Jacqueline Baird



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Revisão: Maryvone

— Phoebe, que surpresa! Achei que era você, mas ouvi a criança chamá-la de mamãe.

A saudação profunda e sonora mexeu com todos os nervos do corpo dela. Esforçando-se para permanecer calma, Phoebe olhou para ele e o cumprimentou num tom educado.

— Oi, Jed.

— Eu não sabia que você já tinha um filho. Ninguém me contou. Olá, rapazinho. Ouvi você dizer a sua mãe que gostou do meu carro. — Ele sorriu para Ben. — É o mais recente modelo Bentley conversível.

— Uau! Isso quer dizer que o teto dele levanta? — perguntou Ben com os olhinhos arregalados.

— Sim, é só apertar um botão. Quer vê-lo por dentro? Ou melhor, tenho outra idéia: vamos dar um passeio!

— Não — recusou Phoebe, puxando Ben mais para si. — Ele sabe que nunca deve entrar no carro de um estranho.

— Admirável! Mas você e eu não somos estranhos. Não há mal algum em me apresentar ao seu filho, ou há?

PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V/S.

Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte.

Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.

Título original: THE SABBIDES SECRET BABY

Copyright © 2010 by Jacqueline Baird

Originalmente publicado em 2010 por Mills & Boon Modem Romance

Arte final de capa: Isabelle Paiva

Editoração Eletrônica:

ABREU'S SYSTEM

Tel.: (55 XX 21) 2220-3654 / 2524-8037

Impressão:

RR DONNELLEY

Fone: (55 XX 11)2148-3500

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Aos cuidados de Virgínia Rivera



virginia.rivera@harlequínbooks.com.br

CAPÍTULO UM

Jed Sabbides se remexeu no assento, de tão impaciente. O avião se preparava para aterrissar e já era mesmo tempo. Certa parte de sua anatomia agitava-se só em pensar na deleitável Phoebe que o aguardava em Londres. Planejara ficar em Nova York durante três semanas, mas encurtara a viagem em um dia e reorganizara a agenda para trabalhar do escritório de Londres na manhã seguinte e poder voltar para os braços de Phoebe. Sábado à noite partiria para a Grécia, para o aniversário do pai, e com o nível de frustração que estava sentindo, decidira que apenas uma noite com Phoebe não seria suficiente... Bastaram alguns telefonemas e o jato da empresa Sabbides já o aguardava no aeroporto Kennedy. Uma carranca enrugou seu semblante. Quando algum dia na vida alterara a agenda por causa de uma mulher? Nunca... A percepção da novidade o deixou intranquilo, seus pensamentos voltaram, recordando o tempo em que pela primeira vez vira Phoebe.

Saía do elevador no andar térreo do hotel em que estava hospedado quando seus olhos pousaram na jovem que caminhava pelo saguão. Parou por um momento para apreciar as formas femininas. Ela devia ter um metro e setenta de altura, os cabelos loiro-claros lhe caíam em ondas suaves sobre os ombros e exibia um perfil primoroso. A saia preta sóbria e a blusa branca não tornavam sua figura menos atraente, enquanto parecia planar sobre o chão de mármore com um par de pernas que mexia com o imaginário de qualquer homem. Jed a seguiu com o olhar até ela se colocar atrás da escrivaninha da recepção e então se virar sorridente para um hóspede que se aproximava. Aquele sorriso o fez prender a respiração. A atração foi imediata e escandalosamente física. Estava solteiro e naquele momento decidiu que a jovem seria sua. Aproximou-se e perguntou se ela poderia lhe recomendar um bom restaurante. A moça inclinara a cabeça para trás, para poder vê-lo melhor. Seu olhar fascinado absorveu os traços delicados daquele rosto oval, com sua pele leitosa, os lábios carnudos e um par de olhos azuis brilhantes que agora fitavam os seus. Sorriu e a encarou.

Phoebe em grego significava claro, brilhante, e ela era tudo isso e muito mais. Era bonita, tinha um corpo perfeito e uma mente sagaz. Convidou-a para jantar naquela mesma noite. Por mais incrível que pudesse parecer, ela sem compromisso recusou, declarando que não tinha permissão para sair com hóspedes. Mas, encantada com seu charme, acabou dizendo que só trabalhava no hotel nos fins de semana para complementar a renda, enquanto cursava Ciências Políticas e História na universidade. Então Jed fizera o chekout e voltara no dia seguinte, e novamente a convidou para sair; e ela concordou. Até então, jamais qualquer mulher o rejeitara. Em geral, elas o perseguiam. Era uma experiência inédita e teve que esperar um mês para levá-la para a cama.

Phoebe compartilhava uma casa com outros três estudantes, duas moças, Kay e Liz, e o terceiro era um sujeito, chamado John. Não dispunha evidentemente de nenhuma privacidade. Mas recusava-se a jantar na suíte que ele mantinha em um dos hotéis de sua família em Londres. A desculpa era que não se sentiria bem, tendo visto o tipo de mulheres que acompanhavam os homens aos seus quartos por algumas horas no hotel onde ela trabalhava.

Faltavam poucas semanas para ela completar 21 anos e a sua juventude o preocupava um pouco. Não sabia se o problema era modéstia genuína ou se, como a maioria das mulheres, estava tentando obter, de modo ardiloso, mais do que ele estava preparado para oferecer. Por pura coincidência, uma noite, ao entrar no Empire Cassino, no coração de Londres, depois de Phoebe deixá-lo frustrado mais uma vez, encontrou um velho amigo de pôquer e achou a solução para o seu problema. O homem havia sido eliminado na Série Mundial de Pôquer e, após um drinque, contou-lhe que estava de partida para a América e precisava de alguém para tomar conta do seu apartamento em Londres e do seu gato Marty, enquanto estivesse fora.

Num tom casual, Jed contou a Phoebe à história e perguntou-lhe se estaria interessada no trabalho. Era uma situação de benefícios mútuos e, por fim, ele conseguira mais do que um beijo de boa-noite. Mesmo assim, ela ainda o manteve esperando mais alguns dias. Era uma solução um pouco desonesta, tinha ciência disso, mas era um cínico quando se tratava de uma fêmea daquela espécie e sabia que valia a pena esperar.

Phoebe fora uma surpresa em todos os sentidos. Era virgem, a primeira na vida dele, mas surpreendentemente a amante mais ávida e apaixonada com quem se envolvera.

Isso fora há doze meses, percebeu de repente, outro fato inédito em sua vida. Nunca tivera um relacionamento tão longo em seus 30 anos de idade. Com sua vasta experiência com as mulheres, há muito tempo percebera que sua riqueza era o que mais as atraía. Não que isso importasse. Aos 25 anos se tomara um multimilionário por mérito próprio, cortesia do boom da internet. Como aluno da universidade, jogava pôquer on-line e depois partira para comerciar nos mercados financeiros. Essencialmente, outra forma de jogar, mas que fazia sem compromisso e melhor uso da sua mente brilhante. Então fundara a própria empresa, JS Investimentos.

Atendendo a um pedido do pai, concordou em se unir à firma da família, porém sem abandonar seus negócios. Logo assumiu a responsabilidade pela Sabbides Corporation, há décadas especializada no ramo de hotelaria e outras áreas de lazer. A empresa se encontrava inacreditavelmente próspera nos dias atuais, mas sua relação com o pai, sempre tensa, agora se tornara pior. Se havia algo que o pai lhe ensinara era que ele não nascera para o casamento. Jed procurava manter sua vida sexual estritamente separada dos negócios e da família. Nenhum relacionamento durava mais que alguns meses, oito meses fora o mais longo antes de Phoebe. Não acreditava em casamento e deixara isso bem claro no início da relação. Ela rira e lhe dissera que casamento era a última coisa que tinha em mente. Estava determinada a se formar, seguir carreira e viajar pelo mundo. No primeiro encontro, quando ela perguntou o que ele fazia, simplesmente lhe respondera que era um homem de negócios e que viajava entre os escritórios de Londres, Atenas e Nova York. Porém, mais tarde, Liz, uma amiga dela lhe contara que a imprensa se referia a ele como um magnata grego, uma descrição que ele detestava. Mesmo assim isso não pareceu influenciá-la em nada. Quando estavam juntos, ela nunca falava em compromisso, nunca lhe pedia nada e tinha certeza que ela não saía com outros homens. Não havia nada com que se preocupar. Que durasse um ano ou dois, contanto que durasse o tempo da paixão; enquanto pudesse, Phoebe seria sua.

Sete semanas atrás, ela colara grau e a cerimônia de graduação havia sido na semana anterior. Phoebe o convidou para assistir e lhe disse que a tia também estaria presente. Jed tinha por hábito evitar encontros com os parentes de suas amantes. Como estava em Nova York na ocasião, era a desculpa perfeita para não ir... Na manhã do dia da cerimônia, telefonou, desejando-lhe boa sorte. Phoebe não ficara zangada, especialmente depois que ele mencionou que preparara uma surpresa especial para ela. Talvez não fosse tão diferente das outras mulheres que ele conhecia, pensou cínico.

Costumava presenteá-la com frequência. Grata, ela demonstrava sua satisfação na cama. Dessa vez, lhe comprara um espetacular colar de diamantes, porque para ser honesto sentia-se ligeiramente culpado por não ter comparecido à formatura dela. E agora estava um dia adiantado, o que com certeza a agradaria. O pensamento o fez sorrir em pura antecipação sensual masculina...

O avião pousou. Jed se ergueu, aliviando a tensão dos ombros e endireitando a gravata. Alto, de ombros largos e cabelos escuros, era notavelmente atraente. Pegou o laptop e, com um adeus à sorridente comissária de bordo, deixou a aeronave.

Phoebe desligou o chuveiro e saiu do box. Eram 21h e queria dormir cedo, assim estaria totalmente descansada e pronta para a chegada de Jed na noite do dia seguinte. Seu peito se agitou com este simples pensamento. Olhou para o reflexo no espelho da parede, enquanto alcançava uma toalha de banho para envolver o corpo esbelto. Esbelto por quanto tempo mais, desejou saber, com um crescente sentimento de alegria e um leve toque de preocupação. Ainda teria que contar ao namorado que estava grávida.

Jed Sabbides era um próspero financista e também o todo poderoso atrás do trono da Sabbides Corporation. Suspeitara desde o início que ele era rico, o que a princípio a fizera se manter cautelosa em relação a ele. Parecia tão distante do seu mundo. Mas agora estava desesperadamente apaixonada, pela primeira vez na vida. Sua companheira de quarto, Liz, lhe contara sobre a extensão da riqueza dele, ao mesmo tempo em que tentara alertá-la de que Jed a estava instalando naquele apartamento para transformá-la em sua amante permanente de Londres.

Liz estava errada.

Verdade seja dita, após alguns dias, depois que ela se mudara para aquele apartamento, tornaram-se amantes, mas não moravam juntos. Jed a respeitava e quando estava em Londres a trabalho hospedava-se em uma suíte, em um dos hotéis de propriedade da Sabbides Corporation. Além do mais, ter um apartamento só para ela lhe permitira estudar melhor no último ano da faculdade.

Apesar da riqueza de Jed, eram como qualquer outro casal apaixonado, disse a si mesma. Saíam para jantar ou ir ao cinema e, depois que a relação dos dois se tomara íntima, com frequência ele passava as noites ali. Jed havia deixado algumas peças de roupa no apartamento, mas definitivamente não vivia ali. Viajava demais e Phoebe lamentava a sua ausência ao se deitar sozinha na imensa cama de casal. Como consolo, desfrutava da companhia do gato Marty.

Jed raramente falava de negócios, mas não levara muitos meses para perceber que ele era viciado em trabalho e que dividia seu tempo entre dois continentes. Mas no lado agradável, ele lhe contara uma vez que tinha uma irmã mais velha casada, com duas filhas pequenas, as quais ele adorava, então obviamente gostava de crianças, um sinal positivo, com certeza. Ia querer o bebê tanto quanto ela queria. Phoebe conhecera Jed quando ele estava hospedado no hotel onde ela trabalhava como recepcionista e sua vida mudara a partir daquele momento. Ao fitar seus olhos escuros, ficara completamente transfixada. Era o homem mais deslumbrante que já vira. Então ele sorriu e todos os nervos do corpo dela formigaram. Incapaz de desviar o olhar ficou vermelha como um pimentão.

Phoebe Brown, talvez em breve Phoebe Sabbides, pensou, perdida em devaneios sobre o futuro. Puxando uma toalha, curvou a cabeça e começou a enxugar os cabelos molhados.

— Aghh! — gritou cega pela toalha, quando uma mão grande segurou seu ombro nu. — O que é isso? — exclamou ao se virar e segurar o comprimento de um braço.

A toalha caiu de suas mãos, o cabelo foi esquecido, enquanto fitava Jed, com o coração aos pulos.

— Jed... é você.

— Acho que sim. — Ele sorriu.

Então as mãos audaciosas deslizaram pelos ombros dela para desenrolar a toalha que a envolvia.

— Há semanas venho sonhando com isto. — Seu olhar se arrastou, apreciando a elevação dos seios fartos e os mamilos rosados que enrijeceram de imediato. — Mas a realidade supera os meus sonhos mais eróticos.

Phoebe inclinou a cabeça para trás. Jed havia retirado o casaco, a gravata e desabotoado os primeiros botões da camisa, revelando a coluna do pescoço bronzeado e os pelos escuros que lhe recobriam o peito.

— Ah, Jed... Senti tanto sua falta! — Exalando um suspiro, deixou-se envolver por aqueles braços fortes. Os lábios sensuais se fecharam sobre os seus. Os dois se abraçaram e se beijaram. Naquele beijo concentraram todo o desejo reprimido, que aumentara durante o tempo em que estiveram separados.

Com movimentos suaves, ele acariciou-lhe as costas e quando tiveram que se afastar para respirar, Jed curvou a cabeça para capturar um mamilo atrevido no calor da sua boca, lambendo-o e sugando-o, enquanto a inclinava sobre o braço e dedicava o mesmo prazer incrível ao outro mamilo.

— Droga Phoebe, não posso esperar.

As mãos dela começaram a se mover devagar, uma afagando os bastos cabelos escuros e a outra deslizando pela abertura da camisa, desesperada para sentir novamente o calor daquela pele morena. Então avançou um pouco mais. Seus dedos traçaram os contornos rígidos dele sob o tecido da calça justa e soube exatamente o que ele queria dizer.

Segurando-lhe a mão, Jed a encostou contra a parede e abriu as calças para libertar sua vigorosa ereção. Em seguida, ergueu seu corpo, segurando-a pelas nádegas. Phoebe entrelaçou as pernas ao redor dos quadris estreitos, enquanto ele penetrava a passagem úmida e macia. O corpo de Phoebe tremia, enquanto ele mergulhava numa dança veloz e furiosa, cada vez mais fundo, até ela se sentir na eminência de um êxtase que seu corpo exigia com urgência. Com uma última investida, Jed os levou ao limite, em direção a um clímax tumultuoso.

Phoebe mergulhou a cabeça na curva do pescoço dele, o corpo esbelto estremecendo como resultado da liberação do prazer. Podia sentir as batidas pesadas do coração de Jed contra o seu e, por um longo momento, não foi capaz de se mexer.

— Perdoe-me, querida. — Ela ouviu o tom áspero da voz dele e, erguendo a cabeça, fitou a escuridão dos seus olhos. — Mas estava louco para tê-la em meus braços.

— Eu também — murmurou ela quando ele roçou os lábios suavemente contra os seus e a colocou no chão.

Jed a segurou pela cintura, quando as pernas dela cambalearam ligeiramente.

— Tem certeza que está bem?

— Melhor agora. Só tenho que olhar para você para desejá-lo — admitiu ela num tom natural.

— Então mantenha esse pensamento enquanto me livro destas roupas — disse, antes de se livrar delas.

Jed era irresistível, um deus grego, pensou ela, a excitação agitando todas as fibras do seu corpo novamente, enquanto seus olhos vagavam livremente sobre a figura máscula.

Com quase 1,90m de pura perfeição, Jed, seu amor, tinha cabelos escuros e ligeiramente ondulados. Os olhos eram de um castanho dourado que escureciam, ficando quase negros, quando invadidos pela paixão. O nariz era uma lâmina reta na estrutura fabulosa do seu rosto bonito. A boca sensual, de lábios perfeitamente esculpidos e a mandíbula quadrada.

— Gosta do que está vendo? — zombou ele, o que a fez erguer o olhar rapidamente para fitá-lo. Até mesmo agora, depois de todo aquele tempo, se ruborizava por ter sido pega admirando-o.

— Sim. — Gostar? Ela o amava e, talvez aquela fosse a hora de lhe contar a novidade. Mas antes que pudesse encontrar as palavras, ele a ergueu e a levou para o quarto.

— Espere, Jed... Não quer uma bebida ou algo para comer após a viagem? E por que chegou uma noite antes?

— Porque não pude esperar outro dia e tudo que quero é você. — Deitando-a na cama, estirou-se ao lado dela.

Excitada pelo desejo dele, Phoebe o puxou para si e o que se seguiu foi uma noite como nenhuma outra. Jed fez amor com ela com uma paixão dolorosamente lenta que a levou à loucura, explorando todas as curvas e fendas do seu corpo, seduzindo todos os seus sentidos em direção a um clímax sem precedentes. Era como se não conseguissem se cansar um do outro. Por fim, horas mais tarde, deitada na curva do braço dele, ainda incapaz de dormir, sua mente girava com pensamentos desencontrados. Fitou o rosto adorável do amado e desejou saber se o filho deles se pareceria com ele. Então imaginou se aquele retorno antecipado era a surpresa especial que ele havia prometido e ficou séria, quase triste. Era estupidez, mas secretamente alimentara a esperança que poderia ser uma aliança. Em sua fantasia imaginara-o fazendo o pedido de casamento, antes de ela lhe contar que estava grávida.

— Posso ouvi-la pensando, Phoebe. Qual é o problema? Erguendo a cabeça, ela acariciou-lhe o tórax e fitou os sonolentos olhos escuros.

— Nada. Estava apenas imaginando se voltar mais cedo foi a surpresa que me prometeu. Devo dizer que nesse caso foi a melhor de todas.

— Fico muito lisonjeado, mas a resposta é não. — Deitando-a de costas, ele pulou para fora da cama e acendeu a luz. — Fique onde está. Estarei de volta em um minuto.

Phoebe o assistiu deixar o quarto nu e voltar depois de um minuto com uma caixa de couro preta nas mãos.

— Sente-se. — Ela obedeceu. — Pela sua formatura. — Jed abriu a caixa, revelando um deslumbrante colar de platina e diamantes. Deslizando-o ao redor do pescoço, fechou-o. — E também pela sua graduação na cama — acrescentou, brincando com os mamilos intumescidos entre os dedos. — Não acreditava que sexo podia ser ainda melhor, mas me surpreendi.

— Obrigada — murmurou Phoebe. — O colar é de tirar o fôlego. — Ela olhou para a deslumbrante cascata de pedras preciosas ao redor do pescoço, não querendo revelar a leve decepção que sentia. Mas ao ver os dedos bronzeados longos atiçando-lhe os seios, não era decepção que experimentava, mas uma nova onda de excitação. Erguendo os braços para envolvê-lo pelo pescoço, roçou os lábios nos dele. — E eu o amo — murmurou num tom suave.

Havia lhe dito aquilo muitas vezes antes, mas de repente lhe ocorreu que Jed nunca dissera aquelas palavras para ela em inglês. Dizia que ela era bonita e que amava seu corpo muitas vezes, o que a fez supor que tivesse dito eu te amo em grego, que era o idioma que usava no auge da paixão. Mas agora não tinha mais tanta certeza...

Procurava não ser tão tola, porque depois do que haviam acabado de fazer, sem dúvida ela não era mais a inocente que se ruborizava por qualquer motivo. Phoebe montou sobre o imenso corpo masculino e assumiu o controle da situação, fazendo amor com ele com uma paixão tão poderosa, que finalmente os exauriu. Despertou mais tarde, sentindo uma mão máscula e grande em um dos seus seios e a pressão inconfundível de um homem excitado de encontro às suas nádegas. Uma voz rouca murmurava em seu ouvido.

— Ah, querida, você é tão maravilhosa.

Espreguiçando-se com movimentos sinuosos, ela gemeu de prazer quando a outra mão de Jed lhe circundou a cintura e desceu sensualmente, até tocar-lhe os tufos de pelos escuros entre as coxas.

Mas seu estômago tinha idéias próprias e não estava sossegado. Em uma agitação de braços e pernas, ela deslizou para fora da cama e correu para o banheiro.

— Que diabos aconteceu, Phoebe? — Ela o ouviu resmungar.

Incapaz de responder entrou no banheiro, fechou a porta e abriu a torneira da pia. Talvez um pouco de água fria aplacasse o enjôo. Mas não adiantou e, dois segundos depois, estava de joelhos vomitando. Ergueu-se lentamente e, após limpar o banheiro, virou-se para espirrar água na face e lavar a boca. Talvez o enjôo matinal não voltasse a incomodá-la. Talvez, se aprendesse a ficar mais tempo deitada ou a se movimentar com mais cuidado, a ânsia de vômito diminuísse, ponderou, observando seu reflexo no espelho. Os lábios cheios se curvaram num sorriso feminino. Ainda não parecia diferente. Apenas parecia uma mulher bem-amada. Suspirou feliz. Jed provara de uma dúzia de modos diferentes o quanto a desejava, incluindo alguns que ela nunca experimentara antes. Agora percebia que até mesmo entre amantes o inimaginável era aceitável e perfeitamente aprazível.

— Phoebe?

Ela o ouviu chamar. Agora era uma boa hora para lhe contar que estava grávida, decidiu, com extrema convicção.

— Estou indo em um minuto — respondeu, pegando uma toalha no armário e enrolando no corpo nu.

— Por que demorou tanto? — perguntou ele, os olhos que encontraram os dela brilhando com humor e um desejo indisfarçável.

O olhar de Phoebe deslizou pelo corpo musculoso e esguio estendido sobre a cama, pela pele macia e dourada com sua tênue trilha de pelos escuros em lugares estratégicos. Então percebeu que ele ainda estava excitado. Erguendo a mão, Jed fez um gesto, convidando-a a se unir a ele. O coração dela se agitou.

— Estou esperando meu sexo matutino — disse ele com um sorriso de antecipação.

Phoebe sentiu um calafrio sensual percorrer-lhe a espinha. Ele a desejava. Jed a amava podia ver isso em seus olhos.

Dando um passo na direção dele, sorriu de volta.

— E eu estou grávida e pensei que fosse vomitar. — Ela viu a antecipação enfraquecer nos olhos dele. — Mas não se preocupe, estou bem agora — acrescentou rapidamente enquanto alcançava a cama.

Certa parte da anatomia de Jed desmoronou com a mesma rapidez, percebeu Phoebe, quando ele virou as pernas para o outro lado da cama e se ergueu.

— Jed? — começou ela e parou chocada pelo flash de raiva que viu nos olhos dele.

Ele a encarou por um longo momento e a transformação de amante ansioso a um estranho frio não podia ter sido mais óbvia. Phoebe tremeu novamente, mas dessa vez com um terrível presságio.

CAPÍTULO DOIS

Grávida. Phoebe estava grávida. Não era possível. Ele havia tomado todas as precauções possíveis. Mas e ela? Jed se perguntou, e uma névoa vermelha de raiva o engolfou, enquanto seu cérebro, totalmente apavorado, lutava por uma resposta aceitável. Por fim confiou em si mesmo para se virar e falar sem gritar.

— Tenho certeza que acha que está bem — disse ele com um cinismo corrosivo, enquanto se esforçava para manter seu legendário autocontrole. — Parada aí, com um elegante colar de diamantes ao redor do pescoço e, de acordo com você, grávida de um filho, que, presumo, irá dizer que é meu.

Jed mal podia acreditar que havia bancado o trouxa, acreditando na inocência de Phoebe. Ela era como todas as outras, se não fosse pior, porque tivera êxito no que as outras falharam.

— Claro que o bebê é seu. Sabe muito bem que é o único homem com quem fiz amor. Eu o amo e pensei que me amasse também.

— Pensou errado. Eu não a amo. E não acredito nesse sentimento.

— Por que está agindo assim? — Ela o fitou atordoada.

— Por quê? Porque ser pai não estava em meus planos. Lembra-se de quando começamos? Sempre usei proteção. Então você sugeriu usar pílula e eu, idiota, fiquei tentado com a idéia de não usar preservativo pela primeira vez na vida. Apresentei-a ao meu médico particular, Dr. Marcus, e ele lhe receitou pílulas anticoncepcionais. Nem precisou se incomodar em ir buscá-las porque ele mandou entregá-las aqui. Logo não houve risco de perder a prescrição. Então me diga, quando esta concepção aconteceu?

Qualquer reação que Phoebe havia esperado aquele estranho com um olhar irônico e frio que se encontrava a sua frente nem de longe lembrava o Jed que ela pensava que conhecia e amava. Suas emoções estavam congeladas e simplesmente declarou a verdade.

— Naquele fim de semana em Paris. Esqueci de levar minhas pílulas.

— Eu devia ter adivinhado. — A mente analítica de Jed, não mais toldada pelo sexo, somou dois mais dois e percebeu o plano de Phoebe.

— Agora me lembro. Foi a única vez que você discutiu comigo em vez de se mostrar a amante ansiosa de sempre, quando voltei, depois de passar a Páscoa na Grécia. Reclamou que eu nunca a havia levado ao estrangeiro, que a única vez que esteve fora do país fora em uma excursão de um dia para a Bélgica e que nunca estivera em Paris. Então eu a levei lá. Agora espera que eu acredite que esqueceu as pílulas e nunca pensou em mencionar o fato nos três dias em que ficamos lá? Muito conveniente. Era fim de abril e agora estamos no começo de julho. Deve estar com dois meses de gravidez.

— Nove semanas — emendou ela suavemente. Talvez fosse apenas choque que o fazia agir daquela maneira, meditou Phoebe.

— Por que demorou tanto para me contar? Não, não responda... Deixe-me adivinhar. Esperou até concluir seus exames finais e se formar, mas na verdade nunca teve intenção de seguir uma carreira e sim de viver em um apartamento de luxo à minha custa. Você é uma mulher muito inteligente, Phoebe. A sua cronometragem foi perfeita. Mas ninguém me faz de bobo. E se a sua espetacular exibição de sexo, ontem à noite, tinha a intenção de me fazer amolecer para que me case com você, não teve sorte. Nenhum homem espera que a amante fique grávida.

Através da névoa de entorpecimento, Phoebe se sentia arrasada pelo fato de ele acreditar que fosse capaz de um plano tão sórdido e por chamá-la de amante. Aquilo fora a gota d'água.

— Nunca fui sua amante. Jamais seria amante de homem nenhum. Pensei que você fosse meu namorado. Pensei que você...

Ele a interrompeu. — Pare com isso, Phoebe. Não finja que é ingênua. Consegui este apartamento para instalá-la.

— Pensei que eu estivesse trabalhando para o seu amigo.

— Estava, mas ele me vendeu o apartamento três meses depois de partir e disse que você podia ficar com o gato. Aparentemente, encontrou outro tipo de felino para se aconchegar, espero que não seja tão desonesta quanto você.

— Desonesta! Como pode falar assim depois de tudo que compartilhamos?

— Muito fácil. Eu lhe dei um carro, jóias, roupas... Podia ter tudo que quisesse. Mas nunca lhe ofereci uma aliança de casamento. Sabia disso desde o início e concordava comigo. Se chegou a pensar, mesmo por um minuto, que podia me prender com um filho, que nunca pensei em ter, enganou-se.

Phoebe afundou na cama, a mente tumultuada. Jed dissera que nunca pensou em ter um filho. Não queria o bebê e aquilo era como enterrar um punhal no coração dela. Não podia suportar olhar para ele. Inspirou algumas vezes, tentando firmar a respiração. Então percebeu que se iludira desde o início daquela relação. Enquanto ela se apaixonara, considerando-o um namorado, ele a considerava apenas uma amante e a tratava como tal.

Agora muitas das pequenas coisas que haviam acontecido durante o último ano faziam sentido. Não era de admirar que nunca a tivesse levado à Grécia para conhecer sua família e seus amigos, ou a qualquer outro lugar para onde viajava. Sempre tinha uma desculpa para não estar por perto quando tia Jemma vinha visitá-la.

Jed a presenteara com um carro uma semana antes do Natal. Ela tentou recusar, alegando ser um presente muito caro, mas ele insistira, dizendo que seria útil para ela viajar para casa no feriado. Da mesma maneira que havia insistido, quando lhe deu uma presilha de ouro seis semanas depois que se conheceram e uma pulseira de diamantes no vigésimo primeiro aniversário dela, em agosto. Também insistia em levá-la a shoppings para comprar roupas caras que não faziam o estilo dela. Phoebe aprendeu que era mais fácil aceitar de bom grado do que contestar. Mas nunca conhecera nenhum dos amigos dele, além do homem que originalmente possuía aquele apartamento e o Dr. Marcus com quem ele estudara. Era simplesmente a amante dele em Londres. O fim de semana em Paris fora a única vez que ele a levara ao estrangeiro. Que clichê!

Então outro pensamento repugnante lhe veio à mente. Se ele a considerava apenas uma amante, talvez não fosse a única.

Os ombros dela caíram. Correu as mãos pelos cabelos, tentando conter as lágrimas que ameaçavam cair. Como podia ter sido tão tola, enganara-se tanto com Jed, seu primeiro e único amor? Liz tinha razão desde o início.

Jed olhou para a cabeça baixa de Phoebe e percebeu a devastação que ela não conseguia esconder. O choque e a raiva que o assolavam diminuíram um pouco. Se estava grávida, é claro que não a deixaria desamparada. Mas primeiro precisaria falar com Dr. Marcus para confirmar a gravidez e, já que costumava ficar fora por semanas, teria que se certificar de que a criança era realmente sua, antes de considerar a possibilidade de se casar com ela. Nenhum filho seu nasceria fora do casamento. Isso significaria o fim dos seus dias de solteiro. Não podia conversar com Phoebe naquele momento. Precisava de tempo para pensar e tinha um encontro para um café da manhã dentro de uma hora.

Caminhando até onde ela estava sentada, pôs a mão no ombro dela. Phoebe se afastou de imediato, o que o deixou irritado novamente.

— Não disponho de tempo para conversar agora. Tenho reuniões agendadas durante o dia todo e não posso faltar. E amanhã terei que ir à Grécia para a festa de aniversário do meu pai.

Mas o mais importante para Jed era o fato de o pai estar se aposentando. Os advogados foram chamados e na noite do dia seguinte, seria empossado oficialmente como presidente da Sabbides Corporation, a empresa que vinha dirigindo extra oficialmente, juntamente com a sua, durante os últimos anos. Phoebe não precisava saber disso. Seus negócios nada tinham a ver com ela.

— Mas não se preocupe. Falarei com Dr. Marcus antes de partir. Ele é um excelente médico e discreto. Vai cuidar da sua gravidez e eu assumirei todas as despesas, posso lhe garantir.

Phoebe ergueu a cabeça lentamente e o encarou por um longo momento. Seus brilhantes olhos azuis estavam opacos.

— Não estou preocupada e tenho certeza que ele é bastante competente — disse ela abaixando o olhar outra vez.

— Ótimo — Jed hesitou. Jamais a vira tão subjugada. Talvez devesse dizer algo. Mas não lidava bem com emoções e ainda estava chocado. — Preciso tomar um banho.

Dez minutos mais tarde, depois de uma ducha fria, teve tempo para pensar. Talvez tivesse sido muito severo com Phoebe. Por acidente ou não, não importava, ela ainda era uma mulher grávida. Vestiu-se rapidamente e foi procurá-la. Encontrou-a na cozinha, acariciando o gato aninhado em seu colo.

Ela amava o maldito gato que apenas o tolerava e por alguma razão isso o aborreceu mais ainda.

— Tenho que partir agora. Eu a verei amanhã à noite e poderemos discutir sobre os arranjos necessários. — Era óbvio que ele lhe fixaria uma mesada imediatamente. Quanto ao resto, uma vez a paternidade comprovada, tudo poderia ser solucionado.

Phoebe o fitou. Ele trajava um elegante terno cinza escuro, camisa branca e gravata de seda. Como podia ter imaginado que ele era seu namorado, pensou intimidada com a própria ingenuidade. Jed completara 30 anos no mês anterior e ela o presenteara com um sólido selo de ouro do século XIX em formato de coração. Conseguira a peça em uma loja de antiguidades e pensou que ele perceberia o simbolismo daquele presente. Estava lhe ofertando o coração dela. Que idiota! Nunca passara de um corpo para Jed. E agora ele ainda desconfiava que ela o havia traído.

Assentiu com a cabeça, incapaz de responder ao porco cruel e arrogante. Seu coração estava dilacerado com aquela reação cínica à sua gravidez. Fora acusada de ser uma caçadora de fortunas e de ter planejado a gravidez para tirar dinheiro dele. O fato de pensar tão mal a seu respeito provava que ele não a conhecia. Enquanto imaginava ter tocado o coração dele, Jed a encarava apenas como amante. Quando ele dissera num tom casual que o amigo médico cuidaria da gravidez dela discretamente, como se a criança não representasse nada, ela percebeu que estava tudo terminado.

Jed não desejava um bebê. Não estava em seus planos. Os negócios eram a sua vida. O resto ficava em segundo plano. Um aborto era o que estava lhe oferecendo, não o amor e o apoio que ela estupidamente esperara. A solução dele era pagar ao amigo médico para ele se livrar da criança. Fora a pessoa mais idiota do mundo em pensar que as coisas poderiam ser diferentes. Phoebe ouviu a porta bater. Erguendo-se, caminhou até o quarto e se deitou na cama. Com a cabeça enterrada no travesseiro deixou as lágrimas fluírem. Chorou de dor e aflição por um amor que nunca existiu e pelo fim das suas ilusões. Por fim, o esgotamento físico e mental a subjugaram, fazendo-a adormecer profundamente.

Phoebe despertou com um sobressalto e, por um momento, ficou completamente desorientada. Olhou para o relógio na cabeceira. Três da tarde? O que estava fazendo na cama? Então tudo lhe veio à mente.

Debilitada, deitou-se novamente, relembrando inúmeras vezes todos os minutos, desde que Jed chegara, na noite do dia anterior. Agora percebia que para um homem sofisticado e experiente como ele, não passava de uma escrava sexual, que lhe fazia todas as vontades. O último ano fluiu em sua mente lentamente, deixando-a assombrada pela própria estupidez. Todos os presentes que ele lhe dera não passavam de pagamentos pelos seus serviços.

Naquela manhã, quando lhe contara que estava grávida, o verdadeiro Jed Sabbides, o magnata dissimulado e cruel, se revelara. A reação brutal de Jed a sua gravidez a intimidou e de repente as palavras dele ao partir, sobre os arranjos necessários, assombraram-na novamente.

Ficou apavorada. Não ousaria permanecer ali. Jed tinha uma personalidade poderosa e no fundo não confiava em si mesma para contestar a óbvia intenção dele de pôr um fim a sua gravidez. Deus sabia que ela não era capaz de deixar de amá-lo assim tão facilmente, mesmo sabendo que ele era um completo cretino. Tinha que deixar Jed e o apartamento. Precisava fazer as malas. Esse era o único pensamento que lhe ocupava a mente quando pulou para fora da cama rumo às gavetas e tropeçou sobre o gato.

Jed Sabbides terminou a teleconferência com o outro lado do Atlântico. Outra grande transação financeira realizada. Eram 7h30 da noite e resolveu encerrar o expediente. Distraído, correu a mão pelos bastos cabelos escuros. Bloqueara com dificuldade todos os pensamentos sobre Phoebe e a notícia surpreendente da gravidez dela, enquanto trabalhava, mas agora não tinha mais desculpas.

Olhou para a porta quando Christina, sua assistente, entrou.

— Ainda precisa de mim para mais alguma coisa?

— Não. Pode ir.

— Parece cansado, Jed. Deixe-me servir-lhe um copo de uísque e fazer uma massagem em seu pescoço, isso o ajudará a relaxar.

— Uísque, sim, mas massagem não. — Olhou para a assistente, surpreso por ela ter sugerido uma massagem. Devia estar parecendo bem mal, porque aquilo não era do feitio dela. Christina era morena, sem atrativos e super eficiente. Tinha sorte de tê-la por perto. Não havia perigo de Christina ficar grávida por engano... Ela nunca cometia erros. Mas e Phoebe cometera? Ponderou. Ela era muito jovem e ele fora o primeiro homem de sua vida. Talvez a gravidez tivesse sido mesmo um acidente.

— Aqui está sua bebida. — Christina colocou o copo sobre a escrivaninha, com a garrafa do lado, e se posicionou atrás dele. — Tem certeza que não quer que eu alivie esses músculos tensos? — perguntou já com as mãos no pescoço dele.

— Não precisa. — Jed encolheu os ombros, afastando-a. — Pode ir, Christina, estou bem.

— Ok. — Ela se endireitou, mas não antes de, para surpresa dele, se curvar e murmurar de encontro ao seu ouvido. — Não se esqueça que temos que voar para a Grécia amanhã. Tente descansar.

Pegando o copo de uísque, sorveu um longo gole. O choque inicial de saber que Phoebe estava grávida e que estava a ponto de se tomar pai desaparecera e agora podia raciocinar com clareza. Nunca pretendera se casar, mas se fosse honesto consigo mesmo, sabia que algum dia, no futuro, gostaria de ter um filho, um herdeiro para sua fortuna. Tivera uma infância feliz, com pais amorosos e uma irmã. A relação tensa com o pai não era por causa dos negócios, mas pelos inúmeros casamentos que se seguiram após a morte da sua mãe americana, quando ele tinha 17 anos.

Jed esvaziou o copo e se serviu de mais. Não confiava nas mulheres, com exceção da mãe e da irmã. E nunca considerara a possibilidade de se casar. Mas sabia que não permitiria que um filho seu nascesse ilegítimo. Phoebe, a bela e sensual Phoebe... Seria um sofrimento tão grande ser casado com ela, perguntou-se, sorvendo outro gole de uísque.

Pessoalmente, não acreditava em amor, mas era grego e acreditava na continuação do nome da família. Se precisasse de uma esposa, Phoebe era uma boa candidata. Não havia como negar que a química entre eles era fantástica e, com certeza não estava disposto a abrir mão dela. Estavam juntos há um ano, o que era um bom prognóstico para o futuro e agora estava grávida de um filho seu.

Jed pegou o telefone e ordenou que a limusine viesse buscá-lo. Não queria dirigir. Ergueu-se e tomou uma decisão. Pediria Phoebe em casamento. Para sua surpresa, não se sentiu tão chocado com a decisão. Conferiu o relógio. Oito da noite. Pegou o celular no bolso para ligar para Marcus e convidá-lo para jantar. O médico era a única pessoa com quem poderia discutir a situação com sinceridade e em quem confiava. O que sabia sobre gravidez podia ser escrito na cabeça de um alfinete e, embora no fundo não acreditasse que Phoebe tivesse sido infiel, fazia sentido perguntar a Marcus quando seria possível investigar a paternidade de um bebê. Não causaria nenhum dano a Phoebe esperar algum tempo pelo casamento.

Deixando a sala, fechou a porta e entrou no elevador. Contaria a Phoebe o que havia decidido, pensou generoso. Já podia até imaginar o olhar de felicidade nos expressivos olhos azuis, quando percebesse que ele estava disposto a tomá-la uma mulher honesta. Sua arrogante autoconfiança durou o tempo de uma vagarosa refeição com Marcus, durante o qual buscou o conselho do amigo sobre a gravidez de Phoebe e lhe contou que tinha intenções de se casar com ela.

Quando deixaram o restaurante, disse ao motorista que primeiro levasse Marcus para casa. Quando, por fim, chegou ao apartamento dela, o encontrou vazio, com exceção do gato e um bilhete na mesa da sala.
Phoebe estava deitada de costas na cama do anônimo hospital, encarando o teto branco com um olhar distante. Chorara por horas até não ter mais lágrimas para derramar. Agora se sentia entorpecida e alheia ao barulho e ao alvoroço típico de uma noite de sexta-feira naquele hospital de Londres, segundo o Dr. Norman, o velho médico que cuidara dela. Em que hospital de Londres, não fazia idéia e também não estava interessada em saber.

Tudo que podia ouvir era a voz do médico, dizendo que havia perdido o bebê, mas que não era para se alarmar. Aparentemente milhares de mulheres falhavam nos três primeiros meses. Mas ela era jovem e poderia ter outros filhos. Sabia que ele estava tentando ser amável, tentando animá-la, mas nada nem ninguém conseguiria tal feito. Pôs a mão no ventre liso. Só ficara sabendo sobre a gravidez há dez dias, mas o amor instantâneo e a necessidade de proteger o precioso bebê foram devastadores.

Bem, o bebê se fora e com ele seu tolo e ingênuo coração. A vida a mudara irrevogavelmente. Enquanto vivesse jamais esqueceria o horror, a dor e o desespero daquele dia. O médico lhe dissera que a deixaria internada durante a noite e marcaria um horário para ela voltar na semana seguinte para fazer uma curetagem e então a aconselhara a descansar.

— Phoebe.

Ao reconhecer a voz de Jed, ela virou a cabeça devagar. Ele estava parado junto à entrada, o terno não mais tão alinhado, o paletó aberto, com uma expressão de choque e asco nos olhos escuros quando a encarou. Não era surpresa. Phoebe desejou saber por que nunca havia reparado até aquele dia o quanto ele podia ser frio e cruel.

— Falei com o médico quando cheguei. Ele me contou o que aconteceu. Sinto muito. Mas confie em mim, você vai ficar bem, eu lhe asseguro — disse, com um relance ao redor do quarto.

Estava outra vez frio e controlado, percebeu Phoebe.

— Não acredito que a ambulância a trouxe para cá e você me deixou um bilhete para alimentar o maldito gato. Deveria ter ligado para mim ou para o Dr. Marcus. Enviei um carro para buscá-lo. Ele deverá chegar a qualquer minuto e vamos sair deste lugar caótico.

Ao ouvir o nome do Dr. Marcus, Phoebe fechou os olhos.

Se não fosse pelo pensamento de Jed contatar o médico, não teria se apavorado e não estaria ali, refletiu, revivendo a punhalada de dor que a fizera apertar o ventre, enquanto desmoronava no chão. Não queria tomar analgésicos por causa do bebê. Mas a dor era tão aguda que a fez prender a respiração. Então sentiu o fluxo de sangue escoando pelas pernas. Pegou o telefone e discou para a emergência, mas temeu que até a ambulância chegar fosse tarde demais.

Estava ali há seis horas e durante aquele tempo a minúscula vida dentro dela fora expelida. Abriu os olhos e fitou Jed. O pai do seu bebê. Percebeu que os sentimentos dele eram inexistentes. E quanto a confiar nele... nunca mais.

Ainda fora arrogante o suficiente para sugerir que ela deveria tê-lo chamado. Que piada! Era quase meia-noite. Obviamente ele não tivera nenhuma pressa em chegar ali. O entorpecimento que sentia foi substituído pela amarga e triste constatação de que nem ela nem o bebê eram tão importantes para Jed quanto a sua mais recente transação empresarial.

— Não — disse ela, e com um humor negro quase sorriu quando a ironia cômica da situação a atingiu.

Dr. Marcus, o exterminador, já não era mais necessário. O pânico, o gato e a quina de uma das gavetas fizeram o trabalho para Jed. A constatação lhe deu forças para responder. — Não é um lugar caótico, mas um hospital estadual bastante movimentado, o tipo que nós mortais frequentamos. Não vou para outro. Já perdi o bebê. Deve estar satisfeito agora que o problema foi resolvido.

Por um longo momento, Jed Sabbides se sentiu atingido pelas palavras dela.

— Meu Deus! — murmurou.

Era por sua causa que Phoebe estava deitada feito uma boneca de cera em uma cama de hospital. E a culpa que lhe consumia as entranhas no momento em que o médico lhe contara mais do que ele queria ouvir, agora era maior dez vezes.

Ele caminhou até a cama.

— Eu jamais consideraria qualquer criança um problema e sinto muito por você ter perdido o bebê. Tem que acreditar em mim.

A face bonita de Phoebe estava tão branca quanto o lençol que a cobria até os ombros, a única cor eram as sombras roxas sob os olhos.

Jed ficou atordoado pela tristeza e o pesar que sentiu ao fitar os grandes olhos azuis, agora não mais brilhantes, mas entorpecidos com a aceitação do que lhe havia acontecido. Não era um homem sentimental, mas ao se sentar na extremidade da cama, curvou-se e roçou os lábios suavemente contra a sobrancelha dela. Ficou assustado com a frieza daquela pele macia. Então segurou-lhe a mão e ela permitiu.

— Phoebe, tem que acreditar em mim — repetiu. A mão delicada estava fria, como o olhar que ela lhe lançou. — Nunca me passou pela cabeça que você pudesse perder o bebê. Fiquei bravo esta manhã, mas no início da tarde, quando o choque passou, quase decidi que gostava da idéia de nos tomarmos uma família. Ia lhe falar hoje à noite.

Era muito fácil para ele dizer aquilo agora, pensou ela, sentindo a pressão da mão dele apertando a sua. Olhou para o rosto bonito de Jed e, por um momento, imaginou ter visto dor e angústia na profundidade daqueles olhos escuros.

Inacreditavelmente, sentiu uma pontada de compaixão em seu coração. Não, não era possível. Jed nunca mais ia fazê-la de boba. A decisão dele de que quase gostava da idéia de formar uma família era fraca e conveniente. Ele não estava com a mínima pressa de aprofundar o assunto, pensou ela, com um cinismo que não sabia que possuía.

— Um pensamento agradável, mas não necessário. Meu bebê se foi. Mas pense pelo lado positivo, Jed. Eu o poupei de gastar uma boa soma de dinheiro.

— O que está querendo dizer? — exigiu ele, esforçando-se para conter a raiva repentina que sentia. — Pode me acusar de muitas coisas, mas mesquinharia não é uma delas. Tudo que você quiser, pode ter, eu juro.

A única coisa que Phoebe queria era o seu bebê de volta e aquilo não era possível. Quanto a ser mesquinho, Jed era inacreditavelmente generoso com coisas materiais, reconheceu triste. Mas quanto aos sentimentos e às emoções, era o pior homem que já conhecera. Isso se ele possuísse alguma emoção, o que duvidava. Seu autocontrole e arrogância eram incríveis e ele jamais mudaria. Jed Sabbides sempre tinha razão...

— Sim, tem razão — concordou ela. — Para você, despesas com um médico particular não significam nada.

Jed teve a impressão de ter perdido algo, mas nesse momento Marcus entrou no quarto acompanhado do Dr. Norman e uma enfermeira.

— Quero Phoebe fora daqui agora mesmo e sob os seus cuidados, Marcus — disse ele ao amigo.

— Já passa da meia-noite, Jed. Phoebe está exausta. É melhor esperar até amanhã, respondeu o médico e o Dr. Norman concordou com ele.

Jed não ficou satisfeito.

— Marcus, quero o melhor para Phoebe e isto não é.

— Não vou a lugar algum — murmurou ela e os três se viraram para fitá-la. — Quero dormir.

— Ela tem razão, cavalheiros — disse o Dr. Norman. — Vamos deixar a enfermeira lhe dar um sedativo e podemos discutir isso lá fora.
Phoebe estava na cozinha, conversando com o gato.

— Você estava certo sobre o homem, Marty. Eu devia ter confiado em seus instintos e não nos meus. Jed Sabbides, a despeito de sua riqueza, é emocional e moralmente falido, cruel e desprezível e eu o odeio. — O gato ronronou como que concordando. — Mas agora você me pertence e nós dois vamos partir.

Phoebe colocou o animal no transportador, pegou a valise com a caixa de jóias dentro e sem olhar para trás, deixou o apartamento. Suas malas já estavam no saguão do edifício e o carro estacionado do lado de fora. Agradeceu ao porteiro por tê-la ajudado e, após ter acomodado o transportador do gato no assento traseiro do carro, sentou-se atrás do volante e partiu. Na manhã seguinte ao aborto, quando acordara, Jed estava a seu lado e o Dr. Norman lhe dera alta. Ainda arrasada pela perda, não se importou com o que lhe aconteceria e quando Jed insistira em tomar conta dela, aceitou. Estava fraca demais para resistir. Então permitiu que ele a trouxesse de volta ao apartamento.

O Dr. Marcus providenciara uma enfermeira para ficar com ela no final de semana, embora Jed insistisse que podia fazer isso. Fora marcada uma consulta na clínica do Dr. Marcus na semana seguinte e após muita persuasão por parte da enfermeira e Phoebe, Jed partira naquela tarde para a Grécia a fim de assistir à festa de aniversário do pai. Dissera-lhe para ligar se precisasse e que estaria de volta no domingo à noite. Depois prometeu levá-la à clínica na semana seguinte, deu-lhe um beijo de adeus e partiu.

Agora era segunda-feira e a enfermeira se fora, mas Jed não retomara. Ao tentar contatá-lo na noite anterior, uma mulher atendera o celular dele, Christina, sua assistente, e após uma conversa esclarecedora com a mulher, Phoebe decidiu que voltaria para sua terra natal.

Não podia acreditar que fora tão fraca, tão covarde e que permitira que Jed a enganasse pela segunda vez. Bem, isso jamais voltaria a acontecer, jurou. O calor e o amor que pensava sentir por ele se transformaram em um desprezo frio e amargo. Então, fez aquilo que era esperado de uma amante. Levou tudo que ele lhe dera, inclusive o carro.

Era pouco comparado ao valor de um filho.

CAPÍTULO TRÊS

— Preferia que tivesse dito que era a embaixada grega, ao invés de simplesmente uma embaixada estrangeira — disse Phoebe, mordendo o lábio inferior apreensiva. Não se esquivara tanto nos últimos cinco anos para agora topar com qualquer outro grego em seu caminho.

— Que diferença faz? Estrangeira, grega, francesa... Pare de se preocupar, Phoebe. Está estonteante com esse vestido prateado e perfeitamente condizente com a elite internacional da nossa capital.

— Julian, o adulador! E o meu vestido não é prateado, é cinza claro — informou ao seu acompanhante com um sorriso, enquanto se moviam lentamente na fila para serem apresentados ao embaixador grego em Londres. — E este é um grande passo para uma professora de história de Dorset, o baile de um embaixador.

— Tolice! Você estudou Política e História e é mais inteligente que a maioria das mulheres por aqui. Tem certeza de que não gostaria de trocar de carreira e se unir a mim no Ministério de Relações Exteriores em Londres?

— Tenho. E de qualquer maneira, você quase nunca está em Londres. Viaja a maior parte do tempo.

Julian meneou a cabeça.

— Você me conhece muito bem, esse é o problema — disse ele com um suspiro.

Phoebe riu, mas era verdade. Julian era mais velho que ela três anos, mas ela o conhecia há muito tempo. Tia Jemma fora secretária do pai dele durante anos e depois da morte do homem, o filho herdara tudo. Mas em vez de assumir a vasta propriedade rural de Gladstone em tempo integral, como o pai, contratou um administrador e continuou com sua carreira no governo.

Tia Jemma morava em uma cabana nas cercanias de um vilarejo e Phoebe passava boa parte das férias de verão na casa dela. Depois que os pais morreram se tomara sua residência permanente. Ainda era, pensou com um sorriso torto.

— Pare de sonhar, moça — zombou Julian, chegou nossa vez. — Phoebe, este é Alessandro, nosso embaixador grego e um grande amigo meu. É viúvo e as senhoras em Londres sentirão imensamente a sua falta quando voltar ao seu país no próximo mês.

Phoebe sorriu ante a apresentação informal de Julian e estendeu a mão ao homem a sua frente.

— Prazer. Sou Phoebe Brown.

O embaixador era um homem muito atraente, de cabelos grisalhos e um sorriso caloroso. E aquele baile era aparentemente o modo de ele dizer adeus aos outros embaixadores da comunidade internacional em Londres.

— O prazer é meu, Phoebe. Agora entendo por que Julian vem passando tanto tempo em Dorset ultimamente.

Começando a relaxar, ela segurou o braço de Julian, enquanto ele a conduzia pela escadaria do elegante salão de baile.

— Não foi tão difícil quanto estava temendo. — Ele bateu com o copo no dela. — A uma noite interessante.

Phoebe sorriu e tomou um gole do maravilhoso champanhe.

— Sabe, Julian, pelo menos uma vez na vida você pode estar certo.

A orquestra começou a tocar uma valsa e Julian a conduziu para a pista de dança. Surpreendentemente, era um dançarino excelente. Julian, 1,89m e 29 anos, solteiro e inegavelmente bonito, com cabelos loiros, olhos cinzentos e um sorriso pecaminoso, gostava de bancar o típico homem da cidade. Depois de um longo tempo como amigo da família, nos últimos meses transformara sua relação com Phoebe em algo mais. No início, ela imaginara que era porque ele a considerava a melhor opção na área rural de Dorset. Mas seus beijos eram persuasivos e quase a convenceram do contrário. Depois do baile, passariam aquela noite no apartamento dele em Londres e embora ele nunca tivesse dito, tinha a impressão que ele estava esperando mais do que simples beijos. No entanto, tendo sido ferida antes, ainda era um pouco cautelosa em relação aos homens.

— Um centavo pelos seus pensamentos? Phoebe sorriu.

— Oh, eles valem muito mais que isso. Se for bonzinho, eu lhe contarei depois — provocou ela e Julian parou durante um segundo e a abraçou mais íntimo.

Acredite-me, posso ser muito bonzinho quando a ocasião surgir.

— Comporte-se e dance — ralhou ela, contente pelo leve e súbito formigamento que sentiu. Talvez aquela noite fosse a hora certa para mudar. Seu celibato já fora longe demais...

Naquele momento, seus cabelos da nuca arrepiaram e teve um estranho pressentimento que aquilo nada tinha a ver com Julian. Alguém a estava observando.

Dez minutos depois, no bar em uma sala adjacente, Julian pediu um uísque com soda e um suco de frutas para ela. O barman os serviu e Phoebe tomou um longo gole da bebida refrescante antes de pousar o copo no balcão.

Naquele instante o embaixador surgiu ao lado deles. — Permitam-me apresentar-lhes minha filha, Sophia. Phoebe se virou ligeiramente e estendeu a mão à morena atraente.

— E este é o namorado dela, Jed Sabbides, o presidente da Sabbides Corporation.

À menção do nome que nunca mais esperava ouvir, Phoebe gelou. No momento seguinte, Jed estava na sua frente e ela soube exatamente quem a estava observando.

Estupefata e rígida com o choque, Phoebe o encarou. Por um momento, tudo que conseguiu ver foram as feições marcantes do rosto de Jed Sabbides, o primeiro homem de sua vida.

Jed usava um elegante temo preto, camisa branca e gravata borboleta preta, que combinava com os olhos escuros que agora fitavam os seus. Parecia mais velho, com linhas ao redor dos olhos e fios grisalhos nos cabelos ondulados. Devia estar com uns 35 anos agora e os anos extras só serviram para tomá-lo ainda mais autoconfiante.

Com um esforço estupendo conseguiu sorrir enquanto as apresentações eram feitas. Jed admitiria que a conhecia? Essa era a pergunta que gritava em sua mente. Não, claro que não. Estava com a namorada.

— Phoebe. — Uma mão forte foi estendida em sua direção.

— Prazer em vê-lo, Jed — disse ela ainda sem saber se ele admitiria que os dois já se conheciam.

— O prazer é todo meu. — Nos olhos escuros havia cinismo e escárnio. O sorriso charmoso e brilhante que a cativara no passado desaparecera nas linhas rígidas daquela boca.

Phoebe afastou a mão, mas mesmo assim ficou horrorizada ao sentir uma faísca elétrica familiar provocada pelo breve toque de Jed. Então se aproximou instintivamente de Julian, buscando proteção.

Não que fosse necessário. Era obvio que Jed não pretendia revelar que já se conheciam, o que era um alívio. Além de tia Jemma, ninguém mais sabia, nem mesmo Julian, de sua ligação no passado com aquele homem. E era assim que devia continuar.

A conversa versou sobre assuntos triviais e Phoebe evitava encarar Jed Sabbides. Em vez disso, seu olhar recaía sobre Sophia, a namorada dele. A moça era delicada e bonita e o vestido que usava, um tomara-que-caia vermelho, fora desenhado para acentuar todas as suas curvas. Sophia era o tipo que faria um magnata grego como Jed finalmente criar raízes e provavelmente se casar. Rica, bem relacionada e, é claro, grega.

— Eu já não a vi antes, Phoebe? — A voz profunda fez a pergunta num tom casual e ela não teve escolha, senão olhar para ele.

Dessa vez Phoebe não se preocupou. Jed nunca a considerara boa o bastante para ele. Ao contrário de Sophia que aparentemente conhecia toda a sua família e amigos. Ela, por sua vez, não passara de uma amante. Agora percebia que tivera sorte em fugir, porque aquele homem certamente não era bom para ela.

E se estava pensando que podia atormentá-la com suas perguntas astutas, estava muito enganado.

— Não, deve estar me confundindo com outra pessoa. Isto é o mais próximo da Grécia que já cheguei.

Phoebe viu uma luz bruxuleante de diversão nos olhos escuros. O porco desprezível estava gostando daquela situação.

— Então talvez você seja uma modelo e vi sua foto em alguma revista? — sugeriu, e Phoebe percebeu que ele estava escarnecendo.

— Receio que não. — Por sorte, a namorada dele o segurou pelo braço e a impediu de dizer brusca e sarcasticamente que ele devia conhecer tantas mulheres que as faces tendiam a se confundir depois de algum tempo.

— Vocês homens não sabem nada sobre modelos, Jed — provocou Sophia, agarrando-se ao braço do namorado. — Phoebe é muito cheinha para ser uma modelo. Elas são todas magérrimas.

Phoebe deixou de sentir pena de Sophia, por ter um diabo cruel e arrogante como Jed como namorado. Decidiu que os dois faziam uma bela dupla. Por trás do sorriso falso e dos grandes olhos castanhos, a mulher não passava de uma boa bisca. Havia engordado uns dois quilos nos últimos cinco anos, mas ninguém poderia chamá-la de gorda. Ensinava História e Educação Física, e seus músculos eram bem delineados. Apenas seu ventre se encontrava um pouco mais proeminente. Havia uma boa razão para isso. Porém, não era da conta daqueles dois.

— Sua namorada tem razão. Na verdade, sou professora de história em uma escola para meninas perto da minha casa — disse ela, então pegou o copo no balcão, tomou outro gole do suco e desejou nunca ter permitido que Julian a persuadisse a vir ao baile.

— História? Uma matéria interessante. O que prefere ensinar? Antiga ou moderna? — perguntou Jed, arque-ando uma sobrancelha, sardônico.

Phoebe o fitou com um olhar fulminante.

— Ambas.


— Muito sábio da sua parte. A história antiga pode nos ensinar muito sobre as pessoas.

Será que era a única a ouvir o cinismo no tom dele?

— Tenho certeza que não há ninguém que possa ensinar mais do que você — disparou ela e parou. Oh, inferno! Por que não podia manter a boca fechada? Todos a estavam olhando como se ela tivesse perdido o juízo. Talvez tivesse. Jed Sabbides sempre provocara aquele efeito nela.

O riso amável de Julian quebrou a tensão do momento.

— Ah, Phoebe, retiro o que disse sobre você se unir a mim no Ministério das Relações Exteriores — comentou ele passando o braço ao redor dos ombros dela. — Nunca daria uma boa diplomata. — Os três gregos sorriram. — Você diz o que pensa, uma falha fatal para um membro do corpo diplomático. — Julian curvou a cabeça e roçou os lábios ligeiramente contra os dela. — Mas em outros aspectos não tem defeitos — acrescentou.

Por um breve momento, Jed Sabbides ficou atordoado pela onda súbita de raiva que sentiu quando Julian Gladstone beijou Phoebe. Cinco anos haviam se passado desde que a vira pela última vez, desde que voltara para constatar que ela o abandonara, levando tudo que ele lhe dera, inclusive o gato.

Não ficou satisfeito na ocasião, mas depois de tudo que acontecera entre eles, não era surpresa. Então, seguiu sua vida em frente, supondo que ela havia feito o mesmo. Phoebe não significava mais nada para ele, disse a si mesmo. Mas não conseguia resistir à tentação de provocá-la, desejando saber por quanto tempo ela seria capaz de sustentar a mentira de que não o conhecia. Porém ver outro homem beijando-a despertara-lhe o instinto de posse primitivo que sentia anos atrás. E ela estava usando os diamantes. Um presente dele. O que de alguma maneira o ofendeu ainda mais. Nunca tivera uma amante mais sexualmente compatível do que Phoebe e aquela constatação abalou seu firme autocontrole.

— Lembrei-me de onde a conheço. — Jed não estava mais divertido, mas irritado pela rejeição dela. — Você trabalhava como recepcionista em um hotel onde me hospedei uma vez. Era uma estudante na ocasião, creio eu.

— É possível. Trabalhei meio período em um hotel, mas muitas pessoas atravessam a recepção e é impossível lembrar-se de todos.

A mulher elegante que se encontrava à sua frente agora era o oposto da jovem inocente de que ele se lembrava. O vestido de seda cinza aderia-se às suas curvas e os saltos dos sapatos deixavam-na ainda mais alta. Ela o fitou com um olhar frio. Jed não se lembrava de vê-la tão irritada no passado.

— Venha Jed. — Sophia agarrou-o pelo braço. A orquestra está tocando a nossa música. Vamos dançar.

— Sim, claro. — Jed olhou para a namorada, a raiva que sentia enfraqueceu e seu controle se restabeleceu. Então, percebeu ironicamente que Phoebe o enfurecia, mas a mulher que ele pretendia pedir em casamento, era o oposto, deixava-o frio.

A música soava lenta e Sophia descansou a cabeça no tórax dele. Estava satisfeito em deixá-la daquele modo. Isso evitava ter que conversar, o que lhe dava tempo para pensar.

Normalmente, não costumava frequentar aquele tipo de reunião, mas como Sophia pedira, e era filha do embaixador, concordara. Ficariam na embaixada naquela noite e decidira que seria uma boa oportunidade para fazer a coisa convencional e pedir a mão dela ao pai.

Sophia era uma mulher atraente, bastante conhecida por seus trabalhos voluntários, angariando fundos para numerosas entidades de caridade em Atenas. Era oriunda de uma família amiga e grega, logo sabia o que era esperado de uma esposa grega. Ela possuía quadris adequados para a gravidez ou assim ele pensava até meia hora atrás, quando Sophia e o pai haviam iniciado a primeira dança. Ele ficara aguardando no topo da escadaria com um copo de champanhe nas mãos. Depois de tomar um gole, olhara distraído ao redor, quando de repente seu olhar se estreitou transfixado pelo casal parado no meio do salão.



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