Iv – crônicas dos grandes reprodutores



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IV – CRÔNICAS DOS GRANDES REPRODUTORES


UMA DÉCADA DE VITÓRIAS

A vida de um reprodutor - Herdade Cadillac
I...A PAIXÃO DE UM TRADICIONAL CRIADOR
Há exatamente 10 anos, em Maio de 1975, mudava-se para as montanhas de Sacra Família do Tinguá (RJ) um cavalo de muitas estórias. Tido como o segundo melhor clima do país, somente perdendo a primeira posição para a Serra do Baturité, no nordestino Ceará, a vila de Sacra Família apresenta condições excepcionais para a criação de eqüinos, aliando um clima ameno e seco às onduladas colinas, que no Segundo Império eram ocupadas por extensos cafezais de propriedade dos Barões de Vassouras, Amparo e Juparanã.
Neste espaço adequado para o surgimento de bons animais marchadores, carecia de um reprodutor de forte preponderância genética uma fazenda que já se dedicava à criação do Mangalarga Marchador há 5 anos: a Fazenda Paraíso.
Mas, corria o ano de 75 e, em certo dia do outono, foi visitar esta propriedade um tradicional fazendeiro da região de Simão Pereira(MG). Seu nome: José Andrade Reis, ‘Dié’.
Lá chegando, apaixonou-se à primeira vista por um cavalo recém-adquirido dos Lutterbach, de Carmo(RJ). Este reprodutor possuía características marcantes: tordilho, 1,53m na cernelha, excelente marchador e, segundo acreditava-se, 1/8 de sangue do mais nobre garanhão Andaluz importado pelos Lutterback-Lemgruber das serras fluminenses. Chamava-se Relêvo e era então o orgulho da Fazenda Paraíso.
Aí começou nossa história...
José Andrade Reis desejou, a qualquer custo, obter este animal e, finalmente, dispôs-se a trocar seu genearca castanho, de vários anos, por este jovem tordilho. Mineiramente, fato tão em destaque hoje em dia, desenrolaram-se as negociações. Visitas daqui, telefonemas dali, até que finalmente acertaram os ponteiros: Relêvo iria para a Fazenda Herdade e Herdade Cadillac se estabeleceria definitivamente na Fazenda Paraíso.
II...UMA FAMÍLIA MUITO FAMOSA
Herdade Cadillac, nascido em 12 de Outubro de 1958, foi registrado em definitivo sob o no 209 do Livro MM3-1, após julgamento realizado em 10 de Agosto de 1964. Era castanho e entre suas particularidades destacavam-se: luzeiro com cordão, mescla de pêlos brancos na altura do peito e espádua, além de rodopio na garganta e a marca ‘U’ na perna direita. Sua genealogia conhecida é a seguinte:

Gaúcho do Angahy

/

Seta Caxias – Bahiana do Engenho de Serra



/

Herdade Cadillac

\

Herdade Alteza – Herdade Baluarte – Panchito J.B.



\ \ Soberana do Engenho de Serra

Londrina – Londres J.B.



\ Frinéia J.B.
FOTO 123: Herdade Cadillac, um dos maiores raçadores nacionais de todos os tempos.
FOTO 124: Cadillac, o ‘Expresso da Vitória’.
Seu pai, Seta Caxias, foi Campeão Nacional em Belo Horizonte no ano de 1944. Chamava-se Abismo à época de seu nascimento e serviu por alguns anos na Fazenda Engenho de Serra. Era tordilho, de excelente caracterização racial e marcha irrepreensível.
Entre seus descendentes mais famosos, destacam-se:
- Herdade Bronze (por Herdade Alteza, irmão próprio de Cadillac) – que foi vendido para a Fazenda Guanabara, no Estado da Bahia. É pai de Herdade Prata (por Herdade Tiroleza).
FOTO 125: Herdade Prata, padrão de fertilidade, longevidade e alta qualidade.
- Herdade Bismark (por Esmeralda do Engenho de Serra) – sendo pai do excelente marchador Herdade Oceano (também por Herdade Tiroleza), que serviu por alguns anos na Fazenda do Porto e Fazenda Carrancas, hoje estando no município de Magé(RJ) nas Fazendas Consorciadas FC; e Herdade Brasil (por Herdade Brasileira II), que padreou diversos anos no Instituto de Zootecnia do Km 47(RJ).
FOTO 126: Herdade Oceano, um dos melhores andamentos idealizados pelo Sr. ‘Dié’.
- Caxias II (por Seta Borboleta) – reprodutor no Regimento de Cavalaria de Minas (R.C.M.) e que hoje permanece como uma lenda viva, beirando os 30 anos de idade, na Fazenda Pica-Pau Amarelo em Cachoeira de Macacu(RJ). Produziu, entre outros, os afamados Carla do R.C.M. (por Abaíba Narceja), Galaor do RCM (por Abaíba Ilha) e Mussolino do Pica-Pau Amarelo (por Abaíba Mussolina). Está inscrito sob o no 2 no Livro de Mérito da ABCCRMM.
FOTO 127: Galaor do R.C.M., que uniu as linhas de sangue da Herdade e da Abaíba.
- Herdade Teatro (por Herdade Cinema) – serviu no Sítio São Geraldo/Cafundó em Três Rios(RJ) e na Fazenda Solarzinho de Montes Claros(MG). Está inscrito também com grande valor sob o no 3 no Livro de Mérito da ABCCRMM.
FOTO 128: Herdade Teatro, o primeiro reprodutor Herdade a ser inscrito no Livro de Elite.
Seta Caxias morreu no Estado de São Paulo, tendo padreado, por dois anos antes de sua morte, éguas de José Osvaldo Junqueira (JO), o mais famoso criador do cavalo Mangalarga, lá introduzindo sua marcante pelagem tordilha.
Descrevendo agora sua mãe, Herdade Alteza, vale dizer que era castanha, de caracterização racial soberba e porte médio. Era filha de Baluarte, nascido na Fazenda Engenho de Serra, e Londrina. Ambos são do tronco do castanho Bellini J.B., nascido na Fazenda Campo Lindo, em Cruzília(MG), no ano de 1901.
FOTO 129: Herdade Alteza, o ventre-de–ouro da Fazenda Herdade.
Herdade Alteza, égua preferida do Sr. ‘Dié’, gerou diversos produtos de projeção, como:
- Herdade Jupiá (por Herdade Ouro Preto) - considerado por muitos como o reprodutor mais completo da raça, aliando andamento, caracterização racial e beleza, com invulgar harmonia. Vive até hoje no Sítio São Geraldo/Cafundó em Três Rios(RJ), sendo o atual Campeao Nacional Progênie de Pai. É pai, entre outros, de:
. Cafundó Querência (por Abaíba Piaba);

. Cafundó Sublime (por Abaíba Sereia); e

. Cafundó Nobre (por Cafundó Jandira).
FOTO 130: Herdade Jupiá, Campeão dos Campeões da Raça na Semana Nacional do Cavalo em 1976.
- Herdade Capricho (por Herdade Cadillac) – resultante de consangüinidade estreita realizada na Fazenda Herdade. Atualmente reproduz nas Fazendas Porto Azul e Sedução(ES), sendo o mais jovem Campeão Nacional Progênie de Pai (MACAPÊ – BH – 1981). Seus produtos de maior destaque são:
. Escravo da Sedução(por P.L.F. Honda);

. Dior do Porto Azul (por Princesa Channel); e

. Batuta A.C. (por Providência Rima).
FOTO 131: Herdade Capricho, a consanguinidade estreita a serviço de plantéis vitoriosos.
- Herdade Príncipe II (por Herdade Ouro Preto) - castanho, de bom porte e caracterização, serve atualmente na Fazenda Boa Esperança em Batatais(SP). Está padreando éguas castiças de sangue Angahy, descendentes de Sátyro, Mineiro, Miron, Presente e Apolo.
Herdade Alteza morreria em 24 de Julho de 1980, deixando uma imensa contribuição para a Linhagem Herdade, bem como para diversos criatórios do país.

III...A PRODUÇÃO DE CADILLAC


Tendo passado a maior parte de sua vida em Simão Pereira(MG), Cadillac deixaria na Fazenda Herdade animais de alto valor zootécnico, como:


  • Herdade Maxixe (por H. Música) – Grande Campeão Nacional 73 e Campeão dos Campeões 77.


FOTO 131:Herdade Maxixe, Campeão dos Campeões na Semana Nacional do Cavalo em 1977.


  • Herdade Ballet (por H. Música) – Grande Campeão Nacional 76.

  • Herdade Festival (por H. Música) – Grande Campeão Nacional – Macapê 80.

  • Herdade Capricho (por H. Alteza) – 12 vezes Campeão Nacional Progênie de Pai.

  • Herdade Prateado (por H. Prata) – Reservado Campeão Nacional Progênie de Pai 82/83 e 87.


FOTO 132: Herdade Prateado, um pedigree invejável contribuindo no plantel Tosana.
Para demonstrar mais uma vez sua influência nos produtos da Fazenda Herdade, basta analisarmos seu atual plantel de éguas. Senão, vejamos:


  • 2 filhas de Cadillac: H. Camélia (por H. Música) e H. Prateada (por H. Prata);

  • 2 irmãs de Cadillac: H. Alteroza (por H. Alteza) e H. Rainha II (por H. Alteza);

  • 2 sobrinhas de Cadillac: H. Prata (H. Bronze x H. Tiroleza) e H. Bailarina (H. Jupiá x H. Música);


FOTO 133: Herdade Tiroleza, matriarca da Tropa Herdade.


  • 5 netas do tronco de Herdade Cobalto:


FOTO 134: Herdade Cobalto, pai de Imperador, Baião e Sargento.


  • H. Valsa (por H. Música);

  • H. Dançarina (por H. Dança);

  • H. Beleza (Herdade Prata)

  • H. Melodia (por H. Prata);

  • H. Rumba (por H. Flauta);




  • 5 netas do tronco de Herdade Cobre:



FOTO 135: Herdade Cobre, pai de Bolero, Cravo e Fidalgo.
FOTO 136: Herdade Bolero, um dos atuais padreadores da Marca ‘U’.


  • H. Platina (por H. Prata);

  • H. Pérola (por H. Jóia) ;

  • H. Paloma (Herdade Rumba)

  • H. Gávea (por H. Alteroza); e

  • H. Jandaia (por H. Prateada).

Na Fazenda Paraíso, durante os últimos 10 anos de padreação, Cadillac também deixou uma vasta prole. Ao realizarmos o levantamento nas comunicações de nascimento e certificados de registro genealógico provisório desta propriedade, encontramos:




  1. Produção: 48 machos e 65 fêmeas, até outubro de 84.

  2. Distribuição por pelagens:

  • 55 tordilhos

  • 43 castanhos

  • 9 alazões

  • 2 alazões-amarilhos

  • 1 baio

  • 1 pampa de castanho

  • 1 preto

  • 1 rosilho

Seus produtos nesta propriedade também vêm alcançando projeção nas exposições e certames nacionais, destacando-se entre eles:




  • Juazeiro H.B. (por Frida H.B.) – Reservado Campeão Nacional Jr. 83;


FOTO 137: Feitiço H.B., reprodutor por muitos anos na Fazenda Novo México(MG).


  • Feitiço H.B. (por Alvorada H.B.) – Reservado Grande Campeão Nacional da Raça 83.

  • Gladiador H.B. (por Andaluza J.G.) – Campeão Nacional Cavalo – Macapê 82.


FOTO 138: Gladiador H.B., cruzamento nobre entre Herdade e J.B.


  • Lisboa H.B. (por Seta Colombina) – Reservada Campeã Nacional Potranca 83.

  • Fadista H.B. (por Faísca H.B.) – Grande Campeã Nacional de Raça e Marcha 81.

IV ... POR QUE UM LEILÃO CADILLAC?


Muitos que estão hoje no mundo do cavalo Mangalarga Marchador têm percebido o quão abstrato é o conceito sobre um bom cavalo de sela ou destacado reprodutor. Até hoje não se estabeleceram critérios de avaliação para que se possa admitir que estamos diante de um animal realmente provado zootecnicamente.
Contudo, temos indicações na percepção dos criadores mais antigos que devemos respeitar. Se os irmãos, filhos ou netos de um determinado genearca se sobressaem em exposição após exposição, leilão após leilão, certame após certame, trazendo uma avassaladora média de regularidade ao alcançar as primeiras colocações dentro da raça, então podemos afirmar sem sombra de dúvidas que estamos diante de uma exceção racial.
Poucos reprodutores na Raça Mangalarga Marchador podem apresentar um painel de realizações tão significativas quanto Herdade Cadillac. Certamente ele não está sozinho, pois o Mangalarga Marchador hoje se distribui por cinco ou seis linhagens dominantes que produziram também animais de elite, de pura exceção.
Todavia, a Cadillac o destino ofereceu condições de expressão zootécnica que seus proprietários souberam utilizar. Ou será que Herdade Música, Herdade Tiroleza, Herdade Prata, Faísca H.B., Andaluza J.G. e Frida H.B. não são também matrizes de exceção que, em várias oportunidades, participaram em igual proporção na formação de inúmeros produtos?
São 26 anos de vida produtiva, com uma influência na formação da raça que nenhum criador pode, ou deve, desprezar.
Gosto não se discute, mas qualidade se impõe e deve ser preservada.
Portanto, no próximo dia 17 de julho, quando 50 produtos filhos e netos de Herdade Cadillac serão oferecidos em leilão, em Belo Horizonte, não percam esta chance.

Ao I Leilão Cadillac, senhores criadores, e bons negócios para todos!


Rio de Janeiro 1º de Junho de 1985.
FOTO 139: José de Andrade Reis e Hélio Bello Cavalcanti no Parque de Exposições em Caxambu(MG).
UM TREVO DE MUITAS FOLHAS
Corria a década de 60 no Brasil e nossos amigos cavalos ainda não experimentavam a explosão de preços que hoje espocam em leilões ou vendas particulares em fazendas.
Contudo, já despertavam em determinados criadores a paixão de possuí-los.
Esta narrativa me foi detalhada no Natal de 1985 e traz-me a lembrança de um criador singular que tive o prazer de conhecer em minha adolescência.
“(...) Íamos pela Rio-Bahia, para a cidade de Guaratinguetá(SP). Papai saíra de Vassouras, às 6 horas da manhã e no seu Impala branco com forração vermelha, reluzentemente maravilhoso, zero quilômetro, estávamos em estado de alegria. Eu e meu irmão caçula, Flavinho, éramos os mais apaixonados por cavalos de todos os outros meninos: íamos comprar selas novas em Guaratinguetá.
Quando lá arribamos, dirigi-me com Flavinho para observar o trabalho dos artesãos de couro. Papai estava entretido com o seleiro, que lhe mostrava o último exemplar d’O Cruzeiro.
- Veja isto, Coronel Júlio, este é o cavalo que o senhor deveria possuir. É um refinador de tropas aqui no Vale do Paraíba. Seu proprietário mora em Guaratinguetá, aqui pertinho, acho que ele vende o cavalo. É um belo tordilho, não?
- Realmente, parece-me um bom cavalo. Mas fotografia em revista costuma enganar...
E ficou matutando aquilo, cofiando seu vasto bigode e roçando a palma da mão no cabo de madrepérola do canivete que trazia à cintura.
Nós pegamos nossos arreios novos e delicadamente os arrumamos na imensa mala do Impala; nos sentamos à frente com papai. Aí veio a primeira surpresa:
- Vamos telefonar para sua mãe. Hoje iremos nos demorar um pouco mais.
Entreolhamo-nos com um misto de surpresa e admiração. Alguns minutos a mais no carrão rabo-de-peixe seriam simplesmente divinos.
- Para onde vamos, papai?
- 20 quilômetros fora da cidade. Tenho um negócio a tratar por lá e acho que vocês irão gostar de me ajudar nisto.
Já na Dutra, seguindo à alta velocidade de 100 Km/h, papai dirigia silencioso e nós pelejávamos em descobrir suas intenções.
Finalmente chegamos. Era uma fazenda antiga, colonial, caminho para Paraty e um riacho cristalino corria à sua porta.
- Procuro o Sr. João. Venho por indicação do seleiro de Guará, disse Papai ao retireiro, no curral.
- Podes adentrar, meu amigo. Se vens a mando do velho seleiro, então vens bem recomendado.
Após as primeiras sondagens e aquele jogo de informações sobre o desempenho da produção de leite, veio o arremate final:
- Meu amigo, vim para comprar seu garanhão tordilho. Lá na Gironda tenho uma cocheira prontinha esperando por ele.
- Coronel, o cavalo já não mais me pertence. Perdi-o num jogo de poker na semana passada para um certo Juiz de Direito que mora em Guarulhos. Realmente eu o tinha como alguém da família. Mas naquela noite, sei não..., tudo estava contra mim. Não é que o raio do Juiz tinha uma quadra de ases escondida entre os dedos. Tive que entregar tudo para ele: meu dinheiro, meus animais e até meu cavalo. Só me restou a fazenda, que a muito custo estou procurando levar para frente. A vida está difícil, Coronel. Ainda mais quando se é um azarado jogador de poker!
Fomos embora. Flavinho e eu já sabíamos o que Papai desejava. Após diversos anos produzindo descendentes de OK e Joazeiro J.B., ele procurava um elemento melhorador para nossa tropa já de vinte anos de criação. Nossos olhinhos brilhavam. Procurávamos imaginá-lo: seria bom marchador? Teria frente bonita? E a produção, será que corresponderia com nossas éguas ?
Chegamos a Guarulhos, já pertinho de São Paulo. Perguntamos pela casa do Juiz e por onde passávamos o Impala branco ia fazendo sucesso.
Lá estava ela, a casa de tijolinhos aparentes do Juiz de Direito.
- Boa tarde, minha senhora. Gostaria de prosear com o Dr. Juiz. Por acaso estará ele em casa?
- Vamos chegando. Ele já fala com o Sr. Quem devo anunciar?
- Diga-lhe que venho de Guaratinguetá, por indicação do Fazendeiro João.

FOTO 140: Trevo da Gironda, Campeão Nacional Progênie de Pai em 1980.
O Dr. Juiz tinha cabelos grisalhos e óculos com aros de ouro, que lhe emprestavam um ar de elegância sem par. Muito distinto, explicou-nos que realmente ganhara o CAVALO numa rodada de poker, mas não se dispunha a negociá-lo. Afinal dera-o de presente à esposa.
Papai cofiava seu bigode e arriscou uma pergunta.


  • A quanto monta a dívida do Fazendeiro João?



O Dr. Juiz, como esperto jogador, percebeu a deixa e arrematou de primeira:
- 6 mil cruzeiros. É o preço do CAVALO. Não tiro um tostão, Coronel Júlio.
Fomos ver o garanhão. Era todo branco, cascos pretos, cabeça altiva e o andamento mais cômodo que eu jamais sentira.

Flavinho olhou para mim e baixou tristemente sua cabeça. Papai pagara 1,6 mil cruzeiros pelo Impala, recém-importado da América. Como poderia um simples cavalo custar quase quatro vezes mais? Era uma pena, mas parecia-me que desta vez nossa viagem chegaria ao fim e sem o CAVALO.


Mas qual o quê!
- Negócio fechado, Dr. Juiz. Este animal me serve. Amanhã meu caminhão virá de Vassouras para apanhá-lo. Me empreste sua caneta-tinteiro que aqui está o cheque. Pode descontar hoje se o Dr. quiser!(...)”
Júlio Avelino de Oliveira não se enganara. O CAVALO chamava-se TREVO, e seu pai, com o mesmo nome, era baio e nascera na Fazenda do Favacho, Cruzília, Sul de Minas Gerais. Corria em suas veias o sangue dos garanhões Bellini, Cuéra, Cana Verde, Fortuna, Candidato, Armistício, Caxias, e das matrizes Braceira, Penitência, Araponga, Douradilha, Caxias e Sota.
FOTO 141: Trevo da Gironda e Julio Avelino de Oliveira – criador e criatura em harmonia zootécnica
TREVO DA GIRONDA, registrado em livro aberto na A.B.C.C.M.R.Mangalarga, sob o no 415, deixaria significativa produção nos anos que viveu nas Fazendas ‘J.A.’:
...ATREVIDO (por Jandaia da Gironda) - Bi-Campeão Nacional Progênie de Pai na Macapê 80/81;

...ÁLAMO (por Guanabara da Gironda) - Campeão dos Campeões, Campeão da Raça e Campeão Cavalo -CCCCN – Semana Nacional do Cavalo – Salvador 78;


FOTO 142: Álamo da Gironda, Campeão dos Campeões em 1978.
...BALUARTE (por Sandra da Gironda) - Campeão dos Campeões, Campeão da Raça e Campeão Cavalo na Semana Nacional do Cavalo em Uberaba 80;

...SUELY (por I.Z.Restinga);

...VERÔNICA (por Jandaia da Gironda);

...ARÉM (por Sobrinha da Gironda);

...APOLO (por Cibalena II da Gironda) - Res. Campeão da Raça, Campeão Cavalo Sênior e Campeão Agilidade na Semana Nacional do Cavalo em Uberaba 80; e

...BABALAÔ (por Cibalena II da Gironda).


FOTO 143: Babalaô da Gironda, padreador no rebanho San Francisco(BA).
e com chave-de-ouro, alcançaria o título de Campeão Nacional Progênie de Pai em Uberaba, 1980. Na ocasião, o conjunto Baluarte, Apolo e Babalaô da Gironda, deixava na segunda posição filhos de outro grande raçador, Abaíba Remo.
Hoje, passados mais de 20 anos daquela viagem a Guarulhos, fica uma constatação: TREVO, que se preza, não é só de 4 folhas; TREVO da Gironda, um reprodutor de várias folhas, deixou mais de 30 excepcionais descendentes diretos na Fazenda Centenário, guardiã das melhores origens da tropa GIRONDA.
E como sentenciaria o Cel. Júlio Avelino, do alto das serras que beiram o Vale do Paraíba do Sul:

- “Cavalo bom sempre custou caro, mesmo que seja há 20 anos atrás”.

FORMAÇÃO DO CRIATÓRIO GIRONDA *

Por volta de 1943, Júlio Avelino adquiriu na Fazenda Três Barras, em Bananal, Estado de São Paulo, do Dr. Cesar Pires de Mello, de sua criação de éguas, as que mais se destacavam pelo seu porte, sua beleza e sua elegância em marchar. Em todas as características necessárias ao início de formação de um plantel de alta linhagem, a égua de nome Nota se destacou, dando origem assim à sua criação de eqüinos, que por sua seleção constante e aprimoramento, fez com que chegássemos ao estágio atual de nossa criação.


Ao buscar a procedência de égua Nota partiu para o Sul de Minas, pois sua origem era ‘J.F.’ e pela região comprou 80 éguas dos criadores do Mangalarga Marchador que passavam a criar Mangalarga Paulista. Essas aquisições foram feitas ao Sr. José Bento Junqueira de Andrade (‘Bentinho’) da Fazenda dos Lobos(‘Jb’), ao Favacho(‘J.F.’), à Traituba(‘Jf’), ao Campo Lindo(‘J.B.’) e outros, além de mais dois reprodutores: Gesso e Escravo.
Em 1961 arrematou as melhores éguas do Km 47 - Escola de Agronomia, de alta linhagem e selecionadas, juntamente com dois reprodutores, OK J.B. e Trevo. Em 1963 adquiriu mais uma remessa da mesma Escola de Agronomia para aprimorar ainda mais seu plantel.
A par de suas qualidades de grande montador, aperfeiçoador de marcha e correção de porte, e pela necessidade de utilizar um animal que desse conforto e comodidade na sela durante longos percursos, Júlio Avelino selecionou e se fez conhecido, em quase todo o Brasil, com excelentes animais, formando assim um plantel perfeito de marchadores de inigualável qualidade com todos os caracteres da raça Mangalarga Marchador, não podendo-se deixar de realçar a sua docilidade.
Ao final, queremos render homenagens ao nosso saudoso pai que nos legou o lugar que ocupamos na criação do Mangalarga Marchador, da Gironda, em nosso País.
Inclusive recebemos a visita do amigo Geraldo Junqueira de Andrade, proprietário da Fazenda do Favacho, onde foram adquiridos nossos primeiros animais, que diz:
Ivan, Marcos e Paulo. Fico feliz porque animais da criação da Favacho foram importantes na formação deste plantel estupendo. Superaram os mestres, meus antepassados, com méritos, e merecem os parabéns extensivos aos outros irmãos. Trata-se do melhor plantel que vejo nos últimos tempos.
Escrevo e Assino: GERALDO JUNQUEIRA DE ANDRADE
* Texto preparado pelos descendentes de Júlio Avelino

de Oliveira para a 1a Mostra de Garanhões em Paraíba do Sul(RJ) – 1987.



FOTO 144: Iracema da Gironda, Res. Campeã Senior na Macapê / 79, por Quarteirão do Tinguá e Catarina I da Gironda.

TABATINGA PREDILETO: ASSIM NA TERRA, COMO NO CÉU
Esta história me foi contada com todos os detalhes pelo Dr. Dirceu Fabiano Vilhena de Araújo na cozinha de ladrilhos portugueses da Fazenda São José, em Três Rios(RJ), logo ali, bem atrás do Cafundó do Dr. Zé Meirelles.
Pode parecer à primeira vista algo fantasmagórico ou até irreal, mas vindo de quem veio, tenho certeza certeza que se trata da mais cristalina e pura verdade.
Tudo começou em Barra do Pirahy, junho de 1972. Lá estavam o Dr. Dirceu, e sua família, com diversos animais no parque de exposições. Celebrava-se àquela época a Mostra Regional Sul Fluminense, e os Mangalarga Marchadores da Fazenda Tabatinga já despontavam como campeões. No recinto, o povo admirava Cossaco, Bracuhy, Tarumã, Sucata, Sauxa, Maroto e aquele que moraria ainda por muitos anos no coração do Dr. Dirceu: o Tabatinga Predileto.
FOTO 145: Tabatinga Predileto, pilar da Raça Mangalarga Marchador.
Desenrolava-se o Concurso de Marcha e ao lado do Dr. Dirceu chegou-se um desconhecido alto, com olhos verdes profundos, traços finos de fidalgo europeu e rosto azulado, denotando a barba cerrada raspada rente à pele com navalha afiada. Buscando encontrar as primeiras palavras e, com um leve sotaque estrangeiro de origem indefinida, ele iniciou o diálogo:
- “Boa tarde, meu senhor. Posso falar-lhe um instante, mas reservadamente?” acercou-se o desconhecido.
- “Pois não, companheiro. Mas antes espere o final deste Concurso. Meu cavalo está no meio da tropa e não gostaria de perdê-lo de vista”, disse-lhe o Dr. Dirceu.
- “É sobre ele que desejaria falar-lhe. Quero levá-lo comigo”, fulminou o misterioso homem.
A primeira reação do Dr. Dirceu foi sorrir despretenciosamente. Porém, à medida que encarava o olhar penetrante de seu interlocutor, percebia que se deixava hipnotizar e a confusão se estabelecia. Era como se estivesse vendo algo do outro mundo.
E o homem, carregando-o pelo braço para fora do recinto, reiniciou abertamente o diálogo:
- “Vou direto ao nosso assunto, caro Dr. Dirceu. Conheço seu criatório de longo tempo e aprecio seu cavalo, o Predileto. Na verdade venho de um lugar bem distante daqui, onde criamos cavalos brancos, como este seu, para lidar com animais, às vezes muito perigosos. Meu último ginete branco acaba de se ir após deixar vasta prole conosco. Preciso de um cavalo de fibra, corajoso, de bom galope, cabeça refinada, marcha macia e avante; enfim um reprodutor de verdade para despejar seu sangue puro em nossa eguada. Vim buscar o Tabatinga Predileto e não admito negativa sua. Diga quantas moedas de ouro quer pelo cavalo e aqui na minha bolsa encontrará o seu valor”, arrematou com ares de superioridade.
- “Calma, meu senhor! Quem é voce? De onde vem? Replicou o espantado Dr. Dirceu.
- “Vou lhe abrir meu coração pois preciso desesperadamente deste cavalo. Sou Jorge..., São Jorge do Dragão como me conhecem por estas paragens”, e rasgando sua camisa mostrou ao olhar fixo do Dr. Dirceu as tatuagens que, desenhadas por seu peito, celebravam suas conquistas anteriores. Milhares de pequenos dragões cuspindo fogo estavam ali representados. E sentenciou:
- “Quer mais uma prova, meu caro Dr. Dirceu? Veja aqui na palma de minha mão a ponta da cauda do último dragão que duelei”. E jogando ao solo aquele pedaço de carne morta, viram transformar-se em pequeno dragão de verdade.
Nosso amigo Dr. Dirceu não podia acreditar no que seus olhos lhe transmitiam. O próprio São Jorge em pessoa ali, à sua frente, na Terra, em Barra do Pirahy. E queria seqüestrar o Predileto, sua dileta montaria lá na Tabatinga.
Sua mente girava a mil, e se perguntava como faria para enfrentar o Santo e seu desejo incontrolável!
Nesse instante sobreveio-lhe a idéia luminosa, como que por encanto ou mágica. E negociou seu cavalo com Jorge, o Santo Guerreiro.
- “Meu São Jorge!... Se é realmente detentor de tantos poderes e venturas, seja também compreensivo com a Fazenda Tabatinga. Ofereço-lhe parceria e sociedade neste garanhão. Leve consigo o Predileto nas noites de lua-cheia para fertilizar suas éguas, mas o devolva a nós logo após o coito celestial” suplicou-lhe o Dr. Dirceu.
São Jorge não pestanejou ante a oferta e assim celebraram o acordo.
Tão logo percebeu que a barganha alcançada lhe era favorável, o Santo tratou logo de sumir dali. Não teria mesmo poderes para surrupiar o Predileto daquele Concurso de Marcha, o qual se encerrava naquele exato instante com uma decisão indubitável:
Campeão de Marcha: Tabatinga Predileto!!!
Faltava ao Santo a capacidade de agir como cigano e mercador de animais. Apreciava o bom cavalo e respeitava seu criador. Era parceiro do belo desfrute que alcançara e cumpriria sua parte no trato ao longo dos anos.
Assim na Terra como no Céu, lá se foi o Tabatinga Predileto formar tropas para enfrentar Dragões de São Jorge e juízes em Concursos de Marcha.
Vale o que está escrito!!!
FOTO 146: Tabatinga Predileto, o cavalo de estimação do Dr. Dirceu Araújo.
FOTO 147: Filhas e netas de Predileto nos piquetes da Fazenda Tabatinga.

OURO PRETO: O GARANHÃO QUE ESCAPOU DO CANIVETE

Texto de Carlos Roberto R. Meirelles e Ricardo L. Casiuch

No início da década de 40, o Brasil já vivia sob o domínio de Getúlio Vargas e o mundo estava em guerra pela segunda vez em menos de 30 anos.
Por todos os meios de comunicação chegavam notícias do “front” dos campos de batalha e o terror do totalitarismo assolava a Europa. Marchava por aqui o mês de Outubro de 1943, quando nas serras que separam Cruzília de Minduri, perto dos ondulados do Favacho e das águas geladas do Campo Lindo, nascia um potrinho tordilho negro. Na Fazenda do Angahy, terras do Comendador Adeodato dos Reis Meirelles, uma de suas melhores éguas matrizes entrava em trabalho de parto na madrugada do dia 7. Nascia OURO PRETO.
Cerca de um ano depois, estando naquela idade em que todos os potros começam a sentir o peso do amadurecimento precoce, foi OURO PRETO levado para a Fazenda Boa Esperança em Batatais(SP), de propriedade de Antonio Josino Meirelles, juntamente com mais algumas éguas Angahy: Gaúcha, Arábia, Árabe, Angahy e Uruguaiana, esta com origem no Favacho.
Na Fazenda Boa Esperança, o potro foi pouco utilizado, apenas em 1946 e 1948. Sobre o andamento do OURO PRETO, o Sr. Antonio Josino Meirelles (foi ele quem o amansou e o batizou pelo nome de OURO PRETO), assim se referia: “- Tanto faz andar no plano, na descida ou na subida; sua marcha era sempre a mesma. E saibam quantos quiseram: era uma marcha natural, não fabricada”.
O Sr. Antonio Josino, Sr. Tonio ou simplesmente Meirelles, como era carinhosamente chamado no seio de sua família, tinha comprado a Boa Esperança há pouco tempo, em 15 de Agosto de 1944, e sua principal preocupação na época era formar a Fazenda, e por conseguinte, não tinha a menor intenção de criar cavalos.
FOTO 148: Ouro Preto, chefe de plantel e de linhagem.

Decidiu-se então a castrar o OURO PRETO, pois manter reprodutor já “entusiasmado” pelas cinco éguas era-lhe muito custoso. Não queria aumentar o plantel e já marcara a data da operação.


Mas como quem tem padrinho não morre pagão..., lá na Boa Esperança, no dia da castração, apareceu o primo Zezé do Porto, que tomava conta da Fazenda Engenho de Serra, em São Vicente de Minas(MG).
Andando pela Fazenda, o primo Zezé deparou-se com OURO PRETO e dele se acercou. O Sr. Tonio logo percebeu a deixa e mineiramente colocou de lado os entretantos e foi logo dizendo:
- “Ô Zezé, se quer levar o cavalo, leve-o. É de raça nossa lá de casa, do Angahy. Raça muito antiga e muito boa. Filho do MONTE NEGRO e da GARBOSA. Eu não tenho a pretensão de criar, estava até pensando em acabar com a felicidade dele hoje mesmo.
- Mas Tonio, quanto você quer para não castrá-lo?

- Eu não quero nada, ofereça você.


- Cinco contos de réis...
- Pode levar. É todo seu.”
E foi assim, desta maneira, que OURO PRETO deixou de cair sob o canivete de Seu Meirelles.
Na hora de levá-lo até à Estação de Batatais para o embarque no trem que se dirigia ao Sul de Minas, o aprendiz-peão João Fernandes não se conteve e choroso desafiou o Sr. Tonio:
“- Onde o Sr. está com a cabeça, patrãozinho? Não se vende um cavalo destes...”
Lá se foi OURO PRETO. No Engenho de Serra, ficou diversos anos e se revelou um excelente reprodutor. Animais como Prelúdio I do Porto e Ouro Preto do Porto são seus descendentes.
Mais tarde, despertou o interesse de José Andrade Reis, o Sr. ‘Dié’, que o comprou lá no Engenho de Serra, de Francisco Roberto de Andrade Meirelles, e o levou para a Fazenda Herdade em Simão Pereira(MG).
Registrado sob o no 142, HERDADE OURO PRETO deixava uma das sementes mais fecundas da Raça Mangalarga Marchador.
Produziu, entre outros:
...HERDADE JUPIÁ (por Herdade Alteza) - Campeão Nacional de Raça no Recife 74, Campeão Nacional de Marcha em São Paulo 76, Campeão dos Campeões em São Paulo 76 e Tri-Campeão Nacional Progênie de Pai em Belo Horizonte 84/85/86, cujos principais produtos são:
FOTO 149: Herdade Jupiá, o mais célebre filho de Ouro Preto.
Cafundó Nobre (por Cafundó Jandira)

Cafundó Querência (por Abaíba Piaba)

Cafundó Urânio (por Abaíba Sereia)

Cafundó Xavante (por Abaíba Vareta)

Cafundó Ouro Branco (por Abaíba Piaba)

Herdeiro Tabatinga (por Tabatinga Alhambra)

Herdade Cromo (por Herdade Prata)

Cafundó Sublime (por Abaíba Sereia)

Cafundó Soberano (por Sama Harpa)

Cafundó Saionara (por Abaíba Piaba)

Cafundó Volga (por Abaíba Perdiz)

Traituba Aviso ( por Traituba Jóia)


FOTO 150: Traituba Aviso, um exímio marchador.
...HERDADE MÚSICA (por Herdade Tiroleza) - Bi-Campeã Nacional Progênie de Mãe em Belo Horizonte 82/86, cujos principais descendentes são:
Herdade Maxixe (por Herdade Cadillac)

Herdade Ballet (por Herdade Cadillac)

Herdade Festival (por Herdade Cadillac)

Herdade Sargento (por Herdade Cobalto)

Herdade Ópera (por Herdade Frevo)

Herdade Camélia (por Herdade Cadillac)

Herdade Bolero (por Herdade Cobre)

Herdade Bailarina (por Herdade Jupiá)

Herdade Arpa (por Herdade Cadillac)

Herdade Flauta (por Herdade Cadillac)

Herdade Dançarino (por Herdade Cadillac)

Herdade Orquestra ( por Charlatão J.G.)


FOTO 151: Herdade Maxixe, Campeão dos Campeões em 1977.
FOTO 152: Herdade Festival, Grande Campeão Nacional da Raça – Macapê – Belo Horizonte 1980
FOTO 153: Herdade Arpa, pilar feminina e mãe de excelentes reprodutores.
...HERDADE ALTEROSA (por Herdade Alteza), cujas principais sementes são:

Herdade Alter (por Herdade Cadillac)

Herdade Gávea (por Herdade Cobre)

Herdade Garimpo (por Herdade Cobre)

Herdade Garboso II (por Herdade Cobalto)

Herdade Abismo (por Charlatão J.G.)

Herdade Nero (por Herdade Cobre)

Herdade Lara (por Herdade Cadillac)


FOTO 154: Herdade Alter, neto de Seta Caxias e Ouro Preto.
Esta, portanto, é a história de um reprodutor de carisma, cujas capacidades de transmitir raça e andamento superaram as lâminas de um canivete.
OURO PRETO, raça nossa lá de casa, nascido no Angahy, semente de tradições no Engenho de Serra, berço de campeões na Herdade.

Angahy Monte Negro – Angahy Bônus II- Angahy Bônus I – Angahy Caxias II

/ \ Árabe – Brasileiro – Brasil – Bellini J.B.

Herdade Ouro Preto

(7/10/1943) \

Angahy Garbosa – Angahy Caxias II – Caxias I – Cuéra – Cana Verde - Abismo

\ Angahy Jóia

CACHOEIRINHA: MEMÓRIAS D’ABAÍBA


Araçatuba, 1988.


Meu caro Reitor,
Por mais que eu me recorde, jamais em toda minha existência passei por experiência como esta que me é solicitada.
Foi como se revivêssemos juntos os momentos de alegria e companheirismo que dividimos no passado. Ao longo de várias décadas, lá nas montanhas e vales da Abaíba, distrito de Leopoldina(MG), o amigo Reitor segurou-me pelo braço forte e mão calejada de experiente ginete a estampar-me em vermelha brasa nas pernas direitas de seus potros e potrancas.
Hoje volto a trabalhar para trazer-lhe as últimas novidades da Fazenda Cachoeirinha, em Araçatuba(SP), uma das minhas atuais moradas após sua partida.
Somente a título de recordação, vale lembrar que todos seus descendentes diretos, receberam por herança cópias fiéis de meus traços e, pelos dias que se seguiram e pelas manhãs que rolarão, estão a me esquentar de modo idêntico ao que o prezado Reitor me convocava: Abaíba x Abaíba, nossa marca na perna direita.
A seu pedido expresso, que aqui me chegou pelo trinado do sabiá-laranjeira, mantive-me em estado de atenção nas últimas semanas para observar de perto o que se passa nas terras de Da Maria Alice, sua filha; Dr. Moacyr, seu genro; e os netos, Cyrce Maria, Moacyr Jr., Ma Cecíclia e João Manoel.
Nesta carta-saudade, passo a lhe narrar as Memórias da Cachoeirinha.
Motivo de íntimas recordações, foi por sua influência durante os anos de 69 e 70 que a Cachoeirinha iniciou-se na criação de nosso cavalo, o Mangalarga Marchador.
O lote das primeiras éguas era composto de:


  • Reg. 1779 – PROVIDÊNCIA ROSINHA (origem nas Fazendas Angahy e Mato Sem Pau);

  • Reg. 2204 – PEDREZ DA CACHOEIRINHA (filha de Abaíba Eldorado);

  • Reg. 2842 – DOURADA DA CACHOEIRINHA (filha de Abaíba Eldorado);

  • Reg. 2843 – DIANA DA CACHOEIRINHA (origem na Faz. Barreiro – SP);

  • Reg. 2845 – ESTRELINHA DA CACHOEIRINHA (origem na Faz. Barreiro – SP).

Nestas matrizes, para nosso grande prazer, foi empregado um Abaíba do mais puro teor: o MARENGO.







- Abaíba Retrato

- Abaíba Eldorado

- Predileto Velho da Tabatinga

- Abaíba Lôla















- Providência Beleza

(filha de éguas procedentes do Sul de Minas)












ABAÍBA MARENGO

(Reg. 0110)










































- Abaíba Fidalgo

- Angahy Salmon

- Abaíba Lôla













- Abaíba Negrita

- Abaíba Esgrima

- Predileto Velho da Tabatinga

















- Abaíba Campeã

- Abaíba Javari

- Tejo

- Amazonas

































- Abaíba Lôla



Os primeiros produtos nasceram em 1970/71:




  • ALFA DA CACHOEIRINHA (por Providência Rosinha);

  • GAIVOTA DA CACHOEIRINHA (por Pedrez da Cachoeirinha);

  • VIRTUOSA DA CACHOEIRINHA (por Pedrez da Cachoeirinha);

  • DIVINA DA CACHOEIRINHA (por Dourada da Cachoeirinha); e

  • VAIDOSA DA CACHOEIRINHA (por Dourada da Cachoeirinha).

Naquela época o olhar da Abaíba Marengo era por demais alegre e, com vivacidade, mantinha ágeis suas orelhas a procurar novidades. Mais tarde soube que, em outras terras, atacou-lhe profunda melancolia e saudades das cocheiras nobres e tôscas da Abaíba.


Mas voltemos à Cachoeirinha, querido Reitor.
Nos anos subseqüentes, iniciou-se o período de domínio das castanhas e alazãs a nascerem por lá. Do plantel de Antonio de Andrade Ribeiro Junqueira, seu outro filho, vieram PROVIDÊNCIA JUPTER, irmão próprio de Providência Itu, Providência Mara e Providência Nuvem; e PROVIDÊNCIA ORFEU, pai de Sama Minerva e Providência Tiroleza; este por coberturas cedidas.
FOTO 155: Abaíba Marengo, Campeão Nacional Progênie de Pai em 1975.
FOTO 156: Providência Jupter, irmão próprio de Itu, Mara e Nuvem.





- Abaíba Eldorado

- Predileto Velho da Tabatinga










- Abaíba Lôla




PROVIDÊNCIA JUPTER

(Reg. 259)


















- Abaíba Eldorado







- Providência Alvorada

- Abaíba Limeira

- Nilo do Mato Sem Pau

- Providência Beleza








- Zinabre de Passa Tempo

- II Rio Verde de Passa Tempo

- Aliança de Passa Tempo



PROVIDÊNCIA ORFEU

(Reg. 041)












- Providência Dalila

- Abaíba Eldorado

- Providência Beleza


A família de Da. Maria Alice e Dr. Moacyr passou então a selecionar com maior rigor os resultados destes acasalamentos. Praticamente todos os machos foram castrados e utilizados com destreza nos trabalhos da lida com o gado Nelore.


Seguindo a filosofia de primeiro alargar a base feminina do plantel para posteriormente apresentar animais de rara qualidade vê-se aqui, saudoso Reitor, o cumprimento à risca de seus conselhos.
Quase no anonimato, pela década de 70, permaneceu o sangue oriundo da Abaíba a se reproduzir nas matrizes da Cachoeirinha.
Nestes anos nasceram as seguintes produtos:
...do reprodutor PROVIDÊNCIA ORFEU (1971 a 1974):


  • VENEZA (por Providência Rosinha);

  • RAINHA (por Dourada da Cachoeirinha);

  • DELTA (por Diana da Cachoeirinha);

  • JURITI (por Estrelinha da Cachoeirinha); e

  • PALOMA (por Divina da Cachoeirinha).

...do reprodutor PROVIDÊNCIA JUPTER (1976 a 1981);




  • DUQUESA (por Estrelinha da Cachoeirinha);

  • BRASÍLIA (por Gaivota da Cachoeirinha);

  • DÁLIA (por Gaivota da Cachoeirinha);

  • ASTECA (por Virtuosa da Cachoeirinha);

  • CASCATA (por Virtuosa da Cachoeirinha);

  • DALLAS (por Virtuosa da Cachoeirinha);

  • AMETISTA (por Vaidosa da Cachoeirinha);

  • CARTELA (por Vaidosa da Cachoeirinha);

  • DIADEMA (por Vaidosa da Cachoeirinha);

  • CAIÇARA (por Delta da Cachoeirinha);

  • BANDEIRA (por Rainha da Cachoeirinha);

  • DAMA (por Rainha da Cachoeirinha);

  • ETAPA (por Rainha da Cachoeirinha);

  • AZALÉIA (por Juriti da Cachoeirinha);

  • ATENEU (por Providência da Rosinha) (castrado);

  • ARPOADOR (por Diana da Cachoeirinha) (castrado);

  • DESTREZA (por Diana da Cachoeirinha);

  • ANDARILHO (por Divina da Cachoeirinha) (castrado);

  • BARILOCHE (por Estrelinha da Cachoeirinha) (castrado);

  • APOLO (por Gaivota da Cachoeirinha);

  • BATUQUE (por Delta da Cachoeirinha);

  • BELINA (por Veneza da Cachoeirinha);

  • DIPLOMATA (por Veneza da Cachoeirinha);

  • ÁTILA (por Rianha da Cachoeirinha);

  • CACIQUE (por Juriti da Cachoeirinha); e

  • EUREKA (por Paloma da Cachoeirinha);


FOTO 157: Cacique da Cachoeirinha, um dos poucos filhos de Jupter a seguir na reprodução.
FOTO 158: Éguas castanhas e alazãs, crioulas da Fazenda Cachoeirinha (SP).
Vale observar neste relato que lhe faço, a importância de “nossa” matriz mais significativa a impor qualidades e virtudes nestes cruzamentos. Em todos os garanhões empregados estava viva a presença de ABAÍBA LÔLA.





- ANGAHY CAXIAS II

- CAXIAS I

- ANGAHY JÓIA



ABAÍBA LÔLA **










- MUSSOLINA

- MUSSOLINO


** Castanha, frente leve e delicada, ótima marchadora e excepcional reprodutriz.
Desde os tempo de antanho, quando os beduínos do deserto se iniciaram na seleção de suas montarias para a guerra e para a paz, a influência materna na escolha de sementais deve ser o primeiro pensamento do criador.
Portanto, digno Reitor, fica fácil observarmos sua linha de pensamento na Cachoeirinha. Todavia, corria o ano de 1983, quando deu-se sua partida para a Universidade Celeste.
Coube então à Cachoeirinha o direito de receber 10 das principais fêmeas da Fazenda Abaíba, todas levando minha assinatura. Para Araçatuba, então, se foram as tordilhas:
...ABAÍBA JUREMA (por Abaíba Danúbio x Abaíba Lenda), mãe de:
ABAÍBA REMO (por Providência Itu);

ABAÍBA VENEZA (por Providência Itu);

ABAÍBA SEREIA (por Providência Itu);

ABAÍBA TINGA (por Providência Itu);

ABAÍBA QUIMERA (por Providência Itu);

ABAÍBA BEDUÍNO (por Abaíba Marengo);

ABAÍBA DIVISA (por Abaíba Marengo);

ABAÍBA ARGENTINA (por Abaíba Marengo);

ABAÍBA CARAÇA (por Abaíba Reserva);

ABAÍBA FALCÃO (por Abaíba Reserva);

ABAÍBA IAPÚ (por Abaíba Reserva);

ABAÍBA EMA (por Abaíba Reserva);

ABAÍBA JAÇANÃ (por Abaíba Reserva);

ABAÍBA LICEU (por Abaíba Gim); e

ABAÍBA NAXOS (por Abaíba Reserva), seu último produto que acompanhou-a ao pé na viagem para São Paulo a fim de iniciar, em breve, carreira de refinado reprodutor.
...ABAÍBA ÓPERA (por Abaíba Retrato x Abaíba Três Pontas), mãe de:
ABAÍBA IGLU (por Abaíba Quo Vadis);

ABAÍBA GAURI (por Abaíba Quo Vadis); e

ABAÍBA NERO (por Abaíba Reserva).
...ABAÍBA QUITANDA (por Providência Itu x Abaíba Negrita), mãe de:
ABAÍBA BEM-TI-VI (por Providência Regente);

ABAÍBA CONFETE (por Abaíba Reserva);

ABAÍBA LIBRA (por Abaíba Reserva);

ABAÍBA FLAMENGO (por Ariano Bela Cruz);

ABAÍBA ALECRIM (por Sama Danúbio); e

ABAÍBA NAVAL (por Abaíba Reserva).


...ABAÍBA RELÍQUIA (por Providência Itu x Abaíba Narva), mãe de:
ABAÍBA BRUMA (por Providência Itu);

ABAÍBA LIRA (por Abaíba Reserva);

ABAÍBA JAGUAR (por Abaíba Quo Vadis); e

ABAIBA DONZELA (por Providencia Titã).


...ABAÍBA SAMOA (por Providência Itu x Abaíba Odisséia), mãe de:
ABAÍBA MAGNATA (por Sama Perseu); e

ABAÍBA CACHOPA (por Abaíba Reserva).


...ABAÍBA TINGA (por Providência Itu x Abaíba Jurema), mãe de:
ABAÍBA LIÇÃO (por Abaíba Reserva);

ABAÍBA ÉDIPO (por Abaíba Quo Vadis);

ABAÍBA CIGARRA (por Abaíba Quo Vadis);

ABAÍBA ITU (por Abaíba Quo Vadis); e

ABAÍBA NICOS (por Abaíba Reserva).
...ABAÍBA GAIVOTA (por Abaíba Quo Vadis x Abaíba Canária), mãe de:
ABAÍBA NÍCIAS ( por Abaíba Reserva)
...ABAÍBA LIÇÃO (por Abaíba Reserva x Abaíba Tinga).
...ABAÍBA MIRAGEM (por Abaíba Fuzil x Abaíba Odisséia).
...ABAÍBA NÍCIAS (por Abaíba Reserva x Abaíba Gaivota).
FOTO 159: Éguas tordilhas, crioulas da Fazenda Abaíba (MG).
Com a vinda deste seleto lote, a Cachoeirinha obteve também o direito de participar do condomínio dos 3 garanhões tordilhos que dividiam os trabalhos de reprodução antes de sua partida: RESERVA, FUZIL e GIM.





- Providência Itu

- Abaíba Eldorado

- Predileto Velho da Tabatinga










- Abaíba Lôla








- Providência Alvorada

- Abaíba Eldorado










- Provid6encia Limeira

ABAÍBA RESERVA

(Reg. 0309)


















- Abaíba Naipe

- Abaíba Eldorado




- Abaíba Três Pontas




- Abaíba Java








- Abaíba Lenda

- Abaíba Emir










- Brasileira Bela Cruz


FOTO 160: Abaíba Reserva, irmão de Remo, Ringo, Rijo, Rôla, Roleta e Relíquia.





- Abaíba Marengo

- Abaíba Retrato

- Abaíba Eldorado










- Providência Beleza








- Abaíba Negrita

- Abaíba Fidalgo










- Abaíba Esgrima

ABAÍBA FUZIL

(Reg. 02939)


















- Abaíba Talismã

- Abaíba New York




- Abaíba Lança




- Abaíba Jurity








- Abaíba Três Pontas

- Abaíba Naipe










- Abaíba Lenda

e





- Ariano Bela Cruz

- Tabatinga Predileto

- Tabatinga Nero










- Tabatinga Cachoeira II







- Copa Bela Cruz

- Jambo J.F.










- Farofinha Bela Cruz

ABAÍBA GIM

(Reg. 01668)


















- Providência Itu

- Abaíba Eldorado




- Abaíba Querença




- Providência Alvorada








- Abaíba Mussolina

- Abaíba Naipe










- Abaíba Cabocla

FOTO 161: Abaíba Gim, o último reprodutor selecionado por Erico Ribeiro Junqueira para servir à Abaíba.
Como ABAÍBA FUZIL permaneceu no curral onde nasceu para gerar novos potros e potrancas para seus vizinhos e compadres da Vila d’Abaíba e redondezas, apenas RESERVA e GIM se deslocaram para o planalto paulista.
E aí acabou-se a fase das castanhas e alazãs.
Como marco a dividir 2 épocas de criação, a partir de 1984 somente marchadores tordilhos passaram a nascer na Fazenda Cachoeirinha, de acordo com a relação abaixo:
...por ABAÍBA RESERVA:


  • MIRA (por Rainha da Cachoeirinha);

  • JAMBO (por Ametista da Cachoeirinha);

  • LUPA (por Ametista da Cachoeirinha);

  • JUTA (por Asteca da Cachoeirinha);

  • LANÇA (por Asteca da Cachoeirinha);

  • JAMAICA (por Brasília da Cachoeirinha);

  • LAREDO (por Brasília da Cachoeirinha);

  • JAGUAR (por Belina da Cachoeirinha);

  • JÓIA (por Belina da Cachoeirinha);

  • ÍMPAR (por Cascata da Cachoeirinha);

  • IMPERATRIZ (por Cartela da Cachoeirinha);

  • LAMPIÃO (por Caiçara da Cachoeirinha);

  • INGÁ (por Dama da Cachoeirinha);

  • JANDAIA (por Diadema da Cachoeirinha);

  • MIRRA (por Diadema da Cachoeirinha); e

  • JATO (por Duqueza da Cachoeirinha).

...por ABAÍBA GIM:




  • LÉU (por Veneza da Cachoeirinha);

  • INDAIÁ (por Rainha da Cachoeirinha);

  • LEDO (por Rainha da Cachoeirinha);

  • IANQUE (por Juriti da Cachoeirinha);

  • IPÊ (por Ametista da Cachoeirinha);

  • ÍCARO (por Asteca da Cachoeirinha);

  • MARACANÃ (por Ametista da Cachoeirinha);

  • ITA (por Brasília da Cachoeirinha);

  • ÍNDIA (por Bandeira da Cachoeirinha);

  • LUMA (por Bandeira da Cachoeirinha);

  • MÁGICO (por Bandeira da Cachoeirinha);

  • JAÚNA (por Cartela da Cachoeirinha);

  • MUSTANG (por Cartela da Cachoeirinha);

  • INCA (por Dallas da Cachoeirinha);

  • JASÃO (por Dallas da Cachoeirinha);

  • LIBRA (por Dallas da Cachoeirinha);

  • MAGIA (por Dallas da Cachoeirinha);

  • LANDAU (por Destreza da Cachoeirinha); e

  • MÚSICA (por Destreza da Cachoeirinha).

E das matrizes que vieram da Fazenda Abaíba, geraram-se produtos que carregam hoje a minha marca em suas pernas direitas:


...através de ABAÍBA RESERVA:


  • ILÍADA (por Abaíba Tinga); e

  • LORDE (por Abaíba Miragem).

...através de ABAÍBA GIM:




  • JADE (por Abaíba Ópera);

  • MARFIM (por Abaíba Ópera);

  • JÉSSICA (por Abaíba Quitanda);

  • LÁCTEA (por Abaíba Quitanda);

  • MORUMBI (por Abaíba Quitanda);

  • JANGADA (por Abaíba Relíquia);

  • JAVA (por Abaíba Tinga);

  • LEÃO (por Abaíba Tinga);

  • INVICTA (por Abaíba Gaivota);

  • LACAIO (por Abaíba Gaivota); e

  • MÍSTICA (por Abaíba Gaivota).

Portanto, Reitor Erico Ribeiro Junqueira, foi este o resultado de minhas pesquisas nos livros de monta e cadernetas de criação da família Ribeiro de Andrade.


Espero que dos bancos dos anfiteatros da nova Universidade, sua visão esteja aprovando os passos trilhados na Cachoeirinha, visto que os ensinamentos aqui legados estão sendo cumpridos à risca, sempre de acordo com as melhores tradições de seu criatório.
É notável também observarmos que novas gerações de cavalos Mangalarga Marchador estão a carregar as sementes de TEJO, AMAZONAS, PARAIBUNA, FLUMINENSE, NITERÓI, FIDALGO, JAVARI, EMIR, TALISMÃ, NEW YORK, MUQUI, SANTARÉM e tantos outros da ABAÍBA.
Tenha certeza, meu companheiro, de que seus netos e bisnetos não me esquecerão perdida no fundo de algum velho baú tacheado de couro.

De sua fiel amiga,


FOTO 162:(desenho de âncora)
SINCERO J.B., UM SEMENTAL FORA DA LEI



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