Jornal eletrônico da associaçÃo dos ex-alunos do instituto benjamin constant



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Importância do braille

Neuma Pereira tem 58 anos e mora no Distrito Federal há quase três décadas. Veio de Mossoró ajudar a irmã que não tinha com quem deixar os filhos para poder estudar na Universidade de Brasília (UnB). Neuma perdeu a visão com um ano e meio porque sua mãe teve rubéola durante a gestação. Ela aprendeu a ler livros em braille quando se mudou para a capital do país. Em Mossoró, sua terra natal, não havia escolas desse tipo quando morava por lá.

Funcionária concursada da Secretaria de Cultura do DF, Neuma atualmente está à disposição da Biblioteca Braille Dorina Nowill, em Taguatinga. Ela trabalha emprestando livros e lecionando braille. Com outros portadores de deficiência visual que frequentam a entidade, participa atualmente de um curso de fotografia, além de ter aulas de dança coreográfica.

- Quando ganhei uma cartilha em braille me interessei em aprender. Quando fui fazer o curso, com três aulas aprendi a ler. A professora costumava me pedir para ajudá-la nas aulas. Esse trabalho que o Senado desenvolve tem um significado muito especial para quem não enxerga e enfrenta todos os tipos de dificuldade para encontrar livros que possa ler - declarou Neuma.


Fonte: Agência Senado
JOSÉ WALTER FIGUEREDO

#5. DE OLHO NA LEI


Colunista: MÁRCIO LACERDA (Marcio.lacerda@oi.com.br)
21 de setembro – Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência
TST decide sobre cota para portadores de deficiência Empresas com mais de 100 empregados serão obrigadas a contratar pessoal portador de deficiência ou reabilitado.
No Brasil, há 24,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência ou incapacidade. Esse índice, de acordo com o Censo IBGE de 2000, representa quase 15% da população que habita o território brasileiro.

O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei nº 11.133/2005. A data foi escolhida pela proximidade com a primavera e o dia da árvore, numa alusão ao nascimento das reivindicações de cidadania e de participação plena, em igualdade de condições, da pessoa com deficiência com os demais membros da sociedade.


O Sindicato dos Servidores das Justiças Federais – SISEJUFE, no Rio de Janeiro, em comemoração à data, promoveu o debate "Superando as dificuldades no mercado de trabalho e na luta sindical”, tendo como palestrantes: Telma Nantes (professora de Mato Grosso do Sul); Flávio Henrique de Souza, coordenador do Coletivo Nacional da Trabalhadoras e Trabalhadores com Deficiência da Central Única dos Trabalhadores (CUT); e Viviane Pereira Macedo, tetracampeã brasileira de dança esportiva em cadeira de rodas.

O evento, organizado pelos membros do Núcleo de Pessoas com Deficiência do sindicato, Ricardo Azevedo e Dulavim de Oliveira Júnior, aconteceu na sede do próprio SISEJUFE, com endereço na Av. Presidente Vargas, 509, 11º andar, às 19h do dia 21 de setembro próximo passado.

A platéia reuniu servidores, com e sem deficiência, das Justiças Federal, Trabalho e Eleitoral, bem como do Ministério Público da União.

A Advocacia-Geral da União prestigiou a comemoração, presente através de dois advogados de seu corpo funcional, o Doutor Carlos Rodrigues da Silva Filho e o Doutor Cláudio de Castro Panoeiro, ambos portadores de deficiência visual, ex-alunos do Instituto Benjamin Constant.

A propósito, a Associação dos Ex-Alunos do Instituto Benjamin Constant, da mesma forma, na pessoa de seu presidente, Senhor Hercen Rodrigues Torres Hildebrandt, ex-professor daquele educandário, fez-se presente ao debate.

Muito interessante um sindicato se preocupar com a temática da pessoa com deficiência, tendo em sua estrutura, inclusive, um órgão com atribuição específica para a matéria.


O Tribunal Regional do Trabalho do Paraná, por sua vez, criou uma Comissão de Acessibilidade, com o fim de estudar as medidas necessárias para remoção de barreiras físicas, arquitetônicas, de comunicação e normativas nas unidades da Justiça do Trabalho de todo o Estado, destinada a oferecer melhores condições a todas as pessoas com deficiência que procuram pela Justiça. A comissão foi instituída durante o encontro que aconteceu na sede do TRT-PR, em Curitiba, no Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência. O evento reuniu profissionais ligados a instituições que defendem os direitos das pessoas com deficiência, bem como magistrados, procuradores, estudantes e servidores da Justiça do Trabalho. A abertura do evento contou com apresentação do Coral Meninos de Angola, do Instituto Paranaense de Cegos.

Oportuno mencionar que A atitude do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná segue os ditames da Recomendação CNJ nº 27, de 16 de dezembro de 2009, que “Recomenda aos Tribunais relacionados nos incisos II a VII do art. 92 da Constituição Federal de 1988 que adotem medidas para a remoção de barreiras físicas, arquitetônicas, de comunicação e atitudinais de modo a promover o amplo e irrestrito acesso de pessoas com deficiência às suas dependências, aos serviços que prestam e às respectivas carreiras, para a conscientização de servidores e jurisdicionados sobre a importância da acessibilidade enquanto garantia ao pleno exercício de direitos, bem como para que instituam comissões de acessibilidade visando ao planejamento, elaboração e acompanhamento de projetos e metas direcionados à promoção da acessibilidade às pessoas com deficiência”.

Esperamos que a medida da Corte Trabalhista do Paraná sirva de espelho para os demais órgãos do Poder Judiciário, referidos na rubrica da Recomendação CNJ nº 27, principalmente nos Tribunais Regionais Eleitorais, Federais, militares, dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, já que as Cortes Superiores, felizmente, vêm tratando Da temática com razoável atenção.

TST decide sobre cota para portadores de deficiência Empresas com mais de 100 empregados serão obrigadas a contratar pessoal portador de deficiência ou reabilitado.


Fonte | TST - Segunda Feira, 04 de Outubro de 2010
Em decisão unânime, a Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho deu provimento ao recurso de revista do Ministério Público do Trabalho da 2ª Região (SP) para considerar o conjunto dos empregados do Banco ABN AMRO Real (adquirido pelo Santander Brasil) na hora da contratação de pessoal portador de deficiência ou reabilitado, nos termos da legislação em vigor.

Como explicou o relator, ministro Vieira de Mello Filho, o artigo 93 da Lei nº 8.213/91 refere-se à totalidade dos empregados da empresa, quando prevê a obrigação de preenchimento de cargos com pessoal portador de deficiência ou reabilitado. Segundo o dispositivo, a empresa com 100 empregados ou mais está obrigada a preencher de 2% a 5% das vagas com esses trabalhadores; até 200 empregados, 2%; de 201 a 500 empregados, 3%; de 501 a 1000, 4%; e de 1001 empregados em diante, 5%.

Ainda de acordo com o relator, a lei visou à proteção do mercado de trabalho das pessoas que, em virtude de dificuldades físicas, mentais ou sensoriais, tenham dificuldades de adquirir ou manter o seu posto de trabalho. Desse modo, a norma limita o poder do empregador, uma vez que a dispensa de empregados reabilitados ou portadores de deficiência só pode ocorrer após a contratação de substituto em condições semelhantes.

O MPT recorreu ao TST depois que o Tribunal do Trabalho paulista (2ª Região) considerou que o número de cargos destinado à cota era relativo a cada estabelecimento empresarial. Contudo, na interpretação do ministro Vieira, quando a lei fala de “empresa” diz respeito à atividade desenvolvida pelo tomador dos serviços, do contrário, bastaria que o empresário distribuísse seus empregados em estabelecimentos com menos de 100 trabalhadores para que pudesse burlar o comando legal.


RR- 224600-17.2001.5.02.0057
Disponível em:

http://jornal.jurid.com.br/materias/noticias/tst-decide-sobre-cota-para-portadores-deficiencia/idp/53766; acessado em: 5 de outubro de 2010.
MÁRCIO DE OLIVEIRA LACERDA

#6. TRIBUNA EDUCACIONAL


Colunista: SALETE SEMITELA (saletesemitela@terra.com.br)
Os sete Pecados Capitais dos Educadores

(continuação)


3. Ser excessivamente critico: obstruir a infância da criança
Havia um pai preocupadíssimo com o futuro do seu filho. Queria que ele fosse ético, sério e responsável. A criança não podia cometer erros, nem excessos. Não podia brincar, se sujar e fazer peripécias como toda criança. Tinha muitos brinquedos, mas eles ficavam guardados, porque o pai, com o aval da mãe, não admitia bagunça.

Cada falha, nota ruim ou atitude insensata do filho eram criticadas imediatamente pelo pai. Não era apenas uma crítica, mas uma seqüência de críticas e, às vezes, na frente dos amigos do filho. Sua crítica era obsessiva e insuportável. Não bastasse isso, querendo pressionar o filho para que ele se corrigisse, o pai comparava seu comportamento com o dos outros jovens. O menino se sentia o mais desprezado dos seres. Pensou em até

desistir da vida, por achar que não era amado por seus pais.

O resultado? O filho cresceu e se tornou um bom homem. Errava pouco, era sério, ético, mas infeliz, tímido e frágil. Entre ele e seus pais havia um abismo. Por quê? Porque não havia a mágica da alegria e da espontaneidade entre eles. Era uma

família exemplar, mas triste e sem sabor. O filho não apenas se tornou tímido, mas frustrado. Tinha pavor da crítica dos outros. Tinha medo de errar, por isso enterrava seus sonhos, não queria correr riscos.

Desejando acertar, o pai cometeu alguns pecados capitais da educação. Impôs autoridade, humilhou seu filho em público, criticou-o excessivamente e obstruiu sua infância. Este pai estava preparado para consertar computadores, e não para educar

um ser humano. Cada um desses pecados capitais é universal, pois são um problema tanto numa sociedade moderna quanto numa tribo primitiva.

Não critique excessivamente. Não compare seu filho com seus colegas. Cada jovem é um ser único no teatro da vida. A comparação só é educativa quando é estimulante e não depreciativa. Dê aos seus filhos liberdade para ter as suas próprias experiências, ainda que isso inclua certos riscos, fracassos, atitudes tolas e sofrimentos. Caso contrário, eles não encontrarão os seus caminhos.

A pior maneira de preparar os jovens para a vida é colocá-los numa estufa e impedi-los de errar e sofrer. Estufas são boas para as plantas, mas para a inteligência humana são sufocantes.

O Mestre dos mestres tem lições importantíssimas para nos dar nessa área. Suas atitudes educacionais encantam os mais lúcidos cientistas. Ele disse certa vez que Pedro o negaria. Pedro discordou veementemente. Jesus poderia criticá-lo, apontar seus

defeitos, acusar sua fragilidade. Mas qual foi sua atitude?

Nenhuma. Ele não fez nada para mudar as idéias do amigo. Deixou o jovem apóstolo Pedro ter suas experiências. O resultado? Pedro errou drasticamente, derramou lágrimas incontidas, mas aprendeu lições inesquecíveis. Se não tivesse errado e reconhecido sua fragilidade, talvez jamais amadurecesse e se tornasse quem foi. Mas, como falhou, aprendeu a tolerar, a perdoar, a incluir.

Estimados educadores, temos de ter em mente que os fracos condenam, os fortes compreendem, os fracos julgam, os fortes perdoam. Mas não é possível ser forte sem perceber nossas limitações.
4. Punir quando estiver irado e colocar limites sem dar explicações
Certa vez uma menina de oito anos estava passeando num shopping próximo da sua escola com algumas amigas. Ao ver um dinheiro em cima de um balcão, pegou-o.

A balconista viu e chamou-a de ladra. Pegando-a pelo braço, levou-a em prantos até os pais. Os pais ficaram desesperados. Algumas pessoas mais próximas esperavam que eles batessem e punissem a filha. Em vez disso, resolveram me procurar para saber como agir. Tinham receio de que a menina desenvolvesse cleptomania e se

apropriasse de objetos que não lhe pertenciam. Orientei os pais a não fazerem um drama com o caso. As crianças sempre cometem erros, e o importante é o que fazer com eles. Minha preocupação era levá-los a conquistar sua doce menina e não a puni-la. Orientei para que a chamassem em separado e explicassem as conseqüências do seu ato. Em seguida, pedi-lhes que a abraçassem, pois afinal ela já estava muito chocada com o

ocorrido. Além disso, disse que, se eles quisessem transformar o erro num grande momento educacional, deveriam ter reações inesquecíveis. Os pais pensaram e tiveram um gesto inusitado. Como o valor era pequeno, deram à filha o dobro do dinheiro furtado e demonstraram eloqüentemente que ela era mais importante para eles do que todo o dinheiro do mundo. Explicaram-lhe que a honestidade é a dignidade dos fortes.

Essa atitude deixou-a contemplativa. Em vez de serem arquivados na memória o fato de ser ladra e uma punição agressiva dos pais, foram registrados na memória acolhimento, compreensão e amor. O drama se transformou num romance. A jovem nunca mais se esqueceu de que, num momento tão difícil, seus pais a ensinaram e amaram. Quando fez quinze anos, ela abraçou seus pais, dizendo que nunca se esquecera daquele momento poético. Todos deram risadas. Não ficou cicatriz.

Um outro caso não teve o mesmo destino. Um pai foi chamado à delegacia porque o segurança vira seu filho furtando um CD numa loja de departamento. O pai sentiu-se humilhado. Não percebeu a angústia do garoto e o fato de a falha ser uma excelente oportunidade para revelar sua maturidade e sabedoria. Em vez disso, esbofeteou o filho na frente dos guardas.

Chegando em casa, o jovem se trancou no quarto. O pai tentou arrombar a porta, porque percebeu que o filho estava tentando se matar. Num ato impensado, desistiu da vida, achando-se o último dos seres humanos. O pai daria tudo o que tinha para

voltar atrás, jamais pensou que perderia seu filho querido.

Por favor, jamais puna quando estiver irado. Como disse, não somos gigantes, e nos trinta primeiros segundos da raiva somos capazes de ferir as pessoas que mais amamos. Não se deixe escravizar por sua ira. Quando sentir que não pode controlá-la, saia de cena, pois, caso contrário, você reagirá sem pensar.

A punição física deve ser evitada. Se algumas palmadas acontecerem, elas devem ser simbólicas e acompanhadas de uma explicação.

Não é a dor das palmadas que irá estimular a inteligência das crianças e dos jovens. A melhor forma de ajudá-los é levá-los a repensar suas atitudes, penetrar dentro de si

mesmos e aprender a se colocar no lugar dos outros.

Praticando essa educação você estará desenvolvendo as seguintes características na personalidade dos jovens: liderança, tolerância, ponderação, segurança nos momentos turbulentos.

Se um jovem o magoou, fale dos seus sentimentos com ele. Se necessário, chore com ele. Se seu filho falhou, discuta as causas da sua falha, dê crédito a ele. A maturidade de uma pessoa é revelada pela forma inteligente com que ela corrige alguém.

Podemos ser heróis ou carrascos para os jovens.

Jamais coloque limites sem dar explicações. Este é um dos pecados capitais mais comuns que os educadores cometem, sejam eles pais ou professores. Nos momentos de ira, a emoção tensa bloqueia os campos da memória. Perdemos a racionalidade. Pare! Espere a temperatura da sua emoção baixar.

Para educar, use primeiro o silêncio e depois as idéias.

A melhor punição é aquela que se negocia. Pergunte aos jovens o que eles merecem pelos seus erros. Você se surpreenderá! Eles refletirão sobre suas atitudes e, talvez, darão uma punição mais severa para si mesmos do que você daria.

Confie na inteligência das crianças e dos adolescentes.

Punir com castigos, privações e limites só educa se não for em excesso e se estimular a arte de pensar. Caso contrário, será inútil. A punição só é útil quando é inteligente. A dor pela dor é inumana. Mude seus paradigmas educacionais. Elogie o jovem antes de corrigi-lo ou criticá-lo. Diga o quanto ele é importante, antes de apontar-lhe o defeito.

A conseqüência? Ele acolherá melhor suas observações e o amará para sempre.
(Do livro: "Pais Brilhantes, Professores Fascinantes")
SALETE SEMITELA

#7. ANTENA POLÍTICA


Colunista: HERCEN HILDEBRANDT (hercen@terra.com.br)
Os educadores e a realidade da educação
Com imensa satisfação e orgulho, compareci, na última quinta-feira, dia 21 de outubro, ao auditório do Jockey Club Brasileiro, atendendo a convite da Direção Geral do IBC, para, como Presidente de nossa Associação, assistir a homenagem prestada pela Associação Brasileira de Educação, Associação Brasileira de Imprensa e Jornal Folha Dirigida a nossa escola. Segundo os organizadores do evento, em eleição espontânea,

um colégio eleitoral de 5.674 personalidades educacionais equiparou o IBC ao CAP da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e à Academia Nacional de Medicina. Durante a solenidade, os diretores das três Instituições receberam placas designando-as "Instituições Educacionais de 2010". Além delas, foram agraciados com a comenda diversas pessoas físicas, com longa experiência profissional na área.

Oficialmente, o valor do prêmio é simbólico, já que se trata de homenagem prestada por organizações da sociedade civil, além de uma empresa privada. Entretanto, considerando a importância histórica e política de organizações como a ABE e a ABI, bem como o papel que a "Folha Dirigida" vem representando para os estudantes brasileiros, não se pode desconhecer a honraria que significa.
Ao penetrar no recinto, a professora Berta do Valle, uma das homenageadas, veio cumprimentar-me, lembrando nossos encontros nas conferências Municipal e Estadual de Educação realizadas em 2009. Referiu-se ao "Plano Nacional", aprovado em Brasília e ainda não implementado pelo Governo.

Ela falava e eu respondia monossilabicamente, de modo tão educado quanto era capaz, procurando tratá-la com o respeito que ela me parece merecer.

Veio-me à memória a última sessão da conferência estadual, quando solicitei ao Guri, então nosso Diretor Político-Educacional, que comparecesse por ser o associado mais informado das discussões sobre os temas de nosso interesse, em questão. Tínhamos, sobre a mesa, uma proposta redigida por ele, aprovada na Municipal.

No intervalo para o almoço, a Presidente da reunião, que representava o MEC, sentou-se a nosso lado na lanchonete; conversou conosco; brincou conosco. Sondava-nos, certamente, para saber com quem estava tratando.

À tarde, para nossa surpresa, a mesa foi substituída e a pauta modificada. Nosso tema ficaria para o final dos debates.

Levantei uma questão de ordem, mas a nova Presidente informou-me que a alteração fora determinada em reunião extraordinária da Comissão Organizadora. Protestei, pois era membro da tal Comissão e não havia sido informado da reunião. Mas isso de nada adiantou; esgotou-se em um mero pedido de desculpas.

Encerrada a discussão dos temas estranhamente intercalados, a Presidente deveria retornar à mesa e reiniciar as discussões da manhã. Resistiu o quanto pôde, alegando cansaço do plenário, mas acabou por assumir.

No momento em que nossa proposta seria levada à votação, ela declarou suspensos os trabalhos, alegando o longo tempo já despendido nos debates.

Alguns participantes do plenário solicitaram que nossa proposta fosse contemplada.

A presidente insistiu para que fossem suspensos os trabalhos.

O Guri, recém operado, ainda convalescendo, embora já tendo retornado a suas atividades, sentia-se mal. Já não se manifestava. Precisava retirar-se.

Nesse momento, eu mesmo, apesar de todo o interesse pela proposta, declarei que abria mão.

A Presidente deu por encerrados os trabalhos.

Retiramo-nos do recinto com alguma pressa. Ao passarmos junto à mesa, a Presidente dirigiu-me uma brincadeira qualquer, que respondi aereamente, sentindo revolta e vergonha.


Já relatei esse fato nesta coluna, embora com menos detalhes e analisando-os, em si. Agora, falo deles para chamar a atenção dos leitores para o distanciamento entre a ação do Estado e o pensamento dos educadores.
É muito curioso:

- 5.674 educadores, espontaneamente, elegem uma escola personalidade educacional do ano. Mas o Ministério da Educação, seu responsável, deseja que ela se extinga e seus representantes em eventos oficiais tratam os que procuram defender sua permanência de modo desleal;


- parece que os educadores aprendem a conhecer sua atividade quando retiram-se das salas de aulas. É provável que o contato dos alunos, a proximidade com o mundo real, atrofie sua inteligência e embote sua sensibilidade;
- talvez teoria e prática sejam elementos independentes. A dialética não deve estar correta;
- É possível que os valores do mercado sejam mais benéficos ao homem que os interesses da coletividade. Assim, ONGs profissionalizadas têm maior influência sobre as políticas de Estado que os próprios interessados na solução dos problemas, que parecem necessitar e pugnar por sua tutela..
É essa a impressão que, no momento em que organizações reconhecidas da sociedade civil homenageiam entidades públicas, me vem ao lembrar as conferências Municipal e Estadual de Educação de que participei em 2009.
HERCEN HILDEBRANDT

#8. GALERIA CONTRAPONTO


COLUNA LIVRE
* Hélio Bezerra do Amaral

(Por Maria da Trindade Rebouças)


Constituiu-se num imperioso dever de consciência e de justiça fazer figurar nesta "Galeria de Cegos Ilustres", da RBC aquele cujo traços morais podemos sintetizar em algumas palavras, mas cujo valor real é-nos impossível definir por ser o vocabulário insuficiente, não nos permitindo apresentar um retrato fiel de quem jamais esqueceremos, nós, seus alunos, seus colegas, seus amigos.

Hélio Bezerra do Amaral, o nosso inolvidável recém-desaparecido, tinha um alto senso de responsabilidade, elevado mesmo, porque o dizemos, ao exagero.

Fez do cumprimento do dever, sua religião, e o cultuou até o derradeiro minuto de sua preciosa e curta existência.

De sua infância pouquíssimo conhecemos, a respeito da qual raros dados dispomos; apenas sabemos haver nascido em Olinda, Pernambuco, a 12 de julho de 1914. Perdera a visão aos 14 anos de idade por atrofia no nervo ótico, ingressando em 1930 no Instituto Benjamin Constant, onde se destacou sempre por seu comportamento exemplar, inteligência brilhante, aplicação nos estudos, constituindo-se enfim, num estudante modelar perfeito. Concluiu em 1936 seu curso, classificando-se em 1º lugar. Em 1937, por lamentável interrupção das atividades do Instituto, no setor do ensino, atirar-se-ia Hélio ao rude trabalho de propagandista e vendedor da Aliança dos Cegos, que o acolhera e onde permaneceria até 1940, lutando com as dificuldades naturais de um cônscio chefe de família, pois casara-se a 16 de julho de 1938.

Criada em 1940, no IBC, a Imprensa Braille, nela ingressou após disputar um concurso, alcançando de imediato a sua chefia pela destacada posição conquistada na competição. Naquele honroso posto, que exerceu hábil e proficuamente, traçou normas e diretrizes ainda hoje seguidas por seus sucessores.

Nomeado em 1949, professor da cadeira de Francês do curso ginasial recém-criado no maior estabelecimento latino-americano de ensino para invidentes, na sua excessiva modéstia, ao assumir o cargo, considerava-se incompetente para tão árdua e delicada missão.

Sempre seguindo os ditames da consciência e do cumprimento do dever, arroja-se ao estudo da matéria eleita e, cursando a Aliança Francesa do Rio de Janeiro, dedica-se intensamente à disciplina, obtendo as melhores classificações julgadas pela Sorbonne, que lhe confere "menção honrosa."

Em fevereiro de 1950, freqüenta um curso de férias instituído pela Faculdade Nacional de Filosofia, concluindo, como sempre, com pleno êxito.

No IBC, realizou também o curso de massoterapia, fiel ao seu lema, estudar, estudar, que era, dizia ele, "o seu grande fraco". Como professor, sua competência era inexcedível, sua dedicação, paternal. Severo e justo, paciente e abnegado, era o ídolo de seus alunos e ex-alunos que o veneravam e hoje cultuam-lhe a memória.



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