Úlcera de abomaso em pequenos ruminantes



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Úlcera de abomaso em pequenos ruminantes
AUTORES: BISCARDE, Carmo Emanuel Almeida

CARVALHO, Santiago de Carvalho

RODELLO, Leandro

POSTADO POR: SITE Farmpoint

Apesar de não serem frequentes, as úlceras de abomaso podem ocorrer em caprinos e ovinos e constituem uma enfermidade com sério risco de óbito. No Brasil é relatada como casos individuais, ocorrendo em criações intensivas com elevada suplementação concentrada e submetidos a alto estresse. A apresentação pode variar de ausência de sinais clínicos, hemorragia aguda com indigestão e melena subsequente, ou perfuração com peritonite local/difusa caso a lesão atinja todas as camadas do abomaso. A úlcera ocorre por um desequilíbrio ou falha nos fatores protetores da mucosa. Existem muitas discussões sobre as possíveis causas, as mais indicadas são aumento da acidez, estresse, uso prolongado de antiinflamatórios não esteroidais e traumas na mucosa.

A úlcera é definida como a perda do epitélio da superfície da mucosa do abomaso. A descrição, na verdade, é uma escavação na mucosa que penetra até sua camada muscular. Uma escavação parcial, pouco profunda na mucosa, é chamada de erosão. A causa da escavação geralmente é por ruptura da barreira da mucosa gástrica causada por desequilíbrio entre os fatores protetores e agressivos.

Qualquer lesão de mucosa gástrica permite a difusão de íons de hidrogênio e assim da enzima pepsina dentro das diferentes camadas da mucosa, resultando em aumento da lesão. Poderá haver somente uma grande úlcera, porém geralmente se observam numerosas variando em fase aguda e crônica (Figura 01).


Figura 01 - Presença de úlceras em abomaso ovino (foto gentilmente cedida pela mestranda em ciência animal dos trópicos - UFBA - Byanca Ribeiro).

As causas de úlceras no abomaso são complexas e muitas vezes obscuras.
Em bovinos, a presença de estresse, mudanças ambientais, nutricionais, físicas, químicas, genéticas, hiperacidez, acidose lática e consumo de rações grosseiras são relacionadas com a doença. Existem relatos sobre causas infecciosas que geram hemorragia e ulceração no órgão. Os isolamentos bacterianos em animais com úlcera incluem Clostridium perfringens, Escherichia coli, Streptococcus sp, Staphylococcus sp, Salmonella sp., infecções fúngicas e viroses também são implicadas na etiologia da doença nesta espécie (VATN et al., 1999; MORTIMER et AL., 2001).

Em pequenos ruminantes a ocorrência de abomasite e úlceras de abomaso estão relacionadas com acidose ruminal ou ruminite crônica, embora também possam ser causadas por infecções. A infecção por algumas espécies de clostrídios, assim como o fornecimento de substituto de leite à vontade ou silagem, deficiência de ferro e bezoares podem gerar abomasite com posterior hemorragia e ulceração em animais com 2 a 10 semanas de vida. Também pode ocorrer abomasite parasitária, gerada após uma alta infecção por Haemonchus contortus, porém nesta não há ulceração.



Tem-se implicado na etiologia da doença, alimentos finamente triturados ou rações peletizadas, uso excessivo de antiinflamatorios não esteroidais, estresse e consumo de forrageiras viçosas. A ingestão de areia com posterior acúmulo no órgão (sablose) também pode levar a erosões e ulcerações. Apesar de alguns relatos, não se comprovou a associação entre deficiência mineral de cobre e a ocorrência da enfermidade. Existe a hipótese que a alimentação com grande quantidade de grãos em animais confinados pode ser um fator de risco associado à erosão abomasal.
Figura 02 - Abomaso com multilesionado.

As úlceras podem ser de quatro tipos:
Úlcera não perfurada: Ocorre penetração incompleta na parede do abomaso, com perda da mucosa e parte da submucosa, resultando em grau mínimo de hemorragia dentro do órgão. Podem causar uma gastrite crônica.

Úlcera hemorrágica: Ocorre ulceração aguda com erosão de vasos sanguíneos, resultando em gastrite aguda hemorrágica e acúmulo de líquido dentro do órgão podendo levar a transtornos metabólicos e anemia hemorrágica. Dor abdominal, fezes escuras (melena) e palidez das mucosas são sinais comumente observados neste caso.



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