Introdução Contextualização



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  1. Introdução

    1. Contextualização


O desenvolvimento de um ambiente empresarial pró ativo e eficaz é uma preocupação constante dos gestores durante a avaliação dos projetos que as organizações estão inseridas.

As empresas trabalham com projetos de divulgação de marca, implantação de sistemas, expansão do mercado de atuação e outros que possam otimizar os seus recursos e gerar o maior retorno financeiro possível.

A imprescindível necessidade de avaliação dos projetos que a empresa pretende realizar decorre do seu principal objetivo, agregar valor a suas ações.

Uma avaliação mal sucedida de um projeto pode acarretar grande prejuízo a empresa e seus acionistas. Citamos, como exemplo, a empresa aérea americana Frontier, que em meados dos anos 60 decidiu pela terceirização de sua área de Tecnologia da Informação. Porém, devido a concretização de uma proposta do governo, a Frontier foi obrigada a comprar dados de suas concorrentes que mantiveram a área de Tecnologia da Informação sob controle.

Obviamente este custo se figurava nas passagens aéreas e a empresa despendeu um volume grande de recursos para contornar a situação desfavorável e manter-se no mercado.

As empresas, de forma geral, utilizam dois métodos de avaliação de projetos: o Valor Presente Líquido (VPL) e a Taxa Interna de Retorno (TIR). Os projetos com VPL positivo ou TIR superior à taxa de desconto seriam projetos a serem implantados, enquanto que projetos com VPL negativo ou TIR inferior à taxa de desconto devem ser rejeitados.

Dentre os métodos de avaliação, o VPL é o mais utilizado, sendo considerado o mais consistente com o objetivo da empresa de maximizar a riqueza do acionista, Regina Caspari (2003).

Entretanto, ao longo das últimas décadas a eficiência deste método vem sendo questionada, Dixit e Pindyck (1994) concluíram que a aplicação destas técnicas pode induzir a decisões de investimentos equivocadas pois, a regra do VPL, não considera a irreversibilidade do investimento. Portanto, em caso de arrependimento o investimento não pode ser recuperado uma vez que é um custo afundado. Outra observação sobre o método é a não consideração da possibilidade de adiamento do investimento.

Para Amram e Kulatilaka (1999), as técnicas tradicionais só funcionam corretamente quando não existem opções associadas ao projeto, ou, caso existam, não é possível quantificar as incertezas.

Ao realizar a análise de investimento, o gestor deve respeitar três características básicas de qualquer projeto:



  1. O custo inicial do investimento é parcialmente ou completamente irreversível, ou seja, deve-se analisar a possibilidade de recuperação do investimento;

  2. O futuro é incerto, portanto deve-se avaliar as probabilidades de diferentes resultados, os quais significam maiores ou menores retornos;

  3. Flexibilidade de decidir, poder adiar a ação até obter maiores informações, embora a informação nunca seja completa a ponto de eliminar toda a incerteza.

Portanto, as três características citadas serão os norteadores para tomada de decisão do gestor e todas as oportunidades de crescimento das empresas devem ser vistas como opções. Existe uma estreita semelhança entre uma oportunidade de investimento e uma opção de compra de um ativo financeiro. Assim o capital a ser investido em um projeto representa o preço de exercício da opção.

Para Silva Neto (1996), opção é todo contrato que dá ao seu detentor ou comprador o direito, mas não o dever, de comprar, se for uma opção de compra, ou vender, se for uma opção de venda, determinado bem (objeto negociado), pelo preço acordado na efetivação do contrato (preço determinado).



O termo Opções Reais foi utilizado por Myers (1977), caracterizando que as oportunidades de expansão de uma empresa podem ser vistas como sendo análogas às opções de compra. Iniciava-se uma nova abordagem para a análise de investimentos, que faz uma analogia entre uma opção e um projeto de investimento.

A
seguir, a tabela apresentada por Rigolon (1994) em que demonstra a analogia entre a opção de investir e a opção financeira.

Tabela 1: Analogia entre Opção Financeira e de Investir

Ainda,segundo Rigolon, uma firma com uma oportunidade de investimento irreversível carrega uma opção de investir no futuro (ou de esperar). Ela tem o direito – mas não a obrigação – de comprar um ativo (o projeto) no futuro, a um preço de exercício (o investimento). Quando a firma investe, ela exerce a opção e paga um custo de oportunidade igual ao seu valor. O exercício da opção (o investimento) é irreversível, mas a firma sempre tem a possibilidade de preservar o valor de sua opção (adiar o investimento) até que as condições de mercado se tornem mais favoráveis.

Para Trigeorgis (1996) ao realizar uma análise sobre projetos que não possuem opções reais, o gestor que encontra um VPL negativo deve adiar a decisão de investimento, assim, o gestor tem a capacidade de esperar e somente investir no projeto caso o VPL se torne positivo, sem haver a correspondente obrigação de investir se o cenário do VPL negativo se confirmar.

Portanto, a análise de investimento por meio do VPL, pode conduzir o gestor a decisões equivocadas, uma vez que não considera a irreversibilidade e a possibilidade de adiamento da decisão restringindo-se a viabilidade do projeto pelo resultado do VPL, se positivo, prossegue com o projeto, se negativo, o projeto é abortado. Na TOR um projeto considerado estratégico, como projetos com opção de expansão, mesmo que apresente um VPL negativo, será recomendado e aquele que possui um VPL positivo, deve se apresentar suficientemente lucrativo para ser aceito, Dias (1996).

Entretanto, não é correto afirmar que a análise das opções reais vem substituir o cálculo do VPL, como afirma Juliana Marreco(2004), pois é importante observar que a Teoria de Opções Reais (TOR) não rejeita o VPL tradicional, apenas o complementa, ao considerar o valor das opções que estão embutidas no projeto. Dessa forma, o valor adequado de um projeto seria aquele que considera não apenas a sua capacidade de geração de caixa no futuro, mas que também abrange o valor das suas opções.

Assim, a partir do pensamento que a viabilidade de qualquer projeto deve ser avaliada sob a análise de suas opções, o presente trabalho pretende apresentar a TOR como uma ferramenta decisiva na tomada de decisão sobre projeto de investimento, de forma a observar as variáveis envolvidas e identificar a melhor alternativa a seguir,ou seja, encontrar a opção ótima a partir das possibilidades que o próprio projeto proporciona.

A motivação para pesquisa surge das palavras de Krishnamurti, citado em Larosa (2002):

“Se realmente entendemos o problema, a resposta virá dele, porque a resposta não está separada do problema.”



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