Juan Esteves



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O 200 BEST traz mais de uma dezena de brasileiros, entre eles, alguns selecionados e premiados do Prêmio FCW (Fundação Conrado Wessel), o maior do gênero no Brasil. Um dos fotógrafos foi Ricardo Cunha (www.cunhastudio.com.br), que emplacou duas imagens. Uma na categoria Sports e outra na categoria Life.
Esta última deu a Cunha o prêmio de melhor foto da terceira versão do Prêmio FCW, de 2004, causando muita polêmica devido a manipulação da imagem e a questão da autoria compartilhada. O imbróglio resultou na alteração do regulamento na versão posterior.
Marcelo Coelho (www.marcelocoelho.com), fotógrafo de Minas Gerais, também foi selecionado com duas imagens, nas categorias Architetcture e Landscape. Esta última, uma bela paisagem das montanhas alterosas, feita para uma campanha do Governo de Minas Gerais.
Paulo Mancini (www.paulomancini.com.br) tem imagens nas categorias Animals e Still Life, Rogério Miranda (www.rogeriomiranda.com.br) em Beauty & Nudes e Portraits, Rafael Costa (www.rafaelcosta.com.br) na Beauty & Nudes, Fernando Ziviani (www.ziviani.com), de Curitiba, também na mesma categoria. Leonardo Vilela (www.artwareindustry.com), na Children, Alexandre Salgado (www.artluz.com.br) que tem três imagens em Sports, Alexandre Catan, em Still Life, Fabio Bataglia (www.fabiobatalgia.com.br), Marcia Ramalho (www.marciaramalho.com)e Manolo Moran (www.manolomoran.com) em Life.
Curiosamente, nas categorias Fashion e Automotive, setores onde tradicionalmente há excelentes fotógrafos, não há nenhum brasileiro. Ainda nas categorias Food & Drink, Transportation e Work, também nenhum brasileiro emplacou. O que não significa, necessariamente, que alguém daqui tenha se inscrito nelas e não tenha sido aceito.
O conceito de seleção para cada categoria é bem amplo e, muitas vezes, subjetivo no gênero a que pertence esta ou aquela imagem. A publicação não explica se é uma opção do fotógrafo, no ato da inscrição, ou se a imagem é selecionada e colocada numa determinada categoria pelo júri.
Ricardo Barcellos (www.ricardobarcellosfoto.com.br) ganhou duas páginas com três fotografias. Estas imagens estiveram expostas na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2005, na mostra “Era uma vez Havana” que fez com Maurício Nahas, seu parceiro de estúdio publicitário em São Paulo. Nahas foi o grande vencedor do último Prêmio FCW.
Embora a publicidade em geral seja sempre colocada como algo irreal, mentirosa e carente de criatividade, como disse acertadamente o italiano Oliviero Toscani, nota-se que, pelo menos, no quesito fotografia, a produzida no Brasil parece estar em alta, apesar das manipulações estarem presentes em quase todas elas.
A principal questão que se coloca sempre que se discute sua validade, é sua inserção no cenário cultural. Muitos dos fotógrafos que atuam na área vêm produzindo trabalhos autorais, ampliando o leque, às vezes, saindo da pecha de comerciais, criada por seus detratores.

Por Marcelo Coelho


Para muitos fotojornalistas, documentaristas, críticos, pesquisadores, acadêmicos, ou fotógrafos dedicados ao Fine Art, a imagem publicitária está resumida em seu nicho, não se destacando no contexto mais artístico. A justificativa patética é que se ganha muito dinheiro com ela. Infelizmente no Brasil, dinheiro e cultura raramente andam juntos. Ou pelo menos, certos pensadores acham que as duas coisas não combinam.
Na verdade, boa parte dos publicitários ganha bem, contudo, estão muito distantes dos valores do primeiro mundo, onde uma Annie Leibovitz ou Patrick Demarchelier, chegam a somas dezenas de vezes maiores, apenas para ficar no meio editorial. Mesmo assim, as imagens de ambos freqüentam os melhores museus do mundo, sem nenhum constrangimento.
Esta mentalidade tacanha, saída desta diferença quase social, se expande até muitos curadores e “pensadores” que fazem uso desta segregação, ainda que velada. Aplicam o método também aos ligados a imagem fashion, selecionando raríssimas exceções, que estão em coleções e acervos. Embora, possamos ver um grande fotógrafo como Rafael Assef, de grande expressão na Fine Art, migrando para a publicitária sem perder suas características autorais.
Para Mario Cravo Neto, outro grande fotógrafo conhecido internacionalmente no circuito das artes, a imagem publicitária e de moda brasileira “é muito fraca, muito longe de uma fotografia criativa, do que se chama na América de “Creative Photographer”. Não tem nada de excepcional, é medíocre. Embora ache, por exemplo, que em São Paulo, tem muita gente boa envolvida com o meio”*.

Por Marcelo Coelho


Se ele está certo? Em parte. A presença no livro de fotógrafos respeitáveis, muitos com várias exposições, ainda é uma pequena fatia no bolo publicitário brasileiro. Mas outros grandes fotógrafos que atuam na área e têm participação efetiva neste cenário, não estão lá, e sua produção de alta qualidade é notória. Mesmo assim, muita coisa ruim vem sendo veiculada sem a menor pena do pobre consumidor.
Afinal, vemos imagens sendo copiadas e plagiadas aos montes. Basta abrir uma revista qualquer e está lá aquele anúncio. Muitas vezes, saído de páginas dos anos 30, 40. Parece que os diretores de arte e criação acham que o brasileiro não tem livros em casa, não lê revistas importadas. É fato que, em muitos momentos, o fotógrafo publicitário é apenas o executor das tais “idéias geniais”. A contrapartida para a boa remuneração. Uma opção de cada um, que não deve ser questionada.
Esta “apropriação” de idéias é mais freqüente do que imaginamos. Não está restrita apenas aos trabalhos culturais e artísticos. Por exemplo, numa das imagens da categoria Still Life do livro, uma peça criada em 2004 para a Fundação Bienal de São Paulo, vemos uma fotografia que é a reprodução exata do retrato do artista Keith Haring (1958-1990), feito por Annie Leibovitz, em 1986.
Não está se dizendo que Paulo Mancini, o autor da imagem em questão, plagiou a fotógrafa americana. A fotografia, certamente, é uma “referência” aquela célebre imagem, e deve ser entendida no contexto em que foi utilizada. A idéia, presume-se, era chamar a atenção para um evento de arte. Embora, um tanto hermética, pois a mesma é sobre um artista americano, quase cult, num cenário montado em cima de sua obra pessoal, e fotografada por outro americano! Mas, isso é lá com o diretor de “criação” e com quem aprova a campanha.
Contudo, a veiculação da fotografia publicitária inspirada em imagens clássicas, mais que usual, dificilmente dá ao grande público a chance de saber onde termina a referência e onde começa a autoria. Assim como, muitas imagens apropriadas por grandes artistas, como Rosângela Rennó, Odires Mlászho e Vik Muniz, em muitas de suas obras, são freqüentes. Ainda que excelentes, num contexto mais amplo, não revelam o autor da obra original que serve de base, o que no mínimo deveria ser feito.
Outro ponto a favor do reconhecimento da imagem publicitária brasileira, é que ela recebe o maior valor em dinheiro destinado a prêmios para trabalhos fotográficos, que de longe supera as bolsas distribuídas por museus ou instituições para as outras áreas. Mais uma vez, dinheiro e cultura não se misturam.

Por Ricardo Barcellos


Para o curador e professor Rubens Fernandes Junior, da coordenação do Prêmio FCW, a imagem publicitária “apresenta um conjunto visual expressivo que reúne a coragem e a ousadia da nossa fotografia”. Ainda em vários acervos importantes brasileiros a presença de “publicitários” vem aumentando.
A fotografia comercial brasileira, como comprova o livro, e, ao contrário dos críticos possam pensar, certamente vem fazendo bonito, com qualidade técnica de primeiro mundo. As manipulações, de altíssimo nível, freqüentes na grande maioria delas, se constituem em algo supostamente definitivo. Uma recente estética, baseada em padrões gráficos americanos e calcada nas ferramentas digitais, vem tomando conta da maioria.
Tais imagens estabelecem uma parceria entre fotógrafo e manipulador, que em breve trará, justamente, a assinatura de ambos. Um novo paradigma vem surgindo, trazendo novos conceitos imagéticos, um novo comportamento visual. Se vai perdurar, ou se será do gosto do consumidor? Vamos esperar para ver! Como toda revolução, certamente é passível de ser reinventada, e que me perdoem os oráculos e os arautos da presente era digital.

* Em entrevista publicada na Revista Trip.


Disponível em http://fotosite.terra.com.br/novo_futuro/barme.php?http://fotosite.terra.com.br/novo_futuro/ler_coluna.php?id=330

Revista Fotosite


Relação dos fotógrafos citados
Klaus Mitteldorf (http://www.klausmitteldorf.com.br/)

Erwin Olaf (http://www.erwinolaf.com/)

Ricardo Cunha (www.cunhastudio.com.br)

Marcelo Coelho (www.marcelocoelho.com)

Paulo Mancini (www.paulomancini.com.br)

Rogério Miranda (www.rogeriomiranda.com.br)

Rafael Costa (www.rafaelcosta.com.br)

Fernando Ziviani (www.ziviani.com)

Leonardo Vilela (www.artwareindustry.com)

Alexandre Salgado (www.artluz.com.br)

Alexandre Catan (http://fotosite.terra.com.br/portfolios/catan.swf)

Fabio Bataglia (www.fabiobatalgia.com.br)

Marcia Ramalho (www.marciaramalho.com)

Manolo Moran (www.manolomoran.com)

Ricardo Barcellos (www.ricardobarcellosfoto.com.br)

Mario Cravo Neto (http://www.cravoneto.com.br/)

Annie Leibovitz (http://pt.wikipedia.org/wiki/Annie_Leibovitz)

Patrick Demarchelier (http://demarchelier.net/advertising.html)


Atividade (Trabalho Final):

  • Divisão em 3 grupos;

  • Pesquisar um fotógrafo e produzir três imagens utilizando as fotos como referências.

  • A intenção é se aproximar o máximo possível da imagem original, portanto devem optar por imagens que possam ser reconstruídas.

  • As fotografias poderão ser produzidas nos seguintes dias: 20, 21 e 24 de novembro, no estúdio, na sala 104 e no labfoto, sempre pela manhã. O uso na parte da tarde dependerá da disponibilidade da monitora, que obrigatoriamente deverá acompanhar as produções.

  • As imagens deverão ser entregues impressas, com uma apresentação escrita do fotógrafo utilizado como referência, no dia 04 de dezembro. A entrega das notas finais será no dia 05 de dezembro, sempre na sala 104.

  • O trabalho terá valor de 0 a 10.


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