Jacqueline Baird



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Encontro12.04.2018
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A haste do copo quebrou em seus dedos. Mas dispensou a preocupação do garçom, seus olhos estavam fixos no casal. O homem era alto e loiro e a mulher em seus braços era Phoebe. Não havia dúvida. A imagem dela ficara gravada em sua mente para sempre. Phoebe Brown...

Os cabelos claros penteados para trás, revelavam as feições primorosas. Tinha a cabeça inclinada para trás e sorria para o acompanhante. Seu olhar seguiu a linha esbelta daquele pescoço delicado até o vale suave dos seios, uma divisão tentadora exibida com fartura pelo decote do vestido longo que ela usava. Foi obrigado a colocar a mão no bolso da calça, surpreso pelo modo como ficara excitado só de olhar para ela. Mas afinal, ela sempre lhe provocara esse efeito e aparentemente nada havia mudado.

Não tirou mais os olhos dela um instante sequer Então reconheceu algo. A presilha de diamantes em forma de borboleta, que lhe prendia um dos lados dos cabelos ao alto da cabeça, fora um presente seu. A primeira jóia que lhe comprara e ela a levara junto com todo o resto quando deixara o apartamento. Na ocasião, dissera a si mesmo que eram apenas presentes, pouco, em vista do que ela havia passado e a tirou da mente. Então por que agora ficara tão aborrecido ao vê-la usando o presente em companhia de outro homem? Os dois eram íntimos, era óbvio pela linguagem corporal. Com certeza, eram amantes ou até mesmo marido e mulher. Naquele momento, viu a futura noiva e o pai dela se aproximando e forçou um sorriso. Fingindo um moderado interesse no homem alto e loiro fez algumas perguntas ao embaixador e logo descobriu quem ele era.

Julian Gladstone, um abastado proprietário de terras e uma estrela ascendente no Ministério de Relações Exteriores, era conhecido por suas brilhantes habilidades linguísticas. O embaixador sabia pouco a respeito de Phoebe, mas ofereceu-se para apresentá-lo a Gladstone, dizendo-lhe que ele ia gostar de conhecê-lo, que todos gostavam...

Bem, acabara de conhecê-lo e não gostara dele.

— Jed, a orquestra parou de tocar. — Sophia roçou o corpo sensualmente de encontro ao dele. — Você estava a uma milha de distância — reclamou ela com um beicinho.

— Perdido em seu abraço — murmurou ele, enquanto a conduzia de volta ao grupo no bar.

Sophia não se deixou enganar e amuada caminhou na direção de Julian. Tremulando os longos cílios, sugeriu que ele a tirasse para dançar.

Os lábios de Jed se torceram novamente. Se Sophia estava tentando provocar-lhe ciúmes, não importava. Gladstone era cavalheiro demais para recusar e isso lhe deu a oportunidade de se aproximar de Phoebe.

— Agora somos só nós dois. — Ele percebeu a rejeição nos olhos azuis brilhantes. Phoebe enrijeceu ao mesmo tempo em que ergueu o queixo determinada. — Dance comigo — exigiu ele, segurando-a pelo pulso, antes que ela pudesse recusar.

Phoebe abrira a boca para negar, mas o toque elétrico da palma lisa de Jed contra a sua pele a fez prender a respiração. Com a outra mão ele a envolveu pela cintura e a puxou para si em direção à pista de dança.

A música soava lenta novamente.

Phoebe pousou as mãos sobre os ombros largos de Jed, tentando manter um pouco de distância entre os dois. Tudo que tinha a fazer era dançar. Não precisava conversar com ele. Virou a cabeça de leve, mas podia sentir os olhos escuros sobre ela.

— Pare de ficar olhando para o espaço e me conte como tem vivido, Phoebe. Considerando a sua aparência, acho que muito bem. Está mais bonita que nunca.

— Obrigada. Estou bem — retrucou ela determinada a ser friamente educada. Mas era difícil com os braços de Jed ao seu redor.

— Então me diga por que tenho a impressão de que não gostou nem um pouco de me ver outra vez. Até mesmo negou que me conhecia — disse ele com um sorriso zombeteiro.

— Eu? Você teve oportunidade de dizer que nos conhecíamos, quando falei que era um prazer vê-lo, em vez de conhecê-lo. Mas não o fez e eu entendi. E óbvio que não queria transtornar Sophia. Mas o que não entendo é por que começou com seus joguinhos estúpidos. Teve sorte de eu não contar a verdade. Sua noiva não precisa saber que tipo de homem vil você é.

— Sophia não é minha noiva.

— Diga isso ao embaixador, porque suponho que ele esteja esperando que ela seja e muito em breve.

— Sophia pode ter dado essa impressão ao pai, mas não é necessariamente verdade.

— Bem, é uma pena, porque acho que vocês formam um par perfeito.

De repente, Phoebe imaginou que se Jed estivesse casado e morando na Grécia com uma família, ela se sentiria melhor e seu segredo estaria a salvo.

— Mas por que está me encorajando a casar? Talvez porque tenha planos de se casar com Julian Gladstone e não quer que eu conte a ele sobre o nosso caso e como tudo terminou? É isso, Phoebe? Quer manter nosso pequeno e trágico segredo?

A face dela empalideceu. Lembrá-la do aborto já era ruim o bastante, mas se Jed soubesse de toda verdade...

— Não seja ridículo. Julian e eu somos amigos há anos e ele sabe tudo a meu respeito. Apenas acho que você e Sophia formam um ótimo casal.

— E são amantes há quanto tempo?

— Isso não é da sua conta.

Jed não disse nada, apenas entrelaçou os dedos aos dela e apertou-os contra o tórax largo.

Phoebe sabia que estava em apuros. O calor da mão máscula em sua cintura a envolveu. Os dedos esguios se moveram, subindo lentamente até alcançarem a pele lisa e nua sob a pesada cortina de cabelos. Seu corpo formigava, o sangue fervia nas veias e sensações há muito esquecidas inundaram seu corpo.

Não queria se sentir assim. Não queria sentir nada com aquele homem. Seus nervos enrijeceram a ponto de quebrar, enquanto lutava para manter o controle. Tudo que precisava fazer era agüentar até o final da dança e depois daquela noite jamais veria ou ouviria falar de Jed novamente, disse a si mesma.

— Chega de falar em outras pessoas, Phoebe — murmurou ele ao ouvido dela. —Aproveite esta dança. Você sempre adorou dançar comigo e nada mudou. — Relaxe... Sabe que deseja isso.

Estavam tão próximos que ela podia sentir o cheiro da pele masculina, a sugestão sutil da água-de-colônia dolorosamente familiar. A mão dele em suas costas deslizou, pressionando-a até não haver mais distância entre seus corpos.

Phoebe ergueu a cabeça e viu o intenso brilho sensual naqueles olhos escuros. Então sentiu a pressão escandalosa da ereção dele de encontro a sua coxa. Um calafrio perpassou sua espinha, atingido-lhe o ventre. Durante um segundo se sentiu terrivelmente tentada.

— A química entre nós ainda existe, Phoebe. Posso senti-la tremendo.

A jovem que ele conhecera teria se ruborizado e então avidamente se derretido de encontro a ele. Mas Phoebe não era mais aquela pessoa. Tinha mais coragem e amor-próprio agora. Não sucumbiria a um suíno sexy e arrogante como Jed. E o mais importante é que não havia apenas ela para proteger...

A constatação lhe deu forças. Espalmando as mãos no tórax dele, inclinou a cabeça para trás e o encarou.

— Lembre-se de onde está e guarde isso para a sua namorada. Você me dá nojo, Jed.

Aquelas palavras ditas com convicção atingiram o ego dele. Abaixando o olhar, Jed a libertou, deixando os braços caírem ao longo do corpo. A boca estava firmemente comprimida e ela esperou pela explosão de raiva. Mas isso não aconteceu.

— Pegou pesado, Phoebe, mas eu entendo. A música parou, vamos nos juntar aos outros? — Segurando-a firmemente pelo braço, curvou os lábios num sorriso sardônico. — A propósito, fico feliz de ver que ainda está usando a presilha que lhe dei de presente. Ficou ainda mais bonita em seus cabelos, estão mais compridos agora.

Phoebe havia esquecido a maldita presilha. Era a única jóia que conservara e agora desejava ter se desfeito dela também. Um rubor tingiu-lhe a face.

— Então você ainda fica ruborizada. — E, erguendo-lhe o queixo com a ponta de um dedo, Jed a encarou bem dentro dos olhos. — Fico feliz que tenha guardado algo que eu lhe dei, embora nós dois saibamos que não era isso que você realmente queria e por isso eu lamento muito, sinceramente.

A reação de Phoebe o surpreendeu. Ela ofegou e virou o rosto, mas não antes de ele perceber o flash de pânico e medo em seus olhos. Tentou segurá-la pelo braço, mas ela encolheu os ombros e caminhou apressada na direção de Julian, sem uma palavra em resposta. Aquela reação era no mínimo intrigante. A seu modo, ele estava tentando ser condolente, referindo-se ao passado que compartilharam e ao trágico aborto que ela sofrera. Não tivera a menor intenção de deixá-la em pânico e isso o fez desejar saber por que Phoebe reagira daquela maneira.

Sentada no assento de trás do Bentley dirigido pelo chofer de Julian, Phoebe perguntou a que distância ficava o apartamento dele.

— Não estamos indo para o meu apartamento, Phoebe. Pode ficar descansada. Instruí Max a nos levar de volta a Dorset. Por mais que eu a deseje, não quero ser substituto de outro homem. A viagem levará uma hora ou mais, tempo suficiente para você me contar sobre Jed Sabbides. Já o conhecia, não é?

— Sim, eu o conheci quando estava na universidade. — E então ela contou tudo a Julian.

— O homem não me pareceu ser tão vil, mas ele saiu perdendo — disse Julian, passando o braço ao redor dos ombros dela. — Esqueça esse rato.

E ela quase esqueceu...

Especialmente quando, ao chegarem em casa, Julian a advertiu com um sorriso:

— Não estou entregando os pontos, Phoebe. Ficarei fora durante duas semanas ou mais e ligarei assim que voltar

Então, beijou-a de leve nos lábios e partiu.

CAPÍTULO QUATRO

Na matriz ateniense da Sabbides Corporation, um Jed pensativo recostou-se na cadeira de couro preto, o olhar fixo na pasta de papéis sobre a escrivaninha à sua frente. Leo Takis, um amigo e diretor de uma empresa de segurança que ele utilizava com frequência, lhe entregara o envelope pessoalmente 15 minutos atrás, com o comentário que, de acordo com seu detetive inglês, Sid, não havia nada de extraordinário.

Queria de fato abrir aquele envelope? Tinha um dia ocupado pela frente e inúmeras coisas mais importantes a resolver. Mas naquelas duas semanas, após o baile na embaixada em Londres, sua vida havia se transformado em um inferno, tudo por causa de Phoebe Brown. Não conseguia se concentrar no trabalho. Não propusera casamento a Sophia. Pelo contrário. Terminara tudo, dizendo-lhe que não daria certo e voltaria para a Grécia na manhã seguinte. Sophia e o pai provavelmente nunca mais voltariam a falar com ele. A cada vez que pensava no modo como Phoebe se comportara naquela noite, aumentava seu pressentimento de que algo lhe fora ocultado. Era um bom jogador de pôquer, excelente na arte de interpretar sinais e algo lhe dizia que ela estava blefando.

A frieza, o modo como continuara fingindo que jamais o conhecera antes, a resposta sensual, que ela tentara tão arduamente negar, quando ele a apertou nos braços e o medo em seus olhos quando a música terminou e os dois deixaram o salão... Phoebe evitara olhar para ele o resto da noite e isso instigara sua mente astuta a desejar saber por quê. Bem, aquela fora a desculpa perfeita para contratar os agentes secretos da agência de Leo. Na realidade, rever Phoebe despertara recordações que ele havia banido da mente com sucesso anos atrás.

Jed fez uma careta. Desde então ficara em constante estado de excitação. Mas infelizmente, após o baile, quando levou Sophia para o quarto e a tomou nos braços, nada aconteceu!

Pensou em insistir, fantasiar que estava com Phoebe... Mas naquele momento a verdade incômoda o atingiu. Havia mentido para si mesmo durante anos. Nunca fizera sexo com alguém que lhe desse mais prazer do que Phoebe. Na realidade, amargara um terrível celibato dois anos após o término do relacionamento deles.

Percebeu então que seu sensato plano de se casar com Sophia jamais daria certo. Ela era uma amiga e não merecia um marido que não a amasse.

Jed pegou o envelope. Dentro estavam os detalhes sobre a vida de Phoebe Brown desde a semana em que deixara o apartamento de Londres até os dias atuais. Ele segurou o arquivo na mão e o achou leve. Bom ou mau sinal? Não sabia. Mas de uma coisa estava certo: precisava de Phoebe em sua cama novamente.

Devagar, abriu o envelope e começou a ler.

Cinco minutos depois, contemplou a fotografia de mãe e filho na parte final do breve relatório, antes de largar a papelada sobre a escrivaninha. Então, girou a cadeira e olhou para a brilhante luz do sol de outubro através da parede de vidro do escritório. Os olhos escuros se estreitaram em uma carranca contra a chama de raiva que queimava dentro dele.

Um mês depois de se formar, Phoebe Brown voltara a viver com a tia em um pequeno vilarejo em Dorset. O que não era surpresa. Passara um ano se especializando para ser professora e agora lecionava em uma escola em Dorset. Comprara um pequeno chalé em péssimo estado de conservação anexo ao da tia, transformando-o mais tarde em uma propriedade independente. Levava uma vida tranquila e monótona ao lado da família, era respeitada pela comunidade e estimada por todos que a conheciam.

O mais surpreendente, no entanto, e que o deixou mais irritado, era um detalhe daquela família...

Phoebe era mãe solteira de um menino de quatro anos de idade. Não incomum na idade dela e nos dias atuais. Mas o que chamou sua atenção de imediato, fora o fato de o bebê ter nascido apenas sete meses e uma semana após o aborto que ela sofrera e não constar o nome do pai na certidão de nascimento do menino.

Não conseguia acreditar naquilo. No fundo, não queria acreditar, mas não havia como negar. Estava lá na cópia da certidão de nascimento. O bebê nascera no Bowesmartin Cottage Hospital no condado de Dorset. Devia ter nascido prematuro, é óbvio. Bem, a doce e inocente Phoebe que ele pensava que conhecia não representava nada para ele. Era passado e o melhor seria deixar as coisas como estavam. Mesmo com toda a sua beleza, ele a desprezava. Durante anos carregara um imenso sentimento de culpa pelo que havia acontecido entre eles, mas agora não mais. Isso simplesmente reforçava o que ele sempre acreditou: o amor não existia e as mulheres sempre tinham segundas intenções.

Phoebe não fora capaz de esperar mais de uma semana para se atirar nos braços de outro homem e engravidar novamente. Talvez fosse o tipo de mulher que queria um filho mais do que um companheiro.

O que importava? A relação deles havia terminado há muito tempo. O que Phoebe Brown fazia da vida dela não era da sua conta. Virou-se outra vez para a escrivaninha, determinado a tirá-la da mente de uma vez por todas, alcançou a pasta de documentos para guardá-la e hesitou.

Algo sobre Phoebe e o filho dela não se encaixava...

Pegou a fotografia e olhou mais uma vez, agora mais atentamente. Era óbvio que fora tirada à distância. Havia outras mulheres e crianças na área de recreação. Mas as feições de mãe e filho em primeiro plano estavam bem nítidas. Definitivamente, tratava-se de Phoebe sorrindo para a robusta criança de cabelos escuros que segurava sua mão. Enquanto estudava a imagem no papel, teve um sentimento de reconhecimento que se aprofundou à medida que ele examinava a fotografia.

Ergueu-se com um impiedoso brilho de aço nos olhos escuros. Se suas suspeitas estivessem corretas, Phoebe Brown era uma tremenda atriz e a mulher mais desprezível que tivera o infortúnio de conhecer.

Com uma carranca, entrou no escritório da secretária e pediu que ela cancelasse todos os seus compromissos em Atenas, até segunda ordem. Ia visitar o escritório de Londres. Não precisava da agência de Leo para descobrir o que tinha em mente. Conduziria a própria investigação pessoal e, se suas suspeitas tivessem fundamento, faria Phoebe pagar todos os minutos de todos os dias para o resto da sua vida pela mentira desprezível que lhe pregara.
— Ele deu muito trabalho? — perguntou Phoebe a Kay, apertando a mão de Ben, que tentava puxá-la para a calçada.

— Não, ele é ótimo. Ficou brincando com Emma.

Phoebe vivia nos arredores da aldeia de Martinstead e lecionava em uma escola particular perto de Bowesmartin. Kay, sua amiga e companheira de quarto dos tempos de estudante, viera visitá-la quando Ben nasceu e acabou se casando com o veterinário local. Sua filha era 18 meses mais nova que Ben e Kay costumava pegar o menino no jardim de infância e cuidar dele até Phoebe sair do trabalho e vir buscá-lo.

— Obrigada. Não faz idéia do quanto aprecio sua ajuda. Na próxima semana trabalho só meio período, graças a Deus. Depois serão apenas mais seis semanas e tia Jemma já estará de volta. Tudo bem para você?

— Pare de se preocupar. Não é problema algum. Agora vá, está frio aqui fora.

— Está bem. — Phoebe riu e começou a caminhar pela calçada de mãos dadas com o filho que saltitava a seu lado.

Jemma estava de férias na Austrália e quatro dias depois que partira, Phoebe percebera o quanto dependia da mulher para ajudá-la com Ben. A tia estava a seu lado quando Benjamim nascera e depois cuidou do menino, enquanto ela se especializava para dar aulas e então trabalhar..

Quando Ben começara na escola em setembro, ela encorajara a tia a finalmente tirar os dois meses de férias que vinha planejando há anos. Tia Jemma merecia um descanso. Sempre cuidara dela e agora se dedicava da mesma maneira a Ben.

Phoebe olhou para o filho. Os dois tinham sorte.

Ser professora era uma vantagem para uma mãe solteira, pensou contente. Seu período de férias coincidia com o do filho e na semana seguinte poderia relaxar com Ben. O menino agora queria um papel de parede com figuras de carros ou dinossauros.

— Mamãe! Mamãe! — gritou a criança e estacou, forçando-a a parar também.

— Sim, querido, o que é?

— Posso ter um carro igual àquele na minha parede? — perguntou o menino apontando para o carro estacionado na calçada oposta.

Ela riu. Era um monstro preto, com uma aparência letal e rodas enormes. O tipo que atraía o olhar de jovens e velhos pensou seca.

— Mamãe, podemos atravessar para ver que marca de carro é aquela?

Mas Phoebe mal ouviu o pedido entusiasmado de Ben quando a porta se abriu e um homem saiu de dentro do veículo.

Alto e magro, usava um suéter preto e calça jeans, seu olhar tão escuro e perigoso quanto o carro. Jed Sabbides...

— Phoebe, que surpresa! Achei que era você, mas ouvi a criança chamá-la de mamãe.

A saudação profunda e sonora mexeu com todos os nervos do corpo dela. Esforçando-se para permanecer calma, Phoebe olhou para ele e o cumprimentou num tom educado.

— Oi, Jed.

— Eu não sabia que você já tinha um filho. Ninguém me contou. Olá rapazinho. Ouvi você dizer a sua mãe que gostou do meu carro. — Ele sorriu para Ben. — É o mais recente modelo Bentley conversível.

— Uau! Isso quer dizer que o teto dele levanta? — perguntou Ben com os olhinhos arregalados.

— Sim, é só apertar um botão. Quer vê-lo por dentro? Ou melhor, tenho outra idéia. Vamos dar um passeio.

— Não — recusou Phoebe, puxando Ben mais para si. — Ele sabe que nunca deve entrar no carro de um estranho.

— Admirável! Mas você e eu não somos estranhos. Não há mal algum em me apresentar ao seu filho, ou há?

Ele sabia... Esse foi o primeiro pensamento de Phoebe, então o bom senso prevaleceu. Jed poderia ter suspeitas, mas não sabia com certeza e ela não lhe contaria.

Umedecendo os lábios, considerou suas opções. Podia pegar Ben e ignorar Jed ou aplacar qualquer suspeita que ele pudesse ter, sendo educada. As boas maneiras venceram.

— Ben — disse, olhando para o filho. — Este é Jed. — Ela engoliu em seco, forçando um sorriso nos lábios tensos. — É um conhecido da mamãe. — Não mentiria, chamado-o de amigo. — Diga olá.

Ben a fitou com um olhar confuso, então encarou Jed solenemente.

— Oi, Jed. Sou Benjamim Brown. Vivo em Peartree Cottage, Manor House Lane em Martinstead.

Phoebe sentiu vontade de gritar. No ano anterior passara semanas ensinando Ben a dizer seu nome e endereço, no caso de se perder e agora ele revelara aquilo ao último homem que ela queria que soubesse onde ela vivia.

Então o filho traiçoeiro a fitou com um sorriso.

— Agora posso dar uma volta no carro do moço, mamãe.

— Sim, claro que pode, Ben — disse Jed. — Darei uma carona para você e sua mãe até em casa.

— Não, não é necessário. A despeito de qualquer outra coisa, é ilegal uma criança viajar em um carro, a menos que disponha de um assento infantil e duvido que possua um. — Ela lançou um relance descrente ao monstro preto. — Vamos caminhando até em casa.

— Mas mamãe...

— Sinto muito, filho. Sua mãe tem razão.

Jed a fitou e Phoebe percebeu o torcer cínico dos lábios dele. Seu coração despencou ao ouvi-lo dizer a palavra filho naquele tom casual.

De alguma maneira ele ficara sabendo. Mas ela não fazia a mínima idéia de como descobrira e já que em uma memorável ocasião havia lhe dito claramente que um filho não estava em seus planos, o fato de estar querendo se envolver a pegara de surpresa.

— Sim, mas há um assento infantil no carro da mamãe. Você pode ir até em casa conosco e pegá-lo. Pode ser mamãe?

— O quê? — Phoebe encarou Ben, a criança brilhante e inteligente da qual tanto se orgulhava, e pela primeira vez desejou que o menino não fosse tão inteligente.

— Boa idéia, Ben, se sua mãe concordar.

A última coisa que ela precisava era que Jed descobrisse que ainda tinha o carro que ele lhe dera. A presilha no baile já lhe causara bastante embaraço e desejou dizer não. Mas em vez disso arrumou uma desculpa.

— Acho que não é uma boa idéia. É muito difícil, colocar e tirar o assento infantil do meu carro. E, além do mais, está ficando tarde, você tem que tomar seu chá e ir para cama às 7h30. Tenho certeza que o Sr. Sabbides é um homem muito ocupado. Talvez outro dia.

— Não tão ocupado. Mas concordo sobre o assento, Phoebe. Tenho outra idéia. — Após conferir o relógio, ele olhou para Ben e sorriu. — Enquanto você e sua mãe vão para casa tomar chá, vou fazer algumas ligações. Mas estarei de volta às 6h com um assento e sairemos para dar uma volta, que tal?

Horrendo, Phoebe pensou amarga. Mas, ao ver o sorriso radiante na face do filho, não foi capaz de desapontá-lo.

— Se o Sr. Sabbides tem certeza, por mim tudo bem — mentiu.

— Tenho certeza.

Jed a fitou com um relance afiado e ela teve a sensação de que ele não estava falando sobre um passeio de carro. Mas com um pouco de sorte, não encontraria um assento infantil assim tão facilmente em Dorset e eram 4h30 da tarde de uma sexta-feira. Weymouth, na costa, era a cidade mais próxima com lojas que vendiam esses artigos. Ele acabaria desistindo ou se perdendo.

— Eu voltarei, Phoebe. Pode contar com isso.

— Isso é o que você diz.

Jed lhe dissera as mesmas exatas palavras quando partira para a Grécia para o aniversário do pai e mentira. Relembrar o passado ajudou-a encontrar forças para resistir Ele não queria um filho cinco anos atrás e com toda a certeza não o iria tirar dela agora.

— Acredite em mim — declarou ele e, arrepiando o cabelo do menino com a mão, acrescentou: — Vejo você mais tarde, Ben. — Voltando ao carro, ligou e motor e partiu.

Jed Sabbides dirigia a uma velocidade arriscada pelas estreitas pistas rurais em direção a Weymouth, com a mente girando. Não esperava tê-los encontrado. Havia parado na agência de correios de Martinstead apenas para pedir informações de como chegar Peartree Cottage.

A criança se parecia demais com ele naquela idade. Ben era seu filho. Podia apostar sua vida nisso. Mas não fazia sentido. Na semana anterior, olhando a foto da mãe e do filho, suas suspeitas aumentaram. A primeira coisa que fez ao chegar a Londres foi contatar Marcus e marcar um jantar com o amigo na noite seguinte. Após relembrarem os tempos de estudantes e o passado em geral, Jed o questionara sobre o aborto, sem mencionar que Phoebe tivera outro bebê. Não queria parecer um idiota paranóico! Marcus lhe dissera que na ocasião havia conversado com Dr. Norman e lido o boletim médico e que não havia dúvida que Phoebe perdera a criança. O sexo da criança ainda era indistinto. Então, tendo bebido mais do que deveria, Marcus o aconselhou a esquecer a jovem encantadora e o lembrou de que ela não cumpriu o compromisso de ir à clínica para a curetagem, o que não era surpresa, dadas as circunstâncias.

Após deixar o velho amigo em casa, Jed tentou contatar o Dr. Norman na manhã seguinte, mas infelizmente o velho médico havia morrido.

Seria possível os médicos estarem errados? Tinham que estar! De alguma maneira Phoebe mentira e os enganara que havia abortado. Ao se aproximar dela naquela tarde vira o mesmo pânico em seus olhos. Escondendo o filho dele... Se estivesse certo, jurava que ia fazê-la sofrer por todos os dias da vida de Ben que ele havia perdido.

Enquanto Ben brincava feliz no chão da cozinha, Phoebe preparara o jantar dos dois, com os pensamentos tumultuados. Jed suspeitava de algo. Não era possível que fosse apenas uma coincidência ele estar ali. Mas quem teria lhe contado? Não Julian. Tinha certeza que o amigo era bastante discreto. Carregando dois pratos de linguiça grelhada, purê de batata, ervilhas e cenouras, colocou-os sobre a mesa e deu um grande abraço no menino. Precisava se certificar de que Jed não seria uma ameaça a sua vida feliz com o filho. Oh, Deus! Que tipo de exemplo aquele coração frio e cruel poderia dar a uma criança?

Naquele momento, chegou a uma conclusão. Jed não tinha provas de que Ben era filho dele e desde que ela negasse, havia pouco que ele pudesse fazer.

Phoebe consultou o relógio. 18h45. Jed estava atrasado. Com um pouco de sorte, ele jamais voltaria. O insensível não voltara quando lhe prometera. Por que a promessa ao filho dela seria diferente? Ben podia ficar chateado durante algum tempo, mas superaria a decepção. Problema resolvido.

— Muito bem, querido. Está na hora de tomar banho e ir para a cama.

— Mas e o meu passeio de carro? O seu amigo prometeu.

A decepção nos olhos castanhos tocou o coração dela.

— Ele deve ter se atrasado. Quem sabe ele vem outro dia.

— Você acha?

— Oh, tenho certeza.

— Está bem, posso levar a lancha para a banheira? — perguntou o menino no mesmo instante em que a campainha tocou.

Oh, inferno! Amaldiçoou Phoebe, mas Ben já estava correndo para abrir a porta.

Jed estava parado no degrau com um sorriso largo na face.

— Você voltou! Mamãe disse que viria.

— Sua mãe me conhece bem. Consegui um assento infantil, logo, se ela concordar, podemos dar uma volta agora.

— Você está atrasado. Está quase na hora de Ben ir dormir.

Mas ela não estava surpresa por Jed ter conseguido o assento infantil. O homem era capaz de achar um lago em um deserto. O que a pegou de surpresa fora o fato de ele ter colocado a cadeirinha no banco da frente de passageiro. Não estava certa se era permitido por lei uma criança viajar no assento dianteiro, mas quando tentou objetar Jed lhe dissera que fora informando pela vendedora da loja que não havia problema.

— Bem, é melhor ser um passeio rápido — concedeu ela por fim.

Quinze minutos mais tarde, se encontrava sentada no assento traseiro do carro, remoendo silenciosamente seu ressentimento. Assim que entraram no veículo, Jed demonstrara como o teto levantava, para a alegria de Ben. Phoebe podia ouvir a excitação na voz do menino quando Jed lhe deu o que parecia instruções de como dirigir. Sentiu vontade de gritar que o filho só tinha 4 anos e pedir para ele reduzir a velocidade. Mas sabia que era inútil. Havia esquecido como Jed tinha propensão a dirigir como um louco. Quando o carro parou em um semáforo em frente ao Bowesmartin Cotagge Hospital, ouviu Ben falar para Jed:

— Vim aqui quando quebrei o braço e o homem disse que eu era muito valente — a criança se vangloriou feliz da vida. — Disse também que o meu nascimento foi um milagre, porque tive um irmão gêmeo que morreu antes de eu nascer.

Phoebe fechou os olhos, toda a cor desapareceu de seu rosto. O passado voltara para se vingar.

— Que interessante, Ben — ela ouviu Jed responder. Abriu os olhos e viu que ele a observava pelo retrovisor.

— Os bebês às vezes dizem coisas extraordinárias, não é Phoebe? — escarneceu ele e o brilho de triunfo amargo nos olhos escuros a fez gelar até os ossos.

— Não sou um bebê. Agora tenho quase 5 anos. Sou um menino grande — declarou Ben, salvando-a de ter que responder.

Phoebe olhou cegamente através da janela, enquanto as luzes mudavam e Jed dirigia. O nascimento de Ben fora um milagre e sua mente vagueou até o passado, enquanto lá fora a paisagem familiar passava apressada.

Vivia há quase dois meses com a tia Jemma, quando por fim lhe contara sobre o seu caso de amor desastroso com Jed e o aborto que sofrera. A razão fora que uma semana antes fizera uma visita a sua ginecologista local, porque continuava sentindo náuseas e inchaço. Algo estava errado. Contara à médica que sofrera um aborto sete semanas antes, mas não conseguia recordar o nome do hospital de Londres, só o do Dr. Norman. Não viu motivo para mencionar Jed ou Dr. Marcus, embora, no fundo temesse ter sido precipitada, partindo de Londres sem ter feito a curetagem.

Ainda podia sentir o pânico que tomou conta dela, após a ginecologista tê-la examinado e auscultado seu peito, bem como o abdômen. A médica lhe dissera que ela estava grávida de 16 semanas e que o bebê estava bem. Providenciou para que ela fizesse um ultrassom no hospital e procurou tranquilizá-la. Era uma ocorrência rara, mas originalmente ela estivera grávida de gêmeos e perdera um.

CAPÍTULO CINCO

Phoebe se considerava afortunada por cinco anos atrás não ter comparecido à consulta com o Dr. Marcus para o procedimento de curetagem. Mas não se sentia afortunada agora ao sair do quarto de Ben. O menino adormecera rapidamente, mas ela sabia que teria dificuldade para dormir naquela noite, com a ameaça de Jed ainda zunindo em seus ouvidos. Ao voltarem ao chalé, Ben agradeceu o passeio de carro e então acrescentou que era um super carro, mas que ele gostava mais da cor do carro do tio Julian que era vermelho bem brilhante. Phoebe foi obrigada a rir do olhar aborrecido no rosto bonito de Jed.

— Então, você gosta do carro vermelho e também do tio Julian, hein Ben?

— Sim. Ele é meu amigo e da mamãe, como você — disse o menino, ao deixar o carro todo contente.

— Lembrarei disso — afirmou Jed ao se despedir da criança.

O sorriso de Phoebe desparecera, quando ele se virou na direção dela.

— O tio Julian que vá se danar! Eu voltarei e é melhor você ter algumas respostas preparadas.

Pensar na ameaça de Jed não estava lhe fazendo bem algum, decidiu Phoebe ao entrar no quarto e retirar as roupas úmidas. Dar banho em Ben era uma operação complicada, mas gratificante.

Minutos depois, desceu os degraus em silêncio e caminhou até a cozinha. Uma xícara de chá a acalmaria. Não havia porque se preocupar com uma batida na porta que talvez nunca acontecesse. Abriu um dos armários e retirou uma caneca. Um sorriso lânguido curvou seus lábios. Fora um presente feito por Ben no último Natal, com a ajuda de tia Jemma. A inscrição na porcelana branca proclamava que a dona da caneca era a melhor mãe do mundo. Uma lembrança oportuna! Sua posição estava bem clara e se Jed Sabbides voltasse, tudo que ela precisava fazer era se lembrar que era a melhor mãe do mundo e mandá-lo andar...

Phoebe encheu a caneca com chá e foi se sentar no sofá em frente à lareira. Tomou um gole, ligou a televisão e zapeou pelos canais, mas não havia nada que despertasse o seu interesse. Suspirando, olhou ao redor da sala. Amava aquela casa. Comprara-a com a ajuda de um colar de diamantes e algumas outras jóias, não desejadas.

Mas infelizmente, estava com um profundo pressentimento de que seu lar feliz estava a ponto de desmoronar, se Jed cumprisse sua ameaça.


Uma hora mais tarde, conferia a redação de Elizabeth Smith, uma de suas alunas, na biblioteca, quando ouviu uma batida na porta da frente. Pensou em não responder, mas não queria que o sono de Ben fosse perturbado e relutante se ergueu. Respirando fundo, abriu a porta. Estava escuro lá fora, mas a luz do corredor iluminou a figura alta de Jed com a mão elevada, como se fosse bater novamente. Paciência nunca fora uma das suas virtudes, recordou ela.

Os olhos escuros que a fitaram eram inescrutáveis, mas Phoebe podia perceber a tensão nos ombros largos dele. Estava usando a mesma roupa casual e a barba escura por fazer sombreava-lhe a mandíbula quadrada. Parecia ainda mais perigoso e ameaçador do que antes. O coração dela começou a bater um pouco mais acelerado.

— Está muito tarde para uma visita. Seja o que for que queira me dizer, não pode esperar até a manhã? Quero dormir cedo. — E segurando a maçaneta, começou a fechar a porta. Mas uma mão forte segurou-lhe o pulso, impedindo-a.

— Quem está aí dentro? Tio Julian? — perguntou ele, entrando e fechando a porta em seguida.

— Não seja desagradável. Eu gostaria que você partisse — continuou, determinada a permanecer cortês, mas firme.

— Por que, droga? Por quê? — exigiu Jed, segurando-a pelo braço e puxando-a de encontro ao seu físico alto. — Você me disse que estava grávida prontamente. O que fiz de tão errado para alguns meses depois você me negar o direito de conhecer o meu filho?

Phoebe viu a fúria e a raiva contida em seus olhos e ignorou-as, erguendo a cabeça com altivez.

— Ele não é seu filho. — Era uma última tentativa desesperada de fazê-lo partir. Estava atenta à tensão que o dominava e à pressão daquele corpo rijo de encontro ao seu. Jamais conhecera um homem que a afetasse tanto e começou a tremer.

— Sei a mentirosa que você é e poderia estrangulá-la pelo que me fez — ameaçou ele, rodeando-lhe o pescoço com a mão livre, os dedos longos afundaram nos vastos cabelos loiros, puxando-lhe a cabeça para trás. — Mas não se preocupe. Há outros modos de fazê-la sofrer.

Cativa daquele aperto férreo, Phoebe o fitou e reconheceu a sensualidade ameaçadora na profundidade daqueles olhos escuros.

— Não — Espalmando a mão contra o tórax largo de Jed, tentou se desvencilhar. Mas ele a puxou com fúria, esmagando-a de encontro ao corpo. E sem pensar em mais nada, inclinou a cabeça e a subjugou com um beijo brutal.

A mão dele segurava-lhe a cabeça com firmeza, enquanto a boca saqueava a dela com uma paixão cruel, contra a qual Phoebe lutou para resistir. Mas era um esforço inútil. Indiferença era sua única esperança, mas era uma esperança vã. O doloroso gosto familiar, inacreditavelmente despertou-lhe um desejo há muito negado. Phoebe tentou dissipar as recordações físicas, mas seu corpo parecia ter adquirido vontade própria e a traiu.

Jed sentiu aquela resposta imediata e suavizou o beijo. Devagar, deslizou os lábios ao longo do pescoço esbelto, sentindo a fúria com que a pulsação dela latejava. Phoebe mal percebeu quando ele ergueu a mão e com o polegar roçou de leve um mamilo intumescido, pressionado de encontro ao tecido da blusa que ela usava.

Nesse instante, ela percebeu que estava em perigo.

— Tire suas mãos de mim! — Contorcendo-se, livrou-se da carícia sedutora e deu um passo atrás.

Jed a encarou por um longo momento, os olhos escuros tempestuosos. Então riu, o som cruel ecoou no silêncio pesado.

— Você ainda me quer, Phoebe. Senti o seu coração disparando, seu corpo tremendo... — escarneceu.

— De raiva. Você me dá nojo — mentiu ela, aturdida pela facilidade com que Jed quase a seduzira novamente.

— Isso não é verdade. Mas eu não esperaria que uma mentirosa como você admitisse a verdade.

Foi o tom frio e arrogante, bem como aquelas palavras que fizeram Phoebe, sem parar para pensar, erguer a mão e esbofetear aquele rosto bonito.

— Vá embora da minha casa agora ou chamarei a polícia!

— Não. — Segurando-a pelo pulso, ele a arrastou até a sala de estar. — E fale baixo ou vai acordar o Ben.

— Não preciso que me diga como devo cuidar do meu filho.

— Sente-se.

Embora não admitisse, Phoebe agradeceu por Jed fazê-la sentar-se. Suas pernas estavam fracas e ainda não se recuperara do poder daquele beijo, nem assimilara sua reação a ele.

— Eu a perdôo pelo tapa, porque talvez eu tenha sido um pouco severo, mas era uma escolha entre beijá-la ou torcer seu belo pescoço. Teve sorte de eu escolher a primeira opção. Mas devia saber que não há nada que excite mais um homem do que uma mulher desafiadora.

— Não acredito que disse isso. Porco chauvinista. Você devia viver na Idade Média.

— Não, devia viver com meu filho. — Ele a encarou, a expressão fria. — E por isso que estou aqui e porque temos que conversar. Mas primeiro eu gostaria de tomar uma bebida. — Retirando o casaco, colocou-o sobre o braço do sofá.

A visão de Jed em um suéter que delineava os contornos do seu tórax musculoso era algo que ela não contemplava há muito tempo. Forçando-se a desviar o olhar, Phoebe se ergueu.

— Chá ou café? — perguntou.

— Não tem nada mais forte?

— Somente vinho. — Sem esperar por resposta, ela deixou a sala, contente por poder escapar da presença poderosa de Jed. Tentaria colocar os pensamentos em ordem.

Cinco minutos depois voltou à sala de estar com duas taças e uma garrafa de vinho branco.

Jed estava junto à escrivaninha com um porta retrato de prata nas mãos, estudando atentamente a foto de Ben.

Phoebe sentiu um aperto no peito ao perceber o brilho maravilhado nos olhos dele, enquanto deslizava um dedo pela face risonha da criança na fotografia.

— Vinho — murmurou ela, colocando o copo sobre a mesa.

— Quantos anos tinha Ben aqui? — Jed ergueu o porta-retrato.

— Dois. — Phoebe não queria falar sobre Ben com ele. Não queira aquele homem perto do filho dela. Mas tinha um horrível pressentimento de que não teria escolha.

— E aqui ainda bebê, com Julian Gladstone. E a outra pessoa presumo que seja sua tia Jemma, não é?

— Sim, Julian é um velho amigo da família e a tia Jemma, você nunca a conheceu porque sempre estava ocupado demais, pelo que me recordo. É a foto do batismo de Benjamim. Os dois são os padrinhos.

— Julian Gladstone é padrinho do meu filho? — Ele a encarou com um olhar afrontado.

— É padrinho do meu filho. E é um excelente padrinho. A casa dele fica a um quilômetro daqui e os dois se vêem com bastante frequência. Ben o adora.

Jed não respondeu. Alcançando o copo, tomou um longo gole de vinho e a fitou com um olhar desdenhoso.

— Desista, Phoebe. Ben é meu filho. Ele mesmo virtualmente disse isso no carro. Não sou bobo e a sua tentativa patética de valorizar o papel de Julian Gladstone na vida do menino não vai funcionar comigo. No momento que a vi com Gladstone na embaixada, percebi que estava escondendo algo de mim. Então procurei um amigo meu, dono de uma agência de segurança, para investigar a sua vida desde que deixou Londres.

Boquiaberta, Phoebe o encarou horrorizada, enquanto Jed continuava seu relatório.

— Não tinha certeza absoluta de que Ben era meu filho até ele comentar no carro que seu nascimento fora um milagre. Para confirmar minhas suspeitas, liguei para Marcus, que me informou que era perfeitamente possível, embora raro. Então visitei o hospital onde ele nasceu. A recepcionista foi bastante solícita. Perguntei se eu podia conseguir uma cópia dos prontuários de Ben, porque eu e você estávamos de partida para a Grécia e precisávamos deles, como medida de precaução no caso do nosso filho ter um acidente por lá. A mulher no fundo era uma romântica e quando lhe contei sobre nossa trágica separação, como nos reencontramos e que pretendíamos nos casar, ela foi mais do que útil. Ela me deu uma xerox. Sei que Ben nasceu em janeiro, por meio de uma cesárea e que já devia ter nascido duas semanas antes. Sei que era um dos bebês dos gêmeos que você estava esperando. Logo foi muito inteligente da sua parte esquecer o nome do hospital onde aconteceu o aborto! Também sei que Ben quebrou o braço caindo de uma pereira em seu quintal.

— Você não tinha esse direito, a mulher não tinha esse direito! — Phoebe exclamou furiosa pelas revelações dele.

— Sim, tenho todo o direito. Ele é meu filho e você deliberadamente o tirou de mim. Se há alguém que não tinha o direito de fazer o que fez, esse alguém é você. Como lhe disse antes, quero respostas.

— Vou lhe dar respostas, tentando usar suas próprias palavras. Um homem não espera que sua amante fique grávida. Um filho não está nos meus planos. Isso o faz lembrar-se de algo? Você nunca quis um filho Jed.

— Fiquei um pouco apavorado. Sou um homem solteiro e como tal sou programado para acreditar que o pior resultado do sexo é a gravidez. Foi um choque para mim.

— Não sou idiota. Você nunca se apavora com nada em sua vida. Nada o choca, Senhor Invencível. Estava de posse do seu frio controle habitual e quis dizer exatamente todas aquelas palavra. Em seguida, como bem me recordo, disse para eu não me preocupar que o discreto Dr. Marcus cuidaria da minha gravidez e as despesas correriam por sua conta. Um aborto foi o que você me ofereceu. Mas para a sua sorte abortei naturalmente e não precisou gastar um centavo.

O rico e poderoso, Jed Sabbides, seguro do seu lugar no mundo, temido por alguns e respeitado por todos, pela primeira vez na vida se viu sem fala. Não podia acreditar no que estava ouvindo. Nunca lhe passara pela cabeça sugerir um aborto a Phoebe. Estava tentando assegurá-la de que o Dr. Marcus a assistiria durante a gravidez. Mas, pensando bem, talvez ela tivesse interpretado errado.

— Nunca lhe sugeri um aborto — murmurou ele, mas Phoebe não o estava escutando.

— Graças a Deus você não veio me buscar para me levar à clínica na semana seguinte, em vez disso instruiu Christina, sua assistente, a me dizer que discutiu o meu aborto com ela, que não ia voltar e lhe pediu para me aconselhar a partir. Caso contrário, Ben teria sido raspado do meu útero pelo discreto Dr. Marcus. E agora tem a coragem de me perguntar por que eu nunca lhe falei sobre o Ben. Você me dá nojo, por ter vindo até aqui e adular uma recepcionista de hospital com um monte de mentiras para conseguir informações. Dizer que íamos nos casar... Isso nunca vai acontecer. Como não aconteceu a última vez que me disse que decidira que formaríamos uma família depois que perdi o bebê. Um estratagema simples para bancar o bonzinho, mas na verdade não significava nada. Continua sendo o mesmo diabo egoísta, que só pensa nos próprios desejos. Então perdoe meu ceticismo, mas não acredito, nem por um minuto, que esteja interessado em ser pai, nem nesse seu súbito desejo de ter um filho. E vou deixar bem claro. Não vai tirar o meu...

— Terminou de colocar o meu caráter em frangalhos? — exigiu ele, pousando o copo e se erguendo.

Jed ouvira com raiva e horror crescentes, enquanto percebia que não podia refutar a análise de Phoebe em relação ao seu comportamento no passado. Ele a havia chamado de amante, dito que um filho não estava em seus planos. Phoebe lhe contara sobre a gravidez tão casualmente, que foi como se algo explodisse em sua cabeça, deixando-o em estado de choque. Mas nem por um segundo pensara na possibilidade de um aborto. Mais tarde no hospital, quando lhe disse que formariam uma família, isso significava que pretendia se casar com ela. Mas agora podia perceber o quanto aquilo devia ter soado vazio para ela depois de tudo que acontecera e era verdade que ele havia comentado com Christina sobre o aborto.

Jed não queria acreditar na história de Phoebe sobre Christina ter lhe dito para deixar o apartamento. Entretanto, não podia descartá-la. Dispensara os serviços da assistente depois que ela deixara embaraçosamente óbvio que desejava uma relação mais pessoal com ele. Naquela noite, na Grécia, havia deixado o celular com Christina, então talvez fosse verdade.

Os erros do passado não podiam ser mudados, mas isso não o impedia de querer o filho dele. A única diferença era que teria que mudar de tática.

Jed permitiu que seus olhos escuros vagassem pelo corpo dela. Phoebe era bonita a qualquer hora. Perdera a conta dos dias, das semanas, dos meses que sofrera por causa dela, depois que se separaram. Seu olhar se demorou nos seios empinados sob o moletom macio e sentiu o corpo ficar excitado. Desejava-a tanto que quase podia senti-la e, naquele momento lhe ocorreu uma solução alternativa, não muito ética, mas conhecendo Phoebe intimamente, por certo eficaz.

— Você não tem caráter — disparou ela — E terminamos anos atrás. Ou melhor, você terminou comigo — emendou. — É muito tarde agora para mudar de idéia, seja qual for a abominável razão, e conhecendo você, com certeza deve haver uma.

Perdida nas amargas recordações do passado, Phoebe não reparou que Jed havia encurtado a distância entre eles e só agora podia ver que a expressão, cuidadosamente controlada, no rosto bonito não se refletia no brilho predatório dos seus olhos escuros.

— Você me conhece tão bem — murmurou ele zombeteiro, enquanto as mãos fortes a alcançavam, envolvendo-a pelos ombros.

Phoebe enrijeceu. Seu coração saltou uma batida. Não queria que Jed tivesse a satisfação de perceber que ela era vulnerável a sua aproximação.

— Você está certa, é claro — continuou ele. — Existe uma razão. Sou um homem muito rico e me ocorreu que preciso de um filho e um herdeiro. Um já existente é preferível a ter que encomendar um bebê. Estou confirmando sua baixa opinião sobre mim?

Nada havia mudado, pensou Phoebe. Jed não mudara... Continuava o mesmo falido emocionalmente e preferia viver daquele modo.

— Sim — respondeu ela por fim. — E agora que entende por que não lhe contei sobre o Ben pode nos deixar em paz. Case-se com Sophia e tenha seus próprios filhos.

— Pode ser difícil já que rompemos e ela não está mais falando comigo.

— Mulher sábia — zombou ela e não foi capaz de suprimir um sorriso. Por que o fato de Jed e Sophia terem terminado a agradava, ela não questionou. O seu sorriso confirmava isso!

Conversar não o levaria a lugar algum, pensou Jed. E o irreprimível sorriso de Phoebe o lembrara violentamente do que havia sentido falta todos aqueles anos. O que julgara não ser muito ético minuto atrás, já não lhe parecia assim.

Na vida profissional não via problema algum em se aproveitar da fraqueza dos concorrentes para conseguir um negócio, era uma prática aceitável. Então por que não fazer o mesmo na vida pessoal?

CAPÍTULO SEIS

De repente, as mãos de Jed se apertaram nos ombros de Phoebe, fazendo-a perder o equilíbrio e se encontrar comprimida contra o peito musculoso.

— Largue-me! — disparou ela, tomada de assalto com o movimento brusco.

— Cale-se — retrucou Jed, erguendo-a nos braços, deitando-a de costas no sofá e se inclinando sobre ela.

Por um momento, Phoebe se encontrou demasiado atordoada para se mover, mas logo tentou se desvencilhar Porém, com o corpo forte pressionando-a contra o acolchoado do sofá, tudo que conseguiu foi bater com os punhos contra o peito de Jed.

— Solte-me — gritou ela em pânico. — Jed soltou uma risada e, imobilizando-lhe os punhos com uma das mãos, segurou-lhe o queixo com a outra para que ela o encarasse. — Está louco? Que diabos pensa estar fazendo? — indagou, contorcendo-se. O que serviu apenas para sentir os contornos musculosos do corpo de Jed de modo mais íntimo.

— Exatamente o que está imaginando, porque não tenho nada a perder — respondeu ele, com um sorriso pecaminosamente sensual. — Segundo você, não tenho caráter, sentimentos... quer continuar? — Os olhos negros se encontravam fixos nos dela, enquanto a mão que lhe segurava o queixo escorregou pelo corpo de Phoebe e se introduziu sob sua blusa.

A fúria deu lugar a outra sensação, enquanto cada terminação nervosa de Phoebe se contraía ao calor do contato da mão forte e a pressão da coxa musculosa. Sentiu a respiração de Jed em sua face, quando ele inclinou a cabeça e roçou os lábios nos dela. Phoebe sabia que devia protestar, mas com o peso do corpo másculo a comprimindo e a fragrância familiar lhe embotando os sentidos, não conseguia encontrar a voz e, para seu constrangimento, Jed percebeu o calor da paixão a incendiar. Os lábios quentes lhe pressionaram a pulsação do pescoço e depois se moveram suavemente para sua orelha.

— Não quero forçá-la a fazer nada que não tenha vontade, mas esta sempre foi a melhor forma de comunicação entre nós e nada mudou. Tem apenas de pedir e pararei agora.

Phoebe engoliu em seco. A tensão na atmosfera era quase palpável. Os olhos negros a fitavam e a mão pousada sobre suas costelas escorregou para lhe envolver um dos seios. Os dedos longos se introduziram sob a renda do sutiã para lhe tocar o mamilo enrijecido. Phoebe não pôde evitar que um suspiro de prazer lhe escapasse da garganta. Quando Jed lhe capturou os lábios em um beijo sensual, ela estremeceu. A língua exigente lhe invadiu a boca com um erotismo delicado, que não lembrava em nada a forma como ele a colocara naquela posição. Enquanto os dedos continuavam a lhe estimular os mamilos, Jed depositava uma trilha de beijos breves ao longo do queixo delicado, da testa e, em seguida, escorregando pela face para lhe tomar mais uma vez a boca sedenta. Ele a beijava com paixão tema e, embora a mente de Phoebe lhe dissesse para resistir, o corpo não captava a mensagem e tremia com o familiar desejo. Nada lhe restava senão sucumbir, impotente, à maestria com que os dedos longos a acariciavam. Sequer percebera que ele lhe havia desabotoado o sutiã até que o sentiu inclinar a cabeça e a roçar entre seus seios.

Um gemido rouco lhe escapou da garganta. Sabia que não seria capaz de fazê-lo parar. Sentia a mente e o corpo presos entre o desejo e o desespero pela própria reação.

— É tão perfeita... — murmurou Jed em tom rouco, erguendo a cabeça para fitar os olhos azuis estonteantes. — Não tem idéia do quanto tempo desejei isto. — Baixou a cabeça para lhe estimular os mamilos com a língua e os dentes.

Por fim, o desejo venceu. Phoebe se contorceu sob o corpo forte, consumida por uma paixão tão intensa que a fez emitir um protesto quase doloroso quando Jed interrompeu a carícia torturante. Ele a estava enlouquecendo e Phoebe se via incapaz de resistir.

Os olhos negros se ergueram para fitá-la.

— Eu a quero, Phoebe — confessou ele em tom de voz rouco. — Muito. Mas a decisão é sua — acrescentou, antes de inclinar a cabeça e roçar os lábios na curva do pescoço delicado, murmurando palavras em grego. Ela se encontrava perdida, transportada de volta no tempo quando se amavam. — Diga-me que me quer. Diga, Phoebe.

— Oh, sim — gemeu Phoebe, quando os lábios sensuais encontraram os dela. Quase não percebeu quando os dedos longos lhe encontraram o fecho da calça jeans. Estava anestesiada para tudo, exceto a fragrância masculina almiscarada e o sabor dos lábios de Jed. Antes que percebesse, encontravam-se despidos e deitados no amplo sofá.

O olhar de Phoebe escorregou, inebriado, pela amplitude do peito musculoso e bronzeado. Fazia tanto tempo que o vira e o tocara! Esticou a mão para acariciar o corpo forte, redescobrindo o prazer de traçar com a ponta dos dedos seus contornos rígidos.

Jed segurou a mão que vagava por seu corpo.

— Deixe-me vê-la — pediu com um ruído rouco, os olhos negros e incineradores percorrendo-lhe a face, o colo, os seios, o ventre, onde se demorou fitando a discreta cicatriz até chegar aos pelos que cobriam o ápice das coxas. — É deslumbrantemente bela, Phoebe — disse ele, levando a mão delicada aos lábios e lhe pressionando um beijo na palma, antes de soltá-la. A intensidade da carícia a fez prender a respiração. Esticando os braços, Phoebe enterrou as unhas na pele firme dos ombros largos, puxando-o para perto. — Espetacular — murmurou ele. — Amo seus cabelos — acrescentou, escorregando os dedos ao longo dos fios compridos e macios. Em seguida, enquanto Jed prosseguia a exploração erótica de cada ponto sensível do corpo macio de curvas perfeitas, Phoebe foi atingida por um dilúvio de sensualidade tão intenso que mal lhe permitia respirar. Jed inclinou a cabeça tomando-lhe um dos mamilos nos lábios, enquanto a mão escorregava por entre as coxas macias para lhe tocar o centro da feminilidade. As chamas que a consumiam se transformaram em uma conflagração, fazendo-a tremer violentamente ante a força do desejo que a cegava. Involuntariamente, Phoebe entreabriu as pernas para lhe permitir o acesso, escrava da excitação que o toque de Jed lhe proporcionava. — Tão macia, quente e pronta para me receber — murmurou ele. A boca ávida perfazia uma trilha de beijos molhados pelos seios e pescoço, até encontrar os lábios de Phoebe. Imitando os movimentos de um ato sexual, explorou-lhe o interior da boca antes de voltar a lhe morder e sugar os mamilos.

Phoebe pressionou as mãos sobre as costas largas na ânsia de tê-lo dentro dela, preenchendo-a.

Um grito de prazer lhe escapou dos lábios quando as mãos fortes lhe ergueram os quadris e Jed se posicionou entre suas coxas. Um tremor lhe percorreu o corpo ao sentir a rigidez da ereção provocando-a com investidas curtas, roçando contra o ponto mais sensível de sua feminilidade até levá-la ao limite máximo da excitação. Jed parecia não ter pressa. — Por favor — suplicou ela.

Só então ele escorregou para dentro da intimidade quente, pulsante e sedosa.

Phoebe agarrou-se ao corpo forte, envolvendo-lhe a cintura com as longas pernas, enquanto Jed a erguia ainda mais, intensificando a força com que a penetrava, preenchendo-a por completo até que ela fosse arrastada em uma espiral de paixão e o corpo convulsionasse em um clímax enlouquecedor. Com uma última investida, Jed abandonou o supremo esforço, perdendo a batalha para o autocontrole, enquanto derramava sua essência em um orgasmo prolongado e mútuo.

Phoebe sentiu todo o peso do corpo musculoso sobre ela. A cabeça de Jed enterrada na curva de seu pescoço. Fechou os olhos, lânguida, sob o efeito dos resquícios do ato de amor. Escorregou as mãos, lentamente pelas costas largas, deleitando-se com as gotículas de suor que as cobriam e com a respiração alterada de Jed.

Era como se tivessem repetido a primeira vez: vagaroso, temo, quando Jed lhe pertencia. Abriu os olhos quando sua mente registrou tal pensamento. Jed nunca lhe pertencera. Teve de morder os lábios para evitar um gemido. Suplicara-lhe para que a possuísse. Porém, não haviam feito amor e sim sexo. Girando o olhar à lareira apagada, deixou cair as mãos nas laterais do corpo, sentindo-se gelar até os ossos. Como permitira que aquilo acontecesse outra vez? Detestava Jed, mas sucumbira a sua magia sensual da mesma forma que fizera anos atrás. Naquela época, o amava, mas agora não tinha desculpas. Envergonhava-se do desprendimento com que se entregara a ele.

Por fim, Jed girou para o lado, suportando o peso do corpo em um dos cotovelos. Um sorriso sonolento e satisfeito lhe curvava os lábios e lhe fazia brilhar os olhos.

— Isso é o que chamo de comunicação — gracejou Jed, afastando-lhe uma mecha de cabelos da face. — Bem melhor do que perdermos tempo com discussões infrutíferas que não nos levarão a lugar algum, não acha?

— Não — respondeu Phoebe, evitando-lhe o olhar. Aquele era o seu problema em relação a Jed. Bastava que ele a tocasse para que se dissolvesse em seus braços.

Phoebe recolheu o jeans e a camisa que se encontravam espalhadas pelo chão e atirou as peças de roupa contra o peito de Jed. Perdendo o equilíbrio, ele caiu no chão. Ignorando-lhe o grito de surpresa, Phoebe se ergueu com o orgulho próprio em frangalhos, recolheu as próprias roupas e se vestiu com movimentos frenéticos.

Jed continuava esparramado no chão, fitando-a, atônito.

— Bem, ser nocauteado foi uma novidade — disse ele, sorrindo. — Não era essa a reação que eu esperava — continuou, enquanto se erguia lentamente. — Sei que apreciou cada segundo do que acabamos de compartilhar, tanto quanto eu. Portanto, acho que podemos discutir o futuro de maneira racional.

— Não temos futuro algum. O que aconteceu foi um erro — afirmou Phoebe, virando-se para fitá-lo. O que foi outro erro. Os cachos negros pendiam sobre a testa de Jed e uma expressão tolerante e divertida se encontrava estampada na face de traços perfeitos. Quanto ao corpo adônico... Phoebe se forçou a afastar o olhar. Quase havia se esquecido o quanto ele era belo, completamente nu. — E coloque suas roupas. Tia Jemma chegará em breve — mentiu.

— Não costumava ser tão pudica — disse ele, rindo à socapa e se aproximando. — Nem tão mentirosa.

— Eu não minto — mentiu Phoebe mais uma vez, fitando-o com o olhar desafiador.

Jed esticou o braço e lhe prendeu o nariz entre os dedos.

— Crescerá como o do Pinóquio — provocou Jed. — Porque fiquei sabendo que sua tia foi passar dois meses na Austrália.

O bom humor de Jed a enervou.

— Deixe-me adivinhar. A recepcionista do hospital lhe contou? Essa é a desvantagem de se viver em uma comunidade rural. Todos sabem da vida uns dos outros — comentou Phoebe em tom amargo. — Depois da história que inventou, vou ter de responder a perguntas durante meses, após sua partida.

— Não vou a lugar algum sem Ben, não me importa o tempo que demorar para convencê-la. Quero levá-lo para a Grécia para conhecer meu pai e o restante da família.

Phoebe ergueu o olhar para fitá-lo e percebeu pela expressão do belo rosto másculo que Jed não estava brincando.

— Isso não vai acontecer — retrucou ela, corajosamente, embora tremesse em seu íntimo ante a perspectiva de Ben ir para a Grécia. Sem mencionar a possibilidade de Jed retomar a sua vida, após a prova recente que tivera de sua degradante resposta a ele. Fechando os olhos por um instante, Phoebe meneou a cabeça, humilhada com a própria fraqueza.

— Já se divertiu o bastante. Portanto, vista-se antes que pegue um resfriado — aconselhou no mesmo tom que costumava se referir ao filho. Em seguida, ergueu a taça de vinho e se deixou afundar na poltrona. Sentia-se exausta, embora para ser honesta, tinha de admitir que nunca estivera tão sensualmente estimulada. Como Jed conseguira deixá-la daquela forma tão rapidamente, imaginou. Cinco anos de celibato podia ter aquele efeito sobre uma mulher, supôs, tomando um gole do vinho. — Embora, pensando bem, uma pneumonia poderia afastá-lo de minha vida — resmungou Phoebe.

— Não é algo nobre de se dizer ao pai do seu filho e em nada parecido com a Phoebe de coração terno e olhos sorridentes que conheci.

Surpresa, ela arriscou um olhar a Jed, mas se ele pensava que podia amansá-la só porque haviam feito sexo, estava muito enganado. Sentiu-se aliviada ao vê-lo colocar a calça jeans, mas não pôde deixar de admirar os músculos tentadores do peito largo antes de ele vestir o pulôver preto.

Sentia-se desgostosa consigo mesma e com Jed por terem feito sexo como animais no sofá de tia Jemma, mas não podia negar o calor que a aquecia e a fragrância almiscarada e masculina que ainda impregnava suas narinas. De repente, estremeceu, temendo não só por Ben, mas por si mesma.

— Você nunca me conheceu. Nunca quis conhecer nada além da mulher disposta a ir para sua cama e fazer tudo que pedisse. — Teve de fazer um esforço hercúleo para sustentar o olhar de Jed. — Se pensa que fazer sexo comigo mudará alguma coisa, está completamente enganado. Não sou mais a menina inocente que achava que sexo era o mesmo que amor. Devia se sentir orgulhoso, pois me ensinou muito bem. Sexo é apenas sexo. — Jed não parecia orgulhoso. Os olhos negros a fitavam com raiva e com outra emoção que Phoebe não soube definir. — Amo meu filho. Ben é um menino encantador, feliz, amado por todos a seu redor e não permitirei que um homem frio e sem coração como você se interponha entre nós.

— Parece esquecer que ele também é meu filho — retrucou Jed.

— Infelizmente não posso esquecer esse detalhe. Concordei que entrasse porque precisamos de fato conversar.

— Finalmente, está usando o bom senso — comentou Jed, aproximando-se.

Phoebe ergueu uma das mãos para impedi-lo.

— Espere e ouça — ordenou ela, fitando-o com olhar frio. — Contarei a Ben que é o pai dele, quando achar que está preparado. Estou disposta a permitir que o visite, mas sob minhas condições. A frequência dessas visitas serão acordadas entre nós ou através de um advogado. Porém, de qualquer modo, não permitirei que o leve para passear sozinho ou viaje com ele para a Grécia, porque não confio que o traga de volta.

— Como se atreve a ditar regras para mim? — indagou Jed, ultrajado. Escutara Phoebe denegri-lo por tempo suficiente. Segurando-a pelos braços, ergueu-a da poltrona. — Agora é sua vez de escutar. Para começar, nunca sugeri que interrompesse a gravidez há cinco anos. Fiquei furioso quando disse que estava grávida porque não era algo que estava esperando e me pegou de surpresa. Quando lhe disse para não se preocupar que o Dr. Marcus cuidaria de você, significava que iria providenciar a melhor assistência médica para cuidar de sua gravidez e pagaria por tudo. Portanto, coloque isso de uma vez por todas nessa sua mente distorcida. Para mim, qualquer forma de vida é sagrada. Nunca iria sugerir que abortasse um filho meu — declarou, veemente. — Sei que afirmei que ter um filho não estava em meus planos.

Mas como poderia estar se havia me revelado que estava grávida minutos antes? Se pensa que pode se utilizar de uma interpretação errônea de minhas palavras para me impedir de reclamar a paternidade de Ben, esqueça. Teve meu filho apenas para si por anos, mas não mais. Isso eu lhe garanto. — Os olhos negros lhe percorreram o corpo. Phoebe era tão feminina e ainda assim, tão ardilosa, pensou Jed. — Podemos resolver isso de uma maneira muito simples: colocando o bem-estar de nosso filho em primeiro lugar e nos casando para lhe proporcionar um lar estável. Ou podemos optar pelo modo mais difícil e brigar nos tribunais pela custódia de Ben. São as duas únicas chances que tem, acredite-me. Recuso-me a ser um pai esporádico na vida do meu filho.



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