J. R. Ward Amante Liberado



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—Muita exposição, certo? Além disso, não se incomodaria muito em vigiar outra raça.

Homem, não tinha a energia para abordar a discussão de espécies com ela. Além disso, havia uma parte dele que não queria que pensasse nele como diferente.

—Comida —disse, olhando para a bandeja que estava disposta na cômoda—Posso comer algo?

Ela ficou de pé e plantou as mãos sobre os quadris. Teve a impressão de que ia dizer algo na linha de Faze-o você mesmo, bastardo miserável.

Em vez disso cruzou o quarto.

—Se tiver fome, pode comer. Não provei o que me trouxe o Rede Sox e não tem sentido jogar fora.

Franziu o cenho.

—Não pegarei a comida que se supõe é para você.

—Não vou comer isso. Ser seqüestrada matou meu apetite.

V amaldiçoou baixo, odiando a situação em que a tinha colocado.

—Sinto muito.

—Em vez de ir ao assunto da “desculpa”, o que parece se simplesmente me permite ir ?

—Ainda não.

Nem nunca, murmurou uma louca voz.

OH Cristo, não, outra vez com o...

Minha.

O artigo seguido da palavra, uma grande necessidade de marcá-la o acendeu. Queria tê-la nua e debaixo dele e cobri-la com sua essência enquanto bombeava em seu corpo. Viu-o ocorrer, viu-os pele com pele na cama, ele sobre ela com as pernas muito abertas para acomodar seus quadris e seu pênis.



Enquanto ela ia procurar a bandeja de comida sua temperatura disparou, e o que tinha entre as pernas palpitou como um filho da puta. Rapidamente amontoou as mantas em cima dele para que não se notasse nada.

Ela colocou a bandeja e levantou a chapeada tampa do prato.

—Quanto melhor tem que estar para que eu vá?

Enfocou os olhos em seu peito, uma absoluta análise médica, como se estivesse avaliando o que havia sob as ataduras.

Ah, infernos. Desejava que o olhasse como a um macho. Desejava aqueles olhos dirigindo-se a sua pele não para comprovar uma ferida cirúrgica, se não devido a que estava pensando em lhe pôr as mãos em cima e se perguntava por onde começar.

V fechou os olhos e se afastou rodando, grunhindo pela dor no peito. Disse a si mesmo que a dor era pela cirurgia. Suspeitava que era mais pela cirurgiã.

—Passarei a comida. Da próxima vez que venham pedirei algo.

—Precisa disto mais que eu. Estou preocupada com seu consumo de líquidos.

Efetivamente estava bem porque se alimentou. Com suficiente sangue os vampiros podiam sobreviver certa quantidade de dias sem alimento.

O que era estupendo. Reduzia as viagens ao banheiro.

—Quero que coma isto —disse, o olhando fixamente—Como sua médica...

—Não comerei de seu prato.

Por Deus, nenhum macho de valor roubaria a comida de sua fêmea, nem sequer se estivesse passando fome até o ponto de enjoar. As necessidades dela sempre tinham prioridade...

V se sentiu como se tivesse posto a cabeça na porta de um carro e tivesse estado dando-se portadas com ela uma dúzias de vezes. De onde demônios lhe vinha este manual de comportamento de emparelhado? Era como se alguém o tivesse carregado um novo software no cérebro.

—Certo —disse, afastando-se—Bem.

A seguinte coisa que escutou um bater. Estava esmurrando a porta.

V se incorporou.

—Que demonios está fazendo?

Butch entrou voando no quarto, quase derrubando à cirurgiã de V.

—O que está errado?

V interrompeu o drama com um:

—Nada...


A cirurgiã falou por cima de ambos, toda ela tranqüila e autoridade.

—Precisa se alimentar, e não quer comer o que há na bandeja. Lhe traga algo simples e fácil de digerir. Arroz. Frango. Água. Bolachas salgadas.

—De acordo.

Butch se inclinou de um lado e olhou para V. Houve uma longa pausa.

—Como esta?

Fodidamente mal da cabeça, obrigado.

—Bem.

Mas no fim uma coisa estava indo bem. O poli voltava para a normalidade, tinha os olhos limpos, a postura firme, seu aroma era uma combinação do aroma de oceano de Marissa e sua marca de vinculação. Obviamente tinha estado mantendo-se ocupado.



Interessante .Geralmente quando V pensava naqueles dois juntos, sentia o peito como se estivesse envolto em arame de espinheiro. Agora? Somente se alegrava de que seu amigo estivesse são.

—Parece ótimo, poli.

Butch alisou a camisa de seda de forma diplomática.

—Gucci pode transformar qualquer um em uma estrela do rock.

—Sabe ao que me refiro.

Aqueles familiares olhos de cor avelã ficaram sérios.

—Sim. Obrigado... como sempre —no incômodo momento, as palavras flutuaram no ar entre eles, havia coisas que não podiam ser ditas ante nenhuma classe de audiência—. Então... retornarei com um pouco de comida.

Quando a porta se fechou Jane olhou sobre o ombro.

—Quanto tempo faz que são amantes?

Os olhos se encontraram, e não houve escapatória à pergunta.

—Não somos.

—Está certo disso?

—Confie em mim. —Por nenhuma razão em particular olhou seu jaleco branco— Doutora Jane Whitcomb —leu— Emergência. —Teria sentido. Tinha aquela aura de confiança.

—Assim estava ruim quando cheguei?

—Sim, mas salvei seu traseiro, de verdade.

Uma quebra de onda de assombro o invadiu. Era sua rhalman, sua salvadora. Estavam vinculados...

Sim, certo. Justo nesse momento sua salvadora estava se afastando pouco a pouco dele, retrocedendo até que se chocou com a parede mais longínqua. Fechou as pálpebras, sabendo que seus olhos resplandeciam. O retraimento e o horror no rosto dela, atormentaram-no como o inferno.

—Seus olhos —disse com voz aguda.

—Não se preocupe por isso.

—Que demônios é você? —seu tom insinuava que facilmente poderia ser descrito como monstro, e Deus, acaso não tinha razão a respeito disso?

—O que é você? —repetiu.

Era tentador enfrentá-la, mas não havia forma de que o tragasse. Além disso, mentir-lhe o fazia sentir-se sujo.

Fixando o olhar nela, disse em voz baixa:

—Sabe o que sou, é bastante inteligente para adivinhar.

Houve um longo silencio. Logo:

—Não posso acreditar.

—É muito inteligente para não fazê-lo. Infernos, já mencionou a isso.

—Os vampiros não existem.

Seu gênio estalou embora ela não merecesse.

—Não? Então me explique por que esta na porra de meu maravilhoso país.

Sem respirar lhe devolveu o golpe.

—Me diga algo... Os direitos civis significam algo para os de sua raça?

—A sobrevivência significa mais —espetou— Por outro lado, fomos caçados durante gerações.

—E o fim justifica qualquer meio para vocês. Que nobre —sua voz era tão afiada como a dele — Sempre usa essa razão para seqüestrar humanos?

—Não, eu não gosto.

—OH, salvo que precisa de mim, assim me utilizará. Olhe se não sou a afortunada exceção.

Bom, merda. Esta era uma boa. Quanto mais se mostraba em seu rosto a sua agressividade, mais duro ficava seu corpo. Até em seu debilitado estado, a excitação era um exigente batimento do coração entre as coxas, e em sua mente a estava imaginando inclinada sobre a cama sem nada exceto aquele jaleco branco... e ele cravando-se nela por trás.

Talvez deveria sentir-se agradecido de que o rechaçasse. Como se precisasse enredar-se com uma fêmea...

De repente a noite do tiroteio lhe perfurou o cérebro com total nitidez. Lembrou a curta e feliz visita de sua mãe e o fabuloso presente de aniversário. O Primale. Tinha sido selecionado para ser o Primale.

V fez uma careta e se cobriu o rosto com as mãos.

—OH... merda.

Com tom reticente, perguntou:

—O que aconteceu?

—Meu fodido destino.

—OH a sério? Eu estou encerrada neste quarto. Ao menos você é livre para ir onde queira.

—E uma merda o sou.

Fez um ruído desdenhoso, e depois nenhum deles disse outra palavra até que aproximadamente meia hora depois, Butch trouxe outra bandeja. O poli teve a presença de ânimo para não dizer muito e mover-se rapidamente... e também a precaução de conservar a porta fechada todo o tempo enquanto fazia a entrega. O que era inteligente.

A cirurgiã de V estava planejando à fuga. Vigiou ao poli como se medisse um alvo e manteve a mão direita no bolso do jaleco.

Tinha algum tipo de arma ali. Maldição.

Enquanto Butch deixava a bandeja na mesinha de noite, V observou Jane atentamente, rogando como um demônio para que não fizesse nada estúpido. Quando viu que esticava o corpo e que deslocava o peso para frente, incorporou-se, preparado para arremeter porque não queria que ninguém exceto ele mesmo a tocasse. Nunca.

Entretanto, nada ocorreu. Ela captou a mudança de posição pela extremidade do olho, e a distração foi suficiente para que Butch saísse da quarto e voltasse a trancar a porta.

V se acomodou para trás contra os travesseiros e percorreu a dura linha de seu queixo.

— Tire o jaleco.

—Perdão?


—Tire isso

—Não.


—Quero-o fora.

—Então sugiro que contenha a respiração. Não me afetará em nada, mas ao menos a asfixia te ajudará a passar o tempo.

Sua excitação palpitava. OH, merda precisava lhe ensinar que a desobediência tinha um preço, e que sessão poderia ser essa. Brigaria com dentes e unhas antes de render-se. Se é que se submetia alguma vez.

A coluna do Vishous se arqueou sozinha, girando os quadris enquanto sua ereção golpeava sob as cobertas. Jesus... Estava tão total e completamente excitado que estava a ponto de gozar.

Mas antes tinha que desarmá-la.

—Quero que me alimente.

Lhe saíram os olhos das órbitas.

—É perfeitamente capaz de...

—Me alimente. Por favor.

Enquanto se aproximava da cama era toda responsabilidade e maus modos. Desenrolou o guardanapo e...

V entrou em ação. Pegou-a pelos braços e a arrastou sobre seu corpo, o elemento surpresa a sobressaltou provocando uma rendição que estava malditamente seguro que era temporário... assim trabalhou rápido. Arrancou-lhe o jaleco, tocando-a com tanto cuidado como podia enquanto seu corpo se retorcia para liberar-se.

Merda, não podia evitá-lo, e o impulso de submetê-la-o dominou. De repente estava tocando-a não para lhe afastar as mãos do que fosse que houvesse naquele bolso, mas sim porque desejava sujeitá-la na cama e lhe fazer sentir seu poder e força. Pegou-lhe os pulsos com uma mão lhe estirando os braços sobre a cabeça, e lhe apanhou as coxas com seus quadris.

—Deixe-me ir! —mostrou os dentes e havia uma fúria iridescente nos olhos verde escuro.

Completamente excitado, arqueou-se contra ela e aspirou... somente para ficar gelado. O aroma não desprendia a sensual fragrância de uma fêmea que queria sexo. Não se sentia atraída por ele no absoluto. Estava irritada.

V a deixou ir imediatamente, rodando para afastar-se, embora se assegurou de ficar com o jaleco. No instante em que se liberou saiu disparada da cama como se o colchão se estivesse incendiando e o enfrentou. Tinha as curtas pontas do cabelo emaranhadas, a camisa torcida e uma perna da calça levantada sobre o joelho. Estava resfolegando pelo esforço e olhando fixamente o jaleco.

Quando a revistou, encontrou uma de suas afiadas navalhas.

— Não posso permitir que vá armada.

Dobrou o jaleco com cuidado e a pôs aos pés da cama, sabendo que não se aproximaria nem que lhe pagassem por isso.

—Se atacar a mim ou a algum de meus irmãos com algo como isto, poderia sair ferida.

Soltou uma maldição com um forte bufo. Então o surpreendeu.

—O que o fez suspeitar?

—Sua mão indo pegá-la enquanto Butch trazia a bandeja.

Abraçou a si mesma.

—Merda. Acreditei que tinha sido mais discreta.

—Tenho alguma experiência com armas ocultas.

Estirou-se e abriu a gaveta da mesinha de cabeceira. A navalha fez um ruído surdo quando a deixou cair em seu interior. Depois de fechá-lo, correu o ferrolho com sua mente.

Quando voltou a elevar a vista estava limpando rapidamente seus olhos. Como se estivesse chorando. Com um rápido giro, deu-lhe as costas e ficou de rosto para a parede, encolhendo os ombros. Não emitiu nem um som. Seu corpo não se moveu. Sua dignidade permanecia intacta.

Ele deslocou as pernas e pôs os pés no chão.

—Se se aproximar de mim —disse com voz rouca— encontrarei alguma forma de ferir você. Provavelmente não seja muito, mas arrancarei um pedaço seu de uma forma ou outra. Está claro? Me deixe malditamente em paz.

Ele apoiou os braços na cama e afundou a cabeça entre eles. Parecia pó enquanto escutava o inexistente som de suas lágrimas. Preferiria que o tivessem golpeado com um martelo.

Ele tinha ocasionado isto.

De repente virou sobre seus pés para ele e fez uma profunda inspiração. Exceto pelos olhos avermelhados, nunca teria adivinhado que se alterou.

—Certo. Comerá sozinho ou realmente precisa de ajuda com esse garfo e essa faca?

V piscou.

Estou apaixonado pensou enquanto a olhava. Estou tão, mas tão apaixonado.

Enquanto a aula progredia, John se sentia como o sagrado inferno que foi espancado por uma pá. Dolorido. Nauseabundo. Exausto e agitado. E lhe doía tanto a cabeça que teria jurado que o cabelo estava ardendo.

Entortando os olhos como se dentro deles houvesse milhares de pedrinhas, engoliu saliva através da garganta seca. Fazia um tempo que não anotava nada na caderneta e não estava seguro a respeito do que estava dando aula Phury. Ainda se tratava de armas de fogo?

—Ouça John? —sussurrou Blay— Esta tudo bem, cara?

John assentiu, porque isso era o que fazia quando alguém lhe fazia uma pergunta.

—Quer ir deitar?

John negou com a cabeça, calculando que era outra resposta apropriada, e queria diversificar um pouco as coisas. Não havia razão para limitar-se à rotina de somente assentir.

Deus, que demônios lhe acontecia. Seu cérebro era como algodão de açúcar, um matagal que ocupava espaço, mas que principalmente não era nada.

Na frente da sala, Phury fechou o livro de texto com o qual estava dando aula.

—E agora vão provar algumas arma de verdade. Esta noite Zsadist estará no campo de tiro para lhes dar uma mão e eu os verei amanhã.

Conforme a conversação se passava como um impetuoso vento, John arrastou a mochila até a mesa. Ao menos não iriam fazer nenhum treinamento físico. Como estavam as coisas, tirar seu lamentável traseiro da cadeira e baixar ao campo já ia ser bastante trabalhoso.

O campo de tiro estava situado atrás do ginásio, e no caminho ali foi impossível não notar como Qhuinn e Blay o flanqueavam como se fossem guarda-costas. O ego de John odiava isso, mas seu lado prático se sentia agradecido. A cada passo do caminho pôde sentir o olhar fixo de Lash, e era como ter um cartucho de dinamite aceso no bolso traseiro.

Zsadist estava esperando junto à porta de aço do campo, e enquanto a abria lhes disse:

— Ponham-se contra a parede, senhoritas.

John seguiu os outros e apoiou as costas contra o caiado concreto. O lugar estava construído na linha de uma caixa de sapatos, todo longo e estreito, e tinha mais de uma dúzia de cabines de tiro voltadas para o exterior. Os alvos tinham a forma de cabeças e torsos e penduravam desde vias que corriam sob o teto. Do posto de comando cada uma podia ser manipulada para modificar a distância ou dar as de movimento.

Lash foi o ultimo recruta a entrar, e partiu para ao final da linha com a cabeça bem alta, como se soubesse que ia chutar traseiros com a pistola. Não olhou a nenhum aos olhos. Exceto ao John.

Zsadist fechou a porta, logo franziu o cenho e pegou o celular que tinha no quadril.

—Desculpem —foi para um canto e falou pelo Razr, logo retornou, parecendo pálido— Mudança de instrutor. Wrath vai dar as intrustuções esta noite.

Uma fração de segundo mais tarde, como se o Rei houvesse se desmaterializado para a porta, entrou Wrath.

Era ainda maior que Zsadist e vestia calça de couro negro e uma camisa negra com as mangas enroladas. Ele e Z falaram um momento, logo o Rei pegou o ombro do irmão e apertou como se estivesse oferecendo consolo.

Bela, pensou John. Tinha que ser por Bela e sua gravidez. Merda, esperava que tudo desse certo.

Wrath fechou a porta depois que Z se foi, logo se colocou à frente da classe, cruzando seus tatuados antebraços sobre o peito, estendendo sua postura. Enquanto inspecionava os onze recrutas, parecia tão inescrutável como a parede sobre a qual John estava apoiado.

—A arma desta noite é a nove milímetros com carregador automático. O término semiautomática para esta pistola é inapropriado. Para usarem uma Glock —levou a mão depois da região lombar e tirou uma letal peça de metal negro— Vocês tem que saber que a segurança destas armas está no gatilho.

Repassou as especificações da pistola e das balas enquanto dois doggen avançavam empurrando um carro do tamanho de uma maca de hospital. Com onze pistolas de, exatamente, mesma marca e modelo dispostas em cima, e perto de cada uma havia um carregador.

—Esta noite trabalharemos com postura e pontaria.

John olhou fixamente as armas. Estava disposto a apostar que ia ser um fracasso na aula de tiro, tanto como o era em qualquer outro aspecto do treinamento. A ira o atravessou, fazendo que o martirio em sua cabeça piorasse.

Só por uma vez gostaria de encontrar algo no que fora bom. Apenas. Uma. Vez.

CAPÍTULO 16

Quando o paciente a olhou de forma estranha, Jane comprovou rapidamente suas roupas, perguntando-se se algo estava deslocado.

—O que —balbuciou enquanto dava um pisão com o pé e a perna da calça da calça deslizava para baixo.

Embora realmente não tinha que perguntar. Os tipos maus como ele normalmente não apreciavam que as mulheres chorassem, mas assumindo que esse fosse o caso, ia ter que agüentar. Qualquer uma teria problemas em sua situação. Qualquer uma.

Salvo que em vez de dizer algo sobre a debilidade das choronas em geral ou dela em particular, o vampiro pegou o prato de frango da bandeja e começou a comer.

Desgostosa com ele e com a situação inteira, voltou para sua cadeira. Perder a navalha tinha desanimado sua patente rebelião, e apesar do fato que ser uma lutadora por natureza, resignou-se a esperar. Se fossem matá-la abertamente, já o teriam feito; o assunto agora era a saída. Rezou para que alguém viesse logo. E que isso não envolvesse o diretor de uma funerária e um pote de café cheio de suas cinzas.

Enquanto o paciente pegava uma coxa, pensou ausentemente que suas mãos eram lindas.

Certo, agora estava desgostosa consigo mesma, também. Demônios, tinha-as usado para sujeitá-la e lhe tirar o jaleco como se não fosse mais que um pulso. E só porque depois o tivesse dobrado cuidadosamente não o fazia um herói.

O silenciou se prolongou, e os sons do faqueiro de prata tocando brandamente o prato lembraram os jantares horrivelmente silenciosos com seus pais.

Deus, essas refeições celebradas no carregado jantar estilo georgiano tinham sido dolorosas. Seu pai se sentou à cabeceira da mesa como um rei desaprovador, controlando a maneira em que a comida se salgava e consumia. Para o doutor William Rosdale Whitcomb, só se salgava a carne, nunca as verduras, e como essa era sua posição no assunto, todos os outros na casa tinham que seguir seu exemplo. Em teoria Jane tinha violado freqüentemente a regra do não-sal, aprendendo a mover o pulso de forma que pudesse polvilhar seu brócolis ao vapor, ou os feijões fervidos, ou a abobrinha à churrasqueira.

Sacudiu a cabeça. Depois de todo esse tempo, e estando morto, já não deveria zangar-se, porque isso era um esbanjamento de emoção. Além disso, neste momento tinha outras coisas com as quais preocupar-se, certo?

—Me pergunte —disse abruptamente o paciente.

—Sobre o que?

—Me pergunte o que quer saber. —limpou a boca, o guardanapo damasco esfregando-se contra seu cavanhaque e o indício de barba— Fará meu trabalho mais complicado no final, mas pelo menos não estaremos aqui sentados escutando o som da baixela de prata.

—Em definitivo, que trabalho tem, exatamente? —Por favor, que não seja comprar bolsas de lixo Hefty para colocar partes de meu corpo.

—Não a interessa o que sou?

—Sabe que o que digo, deixe-me ir, e farei um montão de perguntas sobre sua raça. Até então, estou ligeiramente distraída pensando em como estas pequenas e felizes férias no bom navio santa merda serão um êxito para mim.

—Dei a você minha palavra…

—Sim, sim. Mas também acaba de me maltratar. E se disser que foi para o meu próprio bem, não me faço responsável pela réplica. —Jane baixou a vista a suas unhas lisas e pressionou as cutículas. Depois de terminar com a esquerda, levantou o olhar— Assim que este “seu trabalho… vai precisar de uma pá para realizá-lo?

Os olhos do paciente baixaram a seu prato, e removeu o arroz com o garfo, reflexos de prata deslizando-se entre os grãos, penetrando-os.

—Meu trabalho… por chamá-lo assim… é me assegurar que não lembrará nada disto.

—É a segunda vez que ouço isso, e tenho que ser franca… acredito que é uma sandice. É um pouco complicado imaginar respirando e não, como dizê-lo, lembrar com calidez e comichões como fui pendurada sobre o ombro de um cara, tirada de meu hospital e recrutada como sua médica pessoal. Como imagina que vou esquecer tudo isso?

Sua brilhantes íris diamantinas se elevaram.

—Vou tirar essas lembranças de você. Apagá-las por completo. Será como se eu nunca tivesse existido e você nunca tivesse estado aqui.

Pôs os olhos em branco.

—Uh-huh, cla…

Começou arder sua cabeça, e com uma careta apoiou as pontas dos dedos contra as têmporas. Quando deixou cair as mãos, olhou a seu paciente e franziu o cenho. Que demônios? Estava comendo em seu colo, mas não da bandeja que tinha estado antes. Quem havia trazido a nova comida?

—Meu amigo com o boné dos Sox —disse o paciente enquanto limpava a boca—Lembra?

Em uma rajada ardente, tudo voltou. Rede Sox entrando, o paciente pegando a navalha, ela fazendo-se em pedaços.

—Bom… Deus —sussurrou Jane.

O paciente simplesmente continuou comendo, como se erradicar lembranças não fosse mais exótico que o frango assado que estava comendo.

—Como?

—Manipulação neuropática. Um trabalho de remendo, de fato.



—Como?

—O que quer dizer, como?

—Como encontra as lembranças? Como as diferencia? Faz…?

—Minha vontade. Seu cérebro. Isso é suficientemente específico.

Ela estreitou os olhos.

—Pergunta rápida. Esta habilidade mágica com a matéria cinza vem com uma falta total de remorso para os de sua espécie, ou é só você o que nasceu sem uma consciência?

Ele baixou o talher de prata.

—O que foi que disse?

Não se importou nada que ele se sentisse ofendido.

—Primeiro me seqüestra, e agora vai limpar minha memória, e não está nada arrependido, não é? Sou como um abajur que lhe emprestaram…

—Estou tentando proteger você —lhe espetou—Temos inimigos, doutora Whitcomb. Do tipo que se interessaria se soubesse sobre nós, que iriam atrás de você, que a levariam a um lugar oculto e a matariam… depois de um momento. Não deixarei que isso aconteça.

Jane ficou de pé.

—Escute, Príncipe Encantado, toda essa retórica sobre amparo é bom e elegante, mas não seria importante se não houvesse me trazido aqui em primeiro lugar.

Deixou cair o talher de prata na comida e ela se preparou para que começasse a gritar. Em vez disso, disse com calma:

—Olhe… se supunha que tinha que vir comigo, certo?

—OH. Sério? Assim tinha um sinal de “me agarre agora” colocado no traseiro que só você pôde ver?

Vishous pôs o prato na mesinha de cabeceira, afastando-o como se sentisse repugnância pela comida.

—Tenho visões —balbuciou.

—Visões. —Quando não disse nada mais, pensou no truque que o senhor rascunho tinha usado em sua cabeça. Se podia fazer isso… Jesus, estava falando de ver no futuro?

Jane engoliu com força.

—Essas visões, não são do tipo conto de fadas feliz, não é?

—Não.


—Merda.

Acariciou o cavanhaque, como se estivesse tentando decidir exatamente quanto lhe contar.

—Estava acostumado às ter todo o tempo, e então simplesmente se foram. Não tive uma… bom, tive uma do Butch faz um par de meses, e devido ao fato de que a segui, salvei-lhe a vida. Assim quando meus irmãos entraram no quarto do hospital eu tiveuma visão sobre você, disse-lhes que a levassem. Fala sobre consciência? Se não tivesse uma a teria deixado lá.

Jane voltou a pensar em quanto ficou agressivo com seu amigo mais próximo e querido, por ela. E o fato de que mesmo ao lhe tirar a navalha tinha sido cuidadoso. E depois estava o fato de que se aproximado contra ela, procurando consolo.

Era possível que pensasse estar fazendo o correto. Não queria dizer que o perdoasse mas… bom, era melhor que fazer um Patty Hearst19 ,sem nenhum remorso.

Depois de um momento incômodo, disse:

—Deveria acabar a refeição.

—Já acabei.

—Não, não o fez —fez um gesto com a cabeça para o prato— Continue comendo.

—Não tenho fome.

—Não perguntei se você tinha fome. E se acredita que não apertarei seu nariz e o forçarei a comer se tiver que fazê-lo, está muito enganado.

Houve uma curta pausa e depois... Jesus... sorriu. No meio de seu cavanhaque, a boca se elevou nos cantos, e seus olhos se enrugaram.

O fôlego da Jane se deteve em sua garganta. Era tão lindo assim, pensou, com a tênue luz do abajur caindo sobre o duro queixo e o lustroso cabelo negro. Mesmo que seus longos caninos fossem um pouco estranhos, parecia mais… humano. Acessível. Desejável…

OH, não. Nada de ir por aí. Não.

Jane ignorou o fato de que estava ruborizando um pouco.

—O que aconteceu para você mostrar todos esses dentes brilhantes como pérolas? Acredita que estou brincando com relação a comida?

—Não, é só que ninguém me fala dessa maneira.

—Bom, eu o faço. Tem algum problema com isso? Pode me deixar partir. Agora, come ou o alimentarei como um bebê, e não posso imaginar seu ego tentando de recuperar-se disso.

O ligeiro sorriso ainda estava em seu rosto quando pôs o prato de volta em seu colo e comeu lentamente a comida. Quando terminou, aproximou-se e pegou o copo de água que ele tinha bebido.

Voltou-o a encher no banheiro e o levou de volta.

—Bebe mais.

Fez-o, terminando o copo inteiro. Quando o voltou a pôr na mesinha de cabeceira, centrou-se em sua boca e no que haveria de descobertas em seu interior ficou fascinada por ele.

Depois de um momento, ele curvou o lábio mostrando os dentes dianteiros. Suas presas sem dúvida brilhavam sob a luz do abajur. Brancos e afiados.

—Alongam-se, não é? —perguntou enquanto se inclinava para ele—Quando se alimenta, ficam mais compridos.

—Sim. —Fechou a boca— Ou quando estou agressivo.

—E então se encolhem quando isso acaba. Abre a boca outra vez para mim.

Quando o fez, pôs o dedo na ponta afiada de um… só para que o corpo dele se sacudisse.

—Sinto muito. —Franziu o cenho e retirou a mão—Estão doloridos por causa da intubação?

—Não. —Quando suas pálpebras se fecharam, imaginou que era porque estava cansado…

Deus, o que era essa fragrância? Aspirou-a profundamente e reconheceu a mescla de especiarias escuras que tinha cheirado na toalha do banheiro.

O sexo veio a sua mente. Do tipo que tinha quando perdia todas as inibições. Do tipo que depois, ainda o sentia durante dias.

Pare já.


—Cada oito semanas mais ou menos.—disse ele.

—Como disse? OH, essa é a freqüência com que se…

—Alimento. Depende do estresse. Também do nível de atividade.

Certo, isso matava totalmente o sexo. Em uma espantosa seqüência de cenas do Bram Stoker, imaginou seguindo e caçando humanos, deixando-os secos a dentadas em becos.

Claramente mostrou repulsão, porque sua voz se endureceu.

—É natural para nós. Não desagradável.

—Os mata? Às pessoas que caça? —preparou-se para a resposta.

—Pessoas? Mentiras sobre vampiros. Alimentamo-nos de membros do sexo oposto. De nossa raça, não da sua. E não há assassinato.

Ela elevou as sobrancelhas.

—OH.


—O mito do Drácula é um fodida merda.

Sua mente virou com perguntas.

—Como é? O que sabe?

Seus olhos se estreitaram, e depois se dirigiram do rosto a seu pescoço. Jane rapidamente colocou a mão na garganta.

—Não se preocupe —disse bruscamente— Já me alimentei. E além disso, o sangue humano não me serve. Muito fraco para que me interesse.

Certo. Bom. Ótimo.

Exceto, que demônios? Como se não fosse evolutivamente boa?

Sim, certo, estava perdendo totalmente a cabeça, e este assunto em particular não estava ajudando.

—Ah, escuta… quero checar as bandagens. Pergunto-me se as poderemos tirar por completo depois de tudo.

—Faz o que quiser.

O paciente se endireitou sobre os travesseiros, os enormes braços flexionando-se sob a suave pele. Quando os cobertores caíram de seus ombros, ela se deteve um momento. Parecia fazer-se maior à medida que recuperava a força. maior e… mais sexual.

Sua mente se separou do lugar aonde se estava dirigindo com esse pensamento e se aferrou aos assuntos médicos que ela tinha diante de si, como se fosse um bote salva-vidas. Com mãos firmes e profissionais, Jane afastou os cobertores totalmente de seu peito e tirou o esparadrapo da gaze entre seu peito. Levantou a bandagem e sacudiu a cabeça. Incrível. A única coisa danificava a pele era a cicatriz com forma de estrela que tinha estado aí antes. As marcas residuais da operação se reduziram a uma ligeira descoloração, e se extrapolasse, poderia assumir que seu interior estava igualmente bem curado.

—E isto é típico? —perguntou—Este ritmo de recuperação?

—Na Irmandade, sim.

OH, cara. Se pudesse estudar a maneira com que suas células se regeneravam, poderia ser capaz de desentranhar algum dos segredos do processo de envelhecimento em humanos.

—Esquece-o. —Apertou a mandíbula enquanto movia as pernas para o lado mais afastado da cama— Não vamos ser usados como ratos de laboratório para sua espécie. Agora, se não se importar, vou tomar um banho e fumar um cigarro. —Abriu a boca e ele a cortou— Não temos câncer, assim me economize o sermão, ok?

—Não têm câncer?Por que? Como funciona…?

—Mais tarde. Preciso de água quente e nicotina.

Ela franziu o cenho.

—Não quero que fume ao meu redor.

—Por isso o vou fazer no banheiro. Tem exaustor.

Quando se levantou e o lençol caiu de seu corpo, ela desviou o olhar. Um homem nu não era algo novo para ela, mas por alguma razão ele parecia diferente.

Bem, óbvio. Media um metro e noventa, e tinha a estrutura de uma casa.

Enquanto se dirigia de volta a sua cadeira, escutou um som de arraste, logo um golpe surdo. Levantou o olhar alarmado. O paciente estava tão instável que tinha perdido o equilíbrio, e tinha se chocado contra a parede.

—Precisa de ajuda? —Por favor diga que não. Por favor diga…

—Não.


Obrigada, Deus.

Pegou um acendedor e o que parecia um cigarro embalado à mão da mesinha de cabeceira e se moveu a tombos ao outro lado da quarto. Desde sua vantajosa posição no canto, Jane esperou e observou, preparada para agarrá-lo como um bombeiro se fosse necessário.

Sim, e bom, talvez o estava olhando por outra razão distinta a querer evitar que caísse de cabeça contra o tapete. Suas costas era incríveis, os músculos fortes mas elegantes, abrangiam seus ombros e roçavam a coluna. E seu traseiro era…

Jane cobriu os olhos e não deixou cair a mão até que a porta se fechou. depois de muitos anos na medicina e cirurgia, tinha bastante clara a parte de “Não Deverá Seduzir a Seus Pacientes” do Juramento Hipocrático.

Especialmente se o paciente em questão a tinha seqüestrado. Cristo. Realmente estava vivendo isso?

Momentos depois, Jane ouviu que atirava da cadeia, e esperou escutar o som da ducha. Quando não chegou, imaginou que provavelmente estava fumando primeiro…

A porta se abriu e o paciente saiu, balançando-se como uma bóia no oceano. segurou-se ao batente da porta com a mão enluvada, esticando o antebraço.

—Merda… estou enjoado.

Jane mudou o modo total de doutora e se aproximou apurada, deixando de lado o fato de que estava nu e tinha duas vezes seu tamanho, e que fazia dois minutos, tinha olhado seu traseiro como se estivesse à venda. Deslizou um braço por sua dura cintura e se apertou contra seu corpo, preparando o quadril para a avalanche. Quando se apoiou nela, o peso foi tremendo, uma carga que que conseguiu levar para cama.

Enquanto se estirava com uma maldição, estendeu a mão por cima dele para alcançar os cobertores, e captou uma olhada das cicatrizes que tinha entre as pernas. Dada a maneira com que se curou da operação sem uma marca, perguntou-se porquê essas tinham permanecido em seu corpo.

Vishous lhe tirou os cobertores com um rápido puxão do edredom, e o colocou em cima como uma nuvem negra. Então colocou o braço sobre os olhos, e a parte inferior de seu queixo com cavanhaque foi a única coisa viu de seu rosto

Estava envergonhado.

No silêncio entre eles estava… envergonhado.

—Quer que o lave?

Sua respiração se deteve, e como esteve calado durante muito tempo, esperou que não aceitasse. Mas então sua boca apenas se moveu.

—Faria isso?

Por um momento esteve a ponto de responder ardentemente. Salvo que então teve a sensação de que isso o incomodaria mais.

—Sim, bom, o que posso dizer, estou a caminho da santidade. É meu novo propósito na vida.

Ele sorriu ligeiramente.

—Lembra ao Bu… meu melhor amigo.

—Quer dizer Rede Sox?

—Sim, sempre tem uma resposta.

—Sabia que o engenho é um sinal de inteligência?

O paciente deixou cair o braço.

—Nunca duvidei da sua. Nem por um instante.

Jane teve que conter o fôlego. Havia tanto respeito brilhando em seus olhos, que tudo o que pôde fazer ao assumi-lo foi amaldiçoar-se. Para ela não havia nada mais atraente que um homem que gostasse das mulheres fortes.

Merda.

Estocolmo. Estocolmo. Estocolmo…



—Eu adoraria um banho —disse . Logo acrescentou—Por favor.

Jane esclareceu a garganta.

—OK. Muito bem.

Rebuscou entre a mala de fornecimentos médicos, encontrou uma vazilha grande e se dirigiu ao banheiro. Depois de encher a bacia de água quente, pegou uma toalinha, saiu e dispôs tudo na mesinha de cabeceira que estava à esquerda. Quando empapou a pequena toalha e escorreu o excesso, a água soou através do silencioso quarto.

Duvidou. Molhou de novo a toalhina. Escorreu.

Venha, vamos, abriu-lhe o peito e trabalhar nele. Podia fazer isto. Nenhum problema.

Simplesmente pense nele como o capô de um carro, nada salvo a área superficial.

—OK. —Jane estirou a mão, pô-lhe a toalha quente na parte superior do braço e o paciente estremeceu. Por todo o corpo— Muito quente?

—Não.

—Então por que a careta?



—Nada.

Em diferentes circunstâncias, Jane o teria pressionado, mas nesse momento tinha seus próprios problemas. Seus bíceps era condenadamente impressionantes, a pele bronzeada revelava as mesmas cordas do músculo. O mesmo acontecia com os fortes ombros e descia pelo seu peito. Estava em uma condição física sublime, sem um grama de gordura no corpo, magro como um puro sangue, musculoso como um leão.

Quando passou pelos músculos de seu peito, deteve-se na cicatriz do lado esquerdo. A marca circular estava incrustada na carne, como se tivesse sido esmagada ali.

—Por que não curou adequadamente? —perguntou.

—Sal. —Vishous se moveu nervosamente como se a animasse a continuar com o banho—Fecha a ferida.

—Então foi deliberado?

—Sim.

Molhou a toalha na água, espremeu-a e torpemente se inclinou sobre ele para alcançar o outro braço. Quando deslizou o pano para baixo, afastou-se.



—Não a quero ver perto dessa mão. Nem que esteja usando uma luva.

—Por que…

—Não vou falar sobre isso. Assim nem sequer pergunte.

Ceeeeeerto.

—Quase matou uma de minhas enfermeiras, sabe.

—Não me surpreende —fulminou com o olhar a luva—Ccortaria isso se tivesse a oportunidade.

—Não o aconselharia a fazer isso.

—Claro que não o faria. Não sabe o que é viver com este pesadelo no final de seu braço…

—Não, quero dizer que faria que outro cortasse a mão, se fosse você. É mais provável que conseguisse dessa maneira.

Houve um curto silêncio; então o paciente soltou uma risada.

—Pronta.

Jane ocultou o sorriso que apareceu em seu rosto fazendo outro vez o ritual de molhar/escorrer.

—Simplesmente estou dando uma opinião médica.

Quando deslizou a toalhinha por seu estômago, a risada percorreu o peito e estômago de Vishous, seus músculos ficaram rígidos como rochas, logo depois relaxaram. Através do tecido pôde sentir a calidez de seu corpo e sentir a potência de seu sangue.

E de repente já não estava rindo. Jane escutou o que pareceu um vaio saindo de sua boca, seu tablete de chocolate se flexionou, e a parte inferior de seu corpo se moveu sob o edredom.

—Essa ferida de faca o está incomodando? —perguntou.

Quando emitiu um som que pareceu pouco convincente Sim, sentia-se mal. Tinha estado tão preocupada com o torso, que não tinha prestado muita atenção ao assunto da punhalada. Levantando a vendagem do flanco, viu que estava completamente curado, sem nada salvo uma tênue linha facada que mostrava onde tinha sido ferido.

—Eu vou tirar isto. —Soltou a gaze branca, dobrou-a na metade e a atirou no cesto de papéis— É incrível, sabe? A cura que você pode ter é simplesmente… incrível.

Enquanto voltava a encharcar a toalhinha, debateu se quereria ir mais para o sul. Mais ao sul. Como… tudo para o sul. A última coisa que precisava era mais conhecimento íntimo sobre quão perfeito era seu corpo, mas queria terminar o trabalho… embora só fosse para probar a si mesma que ele não era diferente de nenhum de seus outros pacientes.

Podia fazer isto.

Salvo que quando foi descer os cobertores, ele pegou o edredom e o manteve em seu lugar.

—Não acredito que queira ir adiante.

—Não é nada que não tenha visto antes. —Quando fechou as pálpebras e não respondeu, disse com voz suave —Operei você, por isso sou muito consciente de que foi parcialmente castrado. Não sou um encontro, sou médica. Prometo a você que não tenho nenhuma opinião sobre seu corpo, salvo o que representa clinicamente para mim.

Ele fez uma careta antes de poder esconder a reação.

—Nenhuma opinião?

—Simplesmente deixa que o lave. Não é para tanto.

—Bem. —Esse olhar diamantino se entrecerrou— Faz o que queira.

Ela afastou os lençóis para um lado.

—Não há nada pelo que…

Merda…! O paciente estava completamente ereto. Tremendamente ereto. Jazendo diretamente sobre a parte inferior de seu ventre, estirando-se do meio das pernas até mais acima do umbigo, era uma ereção espetacular.

—Não é para tanto, Lembra? —disse Vishous arrastando a voz.

—Ah… —ela esclareceu a garganta— Bem… simplesmente vou continuar.

—Por mim, tudo bem.

O problema era que não podia lembrar exatamente o que tinha que fazer com a toalhinha. E estava olhando. Realmente olhando.

Que era que fazia uma mulher quando tinha à vista um homem tão dotado como um Louisville Slugger.20

OH, Deus, realmente acabava de pensar isso?

—Como já viu o que me fizeram —disse Vishous com voz lacônica— só posso imaginar que está checando meu umbigo em busca de pêlos.

Sim. Claro.

Jane voltou para a rotina, passando o pano por suas costelas.

—Então, como aconteceu?

Como não respondeu, levantou o olhar para seu rosto. Seus olhos estavam focados no outro lado do quarto, e estavam apagados, sem vida. Tinha visto esse olhar antes, em pacientes que tinham sido atacados, e soube que estava lembrando o horror.

—Michael —murmurou— Quem fez mal a você?

Ele franziu o cenho.

—Michael?

—Não é seu nome? —voltou a pôr a toalhinhaa na bacia—Por que não me surpreende?

—V.


—Perdão?

—me chame de V. Por favor.

Voltou a passar o pano pelo seu flanco.

—V, então.

Jane inclinou a cabeça e observou sua mão subir pelo torso masculino, e logo voltar a baixar. Ficou presa, sem descer mais. Porque apesar da distração dele por seu desagradável passado, ainda estava ereto. Totalmente ereto.

Bem, momento de mover-se para baixo. Hei, era uma adulta. Uma médica. Tinha tido dois de amantes. O que estava presenciando era simplesmente uma função biológica que tinha como resultado uma concentração de sangue em seu incrivelmente longo…

Isso não era o lugar para onde tinham que se dirigir seus pensamentos.

Quando Jane baixou a toalha por seu quadril, tentou ignorar o fato de que se movia enquanto o percorria, as costas se arqueavam, essa pesada ereção em seu ventre empurrava para frente, e logo voltava a colocar-se em seu lugar.

Da ponta surgiu uma gota brilhante e tentadora.

Levantou a vista para olhá-lo e… se congelou. Os olhos de Vishous estavam em seu pescoço, e ardiam com uma luxúria que não era só sexual.

Qualquer atração que pudesse sentir por ele desapareceu. Era um macho de outra espécie, não um homem. E era perigoso.

Seu olhar baixou ao pano nas mãos da Jane.

—Não a morderei.

—Bem, porque não quero que o faça. —Isso deixava tudo claro. Demônios, alegrava-se de que a tivesse cuidado dessa forma, porque a havia devolvido de repente à realidade— Escuta, não é que queira saber disso pessoalmente, mas dói?

—Não sei. Nunca me morderam.

—Acreditei que disse…

—Alimento-me de fêmeas. Mas nunca ninguém bebeu que mim.

—Por que? —quando fechou a boca com força, ela encolheu de ombros—Bem poderia me dizer isso. Não vou lembrar nada, não é? Assim, o que custaria falar?

Quando o silêncio se estendeu, perdeu a coragem com sua região pélvica e decidiu começar a percorrê-lo pelos pés. No extremo da cama, passou a toalha pela plantas de seus pés, logo pelos dedos, e ele saltou um pouco, como se tivesse cócegas. Moveu para os seus tornozelos.

—Meu pai não queria que me reproduzisse. —disse o paciente abruptamente.

Os olhos dela o olharam de repente.

—O que?


Levantou a mão enluvada, e logo tocou com o dedo a têmpora que tinha as tatuagens.

—Não estou bem. Já sabe, normal. Assim meu pai tentou me arrumar como um cão. É obvio, também estava a feliz correlação de que também era um condenado castigo. —Quando ela soltou ar em um suspiro compassivo, apontou-a com o dedo indicador— Se me mostrar um pouco de compaixão, vou pensar duas vezes sobre a promessa de não morder você que acabo de fazer.

—Nada de compaixão, prometo. —mentiu brandamente— Mas o que isso tem que ver com os bebês de…?

—Simplesmente eu não gosto de compartilhar.

A si mesmo, pensou. Com ninguém… exceto talvez com Rede Sox.

Subiu gentilmente a toalha até sua tíbia.

—Por que foi castigado?

—Posso chamar você de Jane?

—Sim. —Voltou a umedecer a toalhinha e a deslizou por sua pantorrilha. Quando voltou a ficar silencioso, Jane deixou que tivesse privacidade. No momento.

Sob sua mão, o joelho dele se flexionou, a coxa que estava em cima se contraiu e se soltou em um movimento sensual. Seus olhos olharam rapidamente a ereção, e Jane engoliu com força.

—Então seu sistema reprodutivo funciona como o nosso? —perguntou.

—Sim, de maneira muito parecida.

—Teve amantes humanas?

—Não vou aos humanos.

Ela sorriu torpemente.

—Não perguntarei o que está pensando agora, então.

—Bem. Não acredito que se sinta cômoda com a resposta.

Pensou na maneira com que tinha cuidado do Rede Sox.

—É gay?

Seus olhos se estreitaram.



—Por que pergunta?

—Parece bastante apegado a seu amigo, o tipo de boné de beisebol.

—Conhece-o, não é verdade? De antes.

—Sim, me é familiar, mas não sei de onde o conheço.

—Incomodaria-se?

Percorreu com a toalha sua coxa até chegar à junta de seus quadris, e logo a bordeou.

—Que fosse gay? Em nada.

—Porque a faria se sentir mais segura, não é verdade?

—E porque não tenho preconceitos. Como médica, compreendo bastante bem que sem importar nossas preferências, todos somos iguais por dentro.

Bom, pelo menos os humanos. Jane se sentou no limite da cama e voltou a pôr a mão na sua perna. Quando foi se aproximando de sua ereção, Vishous conteve o fôlego e sua longa longitude se moveu. Enquanto seus quadris giravam, ela levantou a vista, mordeu seu lábio inferior, e as presas se cravavam na suave carne.

OK, isso era realmente…

Em nada assunto dela. Mas homem, nesse momento devia estar tendo uma ardente fantasia sobre Rede Sox.

Dizendo a si mesma que isto era uma situação normal de banho com esponja, e sem acreditár na mentira nem por um instante, levou a mão a seu abdômen, passando pela torcida cabeça e descendo pelo outro lado. Quando a ponta da toalhinha roçou seu sexo, Vishous vaiou.

Que Deus a ajudasse, fez outra vez, subindo lentamente e girando ao redor, e deixando que a ereção fosse acariciada ligeiramente.

As mãos de Vishous se apertaram contra os lençóis, e com um tom áspero disse:

—Se seguir com isso, vai descobrir o muito que tenho em comum com um homem humano.

Santo Cristo, queria vê-lo… Não, não o fazia.

Sim, queria.

Sua voz se fez mais profunda.

—Quer que tenha um orgasmo?

Ela se esclareceu a garganta.

—É obvio que não. Isso seria…

—Inapropriado? Quem vai saber? Só estamos você e eu aqui. E sinceramente, viria-me bem um pouco de prazer agora.

Jane fechou os olhos. Sabia que para ele nada disto era por ela. Além disso, não é como se fosse saltar na cama para aproveitar-se dele. Mas realmente queria saber se parecia quando…

—Jane? Olhe para mim. —Como se controlasse seus olhos, este se levantaram lentamente para encontrar os dele — Não meu rosto, Jane. Vai olhar minha mão. Agora.

Asentiu, porque não lhe ocorreu não fazê-lo. E logo que o fez, a mão enluvada soltou seu forte aperto sobre os lençóis e envolveu a grossa ereção. Em uma rajada, o paciente expulsou todo o ar, e moveu a mão de cima a baixo por seu membro, o couro negro em contraste com o profundo rosa de seu sexo.

OH… meu Deus.

—Quer fazer isto, não é? —disse com rudeza— Não porque me deseje. Mas sim porque se pergunta como se sentirá, e o aspecto que terei quando gozar.

Quando continuou as carícias, ela se aturdiu por completo.

—Não é, Jane? —sua respiração começou a acelerar— Quer saber o que sinto. Que tipo de ruídos faço. Como cheiro.

Não estava assentindo com a cabeça, não? Merda. Estava-o fazendo.

—Me dê sua mão, Jane. Deixe que a coloque sobre mim. Embora seja apenas por curiosidade clínica, quero que me faça gozar.

—Pensei… pensei que você não gostava dos humanos.

—Eu não gosto.

—E o que acredita que sou eu então?

—Quero sua mão, Jane. Agora.

Não gostava que ninguém lhe dissesse o que fazer. Homens, mulheres, não importava. Mas quando era uma ordem como essa com voz rouca, que saía de um animal magnífico como ele… especialmente enquanto estava estirado diante dela, completamente ereto… estava condenadamente perto de ser impossível de negar.

Mais tarde se ofenderia por essa ordem. Mas agora a seguiria.

Jane pôs a toalhinha na bacia e não podia acreditar que estivesse estendendo a mão para ele. Vishous tomou o que oferecia, tomou o que tinha exigido que lhe desse, e a levou a sua boca. Em um lento e saboroso movimento, lambeu o centro de sua palma, a língua uma cálida e úmida passada. Depois tomou a carne feminina e a pôs sobre sua ereção.

Ambos ofegaram. Estava duro como uma rocha, e quente como uma fogueira, e era mais largo que seu pulso. Enquanto se sacudia dentro de seu punho, uma parte da Jane se perguntou que demônios estava fazendo, e a outra, a parte sexual, voltou para a vida. O que lhe provocou pânico. Esmagou esses sentimentos, usando o afastamento que tinha aperfeiçoado anos atrás antes de exercer a medicina… e manteve a mão direita onde estava.

Acariciou-o, sentindo a fina e suave pele movendo-se por cima do rígido centro. A boca masculina se abriu enquanto ondulava na cama, e seu corpo arqueado deu a seus olhos um incrível repasse. Merda… V era puro sexo, totalmente, sem inibições ou desconfortos, nada salvo um orgasmo como uma tormenta crescente.

Jane baixou a vista aonde o estava tocando. Sua mão enluvada era tão condenadamente erótica jazendo justo debaixo de onde ela o tocava, os dedos roçando ligeiramente a base e cobrindo as zonas de pele com cicatrizes.

—Como me sente, Jane? —disse com voz rouca— Me sente diferente de um homem?

Sim. Melhor.

—Não. É igual. —Seus olhos se desviaram às presas que se cravavam no lábio inferior. Seus dentes pareciam haver-se alongodo, e teve o pressentimento de que sexo e alimentação eram unidos— Bom, não tem o mesmo aspecto que eles, é obvio.

Algo piscou no rosto dele, uma espécie de sombra, e deslizou a mão mais abaixo entre suas pernas. No início Jane assumiu que estava esfregando o que estava mais abaixo, mas se deu conta de que estava se cobrindo ante seus olhos.

Uma faísca de dor lhe percorreu o peito como um fósforo aceso, mas então gemeu profundamente em sua garganta e sua cabeça bateu para trás, o cabelo negro azulado roçou o travesseiro negro. Quando seus quadris se flexionaram para cima, os músculos do estômago se apertaram em uma rajada seqüencial, as tatuagens de seu sexo se estiraram e voltaram para sua posição.

—Mais rápido, Jane. Agora vai fazer mais rápido para mim.

Uma de suas pernas se elevou e suas costelas começaram a bombear com força. Em sua pele lustrosa e fluída, começou a brilhar uma capa de suor sob a tênue luz do abajur. V estava se aproximando… e quanto mais o fazia, mais se dava conta de que estava fazendo isto porque queria. A curiosidade clínica era uma mentira. Fascinava-a de diferentes maneiras.

Continuou acariciando-o com força, centrando a fricção na grossa cabeça.

—Não pare… de foder… —arrastou a palavra, os ombros e o pescoço tensos, o peito apertando-se enquanto começava os afiados movimentos.

De repente, seus olhos se abriram totalmente e resplandeceram brilhantes como estrelas.

Então mostrou umas das presas que se alongoram por completo e gritou sua liberação. Enquanto gozava, olhou o pescoço feminino, e o orgasmo se prolongou até que se perguntou se tinha tido dois. Ou mais. Deus… era espetacular, e em meio de seu prazer, essa gloriosa fragrância de especiarias escuras encheu o quarto até que ela a respirou, em vez do ar.

Quando ficou quieto, soltou-o, e usou a toalha de mão para lhe limpar o ventre e o torso. Não se demorou nele. Em lugar disso ficou de pé e desejou poder ter um pouco de tempo para si mesma.

Olhou-a através de pálpebras quase fechadas.

—Vê —disse com voz áspera— iguais.

Absolutamente.

—Sim.


Vishous pôs o edredom sobre seus quadris e fechou os olhos.

—Usa o banheiro se quiser.

Com um movimento rápido e descoordenado, Jane levou a bacia e a toalhinha ao banheiro. Apoiando as mãos contra o lavabo, pensou que talvez a água quente e algo mais que esfregar as costas lhe esclareceriam a cabeça… porque agora mesmo tudo o que podia ver era o aspecto que V tinha enquanto gozava sobre sua mão e sobre si mesmo.

Afligita, voltou para o quarto, pegou algumas de suas coisas da mala menor e se lembrou que esta situação não era real, não era parte de sua realidade. Era um contratempo, um enredo no fio de sua vida, como se seu destino tivesse uma gripe.

Isto não era real.

Depois de terminar com a aula, Phury voltou para seu quarto e trocou as roupas com as quais dava aulas, por uma camisa negra de seda e calça de cachemira cor nata, por seus objetos de combate de couro. Tecnicamente se supunha que tivesse a noite livre, mas com V de cama, precisavam de uma equipe extra de mãos.

O que estava bom para ele. Melhor estar nas ruas caçando que ver-se envolto no assunto de Z e Bela e a gravidez.

Atou a pistolera ao torso, colocou duas adagas com o cabo para baixo, e colocou uma SIG Sauer de cada lado do quadril. No camino para à porta colocou o casaco de couro e apalpou o bolso interno, assegurando-se de ter um par de néscios e um acendedor consigo.

Quando chegou a passo rápido a enorme escada, rezou para que ninguém o visse… e foi descoberto antes de conseguir sair de casa. Bela disse seu nome quando entrou no vestíbulo, e o som de seus sapatos cruzando o chão de mosaico do saguão significava que tinha que deter-se.

—Não esteve na primeira refeição—disse.

—Estava dando aula. —Olhou-a por cima do ombro e se sentiu aliviado ao ver que tinha bom aspecto, seu colorido limpo, os olhos claros.

—Comeu algo?

—Sim —disse, mentindo.

—OK… bom… não deveria esperar o Rhage?

—Encontraremo-nos mais tarde.

—Phury, está tudo bem?

Disse a si mesmo que não era sua tarefa dizer nada. Já tinha fechado essa porta na conversa com Z. Isto não era em nada seu…

Como sempre com ela, não tinha autocontrole.

—Acredito que tem que falar com Z.

Ela inclinou a cabeça para um lado, o cabelo caindo mais abaixo do ombro. Deus, era encantador. Muito escuro, mas não negro. Lembrava o elegante mogno cuidadosamente envernizado, brilhando com vermelhos e profundos marrons.

—Sobre o que?

Merda, não deveria estar fazendo isso.

—Se está ocultando algo de Z, o que seja… tem que dizer a ele.

Ela entrecerrou os olhos, logo deslizou para um lado, mudou sua postura, o peso passando de um pé para o outro, os braços cruzados sobre o peito.

—Eu… ah, não perguntarei como sabe, mas posso supor que é porque ele o faz. OH… maldição. Ia falar com ele depois de ver o Havers esta noite. Pedi uma consulta.

—O que está errado? A perda de sangue?

—Não é muito ruim. Por isso não ia dizer nada a ele até ver o Havers. Deus, Phury, já conhece Z. Já está condenadamente nervoso por mim, tão preocupado que me aterroriza que se distraia no campo de batalha e saia ferido.

—Sei, mas olhe, é pior agora, porque não sabe o que está acontecendo. Fale com ele. Tem que fazê-lo. Será forte. Por você, será forte.

—Estava zangado?

—Talvez um pouco. Mas mais que isso, está simplesmente preocupado. Não é estúpido. Sabe porquê não quer dizer a ele que algo está errado. Olhe, leve-o com você esta noite, OK? Deixa que esteja lá.

Os olhos dela começaram a umedecer-se.

—Tem razão. Sei que tem razão. É só que quero protegê-lo.

—Que é exatamente o que ele sente por você. Leve-o com você.

No silêncio que se seguiu, soube que a indecisão nos olhos de Bela tinha que ser confrontada por ela mesma. Ele já feito sua parte.

—Que esteja bem, Bela.

Enquanto dava a volta, ela pegou sua mão.

—Obrigada. Por não estar zangado comigo.

Durante um momento Phury fingiu que era seu bebê que estava dentro dela, e que podia aproximá-la dele, e ir com ela ao médico, e segurá-la depois.

Com gentileza Phury tomou o pulso e a separou dele, e sua mão se deslizou por sua pele com um suave roçar que o espetou como uma agulha.

—É a amada de meu gêmeo. Nunca poderia estar zangado com você.

Enquanto atravessava o vestíbulo e saía pela noite fria e ventosa, pensou quão certo era que nunca poderia se zangar com ela. Consigo mesmo, por outro lado? Sem nenhum problema.

Desmaterializou-se ao centro da cidade, soube que estava se dirigindo a uma colisão de algum tipo. Não sabia onde estava o muro ou do que parecia, ou se ia conduzir direto a ele, ou ser arrojado por alguém ou algo.

Mas o muro o estava esperando na amarga escuridão. E uma parte dele se perguntou se não teria um “I”de inferno, grande e grossa desenhada nele.

CAPÍTULO 17

V observou Jane entrar em seu banheiro. Quando se virou para deixar a muda de roupa no aparador, o perfil de seu corpo era uma elegante curva em S na qual precisava pôr as mãos. A boca. Colocar o corpo.

A porta se fechou e a ducha começou, e ele amaldiçoou. Deus… sua mão o havia feito se sentir tão bem, levando-o mais alto que qualquer sexo total praticado recentemente. Mas tinha sido unilateral. Não tinha havido aroma de excitação nela absolutamente. Para ela tinha sido uma função biológica a explorar. Nada mais.

Se fosse honesto consigo mesmo, tinha pensado que talvez o ver ter um orgasmo a excitaria… o que era uma loucura, dado o que havia na parte debaixo de sua cintura. Ninguém em seu são julgamento perfeito pensaria, Ah, sim, olhe a maravilha de um só testículo.Um.

Que era pelo que sempre deixava as calças postas quando tinha sexo.

Enquanto escutava correr a água da ducha, sua excitação se abrandou e suas presas se retraíram de volta em sua mandíbula. Era lindo, quando o tinha estado tocando, surpreendeu a si mesmo. Tinha querido mordê-la… não alimentar-se porque tivesse fome, mas sim porque queria seu sabor na boca e lhe deixar a marca de seus dentes no pescoço. O que não era, fodidamente, típico nele. Normalmente mordia fêmeas só porque tinha que fazê-lo, e quando o fazia, nunca gostava especialmente.

Com ela? Não podia esperar para perfurar uma veia e chupar o que atravessava seu coração para que baixasse diretamente para seu próprio estômago.

Quando a ducha parou, tudo o que podia pensar era em estar nesse banheiro com ela. Podia imaginar-lhe toda nua, molhada e rosada pelo calor. Homem, queria saber que aspecto tinha a parte de atrás de seu pescoço. E o lance de pele entre suas omoplatas. E o espaço na base de suas costas. Queria percorrê-la com a boca da clavícula ao umbigo… e depois meter-se entre suas coxas.

Merda, estava ficando duro de novo. E isso era, condenadamente, bastante inútil. Tinha satisfeito a curiosidade para seu corpo, assim não estaria disposta a ter compaixão dele e aliviá-lo de novo. E mesmo se se sentisse atraída por ele, já tinha a alguém, não? Com um grunhido desagradável imaginou a esse doutor de cabelo escuro que a estava esperando na vida real. O tipo era de sua classe e sem dúvida também absolutamente masculino.

A mera idéia desse bastardo a tratando com atenção conveniente, não simplesmente durante o dia a não ser entre os lençóis a noite, fez com que lhe ardesse o peito.



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