Úlcera de abomaso em pequenos ruminantes



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Figura 05 - Vários pontos de ulcera, sendo que algumas já perfuradas.

Quando ocorre peritonite observa-se febre, decúbito e exarcebação de dor local. Não há testes diagnósticos definitivos ante mortem, porém alguns exames complementares podem auxiliar o clínico durante o diagnóstico e curso da doença. Deve-se acompanhar a variação do leucograma, hematócrito (VG), fibrinogênio e sangue oculto nas fezes. O resultado da pesquisa de sangue oculto pode ser negativo a depender do tipo de úlcera envolvido. Antes de dar o diagnóstico final devem ser descartadas outras causas de cólica.

O tratamento se baseia na correção dos problemas da dieta ou da causa identificada, redução do estresse e inicio da terapia específica para os problemas clínicos causados pela úlcera. Pode ser difícil o sucesso terapêutico. As drogas de uso oral, como os agentes protetores de mucosa, passam pelo rúmen e, portanto, chegam ao abomaso diluídos. A utilização de substancias para estimular o reflexo de fechamento da goteira esofágica poderiam se mostrar mais capazes de produzir o efeito desejado no abomaso. Neste contexto a administração oral de Caulim e Pectina ou Sucralfato, após estímulo do reflexo, junto com a aplicação intravenosa de ranitidina poderia gerar grande beneficio. Deve-se realizar fluidoterapia nos animais que demonstrem desidratação e transfusões de sangue podem ser necessárias naqueles com baixo valor de hematócrito. Antibioticoterapia de amplo espectro deve ser instituída nos casos suspeitos de peritonite. Aos rebanhos que apresentam acidose ruminal, devem-se fornecer substâncias tamponantes junto aos alimentos. O prognóstico é bom somente para úlceras não perfuradas.

Na necropsia podemos observar fluidos sanguinolentos ou sangue total ao longo do trato gastrointestinal. A lesão no abomaso é tipicamente pequena e envolve vasos sanguíneos da submucosa. Pode ser observada uma única úlcera hemorrágica ou ulcerações e erosões adicionais de diferentes tamanhos e localizações. Caso haja perfuração, observa-se a presença de aderências e de um liquido escuro e mal cheiroso na cavidade peritoneal podendo estar restrito um local ou disperso pela cavidade.

Devido à etiologia e fisiopatologia ainda não serem totalmente esclarecidas, fica difícil realizar um controle e prevenção da doença. Porém o manejo da dieta que reduz outras doenças do abomaso poderia diminuir a incidência de úlceras. Devem-se evitar mudanças abruptas nas rações ou dieta, diminuir o estresse em animais em confinamento ou em preparação para exposições, além de evitar o uso indiscriminado de antiinflamatórios não esteroidais. Quanto aos criadores, caso suspeitem da doença em algum animal da propriedade, é imperativo chamar com rapidez um veterinário para iniciar o atendimento.



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