Jacqueline Baird



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Encontro12.04.2018
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Phoebe o fitou, surpresa.

— Não é uma coisa muito agradável de se dizer.

— Tudo que quero é levá-los para casa, tomar um banho e trocar de roupa. — Fechou os olhos por alguns segundos e voltou a abri-los. — E talvez tirar um cochilo.

Phoebe o observou atentamente, percebendo que o homem dinâmico e poderoso que sempre julgara infatigável parecia de fato exausto.

— Parece estar mesmo precisando — respondeu ela, enquanto deixavam o hospital.

Ao entrar no carro, Jed se acomodou no banco da frente do passageiro e recostou a cabeça para trás. Phoebe e Ben estavam ali e aquilo o fazia se sentir aliviado. O pai conhecera o neto e estava feliz. Não obstante o desfecho das próximas trinta horas, a expectativa de vida do pai ficaria drasticamente reduzida. Pensando no último desejo do pai, pegou o telefone celular e entrou em contato com seu advogado.

A casa ficava localizada na costa, a certa distância da cidade, se estendia por muitos acres. Uma autêntica mansão com uma vista panorâmica para o mar. Ben se mostrou intimidado, assim como Phoebe, quando Jed os guiou através do imenso saguão. Uma mulher com expressão preocupada veio ao encontro deles e Jed a apresentou como a criada, Maria, que por sorte tinha algum conhecimento do idioma inglês. Em seguida, falou rapidamente em grego com o patrão, enquanto ele olhava ao redor com expressão interessada.

Uma ampla e extravagante escada era a peça decorativa central em meio ao chão de mármore do saguão, que levava a meia dúzia de aposentos. De repente, uma das portas se abriu e uma mulher a transpôs. Sophia! Phoebe reconheceu imediatamente, enquanto ela se encaminhava em direção a Jed. Em seguida, deu o braço a ele e lhe falou em grego. Phoebe se sentia como um poste, alternando o olhar entre ambos. Que eram íntimos, estava óbvio pela forma como ela o segurava, mas aquilo não era novidade. Então por que se sentia tão mal ao vê-los juntos? Porque ainda amava Jed. O incômodo pensamento aflorou em sua mente. Não. Não podia... não devia... sucumbir mais uma vez a algo que a havia ferido mortalmente no passado. Duvidava ter forças para sobreviver a uma nova decepção. Uma noite de sexo e um fim de semana juntos a deixara ansiando por mais, mas aquilo era atração sexual e não amor Provavelmente o fato de ter testemunhado o lado temo de Jed com o pai e com Ben a estava confundindo, disse a si mesma. Lembrou-se de que, segundo o que dissera Jed dias atrás, Sophia não estaria mais falando com ele. Mentiroso! A mesma mulher que agora segurava delicadamente pelos ombros e a afastava dele com um sorriso nos lábios.

— Obrigado por sua preocupação, Sophia, mas estou certo de que meu pai se recuperará. Fale em inglês, por favor. Temos convidados. — E puxando Ben pela mão disse. — Este é meu filho, Benjamin. A mãe dele, Phoebe, você já conhece.

— Seu filho! — exclamou Sophia, recobrando-se rapidamente, antes de acrescentar: — Olá, Benjamin.

— Em seguida, se voltou a Phoebe. — Claro que me recordo de você. Como poderia esquecer? — indagou, dirigindo-lhe um sorriso cortês e franzindo o cenho. — Embora me lembre que não se recordava de Jed na época e agora aparece nesta casa com o filho dele. Um tanto bizarro! — E voltou a se dirigir a Jed na língua natal.

Phoebe percebeu a postura tensa de Jed ao responder e um lampejo de emoção no olhar de Sophia.

— Agradeça a seu pai pela preocupação — disse em inglês. — Mas agora terá de nos dar licença. Foi um longo dia. Maria a acompanhará até a porta.

Sophia fitou Phoebe, curiosa.

— O menino é a imagem exata do pai. Não sei se é uma tola ou muito esperta. — E dando de ombros. — De qualquer forma, desejo-lhe sorte. Precisará dela com Jed, acredite-me — acrescentou, antes de se retirar em companhia de Maria.

De certo modo, Phoebe quase sentia compaixão por Sophia. Fora a mulher que chegara mais próximo de se casar com o mais cobiçado solteiro da Grécia. Fora isso que o pai de Sophia insinuara para ela e Julian no baile do embaixador. Então, o que teria acontecido?

— A notícia do ataque cardíaco do meu pai foi dada na rádio local — explicou Jed, segurando-lhe o braço.

Phoebe se desvencilhou.

— Para alguém que não estava falando com você, Sophia foi bastante loquaz — disse ela, sarcástica.

— Ela estava aqui para dar apoio à família. Um gesto natural de amiga.

— Uma grande amiga, seu mentiroso...

Os olhos de Jed se estreitaram e quando Maria se aproximou, ele se dirigiu ao filho.

— Acompanhe Maria, filho. Ela lhe dará um copo de suco.

Phoebe abriu a boca para objetar, mas o menino seguiu a criada, muito animado.

— Nunca me chame de mentiroso na frente de Ben — repreendeu Jed em tom áspero. — Ele não precisa ouvir seus comentários depreciadores e ciumentos.

— Ciúmes de você? Não me faça rir! — Porém, tinha de admitir que ele estava muito próximo da verdade. — Ao contrário de você — rebateu, optando pelo ataque como a melhor forma de defesa. — Não tenho o hábito de mentir. Acha mesmo que eu queria estar aqui com você? Fique sabendo que não. A única razão pela qual vim para cá, foi por Ben e seu pai. Possuo um coração e jamais negaria um pedido de um homem seriamente doente.

— Ótimo — disse ele. — Não tem idéia do quanto fico feliz em ouvir isso. — Agora, se me der licença, preciso tomar uma ducha. Maria lhe mostrará a casa — Com poucas passadas, cruzou o corredor e subiu a escada.

Phoebe, ao contrário, não vira nada de agradável no que dissera. Os últimos dias tinham sido infernais e não via perspectivas de melhora. Suspirou e se sentiu aliviada ao ver Ben correndo em sua direção com Maria logo atrás.

— Mamãe, comi bolo de mel recheado.

Maria riu, limpando-lhe a boca com um guardanapo de papel.

— Ele é muito ligeiro. Agora vou lhes mostrar a casa, está bem?

Phoebe concordou e ficou impressionada com o que viu. Admirada seria a palavra certa, pensou, após conhecer cinco salas de visitas, algumas mais formais que outras, um escritório e um jardim de inverno. O andar inferior abrigava uma academia de ginástica, uma ampla piscina e os andares superiores eram igualmente impressionantes.

Maria lhe contou que haviam duas suítes principais e mais cinco de hóspedes. No último andar, ficavam localizados os aposentos dos criados. Por fim, guiou Phoebe para dois quartos contíguos destinados a ela e Ben. Sugeriu que depois do dia estafante que tiveram, talvez fosse melhor tomarem um banho, descansar e comer algo. Geralmente o jantar era servido às nove horas, mas com o patrão no hospital poderiam servi-lo a qualquer hora que os moradores estivessem presentes. Ensinou Phoebe a utilizar o interfone e lhe pediu para que a contatasse quando quisessem jantar.

Uma hora mais tarde, de banho tomado, com a roupa trocada e sentada à mesa bem servida, Phoebe sorriu, indulgente, vendo o filho comer ovos mexidos e tomates grelhados. Sentia-se quase relaxada... até que Jed adentrou a sala de jantar.

Involuntariamente, Phoebe se empertigou na cadeira. Os cabelos negros estavam penteados para trás, ainda úmidos pelo banho. Havia se barbeado e vestido terno risca de giz, camisa branca e gravata cinza. Porém, não tinha mais a aparência cansada. Na verdade, estava estonteante. Phoebe tentou em vão controlar a pulsação acelerada diante do poder que o físico masculino avantajado irradiava e desviou o olhar. Tentara por anos convencer a si mesma que o havia esquecido e o desprezava. Porém, desde que ele a seduzira algumas noites atrás com uma paixão tema que lhe destruíra as defesas, era forçada a admitir que estava mentindo para si mesma. Era como se seu corpo estivesse programado para responder apenas a ele e duvidava que um dia algum homem o substituísse.

Jed moveu-se, varrendo-a com o olhar. Phoebe optara por um vestido que se colava aos seios fartos. Tentando ignorar a frustração que sentia, ergueu os olhos para fitar a face delicada. À luz clara do ambiente, parecia pálida e Jed percebeu os halos escuros em tomo dos olhos azuis. Um misto de tensão e algo mais o engolfou ao vê-la juntar as mãos sobre o colo e baixar o olhar.

Por alguns segundos sentiu a consciência pesar, mas logo focou a atenção em Ben.

— Achei que o encontraria aqui — disse ele ao filho. Phoebe não merecia sua compaixão. Enganara-o por cinco anos e mais uma vez no baile da embaixada. — Tenho de sair, filho — disse, consultando o relógio de pulso. — E como não vou voltar antes de você dormir, quero lhe desejar boa noite agora. Durma bem. — Despenteou os cabelos do menino e com um gesto de cabeça para Phoebe, partiu.

CAPÍTULO ONZE

Phoebe desceu os degraus da escadaria. A casa estava imersa em um silêncio assustador. Ben se encontrava profundamente adormecido, conforme constatara as duas vezes em que fora ao quarto do menino. Verificou as horas no relógio de pulso: 22h30, mas estava demasiado agitada para tentar dormir. Lembrou-se de ter visto uma televisão em uma sala de estar do andar térreo, embora não soubesse em qual delas. Na segunda tentativa, entrou em um aposento iluminado apenas pela luz tênue de uma luminária, próximo à janela. Ajustando os olhos à penumbra, Phoebe percebeu que se tratava do escritório.

— Entre e tome um drinque comigo — a voz grave reverberou no aposento e ela viu Jed esparramado no sofá de couro preto com um copo na mão. — Seria bom ter companhia.

— Não. Eu vou... você está bem? — perguntou Phoebe, preocupada com o tom de voz tenso.

— Não sei. O amanhã dirá.

Phoebe não pôde evitar o sentimento de culpa. Estivera tão preocupada com seus próprios problemas que não considerara os temores de Jed, sabendo que as próximas 48 horas, dais quais já se passara metade, eram cruciais para a sobrevivência do pai. Testemunhara a ternura com que ele o tratava e concluíra que Jed não era o ser destituído de emoções que julgara.

Sentiu o coração suavizar e, hesitante, caminhou em direção a ele.

— Não sabia que tinha voltado — murmurou ela, estancando em frente a Jed. O paletó risca de giz se encontrava dobrado sobre o braço do sofá, a gravata afrouxada e os primeiros botões da camisa abertos, revelando o pescoço largo. Tinha uma aparência sexy e arrogante, mas parecia totalmente solitário...

Phoebe sentou-se ao lado dele.

— Sei como se sente, mas beber não vai ajudá-lo.

— Não pode saber como estou me sentindo — retrucou Jed, esvaziando o conteúdo do copo e o pousando na mesa ao lado do sofá.

— Sim, posso — afirmou ela, pousando uma das mãos no antebraço de Jed em um gesto consolador. — Quando meus pais sofreram o acidente de carro, minha mãe morreu no local e nunca tive a chance de dizer que a amava. Porém, meu pai sobreviveu por mais uma semana e, embora fosse desesperador vê-lo partir aos poucos, tive tempo de me despedir e expressar meus sentimentos por ele. Portanto, em vez praguejar contra o seu, deveria lhe dizer o quanto o ama. Acredite em mim, isso o fará se sentir muito melhor.

— Ah, Phoebe! — disse ele, envolvendo-lhe os ombros com o braço e a puxando para perto. Ela era tão generosa, tão feminina! Jed quase lamentou o que estava prestes a fazer. — Agradeço-lhe a preocupação, mas não é necessária. — Os imensos olhos azuis se encontravam fixos nele. Tocou-lhe a face com um dedo e a percebeu prender a respiração. Teve de lutar contra a tentação de se apossar do que sabia lhe pertencer. Porém, fizera exatamente aquilo na sexta-feira e tudo que conseguira foi fazê-la se afastar. Não podia arriscar. Tudo estava planejado e o tempo era essencial. Poderia esperar mais um dia. — Quando praguejei ao sairmos do hospital, não era contra ele. Foi uma expressão de admiração por meu pai — continuou Jed. — Ele conhece meus sentimentos. Zeramos nossas diferenças em uma longa conversa que tivemos logo após seu quarto divórcio. Meu pai me explicou por que se casava com tanta frequência. Ele amava minha mãe de todo o coração. Considerava-a sua alma gêmea. Porém, quando ela se encontrava em estado terminal, fez com que ele jurasse que se casaria de novo e não se tornaria o tipo de homem que não tinha respeito pelas mulheres e dormia com qualquer uma. Meu pai cumpriu a promessa.

O tolo, e se casou com todas as mulheres com quem fez sexo após a morte dela.

Aquele era um Jed que ela nunca conhecera. Confidenciando-lhe detalhes íntimos de sua família.

— Manter a promessa não foi tolo e sim romântico. Deve ser um homem extraordinário e não um cínico como você — provocou Phoebe.

— Ainda o achará um romântico amanhã, quando nos casarmos?

— O quê? — perguntou Phoebe, erguendo um olhar estupefato para fitá-lo. Jed só podia estar brincado, porém a expressão na face de traços perfeitos lhe dizia que não.

— Você ouviu. Meu pai quer que nos casemos. Ele lhe disse isso. Pediu-me para preparar a cerimônia enquanto você está aqui. Concordei para acalmá-lo. Se isso facilita as coisas para você, nunca fiz sexo com Sophia. Somos amigos de longa data. Considerei me casar com ela porque nossos pais são muito amigos. Um casamento de conveniência, assim como será o nosso.

O fato de Jed nunca ter feito sexo com Sophia a agradou, mas a menção ao casamento por conveniência apenas para agradar ao pai a enfureceu.

— Você concordou? Está louco?

— Não. Simplesmente levei a sério suas afirmações de que não mente, tem um coração e nunca negaria o pedido de um homem seriamente doente. O pedido do meu pai é para que nos casemos. E então? É uma mulher de palavra?

Phoebe sentia como se tivesse sido mergulhada em uma tina de gelo. Todos os sentimentos ternos fugiram. Dissera todas aquelas palavras, mas jamais imaginara que Jed as usaria por conveniência.

Inclinou a cabeça para trás com expressão desafiadora.

— Essa é a mais maliciosa distorção de palavras que já ouvi. Só você seria capaz de uma atitude dessas.

— Não é pior do que a sua ao interpretar minha oferta de tomar conta de você ao saber que estava grávida como uma sugestão para que interrompesse a gravidez. Ou o fato de ter negado a mim e ao meu pai preciosos anos ao lado de Ben — rebateu Jed, austero. — Agora pode nos recompensar. O casamento está programado para acontecer amanhã, no hospital. Tudo que tem a fazer é comparecer e assinar quando for requisitada.

— Não sou tola — disparou Phoebe. — Isso é impossível. Não podemos nos casar assim tão rápido. Precisamos de documentação, como certidões de nascimento.

A mão longa se moveu pelo pescoço delicado.

— Está tudo providenciado. Sid me deu seu passaporte e quando saí mais cedo foi para me encontrar com o prefeito, que é muito amigo do meu pai. Ele providenciou uma licença especial, devido ao estado de saúde precário de meu pai, para um casamento civil a ser realizado à beira do leito do hospital.

— Roubou meu passaporte! — Ela o entregara a Sid quando passaram pelo controle no aeroporto e se esquecera de pedi-lo de volta.

— Não. Tomei-O emprestado. — Jed lhe inclinou a cabeça para trás, arrastando o olhar pelos lábios sensuais, por todo o comprimento do pescoço esguio e elegante até a curva generosa dos seios. — Passamos bons momentos no ano durante o qual nos relacionamos. Seria tão difícil ficar casada comigo? — indagou ele, tomando-lhe os lábios quando Phoebe os entreabriu para responder em uma exploração erótica e sensual. Ela tentou se convencer de que não era aquilo que desejava, mas o beijo apaixonado provou que estava mentindo para si mesma e Phoebe se fundiu ao corpo forte, correspondendo-o com igual fervor. Quando por fim Jed recuou, estava com a respiração ofegante. — Nosso casamento faz sentido. Ben e meu pai ficarão felizes e nós temos uma química sexual muito intensa. O que poderia ser melhor? — indagou ele, com um lampejo de satisfação no sorriso sensual.

— E quanto ao amor? — perguntou Phoebe.

— O amor é mais uma palavra para definir desejo. Tente ser racional. Um homem se sentirá satisfeito em um casamento em que o sexo é bom. Se não houver sexo, mas apenas a emoção que você chama de amor, ficará insatisfeito e irá procurá-lo em outro lugar.

Tensa, Phoebe empertigou os ombros.

— Essa é a definição de casamento mais cínica que ouvi — disse ela, furiosa. O único foco de Jed era o dinheiro e poder Casando-se com ela, teria um filho para carregar o maldito nome da família, enquanto se satisfazia sexualmente.

Tinha vontade de esbofeteá-lo para apagar aquele sorriso de satisfação que ele estampava na face, mas pensou bem e hesitou. Além disso, havia a possibilidade de estar grávida. Dois filhos ilegítimos seria demais. Fitando-o sob os cílios longos, não podia negar que Jed era um homem pecaminosamente atraente. No passado, amara-o com todo seu coração, mas não mais. Muito bem, ele que fosse para o inferno. Iria jogar o próprio jogo de Jed.

— Está bem. Concordo em me casar com você. Mas o que ele não sabia era que o sexo estaria fora de questão. Aquele arrogante que tentasse viver sem sexo e veria em quanto tempo ela se divorciaria por adultério.

— Obrigado. — Jed depositou um beijo no topo da cabeça de Phoebe. — Sabia que acabaria optando pela sensatez.

— Tem razão, como sempre — disse ela, porém o sarcasmo em seu tom passou despercebido a Jed.

— Fico feliz que finalmente concordamos. — ele se ergueu, pegou o paletó e o vestiu. — Tenho de ir para o hospital para que Cora possa voltar para casa. — Contarei a ela e ao meu pai as boas-novas. Cora poderá ajudá-la a comprar algo para vestir. — E lhe erguendo o queixo com um dedo. — Relaxe e não se preocupe. Tudo dará certo. — E com aquelas palavras, partiu.


Phoebe permaneceu parada feito uma estátua ao lado de Jed à beira do leito de hospital. O enfermo foi recostado aos travesseiros. A face corada e os olhos falseando.

Phoebe não saberia dizer se aquilo era um bom ou um mau sinal. Percorreu o cenário surreal com o olhar. Os monitores cardíacos apitando e um juiz do outro lado do leito falando sem parar, sem que ela captasse só uma palavra do que o homem dizia.

Por sorte, a cerimônia civil foi breve. Cora e o marido Theo serviram como testemunhas e, surpreendentemente, o Dr. Marcus. Observou, entorpecida, Jed assinar os documentos necessários e depois passar a caneta a ela para que fizesse o mesmo. Uma cerimônia destituída de emoção. Exceto quando Jed a tomou nos braços e a beijou. No mesmo instante o torpor foi substituído pelas batidas desenfreadas de seu coração. O barulho da rolha de um champanhe estourando a trouxe de volta à realidade. Taças foram cheias e distribuídas. Cora ajudou o pai a tomar um gole da bebida borbulhante, antes de o médico pedir a todos que se retirassem.

Phoebe ergueu o olhar ao homem que agora era seu marido. Mostrava-se frio e controlado como de costume, enquanto a guiava para fora do quarto. Uma sala de recepção foi providenciada no hospital particular para a festa de casamento. Phoebe piscou, surpresa, ao ver um grupo de mais de vinte pessoas reunidas para cumprimentá-los. Jed a apresentou ao seleto grupo, mas ela se encontrava demasiado entorpecida para decorar o nome de todos. Em algum momento durante o beijo que Jed lhe dera, sua determinação em manter um casamento sem sexo havia evanescido.

Em determinado momento da recepção Jed a deixou para conversar com algumas pessoas e Phoebe agradeceu por ficar sozinha, o que não durou muito tempo.

O Dr. Marcus se aproximou com uma taça de champanhe na mão.

— Phoebe, querida! — exclamou ele. — Está linda! Fiquei satisfeito em saber que milagrosamente deu à luz e agora isto. — Disse fazendo um gesto para englobar a sala. — Demorou, mas Jed por fim convenceu-a a se casar com ele. Lembro-me da terrível noite em que foi trazida ao hospital. Eu e Jed havíamos jantando um pouco antes e, apesar de ele esconder suas emoções, posso lhe dizer que estava eufórico em relação à criança e me disse que se casaria com você. E depois veio a notícia da tragédia. — Marcus tomou um gole de champanhe, enquanto Phoebe o escutava, pálida, diante das revelações. — Ele ficou arrasado com a notícia e permaneceu assim por muito tempo. Também não ajudou o fato de no mesmo final de semana o pai ter tido seu primeiro ataque cardíaco. Um dia após seu aniversário. Jed ficou no hospital por 48 horas. Ele pensou que a havia perdido quando finalmente pôde voltar a Londres, mas o destino opera de forma misteriosa. Ele a reencontrou e finalmente se casaram.

Phoebe foi atingida por um choque após o outro. Primeiro ouvir que Jed queria se casar com ela e depois ficar sabendo que ele não a abandonara deliberadamente. Porém, antes que pudesse formular uma resposta, Jed se aproximou e colocou o braço sobre seus ombros.

— O que está dizendo para minha esposa, Marcus? — perguntou ao amigo.

— Dando-lhe os parabéns, é claro.

— Você está bem? — sussurrou Jed ao ouvido de Phoebe, quando o médico se retirou para conversar com outros convidados. — Vi que ficou pálida com algo que Marcus lhe disse. Ele a ofendeu?

Os lábios tentadores estavam muito próximos dos dela e uma miríade de pensamentos assolaram a mente de Phoebe. O calor do braço que lhe enlaçava a cintura, o corpo forte colado ao dela e os olhos castanho-dourados brilhando ao fitá-la.

— Não — retrucou ela, percebendo o grande erro que cometera há cinco anos. Fitando a face de Jed com olhar pensativo, pousou a mão sobre o peito musculoso. De acordo com Marcus, aquele homem estonteantemente belo pensara em se casar com ela naquela época. O homem que ainda amava...

— Phoebe. Está muito calada — disse ele, segurando-lhe a mão.

Phoebe exibiu um sorriso luminoso, sentiu as batidas do coração de Jed se acelerarem e quase riu de seu plano de lhe negar sexo durante o casamento.

— Estava apenas pensando no quanto... — Calou-se, antes de lhe dizer que o amava. — seu pai deve ter ficado feliz — emendou, retirando a mão.

Por alguns instantes, a euforia que lhe trouxera a revelação de Marcus a cegara para a realidade. Jed quisera se casar com ela há cinco anos, mas apenas por estar grávida, não por amá-la. E agora se unira a ela por causa de Ben. Nada mudara a não ser o fato de saber que Jed nunca lhe sugerira interromper a gravidez e não a abandonara deliberadamente.

Recordou-se do momento em que Jed descobriu que Ben era seu filho e afirmou que deviam se casar. Ela respondera que ele nunca passaria de um pai esporádico ao que Jed lhe pedira uma chance, para lhe provar o contrário. Muito bem, estavam casados agora. Talvez fosse o momento de dar uma chance ao homem que amara e odiara por tanto tempo. Bem como a si mesma, já que o amava e sempre amaria.

Jed aumentou a pressão com que lhe enlaçava a cintura.

— É hora de partirmos — disse em tom firme. Phoebe olhou ao redor e se decidiu. Iria tentar fazer com que aquele casamento desse certo. Talvez estivesse esperando outro filho e com o tempo Jed poderia vir a amá-la.

Ao se despedirem de Cora, Jed informou que passariam a noite fora e pediu que o contatasse caso fosse necessário.

— O que quis dizer com passarmos a noite fora? — indagou Phoebe, quando deixaram o hospital. Ben e os sobrinhos de Jed estavam na casa dos Sabbides com Maria e a babá de Cora, tomando conta deles, mas não por toda a noite.

— Tenho que voltar para cuidar de Ben.

— Não. Ele será muito bem cuidado.

— Mas nunca deixei Ben durante toda uma noite.

— Pois está na hora de deixar — retrucou Jed, abrindo a porta do carro esporte luxuoso. — Acabamos de nos casar, lembra? — zombou ele. — Por mais que eu ame Ben, não pretendo passar minha noite de núpcias com ele.

— Ele sentirá minha falta. Não posso deixá-lo. Além disso, não tenho roupas...

— Ele não sentirá. Você pode. E não precisará de roupas — retrucou ele, sorrindo.

Desistindo, ela fechou os olhos. O dia tinha começado com Jed informando a Ben que seus pais iriam se casar. O menino se mostrara mais do que satisfeito. Em seguida. Cora chegara com os filhos e um caos se instalou na mansão. Uma seleção de vestidos se materializara em seu quarto. Phoebe escolhera o mais simples, sem alças, com corpete justo e saia curta que terminava dez centímetros acima do joelho. Porém, o traje era guarnecido com um, sobretudo fino da mesma cor, com apliques em cristal, de modo que ela não se sentia muito exposta.

Deixou escapar um longo suspiro e abriu os olhos a tempo de ver o carro parar.

— Não fica muito longe. — Phoebe tomara a decisão de aceitá-lo como seu marido, mas aquilo não a impedia de se sentir nervosa. Jed não lhe voltou resposta. Limitou-se a sair do carro e contorná-lo para abrir a porta do passageiro e ajudá-la a descer — Onde estamos? — indagou ela, olhando ao redor. Alguns quarteirões à frente podia ver a silhueta da Acrópole. Phoebe se voltou para fitá-lo. — Estamos no meio de Atenas — respondeu para si mesma. —Aquela é a Acrópole — apontou, empolgada.

— Sim — respondeu Jed. — Ficaremos no meu apartamento esta noite — informou enquanto a envolvia pela cintura e a guiava através das portas de vidro. Em seguida, apresentou-a ao zelador como sua esposa e a levou ao elevador.

Quando alcançaram a porta do apartamento, Jed enfiou a chave na fechadura e a ergueu nos braços, carregando-a para dentro.

— O que está...? — Phoebe lhe enlaçou o pescoço com as mãos. — Está maluco? Ponha-me no chão! — gritou quando os sapatos de salto alto escorregaram de seus pés.

— Louco por você — retrucou ele, fechando a porta com as costas, cruzando o saguão e a ampla sala de estar em direção ao quarto. Encontrava-se tão excitado que teve de se controlar para não atirá-la sobre a cama e possuí-la naquele instante.

— Oh, meu Deus! Pétalas de rosas — murmurou Phoebe. Jed olhou ao redor e se deparou com sua cama coberta por lençóis de linho branco e pétalas de rosas. Coisas de Cora, sem dúvida, mas não era homem de perder oportunidades.

— Especialmente para você — disse em voz rouca, antes de pousá-la no chão.

CAPÍTULO DOZE

Phoebe ergueu o olhar para fitá-lo. Os olhos azuis cintilando, com expressão divertida.

— Nunca o julguei um romântico do tipo que espalha pétalas de rosas pela cama — disse, meneando a cabeça e Jed se surpreendeu com a luminosidade do sorriso que ela lhe voltou.

— Não sou, mas por você... — Escorregou as mãos sob o tecido fino do, sobretudo do vestido, fazendo-o deslizar pelos ombros delicados e cair ao chão. Um rubor intenso se espalhou pela face de Phoebe. O fato de ele ter se lembrado das pétalas de rosas a encantara e o nervosismo que sentia desapareceu no instante em que as mãos longas lhe envolveram as costas e deslizaram o zíper do vestido de casamento. Cada peça de roupa teve o mesmo destino do sobretudo. Por fim, Jed lhe deslizou a lingerie de renda pelas pernas esguias.

Em seguida, ajoelhou-se e ergueu cada um dos pés de Phoebe para livrá-la da diminuta peça. Quando ele se ergueu, o olhar incinerador a percorreu da cabeça aos pés, antes de Jed a puxar contra o corpo e lhe emoldurar a face com as mãos. — Phoebe, minha linda esposa — disse, roçando de leve os lábios contra os dela, enquanto soltava a presilha que lhe prendia o penteado, deixando que a massa espessa de cabelos sedosos lhe caísse em cascata sobre os ombros. Mais uma vez lhe tomou os lábios em um beijo profundo, escorregando as mãos sobre os braços delicados até lhe envolver a cintura.

Um suspiro suave de prazer escapou dos lábios de Phoebe, enquanto oscilava em direção a ele, segurando-se aos ombros largos. De repente, foi erguida do chão mais uma vez e colocada gentilmente sobre cama.

— Nunca vi nada tão perfeito quanto você — sussurrou Jed com voz rouca, quase reverente, enquanto se livrava das próprias roupas.

— Oh! — Phoebe ofegou ao fitar o corpo alto, bronzeado, de músculos definidos e a potente ereção.

— Você é extraordinária, Phoebe — disse ele fitando-a nos olhos — e finalmente é minha esposa — declarou em tom possessivo.

Percorreu com a ponta do polegar o pescoço macio e o deixou escorregar mais para baixo até que a palma da mão lhe envolvesse o seio, enquanto os dedos ágeis lhe estimulavam os mamilos.

— Ahhh! — gemeu Phoebe. Os olhos dilatados e brilhantes esmiuçando a face máscula de traços perfeitos ao mesmo tempo em que enterrava as mãos na massa de cabelos negros.

Os lábios e as mãos de Jed exploravam eroticamente cada ponto sensível do corpo de curvas suaves.

Phoebe sentiu o sangue engrossar nas veias quando ele ergueu a cabeça e lhe capturou um dos mamilos enrijecidos na boca, sugando-o e o mordendo de leve até lhe arrancar um grito de prazer da garganta. Phoebe sentia o peso do corpo musculoso comprimindo o dela, o contato ardente das mãos fortes contra a pele. O tempo pareceu não mais existir, enquanto ela mergulhava em um mar de sensações tão intensas que nada mais tinha importância. Phoebe se contorceu sob o corpo forte, quando a mão de Jed escorregou por entre as coxas macias. Os dedos longos encontrando o ponto mais sensível de sua intimidade, enquanto utilizando a língua a levava a um estado de excitação nunca antes experimentado. Os braços delicados se fecharam em tomo do torso de Jed, enquanto ele se posicionava entre suas pernas. Phoebe o ouviu murmurar palavras roucas e desconhecidas e em segundos estava onde ela o queria. Penetrando-a vagarosamente. Perdida nos espasmos da paixão, Phoebe arqueou o corpo, agarrando-se aos ombros, ao pescoço e a cada centímetro do corpo másculo.

Jed espalmou as mãos nas nádegas macias, erguendo-a para penetrá-la ainda mais fundo com investidas rápidas, que no próximo segundo se tomavam mais curtas e lentas para preenchê-la totalmente outra vez.

Trêmula, Phoebe o fitou nos olhos. A face de Jed se encontrava tensa pelo esforço de controlar a própria paixão. Com um gemido rouco, ele investiu mais uma vez, penetrando-a o mais fundo que pôde. No mesmo instante, o corpo de Phoebe começou a convulsionar prenunciando o clímax, ao mesmo tempo em que Jed abandonava o autocontrole sobre-humano e se juntava a ela na viagem alucinante que os levou ao êxtase orgástico. Phoebe se colou a ele, sentindo o corpo musculoso tremer e o peito largo arfar sobre ela até que Jed colapsou com a cabeça enterrada nos cabelos longos que se encontravam espalhados pelo travesseiro. Ainda trêmula, ela lhe envolveu as costas com os braços, aconchegando-o, amando-o antes de Jed rolar para o lado e deitar de costas.

Phoebe não sabia precisar quanto tempo se passou até que a mão forte a puxasse contra o corpo quente e musculoso.

— Agora é de fato minha esposa — murmurou Jed. — Mas só para ter certeza... — Phoebe sentiu os lábios quentes lhe roçarem o pescoço e a orelha, reiniciando a magia que os levou a redescobrir a paixão incontrolável do passado.

Phoebe abiu os olhos, bocejou e olhou ao redor. Jed estava esparramado de costas com um dos braços estirado sobre o travesseiro acima de sua cabeça. Encontrava-se totalmente relaxado. Cuidadosamente, ela ergueu o corpo, sustentando-o sobre um cotovelo e observou o homem estonteante a seu lado. Estava profundamente adormecido com os cabelos negros sobre a testa e os lábios levemente entreabertos.

Aquele homem era o seu marido, pensou ela, sentindo uma palpitação. Sorriu ao reparar que uma pétala de rosa estava colada ao peito musculoso. Ficou tentada a retirá-la, mas deteve-se para não acordá-lo. Jed ficara acordado durante 48 horas. Seria melhor deixá-lo dormir.

Escorregando as pernas para fora da cama, encaminhou-se ao toalete, onde lavou o rosto, escovou os dentes e penteou os cabelos. Não queria ligar a ducha para não perturbar o sono de Jed.

Após recolher as roupas que ficaram espalhadas pelo chão, vestiu-se e saiu do quarto na ponta dos pés para explorar o apartamento. Percorreu a cozinha imaculadamente limpa, decorada em tons de preto e em aço inox, vagou pela sala de estar, que à luz do dia parecia surpreendentemente ampla e confortável e foi atraída pelas portas de vidro que davam para a varanda com uma vista espetacular para a Acrópole. Deteve-se lá por algum tempo e depois continuou sua exploração, agora adentrando em outro quarto. Em seguida, alcançou o último aposento que supusera ser um escritório, mas se parecia mais com o convés de uma espaçonave.

Monitores revestiam duas paredes, parecendo a bolsa de valores particular de Jed. Outra sala tinha um sofá cinza acolchoado, no centro se encontrava uma ampla mesa com dois computadores e uma cadeira de espaldar alto.

E então, Phoebe percebeu algo que a fez estacar, transfixada. Sobre a mesa, encontrava-se uma caixa aberta contendo o coração de ouro que ela dera a Jed em seu trigésimo aniversário. O fato de ele ter guardado aquela lembrança era, além do sexo extraordinário, uma prova de sua importância para Jed. Talvez ele nunca viesse a amá-la, mas podiam ter um casamento feliz. Com aquele pensamento, girou nos calcanhares para encontrar Jed parado à soleira da porta. Os ombros se encontravam caídos como se carregasse o peso do mundo neles.

— Você está bem? — perguntou ela.

Jed ergueu o olhar ao som da voz de Phoebe. Havia acordado eufórico, após a noite mais extraordinária de toda sua vida. No mesmo instante, tateara à procura da fonte de sua felicidade: Phoebe. Porém, tudo que encontrara fora o lado da cama vazio e frio. Olhou ao redor e, ao constatar que não havia sinal dela, pela segunda vez em sua vida de adulto, entrara em pânico. Levantara-se, vestira um robe e apurara os ouvidos. O apartamento se encontrava em profundo silêncio. Ela partira. Foi então que a compreensão o atingiu como um raio: amava Phoebe. Sempre a amara. Nunca fora apenas sexo com ela.

Nenhuma mulher o fizera sentir daquela forma e não suportaria perdê-la outra vez.

— Phoebe! Ainda está aqui... temi que tivesse partido — confessou ele com voz rouca.

Com os olhos arregalados, ela o fitou confusa.

— De onde tirou essa idéia? Claro que ainda estou aqui. Nós nos casamos ontem, lembra-se? — indagou, genuinamente preocupada quando Jed cambaleou em direção ao sofá e se sentou, enterrando a cabeça nas mãos.

— Nunca temeu nada em sua vida — disse Phoebe, tentando suavizar a atmosfera, enquanto caminhava em direção a ele. Aquele homem era um típico macho alfa, destemido. Uma característica que o tomava poderoso e desejável. Quando Jed ergueu o olhar para fitá-la, ela percebeu algo parecido com uma profunda dor e, de repente, seus temores aumentaram. — Aconteceu alguma coisa? Com seu pai ou Ben?

— Não é nada disso — retrucou Jed, segurando-lhe a mão e entrelaçando os dedos nos dela. Jed parecia tão vulnerável que a intrigou. Ele a puxou de leve e Phoebe se sentou a seu lado. Em seguida, Jed a fitou nos olhos.

— Acordei esta manhã e me virei para abraçá-la. Você não estava lá. Procurei no toalete e percebi que havia recolhido suas roupas que ficaram espalhadas pelo chão. E então, concluí que havia partido — disse ele em tom rouco. — Fugira outra vez e eu a amo.

Jed acabara de confessar que a amava. Palavras que Phoebe acalentara ouvir durante tanto tempo, mas nas quais não conseguia acreditar. Fitou a bela face máscula e percebeu a tensão nos olhos negros.

— Mas... eu não acredito em você.

— Não a culpo. Sei que a tratei de maneira abominável no passado... e no presente, também. Talvez devesse começar do início. — O tom de Jed era indeciso, o que era uma novidade, pensou Phoebe. — Mas, por favor, me escute — suplicou ele. — Se não lhe disser tudo agora, talvez nunca mais tenha coragem.

— Muito bem, estou escutando. — Phoebe o encorajou.

— Amei-a desde o primeiro instante em que a vi, mas em minha presunção, tomei sua inocência e seu amor como algo que me pertencesse sem lhe dar nada em troca.

— Não é verdade. Deu-me muitas jóias — retrucou ela.

— Exatamente. Algo que não significava nada comparado a minha fortuna e, como você mesma disse, uma atitude dissoluta. — Jed a fitou e tentou sorrir — Os meses que passamos juntos foram os mais felizes de minha vida... até me deparar com uma tragédia e não saber lidar com ela. Pensei apenas em mim mesmo e não em seus sentimentos. Mas nunca pensei em deixá-la. Meu pai teve um ataque cardíaco.

— Eu sei. Marcus me contou — murmurou Phoebe.

— Não podia usar o telefone celular no Centro de Tratamento Intensivo então entreguei meu aparelho para Christina e lhe pedi para que a avisasse de que eu ia me atrasar.

— Ela não me telefonou. Eu é que liguei para ela — disse Phoebe. — Em tom simpático, disse-me que estava acostumada a dispensar suas mulheres, que você havia pedido para me dizer que não voltaria e que eu partisse.

— Ela fez o quê? — Uma das sobrancelhas negras se ergueram em uma expressão ultrajada. — Ela nunca dispensou nenhuma mulher para mim. Fui eu quem a demitiu há quatro anos, quando descobri que ela queria ser mais do que minha secretária. Christina me disse que você queria partir.

— Discutir o passado é inútil — disse Phoebe, meneando a cabeça. — Sejamos honestos. Poderia ter me encontrado se realmente quisesse. Não teve dificuldade alguma em me encontrar semana passada. Marcus também me contou que queria se casar comigo no passado, mas ambos sabemos que o motivo era o bebê. Assim como agora. — Não iria confiar na confissão de Jed com tanta facilidade.

— Mereço isso, mas o que está dizendo não é verdade. — Os olhos negros se fixaram nos dela e Phoebe percebeu a vulnerabilidade refletida neles. — Não a procurei porque era emocionalmente covarde. Quando cheguei ao apartamento e constatei que havia partido, pensei que seria melhor assim, pois daquela forma não teria de encarar meus sentimentos. Também me sentia culpado por você ter perdido o bebê.

— Por quê? — perguntou Phoebe, confusa.

— Pela primeira vez depois que me tomei adulto, entrei em pânico quando me contou que estava grávida. Quando me recobrei do choque, soube que desejava me casar com você, mas estava com vergonha de lhe dizer. Quando o médico me disse que havia perdido o bebê, mencionou também ter notado alguns leves hematomas em seus pulsos e em outras partes de seu corpo e me aconselhou a não ser tão impetuoso no sexo, quando você voltasse a engravidar. Entrei em seu quarto, revoltado comigo mesmo e me sentindo o culpado pela perda do bebê.

A cabeça de Phoebe encontrava-se em um redemoinho. Aquela confissão a tomara de assalto. A expressão desgostosa no rosto de Jed, quando entrara no quarto do hospital não era em relação a ela e sim a si próprio. Uma fagulha de esperança se acendeu no coração de Phoebe. Talvez ele a amasse.

— O médico jamais deveria ter lhe dito aquilo. A forma como fazíamos amor não lhe dizia respeito e eu me deleitava com cada minuto. Certamente não foi culpa sua se perdi a criança.

— Talvez não, mas com a interferência de Christina, tive mais uma desculpa para não tentar encontrá-la. Para ser honesto, fiquei aliviado. Sempre estive no controle de minhas emoções e o que sentia por você me aterrorizava. Nosso relacionamento foi o mais longo que tive. Tentei me convencer que não passava de atração física, mas no fiando sabia que era mentira. Amava tudo em você. Seu sorriso de tirar o fôlego, seu raciocínio rápido, as declarações de amor que fazia tão espontaneamente. Daria tudo para ouvi-las outra vez. — Phoebe exibiu um sorriso hesitante, mas ainda não estava totalmente convencida. — Esta manhã, entrei em pânico pela segunda vez em minha vida quando pensei que havia partido. Porém, por uma razão diferente. — As mãos longas apertaram as dela. Os ângulos da face máscula se encontravam tensos e Phoebe imaginou o que estaria por vir. — Porque finalmente admiti que a amo e não suporto o pensamento de perdê-la. Não conseguirei passar pelo mesmo sofrimento outra vez. — Jed lhe emoldurou a face com as mãos. Os olhos negros a fitando com intensidade. — Tem de acreditar em mim, Phoebe. Eu a amo. Nunca sequer olhei para outra mulher nos dois anos depois que partiu. — As mãos longas escorregaram para os ombros de Phoebe, fazendo-a estremecer de leve, porém Jed não percebeu.

— Acho difícil acreditar nisso — murmurou ela. Jed era um homem bastante viril e o pensamento a lisonjeou, aumentando-lhe a centelha de esperança.

— Mas é a pura verdade, eu lhe juro. Sei que não acredita em mim, mas também como poderia depois do modo como me comportei? No momento em que a vi na embaixada, decidi tê-la de volta. Tive vontade de socar Gladstone quando ele a beijou.

Phoebe reconheceu a ira nos olhos negros.

— Isso foi tudo que ele conseguiu — confessou Phoebe, respondendo com igual sinceridade.

— No dia em que soube sobre Ben fiquei furioso e a culpei, mas a culpa foi minha por ter desperdiçado cinco anos negando meus sentimentos. Sei que não a mereço e não estou pedindo para que me ame, mas que apenas fique ao meu lado e me deixe amá-la. Por favor, dê-me uma nova chance. — Phoebe ergueu a mão e lhe afastou uma mecha de cabelos negros da testa. Nunca imaginara Jed suplicando seu amor, mas confiava nele? — Disse que meu pai foi um tolo por cumprir a promessa que fizera a minha mãe, mas agora sei exatamente como ele se sentia. Eu a amo, a adoro, venero o chão em que pisa. Sou eu o grande tolo por não ter admitido isso antes. E se sua resposta for não... — Jed parecia um homem que caminhava para o cadafalso — deixarei você e Ben livres. Poderá voltar à Inglaterra e serei um pai visitante.

— Eu o amo, Jed e sempre o amei — confessou ela com os olhos cheios de lágrimas, quando uma onda de emoção a engolfou. Aquele homem magnífico, seu marido, a amava. — Se não se lembra, eu costumava dizer isso o tempo todo. Era muito inocente para esconder meus sentimentos. — Jed ainda reconhecia aquela mesma inocência estampada nos olhos azuis. — Nada mudou. Eu o amo e sempre amarei...

— Ah, Phoebe. Se soubesse o quanto ansiei por ouvi-la dizer essas palavras outra vez! — murmurou Jed com voz rouca, beijando-a em seguida, de modo quase reverente. Um beijo repleto de amor que tocou o coração de Phoebe e lhe dissolveu os ossos. — Fez-me o homem mais feliz do mundo — declarou ele, quando interrompeu o beijo. — Lembra-se de um dia ter me dado um coração de ouro? Eu o guardei por anos. Era meu talismã e sempre me deu esperança.

— Claro que me lembro. Acabei de vê-lo em cima de sua mesa e saber que o guardou por tanto tempo me encheu de esperança — disse Phoebe em tom suave.

— Agora você meu deu seu coração de verdade. Vou amá-la e protegê-la pelo resto da vida.

Em segundos, ela se encontrava envolta nos braços fortes. O robe de Jed descartado e o vestido de Phoebe atirado ao chão. Fizeram amor de modo lento e terno, murmurando palavras de amor um para outro. E quando a paixão atingiu o ponto de ebulição ele a penetrou, unindo seus corpos e almas.

EPÍLOGO


— Os casamentos gregos são mesmo incríveis — disse Phoebe, voltando um sorriso luminoso ao marido. — Viu seu pai e tia Jemma dançando com as crianças?

Jed olhou ao redor do salão de baile e localizou o casal de idosos.

— Se meu pai não tivesse um coração cansado, Jemma certamente o cansaria.

Phoebe parecia radiante. Jed não tinha palavras para definir com justiça a beleza da esposa. Por dentro e por fora. Os cabelos, claros como o luar, estavam atados em um intrincado laço no topo da cabeça, para cascatearem, brilhantes e sedosos, por suas costas. O vestido longo, de cetim branco, bordado com cristais Swarovski, se ajustava ao corpo de curvas perfeitas como uma luva.

Jed insistira em um casamento na igreja. Phoebe poderia chamá-lo de chauvinista, mas lhe dava imenso prazer saber que fora o único homem que fizera amor com ela.

— Está se divertindo? Não foi o pesadelo que previu, certo? — perguntou Jed, enlaçando-a pela cintura e lhe sorrindo, apaixonado.

— Claro que estou. A cerimônia religiosa foi linda e dessa vez captei tudo que o padre falou — respondeu Phoebe, rindo, divertida.

Jed estava sempre certo. Ele insistira em um casamento pomposo, da mesma forma que insistira com tia Jemma, depois que ela voltou da Austrália, para que passasse algumas semanas com eles na Grécia. Agora a tia passava a maior parte do tempo ali.


Um ano havia se passado desde que Ben conhecera o pai e dominava o idioma grego como se fosse um nativo. O menino adorava sua grande família grega e seus amigos. Phoebe amava a todos, especialmente seu marido. A cada dia que se passava, o amor de ambos se fortalecia. Não tinha dúvidas de que ele a amava e confiaria sua vida a ele.

Erguendo a mão, Phoebe lhe acariciou os cabelos negros e espessos, antes de beijá-lo.

— Eu a amo, esposa — murmurou Jed, quando recobrou o fôlego. — Vamos partir agora e eu lhe mostrarei o quanto.

— Eu também o amo, marido — retrucou ela com um sorriso sensual lhe curvando os lábios e um brilho pecaminoso nos olhos azuis. —Agora você tem um herdeiro. Um segundo e mais um de bônus. Não sei se deveríamos — provocou. — Não se atreva, Jed — disse ela, quando o marido a puxou para perto.

Jed se mostrara surpreso quando, após três meses de gestação, Phoebe lhe revelou que estava grávida. Não queria que ele se tomasse paranóico quanto à vida sexual de ambos. Jed era um marido super protetor. Revelara-lhe que concebera na noite em que se reencontraram, porém, não quisera admitir que não tomava pílula desde que eles se separaram, por não ter tido outro amante. Jed se mostrara emocionado. Phoebe nunca parava de surpreendê-lo. Até mesmo quando há três meses dera à luz dois filhos gêmeos. Um menino, Leo, e uma menina, Le Anne.

Phoebe, sua esposa e mãe de seus filhos, enchera-lhe a vida de amor e alegria e Jed agradecia todos os dias por tê-la encontrado.



Porém, às vezes, um homem tinha de fazer jus a sua masculinidade. Portanto, ele a ergueu nos braços e a carregou para fora do salão de baile para o deleite de todos os convidados e da família.





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