Ir. Basílio Rueda



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Encontro13.07.2018
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Ir. Basílio Rueda

 

Tal era o ideal do Irmão Basílio: apostar toda sua vida em Cristo. Ele repetia freqüentemente as palavras de Paulo: “Para mim viver é Cristo! É Cristo que vive em mim!... Quem pode nos separar do amor de Cristo?”
Os textos que seguem são reflexões do Ir. Basílio que revelam o lugar que Jesus ocupava na sua vida. Podemos organizar uma celebração a partir desses textos.


1-Basilio: seus primeiros passos.

Estas linhas remontam ao ano de 1951. Basilio tinha 27 anos. Ele faz os Grandes Exercícios em vista da Profissão perpétua.

“E então, após a confissão, no momento dos conselhos, Deus houve por bem em colocar nos lábios do Rev. Padre Martinez essas palavras que ela havia dito a uma santa: “Não me fale mais de pecados; fale-me de amor!” e ele continua: “teus pecados são numerosos, mas o amor apaga tudo. Faça atos de caridade perfeitos. » Eu saí da confissão perfeitamente tranqüilo e as primeiras palavras penetraram no meu coração como uma espada e voltavam constantemente à minha memória, enchendo-me de luz, de consolação e de amor. 
Sim, Jesus, eu quero, eu desejo te amar mais e mais. Eu quero te amar sem medida, com todas as minhas forças, com um amor intenso, generoso, verdadeiro, com um amor apaixonado. Eu quero que a minha vida seja um grito de amor para ti que és tudo para mim. Que cada batida do meu coração, que cada respiração, que toda ação ou movimento das minhas faculdades corporais ou espirituais te digam: Senhor, que eu te ame e que eu queira viver para ti. Eu quero te falar constantemente de amor. Eu quero te amar, Senhor, porque tu és infinitamente amável, porque tu és imensamente digno de amor. Eu quero te amar por gratidão pelo amor que tens para comigo... Sim, eu quero te amar Jesus para te agradar, mas também para satisfazer a necessidade imperiosa do meu pobre coração.”

2-Jesus, o centro.

Basilio se dá conta de que, com muita boa vontade, o Instituto está muito centrado sobre a maneira de ajudar os pobres, as missões, sobre a maneira de se fazer um exercício mais evangélico da autoridade, e “pouco a pouco o Cristo, o bom Jesus passou para segundo plano e, em certas situações, desapareceu, sendo ele a razão principal, a sublime razão pela qual nos vivemos e morremos. É ele que está na origem de nosso chamado, de nossa fraternidade e de nossa amizade. Ele é nossa salvação... e é evidente que chegou o momento oportuno de realizar todos os nossos esforços para fazer de Jesus o centro de nossa vida.”

Eis aqui alguns trechos que falam dessa centralidade de Jesus :
Se nós perguntarmos qual é o centro, a quinta essência, o coração e a medula central da vocação, nós devemos responder que é Jesus; a vocação é Jesus.

Aos seus co-irmãos mexicanos da Coréia do Sul, ele escrevia : « Que seu zelo missionário, seus trabalhos, suas preocupações, etc., não lhes façam jamais esquecer que os meios humanos não servem nas obras de Deus senão quando as pessoas estão cheias de Cristo. Tudo vem d’Ele, e sem Ele, nada. Que Cristo, pois, seja sempre o centro de suas vidas.”

O irmão Cecilio Alonso se preparava para partir em missão para o Congo. Basilio lhe lembra o essencial da missão: “Se você vai para a missão seu objetivo deve ser, não unicamente, mas antes de tudo e sobretudo, para anunciar Jesus Cristo e para fundar e fazer crescer a Igreja. Este ponto é capital nesse momento quando a teologia assume um dimensão antropológica que cria o risco de que o centro da Religião e da Redenção não visa senão o homem, e o homem na sua temporalidade, material, natural. O irmão que não sente o desejo de ser uma incarnação viva do Evangelho, uma presença do amor de Deus entre as pessoas, é melhor que ele não vá, mesmo levando-se em conta tudo o que ele poderia contribuir no campo material...”

No sábado 26 de abril de 1986 , após o café da manhã, Basilio desceu à capela e lá meditava sobre o primeiro canto do Servo de Yahweh: “Eu me dou conta de que o Cristo, sua Pessoa Sagrada e seu mistério devem ser o centro da minha vida, como um diamante de mil quilates.”


27 de abril: “Em mim se confirmam a necessidade e o desejo de centrar meu estudo, minha oração sobre a Pessoa de Jesus, e de amar até transformar isso numa grande obcessão e no amor da minha vida.”

Algumas vezes ele deixava ao Ir. Provincial essa mensagem: As visitas provinciais revelam dois pontos fracos, mesmo quando se diz que tudo vai bem e que os irmãos estão felizes:


1. Jesus não é ainda o centeo da vida;
2. Entre muitos irmãos, o “para sempre” não foi ainda pronunciado.

“Nós somos convidados a abrir totalmente nossas portas ao Senhor em nossa Congregação, para deixar o sol entrar plenamente na vida dos nossos irmãos, a fim de que Deus seja verdadeiramente o primeiro a ser servido. Sim, é necessário que a gratuidade, o louvor e a escuta encontrem o espaço que necessitam, e que nós nos tornemos disponíveis para que o Espírito possa trabalhar em nós e modelar nosso coração como quiser.”



3-Basilio e a Eucaristia

« Nesse momento é Ele que gouverna a Congregação »

Brincando com o nome da irmã, Maria Eucaristia , Basilio lhe fez une reflexão maravilhosa sobre a Eucaristia. « Santo Tomás insiste que, na Eucaristia, com toda grandeza que ela representa (Jesus está presente nela), não é tanto o sacramento, mas o sinal e o meio de produzir alguma coisa mais importante do que a própria eucaristia, que é a presença de Jesus no coração de cada um de nós, para nos inundar de sua vida... o que importa ao Senhor, não é permanecer sob as santas espécies do pão, nem no sacrário, nem sobre o altar, mas no coração e no ser total, na conduta pessoal de cada um de nós.”

O testemunho dos irmãos de Bogotá nos faz compreender também a importância que Basilio dava à Eucaristia: “Um telefonema por volta das nove horas nos surpeende. Era o irmão Basilio que nos telefonava de um hotel do centro de Bogotá. Ele nos pergunta se ele poderia almoçar conosco. “Como muito prazer!”, respondemos. E fomos ao hotel para apanhá-lo. Durante o retorno, ele desejou visitar uma igreja. Após um momento de recolhimento diante do Ssmo. Sacramento (não se celebrava a missa nesse momento), nós saímos. Nos encontrávamos junto ao museu do ouro, lugar de visita para todos os turistas. Propomos, então, ao irmão Basilio para visitá-lo. Ele respondeu que preferia procurar um outra igreja, pois não queria de maneira nenhuma deixar de assistir a santa missa e de comungar... Eu achava que Basilio estava cansado após tão longa viagem, e fiquei edificado ao perceber que ele insistia para assistir uma missa. A igreja estava cheia de pessoas simples. Ao final da Eucaristia o irmão Basilio nos expressou sua gratidão por ter podido assistir a missa com pessoas simples, mas fervorosas.”

Ao irmão Firmino Schneider, missionário em Angola, ele escreveu: “Aceite um lugar especial na minha afeição, assim você estará sempre presente em minhas orações, particularmente durante o santo sacrifício da eucaristia que celebramos (alguns conselheiros, o secretário e o seu servo), durante as horas avançadas da noite, depois de uma longa jornada de trabalho. Nesse momento é Ele que gouverna a Congregação. Nós estamos mais do que convencidos de que sem ele nós nada podemos fazer.”

O irmão Alfonso Wimer, mexicano, amigo pessoal de Basilio e seu Conselheiro geral de 1967 a 1976, nos faz essa revelação: “Muitos poucos conhecem sua grande devoção à Santíssima eucaristia. O irmão Basílio dedicava todos os dias uma hora de adoração, apesar das numerosas ocupações, das viagens, da correspondência, das Circulares. Ele nunca abandonou “sua hora com o Senhor.”



4-Jesus e o homem

« Não é Jesus um ampliador de espaços de liberdade para o homem?

Jesus é o maior revelador de valores como a humanidade jamais conheceu. N’Ele, na sua pessoa, no seu testemunho, na sua mensagem, muitas coisas que que não estavam claras, embora pressentidas, se revelam e se clarificam, descobrem-se outras que não tinham sido jamais pressentidas. É Ele que realiza de maneira magnífica o que é de mais humano e o conduz a um vida nova...”

O Cristo é comunicativo, e quando ele toca um coração ele o abre à caridade, à bondade, ao dom de si e a iniciativas fecundas para acolher seus irmãos, entrar em comunhão com eles, e sobretudo, o faz encontrar todas maneiras de os servir e fazer-lhes o bem...”

“Eu quero agora abordar a segunda pergunta que eu fiz sobre o tema da escola cristã: o que é importante propor: os valores ou Jesus? Está claro que para um cristão, se ele se encontrasse diante desse dilema, não haveria nenhuma dúvida em sua resposta... A opção seria Jesus, amado, escolhido, preferido acima de tudo... Mas voltemos ao ponto inicial. Os valores se opõem a Jesus? Não !... ao contrário, Jesus é o maior revelador de valores como a humanidade jamais conheceu. N’Ele, na sua pessoa, no seu testemunho, na sua mensagem, muitas coisas que que não estavam claras, embora pressentidas, se revelam e se clarificam, e descobre-se outras que não tinham sido jamais pressentidas. É Ele que realiza de maneira magnífica o que é de mais humano e o conduz a um vida nova...”

É importante também fazer com que o jovem, à escuta de Cristo, descubra a proposta extraordinária dos valores pessoais, sociais e históricos contidos na vida que Jesus veio nos transmitir e na história da salvação... Desse encontro entre o Evangelho e o mundo, entre o Evangelho e a história, deveriam surgir respostas cristãs novas, lúcidas, criativas e engajadas para sermos testemunhas do Senhor e construtores da história no ano 2000... Uma boa pedagogia deveria conduzir dos valores ao Cristo e do Cristo aos valores.”

“É necessário abrir nossa alma aos valores do nosso tempo; ... mas é necessário também que estejamos atentos contra uma mentalidade humanista, no sentido imanente, que faz do homem seu próprio fim e modelo. Nosso único modelo é Cristo. Nossa antropologia se deduz do mistério e da história da salvação com suas realidades ricas de consequências: a bondade da criação, o fato da queda com as desordens dela decorrentes para natureza humana, o bendito acontecimento da redenção de Cristo que cresce em nós e no mundo... É somente em Cristo e por Cristo que se realizam o mundo e o homem – um mundo digno do homem e um homem digno desse nome – dentro de um humanismo cristão.”

“É importante colocar a pessoa do grande evangelizador, Nosso Senhor Jesus Cristo, ternamente amado como o mais importante da nossa vida, no coração de cada aluno, e é necessário também colocar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.”

Basilio: um amigo que não pode deixar de ser apóstolo, um apaixonado que queria que todos descobrissem o Senhor, um contemplativo da incarnação que continua próximo dos homens. Eis o que ele escreveu ao seu amigo, o irmão Victorino de Arce: “Jesus Cristo deseja que nós lutemos lado a lado com ele, não em uma Igreja perfeita, mas em uma Igreja de pecadores, de peregrinos; é nesta Igreja que, na fé e no amor, nós devemos esperar, servir e trabalhar...”

5-Pérolas entre nossas mãos

A essência, o coração, o âmago do cristianismo é o amor, amor que se manifesta no Antigo Testamento, mas se revela em toda a sua plenitude em Jesus Cristo.

“Cada um carrega em si um mistério: Jesus Cristo está em mim e eu sou Jesus Cristo, no sentido mais profundo da palavra.”

“Não podemos esquecer que a vida religiosa não é outra coisa senão a vida evangélica de Jesus Cristo infundida em nossos corações e trabalhada constantemente pelo espírito Santo.”


“Quando um homem reza e sua vida é verdadeiramente cristã, é Cristo, o primogênito do seio de Maria, que reza nele; sua oração não é outra coisa que a vida de Cristo que se expressa em suas palavras.”


Não se trata apenas de uma questão se se saber chamados por um “Tu” transcendente, mas muita mais em se saber irmãos de Jesus, configurados n’Ele pelo Espírito e, com sua força, poder gritar: “Abba, Pai!”

Vivamos, pois, esse tempo do Advento, na ardente esperança da vinda do Senhor... Deus nos é mais necessário do que o oxigênio que nós respiramos.

Dia 29 de abril de 1986.

“Cada vez que Jesus ele nos traz a paz. A paz é um sinal da sua presença e da sua ação. Mesmo em caso de pecado, de pecados graves, a paz deve permanecer. Quando o arrependimento está acompanhado de inquietude, sem paz, então, pelo menos parcialmente, o diabo interfere. Quando o arrependimento vem de Cristo, de Deus, ele vem com dor, com lágrimas, mas, na paz. Reconhecemos sinceramente não somente a aptidão para o pecado, mas o fato mesmo de haver pecado; isso causa sofrimento, mas nós nos sabemos perdoados e amados.” “Jesus, nós o reconhecemos na paz!”

6-Última mensagem, antes da morte.

Tu estás prestes a consumir tua vida pelos dois lados (lembrava-me o Ir. Leônida), e me enviava uma página inteira da Life, na qual aparecia uma grande vela queimando nas duas extremidades.
E eu lhe enviei um resposta, talvez um pouco insensata : “Este foi sempre meu ideal.” Consumir minha vida por Cristo e por minha congregação, mesmo que isso deva terminar em menos tempo do que deveria normalmente durar.
Fiz bem? Fim mal? Eu não me preocupo. Eu coloco tudo isso nas mãos de Jesus Cristo, nas mãos do Pai, e me sinto numa paz profunda, na ação de graças e de louvor. Eu sei que não há mãos melhores do que as de Deus e que são nelas que eu me encontro. Foi nessas mãos que se entregou o Cristo agonizante.

Alguns diziam ao Ir. Basilio : “Mas tu não te dás conta de que o Cristo pode seduzir como fariam os feiticeiros?” Ele respondia: “Nos damos conta que hipoteticamente isso poderia acontecer dessa maneira. Porém, apesar disso, eu coloco em jogo a minha vida, não em palavras, nem em conceitos, mas vivendo. E não tendo que uma única vida, eu a coloco totalmente em jogo por Jesus Cristo.”



Muitos dizem que Basilio era um santo. Eu não posso afirmar isso; o que eu sei é que ele foi um homem que seguiu o Cristo, que ele era feliz e que desejava transmitir a todos essa fidelidade e essa alegria.”




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