Le banquet de Platon



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O prazer em grupo

Dr Luc Michel, IUP, Tunnel 1,1005 Lausanne, Suiça




1.Introdução:
Exerço a actividade de psicanalista e analista de grupo há mais de vinte anos. Muitas das pessoas que de alguma forma se tornaram meus pacientes, por um curto período de tempo ou durante anos, consultaram-me num momento da sua vida em que estavam a sofrer de uma série de sintomas. Não se trata aqui de entrar numa descrição detalhada dos tipos de perturbações que apresentavam, quer estejam ou não registadas em classificações mais ou menos normalizadas como o DSM IV ou a ICD 10. O que realço e ora me interessa é que uma boa parte apresentava, de forma mais ou menos significativa, uma diminuição da capacidade de sentir prazer. Esta ausência ou diminuição do prazer é, sem dúvida, uma das principais características daquilo a que chamamos estados depressivos. Mas a ausência de prazer ultrapassa largamente este quadro nosológico. Vejamos, por exemplo, os pacientes que apresentam o que reagrupamos sob o termo de fobia social, um desprazer que chega ao pânico com a perspectiva de estar com os outros em determinada situação. Por outro lado, outras personalidades dependentes não conseguem viver sozinhas e têm uma espécie de vício da companhia. As personalidades mais esquisóides relatam-me a dificuldade e falta de vontade de se aproximarem dos outros, sentido-se então como intrusos, eliminando qualquer possibilidade de sentir prazer.

Como é evidente, podemos dar múltiplos significados ao vocábulo prazer. Como o prazer é um estado emocional fundamental, as definições, como as descrições são diversas e tocam níveis diferentes. Pensamos, por exemplo, nas neurociências, onde o prazer é descrito como uma emoção básica que dá cor aos sentimentos. A sua articulação com a dor ou o desprazer faz parte da regulação biológica do indivíduo (Damásio, 2004).

Como se vê, o tema é vasto e vou cingir-me à nomeação de certos aspectos do «prazer de estar em grupo», realçando sobretudo os aspectos da sua articulação com a sexualidade.
Nesta altura a minha questão é uma exortação bastante básica e trivial: Porque sinto eu prazer em grupo? Porque há pessoas que não o sentem? Ou de outra forma, o que é o prazer em grupo? Fazer este tipo de pergunta como indivíduo é já qualquer coisa de abissal. Gostaria então de tecer algumas considerações, referindo-me à minha bagagem teórica de psicanalista e analista de grupo. Primeira constatação: Não sei se são como eu, mas assim que tenho uma ideia para um tema de congresso, mergulho nos tratados da disciplina e consulto o índice remissivo na esperança, por um lado, de encontrar uma rubrica e constatar que já foi tudo dito sobre o tema, por outro, não encontrar nada e convencer-me que está na altura de trabalhar sobre ele. Pois bem, talvez que aqueles que escrevem os tratados de psicoterapias de grupos sejam sobretudo calvinistas retraídos, mas nada encontrei sob o termo prazer. Não há balizas teorizadas na nossa área ao nível do prazer em grupo que é, contudo, o cimento necessário à coesão e à aliança grupal. Acrescento que uma pesquisa na internet me levou a um bom número de sites pornográficos. E se estes me deixam ver situações de prazer sexual em grupo, pouco me ensinam sobre o aspecto teórico ou, digamos, mais sublimado.

A ausência de uma referência na nossa área é por si só interessante. Temos tendência pela nossa abordagem a privilegiar o patológico e disfuncional, deixando de lado aspectos fundamentais, uma espécie de fundo silencioso do qual não devemos falar.

A questão teórica é aliás interessante, já que o prazer é uma noção e uma sensação individual partilhada ou não. Uma “matriz” grupal não tem prazer em si, quanto muito permite, pelas condições em que coloca os indivíduos que a compõem, o acesso destes últimos ao prazer.

A teoria psicanalítica permite-me avançar um pouco mais. O prazer é, de facto, algo que está conceptualizado de um ponto de vista metapsicológico. Num primeiro tempo, partirei desta base do individual ao grupal, estando, claro está, consciente do artificial deste procedimento, em particular da necessidade de o conceber numa circularidade. Em seguida, ilustrarei «o prazer em grupo» com base em dois exemplos, um tirado da antiguidade e outro da minha prática.


2. Algumas observações psicanalíticas:

O prazer encontra-se no cerne da metapsicologia enquanto «princípio do prazer»- Em escritos anteriores a 1920 e com o aparecimento da teoria da compulsão para a repetição, o prazer é associado antes de mais à descarga. È um prazer sexual em estado bruto que consome o objecto e que exige satisfação. É um modelo concebido sobre um modo quantitativo onde o objectivo é o alívio das tensões. De resto, lembramo-nos que Freud conclui que sendo de natureza diferente o prazer originado pelas zonas erógenas e o ligado à evacuação de matérias sexuais. Assim, o prazer preliminar está estreitamente ligado à pele, ou dito de outra forma, a uma imagem de contentor, de embrulho. Isto é importante pois o prazer leva, de muitas formas, aos limites e a eliminações relativas e momentâneas dos mesmos.

Com a introdução da sublimação, as vias de satisfação vão encontrar caminhos mais variados e oferecer uma satisfação sem passar pela descarga pulsional propriamente dita. O ponto de viragem do «para além do princípio do prazer», introduzindo a compulsão para a repetição afasta o prazer desta simples equação de descarga - prazer. A excitação em si mesma pode ser uma fonte de prazer e o alívio da tensão deixa de estar no centro.

Para ser breve e um pouco caricatural, aceitemos que Freud tenha privilegiado uma visão mais masculina do prazer descarga. Desde então, outros autores, tanto homens como mulheres, têm evocado um prazer de natureza mais feminina. Por exemplo, Monique Schneider que, na releitura e desenvolvimento dos paradigmas freudianos, descreve bem o reverso, quando o prazer pode também vir do objecto, ou seja, do outro. Esta passividade– sedução- é fonte de um prazer que não o do modelo da descarga. Como nota a autora, Freud resistiu, de certa maneira, a reconhecê-lo no homem. Mas quando Freud entra na descrição do prazer estético, a sua descrição não se afasta muito da que os «Três Ensaios» atribuem à mulher. O homem é, então, o criador da obra, estando a vertente feminina do lado do auditor, a recepção.


3.Prazer em grupo:

A articulação entre o aspecto pulsional e a sua satisfação descarga vai-se complicando com a necessidade da vida grupal. A pressão social leva-nos a adiar a descarga na maioria das situações. É o preço a pagar pela evolução social. A sexualidade e sua satisfação está enquadrada pelo socius que a rege segundo todo um sistema de regras, de interdições que variam conforme as culturas. Se assim não for, a vida social é impossível, até a própria vida, se o princípio do prazer não se submeter a um prazer de realidade. Só em determinadas circunstâncias é que a regressão grupal vai favorecer uma desinibição total que aniquila, então, o outro enquanto indivíduo e traz o reaparecimento da necessidade de satisfação de um prazer descarga em grupo. Aliás, esta regressão é muitas vezes favorecida pela absorção de diversas drogas, que contribuem para a eliminação de barreiras superegóicas. Aparece o risco de desligamento social onde a satisfação imediata anula o vínculo ao outro. Pensemos no exemplo da violação colectiva, paradigma de um prazer descarga que passa pela aniquilação daquele que representa a alteridade, ainda que do sexo oposto ou de outra comunidade. É a partir daqui, há que admitir a vertente descarga masculina, que Freud vai aliás descrever no «Totem e Tabu» ou «Psicologia das massas e análise do eu». Notemos uma característica que subsiste quase sempre quando falamos de prazer em grupo: há sempre um estranho, alguém de fora que serve de receptáculo de elementos maus para permitir a comunhão do bom, fonte de prazer. Neste sentido, há sempre, em diversos graus, uma forma de clivagem.

Estar junto, fazer com que se tenha prazer em conjunto, é também passar de uma posição passiva de «estar no mundo» e suportá-lo para uma tentativa de retomar uma posição criativa. Este movimento busca um prazer de redescoberta e de apropriação. Não sem lembrar o movimento da criança que se apropria do mundo e o recria. É isso que nos faz certamente dizer no final de um belo serão, que acaba tarde e onde se teve muito prazer em conversar: «reinventámos o mundo». Ao exprimirmo-nos assim, dotamo-nos de um papel activo, ainda que um pouco megalómano, que nos vê participar na criação do mundo e conhecê-lo. É desta posição activa, de domínio, que nasce o prazer, pelo menos no seu pólo activo.

Completamente diferente é a posição passiva, de percepção, onde o indivíduo se impregna do que vem do exterior, do que o rodeia. Nessa situação, deixamo-nos penetrar por aquilo que nos rodeia. Esta posição passiva é a que nos permite, por exemplo, escutar uma música num concerto. Estamos no meio de um conjunto de outros ouvintes. Esta posição passiva-feminina é acompanhada por um relaxamento do pensamento, que vagueia ao sabor da música, mas deixa de lado o aspecto intelectual cognitivo. Podemos ver aqui relações com a posição feminina. Aliás, Freud descreve esta «interdição do pensamento» que associa à mulher no contexto da época vienense do princípio do século XIX. Este tipo de prazer é o de fazer parte do grupo. Como tal, é geralmente acompanhado por uma diminuição temporária e limitada das percepções das delimitações próprias para, assim, ter acesso a uma paleta receptiva e afectiva onde o cogito está pouco presente. Não admira que Freud se tenha dito incapaz para tal: «para a música, sou quase inapto ao gozo. Uma disposição racionalista, ou talvez analítica, insurge-se em mim, recusando que eu possa ser apanhado sem ao mesmo tempo saber porque o estou e o que me prende assim».

Por conseguinte, o prazer que se sente em grupo está fortemente ligado a uma sexualidade sublimada, seja de vertente mais masculina ou feminina segundo o par passividade-actividade.
É nesta fase das minhas reflexões que me lembro do «Banquete» de Platão. Li-o como deve ser na escola, ainda que não fosse helenista. Há textos que atravessam séculos sem que numa primeira leitura se saiba bem porquê. É um pouco a impressão que tenho sobre este texto. Quando pude voltar a lê-lo, falou-me de outra maneira. Compreendi que continha e tratava do tema que ora me ocupa, a saber, qual o fundamento do prazer de estar em grupo. Este texto alia e reúne simultaneamente um discurso sobre o amor, o prazer sexual, a sua sublimação intelectual no seio de um grupo.


4.O banquete de Platão
Como é evidente, está fora de questão que eu desenvolva o aspecto, filosófico, histórico ou mesmo retórico deste escrito. Muito autores ao longo dos séculos o têm feito. É sobretudo numa leitura de analista de grupo que gostaria de comentar o Banquete. Proponho-vos a leitura deste texto como guião de uma reunião de indivíduos que vêm discutir as suas ideias. Temos em primeiro plano, um discurso bem construído de filósofos que descrevem as ideias da época. Por trás, afloram os fantasmas, tanto no plano individual como grupal. O discurso consciente revela, por outras palavras, um discurso inconsciente, latente, que é preciso tentar seguir, como fazemos numa sessão de grupo analítica. O quadro deste grupo é evidentemente diferente do de uma sessão de grupo. As regras que o regem são outras. A comparar, teria mais analogias com uma sessão de psicodrama.

Vejamos melhor a cena. Platão apresenta e descreve uma recepção em casa de um homem abastado durante a qual os convivas se comprometem a falar do amor, em particular a discursar sobre Eros. Este tipo de reunião era na altura muito popular na Grécia antiga. Na realidade, em grego o termo «simposium» significa reunião de bebedores. Este tipo de reunião tem em princípio várias fases. Começa com uma refeição, onde se tomam bebidas em conjunto, acompanhada por divertimentos. Os lugares são organizados em semicírculo ou em círculo. No centro, está um jarro cheio de bebida que celebra Dionísio. Este tipo de reunião tem um presidente, que pode ser o dono da casa, mas não necessariamente. No Banquete, cabe a Erixímaco o papel de moderador.

É este o cenário. A bebida, que em caso algum deverá levar à bebedeira é uma forma de aquecer o ambiente, espécie de regressão organizada, poderíamos dizer.
Neste banquete, cada um na sua vez, exprime o seu ponto de vista sobre os mistérios de Eros. Assim, se o tema é filosófico, as imagens evocadas podem ser entendidas como fantasmas individuais que ressoam ou não ao nível grupal. Não vou aqui elaborar detalhadamente, mas apenas analisar alguns. Tomemos o exemplo do célebre discurso de Aristófanes que relata um mito bem conhecido: três espécies constituem a humanidade primitiva, o macho, a fêmea e o andrógina, mistura das duas primeiras. Vê-se bem a ideia de complitude. Este não convém a Zeus que divide os homens primitivos em dois. A partir daqui, enfraquecidos, incompletos, vão em busca da sua metade. É o nascimento de uma sexualidade, doravante intersubjectiva e ligada à incomplitude, que se tenta sem cessar preencher. Isto leva-nos a uma leitura relacionada com a sexualidade que faz lembrar as teorias em torno da complitude narcísica como necessidade ideal a alcançar.

A propósito de narcisismo, é de notar que um dos convivas chega atrasado, tal como normalmente acontece numa sessão de grupo. Só podia ser Sócrates. Ausente no início da refeição, faz-se desejar. Notemos que se regozija por participar nesta assembleia, pois vem todo bem vestido, o que não é normal nos seus hábitos, segundo os cronistas. Poderíamos, então, descrevê-lo como a personalidade com traços narcísicos neste grupo, que procura fazer-se notar e distinguir-se dos outros. Aliás, Sócrates descreve-se acima deste Eros carnal que deixa para os outros e que despreza. O seu interesse vai para as actividades da alma e para as coisas divinas mais próximas de um Eros etéreo.

Como em qualquer sessão de grupo, há momentos diferentes e intervenções que influem no discurso grupal. A este propósito, um dos pontos centrais para o desenvolvimento do banquete são as propostas de Diotima relatadas por Sócrates. Não é por acaso que é introduzida pela primeira vez, nesta assembleia de homens, a palavra atribuída a uma mulher. Esta profetisa Diotima recebe e traduz as revelações divinas. Através dela, é introduzido no discurso que Eros pode ser simultaneamente um intermediário entre o bonito e o feio, mas também entre o bom e o mau. Eros é uma harmonia de opostos. Ou dito de outra forma, passamos de uma posição do «tudo ou nada» para um discurso mais ambivalente. O objecto que adquire esta posição ambivalente é, para nós psicanalistas, mais maduro.

O nosso colega, animador do Banquete que organiza a palavra, orienta bem o seu grupo. Mas não é analista de grupo nem psicanalista. Assim, divirto-me a imaginar-me no seu lugar e a intervir em determinado momento para acrescentar uma dimensão a esta leitura dos discursos individuais de cada um dos participantes, sugerindo uma leitura do discurso latente grupal. A interpretação que teria vontade de dar seria dizer a estes augustos participantes que todos os seus discursos estão presentes pelo prazer de estarem aqui e agora juntos. Exprimem através do seu logos o que, de facto, os leva a reunirem-se. Este prazer de discorrer que manifestam é uma satisfação substituta ou mais sublimada do prazer descarga. É esta a grande diferença entre um tal Banquete e uma orgia. Aliás, os discursos raiam propostas eminentemente eróticas. Além disso, nesta assembleia antes de mais masculina, o aspecto homófilo está omnipresente, enraizado na tradição grega. Se estes participantes sentem visivelmente prazer, é também porque o seu Eros é um Eros domado e ligado que se traduz como um amor e como um impulso para o outro, que se insere na vida em grupo. É um logo libidinalizado indutor de vínculo intersubjectivo.


Mas esta posição bem temperada de um Ero do lado de uma pulsão de ligação não está sozinha. Faz-se também menção no banquete, e várias vezes, ao seu vínculo à hubris. É o que definia o aspecto da violência, da desmedida, da insolência no pensamento grego. Se esta hubris está ligada a Eros numa desmedida construtiva, torna-se uma força criadora. Mas, se esta hubris estiver desligada, Eros junta-se a Dionísio e à sua loucura, retomando a temática de Dionísio e das Ménades que se encontram nas Bacantes de Eurípides. O prazer grupal, se esta tendência vigorar, leva à orgia. Este desligamento, que tem analogia com o desemaranhar pulsional, «pulsão de vida-pulsão de morte», deixa a acção tomar conta do verbo nas condutas ébrias ou sexuais. Afaste-se assim de um discurso civilizado onde o discurso, o logos é portador de carga libidinosa. Não se pode idealizar os nossos antepassados e é bem verdade que muitos banquetes se transformaram numa orgia ou desordem. As únicas marcas que puderam deixar foram as de sangue, de esperma e de vinho. Completamente diferente é o banquete relatado por Platão onde, durante todo ele, as forças de vínculo dominam. Desde logo, o banquete permanece inscrito com um acto social eminentemente civilizado. Deixa um rasto sob a forma de um escrito admirável, fruto da sublimação pulsional dos seus participantes. Podemos medir o prazer que eles gozaram. É, aliás, o que nos contam Éris e Aristófanes quando evocam a história onde a natureza antiga nos confere o estatuto de ser humano. Quando nos encontramos e vivemos em harmonia com esta natureza, estamos de acordo com o universo ligado aos deuses, o reino animal e vegetal. Existe uma harmonia geral que permite o bem viver. Vê-se aqui um discurso que faz a apologia da harmonia, do conjunto, do vínculo (página 97). À custa certamente de deixar de lado a miséria do mundo, como desmancha prazeres.
O termo Harmonia convém a este tipo de prazer que podemos sentir no estar em grupo. Em termos grupais, este estado pode corresponder ao que D.Anzieu chamou de ilusão grupal. É um momento de euforia, em que os membros se sentem bem em conjunto, tendo apagado as suas diferenças e estando a viver um momento de complitude. É uma espécie de triunfo maníaco que une o grupo no princípio, expulsando o mau de forma projectiva para o exterior. Remete para um estado regressivo de ilusão de complitude.
5.Do Banquete ao fondue :

Deixemos o Banquete, realçando, contudo, que se trata também da partilha de uma refeição cujo centro é ocupado por um fogo dionisíaco. Isto faz-me pensar numa iguaria tradicional na Suíça que é o fondue de queijo. No centro da mesa está uma panela de fondue na qual cada um vai molhar o seu pão. Vão-se tecendo assim elos com o queijo que vai fazendo fios. Cada um se alimenta da mesma fonte e sente prazer nisso. Temos o hábito de dizer que, quando está mau tempo na rua, esteja a chover ou a nevar, «está bom tempo para o fondue». Com isso, estamos à espera que este tipo de refeição, com o fogo no centro, nos restaure e reconforte quando os elementos naturais são tão pouco hospitaleiros. Encenamos uma clivagem que se assemelha à ilusão grupal: o frio, o mau lá fora e o calor e o bom no interior. Aliás, os publicitários não se enganaram quando criaram o slogan «o fondue cria bom humor»! Ou seja, é gerador de prazer, recriando artificialmente este calor de um ventre materno. Todavia, esta comparação com o fantasma uterino é apenas parcial, pois o aspecto de refeição totémica está evidentemente presente na imagem de uma tal refeição.


Não sei se os filhos têm prazer em partilhar os restos do pai na refeição totémica descrita por Freud. O que sabemos é que pôr para fora o mau, guardando apenas o bom, fracassou e que a culpabilidade apareceu rapidamente, o que os fez dispersar… o prazer é efémero.


6.Uma sessão de grupo:
Não ficaria satisfeito comigo mesmo se tratasse este assunto sem evocar material clínico. Esboçar através de um exemplo, os entrelaços possíveis das expressões do prazer num grupo.

Esta sessão começa em silêncio. Ouve-se, no andar de cima, crianças a correrem e a gritarem e a melodia de canções infantis. Os participantes trocam alguns sorrisos. A canção pára e Daphnée diz: «devo ou não devo?» É o título, diz ela, da música que acabou de terminar. Daphnée diz-nos também que preparou ontem o aniversário da filha. Foi uma tarde cheia de emoções. Começou por fazer grinaldas em papel para a decoração, tratando ao mesmo tempo das limpezas. À tarde, recebeu doze crianças. Deu-lhes de comer e levou-as a uma exposição na cidade. Enquanto fala, os seus olhos enchem-se de lágrimas. Porque tenho de fazer tanto, de dar sempre prazer? Aliás a minha filha nem reparou nas grinaldas, o que lhe deu mesmo gozo foi ter as suas amigas. E Daphnée continua: «Isto já vem de longe, sempre tive necessidade de fazer muito pelos outros na expectativa de sinais e de retorno de que assim era amada». O grupo vai falando à roda sobre o tema que gira à volta de: a quem damos prazer, será que nos damos a nós próprios prazer, será que nós próprios temos prazer. Faço a ligação desta temática com as palavras de Paul da sessão anterior que evocava a mãe pouco generosa, da qual nunca podia saber se ele lhe dava prazer ou não. Rapidamente, os participantes começam a falar dos filhos a quem se quer dar prazer. A maioria é pai de crianças pequenas e começa a relatar os preparativos dos aniversários, o bolo feito na noite anterior ao grande dia até às duas horas da manhã em vez de comprar um, arriscando uma crise de nervos porque saiu tudo torto.

Que trabalheira! Cada um vai acrescentando algo sobre o cansaço que isso representa. Como lembra René, é porque nos dá gozo que o fazemos e na expectativa de que a criança fique satisfeita. Relembra-se que é demasiada pretensão querer conhecer sempre o que dará prazer ao outro. Jean diz que para escolher um presente, entende que se lhe dá prazer também dará prazer ao outro. Todos concordam. Pergunto-me se é isso que acontece com a criança quando faz um presente e oferece algo que lhe apraz, enquanto que o adulto ou o pai deveria pôr-se no lugar da criança. Os membros do grupo concordam que as duas posições são incompatíveis. René diz que isso lhe lembra a imagem do barómetro da sua infância. Uma pequena casa de onde sai uma determinada personagem consoante faça bom ou mau tempo. Assim, os membros do grupo vivem nessa altura os dois desejos, o da criança e o do adulto, que nunca se cruzam. Faço notar que no tipo de barómetro recordado por René, aparece normalmente um homem e uma mulher, que nunca se juntam. Como está no fim da sessão, pergunto-me se o «devo ou não devo» do início da sessão tem a ver com o que se passa dentro de nós entre uma vertente emocional e cheia de um prazer expontâneo que está relacionado com a infância representada no andar de cima e um lado caracterizado pelo domínio do adulto que parece ser valorizado desta sessão.

Gostaria de comentar alguns aspectos desta vinheta clínica A repartição espacial é interessante: Em cima, o barulho do jogo de uma festa de crianças aos gritos. Imaginamo-los com a excitação motora que os barulhos da corrida revelam. É um prazer do tipo descarga. Podemos encontrá-lo nas sessões de grupo relatadas pelos meus colegas que animam grupos de crianças. Aos adultos, no andar de baixo, é dado o papel de espectador, ou melhor, de ouvinte: o ambiente é silencioso, contido, escapam-se apenas alguns sorrisos, sinal de um prazer contido. Conscientemente, os membros deste grupo identificam-se imediatamente com os pais cujo objectivo é dar prazer. Contudo, a associação de René leva à infância quando a situação era a inversa. Era mais a criança que espiava os barulhos que faziam os pais no quarto. Na imagem da casa barómetro onde ora uma ora outra das figuras está de fora, se for a representação dos pais, então eles estão sempre separados. Ao contrário do prazer que é barulhento no andar das crianças, trata-se de um prazer discreto, dominado, o que se exprime no andar do grupo de adultos. É composto por tímidos sorrisos, sinais de conivência. Se existe prazer, é um prazer relacionado sobretudo com o discurso, talvez como esse momento privilegiado em que o grupo está junto e adere num movimento de ressonância a uma vivência ou a uma interpretação.

Mais se nota a dialética entre o prazer narcísico e o prazer inscrito num relação de objecto mais madura. Por um lado, um prazer em espelho, só se pode oferecer e ter prazer em oferecer algo ao outro se for a mesma coisa para nós. O outro está então em espelho, em simetria, com um estatuto de objecto parcial. Por outro lado, um prazer de oferecer ao outro tendo uma representação dele como diferenciada. É um estado de alteridade mais maduro.

A sessão seguinte começa com o silêncio. Paul reflecte sobre determinados elementos da semana anterior. Para ele, este tempo de silêncio é necessário para se acalmar da tormenta do trabalho, que toma conta dele lá fora e o faz vir cheio de pressa para o grupo. Reflecte sobre a imagem do barómetro. Não pode estar de fora e manter ao mesmo tempo o contacto com o seu interior. Tem a sensação de se perder. Não posso ser o adulto eficiente e responsável por fora e estar em contacto com as minhas emoções interiores. Porque nos sentimos tão indispensáveis no trabalho a ponto de ter tanta pena de deixar o escritório? Relaciono isso com a partida para breve de um membro do grupo. René diz que para ele não faz mal porque o grupo é suficientemente grande. Já se fosse um grupo de quatro, isso já era como numa família quando alguém se vai embora e se sente a separação. Como refere a analogia com a família, alguém lhe pede para designar os pais e os filhos. Os papéis são rapidamente distribuídos na galhofa, às gargalhadas. Depressa ficam todos muito excitados. Pedem desculpa ao analista a quem nem sequer deram um papel. Intervenho para dizer que mais parecem as crianças no andar de cima da última vez que brincavam aos pais e às mães. Mas é um pouco complicado com a minha presença. O que fazer comigo, é raro as crianças brincarem aos pais e às mães na presença de um adulto.


Georges ,que vai deixar o grupo brevemente, pergunta-se se não deixa o grupo por não poder ser o califa no lugar do califa. André que foi nomeado pai diz que é curioso que o tenham escolhido, já que ele fala muitas vezes da sua dificuldade com a imagem masculina. Sentir-se pai em relação aos filhos até dá, mas não homem em relação a uma mulher.
O meu objectivo não é comentar todos os níveis de interpretações possíveis de uma tal sequência, como o aspecto maniforme que disfarça certamente a tristeza de um partida para breve. Gostaria sobretudo de insistir neste movimento que consiste na possibilidade para os membros do grupo, nesta segunda sessão, de sentirem mais directamente uma vivência emocional, identificando-se desta vez com as crianças. Graças ao espaço lúdico e ao prazer obtido, podem então deixar aflorar mais directamente uma problemática edipiana, com os seus prazeres e perigos. Por outras palavras, apropriaram-se de qualquer coisa das respectivas representações infantis.

7.o homem, esse animal social:

O movimento descrito na nossa vinheta clínica é importante e temos de estar atentos, como analistas de grupo, para incentivá-lo. Na realidade, para um bom número dos nossos pacientes esta passagem para a idade dita madura é feita à custa de um domínio acrescido das pulsões sexuais, onde predominam os mecanismos de repressão mais do que sublimação. O preço na economia psíquica torna-se exorbitante pois está indexado à perda do prazer de brincar. O desafio de uma terapia de grupo é poder restaurar este espaço transitório do jogo de que Winnicott tão bem falou. Isto passa muitas vezes também pela possibilidade, graças à regressão grupal, de renovar o contacto com um mundo pulsional infantil que se pretende reactualizar no grupo.

Abordar a questão do «prazer em grupo» como o fiz, do ângulo da sexualidade infantil é, claro está, uma perspectiva parcial do tema. O sentimento de prazer em grupo é um cimento da vida grupal. Neste sentido, precede ou instaura-se de forma concomitante com a individualização e participa no processo de socialização. Este tropismo positivo, que nos leva sobretudo a privilegiar a companhia dos nossos semelhantes mais do que a ermitagem solitária na montanha, refere-se a um prazer ou necessidade gregária primitiva. Prende-se com certeza com mecanismos de identificação básica. Entram em jogo mecanismos grupais como o mirroring, onde o prazer do outro se torna num espelho do seu próprio prazer, confortando-o e ampliando. Este prazer partilhado deve ser visto como um entendimento mútuo onde cada um vibra de uma mesma maneira criando uma valência positiva para empregar a terminologia do Bion. Esta indica «a disposição do indivíduo para entrar em combinação com o resto do grupo para estabelecer as hipóteses de base, conformando ás mesmas o seu comportamento». Mais recentemente, Avron falou da pulsão de interligação rítmica para evocar esta força e insistir no seu lado dinâmico. Ou seja, para que este fenómeno de ressonância funcione, é preciso que todos os participantes estejam no mesmo registo afectivo e afinados. Caso contrário, o indivíduo que não partilha deste estado afectivo arrisca-se a estragar a harmonia do grupo. Aliás, é chamado de «empata». Ele introduz uma dissonância que rompe com o movimento grupal de clivagem, em jogo no momento, cujo objectivo consiste em pôr para fora os elementos negativos para criar um ambiente de prazer partilhado e homogéneo, o menos ambivalente possível. Conhecemos bem uma das respostas grupais que responde à intervenção do «empata» ou «desmancha prazeres». Trata-se de transformar o «empata» em «bode expiatório», a expulsar para evitar o trabalho doloroso de uma tomada de consciência própria de uma posição mais ambivalente.

Evocando assim esta dinâmica, a analogia com o objecto maternal primário torna-se evidente. Nostalgia do ventre uterino, de uma relação de amor primário não ambivalente.

Mas este prazer partilhado no vínculo com os outros é mais do que a simples analogia á relação primitiva uterina onde o objecto primário maternal seria deslocado no grupo. Isto remete certamente para uma bagagem filogénica que faz a priori do homem um animal social. Racionalizar em termos de prazer relativo a uma pulsão libidinosa é, por isso, parcial. Não se dá conta das necessidades de ligações entre indivíduos. Logo, uma pulsão de socialização pode ser evocada, aquilo que Freud já tinha de resto feito, mas não voltou lá. «Estes instintos arcaicos do homem», para retomar a expressão de I.Hermann, remete-nos para a teoria da génese da relação de objecto que se refere a um vínculo social primário que explica a predisposição para o agrupamento. É partindo desta base que a experiência de vínculos sucessivos da história infantil própria de cada um vai colorir esta apetência para o grupo, reforçando-os ou inibindo-os. Conceptualizar em termos de relações de objectos este movimento para o grupo leva-nos, contudo, a uma constatação: a noção de prazer está, que eu saiba, ausente na teoria do apego, pelo menos para Bowlby. È mais o desprazer, o evitar a faltar que seria o motor da ligação ao objecto. Ora, parece-me igualmente construtivo ter uma leitura onde o efeito da presença do objecto é importante. A ligação intersubjectiva constantemente renovada, cimentada pelo prazer, desempenha o papel de reforço identitário, que se alimenta do efeito da presença de objectos terceiros num jogo de identificações constantemente renovadas. Assim, o objecto grupo, como fonte primária de prazer, é motor de uma satisfação libidinosa. Com efeito, não devemos perder de vista a articulação entre uma leitura em termos de relações de objectos e outra em termos de pulsões.
8. em guisa de conclusão:
Optei por apresentar, articulando-o com exemplos, um aspecto do prazer em grupo, insistindo na sua articulação com as pulsões sexuais, não deixando de estar consciente de que existem outras. Podemos sempre realçar o compromisso necessário entre o princípio de realidade e o do prazer que nos é imposto por qualquer socialização, em particular quando o indivíduo acede a uma fase de maturidade sexual. Na altura da adolescência, goza-se um momento chave cujos traços se vêem nos pacientes que nos consultam. Apresentam uma paleta de sintomas que, vistos como uma tentativa de comunicação de um discurso inconsciente, apontam geralmente para uma relação difícil com o prazer. De facto, nunca fui consultado por um paciente que se queixasse de prazer a mais! É sobretudo uma relação com um prazer ausente, interdito, reprimido que temos pela frente. O desprazer parece, neste sentido, um motor de pesquisa mais poderoso que o prazer... na nossa área pelo menos!

A este sofrimento vamos responder, em função da nossa formação e das nossas competências, de diversas maneiras. Podemos, como psiquiatras, em determinadas circunstâncias, propor uma medicação com objectivo de melhorar pela acção farmacológica esta capacidade misteriosa que tem o indivíduo para sentir desejo e prazer. Do ponto de vista psicoterapêutico, introduzimos um quadro específico que nos permita, esperamos, induzir um processo psicoterapêutico. A alteração produzida deverá levar o paciente a modificar o seu equilíbrio psíquico para um melhor bem estar. É altura para mostrar que a passagem pelo grupo, se for entendido como poderoso agente de prazer, pode desempenhar um papel central, restaurando sobretudo uma dimensão lúdica enraizada no infantil.

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Lausanne, 25.5.2004





Le plaisir en groupe

Dr Luc Michel, IUP, Tunnel 1,1005 Lausanne,Suisse




1.Introduction :
Je pratique comme psychanalyste et analyste de groupe depuis plus de 20 ans. Beaucoup de personnes, qui sont devenues par la suite l’espace d’une courte période ou pour longtemps mes patients, m’ont consulté à un moment de leur vie où Ils souffraient d’une série de symptômes. Ce n’est pas le lieu d’entrer dans une description fouillée des types de troubles qu’ils présentaient, que ceux-ci soient répertoriés dans des classifications plus ou moins standardisées comme le DSM IV ou l’ICD 10 ou non. Ce que je relève et qui m’intéresse aujourd’hui est que bon nombre présentaient, de manière plus ou moins importante, une diminution de leur capacité à éprouver du plaisir. Cette absence ou diminution du plaisir est certes une des caractéristiques cardinales de ce qu’on appelle des états dépressifs. Mais l’absence de plaisir dépasse largement ce cadre nosologique. Songeons par exemple aux patients présentant ce que nous regroupons sous le terme de phobie sociale, un déplaisir qui va jusqu’à la panique à la perspective d’être avec d’autres dans certaine situation. Au contraire, d’autres personnalités dépendantes ne peuvent se vivre seules et ont une sorte d’addiction à être ensemble. Des personnalités plus schizoïdes me relatent leur difficulté et non envie à se rapprocher des autres , ceux-ci étant alors très vite ressentis comme intrusifs , ôtant toute possibilité d’éprouver du plaisir.

  Nous pouvons bien entendu entendre une multitude de significations sous le vocable plaisir. Comme le plaisir est un état émotionnel fondamental, les définitions, comme les descriptions sont diverses et touchent des niveaux différents. Pensons, par exemple aux neurosciences, où le plaisir est décrit comme une émotion basique qui colore les sentiments. Son articulation avec la douleur ou le déplaisir fait partie de la régulation biologique de l’individui (Damasio, 2004).

On le voit le sujet est vaste et je vais me cantonner à évoquer quelques aspects du « plaisir d’être ensemble » en pointant surtout les aspects de son articulation avec la sexualité.
A ce stade ma question est somme toute assez basique et triviale : mais pourquoi donc j’éprouve du plaisir en groupe ? pourquoi certaines personnes n’en éprouvent pas ? ou dit d’une autre manière, c’est quoi le plaisir en groupe ? Poser ce type de question déjà comme individu a quelque chose d’abyssal. J’aimerais m’y arrêter en me référant à mon bagage théorique de psychanalyste et d’analyste de groupe. Une première constatation :Je ne sais pas si vous êtes comme moi, mais dès que j’ai une idée d’un sujet de conférence, je me précipite vers les traités de la discipline et consulte l’index dans l’espoir ,d’une part d’y trouver une rubrique et d’y constater que l’on a déjà tout dit sur le sujet et, d’autre part de ne rien trouver en me disant que c’est l’occasion d’y travailler . Eh bien, peut-être que ceux qui écrivent les traités de psychothérapies de groupes sont plutôt des calvinistes coincés, mais j’ai ne rien trouvé sous le terme plaisir. Il n’y a pas de balises théorisées dans notre domaine au niveau du plaisir en groupe qui est pourtant le ciment nécessaire à la cohésion et l’alliance groupale. J’ajoute qu’une recherche sur le web m’a amené à bon nombre de sites pornographiques. Si ceux-ci me donnent à voir des situations de plaisir sexuel en groupe, ils ne m’apprennent que peu sur l’aspect théoriques ou, disons, plus sublimé.

L’absence de référence dans notre domaine est déjà en soi intéressant. Nous avons tendance, de par notre approche à privilégier le pathologique et le dysfonctionnel en laissant de côté des aspects fondamentaux, sorte de fond silencieux dont on n’a pas à parler.

La question théorique est d’ailleurs intéressante puisque le plaisir est une notion et un ressenti individuel partagé ou non. Une « matrix »groupale n’éprouve pas de plaisir en soi , tout au plus permet-elle, par les conditions dans lesquelles elle met les individus qui la composent, l’accès à ces derniers d’éprouver du plaisir.
La théorie psychanalytique me permet d’avancer un peu plus. Le plaisir est en effet quelque chose qui est conceptualisé d’un point de vue métapsychologique. Je partirai donc dans un premier temps de cette base de l’individuel au groupal en étant bien entendu conscient de l’artificiel de la démarche , en particulier de la nécessité de la concevoir dans une circularité. J’illustrerai dans un deuxième temps « le plaisir en groupe » à l’aide de deux exemples, l’un tiré de l’antiquité et l’autre de ma pratique.

2.Quelques repères psychanalytiques :

Le plaisir est au centre de la métapsychologie en tant que « principe de plaisir ». Dans les écrits antérieurs à 1920 et l’apparition dans la théorie de la compulsion de répétition, le plaisir est associé avant tout à la décharge. C’est un plaisir sexuel à l’état brut qui consomme l’objet et qui exige satisfaction. C’est un modèle conçu sur un mode quantitatif où le but premier est l’apaisement des tensions. On se rappelle par ailleurs que Freud conclut à la nature différente du plaisir procuré par les zones érogènes et celui lié à l’évacuation des matières sexuelles. Ainsi le plaisir préliminaire est étroitement lié à la peau, autrement dit à une image de contenant, d’enveloppe. Ceci est important car le plaisir de bien des façons renvoie aux limites et aux effacements relatifs et momentanés de celles-ci.

Par l’introduction de la sublimation, les voies de satisfactions vont trouver des cheminements plus variés et offrir une satisfaction sans passer par la décharge pulsionnelle proprement dite. Le tournant de « au delà du principe de plaisir », en introduisant la compulsion de répétition dégage le plaisir de cette simple équation décharge-plaisir. L’excitation en elle-même peut être source de plaisir et l’abaissement de la tension n’est plus au centre.

Pour être bref et un peu caricatural, relevons que Freud a privilégié une vision plutôt masculine du plaisir décharge. Depuis lors d’autres auteurs tant des femmes que des hommes ont évoqué un plaisir de nature plus féminine. Ainsi, par exemple, Monique Schneider qui à la relecture et au développement des jalons freudiens, décrit bien le renversement où le plaisir peut aussi venir de l’objet, autrement dire partir de l’autreii. Cette passivité – séduction- est source d’un plaisir autre que celui d’un modèle de la décharge. Comme cette auteure le remarque, Freud a d’une certaine manière résisté à le reconnaître chez l’homme, Mais lorsque Freud s’engage dans la description du plaisir esthétique, sa description du plaisir esthétique n’est pas très éloignée de celle que les « Trois essais » attribuent à la femme. L’homme est alors le créateur de l’ œuvre, le versant féminin étant du côté de l’auditeur, la réception.


3.Plaisir en groupe :

L’articulation entre l’aspect pulsionnel et sa satisfaction décharge se complexifie par la nécessité de la vie groupale. La pression sociale nous fait différer la décharge dans la majorité des situations. C’est le prix à payer de l’évolution sociale. La sexualité et sa satisfaction est encadrée par le socius qui la régit par tout un système de règles, d’interdits qui varient suivant les culturesiii. Si tel n’est pas le cas la vie sociale est impossible, voir la vie tout court si le principe de plaisir ne se soumet pas à un plaisir de réalité. Ce n’est dès lors que dans certaine circonstance que la régression groupale va favoriser une désinhibition totale qui annihile alors l’autre en tant qu’individu et amène la réapparition du besoin de satisfaction d’un plaisir décharge en groupe. Cette régression est souvent d’ailleurs favorisée par l’absorption de diverses drogues, qui concourent à l’effacement des barrières surmoïques. Apparaît un risque de déliaison sociale où la satisfaction immédiate annule le lien à l’autre. Pensons à l’exemple du viol collectif, paradigme d’un plaisir décharge qui passe par l’annihilation de celui qui représente l’altérité qu’il soit de l’autre sexe ou d’une autre communauté. C’est là aussi, il faut l’admettre le versant décharge masculin, que Freud va d’ailleurs décrire dans « Totem et Tabou » ou « Psychologie des masses et analyse du moi ». Notons une caractéristique qui subsiste presque toujours lorsque nous parlons de plaisir en groupe : il y a toujours un étranger, un au dehors qui sert de réceptacle au éléments mauvais pour permettre la communion du bon, source de plaisir. En ce sens il y a toujours, à des degrés variables une forme de clivage.

Etre ensemble , faire en sorte d’avoir du plaisir ensemble, est aussi passer d’une position passive « d’être au monde » et de le subir à une tentative d’y reprendre une position créative. Ce mouvement procure un plaisir de redécouverte et d’appropriation. Ce n’est pas sans rappeler le mouvement de l’enfant qui s’approprie le monde et le recrée. C’est ce qui sans doute nous fait dire, à la fin d’une bonne soirée où l’on a veillé tard et prit beaucoup de plaisir à discuter : « on a refait le monde ». C’est en s’exprimant ainsi se donner un rôle actif, quelque peu mégalomaniaque, qui nous voit participer à la création du monde et ainsi le connaître. C’et de cette position active, de maîtrise que naît le plaisir, du moins dans son pôle actif.
Tout autre est la position passive, de perception, où l’individu s’imprègne de ce qui vient de l’extérieur, de ce qui l’entoure. Nous nous laissons dans de telle situation pénétrer par ce qui nous entoure. Cette position passive, est celle qui nous permet, par exemple, d’écouter une musique dans un concert. Nous sommes un parmi un ensemble d’autres auditeurs. Cette position passive- féminine, s’accompagne d’un relâché de la pensée. Celle-ci vagabonde, au gré de la musique, mais laisse de côté l’aspect intellectuel cognitif. On peut y voir des rapport avec la position féminine. Freud décrit d’ailleurs cet « interdit de penser » qu’il associe à la femme dans le contexte de l’époque viennoise du début du 19ême siècle. Ce type de plaisir est celui de faire partie d’un ensemble. Pour cela , il s’accompagne généralement d’une diminution temporaire et limitée des perceptions de ses propres délimitations pour, ainsi, avoir accès à une palette réceptive et affective où le cogito n’est que peu présent. Ce n’est pas étonnant que Freud s’en soit dit d’ailleurs incapable :  « …pour la musique ,je suis presque inapte à la jouissance. Une disposition rationaliste, ou peut-être analytique, regimbe alors en moi, refusant que je puisse être pris sans en même temps savoir pourquoi je le suis et ce qui me prend ainsi. ».iv

Ainsi le plaisir que l’on éprouve ensemble est fortement entachée d’une sexualité sublimée qu’elle soit d’un versant plus masculine ou féminine selon le couple passivité-activité.


C’est à ce stade de mes réflexions que je me suis souvenu du « Banquet » de Platon. Je l’avais lu comme il se doit à l’école, même si je n’étais pas helléniste. Il y a des textes qui traversent les siècles sans qu’à leur première lecture on sache bien pourquoi. C’était un peu mon impression pour ce texte. Lorsque j’ai eu l’occasion de le relire, il m’a parlé d’une autre manière. J’ai compris qu’il contenait et traitait du sujet qui m’occupe, à savoir de ce qu’est le fondement au plaisir à être ensemble. Ce texte allie et réunit à la fois un discours sur l’amour, le plaisir sexuel, sa sublimation intellectuelle au sein d’un groupe.


4.Le banquet de Platon
Il est bien entendu hors de question que je développe l’aspect philosophique, historique ou même rhétorique de cet écrit. De nombreux auteurs à travers les siècles l’ont faitvvivii. C’est avant tout, dans une lecture d’analyste de groupe que j’aimerais commenter le Banquet. Je vous propose de lire ce texte comme le script d’une réunion d’individus qui viennent discuter de leurs idées. Nous avons au premier plan un discours bien construit de philosophes qui retracent des idées de l’époque. Derrière celui-ci affleurent des fantasmes tant individuel que groupal. Le discours conscient révèle, autrement dit, un discours inconscient, latent qu’il faut tenter de suivre, comme nous le faisons lors d’une séance de groupe analytique. Le cadre de ce groupe est bien entendu différent de celui d’une séance de groupe. Les règles qui le régissent sont autres. A comparer il aurait plus d’analogie avec une séance de psychodrame.

Détaillons un peu plus la scène. Platon présente et décrit une réception chez un homme aisé au cours de laquelle les convives se sont promis de parler de l’amour et tout particulièrement de discourir sur Eros. Ce type de réunions était à l’époque très populaires dans la Grèce antique. En grec le terme est en fait « Symposium » qui signifie réunion de buveurs. Ce type de réunion se déroule en principe en plusieurs temps. Il débute par un repas, où sont prises les boissons en commun, accompagné de divertissements. Les places sont ordonnées en demi cercle ou en cercle. Au centre est placée la jarre, remplie du breuvage célébrant Dionysos. Ce type de réunion a un président, qui peut être le maître de maison, mais pas forcément. Dans le Banquet c’est Eryximaque qui tient le rôle de modérateur.

Ainsi le cadre est posé. La boisson, qui ne doit en aucun cas amener à la soûlerie est une manière de chauffer l’atmosphère, sorte de régression organisée pourrions-nous dire.
Dans ce banquet, chacun tour à tour, exprime son point de vue sur les mystères d’Eros. Ainsi si le thème est philosophique, les images évoquées peuvent être entendues comme des fantasmes individuels qui résonnent ou non au niveau groupal. Je ne vais pas en faire l’élaboration détaillée mais m’arrêter à quelques uns. Prenons par exemple le célèbre discours d’Aristophane qui relate un mythe bien connu : Trois espèces constituaient l’humanité primitive, le mâle, la femelle et l’androgyne mélange des deux premières. On y voit bien entendu l’idée d’une complétude. Celle-ci ne convient pas à Zeus qui divise les homme primitifs en deux. Dès lors, affaiblis, incomplets, ils sont à la recherche de leur moitié. C’est la naissance d’une sexualité, désormais intersubjective et liée à cette incomplétude, qu’il s’agit sans cesse de combler. Cela nous renvoie à une lecture liée à la sexualité qui n’est pas sans rappeler les théories autour de la complétude narcissique comme nécessité idéale à atteindre.

A propos de narcissisme, remarquons que, comme fréquemment dans une séance de groupe, l’un des convives arrive en retard. Ce n’est nul autre que Socrate. Absent au début du repas, il s’y fait désirer. Notons qu’il doit se réjouir de participer à cette assemblée car il s’est bien vêtu , ce qui est contraire à son habitude selon les chroniqueurs. Nous pourrions ainsi le décrire comme la personnalité à traits narcissique de ce groupe qui cherche à être remarquable et se distinguer de l’ensemble. Socrate se décrit d’ailleurs en-dessus de cet Eros charnel qu’il laisse aux autres et qu’il méprise. Son intérêt est aux activités de l’âme et va aux choses divines plus proche d’un Eros éthéré.


Comme dans toute séance de groupe, il y a des moments différents et des interventions qui infléchissent le discours groupal. A ce propos, un point charnière du déroulement du banquet est les propos de Diotime rapportés par Socrate. Ce n’est pas un hasard qu’est introduit pour la première fois, dans cette assemblée d’hommes, la parole attribuée à une femme. Cette prophétesse Diotime reçoit et traduit les révélations divines. Par elle est introduit le discours qu’Eros peut être à la fois un intermédiaire entre le beau et le laid mais aussi le bon et le mauvais. Eros est une harmonie d’opposés. Autrement dit nous passons d’une position du « tout ou rien » à un discours plus ambivalent. L’objet qui acquiert cette position ambivalente est, pour nous autres psychanalyste, plus mature.

Notre collègue, l’animateur du Banquet qui distribue la parole, mène bien son groupe.



Mais il n’est pas analyste de groupe ou psychanalyste. Ainsi, je me plais à imaginer être à sa place et intervenir à un moment donné pour ajouter une dimension à cette lecture des discours individuels de chacun des participants en suggérant une lecture du discours latent groupal. L’interprétation que j’aurais envie de donner est de dire à ces augustes participants que tous leurs discours sont aussi là pour dire leur plaisir à être maintenant et ici ensemble. Ils expriment à l’aide de leur logos ce qui en fait les poussent à se réunir. Ce plaisir de discourir qu’ils manifestent est une satisfaction substitutive ou plutôt sublimée d’un plaisir décharge. C’est toute la différence entre un tel Banquet et une orgie. A ce propos leurs discours recèlent des propos éminemment érotiques. De plus, dans cette assemblée avant tout masculine, l’aspect homophile est omniprésent, enraciné dans la tradition grecque. Si ces participants visiblement ont du plaisir, c’est aussi que leur Eros est un Eros dompté et lié qui se traduit comme un amour et comme un élan vers l’autre, qui engage dans la vie en groupe. C’est un logos libidinalisé inducteur de lien intersubjectif.
Mais cette position bien tempérée d’un Eros du côté d’une pulsion de liaison, n’est pas seul. il est en effet aussi fait mention dans le banquet, à plusieurs reprises, de son lien à l’hubris. C’est ce qui définit l’aspect de la violence, de la démesure, de l’insolence dans la pensée grecque. Si cet hubris est lié à Eros dans une démesure constructive, cela devient une force créatrice. Mais, si cet hubris se trouve délié, Eros rejoindrait alors Dionysos et sa folie, reprenant en cela la thématique de Dionysos et des Ménates que l’on trouve dans les Bacchantes d’Euripideviii. Le plaisir groupal, si cette tendance l’emporte tourne alors à l’orgie. Cette déliaison, qui n’est pas sans analogie avec la désintrication pulsionnelle « pulsion de vie-pulsion de mort », laisse l’agir prendre la place du verbe dans des conduites ébrieuses ou sexuelles. On s’éloigne alors d’un discours civilisé où le discours, le logos est porteur de la charge libidinale. Il ne faut pas idéaliser nos ancêtres et il y a gros à parier que beaucoup de banquets ont tourné à l’orgie et au désordre. Les seules traces qu’ils ont pu laisser sont celles de sang, de sperme ou de vin. Tout autre est le banquet que nous relate Platon où, tout au long, les forces de liaison dominent. Dès lors, ce banquet reste inscrit comme un acte social éminemment civilisé. Il laisse une trace sous forme d’un écrit admirable, fruit de la sublimation pulsionnelle de ses participants. On peut prendre la mesure du plaisir qu’ils y ont pris. C’est d’ailleurs ce que nous content Eryx et Aristophane lorsqu’ils évoquent l’ histoire où une nature ancienne nous confère notre statut d’être humain. Lorsque nous nous trouvons et vivons en harmonie avec cette nature, nous sommes en accord avec l’univers en lien avec les dieux, le règne animal et végétal. Se dégage une harmonie générale qui permet de bien vivre. On voit là un discours qui dresse l’apologie de l’harmonie, l’ensemble, la liaison.(page 97)Au prix certainement de laisser la misère du monde de côté, comme trouble –fête.
Le terme Harmonie convient bien à ce type de plaisir que nous pouvons ressentir à être ensemble. En terme groupal cet état peut correspondre à ce que D.Anzieu a nommé l’illusion groupaleix. C’est un moment euphorique où les membres se sentent bien ensemble, ayant gommé leurs différences et vivant ainsi un moment de complétude. C’est une sorte de triomphe maniaque qui soude le groupe dans ses débuts en expulsant le mauvais de façon projective à l’extérieur. Il renvoie à un état régressif d’illusion de complétude.
5.Du Banquet à la fondue :

Quittons le Banquet, tout en remarquant qu’il s’agit aussi du partage d’un repas dont le centre est occupé par le feu dyonisiaque. Ceci me fait penser à un met traditionnel en Suisse qu’est la fondue au fromage. Au centre de la table se trouve un caquelon à fondue dans lequel chacun va tremper son pain. On tisse ainsi des liens avec du fromage qui fait des fils. Chacun se nourrit à la même source et y prend plaisir. Nous avons coutume de dire, lorsqu’il fait mauvais temps dehors, qu’il pleut ou neige que « c’est un vrai temps à fondue ». Par là nous nous attendons que ce type de repas, avec en son centre ce feu, nous restaure et réconforte au moment où le éléments naturels sont si peu hospitaliers. Nous mettons en scène un clivage qui rejoint celui de l’illusion groupale : le froid , le mauvais dehors et la chaleur et le bon à l’intérieur. Les publicitaires ne s’y sont d’ailleurs pas trompés en créant le slogan « la fondue crée la bonne humeur » ! autrement dit elle est génératrice de plaisir en recréant artificiellement cette chaleur d’un ventre maternel. Toutefois cette comparaison avec un fantasme utérin n’est que partielle car l’aspect repas totémique est bien entendu présent dans l’image d’un tel repas.



Je ne sais pas si les fils ont pris du plaisir à partager les restes du père dans le repas totémique que décrit Freud. Ce que nous savons est que la mise à l’extérieur du mauvais , en ne gardant que le bon a échoué et que la culpabilité est vite apparue ce qui les a fait se disperser…le plaisir est éphémère.

6.Une séance de groupe :
Je m’en voudrais de traiter ce sujet sans évoquer du matériel clinique. Esquisser à l’aide d’un exemple, les entrelas possible des expressions du plaisir dans un groupe.

Cette séance débute par un silence. On entend à l’étage en dessus des enfants courir et crier ainsi que la mélodie de chants d’enfants. Les participants s’échangent quelques sourires. La chanson s’arrête et Daphnée dit : « je dois ou je ne dois pas » ? C’est le titre dit-elle de la chanson qui vient de se terminer. Daphnée nous dit qu’elle a aussi préparé hier l’anniversaire de sa fille. C’était une journée riche en émotions. Elle a commencé à faire des guirlandes en papier pour décorer, tout en s’occupant de la lessive. L’après midi elle a reçu douze enfants. Elle leur a préparé à manger et les a emmenés à une exposition en ville. En s’exprimant, elle a les larmes aux yeux. Pourquoi dois-je tant faire, toujours faire plaisir ? D’ailleurs ma fille n’a même pas remarqué les guirlandes, ce qui lui a fait surtout plaisir c’était d’avoir ses copines. Daphnée poursuit : « Tout cela remonte à très loin, j’ai toujours eu besoin de faire beaucoup pour les autres dans l’attente de signes et du retour que j’étais ainsi aimée ». Le groupe parle autour de thème qui tourne autour de: à qui fait-on plaisir, se fait-on à soi-même plaisir, a-t-on soi-même du plaisir. Je relie cette thématique avec les propos de Paul de la séance précédente qui évoquait sa mère peu donnante, de laquelle il ne pouvait jamais savoir s’il lui faisait plaisir ou pas. Très vite les participants évoquent ces enfants à qui on veut faire plaisir. Ils sont pour la plupart parents de jeunes enfants et commencent à relater les préparations d’anniversaires, le gâteau que l’on fait le soir précédent le grand jour jusqu’à 2 heures du matin plutôt que d’en acheter un, au risque d’une crise de nerf car il est raté. Quelle corvée! Chacun renchérit sur toute la fatigue que cela entraîne. Comme René le rappelle, c’est pour se faire tout de même aussi plaisir que l’on fait ça et dans l’attente que l’enfant soit content. On relève qu’il est présomptueux de vouloir toujours connaître ce qui ferait plaisir à l’autre. Jean dit que pour choisir un cadeau, il se dit que ce qui lui fait plaisir doit aussi faire plaisir à l’autre. Tout le monde trouve ça très bien. Je me demande si c’est ainsi que procède l’enfant lorsqu’il fait un cadeau en offrant quelque chose qui lui plaît, alors que l’adulte ou le parent, devrait se mettre aussi à la place de l’enfant. Les membres du groupe se disent que ces deux positions sont incompatibles. René dit que cela lui rappelle l’image du baromètre de son enfance. Une petite maison où sort tantôt un personnage ou l’autre suivant qu’il fait beau ou mauvais. Les membres du groupe vivent ainsi à ce moment ces deux désirs celui de l’enfant et celui de l’adulte comme ne pouvant se rejoindre. Je fais remarquer que dans le type de baromètre dont ce rappelle René, il s’agissait généralement d’un homme et d’une femme, qui ne peuvent ainsi se rejoindre. Comme c’est la fin de la séance, je me demande si le « je dois- je dois pas » du début de séance est en rapport avec ce qui se passe en nous entre un versant émotionnel et plein d’un plaisir spontané que l’on rattache à l’enfance représenté par l’étage d’en dessus et un côté fait de maîtrise de l’adulte qu’on semble mettre en avant dans cette séance.

J’aimerais commenter quelques aspects de cette vignette clinique. La répartition spatiale est intéressante : En haut, les bruits de jeu d’une fête d’enfants avec ses cris. On les imagine avec l’excitation motrice que révèle les bruits de course. C’est un plaisir de type décharge. On peut le trouver dans les séances de groupe que nous relatent mes collègues qui animent des groupes d’enfant. Les adultes, à l’étage d’en dessous sont mis dans un rôle de spectateurs ou plutôt auditeurs: l’atmosphère est feutrée, contenue, seul s’échappe quelques sourires signent d’un plaisir retenu. Consciemment, les membres de ce groupe s’identifient immédiatement aux parents dont le but est de faire plaisir. Pourtant l’association de René ramène à l’enfance où la situation était inverse. C’était plutôt l’enfant qui épiait les bruits que faisaient les parents dans leur chambre. Dans l’image de la maison baromètre où tantôt l’une des figurines est dedans et tantôt l’inverse, si c’est la représentation des parents, ils sont toujours séparés. Contrairement au plaisir bruyant de l’étage des enfants, c’est un plaisir discret, maîtrisé qui s’exprime à l’étage du groupe d’adulte. Il est fait de timides sourires, signes de connivence. Si on a plaisir , c’est un plaisir plutôt lié au discours comme peut l’être par exemple ce moment privilégié où le groupe est ensemble et adhère dans un mouvement de résonance, à un vécu ou à une interprétation.


On remarque de plus la dialectique entre le plaisir narcissique et le plaisir inscrit dans une relation d’objet plus mature. D’un côté un plaisir en miroir, on ne peut offrir et avoir le plaisir d’offrir quelque chose à l’autre que si c’est la même chose pour nous. L’autre est alors en miroir, en symétrie avec un statut d’objet partiel. De l’autre côté , un plaisir d’ offrir à l’autre en ayant une représentation de celui-ci comme distincte. C’est un stade d’altérité plus mature.

La séance suivante débute par un silence. Paul repense à certains éléments de la semaine précédente. Pour lui ce temps de silence est nécessaire pour se calmer de la tourmente de son travail dans laquelle il est pris à l’extérieur et qui le fait arriver en toute hâte au groupe. Il repense à l’image du baromètre. Il ne peut pas être à l’extérieur et garder en même temps le contact avec son intérieur. Il a l’impression de se perdre. Je ne peux être l’adulte efficace et responsable à l’extérieur et en contact avec mes émotions intérieures. Pourquoi se sent-on indispensable à son travail au point d’avoir tellement de peine à quitter le bureau ?Je le relie au départ prochain d’un membre du groupe . René dit que pour lui il n’y a pas de problème parce que le groupe est assez grand. Par contre si on arrivait à un groupe de quatre, alors là , cela ressemblerait à la famille quand quelqu’un part et l’on ressent la séparation. Puisqu’il prend l’analogie de la famille, quelqu’un lui demande de désigner les parents et les enfants. Les rôles sont vites distribués dans la rigolade, les fous rires. Tout le monde est soudain très excité. On s’excuse auprès de l’analyste à qui on n’a pas donné un rôle. J’interviens pour dire que l’on semble être aujourd’hui plus comme les enfants du dessus de la dernière fois qui joue à papa-maman. Mais que c’est un peu compliqué en ma présence. Que faire de moi, il est en effet rare que les enfants jouent à papa-maman en présence de l’adulte.

Georges ,qui va quitter le groupe prochainement, se demande s’il le quitte aussi car il ne peut pas être calife à la place du calife. André qui a été désigné comme le papa se dit que c’est drôle qu’on l’ait choisi lui, alors qu’il évoque souvent sa difficulté avec l’image masculine. Se sentir papa face aux enfants cela va mais pas homme face à une femme.
Mon but n’est pas de commenter tout les niveaux d’interprétations possible d’une telle séquence, comme l’aspect maniforme masquant certainement la tristesse d’un prochain départ. J’aimerais surtout insister sur ce mouvement qui consiste en la possibilité pour les membres du groupe, dans cette deuxième séance, de rejoindre plus directement un vécu émotionnel en s’identifiant cette fois aux enfants. Ils peuvent alors, grâce à l’espace ludique et au plaisir que celui-ci procure laisser affleurer plus directement une problématique oedipienne avec ces plaisirs et dangers. Ils se sont, en d’autres termes, réapproprié quelque chose de leurs représentations infantiles.

7.l’homme cet animal social :

Le mouvement décrit dans notre vignette clinique est important et nous devons être attentif, comme analyste de groupe, à le favoriser. En effet, chez bon nombre de nos patients ce passage à l’âge dit mature se fait au prix d’une maîtrise augmentée des pulsions sexuelles où prédominent des mécanismes de répression plutôt que sublimation. Le prix dans l’économie psychique est alors exorbitant puisqu’il va de pair avec la perte du plaisir de jouer. L’enjeu d’une thérapie de groupe est de pouvoir restaurer cet espace transitionnel du jeu dont Winnicottx a si bien parlé. Ceci se passe souvent par la possibilité , grâce à la régression groupale, de renouer contact avec un monde pulsionnel infantile qu’il s’agit de réactualiser dans le groupe.

Aborder la question du « plaisir en groupe » comme je l’ai fait de l’angle de la sexualité infantile est bien entendu un point de vue parcellaire sur le sujet. Le sentiment de plaisir en groupe est un ciment de la vie groupale. A cet égard il précède ou s’instaure de façon concomitante à l’individuation et participe au processus de socialisation. Ce tropisme positif, qui nous amène plutôt à privilégier la compagnie de nos semblable plutôt que l’ermitage solitaire en montagne, fait référence à un plaisir ou besoin grégaire primitif. Il renvoie certainement à des mécanismes d’identification basique. Rentrent en jeu des mécanismes groupaux tel que le mirroring, ou le plaisir de l’autre devient un miroir de son propre plaisir et ainsi nous le conforte et l’amplifie. Ce plaisir partagé est à voir comme un accordage mutuel où chacun vibre d’une même manière créant une valence positive pour employer la terminologie de Bion. Celle-ci indique « la disposition de l’individu à entrer en combinaison avec le reste du groupe pour établir les hypothèses de base et pour y conformer son comportement »xi. Plus récemment Avron a parler de pulsion d’interliaison rythmique pour évoquer cette force et insister sur son côté dynamiquexii. Autrement dit, pour que ce phénomène de résonance fonctionne, il est nécessaire que tous les participants soient dans le même registre affectif et s’accordent. Sinon, l’individu qui ne partage pas cet état affectif risque de gâcher l’harmonie du groupe. On le nomme d’ailleurs généralement le « trouble fête ». Il introduit une dissonance en cassant le mouvement groupal de clivage en jeu à ce moment dont le but consiste à mettre à l’extérieur les éléments négatifs afin de créer une ambiance de plaisir partagé et homogène la moins ambivalente possible. Nous connaissons bien une des réponses groupales qui répond à l’intervention du « trouble fête » ou « rabat joie ». Celle-ci consiste à transformer le « trouble fête » en  « bouc émissaire » . Celui-ci est alors à expulser pour éviter le travail douloureux d’une prise de conscience propre à une position plus ambivalente.
A évoquer ainsi cette dynamique, l’analogie avec l’objet maternel primaire est évidente. Nostalgie du ventre utérin, d’une relation d’amour primaire non ambivalente.

Mais ce plaisir partagé dans le lien aux autres est plus que la simple analogie du lien primitif utérin où l’objet primaire maternel serait déplacé sur le groupe. Ceci renvoie certainement à un bagage phylogénique qui fait à priori de l’homme un animal social. Raisonner en terme de plaisir relié à une pulsion libidinale est donc parcellaire. Cela ne rend pas compte des besoins de liaisons entre individus. Ainsi, une pulsion de socialisation peut être évoquée, ce que Freud d’ailleurs a fait mais sans y revenirxiii.« Ces instincts archaïques de l’homme » pour reprendre une expression de I.Hermannxivnous renvoient à la théorie de la genèse de la relation d’objet qui se réfère à un lien social primaire qui explique la prédisposition au groupement. C’est en partant de cette base que l’expérience des liens successifs de l’ histoire infantile propre à chacun va colorer cette appétence au groupe en les renforçant ou les inhibant. Conceptualiser en terme de relations d’objets ce mouvement vers le groupe nous amène cependant à une constatation: la notion du plaisir est, à ma connaissance, absente dans la théorie de l’attachement, en tout cas chez Bowlbyxv. C’est plus le déplaisir , l’évitement du manque qui serait le moteur du lien à l’objet. Or, il me semble aussi constructif d’avoir une lecture où l’effet de la présence de l’objet est importante. Le lien intersubjectif constamment renouvelé, cimenté par le plaisir joue le rôle de renforcement identitaire. Celui-ci se nourrit par l’effet de présence des objets tiers dans un jeu d’identifications sans cesse renouvelées. Ainsi l’objet groupe, comme source primaire de plaisir, est moteur d’une satisfaction libidinale. Nous ne devons en effet pas perdre de vue l’articulation entre une lecture en terme de relations d’objets et une autre en terme de pulsions.



8. en guise de conclusion :
J’ai choisi d’évoquer en l’articulant à des exemples un aspect du plaisir en groupe , en insistant sur son articulation avec les pulsions sexuelles, tout en étant bien entendu conscient qu’il en existe d’autres . Nous pouvons sans cesse remarquer le compromis nécessaire entre le principe de réalité et celui du plaisir que nous impose toute socialisation , spécialement au moment où l’individu accède à un stade de maturité sexuelle. A cette époque de l’adolescence se rejoue en effet un moment charnière dont nous voyons les traces chez les patients qui nous consultent. Ils nous montrent une palette de symptômes qui, pris comme tentative de communication d’un discours inconscient, nous montre généralement un rapport difficile au plaisir. Je n’ai jamais ,en effet, été consulté par un patient se plaignant de trop de plaisir! C’est bien plus un rapport à un plaisir absent, interdit, réprimé que nous avons à faire. Le déplaisir semble à cet égard un moteur de recherche plus puissant que le plaisir….dans notre domaine tout au moins !

A cette souffrance nous allons répondre, en fonction de notre formation et de nos compétences, de différentes manières. Nous pourrons, comme psychiatre, dans certaines circonstances, proposer une médication dans le but d’améliorer par l’action pharmacologique cette capacité mystérieuse qu’a l’individu à éprouver du désir et plaisir. D’un point de vue psychothérapique, nous mettrons en place un cadre spécifique qui nous permettra, nous l’espérons, d’ induire un processus psychothérapique. Le changement produit devrait amener le patient à modifier son équilibre psychique vers un mieux être. C’est l’occasion de montrer que le passage par le groupe, si on le voit comme puissant agent de plaisir, peut jouer un rôle central en restaurant notamment une dimension ludique enracinée dans l’infantile.

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Lausanne 25.5.2004



Notas / Notes



i A.Damasio : conférence 43ème congrès de international Psychoanalytical Association, New Orleans, mars 2004

ii M.Schneider : le plaisir et l’effroi, Tribune psychanalytique n°4,2002, p.13-30

iii L.Michel : le plaisir énuméré, revue belge de psychanalyse à paraître

iv S.Freud :In l’Inquiétante Etrangeté, Paris, Galimard, 1985,p87-8

v T.Ménissier: Eros Philosophe, une interprétation philosophique du Banquet de Platon,Paris,Kimé,1996

vi M.Lhoste-Navarre:Premières leçons sur Le Banquet de Platon,Paris,PUF,1997

vii M-C Galpérine: Lecture du Banquet de Platon, Lagrasse,Verdier,1996

viii Euripide :Les Bacchantes,théâtre complet, Pléiades, Paris,Gallimard,1962

ix D.Anzieu :Le groupe et l’inconscient,Paris,Dunod,1975

x D.W.Winnicott : Jeu et réalité, Paris,Gallimard,1975

xi W.R.Bion:Recherches sur les petits groupes,Paris, PUF,p77,1965

xii O.Avron : La pensée scénique, RamonvilleSaint-Agne,1996

xiii S.Freud, Métapsychologie, oeuvres completes, volXIII,PUF,1988p.173

xiv I.Hermann: l’instinct filial, Paris, Denoël,1972

xv J.Bowlby: attachent et perte,Paris,PUF,1984






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