Instruções para elaboração dos artigos de Iniciação Científica



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RESULTADOS E DISCUSSÃO
O IR e o IP na AU foram maiores no primeiro trimestre do que no segundo (p<0,05 - t de Student, Tabela 1).

No primeiro trimestre o IR e IP da AU com incisura foram, respectivamente, 0,83 ± 0,07 e 2,32 ± 0,79 e sem incisura, 0,71 ± 0,16 e 1,61 ± 0,78 (Tabela 1).




Tabela 1 – Médias e desvios padrão dos índices de resistência e pulsatilidade das artérias uterinas no primeiro e segundo trimestres de gestação.

Doppler Artérias Uterinas

IR com Incisura

IR sem Incisura

IP com Incisura

IP sem Incisura




























Primeiro Trimestre

0,83 ± 0,07

0,71 ± 0,16

2,32 ± 0,79

1,61 ± 0,78




























Segundo Trimestre

0,59 ± 0,09

0,44 ± 0,09

1,03 ± 0,32

0,63 ± 0,19




























 

 

 

 

 

 

 

 

 

n = 40 gestantes no primeiro trimestre e 33 gestantes no segundo trimestre. p < 0,05 para a análise de todas as semanas (t de Student). IR: índice de resistência. IP: índice de pulsatilidade.

No segundo trimestre, o IR e IP da AU com incisura foram, respectivamente, 0,59 ± 0,09 e 1,03 ± 0,32 e sem incisura, 0,44 ± 0,09 e 0,63 ± 0,19 (Tabela 1).



No primeiro trimestre, 34 (85,0%) gestantes apresentaram incisura bilateral, 2 (5,0%) unilateral e 4 (10,0%) não apresentaram incisura (Tabela 2). Na 22ª semana, 5 (17,2%) apresentaram incisura bilateral, 8 (27,6%) unilateral e 16 (55,2%) não apresentaram incisura (Tabela 2). Das 29 gestantes que tiveram seguimento, 27 apresentaram incisura no primeiro trimestre. Em 15 (55,5%) desapareceu a incisura, no segundo trimestre da gestação. Não houve diferença quando comparados os valores dopplervelocimétricos da artéria uterina esquerda com a artéria uterina direita (p > 0,05 – t de Student).


Tabela 2 – Percentagem de incisura bilateral, unilateral e ausência de incisura em gestantes normais no primeiro e segundo trimestres da gestação

Idade Gestacional (semanas)

Incisura Bilateral

Incisura Unilateral

Ausência de Incisura






















12

34 (85,0%)

2 (5,0%)

4 (10,0%)

22

5 (17,2%)

8 (27,6%)

16 (55,2%)

 

 

 

 

 

 

 

n = 40 gestantes na 12ª semana e 29 gestantes na 22ª semana.

Campbell et al (1983) foram pioneiros na apresentação de dados da circulação útero-placentária por meio do estudo das artérias arqueadas utilizando a dopplervelocimetria, tendo relatado que incisura diastólica das artérias uterinas, no segundo e terceiro trimestres da gestação, estava relacionada ao aumento da resistência vascular útero-placentária, RCIU e hipertensão.

Estudos atuais relatam associação entre valores do IR e IP e o desenvolvimento subseqüente de pré-eclâmpsia, no primeiro trimestre gestacional, principalmente, quando a mesma ocorre antes de 37 semanas de gestação (Plasencia et al, 2008).

Em gestantes normais, observa-se diminuição significante do IP das artérias uterinas de 11 para a 13 semanas e 6 dias de gestação, como também de 21 para a 24 semanas e 6 dias (Melchiorre et al, 2008).

No nosso estudo verificamos diminuição do IR e IP das artérias uterinas de 8 a 12 para 22 semanas de gestação. Essa diminuição ocorreu tanto na presença quanto na ausência de incisuras nas artérias uterinas. Entretanto os valores dos parâmetros dopplervelocimétricos foram menores quando não havia incisura nessas artérias.

Melchiorre et al (2008) estudaram o IR das artérias uterinas no primeiro trimestre da gestação e relacionaram a relação dos valores deste parâmetro dopplervelocimétrico com o desenvolvimento de pré-eclâmpsia antes e após 37 semanas, o que denominaram de pré-eclâmpsia precoce e tardia, respectivamente. Esses autores verificaram maiores valores do IR nas gestantes que desenvolveram pré-eclâmpsia precoce do que nas gestantes normais. Entretanto, não houve diferenças entre o IR de gestantes normais e as que desenvolveram pré-eclâmpsia acima de 37ª semana gestacional. Os valores do IR de gestantes normais foi 0,70 ± 0,10 e nas gestantes que desenvolveram pré-eclâmpsia antes de 37 semanas 0,79 ± 0,12.

Os valores do IR das artérias uterinas na idade gestacional de 8 a 12 semanas, no nosso estudo, foi 0,83 ± 0,07 para as gestantes que apresentaram incisura bilateral e 0,71 ± 0,16 nas que não se observou incisura. Por se tratar de estudo cujo critério de inclusão é de gestantes normais, nenhuma delas desenvolveu pré-eclâmpsia.

No estudo de Melchiorre et al (2008) não houve a relação entre os valores do IR e a presença ou ausência de incisura nas artérias uterinas. Esses autores relataram que a prevalência de incisura bilateral das artérias uterinas no primeiro trimestre em pacientes com pré-eclâmpsia abaixo de 37 semanas (75,8%) foi significantemente maior do que nas gestantes normais ou com pré-eclâmpsia acima de 37 semanas de gestação.

Observamos no nosso estudo que, no primeiro trimestre da gestação, a maior parte das gestantes (85,0%) apresentou incisura bilateral das artérias uterinas. Apenas em 5,0% foi encontrada incisura unilateral e em 10,0% não se verificou incisura. Deve-se enfatizar que, nesse estudo, não houve desenvolvimento de pré-eclâmpsia nas fases posteriores da gestação. Portanto, a presença de incisura bilateral nas artérias uterinas no primeiro trimestre da gestação não indica que irá haver desenvolvimento de pré-eclâmpsia.

Pela comparação com os estudos de Plasencia et al (2008) e Melchiorre et al (2008) verifica-se que a predição de pré-eclâmpsia pela avaliação do IR e IP no primeiro trimestre deve ser realizada comparando-se valores Dopplervelocimétricos de gestantes normais com gestantes de alto risco para pré-eclâmpsia e/ou fetos pequenos para a idade gestacional. Apesar de ainda não indicada nas avaliações clínicas, os relatos desses autores de aumento do IR e IP nas AU, em relação a gestantes normais, estiveram relacionados, com maior evidência, a pré-eclâmpsia precoce.

Vainio et al (2005), estudando as artérias uterinas maternas pela dopplervelocimetria da 12ª a 14ª semana de gestação, relataram que a presença de incisura bilateral, nestes vasos e nesta IG, é ferramenta útil para se predizer o desenvolvimento de desordens hipertensivas. Uma de quatro gestantes que apresentam incisura bilateral das artérias uterinas, no primeiro trimestre gestacional, vai desenvolver desordenes hipertensivas durante a gestação. Pacientes com incisura bilateral das artérias uterinas da 12ª a 14ª semana de gestação devem ser acompanhadas durante a gestação. A persistência de incisura bilateral nestes vasos, da 24ª a 26ª e, especialmente da 32ª a 34ª semana de gestação, está associada com hipertensão induzida pela gestação.

Frente a essas considerações, torna-se importante a possibilidade da avaliação dos valores do IR e IP no primeiro trimestre da gestação para a predição de pré-eclâmpsia.

Apesar de ainda não indicada de rotina nas avaliações clínicas, deve-se considerar estudos sobre a dopplervelocimetria das artérias uterinas no primeiro trimestre da gestação.

Kurdi et al (1998) relataram aumento no risco de pré-eclâmpsia, RCIU e mortalidade perinatal quando existe incisura bilateral nas artérias uterinas no segundo trimestre da gravidez.

No nosso estudo, na 22ª semana de gestação, 17,2% das gestantes apresentaram incisura bilateral, 27,6% unilateral e 55,2% não apresentaram incisura. Verifica-se, portanto, que no segundo trimestre da gestação, a maior parte de gestantes normais não mais apresentam incisura bilateral nas artérias uterinas.

Papageorghiou et al (2005) estudaram as AU maternas entre 22 e 24 semanas de gestação tanto do ponto de vista qualitativo, pela presença ou ausência de incisura bilateral, quanto quantitativo pela medida do IP. A média do IP das gestantes que desenvolveram pré-eclâmpsia foi 1,36 e das que não desenvolveram 1,02.

Em 2007, Toal et al (2007) ao avaliaram gestantes de alto risco da 19ª a 23ª semana de gestação pelo Doppler das AU, consideraram doppervelocimetria anormal na presença de incisura bilateral das artérias uterinas e IP acima de 1,45.

No nosso estudo, no qual foram avaliadas gestantes consideradas clinicamente normais, encontramos, na 22ª semana de gestação, IP de 1,03. Além disso, diferenciamos os valores do IP na presença e ausência de incisura das artérias uterinas maternas, tendo sido 1,03 ± 0,32 e 0,63 ± 0,19, respectivamente.

Se entre 20 e 24 semanas de gestação não se observar incisura bilateral das AU, as gestantes são consideradas de baixo risco para pré-eclâmpsia e RCIU. Ao contrário, a presença de incisura bilateral das AU nesta idade gestacional está relacionada a maiores casos de pré-eclâmpsia e RCIU (Park et al, 2005).

Nosso estudo envolveu gestantes de baixo risco, tendo verificado que, em gestantes consideradas clinicamente normais, a incisura uterina desapareceu em 55,5% na 22ª semana gestacional.

Além disso, relacionamos a análise qualitativa com a quantitativa na dopplervelocimetria das AU, estabelecendo valores do IR e IP de gestantes consideradas clinicamente normais no primeiro e segundo trimestres da gestação.


CONCLUSÕES
O IR e o IP nas AU de gestantes de baixo risco são menores no segundo trimestre que no primeiro. Metade das gestantes apresenta desaparecimento da incisura na 22ª semana de gestação. A ausência de incisura na AU relacionou-se à diminuição do IR e IP. Os valores do IR e IP determinados nesse estudo podem ser comparados com estudos que envolvam gestantes de alto risco.

AGRADECIMENTOS
Ao CNPq pela bolsa de Iniciação Científica.
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1 Aluno de Curso de medicina, Unidade Acadêmica de Medicina, UFCG, Campina Gande , PB, E-mail: guilherme_P_L@hotmail.com

2 Medicina , Prof. Pós-Doutor, Unidade Acadêmica de Medicina, UFCG, Campina Grande, PB, E-mail: gadelhamail@yahoo.com.br

3 Medicina , Profª Doutora, Unidade Acadêmica de Medicina, UFCG, Campina Grande, PB, E-mail: patispara@yahoo.com.br



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