J. R. Ward Amante Liberado



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V escondia o diario entre as duas das representações maiores de bisões, em uma greta que proporcionava um alojamento suficientemente amplo e profundo. Durante o dia, quando todos descansavam, deslizava por trás da divisão e o brilho se apoderava de seus olhos, e lia até que sua solidão se aliviava.

Foi só um ano depois de encontrá-los, que os livros de Vishous foram destruídos. Suas únicas alegrias foram queimadas, como sempre tinha temido que seriam. E não foi uma surpresa quem o fez.

Estava a semanas sentindo-se doente, aproximando-se de sua transição, embora não soubesse nada disso naquele momento. Incapaz de dormir, levantou-se e deslizou como um fantasma até a pilha escondida, acomodando-se com um tiro de contos de fadas. Dormiu com o livro no colo.

Quando despertou, um pretrans estava de pé sobre ele. O menino era um dos mais agressivos, de olhos duros e corpo forte.

—Como vagueia enquanto outros trabalham —disse o jovem depreciativamente— E tem um livro nas mãos? Talvez devesse ser entregue, já que evita que faça suas tarefas. Posso levar mais comida ao meu estômago fazendo isso.

Vishous pôs a pilha mais profundamente no esconderijo e ficou de pé, sem dizer nada. Lutaria por seus livros, da mesma maneira que lutava pelas sobras de comida para encher o estômago ou a roupa velha que lhe cobria a pele. E o pretrans que tinha diante lutaria pelo privilégio de descobrir os livros. Sempre era assim.

O moço se aproximou com rapidez, empurrando a V contra a parede da cova. Embora sua cabeça batesse com força e ficasse sem ar de repente, respondeu, golpeando seu oponente no rosto com o livro. Enquanto os outros pretrans se aproximavam rapidamente para olhar, V bateu em seu oponente uma e outra vez. Tinham-lhe ensinado a usar qualquer arma ao seu dispor, mas enquanto obrigava o outro macho a ficar no chão, queria chorar por estar usando sua posse mais apreciada para fazer mal a alguém. Entretanto, tinha que continuar. Se perdia a vantagem, pode ser que o outro ganhasse, e que perdesse os livros antes de poder movê-los a outro lugar seguro.

Por fim, o outro moço ficou quieto, com a rosto torcido em mal estado, seu fôlego saindo em jorros enquanto V o segurava pela garganta. O volume de contos de fadas jorrava sangue, e a cobertura de couro estava solta em uma ponta do livro.

Foi nos descuidados momentos posteriores quando aconteceu. Um estranho formigamento percorreu o braço de V e se dirigiu à mão que sujeitava o oponente contra o chão da cova. Então uma sombra horripilante apareceu de repente, criada por um brilho que partia da palma de V. Imediatamente, o pretrans abaixo dele começou a sacudir-se, suas mãos e pernas batendo contra o chão de pedra como se lhe doesse todo o corpo.

V o soltou e olhou sua mão horrorizado.

Quando voltou a olhar o macho, uma visão o bateu como um punho, deixando V aturdido e com o olhar perdido. Em uma miragem nebulosa, viu a rosto do jovem em um vento severo, o cabelo jogado para trás, e os olhos fixos em um ponto distante. Depois dele havia rochas do tipo que se encontravam na montanha, e a luz do sol brilhava sobre ambos e o corpo imovel do pretrans.

Morto. O moço estava morto.

De repente o pretrans sussurrou: —Seu olho… seu olho… o que aconteceu?

As palavras saíram da boca de V antes de que pudesse as deter.

—A morte o encontrará na montanha e quando o vento venha sobre você, será miserável.

Um ofego fez com que V levantasse a cabeça. Uma das fêmeas estava perto, e tinha o rosto horrorizado, como se tivesse falado com ela.

—O que acontece aqui? —disse uma voz ensurdecedora.

V se separou do pretrans de um salto para poder permanecer afastado de seu pai e manter o macho à vista. O Bloodletter estava parado com as calças desabotoadas, claramente estava a tomar uma das fêmeas da cozinha. O que explicava porquê estava nesta parte do acampamento.

—O que tem na mão? —exigiu o Bloodletter, dando um passo em volta de V—Me dê isso agora mesmo.

Enfrentado à ira de seu pai, V não teve mais opção que lhe oferecer o livro. Foi pegado com uma maldição.

—Usou isto inteligentemente só quando bateu nele com ele. —Perspicazes olhos escuros se estreitaram na depressão entre as peles onde V apoiava as costas— Esteve vadiando contra estas peles, não é verdade? Passando tempo aqui.

Quando V não respondeu, seu pai se aproximou outro passo.

—O que faz aqui atrás? Lê outros livros? Acredito que sim, e acredito que me vai dar. Talvez eu goste de ler em vez de me dedicar a meus úteis assuntos.

V duvidou… e recebeu uma bofetada tão forte que o lançou contra as peles. Depois de deslizar e rodar até o final do monte, caiu sobre os joelhos em frente de seus três outros livros. O sangue gotejou de seu nariz sobre uma das capas.

—Devo te bater outra vez? Ou me dará o que pedi? —o tom do Bloodletter era aborrecido, como se ambos os resultados fossem aceitáveis, já que ambos feririam V, e portanto lhe trariam satisfação.

V tirou uma mão e acariciou uma suave capa de couro. Seu peito rugiu de dor ante a despedida, mas a emoção era um grande desperdício, certo? Essas coisas que lhe importavam estavam a ponto de ser destruídas de algum jeito, e ia passar agora, apesar do que fizesse. Era quase como se já não estivessem aquí mais.

V olhou por cima de seu ombro para Bloodletter, e viu uma verdade que mudou sua vida. Seu pai destruiria qualquer coisa ou pessoa que V procurasse para consolar-se. O macho o tinha feito incontáveis vezes e de inumeráveis maneiras com antecedência, e continuaria rapidamente. Estes livros e este episódio eram simplesmente o rastro de um pé em um caminho interminável que seria muito transitado.

O dar-se conta disso fez que a dor de V se desvanecesse. Simplesmente assim. Para ele, agora não havia nada útil em uma conexão emocional, só uma agonia final quando foi esmagada. Assim não voltaria a sentir.

Vishous pegou os livros que tinha embalado em mãos gentis durante horas e horas e encarou a seu pai. Deu-lhe o que tinha sido sua corda de salvamento sem nenhuma preocupação ou afinidade pelos livros. Era como se nunca antes tivesse visto os livros.

O Bloodletter não tomou o que lhe era apresentado.

—Dá-me isso, meu filho?

—Faço-o.


—Sim… hmm. Sabe, talvez depois de tudo eu não goste de ler. Talvez prefira lutar como faz um macho. Por minha espécie e minha honra. —Seu enorme braço se estirou, e apontou a um dos fogões da cozinha— Leve-os ali. Queime-os ali. Como é inverno, o calor será apreciado.

Os olhos do Bloodletter se estreitaram quando V se aproximou tranqüilamente e lançou os livros às chamas. Quando se virou e voltou a olhar a seu pai, o macho o estava estudando cuidadosamente.

—O que disse o menino sobre seu olho? —murmurou o Bloodletter— Me pareceu escutar uma alusão a ele.

—Disse: “Seu olho… seu olho… o que lhe aconteceu” —respondeu V sem emoção.

No silêncio que seguiu, o sangue deslizava do nariz de V, correndo cálida e lenta por seus lábios e queixo. Seu braço estava dolorido pelos golpes que tinha dado, e lhe doía a cabeça. Entretanto, nada disso o importava. Uma força mais estranha estava sobre ele.

—Sabe por que o menino disse semelhante coisa?

—Não.

Ele e seu pai se olharam enquanto uma multidão de curiosos se reunia.



O Bloodletter disse, a ninguém em particular.

—Parece que meu filho gosta de ler. Como desejo estar bem versado nos interesses de meu menino, eu gostaria de ser informado se alguém o vê fazendo isso. Considerarei um favor pessoal, ao que lhe acrescentará uma vantajosa nota. —O pai de V se virou, pegou uma fêmea pela cintura e a arrastou por volta do fosso principal das fogueiras— E agora teremos um pouco de diversão, meus soldados! Ao fosso!

Um clamor entusiasmado se elevou do grupo de machos e a multidão se dispersou.

Enquanto V os via partir, deu-se conta que não sentia ódio. Normalmente, quando seu pai lhe voltava as costas, Vishous lhe dava rédea solta ao desprezo que sentia pelo macho. Agora não havia nada. Foi como quando tinha olhado os livros antes de oferecer-lhe. Havia sentido… nada.

V baixou o olhar para o macho que tinha golpeado.

—Se alguma vez voltar a aproximar de mim, quebrarei suas pernas e os braços, e me certificarei de que não volte a ver com claridade. Está entendido?

O macho sorriu embora sua boca estava inchando-se como se lhe tivesse picado uma abelha.

—E o primeiro passo a transição?

V fincou as mãos nos joelhos e se inclinou.

—Sou o filho de meu pai. portanto sou capaz de qualquer coisa. Sem importar meu tamanho.

Os olhos do menino aumentaram, como se a verdade fosse sem dúvida óbvia. Desligado como Vishous estava agora, não havia nada que não pudesse agüentar, nenhum ato que não pudesse realizar, nenhum recurso que não empregasse para obter um resultado.

Era como seu pai sempre tinha sido, nada mais que especulação desalmada coberta de pele. O filho tinha aprendido a lição.

CAPÍTULO 12

Quando Jane despertou outra vez, feze-o de um sonho terrorífico, um nos que algo que não existia estava vivo e bem, e no mesmo quarto que ela. Viu os afiados caninos de seu paciente e sua boca no pulso de uma mulher, e ele bebendo de uma veia.

As imagens brumosas e desfocadas se perduraram e a assustaram como uma lona que se movia porque tinha algo debaixo. Algo que faria mal a você.

Algo que mordería você.

Vampiro.

Não sentia medo muito freqüentemente, mas enquanto se sentava lentamente estava assustada. Percorrendo com o olhar o espartano dormitório, deu-se conta com temor que a parte do seqüestro não tinha sido um sonho. Mas, o que acontecia ao resto? Não estava segura do que era real e o que não, porque sua memória tinha muitos buracos. Lembrava operar o paciente. Lembrava admiti-lo na UTIC. Lembrava os homens seqüestrando-a. Mas depois disso? Tudo era vago.

Enquanto aspirava profundamente, cheirou comida e viu que havia uma bandeja preparada ao lado de sua cadeira. Levantando uma tampa de prata da… Jesus, realmente era um bom prato. Imari15, como os tinham sido os de sua mãe. Franzindo o cenho, notou que a comida era de um gourmet: cordeiro com pequenas batatas e abobrinha. Um pedaço de bolo de chocolate e havia uma jarra e um copo a um lado.

Tinham seqüestrado também ao Wolfgang Puck16,por diversão?

Voltou a olhar o seu paciente.

Sob a luz de um abajur na mesinha de noite, jazia quieto sobre lençóis negros, com os olhos fechados, o cabelo negro contra o travesseiro, pesados ombros aparecendo bem acima dos lençóis. Sua respiração era lenta e regular, o rosto tinha cor e não o cobria um brilho de suor febril. Embora as sobrancelhas estivessem franzidas e a boca não era mais que uma linha, parecia… revivido.

O que era impossível, a menos que ela tivesse passado toda uma semana inconsciente.

Jane se levantou com rigidez, estirou os braços por cima da cabeça e se arqueou para recolocar a coluna com um rangido. Movendo-se silenciosamente, foi até a cama e tomou o pulso do homem. Regular. Forte.

Merda. Nada disso era lógico. Nada disso. Pacientes aos quais tinham levado tiros e sido apunhalados, e que tinham quase morrido duas vezes, e que depois sofriam uma operação no coração, não se recuperavam assim. Nunca.

Vampiro.


OH, pare já com isso.

Olhou o relógio digital na mesinha de cabeceira e viu a data. Sexta-feira. Sexta-feira? Cristo, era sexta-feira, as dez da manhã. Tinha-o operado fazia só oito horas, e parecia como se tivesse passado meses recuperando-se.

Talvez tudo isto fosse um sonho. Talvez tenha ficado dormindo no trem a caminho de Manhattan e despertaria quando chegasse à estação de Perm. Soltaria uma risada envergonhada, tomaria uma xícara de café e iria para sua entrevista em Columbia como tinha planejado, jogando toda a culpa à comida das máquinas.

Esperou. Esperou que um movimento brusco no percurso a sacudisse para despertá-la.

Em lugar disso, o relógio digital seguiu passando os minutos.

Bem. De volta à idéia disto foda-é-a-realidade. Sentindo-se completamente só e mortalmente assustada, Jane caminhou até a porta, testou a maçaneta e a encontrou fechada. Surpresa, surpresa. Teve a tentação de golpeá-la. Mas, por que incomodar-se? Ninguém do outro lado a deixaria partir, e além disso, não queria que nenhum deles soubesse que estava acordada.

Percorrer o lugar era uma prioridade. As janelas estavam cobertas por algum tipo de barreira no lado mais longínquo do vidro, o painel tão grosso que nem sequer entrava o resplendor do dia. A porta evidentemente era também impossível de se abrir. As paredes eram sólidas. Não havia telefone. Nem computador.

O armário não tinha mais que roupas negras, botas grandes e um compartimento a prova de fogo. Com fechadura.

O banheiro não oferecia nenhuma saída. Não tinha janela nem duto de ventilação suficientemente amplo pelo que se pudesse fugir.

Voltou para o quarto. Homem, isto não era um quarto. Era uma cela com um colchão.

E isto não era um sonho.

Suas glândulas suprarrenais começaram a bater, o coração enlouqueceu no peito. Disse-se que a polícia devia estar procurando-a. Tinham que estar fazendo isso. Com todas as câmeras de segurança e pessoal do hospital, alguém tinha que ter visto como a tiravam dali. Além disso, se perdia a entrevista, as perguntas começariam a aparecer.

Tentando controlar-se, Jane se fechou no banheiro, cuja fechadura tinha sido retirada. Naturalmente. Depois de usá-lo, lavou o rosto e pegou uma toalha que estava pendurava da parte de trás da porta. Quando pôs o nariz nas dobras, captou uma incrível fragrância que a fez parar. Era o aroma do paciente. Devia havê-la usado, provavelmente antes de sair e receber o tiro.

Fechou os olhos e aspirou com força. Sexo foi o primeiro e o único pensamento que lhe veio à mente. Deus, se pudessem engarrafar isto, estes caras podiam pagar suas dívidas de jogo e drogas patenteando-o.

Desgostosa consigo mesma, deixou cair a toalha como se fosse lixo e captou um brilho atrás da pia. Inclinando-se sobre os azulejos de mármore, encontrou uma navalha de barbear, dessas antigas que a faziam pensar em filmes do oeste. Quando a pegou, ficou olhando a brilhante lâmina.

Certo, esta era uma boa arma, pensou. Uma arma condenadamente boa.

Deslizou-a para dentro do jaleco branco quando escutou abrirem a porta do dormitório.

Deixando o banheiro, manteve a mão no bolso e os olhos alerta. Rede Sox estava de volta, e carregava um par de malas. A carga não parecia substancial, pelo menos não para alguém tão grande como ele, mas a levava com dificuldade.

—Isto deveria ser um início bastante bom —disse em uma voz rouca e cansada, a palavra início pronunciada phincipio, no clássico estilo de Boston.

—Início do que?

—Do tratamento dele.

—Perdão?


Rede Sox se agachou e abriu uma das malas. Dentro havia caixas de ataduras e gazes. Luvas de látex. Seringas de plástico. Potes de pastilhas.

—Disse-nos o que precisava.

—Sim? —Maldição. Não a interessava brincar de ser doutora. Já era suficiente trabalho ser a vítima seqüestrada, muito obrigada.

O tipo se endireitou com cuidado, como se estivesse enjoado.

—Vai cuidar dele.

—Sério?


—Sim. E antes que pergunte, sim, vai sair disto com vida.

—Assumindo que faça o trabalho de médico, não?

—Exato. Mas não estou preocupado. Faria de toda forma, não?

Jane olhou fixamente esse cara. Não se via muito de seu rosto sob o boné de beisebol, mas sua mandíbula tinha uma curva que reconhecia. E tinha esse acento de Boston.

—Conheço você? —perguntou.

—Não.


No silêncio que seguiu, repassou-o com olho clínico. Sua pele estava cinza e pastosa, as bochechas fundas, suas mãos tremiam. Parecia que tinha passado duas semanas de farra, cambaleando, com a respiração irregular. E o que era esse aroma? Deus, Lembrava a sua avó. Todo perfume desnaturado e pó para o rosto. Ou… talvez fosse algo mais, algo que a levava de volta à faculdade de Medicina… Sim, isso era o mais provável. Emprestava ao formaldeído na aula de anatomia do corpo humano.

Certamente tinha a palidez de um cadáver. E doente como estava, perguntou-se se seria capaz de derrubá-lo.

Apalpando a navalha em seu bolso, mediu a distância entre eles e decidiu esperar um momento. Embora estivesse fraco, a porta estava fechada, bem fechada. Se o atacasse, arriscaria-se a que a machucasse ou matasse, e não estaria mais perto de escapar. Sua melhor aposta era ficar perto do marco da porta e esperar até que um deles entrasse. Ia precisar o elemento surpresa, porque estava condenadamente segura de que de outra maneira, dobrariam-na.

Exceto que, o que faria uma vez que estivesse do outro lado? Estava em uma casa grande? Uma pequena? Tinha o pressentimento de que a rotina do Fort Knox17, das janelas era algo normal e corrente no resto da casa.

—Quero sair —disse.

Rede Sox exalou como se estivesse esgotado.

—Em alguns dias voltará para sua vida sem se lembrar de nada disto.

—Sim, claro. O fato de ser seqüestrada tende a desaparecer da memoria de uma pessoa.

—Verá. Ou não, depende de como se apresente o caso. —Enquanto Rede Sox se dirigia a mesinha de cabeceira, usou a mesa e logo a parede para estabilizar-se— Tem um melhor aspecto.

Queria gritar que se afastasse de seu paciente.

—V? —Rede Sox se sentou cuidadosamente na cama— V?

Os olhos do paciente se abriram depois de um momento, e a comissura de sua boca tremeu.

—Poli.

Os dois homens procuraram a mão do outro no mesmo momento, e enquanto os via, Jane decidiu que tinham que ser irmãos… exceto que seus traços eram muito diferentes. Talvez simplesmente fossem amigos íntimos? Ou amantes?



Os olhos do paciente deslizaram sobre ela e percorreram seu corpo de cima a baixo como se estivesse comprovando que estivesse ilesa. Então olhou a comida que não havia tocado e franziu o cenho, como se o desaprovasse.

—Não fizemos isto recentemente? —murmurou Rede Sox ao paciente— Exceto que era eu o que estava na cama? O que parece a você se ficamos empatados e não voltamos a passar nunca mais por esta merda de estar feridos.

Esses gelados e brilhantes olhos a abandonaram e passaram a seu amigo. O cenho não deixou seu rosto.

—Tem aspecto muito ruim.

—E você é a Miss América.

O paciente tirou sua outra mão dos lençóis como se pesasse tanto como um piano.

—Me ajude a tirar a luva de…

—Esquece. Não está preparado.

—Está ficando pior.

—Amanhã…


—Agora. Faremos agora. —A voz do paciente baixou até transformar-se em um suspiro— Se passar outro dia não será capaz de ficar de pé. Sabe o que acontece.

Rede Sox baixou a cabeça até que pendurou de seu pescoço como um saco de farinha. Depois amaldiçoou em voz baixa e estirou a mão para pegar a enluvada do paciente.

Jane se afastou até bater na cadeira em que desmaiou. Essa mão tinha provocado um ataque a sua enfermeira, e ainda assim os dois homens foram ao seu como se o contato com essa mão não tivesse importância.

Rede Sox tirou o couro negro com gentileza, descobrindo uma mão coberta com tatuagens. Santo Deus, a pele parecia brilhar.

—Vêem aqui —disse o paciente, abrindo amplamente os braços para o outro homem—Se deite comigo.

A respiração da Jane se deteve em seus pulmões.

Cormia percorreu as salas do adytum18, os silenciosos pés descalços, a túnica branca sem fazer nem um ruído, o ar entrando e saindo de seus pulmões sem sequer um suspiro que denotasse o movimento. Era assim como perambulava, como devia fazê-lo uma Escolhida, sem causar sombras nos olhos nem sussurros nos ouvidos.

Exceto que tinha um propósito pessoal, e isso era incorreto. Como uma Escolhida, tinha que servir à Virgem Escriba em todo momento, suas intenções sempre para com Ela.

Entretanto, a necessidade própria da Cormia era tal que não podia ser negada.

O Templo dos Livros estava no final de uma larga série de colunas, e suas portas estavam sempre abertas. De todos os edifícios do santuário, incluindo os que continham as jóias, este guardava o conjunto mais prezado. Aqui descansavam os registros da raça da Virgem Escriba, um diário de incompreensível alcance, que abrangia milhares de anos. Ditado por Sua Santidade a Escolhidas especialmente treinadas, o trabalho de amor era um testamento de história assim como de fé.

Dentro da parede de marfim, sob o brilho das velas brancas, Cormia se moveu pelo chão de mármore, passando incontáveis pilhas, caminhando com mais rapidez à medida que se inquietava mais. Os volumes do livros estavam ordenados cronologicamente, e dentro de cada ano pela classe social, mas o que procurava não estaria nesta seção geral.

Olhando por cima do ombro para assegurar-se de que não havia ninguém ao redor, deslizou por um corredor e acessou uma porta de cor vermelha brilhante. No meio dos painéis havia uma representação de duas adagas negras cruzadas na lâmina, com as mangas para baixo, ao redor dos punhos, em relevo de ouro, havia um lema sagrado na Antiga Língua.

A Irmandade da Adaga Negra

Para Defender e Proteger

Nossa Mãe; Nossa Raça; Nossos Irmãos

Sua mão tremeu quando a pôs no atirador dourado. Esta zona estava restringida, e se a pegavam seria castigada, mas não se importava. Embora temesse a busca que estava realizando, já não podia suportar a falta de conhecimento.

O quarto tinha um tamanho e proporção majestoso, seu alto teto de sustento de ouro, os montes não brancos, mas sim de cor negra brilhante. Os livros que enchiam as prateleiras estavam encadernadas em couro negro, seus lombos marcados em ouro que refletia a luz de velas na cor das sombras. O tapete era de cor vermelha sangue, e suave como a pele.

O ar tinha um aroma que não era habitual, e o aroma lembrava a determinadas especiarias. Teve o pressentimento de que era porque em alguma ocasião os irmãos tinham estado fisicamente nesse quarto e tinham permanecido ali em meio de sua história, tirando livros, talvez sobre si mesmos, talvez sobre seus ancestrais. Tentou imaginar e não pôde, porque nunca tinha visto nenhum. Na realidade, nunca tinha visto um macho em pessoa.

Cormia trabalhou com rapidez para descobrir a ordem dos volumes. Parecia que estavam ordenados por ano… OH, espera. Também havia uma seção de biografias.

Ajoelhou-se. Cada coleção de volumes estava marcada com um número e o nome do irmão, junto com sua linhagem paterna. O primeiro deles era um antigo livro com símbolos que tinham uma arcaica variação, que lembrava a alguma das partes mais antigas os livros da Virgem Escriba. Este primeiro guerreiro tinha vários livros com seu nome e número, e os dois irmãos seguintes o tinham como seu progenitor.

Mais longe na fila, tirou um livro ao azar e o abriu. A capa era resplandecente, um retrato pintado do irmão rodeado de escritura que detalhava seu nome, data de nascimento e de introdução à Irmandade, assim como seu progresso no campo de batalha com armas e táticas. A página seguinte era a linhagem do guerreiro durante gerações, seguido por uma pronta das fêmeas com as quais se emparelhou e os filhos que tinha tido. Depois, detalhava sua vida capítulo a capítulo, tanto no campo de batalha como fora dele.

Este irmão, Tohrture, evidentemente tinha vivido muito e lutado bem. Havia três livros sobre ele, e uma das últimas notas era a alegria do macho quando o único filho que sobreviveu, Rhage, entrou na Irmandade.

Cormia colocou o livro em seu lugar e seguiu adiante, passando o dedo indicador pelas encadernações, tocando os nomes. Estes machos tinham lutado para mantê-la a salvo; eram os que tinham acudido quando as Escolhidas tinham sido atacadas décadas atrás. Também eram os que mantinham os civis protegidos dos lessers. Talvez este arranjo com o Primale fosse bom, depois de tudo. Sem dúvida alguém cuja missão era proteger os inocentes não faria mal, não é?

Como não tinha nem idéia da idade de seu prometido ou quando se uniu à Irmandade, olhou cada livro. Havia tantos, pilhas inteiras…

Seu dedo se deteve no lombo de um grosso volume, um de quatro.

O Bloodletter

356

O nome do pai do Primale a deixou fria. Tinha lido sobre ele como parte da história da raça, e Virgem querida, talvez estivesse equivocada. Se as histórias sobre esse macho eram verdadeiras, mesmo aqueles que lutavam nobremente podiam ser cruéis.



Estranho que sua linha paterna não estivesse indicada.

Continuou avançando, riscando mais lombos e mais nomes.

VISHOUS

Filho do Bloodletter



428

Havia um único volume, e era mais magro que um dedo. Enquanto o abria, deslizou a mão pela tampa, com o coração palpitando com força. A encadernação estava rígida quando o abriu, como se o livro tivesse sido alterado. O que de fato tinha acontecido. Não havia retrato, nem tributo cuidadosamente escrito para suas habilidades de combate, só uma data de nascimento que indicava que logo teria trezentos e três anos, e uma anotação de quando tinha entrado na Irmandade. Passou a página. Não havia menção de sua linhagem, exceto pelo Bloodletter, e o resto do livro estava em branco.

Voltando a colocá-lo em seu lugar, retornou aos volumes do pai e tirou o terceiro da coleção. Leu sobre o pai com a esperança de aprender algo sobre o filho, algo que pudesse acabar com seus medos, mas o que encontrou foi um nível de crueldade que a fez rogar que o Primale se parecesse com sua mãe, quem quer que fosse. O Bloodletter era realmente o nome adequado para o guerreiro, já que era cruel com vampiros e lessers por igual.

Passando ao final, encontrou na última página um registro da data de sua morte, embora não se mencionasse a maneira. Tirou o primeiro volume e o abriu para ver o retrato. O pai tinha o cabelo de cor negra azeviche, barba completa e olhos que a faziam querer afastar o livro e não voltar a abri-lo.

Depois de voltar a colocar o livro, sentou-se no chão. Como resultado do requerimento da Virgem Escriba, o filho do Bloodletter viria por Cormia, e tomaria seu corpo como sua legítima posse. Não se podia imaginar no que consistia o ato e o que fazia o macho, e temia as lições sexuais.

Pelo menos como Primale deitaria com outras, disse-se. Muitas outras, alguma das quais tinham sido treinadas para agradar aos machos. Sem dúvida as preferiria a ela. Se tivesse um pouco de sorte, mal seria visitada.

CAPÍTULO 13

Enquanto Butch se estirava sobre a cama de Vishous, e a V envergonhava admiti-lo, tinha passado muitos dias perguntando-se como seria. Como se sentiria. Como cheiraria. Agora que era uma realidade, estava contente de ter que concentrar-se em curar Butch. De outra forma tinha a sensação de que teria sido muito intenso e teria tido que afastar-se.

Quando seu peito roçou o de Butch, tratou de dizer-se que não precisava disto. Quis fingir que não precisava sentir a alguém do seu lado, que não se sentia reconfortado por estar pego dos pés a cabeça com outra pessoa, que o tinha sem cuidado a calidez e a pressão contra seu corpo.

Que o curar o poli não curava a ele.

Mas isso era, é obvio, pura merda. Quando V colocou os braços ao redor do Butch e se abriu para tomar o mal do Omega, precisava de tudo isso. Com a visita de sua mãe e o tiroteio, ansiava a cercania de outro, precisava sentir braços que lhe devolviam o abraço. Ter o pulsar de um coração contra o próprio.

Passava tanto tempo mantendo sua mão afastada dos outros, mantendo a si mesmo afastado de outros, que baixar a guarda com a única pessoa na qual realmente confiava.

Era bom que nunca chorasse ou teria as bochechas tão molhadas como as rochas em um rio.

Quando Butch estremeceu de alívio, Vishous sentiu o tremor dos ombros e os quadris do macho. Sabendo que era incorreto, mas incapaz de deter-se, V enterrou profundamente a mão tatuada dentro do arbusto de cabelo de Butch. Enquanto o poli emitia outro gemido e se aproximava, V desvio os olhos para sua cirurgiã.

Estava sobre uma cadeira, olhando-os, os olhos grandes, a boca ligeiramente aberta.

A única razão pela qual V não se sentia envergonhado como o inferno era que sabia que quando se fosse não teria nenhuma lembrança deste momento de intimidade. De outra maneira não poderia havê-lo suportado. Merdas como essa não aconteciam direto em sua vida… em grande parte porque não o permitia. E que o condenassem se permitia que uma completa estranha tivesse lembranças de seus assuntos particulares.

Exceto... que na realidade não a sentia como uma completa estranha.

Sua cirurgiã levou a mão à garganta, e se afundou mais na cadeira. Enquanto o tempo passava lentamente, desenroscando-se como um cão preguiçoso em uma brumosa noite do verão, seus olhos nunca se separaram dos dele, e ele tampouco afastou a vista.

Retornou-lhe essa palavra. Minha.

Salvo que, em quem estava pensando? Em Butch ou nela?

Nela, deu-se conta. Era a fêmea do outro lado do quarto quem fazia surgir essa palavra nele.

Butch moveu as pernas roçando-se contra as de V através das mantas. Com uma pontada de culpa, V rememorou as vezes em que imaginou a si mesmo com Butch. imaginoua ambos deitados como estavam nesse momento, imaginando-se… bom, a cura não era nem a metade disso. Embora fosse estranho. Agora que estava acontecendo, V não estava pensando em nada sexual com Butch. Não… o impulso sexual e a palavra vinculado se dirigiam para a silenciosa mulher humana que estava ao outro lado do quarto, que estava claramente surpresa.

Possivelmente não podia dirigir a dois homens juntos? Não era que ele e Butch fossem estar assim.

Por alguma ridícula e maldita razão, V lhe disse:

—É meu melhor amigo.

Pareceu surpresa de que lhe oferecesse qualquer explicação. Bem, então eram dois.

Jane não podia tirar os olhos da cama. Seu paciente e Rede Sox estavam resplandecendo juntos, uma suave luz emanando de seus corpos, e algo estava passando entre eles, algum tipo de troca. Jesus, esse aroma doce estava se desvanecendo, certo?

E bons amigos? Olhou a mão de seu paciente enterrada no cabelo de Rede Sox e a maneira com que esses fortes braços sustentavam o homem perto dele. Seguro que eram amigos, mas até onde chegava isso?

Depois de só Deus sabe quanto tempo, Rede Sox deixou sair um longo suspiro e elevou a cabeça. Com seus rostos separados por somente umas poucas polegadas, Jane abraçou a si mesma. Não tinha problemas com que homens estivessem juntos, mas por alguma louca razão não queria ver seu paciente beijando seu amigo. Nem a ninguém mais.

—Está bem? —perguntou Rede Sox.

A voz do paciente foi baixa e suave.

—Sim. Cansado.

—Imagino. —Rede Sox saiu da cama com um ágil movimento. Demônios, via-se como se tivesse passado um mês em um spa. A cor tinha voltado para a normalidade, e seus olhos estavam limpos e alertas. E esse ar de malevolência se foi.

O paciente se recolocou sobre as costas. Logo se enrolou de lado fazendo uma careta de dor. Depois voltou a ficar de costas de novo. As pernas se moviam sob as mantas todo o tempo, como se tratasse de deixar atrás qualquer dor que tivesse no corpo.

—Sente dor? —perguntou Rede Sox. Quando não houve resposta, o homem a olhou por sobre o ombro—Pode ajudá-lo, Doc?

Queria dizer que não. Queria lançar um par de palavrões e exigir ser liberada uma vez mais. E queria chutar a este membro da Nação Rede Sox nas bolas por fazer que seu paciente se sentisse pior com o que fosse que acabasse de acontecer.

O Juramento Hipocrático fez com que ficasse de pé e fosse até a mala.

—Depende do que me trouxe.

Procurou dentro e encontrou um carregamento do Walgreens com todos os analgésicos existentes. E tudo vinha diretamente nos pacotes de uma grande rede farmacêutica, por isso claramente tinham fontes dentro do hospital. As drogas estavam fechadas hermeticamente de maneira que não tinham estado muito tempo no mercado negro. Demônios, estes homems provavelmente eram o mercado negro.

Para assegurar-se de que não perdeu nenhuma alternativa, olhou na segunda mala… e encontrou suas calças de ioga favoritos… e o resto das coisas que tinha empacotado para ir a Manhattan para a entrevista em Columbia.

Tinham estado em sua casa. Estes bastardos tinham estado em sua casa.

—Tínhamos que levar seu carro de volta —explicou Rede Sox— E pensei que apreciaria um pouco de roupa limpa. Isso estava preparado.

Tinham dirigido seu Audi, caminhado através de seus quartos, revistados suas coisas.

Jane se levantou e chutou a bolsa através da quarto. Quando suas roupas se pulverizaram pelo chão, colocou a mão dentro do bolso e pegou a navalha de barbear, pronta para ir até a garganta de Rede Sox.

A voz do paciente soou forte.

—Se desculpe.

Voltou-se e olhou fixo para a cama.

—Por que? Trouxeram-me contra mim vol…

—Você não. Ele.

A voz de Rede Sox foi contrita quando falou apressadamente.

—Sinto que tenhamos invadido sua casa. Somente tentávamos fazer isto mais fácil para você.

—Fácil? Sem ofender, mas vai a merda com sua desculpa. Sabe, as pessoas vão sentir minha falta. A polícia me procurará.

—Nos encarregamos de tudo isso, mesmo da entrevista em Manhattan. Encontramos os bilhetes de trem e o itinerário da entrevista. Já não a esperam.

A ira a fez perder a voz por um momento.

—Como se atrevem.

—Quando souberam que estava doente, estiveram de acordo em marcar outra data. —Como se isso consertasse tudo.

Jane abriu a boca, pronta para lançar-se contra ele, quando se deu conta de que estava em seu poder. Por isso contrariar seus captores provavelmente não era um movimento inteligente.

Com uma maldição, olhou para o paciente.

—Quando me deixarão ir?

—Logo que esteja em pé.

Estudou seu rosto, do cavanhaque até os diamantinos olhos e as tatuagens na têmpora. Por instinto disse:

—Me dê sua palavra. Jure pela vida que devolvi que me deixará ir ilesa.

Não duvidou. Nem sequer para tomar uma pausa.

—Por minha honra e o sangue em minhas veias, será livre logo que esteja bem.

Amaldiçoando-se e a eles, tirou a mão do bolso, inclinou-se, e pegou um frasco de Demerol da grande mala.

—Não há seringas.

—Tenho algumas. —Rede Sox se aproximou tirando um pacote esterilizado. Quando tratou de agarrá-lo, apertou-o— Sei que o usará sabiamente.

—Sabiamente? —tirou-lhe a seringa da mão— Não, vou cravar o olho dele com ela. Porque isso foi o que me ensinaram na faculdade de Medicina.

Inclinando-se de novo, mergulhou na mala e encontrou um par de luvas de látex, um pacote de toalhinhas empapadas em álcool, um pouco de gaze e esparadrapo para mudar o curativo do peito.

Embora tivesse dado ao paciente antibióticos profiláticos por via intravenosa antes da cirurgia para que o risco de infecção fosse baixo, perguntou:

—Também pode conseguir antibióticos?

—Qualquer coisa que necessite.

Sim. Definitivamente estavam enganchados com um hospital.

—Pode ser que necessite de um pouco de ciprofloxacino ou pode ser amoxicilina. Depende do que esteja acontecendo sob a bandagem cirúrgica.

Colocou a agulha, o frasco e os outros fornecimentos médicos na mesinha de noite, ficou as luvas, e rasgou o pacote de alumínio.

—Espera um momento, Doc —disse Rede Sox.

—Desculpe?

Os olhos de Rede Sox se fixaram nela como um par de miras de arma.

—Com todo respeito, preciso reforçar que se o machucar intencionalmente, matarei-a com minhas próprias mãos. Sem importar o fato de que seja mulher.

Enquanto um golpe de medo lhe subia pela coluna, um grunhido encheu o quarto, do tipo que um mastim faria antes de atacar.

Ambos baixaram o olhar para o paciente, surpresos.

Tinha o lábio superior contraído e aqueles afiados dentes dianteiros se tornaram do dobro do tamanho do que tinham sido antes.

—Ninguém a tocará. Não importa o que faça ou a quem.

Rede Sox franziu o cenho como se seu amigo tivesse perdido a cabeça.

—Conhece nosso trato, companheiro. Mantenho você a salvo até que possa fazê-lo por você mesmo. Você não gosta? Mantém seu traseiro são e logo pode preocupar-se por ela.

—Ninguém.

Houve um momento de silêncio, logo Rede Sox olhou a Jane e o paciente alternativamente como se estivesse recalibrando as leis da física… e tendo problemas com os cálculos.

Jane interveio, sentindo a necessidade de acalmar os ânimos.

—Está bem, está bem. Acabem com essa pose de machão, sim? —ambos a olharam com surpresa e pareceram ainda mais pasmos quando deu uma cotovelada em Rede Sox para afastá-lo— Se for ficar aqui, pare de irritá-lo. Não esta ajudando. —Olhou fixamente ao paciente—. E você… só relaxe.

Depois de um momento de silêncio mortal, Rede Sox esclareceu a garganta, e o paciente , colocou a luva e fechou os olhos.

—Obrigado —murmurou.

—Agora, meninos, importam-se se eu fizer meu trabalho para poder sair daqui?

Deu ao paciente uma injeção de Demerol, e depois de um momento as franzidas sobrancelhas cederam como se lhes tivessem afrouxado os parafusos. Quando a tensão abandonou seu corpo, tirou-lhe a bandagem do peito, levantando a gaze e o esparadrapo.

—Meu Deus —ofegou.

Rede Sox olhou sobre o ombro dela.

—O que aconteceu? Esta sarando perfeitamente.

Cuidadosamente deu um golpezinho à fila de grampos metálicos e à rosada sutura abaixo delas.

—Posso tirá-las agora.

—Precisa de ajuda?

—Isto simplesmente não está certo.

Os olhos do paciente se abriram, e foi óbvio que sabia perfeitamente o que esta pensando: Vampiro.

Sem olhar a Rede Sox, disse:

—Traria-me as tesouras cirúrgicas e as pinças da mala? OH, e me traga o spray antibiótico.

Quando ouviu que trabalhava energicamente do outro lado do quarto, sussurrou:

—O que é?

—Vivo —replicou o paciente—Graças a você.

—Aqui está.

Jane saltou como uma boneco. Rede Sox sustentava dois instrumentos de aço inoxidável, mas por sua vida que não podia lembrar para que os tinha pedido.

—Os grampos —murmurou.

—O que?


—Vou tirar os grampos —tomou as tesouras e as pinças e orvalhou o peito do paciente com antibiótico.

A pesar do fato de que seu cérebro estava dançando o twist dentro de seu crânio, as arrumou para cortar e tirar cada uma dos vinte grampos, as deixando cair no cesto de papéis que havia ao lado da cama. Quando terminou limpou as gotas de sangue que brotavam de cada buraco de entrada e saída, logo lhe jogou no peito mais do spray antibiótico.

Quando se encontrou com os brilhantes olhos, teve consciência de que não era humano. Tinha visto o interior de suficientes corpos e sido testemunha da luta por curar muitas vezes para pensar de outra forma. Pelo que não estava segura era de onde deixava isto a ela ou ao resto da raça humana.

Como era possível? Que houvesse outra espécie com tantas características humanas? Não obstante, provavelmente fosse assim como permaneciam ocultos.

Jane lhe cobriu o centro do peito com uma ligeira capa de gaze, a qual fixou em seu lugar. Quando terminou o paciente fez uma careta, e subiu a mão, enluvada, para o estomago.

—Está bem? —perguntou Jane quando ficou pálido.

—Enjoado. —Uma linha de suor lhe brotou sobre o lábio superior.

Olhou a Rede Sox.

—Acredito que deveria ir.

—Porquê?


—Esta a ponto de vomitar.

—Estou bem —murmurou o paciente, fechando os olhos.

Jane se dirigiu para a bolsa por uma vasilha e disse a Rede Sox.

—Vai, agora. Me deixe cuidar dele. Não precisamos de audiência para isto.

Maldito Demerol. Funcionava maravilhosamente contra a dor, mas às vezes os efeitos colaterais eram um verdadeiro problema para o paciente.

Rede Sox duvidou até que o paciente gemeu e começou a tragar convulsivamente.

—Hummm, esta bem. Escuta, antes de ir, quer que traga algo fresco para você comer? Alguma coisa em particular que queira?

—Estas brincando, não é? Como se fosse me esquecer do seqüestro e a ameaça de morte e lhe fosse fazer um pedido de comida para me trazer?

—Não há razão para não comer enquanto esteja aqui —levantou a bandeja.

Deus, essa voz… essa áspera e rouca voz com acento de Boston.

—Conheço você. Definitivamente conheço você de alguma parte.Tira o boné. Quero ver seu rosto.

O homem cruzou o quarto com a comida antiga.

—Trareialgo de comer mais tarde.

Quando a porta se fechou e travou teve a infantil urgência de correr para ela e golpeá-la.

Mas o paciente gemeu e a olhou.

—Deixará de brigar contra a vontade de vomitar agora?

—Não me… encha… —encurvando-se para um lado, o paciente começou a fazer arcadas.

A vasilha não foi necessária, porque não tinha nada no estômago, por isso Jane foi ao banheiro, trouxe uma toalha, e a pôs na boca. Enquanto a mordia miseralvelmente, sustentava-se o centro do peito como se não quisesse que a ferida se abrisse.

—Esta bem —disse enquanto colocava a mão na tensa costas—. Se curou o suficiente. A cicatriz não vai se abrir.

—Sinto… como se… eu… Merda…

Deus, estava sofrendo, o rosto tenso e avermelhado, coberto de suor, o corpo arqueado.

—Esta bem, deixa-o passar através de você. Quanto menos brigue contra isso, mais fácil será. Sim… assim… respira entre elas. Bem, agora…

Acariciou-lhe a coluna, segurou a toalha e não pôde evitar continuar murmurando. Quando terminou, o paciente caiu imovel, respirando pela boca, a mão enluvada apertada fortemente sobre o lençol.

—Isso não foi divertido —disse com voz áspera.

—Encontraremos outro analgésico —murmurou, lhe tirando o cabelo dos olhos— Não mais Dem para você. Escuta, quero olhar suas feridas, OK?

Assentiu e se voltou sobre as costas, a superfície do peito parecia tão ampla como a maldita cama. Foi cuidadosa com o esparadrapo, gentil quando levantou a gaze. Bom Deus… a pele que tinha estado perfurada pelos grampos fazia só quinze minutos estava completamente curada. Tudo o que ficava era uma pequena linha rosada que descia pelo esterno.

—O que é? —balbuciou.

O paciente rodou para ela.

—Cansado.

Sem sequer pensar nisso começou a acariciá-lo novamente, o ruído da mão passando de acima para baixo pela pele fazia um pacífico som. Não passou muito tempo antes de que notasse que os ombros eram puro músculo… e que o que estava tocando era calido e muito masculino.

Levantou a palma da mão.

—Por favor —tomou o pulso com a mão sem marcas… ainda quando seus olhos continuavam fechados—, me toque ou… merda, me agarre, estou… à deriva. Como se fosse sair flutuando. Não sinto nada. Nem a cama… nem meu corpo.

Olhou para onde a segurava, lhe mediu os bíceps e a envergadura do peito. Teve o fugaz pensamento de que poderia quebrar seu braço em dois, mas sabia que não o faria. Uma meia hora antes tinha estado preparado para rasgar a garganta de um de seus mais próximos e queridos amigos para protegê-la…

Pare.


Não se sinta segura com ele. A síndrome de Estocolmo não é seu amigo.

—Por favor —disse com uma respiração trêmula, a vergonha lhe constrangendo a voz.

Deus, nunca tinha entendido como as vitima de seqüestro desenvolviam relações com seus seqüestradores. Ia contra a lógica tanto como das leis de auto conservação. Seu inimigo não podia ser seu amigo.

Mas lhe negar afeto era inconcebível.

—Precisarei de minha mão de volta.

—Tem duas. Usa a outra. —Dizendo isto se apertou ao redor da palma que o sustentava, provocando que os lençois descessem mais por seu torso.

Tinha a pele da cor dourada escuro de um bronzeado de verão e firme… homem, era firme e flexível. Seguindo a curva da coluna subiu até a nuca, e antes de saber que estava fazendo estava acariciando o seu lustroso cabelo. Curto na parte de atrás, longo ao redor do rosto… se perguntava se o usava assim para esconder as tatuagens da têmpora. Salvo que deviam ser para ensiná-los… por que então as faria em um lugar tão visível?

O fez um ruído com a parte de atrás da garganta, um ronrono que lhe percorreu o peito e a parte superior das costas; logo se afastou, o movimento atirou de seu braço. Claramente queria que se estendesse contra ele, mas quando resistiu, deixou de insistir.

Olhando fixamente seu braço entre o apertado aperto pelos bíceps, pensou a respeito da última vez que tinha estado entrelaçada com um homem. Muito tempo. E não tinha sido muito bom, francamente.

Os escuros olhos de Manello lhe vieram à mente…

—Não pense nele.

Jane se moveu bruscamente.

—Como sabe o que há em minha mente?

O paciente soltou o aperto e lentamente se voltou de forma que ficou olhando para o outro lado.

—Perdoe-me. Não é de minha conta.

—Como soube?

—Vou tentar dormir agora, certo?

—Certo.


Jane se levantou e retornou a sua cadeira, pensando em seu coração de seis cavidades. Em seu sangue não classificável. Nessas presas sobre o pulso da loira. Deu um olhar para a janela, perguntando-se se o que cobria os vidros era apenas por segurança ou também para evitar a luz do dia.

Onde a deixava tudo isto? Encerrada em um quarto com um… vampiro?

A parte racional rechaçava a idéia como impossível, mas em seu interior era conduzida pela lógica. Sacudindo a cabeça, lembrou seu livro favorita do Sherlock Holmes, parafraseando-a: Se eliminar todas as explicações lógicas, então o impossível é a resposta. A lógica e a biologia não mentiam, não é? Era uma das razões pelas quais tinha decidido transformar-se em médica em primeiro lugar.

Olhou o paciente, perdendo-se nas implicações. A mente retrocedeu ante as possibilidades evolutivas, mas também considerou assuntos mais práticos. Pensou a respeito das drogas que havia nessa mala e no fato de que o paciente tinha estado fora em um lugar perigoso da cidade quando atiraram nele. E hei, tinham-na seqüestrado.

Como demônios podia confiar nele ou em sua palavra?

Jane pôs a mão no bolso e procurou a navalha de barbear. Perguntou-se se isso era fácil. Não podia.

CAPITULO 14

Acima em seu quarto na casa grande, Phury se sentou com as costas contra a cabeceira e o edredom azul de veludo sobre as pernas. Tirou a prótese e um néscio ardia em um pesado cinzeiro de cristal perto dele. Mozart emergia dos alto-falantes ocultos da equipe estereo.

O livro de armas de fogo diante dele estava sendo usado como cavalete sobre o colo em vez de como material de leitura. Uma grossa folha de papel branco estava colocada em cima, mas desde fazia muito tempo que não riscava nada sobre ela com seu lápis nº 2. O retrato estava completo. Tinha-o acabado fazia uma hora e tratava de reunir coragem para enrrugá-lo e atirá-lo no lixo.

Embora nunca estivesse satisfeito com seus desenhos, deste quase gostava. Da profunda brancura do papel, o rosto, o pescoço e o cabelo de uma fêmea tinham sido revelados em traços de grafite. Bela estava olhando fixamente para a esquerda, com um ligeiro sorriso nos lábios e uma mecha de escuro cabelo lhe atravessando o rosto. Tinha vislumbrado a postura na última refeição dessa tarde. Ela tinha estado olhando para o Zsadist, o que explicava a secreta sublevação da boca.

Em todas as outras que a tinha desenhado, Phury sempre a riscava com seus olhos em outra parte. Se estivesse olhando para fora da página, para ele, pareceria inapropriado. Infernos, simplesmente desenhá-la era inapropriado.

Esmagou a mão sobre o rosto, preparado para enrugar o papel.

Em vez disso, no último momento pegou o néscio, desejando alguma calma artificial para seu coração que pulsava muito forte. Ultimamente estava fumando muito. Mais que nunca. E embora depender da calma química o fazia se sentir sujo, a idéia de deter-se nunca cruzou sua mente. Não podia imaginar-se suportar um dia sem ajuda.

Enquanto dava outra imersão e retinha a fumaça nos pulmões, pensou em seu contato com a heroína. O último mês de dezembro tinha evitado o salto pelo limite do precipício da heroína não devido a que tivesse feito uma boa escolha mas sim porque aconteceu a casualidade de que John Matthew escolheu o momento oportuno para interromper.

Phury exalou e olhou fixamente a ponta do néscio. A tentação de tentar com algo um pouco mais forte tinha retornado. Podia sentir a urgência de ir onde estava Rehv e pedir ao macho outra bolsinha cheia de droga. Possivelmente então obteria um pouco de paz.

Soou um golpe em sua porta e a voz do Zsadist disse:

—Posso entrar?

Phury colocou o desenho no interior do livro de armas.

—Sim.

Z entrou e não disse uma só palavra. Com as mãos nos quadris, andou de um lado para outro, adiante e atrás, aos pés da cama. Phury esperava, acendendo outro néscio e olhando o andar a seu gêmeo idêntico enquanto Z desgastava o tapete.



Não apressava o Z para que falasse mais do que tentaria forçar um peixe a se acalmar no final do anzol com um monte de falatório. O silêncio era a única ceva que funcionaria.

Finalmente o irmão se deteve.

—Está sangrando.

O coração do Phury saltou e estendeu a mão sobre a capa do livro.

—Quanto e durante quanto tempo?

—Me esteve ocultando isso, assim não o sei.

—Como soube?

—Encontrei uma coisa do Tampax guardada no fundo do armário que está junto ao lavabo.

—Possivelmente sejam velhas.

—A última vez que tirei meu barbeador elétrico, não estavam lá.

Merda.

—Então tem que ir ver Havers.



—Sua próxima consulta não é até dentro de uma semana. —Z começou a caminhar outra vez— Sei que não me está contando isso porque tem medo de que enlouqueça.

—Possivelmente o que encontrou está sendo usado por outra razão.

Z se deteve.

—OH, sei. Certo. Porque essas coisas são multifuncionais. Como os cotonetes ou alguma merda. Olhe, falaria com ela?

—O que? —Phury rapidamente deu um pulo. ─ É particular. Entre você e ela.

Z esfregou a cabeça barbeada.

—Você é melhor que eu com esta merda toda. A última coisa que precisa é que me derrube diante dela, ou pior, que grite porque estou morto de medo e não sou razoável.

Phury tratou de respirar fundo, mas logo que pôde conseguir que o ar descesse por sua traquéia. Queria tanto envolver-se. Queria ir pelo corredor de estátuas até a quarto do casal e fazer que Bela se sentasse e lhe surrupiar a história. Queria ser um herói. Mas não era seu lugar.

—Você é seu hellren. Você deve falar com ela. —Phury apagou a última meia polegada do néscio, enrolou um novo e abriu a tampa do acendedor. A pedra de pederneira fez um ruído áspero quando saltou a chama— Pode fazê-lo.

Zsadist amaldiçoou, passeando um pouco mais, então finalmente se dirigiu para a porta.

—Falar a respeito desta coisa de gravidez me lembra que se a perder, estou fodido. Sinto-me tão malditamente impotente.

Depois que seu gêmeo saísse, Phury deixou que sua cabeça caísse para trás. Enquanto fumava, olhava a ponta acesa do néscio e se perguntava ociosamente se para o enrolado à mão era como um orgasmo.

Jesus. Se perdiam a Bela, ambos ele e Z iriam cair em um poço de uma maneira da qual os machos não saíam.

Quando pensou nisso, sentiu-se culpado. Não deveria preocupar-se tanto pela fêmea de seu irmão.

Quando a ansiedade lhe fez sentir-se como se bebesse um ninho de vespas, abriu caminho fumando através da emoção até que deu uma olhada no relógio. Merda. Tinha que dar uma aula de armas de fogo em uma hora. Melhor tomar banho e tentar ficar sóbrio.

John despertou confuso, vagamente consciente de que lhe doía o rosto e de que fazia algum tipo de ruído em seu quarto.

Levantou a cabeça do caderno e esfregou a ponta do nariz. A espiral tinha deixado um desenho de marca de dentes que o fazia pensar no Warf da série do Star Trek. E o ruído era o despertador.

Três e cinqüenta da tarde. As aulas começavam às quatro.

Levantou-se da mesa, cambaleou até o banheiro e se junto ao lavabo. Quando isso pareceu muito trabalhoso, deu-se a volta e se sentou.

Deus, estava exausto. Tinha passado os últimos meses dormindo na cadeira de Tohr no escritório do centro de treinamento, mas depois que Wrath interviesse e o transferisse para à casa grande, tinha voltado para uma verdadeira cama. Qualquer um pensaria que se sentiria bem com todo esse espaço para as pernas. Em vez disso, estava destruído.

Depois de lavar-se, acendeu as luzes e pulou pelo resplendor. Maldição. Má idéia perder a escuridão, e não só porque os olhos estavam o matando. Estando sob as luzes indiretas seu pequeno corpo se via horrível, nada exceto pálida pele sobre ossos. Com uma careta, cobriu seu sexo do tamanho de um polegar com a mão para não ter que olhá-lo e apagou as luzes.

Não havia tempo para uma ducha. Um rápido escovar os dentes, uma salpicada de água sobre o rosto, e não se preocupou com o cabelo.

De volta ao quarto só queria voltar a meter-se sob os lençóis, mas se enfiou nos jeans que eram tamaño de menino e franziu a sombrancelha enquanto subia o zíper. As coisas estavam frouxas nos quadris, ficavam folgados embora estivesse tratando de comer.

Genial. Em vez de passar a transição, estava encolhendo.

Enquanto outra ronda de “O-que-vai-acontecer-se-eu-não-passar-poi-isso?”se apoderava dele, suas sobrancelhas começaram a franzir-se. Merda. Sentia-se como se houvesse um homenzinho com um martelo em cada uma de suas pálpebras, esmagando a golpes os nervos ópticos.

Pegando os livros da mesa, empurrou-os dentro da mochila e saiu. No instante em que pisou no vestíbulo pôs um braço sobre seu rosto. A visão do vestíbulo iluminado fez rugir sua cabeça de dor, e tropeçou para trás, chocando-se contra uma estátua grega. A qual o fez dar-se conta de que não havia posto a camisa.

Amaldiçoando como o inferno, voltou para o quarto, ficou ali e de algum jeito conseguiu baixar sem tropeçar em seus próprios pés. Homem, tudo a deixava nervoso. O som de seus Nike através do vestíbulo era como uma banda de ratos gritões o seguindo. O estalar da porta secreta do túnel soou forte como um tiro. A viagem através da rota subterrânea para o centro de treinamento foi interminável.

Este não ia ser um grande dia. Seu gênio já estava flamejando, e guiando-se pelo último mês ou assim, sabia que quanto mais tarde se manifestasse, mais duro seria contê-lo.

E logo que entrou na classe, soube que estava propenso a estalar.

Sentado na fila de atrás na mesa solitária que John tinha chamado sua até que se tornasse amigo dos rapazes estava… Lash.

Quem agora vinha no pacote econômico de idiota. O cara era grande e maciço, constituído como um lutador. E tinha passado através de uma transformação ao estilo G.I Joe. Antes usava ostentosa roupa de alta costura e jóias de valor da caixa forte do Jacob e CIA; agora estava vestido com calças militares negras e uma gasta camisa de nylon negro. Seu cabelo loiro, o qual tinha sido o bastante comprido para fazer um rabo-de-cavalo tinha agora um corte miliar.

Era como se toda essa pretensão tivesse sido apagada porque sabia que tinha todo o bom por dentro.

Uma coisa não tinha mudado: seus olhos eram ainda da cor cinza da pele de um tubarão e estavam focados em John… que soube sem lugar a dúvidas que se esse tipo o pegava a sós ia experimentar um mundo de dor. Poderia ter derrubdo Lash na última vez, mas isso não aconteceria outra vez, e mais que isso, John ia apanhar . A promessa de vingança estava no conjunto desses ombros grandes e o meio sorriso que tinha escrito fode-se.

John tomou assento junto ao Blay, sentindo o tipo de terror que se dava em um beco escuro.

—Hei, colega —disse seu amigo brandamente—Não se preocupe por esse bastardo, OK?

John não queria parecer tão fraco como se sentia, assim simplesmente encolheu os ombros e abriu o zíper de sua mochila. Deus, a dor de cabeça era mortal. Mas bom, a resposta voar -o-lutar no vazio e revolto estomago dificilmente séria uma dose do Excedrin.

Qhuinn se inclinou e deixou cair uma nota diante do John. Temo-os, era tudo o que dizia.

John piscou rapidamente com gratidão enquanto pegava o livro de armas e pensava sobre o que iriam ver hoje na aula. Que apropriado que fossem armas, sentia-se como se alguém lhe apertasse à parte posterior de seu crânio.

Olhou à parte traseira da sala. Como se Lash tivesse estado esperando o contato visual, o tipo se inclinou e pôs os antebraços sobre a mesa. Suas mãos se fecharam lentamente em dois punhos que pareciam tão grandes como a cabeça do John, e quando sorriu, suas novas presas se viam afiados como facas e brancas como a vida depois da morte.

Merda. John era homem morto se a transição não chegasse logo.

CAPÍTULO 15

Vishous despertou e a primeira coisa que viu foi a sua cirurgiã na cadeira que estava do outro lado do quarto. Aparentemente, mesmo em sonhos tinha estado seguindo sua pista.

Ela também o estava olhando.

—Como esta?

Sua voz era baixa e regular. Calidez profissional, pensou.

—Estou melhor.

Embora fosse difícil imaginar-se sentindo-se pior que quando tinha estado vomitando.

—Dói alguma coisa?

—Sim, mas não me incomoda. É mais, bem um incômodo, na realidade.

Seus olhos o examinaram, mas outra vez com intenção profissional.

—Tem uma cor boa.

Não sabia que dizer daquilo. Porque quanto mais tempo se visse como uma merda, mais tempo poderia ficar com ela. Nesse momento a saúde não era seu amiga.

—Lembrou algo? —perguntou— Sobre o tiroteio.

—Realmente não.

O que era apenas uma mentira parcial. Tudo o que lembrava eram chispadas de acontecimentos, recortes parciais dos artigos em lugar das colunas completas: Lembrava o beco. Uma briga com um lesser. Uma pistola disparando. E depois disso ter terminado em sua mesa e ser evacuado do hospital por seus irmãos.

—Por que alguém quereria atirar em você? —perguntou.

—Estou faminto. Há comida por aqui?

—É traficante de drogas? Ou cafetão de putas?

Esfregou o rosto.

—Por que pensa que sou um outro?

—Atiraram em você em um beco na altura do Trade. Os paramédicos disseram que usava armas.

—Não te ocorreu que poderia ser um policial disfarçado?

—Os policiais de Caldwell não usam adagas de artes marciais. E os de sua espécie não tomariam esse caminho.

V entrecerrou os olhos.

—Os de minha espécie?



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