Jornalismo escrito II



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JORNALISMO ESCRITO II



João Figueira – jjfigueira@sapo.pt

2007
The first essence of journalism is to know what you want to know; the second is to find out who will tell you.

John Gunther
Put it to them briefly so they will read it; clearly so they will appreciate it; picturesquely so they will remenber it; and above all, accurately so they will be guided by its light.

Joseph Pulitzer


Captar a realidade é muito mais difícil do que inventá-la.

Gabriel Garcia Marquez

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Poema tirado de uma notícia de jornal


João Grosso era carregador de feira-livre e morava

no morro da Babilónia num barracão sem número

Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

Bebeu

Cantou

Dançou

Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
Manuel Bandeira


PROGRAMA

1. O(s) Poder(es) do Jornalismo

2. A Reportagem

2.1 Objectividade, rigor e singularidade do olhar do jornalista

2.2 O jornalista e a criação da personagem jornalística

2.3 Jornalismo e Literatura: proximidades e divergências

3. Modelos de Jornalismo

3.1 Jornalismo cívico

3.2 Jornalismo para o Desenvolvimento

3.3 New Journalism

4. A especialização jornalística e o jornalismo especializado


OBJECTIVO DA CADEIRA
O objectivo desta disciplina é conseguir que cada aluno, no final do semestre, domine as técnicas de investigação e de escrita jornalística nos diversos registos e géneros. Esse processo implica o aperfeiçoamento da noção de valor-notícia, ao mesmo tempo que inicia o aluno no campo da grande reportagem e lhe fornece os instrumentos necessários para aprofundar a sua capacidade de análise e de decisão quanto ao ângulo mais importante na abordagem de cada matéria.

METODOLOGIA
A aprendizagem será feita em situação e exercitada através da produção semanal de textos. O plano de organização das aulas seguirá, por isso, os ritmos e os rituais próprios das redacções de jornais. Independentemente desse trabalho, todos os alunos, em sistema rotativo, serão responsáveis pela apresentação de uma Agenda de acontecimentos e respectiva defesa perante a turma (redacção).

Todos os trabalhos estarão sujeitos ao cumprimento rigoroso dos prazos estabelecidos, sob pena de não serem aceites para discussão nem objecto de correcção.



MODELO DE FUNCIONAMENTO

As aulas desta disciplina vão desenrolar-se em blocos de quatro horas consecutivas. O carácter laboratorial em que assenta a estratégia pedagógica da cadeira justifica tal modelo de funcionamento.

Paralelamente ao trabalho regular que semanalmente será discutido e analisado, cada aluno terá, ainda, que escrever uma Grande Reportagem com um mínimo de 25 mil caracteres

A data de entrega deste trabalho é o dia 21 de Maio de 2007. A discussão e apresentação do plano para a realização da Grande Reportagem devem ser feitas, individualmente, junto do professor, até ao dia 2 de Abril de 2007.

Os prazos anteriormente referidos serão escrupulosamente respeitados.

AVALIAÇÃO

O modelo de funcionamento desta disciplina aconselha a avaliação contínua. (Ver Guia do Estudante sobre regulamento da avaliação contínua).

À luz desta opção, cada aluno terá de apresentar no dia 21 de Maio de 2007 um dossiê com os trabalhos realizados ao longo do semestre mais a Grande Reportagem. Da avaliação destes trabalhos e do índice de participação de cada aluno nas aulas, incluindo o seu empenhamento e contributo nas diferentes tarefas para que for solicitado, resultará a sua nota final.

São elementos muito importantes da avaliação os seguintes itens: Domínio da escrita jornalística e das técnicas de investigação nos diversos registos e géneros; capacidade de iniciativa e adequação às situações no terreno; atenção às grandes questões da Actualidade e disponibilidade para as debater e acompanhar; imaginação, capacidade de risco e de superação dos desafios que os alunos colocarem a si próprios nas propostas e concretização dos seus trabalhos, nomeadamente, na Grande Reportagem.


De acordo com as normas vigentes, a avaliação também pode ser feita através de exame final da cadeira. Os alunos que venham a optar por esta possibilidade terão obrigatoriamente que entregar no dia do exame uma Grande Reportagem, com um mínimo de 25 mil caracteres, sujeita a defesa oral, e cujo trabalho terá um peso de 50 por cento na classificação final da respectiva prova. O exame terá a duração mínima de três horas e constará de exercícios de prática jornalística e de uma questão teórica.

Os alunos que optarem pelo regime de avaliação final podem, caso entendam,

debater com o professor o seu projecto de trabalho de Grande Reportagem.
IMPORTANTE: a presença, nos trabalhos ou no exame, de dois erros de sintaxe graves e de dois erros ortográficos, igualmente relevantes, implicam a reprovação do respectivo autor, na cadeira de Jornalismo Escrito

Horário de atendimento dos alunos

O horário normal de atendimento dos alunos é a segunda-feira (18h-20h). Porém, sempre que solicitado, é possível efectuar uma reunião em horário e dias alternativos.


Informações úteis

Todo o aluno no desempenho das suas funções de “jornalista” da cadeira deve saber que se encontra num período de formação. Daí que a sua identificação perante as fontes e demais entidades que contacte não deve, nunca, ser objecto do mais pequeno equívoco:



  • É sua obrigação explicar a natureza das suas funções.

  • É seu dever informar o respectivo interlocutor quanto ao âmbito do seu trabalho e à possibilidade de o mesmo vir a ser publicado.

  • Todos os alunos estão obrigados a seguir e a respeitar o Código Deontológico.

  • O plágio é um acto claramente condenado pelo Código Deontológico dos Jornalistas e é também um crime punido por lei. Os alunos desta cadeira devem, em todas as ocasiões, identificar claramente as fontes de onde foram retiradas as informações ou os factos apresentados nos seus textos. A eventual e improvável apropriação de frases ou partes de artigos escritos por outros constitui grave ofensa, que não deixará de ser tomada em conta na atribuição da nota final desta cadeira.



O BLOQUEIO DA ESCRITA

O “deserto branco da folha de papel”, segundo a célebre expressão de Hemingway, foi substituído pelo “síndroma do ecrã vazio”. Hemingway, que também foi jornalista, só interrompia a escrita quando sabia como iria pegar no texto no dia seguinte. O problema, para os jovens jornalistas ou ainda em período de formação, não é, muitas vezes, continuar a frase, mas iniciar o texto.

Não há uma receita certa, única e infalível para debelar tal dificuldade. Porém, existem alguns procedimentos que podem ajudar a vencer o indesejável bloqueio da escrita. Sem prejuízo de cada um acrescentar novas ideias, aqui ficam algumas sugestões:

O hábito. Escrever ensina a escrever.

Escrita livre. Sentar-se diante do computador e começar a escrever qualquer coisa.

Comunicar. Contar a alguém ou para o computador a história sobre a qual se está ou quer escrever.

Conversar com alguém. Trocar impressões com outra pessoa sobre o artigo em causa.

Escolher o título

Escrever o lead.

Desistir.

Bibliografia

Obra de leitura obrigatória:



Crónica de uma morte anunciada, Gabriel Garcia Marquez, D. Quixote, 1995
Leituras recomendadas:

Baía dos Tigres, Pedro Rosa Mendes, D. Quixote, 1999;

Profissão jornalista-conversas com Martine de Rabaudy, Françoise Giroud, editorial inquérito, 2002;

Ébano febre africana, Ryszard Kapuscinski, Campo das Letras, 2001

O canto do carrasco, Norman Mailler, livros de bolso Europa-América (357 e 369), Lisboa, 1979

Dez dias que abalaram o mundo, John Reed,
Outras referências:
Agnés, Yves, Manuel de journalisme - écrire pour le jornal, La découverte, Paris, 2002

Barata-Feyo, José Manuel (coord.), Grande Reportagem, Oficina do livro, Lisboa, 2006

Bastos, Baptista, Lisboa contada pelos dedos, (crónicas), Lisboa, 2001

Bowden, John, Writing a report, How to books Ltd, Oxford, UK, 2000

Colombo, Furio, Conhecer o Jornalismo Hoje, Presença, 1998

Fink, Conrad C., Writing opinion for impact, Iowa State University Press, 1998

Lavoine, Yves, A Imprensa, Vega, colecção trimédia, s/d

Lightman, Alan, Os Sonhos de Einstein, Edições Asa, Lisboa, 1994

Marquez, Gabriel García, Notícia de um sequestro, D. Quixote, 1997

Marquez, Gabriel García, Relato de um náufrago, Edições Asa, Lisboa, 2002

McCullers, Carson, Balada do café triste, Relógio d´Água, s/d

Morin, Edgar, As grandes questões do nosso tempo, Editorial Notíc ias, 1992

Mouriquand, Jacques, O Jornalismo de investigação, Editorial inquérito , 2002

Pacheco, Assis, Memórias de um craque, Assírio & Alvim, Lisboa, 2005

Pires, José Cardoso, Balada da praia dos cães, 1982

Portela, Artur, A galáxia de Bill Gates e a responsabilidade cultural do jornalismo, Bizâncio, Lisboa, 1998

Quesada, Montserrat, La investigación periodística, Madrid, Ed. Ariel, 1987

Serviço de Reportagem (uma antologia de jornalismo português de imprensa 1986-1996), Editorial Notícias, Lisboa, 1998

Traquina, Nelson, Jornalismo, Quimera, Lisboa, 2002

Vilamor, José R., Redacción periodística para la generación digital, Editorial Universitas, Madrid, 2000

Waugh, Evelyn, Enviado especial, Bertrand, Lisboa, 1991



Woodward, Bob, O homem secreto, Quidnovi, Lisboa, 2006
FILMES / DVD
Os homens do presidente .................. Alan J. Pakula

Assassinos natos ................................. Oliver Stone

Terra sangrenta .................................... Roland Jofé

O ano de todos os perigos ................. Peter Weir
Nota: Ao longo do semestre, outras referências bibliográficas serão indicadas.



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