Jornal eletrônico da associaçÃo dos ex-alunos do instituto benjamin constant



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Desde a década de 70, quando surgiu o microcomputador, os educadores passaram a investigar seus potenciais usos na escola — com muita experimentação, mas bem pouco resultado. Será necessário mais tempo para que as atuais experiências se reflitam nos grandes indicadores do ensino. Pode-se dizer que há indícios de que o impacto é bom, talvez decisivo. Segundo um levantamento da OCDE (organização que reúne as nações mais desenvolvidas), os estudantes que cultivam o hábito de navegar na internet são justamente aqueles que, ao longo do tempo, obtém as médias mais altas — em quarenta países. Empurrados pelos mais variados estímulos fornecidos pelo computador, eles têm encontrado novos e atraentes desafios intelectuais no ambiente virtual. É justo nesse contexto que as aulas copiadas da velha lousa se tornam completamente ultrapassadas e desinteressantes. Conclui a secretária municipal de educação do Rio de Janeiro, Claudia Costin, à frente do novo projeto carioca: “Está claro que não há como obter avanços sem tornar a escola um lugar minimamente conectado à realidade dos estudantes, como estamos tentando fazer”. É um bom começo para o necessário avanço.


Muito computador, pouco uso

De acordo com uma pesquisa em treze capitais brasileiras, a maioria das escolas já dispõe de computadores... 98% dos colégios estão equipados ..mas eles ainda não estão sendo adotados em prol da melhoria do ensino 72% dos professores não se sentem preparados para aplicar a tecnologia na sala de aula 18% das escolas nem sequer fazem uso do laboratório de computação


//Fonte: Ibope/Fundação Victo, Civita
* Lya Luft – Livro Eletrônico

Este é um dos temas sobre os quais jornalistas e leitores habituais mais nos interrogam. O livro vai acabar, as editoras vão fechar, é a morte dos autores? Primeiro, os catastrofistas de plantão são em geral mal informados.

Quando surgiu o rádio, dizia-se, nesse mesmo tom, que ninguém mais iria conversar nas famílias. Vindo a televisão, estavam mortos o teatro e o rádio. Chegando a internet, tudo estava acabado, menos o isolamento, a alienação.

Nada mudou radicalmente dentro desse esquema: não se deixou de conversar (as pessoas nunca se comunicaram tanto quanto na internet), não se deixou de ir ao teatro (bons espetáculos atraem muita gente), ninguém parou de ir ao cinema (a não ser por medo de sair à noite, pela insegurança que se alastra), enfim, cada novo invento acrescentou, não tirou.

Li um diálogo interessante, dirigido por um jornalista, entre Umberto Eco e um roteirista francês, sobre o assunto. Os dois são donos de imensas bibliotecas, de muitas dezenas de milhares de volumes. Portanto, são amantes de livro, vivem com e para o livro.

Interessantes comentários: o registro escrito, seja em papel, pergaminho, nas antiquíssimas tabuinhas de argila, é o mais sólido, é permanente. O e-book. o livro eletrônico, que tem suas vantagens como todo artefato moderno, tem desvantagens

claras de saída. Por exemplo, dependeremos de mais decodificadores, suportes, seja como for: já não conseguimos ver os antigos vídeos de poucos anos atrás, a não ser que ainda tenhamos em casa aquele aparelho já superado onde os enfiar. Logo os CDs serão

esquecidos, os DVDs serão antiquados, e teremos de modificar, a cada nova invenção, a nossa biblioteca eletrônica. Sem falar na saúde dos olhos, atacados pelo tipo de luminosidade, modo de leitura, do texto na página de um e-book.

Outro assunto que me fascinou liga-se à bela palavra “palimpsesto”. Para quem não sabe, é a escrita sobre outra escrita. Encontram-se, em bibliotecas monumentais como a do Congresso americano, raridades em forma de tabuinhas, argila, pergaminho, couro, e mesmo papel, em que trechos ou palavras foram raspados e outros escritos em seu lugar, ou simplesmente por cima. Revelados, abrem-nos facetas incríveis da amiga cultura, pessoas, modos de vida. São camadas de civilização, que fascinam exércitos de cuidadores e estudiosos. No e-book teremos apenas o reles imediato. Prático, sim: não definitivo nem profundo.

Naturalmente dirão que sou viciada no livro de papel: direi que, sim, o cheiro de livro, de biblioteca ou de livraria é mágico para quem como eu foi criada nesse meio, ligada a esse instrumento de prazer, informação e crescimento pessoal, de integração no mundo, sem fronteiras de espaço e tempo. Isso pode entediar a novíssima geração, para quem a tela do computador é muito mais fascinante do que uma lombada de livro: e por que não? Tudo é legítimo e vale a pena, desde que não corrompa nem emburreça nem empobreça demais.

Eu direi que as duas coisas podem e vão conviver, como rádio e família, televisão e teatro, internet e outros meios de comunicação. Tudo está aí para nos servir, se não formos incompetentes demais. O resto, as discussões sobre o fim do livro e a morte das editoras, quem sabe dos escritores, me parece tolo, material de intermináveis diálogos e discussões vazias, artigos sem fundamento, entrevistas sem grande interesse.

E se o livro eletrônico vencer, se conseguirmos afinal um meio permanente, que permita ler anos a fio em todos os lugares do mundo, preservar com segurança, e transmitir velhíssimos recados ocultos, vamos continuar lendo, escrevendo, editando.

A forma importa pouco: importam o prazer, a comunicação, o estudo, a pesquisa, a aventura através do tempo, do espaço, das culturas e das mentes, que a palavra desperta em quem sabe perceber ali uma janela, que se abre de par em par, passando para o outro lado, e se entregando. Então já não rasteja, mas voa. Já não se encolhe, mas se desdobra, e intensamente vive.
//Fonte: Folha SP
*Universia Livros
O Universia Livros ( http://livros.universia.com.br/ )

é uma iniciativa de incentivo e popularização da leitura promovida pela Rede Universia - maior rede de cooperação universitária da América Latina.

O projeto visa popularizar a distribuição de grandes clássicos da literatura brasileira e mundial, disponibilizando versões digitais para download gratuito. No decorrer

do projeto, serão incorporados novos títulos, abrindo espaço também para novos autores e editoras universitárias que pretendam distribuir suas obras gratuitamente.

Se você é um novo autor ou representante de uma editora universitária que deseja se integrar ao projeto, distribuindo livremente seus conteúdos, envie um e-mail para redacao@universia.com.br, com assunto "Publicação Universia Livros".

Um representante do projeto entrará em contato com você.


Sobre o Universia

Universia é a maior rede ibero-americana de colaboração universitária, que integra 1.169 universidades e instituições de educação superior em 23 países.

As universidades parceiras do Universia representam 13,5 milhões de estudantes e professores universitários.

Universia foi lançado na Espanha em 9 de julho de 2000 com uma clara vocação de prestar serviços a comunidade universitária da Ibero América.

Lançado no Brasil em março de 2002, o portal Universia (www.universia.com.br) conquistou em sete anos, a parceria com 260 universidades, alcançou a marca de 2,4

milhões de usuários cadastrados e uma média mensal de 1,2 milhão de usuários únicos.


//Fonte: http://livros.universia.com.br
* Stevie Wonder e a Acessibilidade
Está acontecendo desde o dia 20 e irá até o dia 29 a 48ª assembléia da organização mundial de propriedade intelectual em Genebra. Na abertura, o músico Stevie Wonder falou sobre a necessidade de prover acessibilidade para pessoas com deficiência visual. Envio abaixo o seu belo discurso. É importante falar que além das discussões sobre a acessibilidade em livros, estão sendo discutidos os direitos intelectuais em relação a performances audiovisuais, o que abrange, entre outras questões, a audiodescrição e a

legenda para surdos.

(Abaixo uma tradução do discurso do Stevie Wonder com a ajuda do Google)

Stevie Wonder - Discurso à 48.a Assembléia da Organização Mundial da

Propriedade Intelectual
Bom dia, Diretor-Geral, os líderes mundiais, ilustres convidados, amigos e

minha família das Nações Unidas.

Agradeço ao Dr. Francis Gurry, diretor-geral da OMPI e Trevor Clarke, que me

convidaram para abordar este encontro muito importante de líderes mundiais

que - sei - pode transformar a inércia em ação, e sonhos em realidade.

Também sou muito grato por ter sido designado como um Mensageiro da Paz pelo

secretário geral Ban Ki-Moon.

Neste papel, eu sou ainda mais fortalecido e inspirado a trabalhar para a minha missão de levar esperança e luz aos milhões ao redor do mundo que vivem com deficiência e, especificamente, hoje, aqueles que como eu são cegos ou têm deficiência visual.

O que eu gostaria de fazer hoje é o lançamento que eu chamo de "Declaração de liberdade para as pessoas com deficiência".

É um apelo à ação, um plano que irá capacitar a independência das pessoas com deficiência, proporcionando-lhes as ferramentas para aprender e crescer.

Na América, por exemplo, muitos Afroamericanos devem o seu sucesso educacional à postura do governo de que todos os indivíduos sejam tratados de forma justa e igual. Esta abordagem proativa para a inclusão criou oportunidades para as pessoas negras terem acesso a uma educação de qualidade e ao emprego.

Então, agora, faço a pergunta, o que aconteceria se o presidente Obama, os tribunais dos EUA e o governo não adotarem ações afirmativas para assegurar a igualdade de acesso a uma educação de qualidade para todos os americanos?

É por isso que eu estou pedindo a este órgão e seus países membros para adotar uma "Declaração de liberdade para as pessoas com deficiência."

Através de seus esforços legislativos, os incentivos podem ser criados para o avanço dos cegos e pessoas com deficiência visual no sentido da promessa de uma vida melhor.


Eu quero que todos nesta sala pensem, pensem sobre como muitos jovens que vivem em suas diferentes países poderiam ser o próximo Barack Obama, mas talvez nunca cheguem lá, porque eles são cegos ou possuem deficiências e não têm acesso aos milhares de milhões de livros sobre ciência, medicina, história e filosofia que lhes permitirão ser plenamente educados e um dia viver seu sonho de ser um primeiro-ministro, médico, escritor ou professor.

Temos de declarar estado de emergência, e acabar com a privação de informação que continua a manter as pessoas com deficiência visual no escuro. Temos de divulgar que o gênio inexplorado dos 300 milhões de pessoas que têm uma deficiência visual precisam de nosso amor e ação, hoje, não amanhã, mas hoje mesmo.

Embora eu saiba que é fundamental não agir em detrimento dos autores que trabalham para criar as grandes obras que nos iluminam e alimentam nossas mentes, corações e almas, temos de desenvolver um protocolo que permite a fácil importação e exportação de materiais de direitos autorais tão que as pessoas com alguma deficiência possam participar do "mainstream" do mundo letrado. Existem muitas propostas sobre a mesa para criar uma câmara de segurança para o intercâmbio e tradução de livros.

Por favor, trabalhem no sentido de um consenso. Peço-vos, agora é a hora de amar.

E o seu amor é a chave para destravar as viseiras que bloqueiam o acesso de traduzir os livros em um formato legível para as pessoas com alguma deficiência.

Quando eu olho em volta desta sala eu sei que muitos de vocês são dedicados servidores públicos e fizeram uma grande diferença neste mundo. Mas seu trabalho e o meu trabalho não é feito. Há um círculo enorme de filhos de Deus; é preciso colocar as diferenças ideológicas de lado, e chegar a uma solução prática.

E eu venho respeitosamente pedir-lhes para entrar na minha declaração de liberdade para a impressão, voltada para muitas pessoas com deficiência e com deficiência

visual, dando-lhes as ferramentas para pensar a sua saída da pobreza e da escuridão que são criadas quando a mente não tem acesso a algo tão simples, mas tão poderoso quanto um livro.

Eu entendo que a União Européia, o grupo do Brasil, México e Paraguai, os EUA e o grupo da África propuseram planos diferentes sobre como lidar com a transferência

de informações entre países.

E há questões sobre como desenvolver um protocolo que tem um efeito vinculativo, e ao mesmo tempo, respeita os direitos de todos os envolvidos. Isso pode ser feito.

Nós temos as maiores mentes do mundo aqui nesta sala. Por favor, vamos resolver

isso.

Ou eu vou ter que escrever uma canção sobre o que você não fez.



Por favor, por favor, por favor me ajudem a brilhar a luz de Deus sobre os 300

milhões mais que vivem no escuro, a ler o seu caminho para a luz.

Eu gostaria que cada país representado aqui adotasse e desenvolvesse com a OMPI ou em seus próprios países, uma "Declaração de liberdade para as pessoas com deficiência".

É nossa herança e nosso presente para o futuro. Vamos fazer isso.

Mas antes de eu ir que tenho uma outra perspectiva que eu gostaria de compartilhar com você. Por favor, dê-me um minuto para chegar ao meu teclado.
//Fonte: Flávia Oliveira Machado

Mestrado Profissional em TV Digital - FAAC/UNESP

flaviamachad@yahoo.com.br

*Desenvolvimento de software vira história de amor


Tetraplégica há mais de 20 anos, a médica radiologista Lenira Luna conta com

uma assistente para auxiliá-la a operar o computador no trabalho. Mas ela queria poder usar o micro em casa, sozinha, para lazer.

Viu uma entrevista na TV com José Antonio Borges, do núcleo de computação eletrônica da UFRJ, sobre tecnologia de acionamento por voz. Imaginou que ali estaria a solução que procurava.

Com estreita colaboração de Luna, Borges começou a desenvolver em março de 2002 o software Motrix (intervox.nce.ufrj.br/motrix), que permite controlar o teclado e o mouse por meio de comandos de voz em inglês.

Um usuário tetraplégico do Motrix, conta Borges, desenhou no programa AutoCAD uma peça mecânica usando apenas a voz.

Atualmente, o Motrix só funciona no Windows XP. Por falta de financiamento, o desenvolvimento de uma versão compatível com Windows 7 está paralisado.

Ao longo da criação do Motrix, Borges e Luna se apaixonaram. Casados, eles estão juntos há quase nove anos.

Luna usa o programa até hoje. Diz considerá-lo perfeito para suas necessidades e, plena de ternura, elogia o marido: "É um gênio".


//Fonte: Folha SP
VALDENITO DE SOUZA

#13. REENCONTRO


COLUNA LIVRE:
Nome: Genezio Fernandes Vieira.

Formação: Nível superior em Direito.

Estado civil: Casado.

Profissão: Procurador da Fazenda Nacional.

Período em que esteve no I B C.: De 1974 a 1982.
Breve comentário sobre este período:

Foi, com certeza, uma das épocas mais ricas de minha vida, onde tive a oportunidade de ter vários amigos e amigas, muitos dos e muitas das quais tenho como irmãos, onde tive a oportunidade de ver que a cegueira não é tão intransponível assim como pintam e onde tive as condições de adquirir a bagagem intelectual, sobre a qual construí tudo o que consegui ser, o que para um cearense pobre do meio das caatingas, a meu ver, é muita coisa.


Residência Atual: Av. Rio Grande do Sul, Nº 748, apt. 101,

Bairro dos Estados, João Pessoa,PB

CEP 58030-020.
Objetivos neste Reencontro: Objetivo deixar um grande abraço a todos os amigos e dizer que fico na torcida de que, se possível, o Jornal Contraponto realize o primeiro encontro nacional de ex-alunos do IBC, de preferência, no famoso "casarão".
Contatos: (fones e/ou e-mails)

telefone do trabalho: (83)3216-4481 e 3216-4512;

telefone de casa: (83)3243-8555.

celular: (83)8852-6303.

genezio.vieira@globo.com

#14. PANORAMA PARAOLÍMPICO


Colunista: SANDRO LAINA SOARES (sandrolaina@sandrolaina.com.br)
Assuntos relacionados:

* Copa Brasil Série B de Futebol de 5;

* Campeonato baiano de Futebol de 5;

* Estrangeiro competirá por Equipe Brasileira no Futebol de 5;

* Rapidinhas Paraolímpicas.
Copa Brasil Série B de Futebol de 5
A Copa Brasil Série B de Futebol de 5 aconteceu em Anápolis, entre os dias 05 e 10 de outubro. Contando com 8 equipes, de 8 estados brasileiros, foi provavelmente uma das mais disputadas e de melhor nível técnico dos últimos 5 anos.

CETEF, de Brasília e APADEVI, de Campina Grande foram as equipes classificadas para a Série A do ano que vem. A última, campeã após vencer por 1 a 0 a equipe brasiliense, também levou os títulos individuais de melhor jogador do campeonato, com o atleta Toninho e o de melhor goleiro, com o Jalmair.

CCLBC, de Campinas, que ficou em terceiro lugar ao superar os maranhenses do ECEMA, também teve o artilheiro da competição, Romildo, com 9 gols.
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Campeonato baiano de Futebol de 5


A Bahia, estado que tem o atual campeão brasileiro de futebol de 5, O ICB e também o melhor jogador do mundo, Jefinho, iniciou, neste último dia 23, o seu segundo campeonato baiano de futebol de 5.

Nesta edição, com mais equipes e mais longo, o evento será realizado em vários fins de semana e contará com 6 equipes: Associação Baiana de Cegos (ABC), Centro de Apoio Pedagógico ao deficiente Visual (CAP), Grupo de Voluntários Copistas e Ledores para Cegos (GVCLC), Instituto de Cegos da Bahia (ICB) com duas equipes e União Baiana de Cegos (UBC).

A quinta e última rodada acontecerá no dia 11 de dezembro. Os jogos estão acontecendo sempre aos sábados, a partir das 13:45, no CFBA, em Salvador. Os jogos acontecerão nos dias 23/10, 20/11, 27/11, 04/12 e 11/12.
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Estrangeiro competirá por Equipe Brasileira no Futebol de 5


Esta novidade será apresentada pela URECE Esporte e Cultura, equipe carioca que disputará a Copa Brasil de Futebol de 5 no próximo mês.

O jogador, um argentino, é um dos mais importantes atletas paraolímpicos de seu país e da seleção de los ermanos.

Lucas Rodrigues tem um invejável curriculum. 5 mundiais disputados, 2 títulos mundiais conquistados, são algumas das participações anotadas. Segundo o próprio jogador, será um grande desafio, já que ele sabe do potencial do futebol brasileiro.

a equipe carioca, além de se reforçar para a disputa, também quer propiciar uma vivência de um jogador estrangeiro com seus atletas e até com atletas de outras equipes.

Mais informações, entrem no site da URECE: www.urece.org.br.
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Rapidinhas Paraolímpicas


1. Mês de Copa Brasil: futebol de 5 entre os dias 02 a 07 de novembro, na ANDEF, em Niterói; GP de judô entre os dias 12 e 14 de novembro, em Deodoro; goalball entre os dias 18 e 21 de novembro, na ANDEF, em Niterói.

2. Sandro Laina, atleta paraolímpico do futebol de 5, decidiu encerrar sua participação na modalidade com o título mundial. Ele que ainda alimentava vontade de jogar a Copa Brasil, decidiu por não participar e dar por encerrada sua carreira como atleta.


www.sandrolaina.com.br

www.twitter.com/sandrolaina
SANDRO LAINA SOARES

#15. TIRANDO DE LETRA


COLUNA LIVRE:
* O Homem Que Fazia Chover
O domingo era um daqueles que parece que têm a intenção de expulsar todo mundo de casa ou de fazer com que as concessionárias de energia se empanturrem de dinheiro pelo uso de quem pode ter e se utilizar de um aparelho de ar condicionado.

Embora ele não tivesse um, não se sabe se era de fato por não poder, já que era mestre nas desculpas para justificar o que queria ou não fazer. Sempre muito bem engendradas, elas seriam de deixar qualquer psicanalista com um sorriso de orelha a orelha, pensando no quanto teria como garantia de trabalho futuro.

Com relação a eles, porém, não dava nenhuma desculpa. Dizia apenas que achava todos uns farsantes e não livrava a cara nem de Freud.

Havia uma comida na geladeira que a empregada que lhe vinha uma vez por semana deixara na terça-feira anterior. A comida não seria a mais adequada para um dia como aqueles mas, a falta de energia que trazia consigo o risco de estragá-la com todo aquele calor, o deixava na indecisão entre fazer o mais prático que seria almoçar aquilo mesmo

ou sair para um almoço onde teria de encarar um restaurante cheio como todos estão nos domingos. Além disso havia o jogo, aquele Flamengo e Vasco que era garantia de confusão nas ruas. Resolveu-se por colocar o que sobrara da comida na geladeira numa panela (arroz, feijão, carne seca com abóbora e o restinho de uma carne ensopada com batata) e fez com aquilo uma gororoba que aqueceu e que certamente o deixaria

prostrado após devorá-la. Tanto mais que tivera a coragem de, num dia como aquele, ingerir uns goles de uma cachaça com a intenção mesmo de usufruir daquele leve torpor que as boas canas deixam, quando bebidas nas doses certas. Se houvesse alguém que lhe pudesse perguntar porque estava bebendo, talvez dissesse apenas que queria abrir o apetite. Mas, não havia ninguém.

A falta de energia não estava no programa, nem a elétrica, nem a própria. Após o almoço jogou a louça na pia e adiou a lavagem dela talvez para a próxima terça-feira, quando a empregada havia de vir. Mesmo a escovação dos dentes, ele adiou isso para um futuro mais próximo, achava... Deitou-se sem camisa e por cima da colcha tentando deleitar-se com uma brisa que ele mesmo não sabia se rolava de fato ou era algo da sua imaginação e ligou o rádio que, felizmente, estava com pilhas novas. Pronto, estava armado o cenário de mais este domingo em que ele esperaria que pelo menos o seu Vasco não o decepcionasse novamente. O jogo logo começaria e o futebol tinha a propriedade de acender nele uma emoção que expulsava para longe qualquer sono fazendo-o até mesmo se sentir em campo. Mas aquele se prenunciava um dia diferente, como logo foi demonstrado ao início do jogo quando o Vasco estava arrasador.

Ao final do primeiro tempo, Roberto, com um drible de corpo, tirou o jogador adversário da jogada e ampliou o placar que já estava em 1 a 0 para o Vasco. O repórter que fazia ponta atrás do gol e que tem a missão de deixar para o ouvinte o lance mais claro acrescentando detalhes que escapam ao narrador, disse então:

"Roberto hoje só falta fazer chover!" E foi ele falar para logo após um outro colega

completar: "pronto! agora não falta mais. Começa a chover no Maracanã!"

E o jogador, diante daquela partida absolutamente memorável, além das entrevistas naturais de depois dos jogos, foi convidado a um programa de televisão onde se encontrava também o profissional que dissera que ele havia feito chover durante o jogo. O repórter mais uma vez sacou a velha frase da algibeira e a repercussão se fez maior quando um outro observou que o jogador parece que não havia se contentado em fazer chover no Maracanã, pois a chuva que havia parado em toda a cidade, voltava a cair ali, naquele momento com a presença dele.

Naquela mesma semana seu time viajaria para um Jogo na capital do Ceará onde já não chovia há tempos. Foi o time chegar e, é claro, Roberto também, para que a chuva desabasse e prosseguisse de modo intermitente, enquanto ele permaneceu na cidade. Dali mesmo já se emendou a viagem numa outra para Salvador, onde o fenômeno se repetiu.

Seu futebol vistoso foi ficando para um segundo plano e ele passou a ser convidado para locais onde a chuva já se fazia ausente por muito tempo. Até que lhe foi impossível continuar com a profissão de jogador de futebol.

O fenômeno passou a ser curiosidade prioritária da ciência à medida que ia se repetindo. Mil teorias foram escritas, livros e mais livros foram vendidos. e o tempo foi passando. Ele queria saber a razão daquilo e, mais ainda, gostaria de abrir mão de tudo para ser apenas um jogador como fora até o dia daquele fatídico jogo. Mas não havia modo. Era ele chegar e a chuva começar. Até que sua vida foi ficando um deserto e isso literalmente, já que convenceram-no de que aquele seria o lugar mais adequado para que ele chovesse, ou vivesse, o que dava no mesmo. E o calor daquele deserto foi, apesar da chuva, se fazendo insuportável, até que ele acordou banhado em suor e engasgado com mais aquela derrota que seu time sofrera, com a virada do jogo que ao menos não tinha ouvido. E aquela derrota foi se materializando em algo que se lhe encravara na garganta e que lhe vinha em forma de um surto psicanalítico, que teimava em decifrar aquilo que ele não sabia bem se fora um sonho ou um pesadelo. Pesava-lhe então nos ombros tanto



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