Irmã (lendo)- de repente as coisas não precisam mais fazer sen­tido. Satisfaço-me em ser. Tu és? Tenho certeza que sim. O não sentido das coisas me faz ter um sorriso de complacência. De certo tudo deve estar sendo o que é Está prestando atenção Alice?



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Encontro03.07.2018
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Alice no País das Maravilhas- Lewis Carroll

(Alice e sua irmã estão sentadas em um banco no jardim. A irmã está lendo um livro e Alice está brincando com Diná sua gata).



Irmã (lendo)- De repente as coisas não precisam mais fazer sen­tido. Satisfaço-me em ser. Tu és? Tenho certeza que sim. O não sentido das coisas me faz ter um sorriso de complacência. De certo tudo deve estar sendo o que é.... Está prestando atenção Alice?

Alice- Ah, sim claro!

Irmã- (continuando a leitura)- Quando acabardes este livro chore por mim uma aleluia. Quando fechardes as últimas páginas deste malogrado, afoito e brincalhão livro. (Chamando-lhe atenção) Alice! Você não está prestando atenção!

Alice- Mas também, que coisa sem graça, como se pode prestar atenção em um livro sem figuras?

Irmã- Ouça Alice, existem muitos livros no mundo que são bons e sem figuras.

Alice – Mas no meu mundo os livros só teriam figuras.

Irmã – Você está sonhando! Bem, continuando. (A irmã continua a ler mas não ouvimos direito sua voz, o foco está em Alice).

Alice- Sonhando! É isso Diná! Se esse mundo fosse só meu, tudo nele era diferente. Nada era o que é. Porque tudo era o que não é. E também tudo o que é, por sua vez não seria. Não é?

Diná (confusa)- Miau!

Alice- No meu mundo você não diria Miau diria “Sim dona Alice”.

(Entra o coelho pulando apressado).



Diná- (Tentando mostrar o coelho para Alice)- Miau!

Alice- Oh, sim é verdade! Você seria como nós Diná, os animais falariam. O que foi Diná é só um coelho de colete (espantada) e de relógio!

Coelho- É tarde, é tarde, é tarde!

Alice- Como é que um coelho pode estar atrasado? Espere!

Coelho (da coxia)- É tarde, é tarde, é tarde!

Alice- Oh, meu Deus, deve ser muito importante, como um baile ou sei lá. Senhor coelho, senhor coelho espere!

Coelho- Não, não não! Eu tenho pressa, eu tenho pressa! (Entra na toca).

Alice (Olhando a toca)- Que lugar mais esquisito para uma toca Diná. (Entrando na toca) Sabe Diná, a gente não deveria entrar aqui, não deveríamos ser tão curiosas porque a curiosidade é uma coisa muito (caindo no buraco) feeeeeeeiiiiaaaaaaaaaaaa!

Voz em off (caindo no buraco)- Depois dessa vou me acostumar a rolar pela escada lá de casa. E se eu caísse e passasse pelo centro da terra? E se saísse do outro lado de cabeça para baixo, ah mais isso é tolice, ninguém...

(Entra a porta em cena e depois Alice. Ela chegou ao fundo do buraco e vê o coelho apressado passando).

Alice- Senhor coelho espere! Pare!

(Alice se depara com a porta, tenta abri-la, mas ela reclama).

Porta- Aaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!

Alice- Me desculpe!

Porta- Ops..não foi nada, hahaha quase você me amassou. Essa foi boa hein? Amassar a maçaneta , hahahahaha.

Alice- Por favor. Eu procuro um coelho branco, se puder me ajudar (olhando pela fechadura) lá vai ele! Eu preciso passar!

Porta- És muito grande, impassável!

Alice- Você quer dizer que é impossível eu passar?

Porta- Óh, Aqui nada é impossível hahahaha. Porque não tentas aquela garrafa?

Alice - Garrafa? (vendo a garrafa) Ah! (lendo desconfiada) “Beba-me!” Hum, melhor olhar bem, porque quando se tem uma garrafa marcando “Veneno” é quase certo fazer mal a gente cedo ou tarde, mas nesse caso...(experimenta devagar).

Porta- O que disse?

Alice- Nada, estava dando bons conselhos a mim mesma. (Alice bebe toda a garrafa) Hum, tem gosto de cereja. (Vendo que está diminuindo) Ahhhhhhh, o que está acontecendo?

Porta- Hahaha, quase te apagastes como uma vela.

Alice (correndo em direção da porta)- Mas olha, eu fiquei pequenina! Agora posso passar.

Porta- Opa, esqueci de vos dizer, eu estou trancado.

(Alice anda pelo palco procurando a chave. Acha-a em um canto e abre a porta).


Porta – Boa viagem Alice!

Alice – Obrigada!(Sai)

(Sons de floresta. Alice caminha observando tudo ao redor quando vê dois gêmeos dançando, eles percebem a presença de Alice e iniciam uma discussão atrapalhada, Alice só escuta).


Gêmeo 1- É uma menina.

Gêmeo 2- Meninas não tem esse tamanho ela é muito pequena para ser uma menina.


Gêmeo 1- Mas as meninas são pequenas.

Gêmeo 2-  São pequenas se não fossem meninas, então ela não é menina é só pequena.

Gêmeo 1 – É menina.

Gêmeo 2- Não é menina.

Alice (Gritando)- E sou sim uma menina.

Gêmeo 2 – Falei!

Gêmeo 1 – Eu que falei!

Alice – Eu tomei um líquido com gosto de cereja que me fez ficar assim, mas eu queria meu tamanho normal de volta. Quem poderia me ajudar?

Gêmeo 1 – A lagarta azul.

Gêmeo 2 – A lagarta azul.

Alice – E onde eu encontro essa lagarta azul?

Gêmeo 1 e 2 (cada um apontando para um lado) – Por ali.

(Os dois começam a discutir e nem percebe que Alice se despediu, saem todos de cena. Depois Alice entra novamente).

Alice- Mas para que lado será o certo?

(O coelho branco atravessa)

Coelho- É tarde, é tarde, é tarde!

Alice – O coelho branco! Senhor coelho espere, espere!

Coelho (virando-se para Alice) – Mariana, o que é que você está fazendo aqui? Vá já para casa e me traga um par de luvas e um leque, (gritando) vá!

Alice – Mas senhor coelho eu não sou nenhuma Marian...

Coelho – Vá depressa Mariana, eu vou esperar lá! (olha no relógio e sai correndo) Ah, duquesa! Ela manda me matar! É tarde, É tarde, É tarde!

Alice – Com certeza me confundiu com sua criada, ora essa! Qualquer dia começo a receber ordens de Diná. (percebendo o sumiço do coelho novamente) Senhor coelho, espere! Um momento!(Sai)

(As Flores entram. Cada uma em um ponto do palco, Alice volta gritando).

Alice – Senhor coelho, senhor coelho. Ah, eu pequenina desse jeito nunca conseguirei pegá-lo. (Olhando em volta). Oh, mas que lugar bonito, que borboletas engraçadas!

Rosa 1 (fala disfarçadamente)- São fatias com manteiga.

Alice – Ué! Quem foi que falou isso? Eu estou só aqui.

Rosa 2- Fui eu.

(Alice corre até a flor 2)

Alice – Você?

Margarida 1- Não fui eu.

(Alice corre até a Margarida 1)



Alice- Você?

Margarida 2- Não eeeuuu, aqui!

(Alice vai até a Margarida 2)



Alice- Quem, você?

Violeta 1- Não, eu aqui.

(Todas riem. Alice senta no chão).

Alice (brava) – Não estou vendo graça nenhuma e nunca vi flor falar.

Violeta 2- Nós falamos meu bem.

Rosa 1- Se vale a pena falar com a pessoa.

Violeta 3(emburrada) – Será que ela vale a pena?

Tulipas 1 e 2- E cantamos também, quer ouvir a canção das tulipas?

Rosas 1 e 2- Ou a das rosas...

Margaridas – Cantamos a canção das margaridas se quiser...

Rosa 1- Vamos cantar aquela que todas nós sabemos, ela fala de todas nós.

(Flores cantam)

Alice (Aplaudindo)- Oh, foi tão lindo!

Tulipa 1- Obrigada meu bem!

Tulipa 2- Em que jardim você mora?

Alice- Oh, eu não moro em nenhum jardim.

Margarida 1- Vocês acham que ela é flor silvestre?

Alice (rindo)- Ah,não! Não sou flor silvestre.

Rosa 1- De que espécie ou gênero é você, meu bem?

Alice – Eu suponho que seja gênero humano, Alice.

Violeta 3- Vocês já viram alguma Alice dar uma flor assim?

Margarida 2- Pensando bem, vocês já viram alguma Alice?

Rosa 2 ( mexendo na saia de Alice)- E notaram as pétalas?

Rosa 1- Que cor mais esquisita! E sem perfume!

Alice(irritada)- Mas eu não sou flor!

Tulipa 1- Ahhh, já suspeitava. (cochichando com a tulipa 2)Ela não passa de um matinho.

Alice – De um o quê?

Tulipa 1 e 2 (gritando) De um matinho.

Alice- Eu não sou um matinho.

Todas(com nojo)- ahhhhhhhhh

(Começam empurrar Alice)

Rosa 1- Vai embora, não queremos flor de mato aqui!

(Todas riem)



Alice (brava)- Tudo bem pensem o que quiserem. Se eu fosse grande como antes, arrancava vocês uma por uma.(Irônica) Há muito o que se aprender com as flores!

(As flores saem rindo por um lado do palco e Alice pelo outro. Depois Alice atravessa o palco como se estivesse procurando alguma coisa. Entra a lagarta, ela fuma seu narguilé esfumaçando todo o ambiente, Alice se depara com ela e fica observando-a durante alguns instantes).

Lagarta- Quem és tu?

Alice (gaguejando) Eu, eu, não sei senhora. Mudei tanto hoje de manhã que como vê...

Lagarta (interrompendo) Eu nada vejo. Explique-se!

Alice- Sinto muito senhora, eu não posso me explicar, já não sou a mesma como vê...

Lagarta (interrompendo) Eu nada vejo.

Alice- Não sei como vou explicar, porque para mim não há nada claro.

Lagarta- Tu? Que és tu?

Alice (tossindo por causa da fumaça)- Primeiro não deveria me dizer o seu nome?

Lagarta- Por quê?

Alice (suspirando) –Ai,ai! Tudo aqui é tão confuso.

Lagarta- Não é não.

Alice- Pois para mim é.

Lagarta- Por quê?

Alice- Já não posso lembrar das coisas como antigamente.

Lagarta (interrompendo)- Tu? Quem és tu?

(Alice se levanta e vai saindo irritada)

Lagarta- Ei menina espere tenho outra coisa para lhe dizer.

(Alice da meia volta)

Alice (consigo mesma) O que será desta vez?

(lagarta fica em silêncio por alguns instantes, depois fala).



Lagarta (fala lentamente)- Muuuuuita calma.

Alice- É só isso?

Lagarta- Não. Qual é o seu problema exatamente?

Alice- Eu queria crescer mais um pouquinho, afinal, dez centímetros é um tamanho ridículo.

Lagarta (muito irritada) – Eu tenho dez centímetros. E me orgulho muito do meu tamanho! Mas se quiser vou lhe dar outro conselho: Um lado te fará crescer e o outro lado te fará diminuir.

Alice- Outro lado do quê?

Lagarta- Do cogumelo, é óbvio!

(Lagarta sai de cena)



Alice- Para acertar tenho que arriscar um dos lados primeiramente.

(Alice morde um dos lados do cogumelo e reage como se voltasse ao tamanho normal).



Alice- Nem acredito, eu cresci de novo!

(Alice atravessa o palco, luzes de várias cores começam a aparecer pelo caminho,ela volta sem saber que direção tomar).

Alice (falando consigo mesma)- Deixe-me ver que caminho tomar, (apontando) por aqui? Ou por ali?

(Aparece o gato).

Gato – Perdeu algo?

Alice- Oh, você é um gato!

Gato- Mestre gato! O que se passa?

Alice- Ai mestre gato, eu gostaria de saber que caminho tomar.

Gato – Oh, isso depende do lugar em que quer chegar.

Alice – Ah, isso não importa desde que eu...

Gato (interrompendo-a)- Então, não importa que caminho tomar. (começa a dançar sem se preocupar com Alice de repente para e diz) Vamos ver: ele foi por (cada mão aponta em uma direção) ali!

Alice- Quem?

Gato- O coelho branco.

Alice (empolgada)- Foi?

Gato – Foi o quê?

Alice- Foi por ali?

Gato- Quem foi?

Alice- O coelho branco

Gato- Que coelho?

Alice- Mas não me disse que...(Alice olha e o gato esta dando cambalhotas)

Gato- Sabe fazer isso?

(Alice fica irritada)

Gato – Se eu estivesse procurando um coelho branco iria ao chapeleiro doido.

Alice- Ele é doido? Não quero conhecer ninguém doida.

Gato- Ou a lebre naquela direção.

Alice- (Já tomando o caminho para a lebre) Ah sim obrigada.

Gato- Ela também é maluca.

Alice- Mas eu não quero ver gente maluca.

Gato- Não pode evitar tudo aqui é maluco.

(Faz algumas caretas e desaparece)

Alice – Se todos são assim por aqui é melhor não contrariar.

(Música. O chapeleiro, a lebre e o rato do campo entram carregando a mesa do chá. Eles tomam o chá, cantam e dançam. Terminada a musica Alice que já se sentou a mesa aplaude o chapeleiro e a lebre correm gritando enquanto o rato do campo dorme na mesa).



Lebre e chapeleiro- Não há lugar, ta cheio ta cheio!

Alice - Mas eu acho que tem muito lugar, de sobra até!

Lebre- Ah, mas é muito feio sentar sem ter sido convidada.

Chapeleiro- É muito feio. Muito, muito feio, é sim!

Rato (acordando)- Muito, muito feio! É sim (volta a dormir)

Alice- Ah, sinto muito. É que eu ouvi vocês cantando e gostei muito apesar de...

Lebre (interrompendo-a) - Você gostou de nos ouvir cantando? Gostou? Gostou?

Chapeleiro – Ah, mas que encanto de menina (tenta apoiar os cotovelos na mesa e quase cai). Fiquei muito emocionado com isso. Quer tomar uma xícara de chá?

Lebre (Servindo-a) - Isso, isso. Tome uma xícara de chá.

Alice- Oh, que bondade a sua. Sinto interromper seu chá de aniversário.

Lebre (tirando a xícara da mão dela)- Aniversário? Não, minha filinha não é chá de aniversário.

Chapeleiro - Claro que não! É chá de desaniversário.

Alice- Desculpe, mas e não entendo.

Lebre (tenta explicar) Bom, desaniversário é quando não  lhe dão os parabens (gagueja) e ai...bom, o ano tem 365 dias e um aniversário e ai...(rindo) ela não sabe o que é um desaniversário!

Chapeleiro (rindo) - Que tolice! Eu vou provar: As estatísticas provam que há só uuummmm aniversário por ano, unzinho por ano. Como uma vez por ano é o nosso aniversário os outros 364 é o nosso desaniversário.

Alice (feliz)- Bom, então hoje é o meu desaniversário!

Lebre - Ah é.

Chapeleiro- Ohhh, que coincidência! Então nesse caso.

(Formar uma roda em volta de Alice e cantam Um bom desaniversário o rato acorda e bate palma enquanto eles dançam em volta de alice, depois volta a dormir).

Alice - Obrigada, foi muito bonito isso! (Ela pega uma xícara de chá para tomar)

Chapeleiro (Tirando a xícara da mão dela) - Hahahaha menina...Você disse que veio aqui em busca de uma informação especial?

Alice - Ah sim, eu vim porque...

Lebre - Você não quer tomar mais chá?

Alice - Se eu não tomei nenhum, bem, como posso tomar mais?

Lebre- Ah, isso é: não pode tomar menos.

Chapeleiro- Mas então querida, não quer dizer o que procura?

Lebre - Comece do princípio.

Chapeleiro - E quando chegar no fim, pare.

Alice - Bem, tudo começou quando eu estava a beira do rio com Diná...

Lebre (desinteressado)- Muuuuiito interessante! (interessado) Quem é Diná?

Alice- Oh, Diná é minha gata.

(O rato do campo acordando)



Rato (sai correndo e gritando)- Gato! Gato! fuja, fuja!

(A lebre e o chapeleiro sai correndo atrás dele e dão uma xícara de chá para ele se acalmar e logo ele volta a dormir).



Chapeleiro (bravo) – Ora, essas coisas que me põe irritado.

Lebre- Está vendo o quê você fez?

Alice- Desculpe mas nem sequer pensei...

Lebre(interrompendo-a)- Ah, mas é importante que pense. Quem não pensa não fala.

Chapeleiro (entregando-lhe uma xícara) – Mais chá, mais chá. Vamos querida continue contando.

Lebre (tirando-lhe a xícara) – Você não gosta de chá?

Alice – Ah, sim! Gosto muito de chá mas...

Lebre- Se não gosta de chá, deveria pelo menos conversar...

Alice (nervosa)- Desde que eu cheguei estou querendo perguntar...

Lebre- Tenho uma idéia! Vamos mudar de assunto!

Chapeleiro- Porque um corvo se parece com uma mesa ?

Alice- Humm, charada?(pensativa)- Vamos ver; porque um corvo se parece com uma mesa?

Chapeleiro (assustado)- O que foi que disse?

Alice (repetindo) – Porque um corvo se parece com uma mesa?

Lebre (corre e abraça o chapeleiro)- Cuidado ela esta louca, varrida!

Alice – Mas é a sua adivinhação!

Chapeleiro- (se afastando de Alice) Calma não se exalte.

Lebre (com medo de Alice) Pode beber um pouco de chá.

Alice (brava)- Um pouco de chá! Ora, sinto muito, mas é hora de partir (vai embora).

Rato (acordando)- É hora de partir.

(A lebre e o chapeleiro dão risada e saem cantando. Alice atravessa o palco duas vezes procurando algum caminho).

Alice- Aquele foi o chá mais louco que eu já vi! E aquele coelho! Quando chegar em casa vou escrever um livro sobre isso daqui. (preocupada) Se eu chegar a sair daqui. (pausa) Ai, ta ficando escuro. Não quero saber mais de ir atrás de coelho branco nenhum, eu quero ir para casa, mas como vou sair daqui? (começa a chorar).

(Aparece o gato cantando)

Alice- Mestre gato, é o senhor?

Gato – E quem esperava? (imitando coelho) O coelho branco?

Alice- Ah, não não! Não quero o coelho branco, eu quero ir para casa, mas não acho o caminho.

Gato- Naturalmente, é porque não pode. Tudo aqui, como vê é da rainha.

Alice- Mas nunca vi uma rainha por aqui.

Gato (espantado)- Nunca viu?! Nuuuuunca viu? Ah, mas deve. Ela ficará louca, looouuca por você.

Alice- Mas como vou acha-la?

Gato – (apontando) Uns preferem ir por aqui, outros por ali. Eu pessoalmente prefiro ir por ali.

Alice – Obrigada mestre gato.

Gato – Não foi nada.

(Entram no palco os soldados da rainha; os naipes. Eles estão pintando flores brancas de vermelho e discutem sem parar, Alice se aproxima e eles continuam discutindo, depois de alguns instantes percebem a presença dela).



Alice – Desculpe a pergunta, mas porque estão pintando as flores brancas de vermelho?

Naipe1- Porque plantamos as flores erradas.

Naipe 2- Era para nós plantarmos as flores vermelhas e sem querer plantamos as brancas.

Naipe 3- E nossa rainha só gosta da cor vermelha.

Naipe1 – Se ela souber que isso aconteceu ela manda cortar nossas cabeças.

Alice – Ai credo!

Naipe 3- A rainha vem vindo!

Alice (empolgada) – A rainha!

(Música . Entra os soldados da rainha, todos são naipes de baralho, música baixa entra o coelho para anunciar a chegada dela).



Alice- O coelho branco!

Coelho – Que entre sua graça, sua excelência, sua real majestade: A rainha de copas.

(A rainha entra desfilando e todos gritam viva, o rei cutuca o coelho para ele anunciar sua entrada).

Rei- E eu, e eu!

Coelho (desanimado)- Ah, e o rei.

Rei- Viva!

(A rainha percebe as rosas pintadas)

Rainha (gritando)- Quem ousa pintar as minhas rosas?(se dirigindo aos naipes pintores). Isso vai acabar mal para alguém se não me derem uma explicação imediatamente.

Naipe 1- Foi o dois eu não tive culpa.

Naipe 2- Não fui eu. Foi o três.

Naipe 3- Não fui eu foi o um.

Rainha (gritando)- Cheeeeeegaaaaaaaa!!! Cortem as cabeças!

Todos- Viva!

(Todos começam a cochichar).

Rainha (gritando)- Silênciooooooo!!!

Alice- Piedade, piedade. Eles só iam...

Rainha (interrompendo-a)- E quem é isto?

(O rei se aproxima de Alice para analisá-la).

Rei- Certamente não é copas e nem o naipe de paus.

Rainha(encantada) – Ahhhh, é uma menina!

Alice (sem jeito) Sim,sou uma menina, eu só espero...

Rainha- Fala direito, pare de mexer as mãos, fique em posição!

(Alice obedece cada ordem)



Rainha- De onde vieste? Para onde vais?

Alice- É que estou tentando encontrar o meu caminho.

Rainha- Seu caminho?(nervosa) Tudo aqui é meu, só meu.

Alice (explicando-se) Ah sim, majestade, eu sei, é que eu só ia perguntar...

Rainha (interrompendo-a) Eu é que pergunto. (amável) Tu jogas croquet?

Alice- Sim eu jogo...

Rainha (gritando) Comeceeeeeee o jogo!

Rei- Vamos, vamos em seus lugares, por ordem do rei, vamos!

(Os naipes se colocam em posição de jogo formando um arco com o corpo, quando a rainha vai jogar todos se deslocam de seus lugares para que ela sempre acerte a jogada. Quando Alice vai jogar todos se mexem para que ela perca).

Alice – Isso não é justo, eu ia acertar. Eu que iria ganhar!

Rainha- O que foi que disse?

Alice- Só disse a verdade ora essa.

Rainha(gritando)- Cortem –lhe a cabeça!

Rei- Meu bem, porque não fazemos um júri antes.

Rainha- Um o quê?

Rei (com medo)– Um júri, um jurizinho, só para variar.

Rainha- Hum, está muito bem. (gritando) Comece o julgamento!

(Música. O palco é arrumado para o julgamento. Alguns naipes do baralho fazem o papel dos jurados e outros de soldado. O coelho faz o papel do juiz).

Coelho (cumprimentando todos)- Oh, majestade, senhor jurados (para plateia) fiéis súditos .

(O rei cutuca o coelho para que ele anuncie sua presença).

Coelho – E o rei. A prisioneira é acusada de instigar a sua majestade, a rainha de copas a jogar croquet e a desmoralizar, provocar, irritar a nossa querida majestade...

Rainha (interrompendo)- Pare de falar. Chegue logo no ponto em que eu perdi a calma.

Coelho- E assim, fazendo a rainha perder a calma.

Rainha- Queres ouvir a sentença?

Alice- Sentença? Mas primeiro vem o veredicto.

Rainha (gritando)- Sentença primeiro depois o veredicto. Quem é que manda aqui?

Rei- Mas escute meu bem, e as testemunhas, podemos chamar uma ou duas...

Rainha- Sim, mas ande logo com isso então!

Rei – Primeira testemunha, entre a primeira testemunha.

(Entra a lebre maluca tomando chá)

Rei- O que você sabe a respeito desse horrível incidente?

Lebre – Nada

Rainha – (gritando com ele) Nada de nada?

Lebre (gritando de volta) – Nada de nada!

Rainha – Muito importante. Jurados tomem nota

(Todos os jurados anotam)

Rei – Outra testemunha.

(Entra o rato acompanhado de dois soldados ele está dormindo)

Rainha (gritando) – Eeeeeiii

Soldados- Xiiiiiuuuu

Rainha (cochichando) – O que sabes a esse respeito?

Rato (acordando)- Eu vou construir uma cabana e nenhum gato vai poder entrar...

Todos – Ham?

Rainha – Muito importante, muito importante. Jurados tomem nota.

(Os jurados anotam)

Rei (anunciando)- Chapeleiro.

(O chapeleiro entra)

Rei – Onde estava quando isto aconteceu?

Chapeleiro – Bebendo chá em casa. Sabe, hoje é o meu desaniversário.

Rei – Querida hoje também é seu desaniversário.

Rainha – Oh, éééé?

Chapeleiro – Ééééé: (Ele e a lebre fazem uma roda em volta da rainha e canta a musica do desaniversário. A rainha no começo gosta e até bate palmas, mas depois se irrita).

Rainha- Chegaaaa! Vamos voltar para o julgamento, eu vou dar a sentença.

Alice- Mas precisa ouvir a opinião dos jurados antes.

Rainha (irônica)- Faz o obséquio de calar esta boca?

Alice – Não calo, sou dona da minha boca e da minha palavra. Calo ou falo quando quiser.

Rainha (gritando)- Cortem-lhe a cabeça!

(Nenhum soldado se mexe)



Alice – Viu? Ninguém dá a mínima importância para as ordens de sua majestade. Você não passa de uma simples carta de baralho.

(Música. As cartas avançam em cima de Alice e ela começa a correr e gritar. A luz diminui quase que com black-out e quando volta acender Alice está dormindo no jardim de sua casa e sua irmã lhe chamando)

Irmã – Alice, Alice acorde! Aposto que não aprendeu nada de literatura hoje.

Alice (acordando) – O quê? Mas o coelho e o chapeleiro estavam me ajudando, quase eles me pegaram...

Irmã – Coelho? Chapeleiro? Oh, que sonhadora! Bem, vamos embora que é hora do chá.

(Alice olha para os lados, coça a cabeça e sai de cena com a irmã, todos os personagens aparecem na coxia esquerda. Black-out).

FIM







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