Leitura na Terceira Idade: práticas de leitura do Programa Pró-leitura univille



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LEITURA NA TERCEIRA IDADE: PRÁTICAS DE LEITURA DO PROGRAMA PRÓ-LEITURA UNIVILLE

Taiza Mara Rauen Moraes


Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE

O Programa Interinstitucional Pró-leitura UNIVILLE/PROLER está ligado à extensão universitária e objetiva através de ações leitoras provocar a consciência de que a leitura se constitui uma via para a construção de novos olhares sobre o mundo.

As sessões de leitura, denominadas Rodas de Leitura, programadas sistematicamente operam uma troca de experiências com o cruzamento de textos escritos lidos e textos construídos a partir deles ou de experiências de vidas.

Os encontros previamente programados iniciam com a leitura de um texto selecionado, após diagnósticos sobre o interesse temático do grupo, porque quando o texto faz sintonia com os interesses grupais provoca intercâmbios intergeracionais e culturais.

“Quem conta um conto aumenta um ponto”, pegar um texto, espelhar a história e fazer dela ponte de leitura é a justificativa da proposta Roda de Leitura para a Terceira Idade, pois criando uma ambiência favorável a recordar e descobrir ativa histórias populares e autorais, trabalha com resgate de memória e das histórias pessoais. A memória afetiva, para resgatar os sentimentos que nos constituem como indivíduos e que estão esquecidos. O afeto com o grande incentivo do intelecto. Mostra, também, a possibilidade de por intermédio de textos literários operar cruzamentos com outras áreas, além da literatura, tais como: história, geografia, sociologia, psicologia, etc. Cria um espaço de socialização efetiva e promotor de releituras de mundo, o que possibilita ao sujeito reconhecer-se e exercer-se como cidadão. A leitura guiada proporciona, portanto, a troca de conhecimento, a troca efetiva entre narrador e ouvinte, o que o livro por si só não dá conta. Oferece ainda o lúdico que serve para expressar sentimentos, pensamentos e idéias para lidar com conflitos interiores através de experiências já vivenciadas pelas personagens e ativadas na e pela leitura. Assim, a sistematização de ações de leitura se constitui como gênesis para uma sociedade leitora.

O contato com a escrita pode gerar possibilidades do indivíduo melhor integrar-se ao seu meio e pode estimular a renúncia ao material ao negar-lhes atributos de plenitude. Ler é mediar o indivíduo e sua circunstância, assim o indivíduo através da leitura passa assimilar valores da sociedade. Portanto, a leitura mimetiza o código social e também o comportamento passivo diante dele.

Para LAJOLO(1993) em nossa cultura, quanto mais abrangente a concepção de mundo e da vida, mais intensamente se lê. O trajeto do mundo da leitura à leitura do mundo se refaz por um vice-versa e transforma a leitura em prática circular infinita. Leitor e escritor devem ser encarados como faces da mesma moeda. Se o escritor não crer no ser “supralingüístico”(leitor), não transformará os leitores em interlocutores que movem a roda do ler/produzir/ler ...

A razão da escolha do texto literário para guiar as Rodas de Leitura está apoiada em avaliações de Antonio Cândido que ressalta a “função humanizadora” da literatura e daí derivam funções específicas que são: “satisfazer à necessidade universal da fantasia, contribuir para a formação da personalidade” e “uma forma de conhecimento do mundo e do ser”. Nessa concepção dialética a literatura exprime e atua na formação do homem.

A adesão pretendida entre leitor/texto é fustigada pela projeção e identificação com personagens como condutores de ação e suporte de sentido, este se torna estratégico para a decifração texto/contexto e permite rastrear as relações intra-inter textuais e pós-com textuais.

A leitura é entendida na contemporaneidade como atividade de prazer ou de aculturação, assim sendo, enquanto se produzir textos através da escrita ocorrerá a atividade correspondente de os ler. No entanto, para que uma sociedade se constitua “leiturizada”, expressão teórica forjada por Jean Foucambert, se faz necessário criar mecanismos sociais de difusão da leitura. Por isso, as Rodas de Leitura para a Terceira Idade, do Programa Pró-leitura UNVILLE, ocorrem em espaços socializados constituídos, as Pastorais do Idoso. Aos grupos ligados às pastorais são oferecidos vários atividades culturais e de lazer e a introdução da leitura tem despertado interesse e participação ativa.

O texto lido por um leitor guia é acompanhado silenciosamente pelos membros do grupo que recebem uma cópia. Após a leitura é aberto um espaço de tempo para discussões porque para compreender é preciso analisar, distinguir e operar associações.

O repertório textual é constituído por contos, lendas e crônicas curtos para que a partir de uma primeira leitura seja possível operar relações inter e contextuais.

Reunir-se para ouvir alguém ler e posteriormente construir juízos ou recuperar pela memória histórias passadas renova o prazer de ser e de estar no mundo porque se abrem brechas para que vozes se constituam e se manifestem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


FOUCAMBERT, Jean. A leitura em questão. Porto Alegre: Artes Médicas,1994.

LAJOLO, Marisa. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1993.

MAGNANI, Maria do Rosário M. Leitura, literatura e escola: sobre a formação do gosto. São Paulo: Martins Fontes,1989.

ZILBERMAN, Regina. A leitura e o ensino da literatura. Coleção Repensando o



Ensino, 2ª ed., São Paulo: Contexto,1991.





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