, com a gramática latina. Fascinava-o mais observar a construção de uma habitação, vendo os operários fazerem as paredes, nivelarem as pedras, guiá-las por meio de máquinas, tendo surpreendido o arquiteto da obra, que, falando com ele, ficou assombrado com a subtileza da sua inteligência. Começou, então, a ensinar-lhe rudimentos de aritmética, geometria e mecânica, achando incrível a facilidade com que aprendia tudo.

No entanto, foi em Florença que o pai ficou admirado com o talento revelado e o apresentou a seu amigo Andrea Verrocchio, importante artista na época, que ficou verdadeiramente surpreendido e recebeu Leonardo em sua casa como aprendiz. Verrocchio passou a ser o seu grande mestre e amigo, iniciando-o não só nos segredos da pintura e da escultura mas ainda na filosofia, nas matemáticas, na música e na sabedoria da vida.

Muitos autores afirmam que a formação artística provém da observação pessoal e da aplicação prática das suas idéias. Da Vinci torna-se, assim, o talento mais versátil da Itália renascentista.

Aos 20 anos, é oficialmente aceite como pintor na corporação dos artistas de Florença, o que significa que, a partir desta data, pode trabalhar por conta própria e receber encomendas. Os seus desenhos, combinando uma precisão científica com um grande poder imaginativo, refletem a sua enorme vastidão de interesses e, com tantos e tão variados atributos, passou a estar ao serviço de todos os grandes mecenas italianos, tornando-se um dos mais notáveis pintores do seu tempo.

Em 1481, Leonardo abandonou Florença e partiu para Milão, sentindo-se atraído pela estimulante atmosfera da corte de Ludovico Sforza, por onde circulavam muitos médicos, cientistas, engenheiros e matemáticos. Foi o grande período da sua atividade, dos 30 aos 40 anos, na força do seu poder criador.

Em 1498, quando Milão fica sob o domínio de França, Da Vinci ainda permanece aí por mais algum tempo, partindo, em seguida, para Mântua acompanhado pelo seu muito amigo Luca Pacioli, matemático, que tinha conhecido na corte de Ludovico e de quem se tornara aluno.

Durante os sete anos que Pacioli e da Vinci passaram juntos, os dois entreajudaram-se para criar duas obras-primas que iriam ficar para a posteridade. Da Vinci ilustrou o segundo mais importante livro de Pacioli “De Divina Proportioni”. Pacioli, por sua vez, ensinou a da Leonardo perspectiva e proporcionalidade, permitindo-lhe criar uma das suas maiores obras-primas – um mural na parede norte do claustro Dominicano de Santa Maria de Graça. Muitos dos últimos trabalhos de Da Vinci revelam a aplicação dos estudos de geometria de Pacioli.

No seu livro “De Divina Proportioni”, Pacioli deu a explicação lógica do significado da divina proporção dos números, também chamada “Razão Áurea”, isto é, a mais agradável proporção entre duas medidas. Esta proporção áurea, também chamada “Número de Ouro” ou “Número Áureo” é uma constante real algébrica irracional, presente na Natureza, no Corpo Humano e no Universo.

Na história da arte renascentista a perfeição da beleza foi bastante explorada com base nesta constante. O “número de ouro” aparece, por exemplo, em vários pontos da obra “Mona Lisa”, nas relações entre o seu tronco e a cabeça ou entre os elementos do rosto.

O HOMEM COMO MEDIDA DO UNIVERSO


A Quadratura do Círculo, o mais famoso dos três problemas clássicos da geometria grega que se pôs ao homem, juntamente com a duplicação do cubo e a trissecção do ângulo, foi o de, dado um círculo, construir geometricamente um quadrado com a mesma área, e terá sido Enópides de Quios (séc. V a.C.) o primeiro a estabelecer que os meios permitidos na sua execução, se restringissem à régua e compasso.

Leonardo, face a este problema, demonstrou que a figura humana poderia ser inscrita no círculo e no quadrado, figuras geométricas básicas da natureza, segundo inscrições encontradas no tratado “Os 10 Livros de Arquitetura”, do arquiteto romano Marcus Vitruvius Pollio, do séc. I a.C..

Da Vinci acreditava na perfeição da figura humana, associando-a ao centro do Universo. As proporções gerais do homem adequar-se-iam, como um microcosmo, às das formas mais perfeitas do macrocosmo universal, dentro do espírito da doutrina platônica. Leonardo combinou nesta imagem ambas as posições dos membros, deixando como elementos comuns a cabeça e o tronco, ficando a circunferência tangente à base de um quadrado cujo lado é menor que o diâmetro daquela. Este estudo ficou celebrizado como “O Homem Vitruviano”, tornando-se o símbolo universal da humanidade.

CIENTISTA, INVENTOR, PINTOR


A liberdade de investigação e autonomia da razão do homem renascentista vão permitir o nascimento de uma nova ciência, radicada na observação direta e na experimentação, permitindo a explicação e compreensão dos fenômenos naturais.

“Esta nova concepção de ciência e a nova concepção do mundo que ela instaura foram sendo laboriosamente construídas por Giordano Bruno (o universo é infinito), Copérnico (heliocentrismo), Kepler (órbitas dos planetas) e Galileu (lei da inércia). E esta concepção é a antítese da concepção anterior, de raiz aristotélico-medieval. O mundo não é finito e acabado, mas infinito e aberto. A ordem do mundo não é final, mas causal. O conhecimento do mundo não é fixo, imutável e concluído, mas apenas o resultado de renovadas tentativas sempre submetidas à verificação experimental. E o instrumento desse conhecimento não é uma razão supra sensível e infalível, mas poderes naturais, falíveis e corrigíveis, a razão e a experiência. O novo método científico, baseado na observação, na experiência e na experimentação, não é outra coisa senão esse mesmo diálogo entre a razão e a experiência”(1).

Devido às circunstâncias político-militares da época, da Vinci, um homem interessado em todos os ramos do saber, colocava-se ao serviço de outros mecenas, dando liberdade aos seus muitos talentos como engenheiro, planeando a defesa de cidades, criando máquinas de projeteis, escavadoras, a drenagem de pântanos, projetando sistemas de canais. Fascinado pelo fenômeno do vôo dos pássaros, criou planos para máquinas voadoras e inventou um helicóptero e um planador.

Os seus estudos são imensos como engenheiro e inventor. São exemplo um submarino, uma calculadora mecânica, e o uso do poder do sol, através de espelhos côncavos, para aquecer a água no Vaticano. Desenvolveu instrumentos básicos da mecânica como a porca, o parafuso, a roldana, o sistema de travões e embraiagem, a correia, a manivela, a transmissão e a corrente, instrumentos utilizados, hoje, na produção de automóveis, tratores, motorizadas.



Seus cadernos eram recheados de desenhos e símbolos e observações que iam da acústica ao zodíaco. Começou estudando a ciência do movimento, via na força da água um propulsor das máquinas, acreditava que seu movimento e deslocamento era a chave da vida no mundo. Para Leonardo da Vinci, o sol não se movia e a Terra não estava no centro de sua órbita, nem no centro do universo. Acreditava ser a matemática a mais pura de todas as ciências, pois, revelava todas as leis e necessidades da natureza.




Como inventor, Leonardo previu o papel que as máquinas desempenhariam com eficiência e produtividade, isso porque seus desenhos constituem a primeira visão da revolução industrial que ocorreria mais de trezentos anos depois. Na área têxtil, desenhou um fuso móvel, um dispositivo para tornos, e para os metalúrgicos, um conjunto automático para rosca e parafuso.




Um dos estudos mais interessantes foi a elaboração de um instrumento que pudesse voar. Utilizou como modelo as asas de um morcego. Alongadamente às estruturas interdigitais do animal, construiu o instrumento voador, cujas funções eram a sustentação e o comando. Em muitos de seus inventos, utilizou as "asas móveis", que eram movidas através de alavancas e manivelas, manipuladas por um operador que ficava sentado e com as pernas abertas.



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