Jornalismo



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Andréia Maria Bastos

Laila Jordana Vieira Pimenta

BLOG, NOVO GÊNERO JORNALÍSTICO:

Estudo de caso: Blog do Noblat


BELO HORIZONTE

2007

Andréia Maria Bastos

Laila Jordana Vieira Pimenta

BLOG, NOVO GÊNERO JORNALÍSTICO:

Estudo de caso: Blog do Noblat


Dissertação apresentada à Faculdade Estácio de Sá, como requisito parcial para a obtenção do título de bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo.



Orientador: Prof. Sânzio Cânfora

BELO HORIZONTE

2007

Andréia Maria Bastos

Laila Jordana Vieira Pimenta

BLOG, NOVO GÊNERO JORNALÍSTICO:

Estudo de caso: Blog do Noblat


Dissertação apresentada à Faculdade Estácio de Sá, como requisito parcial para a obtenção do título de bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo.



Orientador: Prof. Sânzio Cânfora
Aprovada em:
BANCA EXAMINADORA
________________________

Prof. Ms. Sânzio Dolabela Cânfora

Faculdade Estácio de Sá Belo Horizonte
________________________

Profa. Ms. Tatiana Araújo Amaral

Faculdade Estácio de Sá Belo Horizonte


RESUMO

Devido à sua crescente aceitação, expansão e variedade de ferramentas, o blog e sua atual utilização por jornalistas têm gerado uma pergunta: o blog é realmente um novo gênero jornalístico? Abordado como tema central dessa pesquisa, analisamos suas características e as comparamos com as do jornalismo tradicional e do webjornalismo, buscando identificar as diferenças e as possíveis semelhanças entre eles. Levantamos, ainda, como estudo de caso, o blog político do jornalista Ricardo Noblat, exemplificando a utilização desse meio de comunicação como ferramenta jornalística. Buscamos, assim, indagar sobre o potencial desta ferramenta e suas implicações para o futuro do jornalismo.




Palavras-chave: Blog; Jornalismo; Web-jornalismo; interatividade.

ABSTRACT

Due to its growing acceptance, expansion and variety of tools, the weblog and its utilisation by journalists has initiated a debate: is the weblog really a journalistic genre? Taken as the main subject of this research, we analyse its characteristics and compare them to traditional journalism and to web-journalism, seeking to identify the differences and possible similarities between them. As case study, we analyse the weblog of the political journalist Ricardo Noblat, extracting from it examples of the way in which the weblog has been used as a journalistic tool. This way, our query regards the potential of the weblog as a tool and its implications for the future of journalism.




Key-words: Weblog; journalism; web-journalism; interactivity.

DEDICATÓRIA
Dedicamos este trabalho às mulheres que mais admiramos no mundo: Dinalva Maria Bastos (mãe de Andréia) e Iara Vieira Pimenta (mãe de Laila).
Duas guerreiras, duas santas, que nos momentos mais críticos de nossas vidas, estiveram presentes, tanto para cuidar quanto para educar, e agora, depois de quatro anos, percebemos que foi graças à força delas que perseguimos a vitória, conquistando-a.

De Andréia para Dinalva:
“Mas seu amor, sempre o maior do mundo! Sua dedicação, inquestionável. Seu carinho, sempre necessário. Suas doces frases impulsionaram e ensinaram a sonhar”.
Por me incentivar todas as vezes que pensei em desanimar. Por ouvir minhas lamentações e nunca se cansar disso. Por sempre acreditar no meu potencial, mesmo quando eu não o reconhecia. Obrigada por tudo!!!!

Te amo!

De Laila para Iara (in memorian):
“Antes que tudo se concretizasse, você se foi deixando um enorme vazio...

Suas duras palavras me fizeram crescer. Hoje vejo que você se faz presente em tudo, no que fui, sou e vou ser, que sua ausência fez a vida diferente... do seu olhar, ficou a esperança.”


Acredite, mãe: se eu vim até aqui não foi para parar; se caminhei até agora, não foi pra te decepcionar. Ainda lembro da sua promessa no leito do hospital, “minha jornalistinha, eu vou te ver em uma redação”! Como você dizia, ninguém é obrigado a prometer, mas tem que ter a honra de cumprir.
Espero que, mesmo ausente, você possa ver nosso sonho se realizar e nossa luta chegar ao fim com a celebração da nossa vitória.

Te amo, minha velha, te amo!

AGRADECIMENTOS

Obrigada, Senhor Deus, pelo teu zelo e por colocar pessoas especiais em nosso caminho. Uns para nos apoiar (nossa família), outros para nos acompanhar (Rubens e Sara), alguns para nos instruir (professores Evaldo e Tatiana), outros para nos inspirar (Alexandre Pires) e ainda outros para nos orientar (professor Sânzio e revisora Ana Luísa).


Agradecemos, oh Deus, porque todos se desdobraram para nos ajudar e não nos deixar desanimar nessa caminhada longa e difícil. Peço que o Senhor cuide deles e os guarde sempre debaixo das suas asas.
Senhor Deus, te rendemos graças pelo Teu amor e pela alegria de alcançarmos mais essa vitória em nossas vidas.

Glória te damos, hoje e sempre - Amém.



SUMÁRIO


INTRODUÇÃO 8

1.1 O que é jornalismo 10

1.1.1 Teoria do Jornalismo 10

1.1.2 Estrutura do texto 11

1.1.3 A profissão 12

1.1.4 Algumas teorias de jornalismo 14

1.2 Webjornalismo 15

1.2.1 A história da internet 15

1.2.2 A história do webjornalismo 18

1.2.3 Características dos Webjornais 18

1.2.4 Webjornalista 21

1.3.1 A história do Blog 21

1.3.2 O início dos blogs no Brasil 23

1.3.3 A interatividade do Blog 24

2 OS BLOGS 26

2.1 Blog: novo gênero jornalístico 26

2.1.1 Blogs construídos e alimentados por jornalistas 27

2.1.2 Blogs construídos e alimentados por pessoas que não são jornalistas 29

2.2 É possível praticar web jornalismo em um blog? 30

3 ESTUDO DE CASO 32

3.1 Objeto de estudo 32

3.1.1 Ricardo Noblat, o jornalista 32

3.1.2 História do “Blog do Noblat” 34

3.2 Blog do Noblat - Um blog que faz jornalismo? 36

3.3 Análise do Blog do Noblat 37

CONSIDERAÇÕES FINAIS 46

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 48

ANEXOS 51




INTRODUÇÃO
Com o advento da internet, muitos autores e principalmente profissionais de jornalismo têm arriscado palpites sobre o futuro dos meios e processos de produção da informação. Mas muita gente acredita que, com a internet, o papel do jornalista pode ser fortalecido, pois a diversidade de possibilidades de produção e divulgação de informações abriu novos campos de trabalho. Além disso, algumas pessoas crêem que os profissionais de jornalismo podem construir a informação em sintonia com os leitores, agora participantes e influenciadores no processo da construção da notícia.

A internet é um meio de comunicação interativo considerado o mais rápido e dinâmico se comparado a todos os meios de comunicação tradicionais. Com isso, ela trouxe uma ferramenta onde as pessoas podem divulgar informações, sejam elas de âmbito pessoal ou jornalístico: o blog. É sobre ele que iremos tratar, procurando descobrir se realmente é possível fazer jornalismo neste novo meio de comunicação.

Por ser uma ferramenta de fácil manuseio e de grande aceitação da sociedade, o blog tem atraído cada vez mais usuários e jornalistas que buscam nesta ferramenta liberdade de expressão e interação com o público.

Mas como detectar se um blog é jornalístico? Como fica a questão da isenção no blog? Como os outros meios de divulgação de notícias, como o jornal impresso, o rádio e a TV, terão de fazer para sobreviver em uma sociedade marcada pela interatividade e pela rapidez? De que forma o blog pode ou não influenciar na construção da notícia? Os blogs possuem condições necessárias para serem considerados jornalísticos?

Para tentar responder a essas questões, abordaremos o que é jornalismo e suas características. Também falaremos sobre o webjornalismo, suas características e vantagens e discutiremos a respeito dos blogs pessoais ou noticiosos. Para que possamos chegar a uma conclusão sobre a existência ou não de blogs autenticamente jornalísticos, escolhemos, para estudo de caso, o blog construído pelo jornalista Ricardo Noblat, por se tratar de um dos blogs de notícias que está a mais tempo no ar, além de ser um dos mais visitados e premiados do Brasil.

1 JORNALISMO E A INTERNET
1.1 O que é jornalismo
1.1.1 Teoria do Jornalismo
A necessidade de relatar fatos e acontecimentos acompanha o homem desde a antiguidade. Essa necessidade confirma a verdadeira obsessão da humanidade por dominar o caos e por obter previsões seguras que evitem surpresas. O homem tem medo do desconhecido e luta desesperadamente contra ele. Segundo Felipe Pena (2005), a natureza do jornalismo está fundamentalmente presa a esse temor:
O medo do desconhecido, que leva o homem a querer exatamente o contrário, ou seja, conhecer. E assim, ele acredita que pode administrar a vida de forma mais estável e coerente, sentindo-se um pouco mais seguro para enfrentar o cotidiano aterrorizante do meio ambiente. Mas, para isso, é preciso transpor limites, superar barreiras, ousar. Entretanto, não basta produzir cientistas e filósofos ou incentivar navegadores, astronautas e outros viajantes. Também é preciso que eles façam os tais relatos e reportem informações a outros membros da comunidade que buscam a segurança e a estabilidade do “conhecimento”. A isso, sob certas circunstâncias éticas e estéticas, posso denominar jornalismo. (PENA, 2005, p.23)
Com o advento da escrita, houve uma revolução no processo cognitivo humano. Existe uma diferença entre ouvir alguém falar e ler o que essa pessoa escreve. A mídia assumiu a privilegiada condição de palco contemporâneo do debate público. Sendo que o homem comum se informa pelo que os mediadores do novo espaço público (a mídia) trazem até ele.

Alguns teóricos argumentam que é a atualidade e não a periodicidade que caracteriza uma publicação jornalística. Mas não podemos ignorar que a periodicidade é uma das principais características do fenômeno jornalístico.


1.1.2 Estrutura do texto


A estrutura do texto jornalístico tem como característica o lead, que nada mais é do que um relato sintético do acontecimento logo no começo do texto, respondendo às perguntas básicas do leitor: o quê, quem, como, onde, quando e por quê. E a estruturação da narrativa, que recebeu a alcunha de “pirâmide invertida”, consiste em um relato que prioriza não a seqüência cronológica dos fatos, mas a escala em ordem decrescente dos elementos mais importantes.

A notícia no jornalismo atual enfoca a objetividade. De acordo com os inúmeros manuais de redação que consultamos, o jornalista deve ouvir sempre os dois lados da história, buscando manter a isenção. Além disso, segundo Bond (1962):


Hoje, o primeiro propósito e responsabilidade do jornalismo é assegurar ao povo a informação. Essa responsabilidade requer uma completa objetividade nas notícias. A necessidade de interpretação e explanação das notícias em nossa época é realmente visível. (BOND, 1962, p.15)
De maneira geral, o processo de percepção e interpretação da realidade é a parte mais importante na hora de reportar os fatos e testemunhos. Cada indivíduo da cadeia informativa entende a realidade conforme seu próprio contexto e sua experiência de vida.

Isso nos leva a considerar que, na rotina da produção diária das redações de todo mundo, há um excesso de fatos que chegam ao conhecimento dos jornalistas e que apenas uma parte deles é publicada ou veiculada; ou seja, vira notícia.

De acordo com Pena (2005), o fato é que os jornalistas se valem de uma cultura própria para decidir o que é ou não notícia; têm critérios próprios que consideram óbvios, quase instintivos. Além disso, é importante ressaltar que a noticiabilidade é negociada com o editor, que negocia com o diretor de redação e assim por diante; ou seja, com todos que estão inseridos na rotina jornalística.

Portanto, para Pena (2005), a definição de reportagem quase sempre é construída em comparação com a notícia, que se estabelece, na prática, a partir da pauta; isto é, do projeto de texto e do ponto de vista da produção. Assim, a notícia pode ser investigativa, interpretativa, novo jornalismo, reportagem do perfil, reportagem de fatos, reportagem polêmica, reportagem monotemática, reportagem de ação ou reportagem documental.



1.1.3 A profissão
Para Rossi:

O Jornalismo, independentemente de qualquer definição acadêmica, é uma fascinante batalha pela conquista das mentes e corações de seus alvos: leitores, telespectadores ou ouvintes. Uma batalha geralmente sutil e que usa uma arma de aparência extremamente inofensiva: a palavra, acrescida, no caso da televisão, de imagens. (ROSSI, 2000, p.07).

Apesar da subjetividade e romantismo com os quais a profissão de jornalista foi tratada por Clóvis Rossi, em seu livro “O que é jornalismo”, há mais de 30 anos a legislação brasileira regulamentou a profissão, conforme o decreto-lei n.º 972, de 17 de outubro de 1969, indicando que a profissão também tem seu lado legal e objetivo. Neste decreto-lei, citado no Manual de Assessoria de Comunicação (2007), encontramos:

Art. 1º - É livre, em todo território nacional, o exercício da profissão de jornalista, aos que satisfizerem as condições estabelecidas neste Decreto.

Art. 2º - A profissão de jornalista compreende, privativamente, o exercício habitual e remunerado de qualquer das seguintes atividades:

I – redação, condensação, titulação, interpretação, correção ou coordenação de matéria a ser divulgada, contenha ou não comentário;

II – comentário ou crônica, por meio de quaisquer veículos de comunicação;

III – entrevista, inquérito ou reportagem, escrita ou falada;

IV – planejamento, organização, direção e eventual execução de serviços técnicos de jornalismo, como os de arquivo, ilustração ou distribuição gráfica de matéria a ser divulgada; (ENTENDA-SE TAMBÉM RELEASE)

V – planejamento, organização e administração técnica dos serviços de que trata o item I;

VI – ensino de técnicas de jornalismo;

VII – coleta de notícias ou informações e seu preparo para divulgação;

VIII – revisão de originais de matéria jornalística, com vistas à correção redacional e à adequação da linguagem;

IX – organização e conservação de arquivo jornalístico e pesquisa dos respectivos dados para elaboração de notícias;

X – execução da distribuição gráfica de texto, fotografia ou ilustração de caráter jornalístico, para fins de divulgação;

(BRASIL, 1969 apud Fenaj, 2007, p.11-12) (Grifos do autor)

Esse decreto confirma a descrição feita por Gradim (2007) sobre características básicas do jornalismo. Segundo a autora:
Jornalismo é a atividade profissional que consiste em apurar, recolher e coligir informação, redigindo-a sob a forma de notícia que se destina a ser divulgada junto do público através de um meio de comunicação de massas. (GRADIM, 2007, p.78).

Para Gradim (2007), a condição para o jornalista exercer sua profissão e suas funções está diretamente ligada ao que diz respeito à construção da notícia: o ato de apurar os dados, identificar as necessidades, levantar as informações e checá-las, ouvir os dois lados das situações; diz respeito à busca incansável pela isenção. O ato de construir a notícia toma um rumo muito particular dentro do jornalismo, o que nos leva a avaliar a banalização sofrida pela profissão, devido às facilidades de publicação de qualquer material na internet. Artigos, críticas e até reportagens são lançadas na rede por pessoas sem qualquer formação, que não se baseiam nas quatro razões que fundamentam a profissão – informar, interpretar, orientar e entreter.

O discurso da objetividade e da isenção jornalísticas, que embasam o teor do que é divulgado em blogs que têm características jornalísticas, pode ser analisado de forma mais específica por meio das teorias do jornalismo, que apresentamos a seguir.

1.1.4 Algumas teorias de jornalismo


Newsmaking

A teoria do Newsmaking seria um conjunto de normas/critérios adotados pelos jornalistas para definir o que é e o que não é notícia. Essa teoria vê o jornalismo sob o ponto de vista empresarial, onde a notícia passa a ser adaptada de acordo com a rotina de sua produção, ou seja, sempre se levando em conta os contextos de produção, o veículo de comunicação, o público-alvo, interferindo, portanto, no diagnóstico de o fato ser notícia ou não, passível ou não de ser divulgado.


Teoria do Espelho

Nela, o jornalista é visto como agente isento, passando a informação da maneira exata como ela acontece. Segundo Pena (2005):


Sua base é a idéia de que o jornalismo reflete a realidade. Ou seja, as notícias são do jeito que as conhecemos porque a realidade assim as determina. A imprensa funciona como um espelho do real, apresentando um reflexo claro dos acontecimentos do cotidiano. (PENA, 2005, p.125).
Gatekeeper

A teoria do Gatekeeper tem como base a presença do jornalista que, por meio de seus critérios pessoais, decide o que é ou não notícia. Para Pena (2005):

O gatekeeper é um clássico exemplo de teoria que privilegia a ação pessoal. A metáfora é clara e direta. O conceito refere-se à pessoa que tem o poder de decidir se deixa passar a informação ou se a bloqueia. Ou seja, diante de um grande número de acontecimentos, só viram notícia aqueles que passam por uma cancela ou portão (gate em inglês). E quem decide isso é uma espécie de porteiro ou selecionador (o gatekeeper), que é o próprio jornalista. Ele é o responsável pela progressão da notícia ou por sua “morte”, caso opte por não deixá-la prosseguir, o que significa evitar a publicação. (PENA, 2005, p.133).
Teoria Gnóstica

A teoria gnóstica tem como fundamento o conhecimento. Segundo esta teoria, o universo do jornalismo lhe permite selecionar o que é notícia, porque o jornalista possui conhecimento que é adquirido pelo tempo de trabalho, permitindo-lhe reconhecer o que é notícia ou não.


Teoria do Agendamento

Para a teoria do agendamento, os consumidores de notícias iriam considerar mais importantes apenas aqueles fatos que os veículos de comunicação divulgam e, portanto, estes serviriam como “pauteiros” sobre o que as pessoas discutem ou não no seu dia-a-dia (Cf. PENA, 2005).

1.2 Webjornalismo
1.2.1 A história da internet
Uma rede de pessoas gerando informações para computadores ligados a cabos que chegam a outros computadores ligados a outras pessoas recebendo informações – e, por sua vez, gerando suas próprias respostas. (PÓVOA, 2000, p.12)
Segundo Póvoa (2000), a internet surgiu nos Estados Unidos, em 1969, durante o período da Guerra Fria, quando a Advanced Research Projects Agency (APPA – Agência de Pesquisas e Projetos Avançados) criou a ARPANET, uma Rede Nacional de Computadores.

A invenção tinha o objetivo de promover a comunicação via linhas telefônicas entre as bases militares, de forma a poder superar as distâncias (poder comunicar entre países) e poder fazê-lo sigilosamente (evitando-se o uso de rádio, cujo sinal podia ser captado pelo inimigo), mesmo se as bases sofressem algum ataque.

A criação se dava pelo Backbone – espinha dorsal, estrutura de nível mais alto em uma rede composta por várias sub-redes. O backbone é composto por linhas de conexão de alta velocidade que se conectam às de menor velocidade. Essa via passava por baixo da terra e ligava os militares e pesquisadores sem ter um centro definido ou um caminho único para as mensagens.

Ainda de acordo com Póvoa (2000), após o término da Guerra Fria, a ARPANET foi liberada para estudiosos e Universidades. No início da década de 90, os estudantes da Universidade de Illinois (EUA) desenvolveram um programa: a Word Wide Web1, que permitia usar a área multimídia da Internet. Com suas inúmeras funcionalidades, a Internet tomaria enormes proporções na vida dos seres humanos em todo o mundo.

No Brasil, foi em 1995 que a Internet deu “seu pontapé inicial”. Mas a população brasileira ainda não conhecia a nova mídia. Em 1996, a Internet se tornou conhecida pelos brasileiros através da novela “Explode Coração”, transmitida pela emissora Rede Globo de Televisão. Neste mesmo ano, o Grupo Folha de São Paulo criou a UOL (Universo On Line), atualmente um dos maiores provedores de acesso à Internet do mundo. No mesmo ano, foi criado o Zaz, por um grupo gaúcho, hoje conhecido pelo nome Terra, um dos maiores provedores brasileiros.

De acordo com Mannarino (2000):

Em 1997, a Internet estava consolidada no Brasil, com muito conteúdo em língua portuguesa sendo facilmente achado por sites de busca e uma grande massa de internautas brasileiros batendo papo, trocando e-mails, fazendo downloads, criando sites e acessando todo tipo de informação. (MANNARINO, 2000, p.24)

Para se ter uma noção do grande impacto que a Internet teve e tem no mundo, citamos o exemplo dos Estados Unidos onde, em apenas três anos de funcionamento, a rede era acessada por cerca de 60 milhões de pessoas. Se comparado a outros meios de comunicação, como a televisão e o rádio – que demoraram 15 e 30 anos, respectivamente, para alcançarem este número de usuários – podemos observar o crescimento da Internet com clareza.

Verificamos que, depois de inúmeras pesquisas de responsabilidade de institutos estatísticos, é difícil mensurar a quantidade de pessoas que são adeptas da Internet, pois os números aumentam rapidamente. Os resultados das pesquisas variam de acordo com a fonte divulgadora e também dependem da freqüência que o usuário acessa e de onde acessa. Uma delas, divulgada no ano de 2007, pelo The Pew Research Center2, dos Estados Unidos, mostra que, no Brasil, 44% da população se conecta à rede mundial. Um aumento de 100% se comparado a 2002, quando era de 22%. Com este crescimento, o Brasil ultrapassou países como a Eslováquia e a Bulgária no número de acessos.

Segundo um estudo divulgado pelo Computer Industry Almanac, em 2010 cerca de 1,8 bilhão de pessoas terá acesso à Internet em todo mundo, o que equivale a 30% de toda a população mundial, estimada em cerca de seis bilhões de pessoas.

Com este grande sucesso, a Internet possibilitou que vários segmentos comerciais publicassem seus produtos e idéias na rede. Hoje, podemos comprar os mais diversos produtos, conhecer pessoas de toda parte do planeta, pagar contas, fazer pesquisas, conhecer lugares, manter contato com familiares e amigos rompendo a barreira do espaço físico. Para Póvoa (2000):
Pode-se estar na Internet com a intenção de fazer uma operação de varejo, discutir conteúdo médico, leiloar objetos, comprar e vender ações, prover notícias, provar uma teoria sociológica. De negócios a negócios, de negócios a consumidores, de consumidores a consumidores. Qualquer forma de relação pode e vai ocorrer também através da Internet. (PÓVOA, 2000, p.13)

1.2.2 A história do webjornalismo

Desde a sua invenção, no período da revolução industrial, com os seus primeiros periódicos, o jornalismo vem passando por mudanças para se adequar às evoluções impostas pelos tempos e a leitores cada vez mais exigentes. A mais recente, foi a troca de um dos instrumentos mais importantes para o jornalista: a máquina de escrever que deu lugar ao computador. Com isso, as notícias de todo o mundo passam a ser atualizadas a todo instante. Esta foi, talvez, a maior revolução nas redações. Com a grande aceitação mundial da Internet, surge um novo canal de informação: os webjornais – publicações eletrônicas de notícias através de sistemas de hipertexto3 - cuja função é a de publicar notícias na Internet.

Para Leonardo Moura (2002), as empresas de jornalismo se adequaram à nova mídia e viram, na Internet, um grande potencial de divulgação de notícias. O New York Times foi o primeiro jornal a criar uma versão online. No Brasil, o pioneiro foi o Jornal do Brasil, em fevereiro de 1995. A revista Isto é foi a primeira revista a colocar seu conteúdo na rede também em 1995.

1.2.3 Características dos Webjornais

De acordo com Mannarino (2000), com o início deste novo segmento no jornalismo, observamos que, para escrever na rede, foram necessárias adequações nos padrões da escrita jornalística. O webjornalismo, apesar de todo o sucesso e número de adeptos, é muito recente. É preciso levar em conta a interatividade4, confiabilidade e uma escrita jornalística adequada para que a junção disso tudo resulte em um jornalismo interessante e dinâmico.

A primeira grande vantagem do webjornal é a instantaneidade. A divulgação das notícias é muito mais rápida, sendo possível acompanhar fatos exatamente no momento em que eles ocorrem. Com a inserção do Jornal do Brasil na rede na década de 90, os outros jornais viram que ficariam para trás caso não aderissem também ao novo meio de comunicação. Este jornal colocou no ar a edição completa idêntica à impressa. Enquanto os webjornais publicam notícias a todo minuto, a versão impressa passa por um processo mais demorado, o que permite ao jornal online dar o furo antecipadamente se comparado aos outros meios. Essa é a grande diferença entre estes dois meios jornalísticos. Nesse sentido, segundo Moura (2002):

A tendência do jornal online, portanto, é dar o furo antes de qualquer outro veículo, aprofundar-se nas matérias de diferentes maneiras (lincando e contextualizando com vídeo, áudio e fotos) e, sobretudo, oferecer ao internauta serviços que os jornais convencionais ou a televisão, muitas vezes, não têm espaço ou bom senso de apresentar. Exemplo: telefones úteis de entrevistados, homepages associadas à matéria e e-mails de personalidades ou instituições. (MOURA, 2002, p.46)

Nos webjornais, a concorrência é maior porque o acesso à informação é mais rápido; ou seja, o internauta pode ler a mesma notícia em portais diferentes e ao mesmo tempo. E isso altera a capacidade crítica do leitor, já que ele pode fazer comparações do modo como um fato foi tratado em matérias de jornais diferentes. Neste espaço online, ganha em número de acessos o site que abordou o tema da forma mais interessante, com mais informações e imagens.

Outra diferença entre webjornalismo e o jornalismo impresso, segundo Moura (2002), é o alcance da notícia. Pelos Webjornais, a notícia chega para qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, enquanto o jornal impresso está limitado por questões físicas à circulação local (de âmbito municipal, estadual ou nacional). Essa propriedade confere ao webjornal um poder de influência sobre a população. O leitor não fica preso às notícias de sua região, mas tem acesso às de todo mundo.

Os textos dos webjornais têm como base as notícias do impresso; todavia, elas são “enxugadas”, a fim de proporcionar ao leitor uma leitura dinâmica sobre o assunto. Como em todo ramo jornalístico, a Internet também necessita de um manual específico, até mesmo para dar mais credibilidade aos portais de notícias. Leonardo Moura (2002), em seu livro “Como Escrever na Rede”, sugere as seguintes dicas para um bom texto jornalístico escrito para a Internet:

- Frases curtas e pontuação são essenciais na rede; (...)

- Adequação da linguagem ao veículo; (...)

- Linguagem coloquial deve prevalecer; (...)

- Atualização: o lema é dar a notícia o quanto antes; (...)

- As frases deverão ser curtas e na ordem direta; (...)

- Precisão: como em qualquer veículo de transmissão de notícias, a precisão na Internet é essencial; (...)

- Contextualização: parta do princípio de que o leitor não está a par da notícia que está sendo dada; (...)

- Objetividade: transmitir a informação com distanciamento e imparcialidade é fundamental para o bom jornalismo; (...)

- Concisão: ser conciso é característica essencial do jornalista em qualquer veículo; (...)

- Gírias: mesmo em portais regionais e específicos para determinado tipo de público, as gírias devem ser evitadas; (...)

- Estrangeirismos: o uso de palavras estrangeiras deve ser evitado na Internet, a não ser que seja essencial para a contextualização de certo tipo de informação e que a tradução venha em seguida, grifada entre parênteses. (...)

- Números: como no texto para ser narrado no rádio, a Internet trabalha bem com a seguinte fórmula: escrevem-se por extenso os números de zero a dez. De 11 a 999, a rede trabalha melhor com os numerais cardinais; (...)

- Escolher um bom lide. (MOURA, 2002, p. 56-81).

Na web não há restrição de espaço como no jornal impresso. Nos sites de notícia é possível a inserção de links que abrem novas janelas, contendo mais informações sobre um determinado fato. O webjornal traz consigo todo o seu acervo de notícias, fato que nunca acontecerá com o impresso, pois ele é limitado por edições sem a possibilidade de leitura de notícias de edições anteriores.

Com todas essas vantagens, as empresas de jornais impressos investiram em profissionais capacitados que fazem as formatações das notícias que serão disponibilizadas na rede. Isso se deve ao fato de que a forma da matéria não será a mesma da que foi publicada no jornal impresso.

Apesar disso tudo, na opinião de Moura (2002), a Internet tem menos credibilidade se comparada a outros veículos de informação. Isso se deve ao fato de ela ser considerada uma “terra sem lei”, onde tudo pode ser publicado, sem o compromisso com a verdade. Não é possível discernir entre a notícia que foi bem apurada daquelas que não tiveram uma verificação adequada. Na maioria das vezes, a credibilidade e reputação do portal/webjornal é o que é levado em conta.

Segundo Moura (2002), “a internet fica cada vez mais com o papel de dar os “furos”. E os jornais impressos se dedicam cada vez mais às matérias de comportamento” (MOURA, 2002, p.49).

1.2.4 Webjornalista


Com o sucesso dos portais de notícias, foi criada uma nova área de atuação do jornalismo: o jornalista da Web. Isso acabou por alterar a rotina do mercado profissional e das faculdades de jornalismo, que já investem em disciplinas voltadas para o ensino da escrita para o jornalismo online.

Segundo Moura (2002), as instituições de ensino têm que preparar o futuro profissional para este tipo de informação interativa, já que as mesmas reconhecem o potencial deste novo veículo de informação e a necessidade de se conhecer a sua especificidade. Nesse sentido, é bom ressaltar que é importante para o jornalista estar familiarizado com os recursos disponíveis na Internet. Isso poupa tempo e o torna um profissional mais atuante e completo.



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