Iv – crônicas dos grandes reprodutores



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AOS FRUTOS...

Um número muito grande de outros reprodutores e reprodutrizes utilizados dentro do Mangalarga Marchador carrega em suas veias o sangue do criatório de José Bráulio Junqueira de Andrade.


Todavia, nenhum deles consagra em seus registros oficiais a nobre origem da Fazenda Campo Lindo, outrora morada dos descendentes diretos do Barão de Alfenas.
Definições como “Mangalarga do Meio”, “Marchador de Duas Raças” e outras de menor validade, têm sido empregadas por aqueles que se utilizaram dos animais aqui descritos nestas linhas, como a justificar suas ações.
Foi SINCERO J.B., pela análise de sua descendência, um dos grandes influenciadores do moderno cavalo da Raça Mangalarga Marchador.
Por ele, semental fora da lei e dos livros de registro, viajamos neste artigo-crônica a escavar reminiscências de um passado um tanto nebuloso.
Mas até quando não teremos um ‘J.B.’ definitivamente registrado em Belo Horizonte?

FOTO 180: Neon J.B., pelagem pampa de preto na Linhagem J.B.

FOTO 181: Sincero J.B., marcante presença genética no atual momento da raça.

HERDADE TEATRO:

O MÉRITO ACIMA DE QUALQUER TESTE

Éramos meia dúzia de apaixonados pelo cavalo Mangalarga Marchador reunidos naquele obsessivo passatempo em que é mestre o Prof. Lecy José Lopes do Val. Na beira das pistas dos parques de exposição por este Brasil afora, Prof. Lecy é imbatível no teste de memória em que cada concorrente é obrigado a citar o nome de um grande reprodutor da raça, segundo a letra inicial convencionada. Por exemplo: letra A Um diz Atrevido; outro, Alecrim, etc.


FOTO 182: Herdade Teatro, primeiro reprodutor Herdade a ser inscrito no Livro de Elite MM-7
Começamos pela letra A, passamos ao B, ao C, até que chegamos à letra T.
Trevo, disse um, Titã, Talismã. Minha vez chegara, e, para satisfação, ninguém “batera minha carteira”. O nome do cavalo que tinha para citar era certamente o de maior mérito: HERDADE TEATRO.
Foi neste dia, na cerca branca do Parque da Gameleira-Bolivar de Andrade, que pude contar para o grupo de criadores envolvidos naquele teste uma das histórias mais interessantes sobre a cessão de um reprodutor para a formação de um plantel selecionado.
FOTO 183: Herdade Teatro, símbolo de andamento e casticidade no plantel Solarzinho.
Tudo começara em 1975.
Aconselhado, por técnicos da ABCCMM e amigos a procurar um animal de excelência para padrear as matrizes de seu plantel, Carlos Augusto Beaumord foi levado pelo Dr. Donorte Lourenço André até Juiz de Fora(MG). Lá encontrou-se com o Dr. Paulo Meirelles Teixeira, então proprietário de Teatro. Feito o contato inicial, marcara-se a data da visita, que ocorreria em fevereiro de 76.
Chegando à residência do Dr. Paulo e, após magnífica recepção, Beaumord dirigiu-se até o Sítio onde alojava-se a pequena tropa.
Quando entrou na propriedade, deparou-se com um corcel castanho-pinhão amarrado numa mangueira.
Foi amor à primeira vista!
Parou o carro, abriu a porta, colocou os pés no chão, mas faltaram-lhe forças para se manter ereto. Seus joelhos tremiam e a emoção de encontrar algo tão desejado, levou-o a buscar apoio na lateral do automóvel.
Perante seus olhos estava Herdade Teatro, nascido no criatório de José de Andrade Reis(‘Dié’), em 22 de dezembro de 1960, cuja genealogia está abaixo descrita:







- Gaúcho do Angahy

- Angahy Bonus II




- Seta Caxias













- Bahiana do Engo. de Serra
















HERDADE TEATRO

(22/12/1960)


















- Baluarte do Engo. de Serra

- Campo Lindo Panchito

- Soberana do Engo. de Serra






- Herdade Cinema













- Pompéia do Engo. de Serra

- Sargento J.B.

- Bahiana do Engo. de Serra


Beaumord aprendera na infância, principalmente com seu tio Cícero Fonseca, um dos fundadores do Clube de Lavras (precursor da ABCCMM), que um bom cavalo marchador deveria preencher uma série de requisitos básicos para ser considerado exceção dentro da raça:


(...) ...inclinação de espádua ideal, cernelha atrasada, cascos e aprumos corretos, culote musculoso, garupa cheia, dorso-lombo curto, amplitude toráxica farta, pescoço leve, testa ampla, olhos saltados para fora de suas órbitas, narinas grandes...”, nada lhe escapara após demorada apreciação.
Vendo a sua satisfação, Dr. Paulo ofereceu-lhe Teatro para um repasse pequeno.
Passavam-se três horas e Beaumord ainda não voltara. Quando o fez, Dr. Paulo já se dispunha a sair para procurá-los nas redondezas.
Herdade Teatro, marchando, correspondia a todas as expectativas.
No Sítio, Dr. Paulo estava iniciando seu criatório, que contava naquela época com poucas éguas: uma matriz procedente do Sul de Minas de nome Paloma Bahiana, com a perna cortada, o que a levava a ser a montaria de sua filha para cavalgá-la só a passo; outra, Malu Estrela, filha de Teatro com Herdade Princesa, e uma potranca baia com aproximadamente 2 anos. Esta era a Abaíba Batuíra.
FOTO 184: Abaíba Batuíra, por Marengo x Canária, pilar feminino da raça. Mãe de Batuy e Belaíba da Santa Terezinha.
Percebendo que seria um tanto incongruente manter um garanhão de tal nível para apenas três fêmeas, Beaumord arriscou perguntar se o cavalo estava disponível para negócio.
- “Não, não está. Nem para venda, tampouco para arrendamento. Teatro não sai daqui por nada”, repondeu-lhe firme e educadamente o Dr. Paulo, convidando-o a seguir para almoçar na cidade.
Durante a refeição, nova tentativa para abrirem-se as negociações. Mas o solo estava estéril, e a semente tão desejada, não fecundou naquele instante.
- “Dr. Paulo, manter um animal como Teatro com tão poucas fêmeas é um desperdício para a raça, o que o torna apenas um cavalo de sela. Desculpe-me, mas considero um egoísmo”, disse enfaticamente Beaumord.

- “Dr. Carlos Augusto, esta é minha vontade. Quero Teatro para a minha sela. Por favor respeite o meu desejo”, finalizou o Dr. Paulo.


Voltando dias depois a Juiz de Fora, quis procurar o Dr. Paulo para voltar a conversar sobre Teatro, mas desistiu.
Meses depois, Beaumord casava uma sobrinha, sendo convidado para padrinho juntamente com sua esposa, Sônia. Suas filhas seriam as damas-de-honra. Já no carro e atrasado como sempre, toca o telefone.
Era de Juiz de Fora, Dr. Paulo M. Teixeira!
- “Dr. Paulo, estou saindo para um casamento onde sou o padrinho e estou bem atrasado. Telefono-lhe sem falta amanhã cedo”, afirmou o já inquieto Carlos Augusto.
- “Caro amigo, telefone-me assim que chegar, mesmo que seja de madrugada. O assunto é sobre Herdade Teatro”, finalizou Dr. Paulo.
Foi certamente o mais demorado casamento a que a Família Beaumord compareceu. Olhares de reprovação pelo atraso os receberam na igreja, porém às duas horas da madrugada, sob os protestos da esposa, Beaumord estava em casa colado ao telefone.
Ligou de imediato para Juiz de Fora.
Como ele tanto desejara, Dr. Paulo pensara bem na proposta e resolvera ceder Herdade Teatro para alguém que buscasse realmente desenvolver uma criação de alto nível na Raça Mangalarga Marchador.
O preço do garanhão estava fixado em 75 mil cruzeiros. Também vendia a Malu Estrela por 15 mil cruzeiros; perguntado sobre a potranca baia, Dr. Paulo já a cedera a seu tio, Dr. José dos Reis Meirelles Filho.
A resposta veio pronta de Beaumord:
- “Fico com os dois. Assim que reunir tal soma, mando buscá-los”, socando a mesa de alegria.
- “Vou para o exterior em poucos dias. Quero entregá-lo pessoalmente a seu motorista”, despediu-se o Dr. Paulo.
Carlos Augusto não dormiria naquela noite. Tinha que descobrir um modo de arrumar todo aquele dinheiro em algumas horas. Amanhecendo o dia, ainda sem dormir, sua mulher acordou e disse-lhe:
-“Você ainda está pensando nesse cavalo? Porque não vende o nosso lote na Pampulha, e dorme?”
Estava resolvido o problema!
Um vizinho do tal terreno sempre esteve doido para comprá-lo, pois com isto poderia construir uma praça de esportes, anexa à sua casa. Na manhã seguinte, no sábado, após contactá-lo, foi proposto a compra do tal lote. Antes do meio-dia o negócio estava fechado, o dinheiro providenciado e o Dr. Paulo em Juiz de Fora avisado que o caminhão estava na estrada para pegar Herdade Teatro e Malu Estrela.
À noite, foi com satisfação que toda a família de Beaumord dirigiu-se a Fazenda Solarzinho para esperá-los.
Dali para frente, retomou-se com mais afinco o trabalho de criação. Buscando sempre reunir fêmeas de intensa qualidade, formou-se em pouco tempo seleto plantel de campeãs para o acasalamento com Herdade Teatro.
Entre outras, formavam neste grupo:
...Abaíba Rumba (Abaíba Naipe x Abaíba Mimosa), Campeã Égua e Grande Campeã Nacional da Raça em São Paulo(SP) 1976 e Bi-Campeã Nacional de Marcha em Campos(RJ) 1975 e São Paulo(SP) 1976, além de sagrar-se Campeã Égua e Campeã das Campeãs na Estadual de Belo Horizonte(MG) 1976;
...Gaivota da Boa Vista (Caxambu Conceito x Camponesa da Boa Vista), Campeã Égua e Grande Campeã Nacional em Campos(RJ) 1975;
...Caxambu Orquestra (Caxambu Ion x Caxambu Floresta), Res. Campeã Nacional Jr. em Campos(RJ) 1975, Res. Campeã Égua e Res. Grande Campeã Nacional da Raça em São Paulo(SP) 1976; e
...Sonata do Solarzinho, Campeã Nacional de Marcha em Belo Horizonte(MG) 1977.
FOTO 185: Gaivota da Boa Vista, Grande Campeã Nacional em 1975.
FOTO 186: Sonata do Solarzinho, filha de Prelúdio I do Porto e Campeã Nacional de Marcha em 1977.
E ainda, as destacadas Novela de Cambuquira, Caxambu Nevada, Boite de Santa Marta, Altaneira do Solarzinho, Normalista do Porto, Garoa do Solarzinho e Amante do Solarzinho.
Alguns meses após a transação, recebeu Beaumord um novo telefonema do Dr. Paulo Meirelles Teixeira e, nesta ocasião, conversaram sobra o Campeonato da Marcha levantado por Teatro em Belo Horizonte. Dr. Paulo ligara para contar-lhe que seu Sítio estava sendo desapropriado, em Juiz de Fora, para ampliação do Aeroporto local. Desejava negociar a única égua que restara, a Paloma Bahiana, e que trazia bela potranca tordilha ao pé, filha de Herdade Teatro.
Beaumord adquiriu ambas no escuro, pelo telefone. A potranca chamava-se Paloma Bahia, que posteriormente sagrar-se-ia Campeã Nacional Potra na Macapê 1979. Foi depois cedida a Humberto Lessa Lobo, de Alagoas, que durante a Nacional 1987 a leiloou coberta pelo Tetra Campeão Nacional Progênie de Pai - Santana Nababo. Tornou-se preço recorde deste leilão sob o martelo de João Gabriel e dirigiu-se, em condomínio, para a Sra. Maria Irene B. Reis e Sr. Sérgio Cabral de Sá, ambos do Rio de Janeiro.
À esta altura, Herdade Teatro já ostentava em sua progênie inúmeros filhos campeões, que lhe valeram a inscrição sob o número 003 do Livro de Elite MM-7 da ABCCMM:

...Clementina do Solarzinho (por Sonata do Solarzinho), Res. Campeã na Macapê de Belo Horizonte(MG) 1978;


...Sempre-Viva do Solarzinho (por Caxambu Nevada), Bi-Campeã em Belo Horizonte(MG) 1978/80;
...Setembro do Solarzinho (por Altaneira do Solarzinho), Campeão na Macapê em Belo Horizonte 1980, registrado com 90 pontos e precocemente falecido;
...Uvaia do Solarzinho ( por Altaneira do Solarzinho) hoje integrando o plantel de fêmeas de Luiz Augusto Sacchi(SP);
...Cacilda do Solarzinho (por Garoa do Solarzinho), Campeã Égua em Belo Horizonte (MG) 1985, hoje na propriedade de Humberto Lessa Lobo, de Alagoas;
...Sertão do Solarzinho (por Normalista do Porto), Campeão em Recife(PE) 1978, hoje no plantel da Viúva Joaquim Guerra;
...Universitária do Solarzinho (por Normalista do Porto), Campeã de Raça e Marcha em Curvelo(MG) 1987;
...Umbela do Solarzinho (por Abaíba Rumba), Campeã em Curvelo(MG) 1985;
...Ator de São Joaquim (por Neblina do Solarzinho), Campeão em Vitória(ES) 1979, hoje no plantel de Antônio Aureliano Sanches de Mendonça;
...Tati do Solarzinho (por Ipiranga das Garças), Campeã de Raça e Marcha em Curvelo(MG) 1982;
...Segredo do Solarzinho (por Boite de Santa Marta), Campeão de Marcha aos 25 meses de idade em Curvelo(MG) 1982;
...Renascença do Solarzinho (por Mulata de Cambuquira), Campeã em Curvelo(MG) 1985;
...Umbu do Solarzinho (por Amante do Solarzinho), Campeão em Curvelo(MG) 1985 e Campeão em Fortaleza(CE) 1988.
E, finalmente, a principal matriz do atual rebanho da Fazenda Solarzinho:
...Caetana do Solarzinho (por Amante do Solarzinho), Campeã de Raça e Marcha em Curvelo(MG), e ainda mãe do Res. Campeão Nacional Mirim em Belo Horizonte 1985, Banjo do Solarzinho (por Favacho Farol da Mantiqueira).
Herdade Teatro, quando reprodutor no Sítio São Geraldo/CAFUNDÓ, gerou entre outros:
- Cafundó Londrina (por Abaíba Piaba);
- Cafundó Mangalarga (por Abaíba Piaba);
FOTO 187: Cafundó Mangalarga, reprodutor na criação Capim Velho(MG).
- Cafundó Moeda (por Abaíba Hury); e

- Cafundó Monarca (por Cafundó Mineira).


Na Fazenda Herdade onde nasceu, Teatro deixaria como descendentes sua filha Herdade Jóia e os netos Herdade Relógio, Herdade Omega, Herdade Safira e Herdade Oriente.
Na Fazenda Favacho, onde serviu por uma estação de monta, produziu: Favacho Udinese (por Ara Nasa); Favacho Ucrânia (por Favacho Juventude); Favacho Uganda (por Favacho Prateada) e Favacho Único (por Favacho Havana).
Dentre seus filhos e netos nascidos nas Fazendas Solarzinho e Palmo de Terra, vários permanecem ganhando títulos e campeonatos para confirmar o acerto e a insistência em utilizar-se Teatro em refinadas matrizes, como: Diacuí do Palmo de Terra, Candelária, Balada, Cabreúva, Danúbio, Corcovado, Bataclan, Carolina, Bronze e Cadência, todos nascidos no Solarzinho.
Herdade Teatro conta atualmente com 28 anos, sendo o principal garanhão e cavalo de sela do plantel dos Beaumord. Cobrirá nesta temporada cerca de 30 matrizes em monta natural, demonstrando mais uma vez a longevidade reprodutiva, sempre acima dos 22 anos, dos cavalos e éguas nascidos dentro da Fazenda Herdade, como seus parentes Cadillac, Oceano, Música, Alteza, Bronze...
Nosso interessante jogo de memória terminou aí, na letra T.
Nada restava a acrescentar...

FOTO 188: Herdade Teatro, imão de Cadillac, Cosmo, Bronze, Caxias II...
HERDADE JUPIÁ: TODOS OS TÍTULOS DA RAÇA

Segundo a escritora de livros infantis Cora Rónai, Centauros eram entes que tinham corpo de cavalo, rabo de cavalo, pata de cavalo... e tronco e cabeça de gente. Mais dorminhocos que os Pégasos, acordavam ao meio-dia e iam trotar em bandos pelos vales afora. Nos dias de calor, gostavam de brincar nos riachos; e, às vezes, saíam em disparada pelas ruas dos povoados fazendo um barulhão, levantando nuvens de poeira e assustando as pessoas. Mas quando ficavam quietinhos, eram ótimos indivíduos(será que Centauro é indivíduo?). Todo mundo os apreciava.


No mundo do Cavalo Mangalarga Marchador, a relação de vários anos entre um cavalo e um ser humano forja, para quem observa ao longe, a figura mitológica do Centauro.
Conheceram-se no início da década de 70.
Tudo começou quando o criador Mauro Timóteo Camargo adquiriu na Fazenda Herdade, em Simão Pereira(MG), 4 potros, entre desmamados e de sobreano.
José Resende Ribeiro de Oliveira, fazendeiro em Juiz de Fora(MG), chegara atrasado para adquirir seu potro junto a José de Andrade Reis(‘Dié’). No entanto, ao lhe indicar o negócio recém-findo com o Sr. Timóteo Camargo, abria-lhe também a chance para nova transação.
-“Vá procurá-lo e procure observar bem um potrinho tordilho negro, filho da Alteza. Seu nome é Jupiá”, confidenciou-lhe o Sr. ‘Dié’.
José Resende não titubeou, e partiu para o negócio. Herdade Jupiá, filho de Herdade Ouro Preto e Herdade Alteza, certamente preencheria seu mais completo desejo.
Jupiá era o potro mais cabeludo e sujo daquele grupo, e por ele Timóteo não demonstrara grande interesse. Era apenas um complemento de lote. Com esta deixa, José Resende não teve dificuldades em levar para Juiz de Fora o futuro reprodutor.
Naquela época, já emprestara seu outro cavalo para o querido amigo José dos Reis Meirelles Filho. Estamos falando agora de Herdade Teatro (por Seta Caxias e Herdade Cinema), que gerava no Sítio São Geraldo em Três Rios(RJ) os primeiros produtos com marca CAFUNDÓ. São desta geração: Cafundó Londrina (por Abaíba Piaba), Cafundó Mangalarga (por Abaíba Piaba), Cafundó Moeda (por Abaíba Hury), e Cafundó Monarca (por Cafundó Mineira).
José Resende confiou a seu amigo e “sócio” a tarefa de apresentar o potro tordilho negro, de crinas e cauda brancas, na Exposição Agropecuária e Industrial do Sul Fluminense, em Barra do Pirahy(RJ), que realizar-se-ia dentro de alguns dias. Corria o ano de 1971, e Jupiá não decepcionou: obteve seu primeiro título de Campeão.
FOTO 189: Herdade Jupiá, primeiros títulos de campeão (1971/1972).
Ao voltar para Três Rios, José Meirelles resolveu arriscar naquilo que mais acreditava e dispensou os serviços de Herdade Teatro em seu criatório, fazendo-o retornar à fazenda de José Resende.
- Fico daqui em diante com o potro. Faremos dele um grande campeão”, setenciou ao incrédulo proprietário de Jupiá.
No ano seguinte, ao voltar com o jovem cavalo à Barra do Pirahy(RJ), a sorte não lhe sorriu e aos olhos do juiz suas qualidades passaram desapercebidas.
José Resende não se conformou com tal decisão e ante a decepção do campeonato perdido resolveu vender Herdade Jupiá, não sem antes informar a Zé Meirelles que a preferência era sua.
Mas qual o quê!
José dos Reis Meirelles Filho não poderia deixar passar a oportunidade de construir todo seu plano de criação e convocou um conhecido barbeiro e mascate de animais em Juiz de Fora para intermediar a compra. Imaginava ser descortês negociar diretamente com o amigo que tudo lhe emprestara em termos de reprodutor Mangalarga Marchador.
- “Dr. José Resende, venho à sua fazenda para trazer proposta de compra pelo cavalo tordilho negro. Quem se interessa por ele é pessoa de minha inteira confiança e promete transformar o Jupiá no mais importante cavalo da raça. A proposta é de 22 mil cruzeiros.
- Pois está feito, prezado barbeiro. E diga ao Zé Meirelles para deixar de mesuras comigo pois outro não pode ser o seu cliente”.
FOTO 190: Herdade Jupiá, Campeão dos Campeões no Parque da Água Branca, São Paulo, 1976.
Estava concretizado o grande passo na vida do criador José dos Reis Meirelles Filho.
Dali em diante foi somente uma questão de pregar os diplomas e as rosetas na parede. Herdade Jupiá conquistou em sua carreira pelas pistas, entre outros, os seguintes títulos:


  • Campeão Júnior em Barra do Pirahy(RJ) 1971;




  • Campeão Cavalo e Grande Campeão da Raça em Barra do Pirahy(RJ) 1973;




  • Campeão Cavalo e Grande Campeão da Raça em Belo Horizonte(MG) – Estadual 1974;




  • Campeão Cavalo e Grande Campeão da Raça - Xa Semana Nacional do Cavalo-CCCCN no Recife(PE) 1974;




  • Campeão de Marcha - XII a Semana Nacional do Cavalo–CCCCN em São Paulo(SP) 1976;




  • Campeão dos Campeões - XII a Semana Nacional do Cavalo–CCCCN em São Paulo(SP) 1976; e




  • Tri-Campeão Nacional Progênie de Pai - III a, IV a e V a Exposição Especializada do Cavalo Mangalarga Marchador em Belo Horizonte(MG) 1984/85/86 com os conjuntos:

- em 1984:

Cafundó Querência (por Abaíba Piaba);

Cafundó Urânio (por Abaíba Sereia);

Cafundó Xênia (por Abaíba Piaba).
- em 1985:

Cafundó Vitória (por Abaíba Sereia);

Cafundó Urca (por Abaíba Piaba);

Cafundó Volga (por Abaíba Perdiz).


- em 1986:

Cafundó Xavante (por Abaíba Vareta);

Cafundó Saionara (por Abaíba Piaba);

Cafundó Vitória (por Abaíba Sereia).


Além destes, estão entre seus mais destacados descendentes:


  • Cafundó Nobre (por Cafundó Jandira);

  • Cafundó Querência (por Cafundó Garbosa);

  • Cafundó Sublime (por Abaíba Sereia);

  • Cafundó Segredo (por Cafundó Novela);

  • Herdeiro Tabatinga (por Tabatinga Alhambra);

  • Herdeiro Cromo (por Herdade Prata);

  • Cafundó Panchito (por Abaíba Vareta);

  • Sadiva da Coudelaria Sanjaia (por Suissa da Coudelaria Sanjaia);

  • Senzala da Ponte Alta (por Abaíba Divisa);

  • Cafundó Zenon (por Abaíba Vareta);

  • Cafundó Soberano (por Sama Harpa);

  • Cafundó Predileto (por Abaíba Sereia);


FOTO 191: Cafundó Predileto, irmão próprio de Sublime, Ouro Preto, Vitória e Xopotó.
FOTO 192: Cafundó Ouro Branco, Res. Grande Campeão Nacional da Raça em 1978, e avô de Malibu.


  • Cafundó Ouro Branco (por Abaíba Piaba);

  • Cafundó Ouro Fino (por Abaíba Perdiz);

  • Cafundó Preto (por Abaíba Sereia);

  • Bambina de Itajoana (por Cafundó Quênia);

  • Cafundó Opala (por Cafundó Campo Alegre);

  • Cafundó Apolo (por Abaíba Perdiz);

  • Cafundó Zorro (por Cafundó Querência);

  • Cafundó Universo (por Abaíba Vareta); entre outros.


FOTO 193: Cafundó Opala, neto de Ouro Preto e Herdade Baluarte.
Todos estes títulos estão resumidos por seu novo registro em Livro de Elite MM-7 da ABCCMMarchador. Sob o no 011, lá está descrita, com tinta indelével, a trajetória de sucessos de Herdade Jupiá.
Por tudo que aí está e pelos tempos que se seguirão, parece-me fácil identificar entre Jupiá e o Dr. José dos Reis Meirelles Filho algo mais do que uma simples relação entre um cavalo e seu dono.
Existe sim algo como uma aura de espiritualidade a envolver estes dois corpos em quaisquer distâncias que estejam, fazendo-os parte integrante da figura mitológica do Centauro, indivíduo único nas fábulas das crianças e alvo de admiração de todos que conhecem o moderno Mangalarga Marchador, regalando os olhos ao encontrá-los no convívio do Sítio São Geraldo/CAFUNDÓ.
Ao Dr. José dos Reis Meirelles Filho, de quem tantas vezes busquei lições de vida, fica aqui a homenagem pela maestria da clarividência ao buscar o melhor de Herdade Jupiá para suas éguas de criação.
FOTO 194: Dr. José dos Reis Meirelles Filho, um fã e Juca Meirelles: o Centauro Marchador.

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