J. R. Ward Amante Liberado



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Estava mais que preparado para transformar-se em um macho.

Tinha assuntos de família que tratar com os lessers.

Duas horas depois, V estava tão satisfeito quanto podia estar. Não era surpreendente que a fêmea não estivesse em forma para desmaterializarse para sua casa, assim lhe pôs um robe, hipnotizou-a para atordoá-la, e a levou abaixo no elevador de carga do edifício. Fritz estava esperando na calçada com o carro, e o ancião doggen não fez perguntas depois que lhe deu a direção.

Como sempre, esse mordomo era um presente de Deus.

Novamente só no apartamento de cobertura, V se serviu um pouco do Goose e se sentou sobre a cama. A mesa de tortura estava coberta com cera endurecida, sangue, a umidade dela e os resultados de seus orgasmos. Tinha sido uma sessão suja. Mas as boas sempre o eram.

Tomou um longo trago do copo. No denso silêncio, nas seqüelas de suas perversões, na fria bofetada de sua crua realidade, chegou-lhe uma cascata de sensuais imagens. O que tinha visto fazia umas semanas e que agora recordava, tinha sido visto por engano, mas de toda forma, tinha capturado a cena como um ladrão de carteira, escondendo-a em seu lóbulo frontal embora não lhe pertencesse.

Semanas antes tinha visto Butch e Marissa… dormindo juntos. Tinha sido quando o poli estava em quarentena na clínica de Havers. Uma câmara de vídeo estava posta no canto do quarto do hospital, e V os tinha visto no monitor de um computador. Ela usava um vestido de vibrante cor pêssego, ele, uma bata de hospital. Tinham estado beijando-se longa e ardentemente, seus corpos superexcitados sexualmente.

V tinha observado com o coração na garganta como Butch tinha rodado e se montou sobre ela, a bata se abrindo para revelar seus ombros, suas costas e seus quadris. Quando começou a mover-se ritmicamente, sua espinha dorsal se flexionou e afrouxado, enquanto as mãos dela lhe aferravam o traseiro lhe cravando as unhas.

Tinha sido lindo, eles dois juntos. Nada que ver com o sexo de borde afiados que V tinha praticado toda a vida. Tinha havido amor, e intimidade e… afeto.

Vishous deixou que seu corpo se afrouxasse e caiu para trás derrubando-se contra o colchão, inclinando o copo até quase derramá-lo quando se estendeu. Deus, perguntava-se como seria ter esse tipo de sexo. Chegaria a gostar? Talvez lhe desse claustrofobia. Não estava certo de poder estar com alguém que lhe colocasse as mãos por todo o corpo, e não podia imaginar-se estando completamente nu.

Salvo que depois pensou em Butch e decidiu que provavelmente somente dependesse de com quem estivesse.

V cobriu o rosto com a mão boa, desejando como o inferno que seus sentimentos desaparecessem. Odiava-se a si mesmo por esses pensamentos, por sua fixação, por seu inútil adoecer, e a familiar letanía de vergonha vinda em uma onda de cansaço. Quando uma onda de esgotamento a lá Tom Sawyer o percorreu dos pés à cabeça, lutou contra ela, sabendo que era perigoso.

Esta vez não ganhou. Nem sequer teve escolha. Seus olhos se fecharam de repente, mesmo enquanto o medo lambia sua espinha dorsal e lhe deixava a pele arrepiada.

OH… merda. Estava dormindo…

Sentindo pânico tratou de abrir as pálpebras, mas era muito tarde. transformaram-se em paredes de alvenaria. Tinha-o pego um redemoinho e estava sendo sugado para baixo sem importar quanto tentasse se libetar.

Afrouxou a mão que sustentava o copo e apenas o escutou bater contra o chão e estilhaçar-se. Seu último pensamento foi que como esse copo de vodca, quebrando-se e derramando-se, incapaz de conter-se dentro de seu corpo.

CAPÍTULO 3

Algumas quadras para oeste, Phury levantava sua taça de martini e descansava sobre uma banqueta de couro no ZeroSum. Ele e Butch tinham estado bastante silenciosos desde que tinham chegado ao clube fazia mais ou menos meia hora, ambos dedicando-se a olhar às pessoas da mesa da Irmandade.

Deus era testemunha que havia muito para ver nesse lugar.

Do outro lado de uma parede pela qual corria uma catarata, a pista de dança do clube se retorcia com a música techno enquanto os humanos remontavam sobre ondas de êxtase e coca e praticavam sujos atos vestidos com roupa de grife. Entretanto, a Irmandade nunca se juntava com o público geral. A pequena porção de sua propriedade estava na seção VIP, uma mesa ao fundo perto da porta de emergência. O clube era um bom lugar para o D&D. As pessoas os deixava em paz, bebidas alcoólicas eram de boa qualidade, e estava situado no centro, a um passo de distância de onde a Irmandade fazia a maior parte das caçadas.

Além disso era propriedade de um familiar, agora que Bela e Z estavam emparelhados. Rehvenge, o macho que o dirigia, era seu irmão.

Casualmente, também era o fornecedor de drogas do Phury.

Tomou um gole longo do bordo de seu agitado-mas-não-volto. Não teria mais remédeio que realizar outra compra essa noite. Seu contrabando estava em baixa outra vez.

Uma mulher loira meneou ao passar perto da mesa, seus seios ricocheteando como maçãs sob lantejoulas chapeadas, a saia do tamanho de um selo de correios relampejando sobre os socos de seu traseiro e o pouco conveniente tanga. O traje a fazia ver como algo mais que simplesmente nua.

Indecente era a palavra que talvez estivesse procurando.

Era algo típico. A maioria das fêmeas humanas na seção VIP estavam a uma polegada de ser presas por atentado ao pudor, mas bom, as damas tendiam a ser ou profissionais ou o equivalente civil a prostitutas. Enquanto a prostituta se sentava na banqueta seguinte, por meio segundo se perguntou como se sentiria comprar um pouco de tempo com alguém como ela.

Tinha sido celibatário portanto tempo, que parecia totalmente desconjurado até pensar dessa maneira, e muito menos levar a cabo a idéia. Mas talvez o ajudasse a tirar Bela da mente.

—Vê algo que você goste? —disse pausadamente Butch.

—Não sei do que está falando.

—OH? Quer dizer que não notou a loira que acaba de passar por aqui? Ou a forma como estava olhando você?

—Não é meu tipo

—Então procura uma castanha de cabelo longo.

—O que seja. —Quando Phury terminou o martini, teve vontade de atirar a taça contra a parede. Merda, não podia acreditar que tivesse pensado em pagar para ter sexo.

Desesperado. Perdedor.

Deus, precisava de um néscio.

—Vamos, Phury, deve saber que todas as garotas daqui lhe jogam o olho quando o vêm. Deveria provar alguma.

Certo, muita gente o estava pressionando esta noite.

—Não, obrigado.

—Só digo que…

—Vai a merda e fecha o bico.

Butch amaldiçoou em voz baixa mas não fez mais comentários. O que fez Phury se sentir como um idiota. Como deveria.

—Sinto muito.

—Nada, está tudo bem.

Phury fez gestos a uma garçonete, que veio em seguida. Enquanto levavam sua taça vazia, murmurou.

—Esta noite tentou me enganchar com alguém.

—Desculpe?

—Bela. —Phury pegou um guardanapo de cocktail e começou a dobrá-lo em quadradinhos— Disse que havia uma assistente social no Lugar Seguro.

—Rhym? OH, é muito simpática…

—Mas eu…


—Não está interessado? —Butch sacudiu a cabeça— Phury, homem, sei que provavelmente me arrancará a cabeça de uma dentada outra vez, mas já é tempo de que comece a se interessar. Essa merda com você e as fêmeas? Deve terminar.

Phury teve que rir.

—Sei direto, por que não o faz?

—Olhe, precisa viver um pouco.

Phury indicou à loira com a cabeça.

—E crie que comprar sexo faz parte de viver um pouco?

—Com a forma com que está olhando você, não teria que pagar. —disse Butch secamente.

Phury forçou seu cérebro para que tratasse de imaginar o cenário.Imaginou a si mesmo levantando-se e caminhando para a mulher. Tomando-a pelo braço e guiando-a por volta de um das cabines privadas. Talvez lhe fizesse uma mamada. Talvez a colocasse sobre o lavabo, separasse-lhe as pernas e bombeasse nela até terminar. Tempo total transcorrido? Quinze minutos, no máximo. Depois de tudo poderia ser virgem, mas a mecânica do sexo era bastante simples. Tudo o que seu corpo precisaria seria um forte apertão, um pouco de fricção e estaria preparado para gozar.

Bom, em teoria. Nesse momento estava frouxo dentro das calças. Assim embora tivesse a intenção de romper com sua virgindade esta noite, não ia acontecer. Ao menos, não com ela.

—Estou bem. —disse quando chegou seu novo martini. Depois de fazer girar a azeitona com o dedo, a meteu na boca—Sério. Estou bem.

Ambos voltaram para a rotina de guardar silêncio, sem nenhum som entre eles à exceção do tênue batimento do coração da música que chegava do outro lado da parede que tinha a catarata. Phury estava a ponto de puxar o assunto dos esportes porque não podia tolerar o silêncio quando Butch ficou rígido.

Uma fêmea que estava do outro lado da área VIP estava olhando em sua direção. Era a chefe de segurança, a que parecia com um macho e tinha o corte de cabelo igual ao de um macho. Falando de tipos duros. Phury a tinha visto bater em homens humanos bêbados como se estivesse açoitando cães com um jornal.

Mas espera, não estava olhando para Phury. Estava absolutamente concentrada em Butch.

—Whoa,fez com ela. —disse Phury—Acertei?

Butch encolheu os ombros e bebeu o Lag que tinha no copo.

—Só uma vez. E foi antes que estivesse com Marissa.

Phury voltou a olhar à fêmea, e teve que perguntar-se como tinha sido esse encontro sexual. Parecia o tipo de mulher que faria ver as estrelas um homem. E não necessariamente de uma forma prazeirosa.

—É bom o sexo anônimo? —perguntou, sentindo como se tivesse doze anos.

O sorriso de Butch foi lento. Secreto.

—Estava acostumado a pensar que era. Mas quando isso é tudo o que se conhece, certo que pensa que pizza fria é fantástica.

Phury tomo um gole do Martini. Pizza fria, huh. Assim isso era o que o esperava lá fora. Que estimulante.

—Merda, não quero ser um desmancha-prazeres. É só que é melhor com a pessoa adequada. —Butch terminou o Lag de um gole. Quando a garçonete se aproximou para levar o copo para voltar a enchê-lo, disse— Não, agora paro com dois. Obrigado.

—Espera! —disse Phury, antes que a mulher se fosse— Tomarei outro. Obrigada.

Vishous soube que estava dormido, porque estava contente. O pesadelo sempre começava com ele em um estado de glória. No princípio, sempre estava inteiramente feliz, absolutamente completo, como um cubo do Rubik resolvido.

Logo a arma disparou. E uma brilhante mancha vermelha brotou de sua camisa. E um grito rasgou o ar que parecia denso como um sólido.

A dor o bateu como se tivesse sido esmigalhado por fragmentos de metais, como se tivesse sido orvalhado com gasolina e aceso, como se lhe tivessem arrancado a pele em tiras.

OH, Deus, estava morrendo. Ninguém sobrevivia este tipo de agonia.

Caiu de joelhos e…

V saltou da cama como se o tivessem dado um tapa na cabeça.

Na jaula do apartamento de cobertura com paredes negras e vidros recobertos de noite, sua respiração soou como uma serra atravessando madeira dura. Merda, seu coração estava pulsando tão rápido que sentia como se devesse pôr as mãos em cima para mantê-lo em seu lugar.

Precisava um gole… agora.

Com pernas trêmulas caminhou para o bar, pegou um copo limpo, e se serviu uns quatro dedos de Grei Goose. Quase tinha o longo copo sobre os lábios quando se deu conta de que não estava sozinho.

Desenbaiou uma adaga negra da cintura e se virou rapidamente.

—Sou eu, guerreiro.

Jesus Bendito. A Virgem Escriba estava de pé ante ele envolta em uma túnica negra da cabeça aos pés, o rosto coberto, sua pequena forma dominando o apartamento de cobertura. Debaixo de sua prega se derramava um resplendor sobre o chão de mármore, brilhante como o sol do meio-dia.

OH, uma audiência, justo o que desejava nesse momento. Yup, yup.

Fez uma reverência e ficou assim. Tratando de imaginar como podia seguir bebendo nessa posição.

—Sinto-me honrado.

—Como me honra. —disse secamente—Se Levante, guerreiro. Verei seu rosto.

V fez o que pôde para afastar um palavrão de sua boca, com a esperança de camuflar o OH-demônios que estava ali. Maldita fosse. Wrath tinha ameaçado entregando-o à Virgem Escriba se não se comportasse. Era de supor que já tinha deixado cair essa moeda.

Enquanto se endireitava, supôs que sorver um pouco do Goose seria percebido como um insulto.

—Sim, seria-o. —disse ela— Mas faz o que tenha que fazer.

Tragou a vodca como se fosse água e deixou o copo no bar. Queria mais, mas tinha esperanças que não ficasse muito tempo.

—O propósito de minha visita não tem nada que ver com seu Rei. —A Virgem Escriba flutuou para diante, detendo-se quando estava a um metro de distância. V lutou contra o impulso de dar um passo para trás, especialmente quando estendeu a brilhante mão e lhe roçou a bochecha. Seu poder era como o de um relâmpago: mortal e preciso. Não queria ser seu alvo.─É a hora.

A hora do que? Mas se conteve. Não se fazia perguntas à Virgem Escriba. Não a menos que desejasse acrescentar ser utilizado para encerar o chão em seu currículo.

—Aproxima-se seu aniversário.

Era certo, logo cumpriria os trezentos e três anos, mas não lhe ocorria porque isso justificaria uma visita particular de sua parte. Se desejava lhe dar felicitações de aniversário, algo rápido no correio eletrônico serviria da mesma maneira.

Merda, podia enviar uma e-card do Hallmark e dar-se por satisfeita.

—E tenho um presente para você.

—Sinto-me honrado. —E confuso.

—Sua fêmea está preparada.

Vishous sentiu tremer todo o corpo, como se alguém tivesse espetado um cravo no traseiro.

—Sinto muito, que…? —sem perguntas, maldito parvo— Ah… com todo o devido respeito, não tenho fêmea.

—Sim tem. —baixou o brilhante braço— A escolhi entre todas as Escolhidas para ser sua primeira companheira. É a de sangue mais puro, a mais bela —quando V abriu a boca, a Virgem Escriba lhe passou por cima como um rolo compressor.— Certamente se emparelhará, e ambos procriaram, e também procriará com as outras. Suas filhas encherão as filas das Escolhidas. Seus filhos se transformarão em membros da Irmandade. Este é seu destino. Se transformar no Primale das Escolhidas.

A palavra Primale caiu como uma bomba atômica.

—Desculpe, Virgem Escriba… ah… —esclareceu a garganta e se lembrou que se irritasse a Sua Santidade, necessitariam-se pinzas de andaime para recolher seus fumegantes pedaços— Não pretendo ofendê-la, mas não tomarei nenhuma mulher como própria…

—Fará-o. E deitará com ela com o ritual apropriado e engendrará a seus filhos. Como o farão as demais.

Visões de ser apanhado do Outro Lado, rodeado de fêmeas, incapaz de lutar, incapaz de ver seus irmãos… ou… Deus, Butch… arrebataram a mordaça de sua boca.

—Meu destino é como guerreiro. Com meus irmãos. Estou onde devo estar.

Além disso, com o que lhe tinham feito, poderia sequer ter filhos?

Esperava que o sacudisse pela insubordinação. Em vez disso disse:

—Que ousadia a sua negar seu lugar. É tão parecido a seu pai.

Engano. Ele e Bloodletter não tinham nada em comum.

—Sua Santidade…

—Deve fazer isto. E deve se submeter por vontade própria.

Sua resposta saiu disparada, dura e fria.

—Necessito um condenado bom motivo.

—É meu filho.

V deixou de respirar, seu peito se tornou de concreto. Seguro que o havia dito no mais amplo sentido da palavra.

—Faz trezentos e três anos nasceu de meu corpo. — O capuz da Virgem Escriba se elevou por própria vontade, revelando uma fantasmal e etérea beleza— Levanta essa maldita palma e conhece nossa verdade.

Com o coração na garganta, V levantou a mão enluvada, logo arrancou o couro com torpes puxões. Com horror olhou fixamente o que havia atrás de sua pele tatuada. O brilho nele era igual ao dela.

Jesus Bendito… por que demônios não tinha visto a semelhança antes?

—Sua cegueira —disse— foi produto de sua negação. Não desejava sabê-lo.

V cambaleou afastando-se dela. Quando bateu no colchão, deixou-se cair sentado e disse a si mesmo que este não era o momento de perder a cabeça…

OH, espera… já a tinha perdido. Bom negócio, do contrário nesse momento estaria absolutamente apavorado.

—Como… isso é possível? —certo que isso era uma pergunta, mas a estas alturas, que merda lhe importava?

—Sim, acredito que por esta vez perdoarei o interrogatório. —A Virgem Escriba flutuou ao redor da quarto, movendo-se sem caminhar, sua roupa não se via afetada pelo movimento, como se estivesse esculpida em pedra. No silêncio pensou nela como em uma peça de xadrez. Rainha, a única entre todas as demais no tabuleiro que podia mover-se em todas direções.

Quando finalmente falou, sua voz era profunda. Autoritária.

—Desejava conhecer a concepção e o nascimento em forma física, assim assumi uma forma adequada para realizar o ato sexual e fui ao Antigo País em minha época fecunda —fez uma pausa ante as portas de vidro que davam a terraço— Escolhi o macho me apoiando no que acreditava eram os atributos masculinos mais desejáveis para a sobrevivência da espécie. Força e engenho, poder, agressividade.

V visualizou a seu pai e tratou de imaginar à Virgem Escriba tendo sexo com o macho. Merda, essa devia ter sido uma experiência brutal.

—Foi —disse— Recebi exatamente o que em grande medida tinha ido procurar. Não havia volta atrás uma vez que começou o zelo, e ele foi fiel a sua natureza. Embora no final, conteve-se. De alguma forma soube que era o que procurava e quem era.

Sim, seu pai tinha se sobressaído em encontrar e explorar as motivações de outros.

—Talvez foi idiotice por minha parte pensar que poderia pretender ser algo que não era ante um macho como ele. Verdadeiramente inteligente —olhou V através do quarto— Me disse que me daria sua semente só se um filho macho lhe fosse entregue. Nunca tinha conseguido ser pai de um filho que sobrevivesse, e sua virilidade de guerreiro queria essa satisfação.

—Eu, entretanto, desejava o meu filho para as Escolhidas. Seu pai podia entender de táticas, mas não era o único. Sabia bem qual era sua debilidade e tinha o poder de garantir o sexo do bebê. Acordamos que teria você três anos depois do nascimento e durante três séculos, e que podia guiá-lo para lutar a seu lado. Desde aí em adiante serviria a meus propósitos.

Seus propósitos? Os propósitos de seu pai? Merda, e acaso ele não tinha voto?

A voz da Virgem Escriba se fez mais baixa.

—Tendo chegado a um acordo, forçou-me debaixo dele durante horas, até que a forma que tinha adquirido quase morre por isso. Estava possuído pela necessidade de conceber, e eu o suportei porque me passava o mesmo.

Suportar era o termo adequado. V, como o resto dos machos do acampamento guerreiro, tinha sido forçado a observar seu pai ter sexo. O Bloodletter não distinguia entre lutar e fornicar e não tinha feito concessões ao tamanho das fêmeas nem a sua debilidade.

A Virgem Escriba começou novamente a mover-se ao redor da quarto.

—Deixei você no acampamento em seu terceiro aniversário.

V foi levemente consciente de um zumbido na cabeça, como um trem que estivesse cobrando velocidade. Graças ao pequeno trato de seus pais, estava vivendo uma ruína de vida, apanhado, lutando com as seqüelas da crueldade de seu pai assim como também com as malignas lições do acampamento.

Sua voz se fez um grunhido.

—Sabe o que me fez? O que me fizeram lá?

—Sim.


Enviando todas as regras de etiqueta ao caralho, disse:

—Então por que merda deixou que ficasse lá.

—Tinha dado minha palavra.

V se levantou estalando, levando a mão a genitália.

—Alegra-me saber que sua honra permaneceu intacta, mesmo se eu não. Sim, é um intercâmbio fodidamente justo.

—Posso entender seu aborrecimento…

—Pode, mãe? Isso me faz sentir muito melhor. Passei vinte anos de minha vida lutando por sobreviver nesse poço negro. O que obtive em troca? Uma mente confusa e um corpo fodido. E agora quer que engendre para você? —sorriu fríamente— O que acontece se não puder as fecundar? Sabendo o que me passou, não te ocorreu pensar nisso?

—É capaz.

—Como sabe?

—Pensa que há alguma parte de meu filho que não possa ver?

—Você… cadela… —sussurrou.

Uma rajada de calor saiu do corpo dela, suficientemente quente para lhe chamuscar as sobrancelhas, e sua voz estalou em todo o apartamento de cobertura.

—Não se esqueça de quem sou, guerreiro. Escolhi a seu pai imprudentemente, e ambos sofremos por meu engano. Pensa que permaneci ilesa enquanto via que curso tinha tomado sua vida? Pensa que observei você de longe sem me ver afetada? Morro cada dia por você.

—Bom, olhe se não é a maldita Mãe Teresa. —gritou, consciente de que seu próprio corpo tinha começado a esquentar— Se supõe que é todo-poderosa. Se tivesse se importado uma merda, poderia ter intervindo…

—Os destinos não são escolhidos, são outorgados…

—Por quem? Por você? Então, é a você a que devo odiar por toda a merda que me têm feito? —agora estava brilhando por todos lados, nem sequer tinha que olhar para baixo a seus antebraços para saber que o que estava em sua mão se estendeu por todo seu corpo. Justo. Como. Ela— Deus… te amaldiçoe.

—Meu filho…

Mostrou as presas.

—Não me chame assim. Nunca. Mãe e filho… não somos. Minha mãe teria feito algo. Quando estava desamparado, minha mãe teria estado ali…

—Queria estar…

—Quando estava sangrando, esmigalhado e aterrorizado, minha mãe teria estado lá. Assim não me venha com essa estupidez de meu filhinho.

Houve um longo silencio. Logo sua voz saiu clara e forte.

—Apresentará-te ante mim depois de meu retiro, que começa esta noite. Apresentará a sua companheira como uma formalidade. Retornará quando estiver adequadamente preparada para que a use, e fará o que esta destinado a fazer desde seu nascimento. E o fará por própria vontade.

—Um inferno que o farei. E foda-se você.

—Vishous filho do Bloodletter, fará-o porque se não o fizer, a raça não sobreviverá. Para poder conservar a esperança de resistir os assaltos da Sociedade Lessening, necessitam-se mais irmãos. Vocês da Irmandade não são mais que um punhado neste momento. Em épocas passadas foram vinte ou trinta. Onde poderíamos conseguir mais sem ser engendrando-os seletivamente?

—Deixou que Butch entrasse na Irmandade, e não era…

—Foi uma dispensa especial ante uma profecia cumprida. Não é o mesmo, e bem sabe. Seu corpo nunca será tão forte como o seu. Se não fosse por seu poder inato, nunca poderia funcionar como um irmão.

V afastou a vista.

A sobrevivência da espécie. A sobrevivência da Irmandade.

Merda.


Passeou pelo lugar e terminou junto à mesa de tortura e sua parede de brinquedos.

—Sou o cara errado para este tipo de coisas. Não sou do tipo heróico. Não estou interessado em salvar o mundo.

—A lógica está na biologia e não pode ser evitada.

Vishous levantou a brilhante mão, pensando a quantidade de vezes que a tinha usado para incendiar coisas. Casas. Carros.

—Que há a respeito disto? Quer uma geração inteira maldita como eu? O que acontece se transfiro isto a minha descendência?

—É uma arma excelente.

—Também o é uma adaga, mas não incinera a seus amigos.

—Está bendito, não maldito.

—Ah, sim? Trate de viver com esta coisa.

—O poder requer sacrifícios.

Riu com uma dura gargalhada.

—Bom, então, renunciaria a esta porcaria imediatamente para ser normal

—Apesar de tudo, tem uma responsabilidade com a raça.

—Uh-huh, claro. Como você tinha uma com o filho que tinha dado a luz. Melhor rezar para que eu seja mais escrupuloso com minhas responsabilidades.

Olhou fixamente para a cidade, pensando em quantos civis tinha visto cair, golpeados, mortos nas mãos dos lessers do Omega. Tinha sido séculos de inocentes assassinados por esses bastardos, e a vida já era o suficientemente dura sem ser caçado. Ele deveria sabê-lo.

Homem, odiava que tivesse um pouco de razão no que se referia à lógica. Agora só havia cinco membros na Irmandade, ainda com a associação de Butch. Por lei, Wrath não podia lutar pois era Rei. Tohrment tinha desaparecido. Darius tinha morrido no último verão. Assim eram cinco contra um inimigo que continuamente se multiplicava. Para piorar as coisas, os lessers tinham um interminável fornecimento de humanos para arrastar a suas filas, onde os irmãos deviam nascer e criar-se e sobreviver a suas transições. Certo, a classe de alunos que estava sendo treinada no Complexo eventualmente sairiam como soldados. Mas esses meninos nunca possuiriam o tipo de força, resistência ou capacidades curativas que os machos da linha de sangue da Irmandade tinham.

E a respeito de fazer mais irmãos… era um atoleiro pequeno do qual se podia escolher progenitores. Por lei, Wrath como Rei podia deitar com qualquer fêmea da espécie, mas estava plenamente vinculado a Beth. Como o estavam Rhage e Z com suas fêmeas. Tohr, assumindo que ainda estivesse com vida e voltasse em algum momento, não ia ter o estado de ânimo adequado para engravidar a nenhuma das Escolhidas. Phury era a única outra possibilidade, mas era celibatário e tinha o coração malditamente quebrado. Não era material de prostituição masculina.

—Merda. —Enquanto ruminava a situação, a Virgem Escriba permaneceu em silêncio. Como se soubesse que se dizia uma palavra deixaria todo o assunto de lado e que a raça que fosse ao inferno.

Virou-se para enfrentá-la.

—Farei-o com uma condição.

—Qual é.

—Viverei aqui com meus irmãos. Lutarei junto a meus irmãos. Irei ao Outro Lado e… —Santa merda. OH, Deus…— dormirei com quem for. Mas meu lar está aqui.

—Os Primales vivem…

—Este não, assim pegue ou me deixe —a olhou enfurecido— E que fique claro. Sou um bastardo o suficientemente egoísta para seguir meu caminho se não estiver de acordo, e então o que fará? Depois de tudo, não pode me obrigar a foder com mulheres pelo resto de minha vida, não a menos que deseje trabalhar sobre meu pênis você mesma —sorriu fríamente— O que diz a biologia a respeito disso?

Agora era a vez dela de percorrer o quarto. Enquanto a observava e aguardava, odiava o fato de que parecia que se concentravam da mesma maneira… com movimento.

Deteve-se frente à mesa de tortura e estirou a mão brilhante, fazendo-a flutuar sobre a tabela de madeira dura. Os remanescentes do sexo que tinha tido se desvaneceram no ar, a sujeira virou limpeza, como se não tivesse acontecido.

—Pensei que talvez você gostasse de uma vida tranqüila. Uma vida onde fosse protegido e não tivesse que lutar.

—E perder todo esse cuidadoso treinamento que tive com os punhos de meu pai? Não, isso seria uma grande desperdício. Quanto ao amparo pude havê-la necessitado faz uns trezentos anos. Agora não.

—Pensei que talvez… você gostasse de ter uma companheira de sua escolha. A que eu escolhi para você, é a melhor de todas as linhagens de sangue. Um sangue puro elegante e lindo.

—E foi você a que escolheu a meu pai, verdade? Assim desculpe se não me entusiasmar muito.

Seu olhar vagou para seus aparelhos.

—Prefere estes… duros emparelhamentos.

—Sou filho de meu pai. Você mesma o disse.

—Não pode participar destes… jogos sexuais com sua companheira. Seria vergonhoso e aterrador para ela. E não poderá estar com ninguém mais que não seja uma Escolhida. Seria um escândalo.

V tratou de imaginar-se deixando de lado suas afeições.

—Meu monstro precisa sair. Especialmente agora.

—Agora?

—Vamos, mamãe. Sabe tudo a respeito de mim, não é assim? Assim sabe que minhas visões se esgotaram e que estou quase psicótico por falta de sonho. Demônios, deve saber que saltei desde este edifício a semana passada. Quanto mais se alargue isto, pior vou estar, especialmente se não puder ter …um pouco de exercício.



Ondeou a mão, desprezando-o.

—Não vê nada porque está ante uma encruzilhada em seu próprio caminho. O livre-arbítrio não pode ser exercitado se está informado do resultado final, portanto sua parte precognitiva se reprime naturalmente. Retornará.

Por alguma louca razão isso o tranqüilizou, embora tinha lutado contra a intromissão dos destinos de outras pessoas desde que tinham começado a aparecer séculos antes.

Logo se deu conta de algo.

—Você não sabe o que vai me acontecer, não é assim? Não sabe o que vou fazer.

—Dará-me sua palavra de que cumprirá com seus deveres no Outro Lado. Que fará cargo do que se deve fazer. E me dará isso agora.

—Diga-o. Certo que não sabe o que vê. Se quiser minha promessa, me diga isto.

—Por que?

—Quero saber que está impotente ante algo —cuspiu— Para que saiba como me sinto .

O calor nela se elevou até que o apartamento de cobertura esteve como uma sauna. Mas então disse:

—Seu destino é o meu. Não conheço seu caminho.

V cruzou os braços sobre o peito, sentindo-se como se tivesse um nó corrediço ao redor da garganta e estivesse parado sobre uma desvencilhada cadeira. Foda-se.

—Tem minha palavra o vinculem.

—Toma isto e aceita sua designação como Primale. —lhe estendeu um pesado medalhão de ouro com um cordão de seda negro. Quando tomo o objeto, ela assentiu uma vez, como selando o pacto— Me adiantarei e informarei às Escolhidas. Meu retiro termina dentro de vários dias. Virá para mim nesse momento e será instaurado como Primale.

Seu capuz negro se elevou, sem que utilizasse as mãos. Antes de que esta baixasse sobre o brilhante rosto disse:

—Até que nos voltemos a ver. Que esteja bem.

Desapareceu sem um som de movimento, como uma luz extinguindo-se.

V foi para a cama antes que lhe cedessem os joelhos. Quando o traseiro bateu contra o colchão, olhou fixamente o longo e magro pendente. O ouro era antigo e estava marcado com caracteres na Antiga Língua.

Não desejava filhos. Nunca o tinha feito. Embora supunha que neste cenário, não era mais que um doador de esperma. Não teria que ser um pai para nenhum deles, o que era um alívio. Não seria bom com essa merda.

Metendo o medalhão no bolso traseiro das calças de couro, pôs a cabeça entre as mãos. Chegaram-lhe imagens do que tinha sido crescer no acampamento guerreiro, as lembranças eram claras como a água e afiadas como o cristal. Com uma grosseira maldição na Antiga Língua, estendeu a mão para a jaqueta, tirou o telefone, e apertou a tecla de discagem rápida. Quando na linha apareceu a voz de Wrath, ouvia-se um vibrante som ao fundo.

—Tem um minuto? —disse V.

—Sim, o que acontece? —quando V não contínuo falando, a voz do Wrath se fez mais forte— Vishous? Está tudo bem?

—Não.

Houve um rangido logo se ouviu a voz de Wrath ao longe.



—Fritz, pode vir mais tarde aspirar? Obrigado, homem. —O som vibrante parou e uma porta se fechou—Me Diga.

—Lembra… ah, lembra a última vez que se embebedou? Mas realmente bêbado?

—Merda… ah… —durante a pausa, V se imaginou as negras sobrancelhas do Rei franzindo-se até afundar-se atrás de seus óculos envolventes— Deus, acredito que foi com você. Lá, no início do ano 1900, verdade? Sete garrafas de uísque entre os dois.

—Na realidade, foram nove.

Wrath se pôs a rir.

—Começamos às quatro da tarde e bebeu, o que, umas quatorze horas? Estive vomitando todo um dia depois disso. Passaram cem anos e acredito que ainda tenho ressaca.

V fechou os olhos.

—Lembra, quando estava chegando o amanhecer, que eu, ah… disse que nunca tinha conhecido a minha mãe? Que não tinha idéia de quem era ou que tinha acontecido com ela?

—A maior parte está confusa, mas sim, isso eu lembro.

Deus, ambos tinham estado tão poluídos essa noite. Bêbados até o traseiro. E essa tinha sido a única razão pela qual V tinha tagarelado um pouco a respeito do que lhe corroía a mente as vinte e quatro horas dos sete dias da semana.

—V? O que aconteceu? Isto tem algo que ver com sua mahmen?

V se deixou cair para trás sobre a cama. Enquanto aterrissava, o pendente que tinha no bolso lhe beliscou o traseiro.

—Sim… acabo de conhecê-la.

CAPÍTULO 4

No Outro Lado, no santuário das Escolhidas, Cormia estava sentada sobre a cama em seu branca quarto com uma pequena vela branca brilhando junto a ela. Estava vestida com o tradicional vestido branco das Escolhidas, os pés nus sobre o branco mármore, as mãos dobradas sobre a saia.

Esperando.

Estava acostumada a esperar. Era a natureza da vida como Escolhida. Esperava o calendário para que se oferecesse alguma atividade. Esperava que a Virgem Escriba fizesse uma aparição. Esperava uma ordem que desse tarefas para realizar. E esperava com graça, paciência e compreensão, ou envergonhava a integridade da tradição a que servia. Neste lugar nenhuma irmã era mais importante que outra. Como Escolhida, foi parte de um todo, uma simples molécula entre muitas que formava um corpo espiritual funcional… pelo que foi de uma vez indispensável e absolutamente insignificante.

Assim desafortunada era a fêmea que faltasse a seus deveres não iria poluir o resto.

Mas nesse dia, a espera continha uma carga indelével. Cormia tinha pecado, e estava esperando seu castigo.

Por um longo tempo tinha desejado que chegasse a transição, tinha estado secretamente impaciente, embora não para o benefício das Escolhidas. queria se sentir plenamente realizada como ela mesma. Queria sentir que sua respiração e os batimentos de seu coração tinham um significado que pertencia a ela como indivíduo dentro do universo, não como o raio de parte de uma roda. A mudança a tinha sacudido como uma chave para essa liberdade privada.

A mudança lhe tinha sido outorgado recentemente, quando tinha sido convidada a beber da taça do Templo. No princípio havia se sentido triunfante, assumindo que seu desejo clandestino tinha passado desapercebido e que ainda assim, tinha sido realizado. Mas logo tinha chegado o castigo.

Olhando seu corpo, culpava a seus peitos e seus quadris pelo que estava a ponto de passar. Culpava-se a si mesma por desejar ser alguém específico. Devia haver ficado como estava…

A magra cortina de seda que havia na porta deslizou para um lado, para dar passo à Escolhida Amalya, uma das atendentes pessoais da Virgem Escriba.

—Assim parece. —disse Cormia, apertando os dedos até que lhe doeram os nódulos.

Amalya sorriu bondosamente.

—Está-o.


—Quanto falta?

—Virá quando concluir o retiro de Sua Santidade.

O desespero fez que Cormia perguntasse o inconcebível.

—Não pode ser outra das nossas a que seja convocada? Há outras que o desejam.

—Você foi a escolhida. —Enquanto as lágrimas alagavam os olhos de Cormia, Amalya se adiantou, seus pés descalços não faziam nenhum ruído— Será gentil com seu corpo. Ele…

—Não fará tal coisa. É o filho do guerreiro Bloodletter.

Amalya estremeceu.

—O que?


—Acaso a Virgem Escriba não lhe disse isso?

—Sua Santidade só disse que estava tudo arrumado com um integrante da Irmandade, um guerreiro de valor.

Cormia sacudiu a cabeça.

—A mim me disse isso antes, a primeira vez que veio a mim. Pensei que todas sabiam.

A preocupação da Amalya fez que franzisse o cenho. Sem dizer uma palavra, sentou-se sobre a cama e atraiu a Cormia para si

—Não desejo isto. —sussurrou Cormia—Me perdoe, irmã. Mas não o desejo.

A voz da Amalya carecia de convicção quando disse.

—Tudo vai estar bem… de verdade.

—O que está acontecendo aqui? —a afiada voz fez que se separassem de um salto tão efetivamente como um par de mãos.

A Directrix estava parada no vão da porta, com um olhar de suspeita no rosto. Usava um livro de algum tipo em uma mão e um fio de veneradas pérolas negras na outra, era a perfeita representação do apropriado propósito e vocação das Escolhidas.

Amalya se levantou rapidamente, mas não havia forma de negar o momento. Como Escolhida, devia te regozijar por sua condição em todo momento; qualquer outro estado de ânimo era considerado uma falta de hipocrisia pela qual tinha que cumprir uma penitência. E elas tinham sido descobertas.

—Agora devo falar com a Escolhida Cormia —anunciou a Directrix—. A sós.

—Sim, claro. —Amalya foi para a porta com a cabeça baixa—. Se me desculparem, irmãs.

—Vai para o Templo de Expiação, não é assim?

—Sim, Directrix.

—Fique ali pelo resto do ciclo. Se te vir nos terrenos, estarei de mais desgostada.

—Sim, Directrix.

Cormia fechou os olhos apertando-os e rezou por seu amiga enquanto esta partia. Um ciclo inteiro no Templo? Podia voltá-la louca pela privação dos sentidos.

As palavras da Directrix foram cortantes.

—Enviaria você para lá também, se não houvesse outras coisas que necessitam sua atenção.

Cormia enxugou as lágrimas.

—Sim, Directrix.

—Agora deve começar os preparativos lendo isto. —O livro forrado em couro aterrissou na cama— Detalha os direitos do Primale e suas obrigações. Quando terminar, começará seu treinamento sexual.

OH, querida Virgem, por favor, com a Directrix não… por favor, com a Directrix não…

—Layla te instruirá. —Quando os ombros da Cormia se afrouxaram, a Directrix disse bruscamente— Devo me ofender ante seu alívio ao ver que não sou eu a que vai instruir você?

—Em absoluto, irmã.

—Agora me ofende sendo hipócrita. Me olhe. Me olhe.

Cormia levantou os olhos e não pôde evitar encolher-se de medo quando a Directrix a fulminou com um duro olhar.

—Cumprirá com seu dever e o fará bem ou a jogarei daqui. Entende? Será expulsa.

Cormia estava tão aturdida que não pôde responder. Jogariam-na? Mandariam-na… ao Outro Lado?

—Me responda. Fica entendido?

—S-sim, Directrix.

—Não se equivoque. A sobrevivência das Escolhidas e a ordem que estabeleci aqui dentro são a única coisa que importa. Qualquer indivíduo que seja um obstáculo será eliminado. Lembra-o quando sentir o impulso de sentir lástima por você mesma. Esta é uma honra e pode ser revogado com as resultantes conseqüências que serão efetuadas por minha mão. Estamos entendidas? Entamos?

Cormia não pôde encontrar a voz, por isso assentiu com a cabeça.

A Directrix sacudiu a cabeça, tinha uma estranha luz emanando de seus olhos.

—Salvo por sua linha sangüínea é totalmente inaceitável. E já que estamos nisso, todo o assunto é absolutamente inaceitável.

A Directrix se foi com um sussurro de roupa, sua túnica branca de seda flutuando ao redor do marco da porta atrás de sua esteira.

Cormia pôs a cabeça entre as mãos e mordeu o lábio inferior enquanto contemplava sua situação. Seu corpo tinha sido prometido a um guerreiro que nunca tinha visto em sua vida… que era filho de um brutal e cruel progenitor… e sobre seus ombros descansava a nobre tradição das Escolhidas.

Honra? Não, isto era um castigo… pela audácia de querer ter algo para si mesma.

Quando chegou outro martini, Phury tratou de lembrar se era o quinto, ou o sexto? Não estava certo.

—Homem, que bom que não tenhamos que lutar esta noite —disse Butch— Está bebendo essa merda como se fosse água.

—Estou sedento.

—Imaginei. —O poli se estirou sobre o banco fixo— Por quanto tempo mais planeja se reidratar, Lawrence da Arábia?

—Não tem porque ficar …

—Se mova, poli.

Ambos, Phury e Butch levantaram o olhar. V tinha aparecido frente à mesa saído de nenhuma parte, e algo estava errado. Com os olhos dilatados e o rosto pálido, parecia como se tivesse sofrido um acidente, embora não estivesse sangrando.

—Hey, colega. —Butch deslizou para a direita para deixar espaço— Pensei que não o veríamos esta noite.

V se sentou, a jaqueta de couro se inflou para cima fazendo que seus grandes ombros parecessem realmente imensos. Com um movimento pouco habitual nele, começou a tamborilar os dedos sobre a mesa.

Butch franziu o cenho em direção a seu companheiro de quarto.

—Parece como se o tivessem atropelado. O que aconteceu?

Vishous cruzou as mãos.

—Este não é o lugar.

—Então vamos para casa.

—De maneira nenhuma. Vou estar preso lá todo o dia. —V levantou a mão. Quando a garçonete se aproximou, pôs uma nota de cem na bandeja— Faz que flua Goose, tudo bem? E isto é só a gorjeta.

Ela sorriu.

—Será um prazer.

Quando foi para o bar como se estivesse usando patins, os olhos de V percorreram a área VIP, com o cenho franzido. Merda, não estava comprovando a multidão. Estava procurando briga. E era possível que o irmão estivesse… brilhando um poquinho?

Phury olhou para a esquerda e se deu um toque na orelha duas vezes, enviando assim uma solicitude a um dos gorilas que vigiavam a porta privada. O guarda de segurança assentiu e falou contra o relógio bracelete.

Momentos depois saiu um enorme macho com um corte de cabelo uso mohawk. Rehvenge estava vestido com um perfeito traje negro e tinha um bastão negro na mão direita. Enquanto se aproximava lentamente para a mesa da Irmandade, seu guarda-costas se afastaram frente a ele, em parte por respeito a seu tamanho, em parte pelo medo a sua reputação. Todo mundo sabia quem era e do que era capaz. Rehv era o tipo de senhor das drogas que tomava interesse pessoal em seu negócio. Se cruzava com ele terminava talhado em cubos, como algo que se via no canal gastronômico.

O cunhado mestiço de Zsadist estava provando ser um surpreendente aliado para a Irmandade, embora a verdadeira natureza do Rehv complicava tudo. Não era inteligente se colocar na cama de um symphath. Literal ou figuradamente. Por isso era um duvidoso amigo e parente.

Seu tenso sorriso mostrava as presas.

—Boa noite, cavalheiros.

—Incomodaria-se que usássemos seu escritório para um pequeno assunto particular? —perguntou Phury.

—Não vou falar. —disse V chiando os dentes no momento em que chegava sua bebida. Com um giro de pulso a derrubou em sua garganta como se o estivessem incendiando as vísceras e a merda fosse água— Não vou falar.

Phury e Butch trocaram um olhar, e chegaram a um consenso. Ah se, Vishous ia ser inexoravelmente miserável.

—Seu escritório? —disse Phury ao Rehvenge.

Rehv arqueou uma elegante sombrancelha, sobre os ardilosos olhos cor ametista.

—Não estou certo de que queiram usá-la. O lugar está conectado a um sistema de som, e cada sílaba fica gravada. A não ser… é obvio… que eu esteja ali dentro.

Não era o ideal, mas algo que prejudicasse à Irmandade prejudicava à irmã de Rehv, sendo esta a companheira de Z. Assim embora o homem fosse em parte symphath, tinha motivos para ficar calado sobre o que fosse que estivesse ocorrendo.

Phury deslizou da banqueta e olhou fixamente a V.

—Traz sua bebida.

—Não.


Butch ficou de pé.

—Então fica sem ela. Porque se não quiser ir para casa, falaremos aqui.

Os olhos de V brilharam. E não foi o único.

—Merda…


Butch se inclinou sobre a mesa.

—Neste preciso momento está desprendendo um aura como se tivesse o traseiro ligado à parede. Assim que recomendo a você seriamente que deixe de lado essa merda de sou-uma-ilha e leve sua lamentável desculpa de pessoa para o escritório do Rehv antes que demos um espetáculo. Compreendido?

Seguiu um longo espaço de tempo sem que nada ocorresse salvo o troca de olhares entre V e Butch. Logo V ficou de pé e se encaminhou ao escritório de Rehv. No caminho, sua fúria propagava um aroma de químico tóxico, do tipo que faz que pique o nariz.

Homem, o poli era o único que tinha uma oportunidade com V quando o macho estava assim.

Assim demos graças a Deus pelo irlandês.

O grupo passou pela porta vigiada por um par de gorilas e tomaram posse da cova que Rehvenge tinha por escritório. Quando a porta se fechou, Rehv foi para a mesa, moveu algo debaixo dela e um som de assobio deixou de soar.

—Estamos preparados. —disse, sentando-se sobre uma cadeira de couro negro.

Todos olharam fixamente a V… que instantaneamente se converteu em um animal de zoológico, passeando de um lado a outro e parecendo que queria comer a alguém. Finalmente o irmão se deteve do outro lado do aposento em respeito ao Butch. A tênue luz sobre eles não era tão brilhante como a que brilhava debaixo de sua pele.

—Me conte —murmurou Butch.

Sem dizer uma palavra, V tirou algo do bolso traseiro da calça. Quando estendeu o braço, um pesado medalhão de ouro oscilou no extremo de um cordão de seda.

—Parece que tenho um novo trabalho.

—OH… merda —sussurrou Phury.

A organização do dormitório do Blay cumpria os SOP, procedimentos operativos padronizados, para o John e seus amigos. John estava aos pés da cama. Blay estava sentado no chão com as pernas cruzadas. Qhuinn estava estendido em toda sua extensão, com seu novo corpo pendurando metade dentro, metade fora de um puf. Havia garrafas de cerveja abertas, e estavam comendo sacos de Doritos e Ruffles.

—OK, cospe —disse Blay—Como foi sua transição?

—Quem se importa com a mudança. Tive relações. —Enquanto os olhos do Blay e John aumentavam, Qhuinn pôs-se a rir— Sim. Fiz. Para dizer de outra forma no fim me deram a cereja.

—Deixa de brincar. —disse Blay com um suspiro.

—Sério —Qhuinn inclinou a cabeça para trás e se bebeu meia cerveja— Embora deva dizer que a transição… cara… —olhou para John, entrecerrando os olhos—Se Prepare, J-man. É muito duro. Deseja morrer. Reza por isso. E logo a merda fica realmente crítica.

Blay assentiu.

—É espantoso.

Qhuinn terminou a cerveja e atirou a garrafa vazia no cesto de papéis.

—A minha foi presenciada. A sua também, não é? —quando Blay assentiu, Qhuinn abriu o mini refrigerador e tirou outra cerveja— . Sim, quero dizer… foi estranho. Meu pai no quarto. O pai dela, também. Todo o tempo meu corpo estaba se sacudindo. Teria me sentido envergonhado, mas estava muito ocupado me sentindo como um idiota.

—A quem utilizou? —perguntou Blay.

—A Marna.

—Liiiinda.

As pálpebras de Qhuinn se tornaram pesadas.

—Sim, é muito bonita.

Blay ficou boquiaberto.

—Ela? Foi a que…

—Sim. —Qhuinn se pôs a rir quando Blay caiu para trás sobre o chão como se tivessem atirado no peito— Marna. Sei. Logo que posso acreditá-lo eu mesmo.

Blay levantou a cabeça.

—Como ocorreu? E que Deus me ajude, chutarei-te o traseiro se omitir algo.

—Certo! Como se você tivesse sido tão eloqüente com sua merda.

—Não se esquive da pergunta. Começa a ladrar como o cão que é, amigo.

Qhuinn se sentou, e John entendeu o sinal, movendo-se para o mesmo bordo da cama.

—Bom, então tudo tinha terminado, sabem? Quero dizer… tinha terminado de beber, o mudança tinha terminado, estava estendido na cama como… Sim, como se tivesse sido atropelado por um trem. Ela estava ali no caso de que eu precisasse beber mais de sua veia, em uma cadeira em uma canto do quarto ou algo assim. Enfim, seu pai e o meu estavam falando e eu como que desmaiei. Depois soube que estava sozinho no quarto. A porta se abriu e Marna entrou. Disse que esqueceu o casaco ou algo assim. Dei-lhe uma olhada e… bem, Blay, sabe que aspecto tem, não é? Me endureceu imediatamente. Pode me culpar?

—Sem chance.

John piscou e se inclinou ainda mais perto.

—De toda forma, estava coberto por um lençol, mas de alguma forma soube. Homem, estava-me olhando e sorrindo, e eu estava como, “OH, Meu deus…” Mas logo seu pai gritou seu nome do vestíbulo. Ambos tinham que ficar em casa porque já era de dia quando terminei, mas claramente não queria que se deitasse comigo. Então quando saia, disse-me que logo escapuliria para o meu quarto. Na realidade não acreditei, mas tinha esperanças. Passou uma hora e eu esperando… desejando. Outra hora. Logo pensei bem, não virá. Chamei meu pai pelo telefone interno e lhe disse que tinha que sair. Logo me levantei, fui para o chuveiro, saí… e estava na quarto. Nua. Na cama. Cristo. Tudo o que pude fazer foi olhá-la fixamente. Mas me recuperei rapidamente —os olhos do Qhuinn estavam fixos no chão e sacudiu a cabeça para trás e para frente— Tomei-a três vezes. Uma atrás da outra.

—OH… merda —sussurrou Blay— Você gostou?

—O que você acha? Claro. —Enquanto Blay assentia e levantava a cerveja para os lábios, Qhuinn disse— Quando terminei, coloquei-a no chuveiro, limpei-a, e fiqueideabaixo dela durante meia hora.

Blay se engasgou com a cerveja, derramando-a sobre si mesmo.

—OH, Deus…

—Estava como uma ameixa amadurecida. Doce e melosa. —Quando os globos dos olhos do John lhe saíram fora das órbitas, Qhuinn sorriu— A tinha toda sobre meu rosto. Foi fantástico.

O cara tomou um longo gole, como se fosse muito homem, e não tivesse que fazer nenhum esforço por ocultar a reação de seu corpo ao que indubitavelmente estava revivendo em sua mente. Quando seu jeans se esticaram na zona da cremalheira, Blay cobriu os quadris com um sueter.

Não tendo nada que ocultar, John olhou sua garrafa.

—Vai se emparelhar com ela? —perguntou Blay.

—Não, pelo amor de Deus! —Qhuinn levantou a mão e brandamente tocou o olho arroxeado— Só foi… algo que aconteceu. Quero dizer, não. Ela e eu? Nunca.

—Mas não era…

—Não, não era virgem. É obvio que não o era. Assim nada de emparelhamento. De todo o modo nunca me aceitaria dessa maneira.

Blay olhou para John.

—Supõe-se que as fêmeas da aristocracia devem ser vírgens antes de emparelhar-se.

—Embora os tempos mudaram —Qhuinn franziu o cenho— Ainda assim, não o digam nada a ninguém, certo? Passamos um bom momento, e não foi nada do outro mundo. É uma boa pessoa.

—Meus lábios estão selados —Blay fez uma profunda inspiração, logo esclareceu garganta— Ah… é melhor fazê-lo com alguém, verdade?

—O sexo? muito melhor, companheiro. Fazê-lo por você mesmo te alivia, mas não há nada como o real. Deus, era tão suave… especialmente entre as pernas, eu adorei estar em cima dela, lhe colocando minha merda profundamente, ouvindo-a gemer. Teria gostado que pudessem ter estado lá. Realmente teriam desfrutado.

Blay fez girar os olhos.

—Olhar enquanto você faz sexo. Sim, certo, isso é algo que realmente eu quereria ver.

O sorriso do Qhuinn foi lento e um pouco malicioso.

—Você gosta de me ver lutar, não é?

—Bom, certo, é bom.

—Por que teria que ser diferente com o sexo? Só é algo que faz com seu corpo.

Blay pareceu perplexo.

—Mas… o que há a respeito da privacidade?

—A privacidade é um assunto de contexto —Qhuinn tirou uma terceira cerveja— E, Blay?

—O que?


—Além disso, sou muito bom com o sexo —abriu a tampa e tomou um gole— Assim isto é o que temos que fazer. Vou tomar alguns dias para me fortalecer, e logo vamos a um desses clubes do centro. Quero fazê-lo de novo, mas não pode ser com ela. —Qhuinn olhou ao John— J-man, você também vem conosco ao ZeroSum. Não me importa se for um pretrans. Iremos juntos.

Blay assentiu.

—Os três juntos temos boa onda. Além disso, John, logo será como nós.

Enquanto os dois começavam a fazer planos, John ficou em silêncio. Todo o assunto de transar com garotas era impensável e não só porque a transição ainda não o tinha alcançado. Sentiu a arma na têmpora. Sentiu como o tiravam os jeans baixando-lhe, sentiu o inconcebível enquanto o estavam fazendo. Lembrou o fôlego arranhando sua garganta ao entrar e sair e os olhos enchendo-se de lágrimas e como mijou em cima, sobre a ponta dos sapatos baratos do homem.

—Este fim de semana —anunciou Qhuinn— Faremos que se encarreguem de você, Blay.

John deixou a cerveja e esfregou as bochechas enquanto as de Blay ficavam vermelhas.

—Sim, Qhuinn… não sei…

—Confia em mim. Farei que ocorra. Então, John? É o próximo.

A primeira resposta de John foi sacudir a cabeça, negando, mas logo se deteve para não parecer um idiota. Já se sentia deixado para trás como a bola oito, todo pequeno e pouco viril. Desprezar uma oferta para ter sexo o colocaria decididamente na terra dos perdedores.

—Então temos um plano? —demandou Qhuinn.

Quando Blay ficou a jogar com a ponta da jaqueta, John teve a clara impressão de que ele ia dizer não. O que fazia que John se sentisse muito melhor…

—Sim. —Blay esclareceu a garganta— Eu… ah, Sim. Estou, assim, interessado como a merda. É quase na única coisa em que posso pensar, sabem? E é algo doloroso, sério.

—Sei exatamente o que quer dizer —os olhos do Qhuinn brilharam— E vamos passar um bom momento. Merda John… Poderia lhe dizer a seu corpo que se apresse?

John somente encolheu de ombros, desejando poder ir-se.

—Assim, chegou a hora de jogar uns Killerz? —perguntou Blay, assinalando a Xbox que estava no chão— John vai ganhar outra vez, mas ainda podemos brigar pelo segundo lugar.

Foi um tremendo alívio mudar de assunto, e os três se deixaram envolver pelo jogo, gritando à TV, atirando pacotes de caramelos e tampas de cerveja um ao outro. Deus, John adorava isto. Na tela competiam como iguais. Ali não era o menor e tampouco ficava para trás. Era melhor que eles. No Killerz, podia ser o guerreiro que desejava ser.

Enquanto os fazia morder o pó, olhou a Blay e soube que ele tinha escolhido esse jogo especificamente para fazer John se sentir melhor. Mas bem, Blay entendia como se sentiam as pessoas e como ser amável sem envergonhar a ninguém. Era um amigo excelente.

Quatro pacotes de seis cervejas, três viagens à cozinha, duas partidas completas de Killerz e um filme de Godzilla depois, John olhou o relógio e desceu da cama. Fritz logo viria buscá-lo, porque cada noite às 4 a.m. tinha uma entrevista a que devia assistir a não ser que quisesse que o tirassem do programa de treinamento.

Vejo-lhes amanhã na classe? disse por gestos.

—Com certeza. —disse Blay.

Qhuinn sorriu.

—No messenger mais tarde, OK?

Veremos. Fez uma pausa na porta. OH, hey, queria perguntar, tocou seu olho e indicou o de Qhuinn. Como ganhou o olho arroxeado?

O olhar do Qhuinn ficou absolutamente sem espressão, seu sorriso tão brilhante como sempre.

—OH, não é nada. Somente escorreguei e caí na ducha. Realmente estúpido, huh.

John franziu o cenho e olhou a Blay, cujos olhos se pegaram ao chão e permaneceram ali. OK, algo estava…

—John… —disse Qhuinn firmemente— Os acidentes acontecem.

John não acreditou, especialmente dado que os olhos de Blay continuavam baixos, mas como ele mesmo tinha seus próprios segredos não ia intrometer-se.

Sim, certo, disse por gestos. Logo assobiou uma rápida despedida e se foi.

Quando fechou a porta, escutou as vozes graves e pôs uma mão sobre a madeira. Desejava tanto ser como eles, mas a parte do sexo… Não, sua transição era sobre transformar-se em um macho para poder vingar sua própria morte. Não se tratava de atirar-se sobre as garotas. De fato, talvez devesse tomar uma folha do livro de Phury.

O celibato tinha muitas coisas recomendáveis. Phury tinha estado abstendo-se… por toda a vida, e olha-o. Era absolutamente correto, um cara dos mais centrados.

Não era um mau exemplo a seguir.

CAPÍTULO 5

—O que vai ser o que? —balbuciou Butch.

Ao olhar seu companheiro de quarto, Vishous tentou pronunciar a puta palavra sem engasgar-se.

—O Primale. Das Escolhidas.

—E que demônios é isso?

—Basicamente, um doador de esperma.

—Espera, espera… então fará algo assim como fecundação in vitro?

V passou a mão pelo cabelo e pensou no quão bem se sentiria ao atravessar a parede com o punho.

—Tem que se envolver um pouco mais que isso.

Falando de envolver-se mais, tinha passado muito tempo desde que tinha tido sexo direito com uma fêmea. Poderia gozar durante o sexo formal e ritual que praticavam as Escolhidas?

—Por que você?

—Tem que ser um membro da Irmandade. —V passeou ao redor do escuro escritório, pensando em que por agora manteria oculta a identidade de sua mãe— É um atoleiro limitado onde escolher. Um que se está fazendo cada vez menor.

—Viverá lá? —perguntou Phury.

—Viver lá? —interrompeu Butch— Quer dizer que já não poderá lutar junto a nós? Ou… passar o tempo conosco?

—Não, pus essa condição no acordo.

Quando Butch suspirou com alívio, V tratou de não sonhar a respeito de que a seu companheiro de quarto se preocupasse em vê-lo tanto como ele se importava em ser visto.

—Quando aconteceu?

—Faz uns dias.

Phury elevou a voz.

—Foi informado o Wrath?

—Sim.

Enquanto V pensava no que se colocou, seu coração começou a lhe pulsar no peito como um pássaro batendo as asas tratando de escapar da jaula que formavam as costelas. O fato de ter a dois de seus irmãos e ao Rehvenge lhe dando esses horripilantes olhares intensificou o pânico.



—Escutem, importariam-se de me desculpar um momento? Preciso… merda, preciso sair daqui.

—Vou com você. —disse Butch.

—Não. —O estado de ânimo de V era desesperador. Se alguma vez tinha havido uma noite em que poderia ter se sentido tentado a fazer algo estupidamente inapropriado, era essa. Já era o suficientemente ruim que o que sentia por seu companheiro de quarto fosse um segredo subentendido. Fazê-lo realidade atuando sem medir as conseqüências, seria uma catástrofe que nem ele, nem Butch, nem Marissa poderiam confrontar.

—Preciso estar sozinho.

V empurrou o medalhão no bolso traseiro e deixou um esmagador silencio no escritório. Enquanto saía apressadamente pela porta lateral para o beco, desejava encontrar um lesser. Precisava encontrar um. Rezava à Virgem Escri…

V se deteve em seco. Bom, merda. Estava seguro como o inferno de que não ia lhe rezar mais a essa mãe. Nem a usar essa frase.

Maldita… fosse.

V se reclinou para trás contra o frio tijolo do edifício do ZeroSum, e, por mais que lhe doesse, não pôde evitar pensar em sua vida no acampamento guerreiro.

O acampamento tinha estado situado na Europa central, nas profundidades de uma cova. Uns trinta soldados o tinham usado como base central, mas tinha havido outros ocupantes. Uma dúzia de pretrans tinham sido enviados lá para serem treinados, e outra dúzia mais ou menos de prostitutas que alimentavam e atendiam aos machos.

O Bloodletter o tinha dirigido durante anos e tinha formado a alguns dos melhores guerreiros da espécie. Quatro membros da Irmandade se iniciaram sob o mando do pai de V. Não obstante, muitos outros, de todos os níveis, não tinham conseguido sobreviver.



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