Joaquim Francisco de Assis Brasil versus Júlio Prates de Castilhos



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Trabalho Final de Graduação (TFG II)

Acadêmica: Sibele da Silva Costa

Tema: Joaquim Francisco de Assis Brasil versus Júlio Prates de Castilhos:

acertos e\ou rupturas (1882-1903)
Na segunda metade do século XIX, o Brasil então sob o Regime Imperial de Dom Pedro I, sofria mudanças significativas no campo político, econômico e social. Fatos como a Guerra do Paraguai, as fragilidades do Império até seu derradeiro final, a Abolição da Escravatura (1888) e a implantação da República (1889), levaram o país a grandes e efetivas transformações em todos os aspectos já mencionados.

Em meio a estes acontecimentos, na Província do Rio Grande do Sul, nasciam Joaquim Francisco de Assis Brasil e Júlio Prates de Castilhos, posteriormente figuras fundamentais nas configurações políticas do estado sulino, embora diversos em seus pensamentos e ações (WERNECK, 1978).

Na cidade de São Gabriel, na estância de São Gonçalo, (1858) nasceu Joaquim Francisco de Assis Brasil, filho de Francisco de Assis Brasil e Joaquina Teodora de Bem Salinas, ambos de origem açoriana. Dois anos após, na região central da Província, precisamente na Fazenda da Reserva, situada no município de Vila Rica - atualmente município de Júlio de Castilhos - nascia Julio Prates de Castilhos (1860), o oitavo filho do casal Francisco Ferreira de Castilhos e Carolina de Carvalho Prates.

Durante a infância limitaram-se a vida no campo, em lugares distintos do Rio Grande do Sul. No entanto, ainda eram crianças, quando o Brasil ingressava em uma das mais sérias crises internacionais na América do Sul: a Guerra do Paraguai (1865-1870) (Soares, 1996). Esta guerra abalou as estruturas do Império brasileiro, uma vez que ocasionou um rombo nos cofres públicos, além de perder um grande contingente humano do seu exército. Mesmo assim, a província do Rio Grande do Sul, passou a ter um grande prestigio entre as unidades do Império, pois mesmo não sendo mais

[...] a antiga “província do boi”, mas uma terra de homens valentes, esclarecidos, empreendedores. Na Assembléia Provincial figuras ilustres ganhavam destaques como Félix da Cunha, João Jacinto de Mendonça e Gaspar Silveira Martins. Deram ao legislativo local uma importância até então desconhecida. (FERREIRA, 1960, p. 112).
A política na Província sulina era dominada por dois grandes partidos: Partido Conservador e o Partido Liberal, tendo ao seu lado o principal órgão de imprensa: A Reforma, jornal de grande repercussão do período. O Partido Republicano, com o entusiasmo das idéias da República Farroupilha, cessou suas atividades, ficando como ‘uma brasa sob uma camada de cinzas’, nas palavras de Ferreira (1960). E esta brasa que fora acesa com as ideias republicanas alimentadas por alguns jovens sul-rio-grandenses, dentre eles Assis Brasil e Júlio de Castilhos.

Ainda meninos, tanto Assis Brasil quanto Júlio de Castilhos ficaram órfãos de pai. Quanto a J. F de Assis Brasil, logo após a morte de seu pai, sua mãe antecipou o ano de seu nascimento para 1857, objetivando a maioridade do filho mais cedo. Tal decisão possibilitaria que o filho tomasse decisões junto a cartórios, bancos e demais instituições que se fizesse necessário. Somente os mais íntimos sabiam da real data de seu nascimento, uma vez que nos registros oficiais o ano permaneceu 1957 (ROCHA, 1995).

Com a morte de Francisco Ferreira Castilhos, Júlio de Castilhos permaneceu na fazenda sobre os cuidados de sua mãe, tendo assim, a infância
[...] e parte da adolescência [...] na solidão da campanha, entregue a uma vida simples e sem luxo, como era regra naqueles tempos, até para as famílias mais abastadas (SOARES, 1996, p. 9).
Seu pai havia deixado uma herança considerável, o que lhe permitiria custear seus estudos até o curso superior (SOARES, 1996).

Enquanto J. F. de Assis Brasil desde jovem recebia responsabilidades de adulto, Júlio de Castilhos era criado sob os cuidados familiares. Percebe-se estes fatos quanto ao período que foram designados aos seus estudos.

Assis Brasil cumpriu seus estudos na escola de primeiras letras do mestre Custódio José de Miranda, situada a pouca distância da fazenda paterna, demonstrando relativa capacidade de aprendizagem. Júlio Prates de Castilhos iniciou seu aprendizado escolar, primeiramente com sua mãe - Dona Carolina - na própria fazenda, depois sendo designado a uma professora particular - Francisca Carolina Miller - a qual foi contratada pela família, como era costume na época e também pelo isolamento da fazenda (FRANCO, 1996).

Mas logo Joaquim Francisco foi transferido para uma escola em São Gabriel, depois para o colégio interno do professor Bernardo Taveira Júnior, em Pelotas. Taveira Júnior1 motivou Assis Brasil a seguir a carreira política, o que fez com que este se engajasse na luta pela implantação do sistema político republicano no Brasil, sendo que, à época, estava-se no Segundo Império, sob o comando de Dom Pedro II (1849-1989). A semeadura do mestre encontrou terreno fértil na precocidade do discípulo (REVERBEL, 1996).



Aos nove anos de idade (1869) Castilhos foi matriculado no colégio particular de Guilherme Wellington, esposo de Francisca Carolina Miller, a primeira professora de Castilhos, para concluir o curso primário. A escola situava-se na então Vila de Santa Maria da Boca do Monte. Nesta escola encontraria a sua primeira adversidade:
Saindo do aprendizado doméstico, enfrentava a vida escolar com um defeito físico dos mais desagradáveis: era gago. E isso atraiu, desde o primeiro dia de aula, a hilaridade ruidosa dos companheiros (FRANCO, 1996, p.13).

BIBLIOGRAFIA
ROCHA, Artheniza Weinmann, Luis Gonzaga Binatto, Jose Newton Cardoso Marchiori. J. F. de Assis Brasil: interpretações. Santa. Maria: UFSM, 1995.
REVERBEL, Carlos. Assis Brasil. 2ª. ed. Porto Alegre: IEL, 1996.
SOARES, Mozart Pereira. Júlio de Castilhos. 2ª. ed. Porto Alegre: IEL, 1996.
FEREIRA, Arthur Filho. História Geral do Rio Grande do Sul. 2ª. ed. Rio de Janeiro- Porto Alegre- São Paulo: Globo, 1960.
FRANCO, Sérgio da Costa. Júlio de Castilhos e sua época. 3ª. ed. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 1996.
TODESCHINE, Cláudio J.B (Org e Composição). Júlio de Castilhos. Porto Alegre (RS): EMMA/SEC, DAC, IEL, 1978.

1 Inserir aqui quem foi Taveira Junior, com a devida fonte.







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