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Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto

Mestrado em

Tradução e Interpretação Especializadas

TRADUÇÃO, ADAPTAÇÃO E LEGENDAGEM

DE TEXTOS POÉTICOS:

DA ORALIDADE À ESCRITA

Projecto de Mestrado

Manuel Fernando Aguiar da Silva Vieira Nogueira


Orientadora: Mestre Paula Ramalho Almeida

São Mamede de Infesta

Dezembro de 2008

Agradecimentos

À minha orientadora, Mestre Paula Almeida, pelas

indicações e orientação através deste universo literário e audiovisual.
À Doutora Cristina Pinto da Silva,

por me ter indicado o caminho certo.


Ao Instituto Superior de Contabilidade de Administração do Porto,

pelas facilidades que me foram concedidas.


Ao Alberto Couto, pela paciência e solidariedade

incondicionais e ilimitadas.


Ao Filipe Couto, à Ana Deus, ao Paulo Monteiro, ao José Pinto e à

Diana Bizarro pelas sugestões e interesse demonstrado.


À Philos, à Dr.ª Margarida e ao Sr. Sílvio,

pela aposta que fizeram no meu trabalho.


A todos os meus sinceros agradecimentos.

TRADUÇÃO, ADAPTAÇÃO E LEGENDAGEM

DE TEXTOS POÉTICOS:

DA ORALIDADE À ESCRITA
Projecto de Mestrado

Manuel Fernando Aguiar da Silva Vieira Nogueira



Orientadora: Mestre Paula Ramalho Almeida
Índice


I.

Introdução

1

II.

Enquadramento dos objectos fílmicos: aspectos linguísticos e tradutológicos

3




1.

Pull My Daisy

3




2.

The Last Clean Shirt

8

III.

O processo de tradução e legendagem

11




1.

As etapas

11







a.

Tradução

11







b.

Adaptação e sincronização

12




2.

As ferramentas

15







a.

A legendagem antes da era digital

15







b.

Software utilizado

17

IV.

Legendagem

20




1.

Legendagem impressa

20




2.

Filmes legendados em suporte digital

45

V.

Análise comparativa de duas versões de legendagem: Aspectos teórico-práticos

46

VI.

Conclusão

55

VII.

Fontes e Bibliografia

57




Anexos







Anexo 1: Texto traduzido







Anexo 2: Segunda versão da legendagem






  1. Introdução

A legendagem, sendo um modo de tradução audiovisual muito peculiar, implica verter um discurso oral, real ou ficcionado, para texto escrito. A primeira questão que nos colocamos é, como será isto exequível, sem se perder uma parte significativa do discurso oral: os elementos paralinguísticos? Depois, o que acontece nesta passagem da oralidade para a escrita? Haverá forma de contornar as perdas evidentes?

Como ponto de partida para este projecto de legendagem, escolhemos dois filmes ainda não legendados em português, cujos argumentos, coincidentemente, também ainda não se encontravam traduzidos em português. Os filmes escolhidos foram Pull My Daisy e The Last Clean Shirt, documentos visuais da cultura da Beat Generation, movimento sediado nos Estados Unidos da América.

A partir da tradução, adaptação e legendagem destas obras, procurámos, então, analisar as dificuldades levantadas pela tradução e introdução das marcas de oralidade existentes nos textos de partida, bem como as suas possibilidades de adaptação, tendo em conta as características do público-alvo e os constrangimentos impostos pela própria natureza deste modo de tradução. Procurou tomar-se em consideração também os problemas relacionados com a transferência da cultura da língua de partida para a língua de chegada.

A legendagem destas duas curtas-metragens foi realizada através do programa de software SPOT. Depois de concluído, foi analisado todo o processo de tradução, adaptação e legendagem, considerando a necessidade de contextualizar os filmes a nível literário, artístico e cultural, bem como as decisões relativamente a alguns aspectos do resultado final da legendagem, nomeadamente no que respeita às dificuldades impostas pela transposição da oralidade para a escrita.

O argumento de Pull My Daisy, nas palavras do autor Jack Kerouac, baseia-se no Acto III da peça “The Beat Generation”. Esta peça foi escrita em 1957, mas foi recentemente redescoberta em 2005, em forma manuscrita, num armazém de New Jersey.

Na sua essência, este argumento consiste num improviso de Kerouac elaborado em voz off durante o filme realizado por Robert Frank e Alfred Leslie, em 1959. Desde então, ambos os realizadores desenvolveram as suas criações artísticas, tendo, por exemplo, Alfred Leslie estreado o seu trabalho mais recente, o vídeo The Cedar Bar no London Film Festival em 2002 e Robert Frank realizado vídeos para canções dos New Order, Run de 1989, e de Patti Smith, em 1996, para Summer Cannibals.

A curta-metragem começa com um canção cuja letra é um excerto do poema Pull My Daisy de Allen Ginsberg e Jack Kerouac. Depois, Jack Kerouac representa e encarna com a sua própria voz cada uma das personagens do filme, enquadrando, descrevendo e comentando a acção. O argumento do filme é, assim, um exercício livre de improviso sobre as imagens montadas pelos realizadores.



The Last Clean Shirt é um filme experimental de Alfred Leslie, realizado em 1964, cujas legendas originais incluídas no filme são textos do poeta americano Frank O’Hara. Este filme tem sempre o mesmo enquadramento de câmara, ao passo que a “acção” nos é sugerida pelo conteúdo das legendas que integram a obra. Isto é, se por um lado o cenário e os protagonistas do filme são os mesmos do início ao fim do filme, é o texto de O’Hara, associado ao momento da inserção dos segmentos no filme, que atrai ou distrai a atenção do espectador para uma viagem que pode ter vários destinos.

Estas duas curtas-metragens constituem textos-limite que põem em evidência os desafios do processo de legendagem, graças às suas características muito especiais, enquanto obras de arte cinematográfica. Para além das dificuldades emergentes que todos os trabalhos de tradução envolvem, neste trabalho considerou-se essencial tentar tratar da melhor forma a estrutura poética livre e conferir significado suficiente e coeso no texto de chegada ao fluxo de pensamento exteriorizado no texto de partida, procurando, especialmente, não prejudicar a característica poética dos textos.




  1. Enquadramento dos objectos fílmicos:

Aspectos linguísticos e tradutológicos

Para proceder à tradução dos argumentos dos dois filmes que constituem o corpus deste trabalho, começamos por enquadrar os textos culturalmente. Com base neste enquadramento, tanto cultural como literário, focamos os aspectos linguísticos e tradutológicos que dele decorrem.1

O cenário cultural em que Pull My Daisy e The Last Clean Shirt se enquadram é o da Beat Generation. A geração de escritores, da qual Jack Kerouac fez parte, viria a ser denominada Beat Generation por oposição a Lost Generation que, “como geração imediatamente anterior, da qual faziam parte Fitzgerald e Hemingway, era encarada, quase em termos freudianos, como o progenitor a derrubar” (Almeida 1999, 10), como em todas as gerações que se sucedem e se antagonizam. Ao invés de um sentimento generalizado de impotência da geração de escritores anterior, a geração de escritores norte-americanos dos anos cinquenta deixava-se fluir pelos prazeres da vida boémia, pela linguagem e experiências da rua, pela espontaneidade e pela procura de prazeres físicos e espirituais, mas descomprometidos.

Na designação Beat Generation, o adjectivo beat inclui pelo menos dois sentidos aparentemente opostos. Enquanto termo do calão urbano, denotava cansaço ou exaustão, tendo sido utilizado pela primeira vez com o segundo sentido de “iluminação espiritual” por Jack Kerouac, quando o transformou na raiz e no radical de beatific: “He was beat – the root and soul of Beatific”2. Um outro sentido relevante nesta designação é o de “batida” (beat) do bop, esse novo jazz desenvolvido por músicos como Charlie Parker, Bud Powell, Dizzy Gillespie e Thelonius Monk, por exemplo.


1. Pull My Daisy
A curta-metragem Pull My Daisy, realizada por Alfred Leslie em 1959, ilustra na perfeição todas estas características marcantes da Beat Generation. Mostra um dia na rotina de uma família nos anos cinquenta, retrata a atitude boémia característica dos jovens poetas e a sua insaciável curiosidade de conhecerem mais, de confrontarem mais, de obterem mais respostas para as suas necessidades físicas e espirituais. Um ambiente familiar onde a necessidade de agarrar a imaginação impera, sempre diluída na batida do Jazz.

Associada às imagens, flui a narração espontânea de Kerouac. Nela, o autor vai criando um poema ao sabor da sua própria respiração, descrevendo a acção no filme, o discurso entre as personagens, os pensamentos de cada personagem, os seus próprios pensamentos, referências e preocupações culturais. A narração emerge de forma aleatória, parecendo obedecer unicamente às mudanças no plano semiótico que é mostrado pela câmara do realizador. Cada sequência de texto corresponde a cada personagem que surge no ecrã e Kerouac dá voz a todas elas e a tudo o que interiorizam e exteriorizam.

John Tytell sintetiza a espontaneidade e energia da escrita de Kerouac, tal como o próprio autor a entendia, numa reacção natural e física:

In “The Essentials of Spontaneous Prose,” Kerouac compared the particular mental attitude that nurtered his creation to orgasm – a moment of utterness, of simultaneous mingling sensations when the thought process is obliterated, the body’s music is resonant and loud, and the individual is “submissive to everything, open, listening” (…) He maintained that the writer’s purpose should be to “sketch the flow that already exists intact in mind.” The method would be ecstatic: “wild, undisciplined, pure, coming in from under, crazier the better.” Swimming in a furious sea of language, the writer would plummet to a place near the "bottom of the mind" to release "unspeakable visions of the individual," the usually unarticulated insights reserved for one's most private moments. (142-143)

Assim, uma das principais dificuldades na tradução do argumento de Pull My Daisy foi a necessidade de formatar um texto que foi gerado de improviso, uma narração espontânea da acção que decorre nas imagens. Trata-se de um texto tão livre como um improviso de jazz, o que não facilita a tarefa de respeitar as limitações normais e, por vezes, normativas, exigidas pela adaptação da tradução à legendagem.

Além da dificuldade imposta por essa espontaneidade, característica da verbalização do fluxo livre de pensamento do narrador, outra dificuldade consistiu nas inúmeras referências culturais que povoam o texto traduzido. Devido às referências geográficas e biográficas a poetas, versos de poemas, referências a religiões e questões filosóficas e culturais, o improviso de Kerouac será mais facilmente compreendido pelos espectadores com algum conhecimento ou, pelo menos, com algum interesse sobre o que foi a Beat Generation, dado que não é possível incluir notas de referência na legendagem para facilitar a compreensão. Assim, procurou-se traduzir o texto de forma que não ficasse fechado em si mesmo nem perdesse os conteúdos das mensagens que Kerouac transmite na sua divagação narrativa.

Nesta curta-metragem está bem evidenciada a importância que todos os principais escritores do que foi a Beat Generation, Jack Kerouac, William Burroughs e Allen Ginsberg conferem à oralidade na linguagem. A poesia, para estes autores, “será sempre um acto em potência, e, por este motivo, dá-se importância à oralidade, não só ao nível de características sintácticas e prosódicas, mas também enquanto possibilidade de perpétua recriação, redescobrindo-se o poema de cada vez que ele retorna à respiração” (Almeida 1999, 16). A velocidade do discurso de Jack Kerouac no filme corresponde ao fluxo de pensamento, não obedece a uma estrutura ordenada. Obedece essencialmente à própria respiração do autor. A forma como o texto flui, “Tal como a extensão do verso, por exemplo, poderá depender do fôlego do poeta e do ritmo mais ou menos lento da sua respiração” (Almeida 1999, 49), e esta característica é fundamental para perceber onde se encontram as pausas e a forma de dividir os segmentos de texto a enquadrar em cada legenda, no caso específico do texto improvisado sobre as imagens, em Pull My Daisy.

A curta-metragem começa com uma canção cantada por Anita Ellis, cuja letra consiste num excerto de doze versos do poema Pull My Daisy, escrito por Allen Ginsberg e Jack Kerouac. Este poema é exclusivamente composto por jogos com a sonoridade de palavras, em construções metafóricas e expressões em calão de conotação sexual. Aqui também a principal dificuldade foi conseguir encontrar equivalentes na língua portuguesa que não desvirtuassem a intenção da mensagem dos autores. O autor Henri Meschonnic afirma o seguinte:


La “langue”-la “littérature”, – ou la langue-la culture, ou le sens-la forme: il n’y a pas deux choses dissociables, hétérogènes. Quand il y a une texte, it y a un tout, traduisible comme tout. […] Ni la théorie de la communication, ni une linguistique de la traduction telle qu’elle utilise la grammaire transformationnelle et la sémantique structurale ne peuvent en rendre compte, car ce sont des conceptualisations dualistes. Seule une poétique de la traduction peut théoriser le succés ou l’échec des traductions. (349)
Tal como todo o texto traduzido neste projecto, a tradução do poema inicial em Pull My Daisy teve várias versões que foram evoluindo precisamente ao encontro das considerações de Meschonnic acerca da abordagem ao texto como um todo indissociável, tendo como objectivo final conseguir a maior compreensão possível no texto de chegada. No entanto, tentou manter-se, tanto quanto possível, a característica poética do texto original de Jack Kerouac e Allen Ginsberg.


Original

2ª versão traduzida

Pull my Daisy

tip my cup

all my doors are open

Cut my thoughts

for coconuts

all my eggs are broken

Hop my heart on

harp my height

seraphs hold me steady

Hip my angel

hype my light

lay it onthe needy

Puxa a minha flor

esvazia-me

todas as minhas portas estão abertas

Esquarteja os meus pensamentos

por amendoins

todos os ovos estão partidos

Assalta-me o coração

Toca à minha altura

Que os serafins me atem

Dá colo ao meu anjo

Injecta-me até ficar bem fora

Descarrega em quem precisa

Nesta versão da tradução procurou-se reproduzir no texto de chegada expressões aproximadas às utilizadas pelos autores do texto de partida.

Assim traduziu-se, por exemplo, “coconuts” por “amendoins” para conseguir a mesma ideia de “algo de pouca importância”; foi utilizada a expressão “todos os ovos estão partidos” na tentativa de expressar a mesma ideia de “está tudo estragado”, que se pode interpretar a partir de “all my eggs are broken”; foi utilizada a expressão “Dá colo ao meu anjo” para tentar reproduzir o que se pode inferir de “Hip my angel”: neste contexto, “hip” pode ter conotação sexual e “angel” tanto pode ser considerado como estando a designar alguém como estar a ser utilizado como calão para designar uma droga.

Todas as frases foram traduzidas com o objectivo final de transporem para português, o mais possível, todos os implícitos sexuais e eventualmente relacionados com o uso de drogas, que foram interpretados a partir dos jogos de palavras utilizados no texto original.

Tal como no texto em língua inglesa, não foi utilizada nenhuma pontuação.


Original

Versão final da legendagem

Pull my Daisy

tip my cup

all my doors are open

Cut my thoughts

for coconuts

all my eggs are broken

Hop my heart on

harp my height

seraphs hold me steady

Hip my angel

hype my light

lay it onthe needy

Puxa a minha flor

esvazia-me…

estou completamente vulnerável…

Rasga os meus pensamentos por

quase nada

está tudo pronto a começar…

Assalta-me o coração,

atinge-me sem rodeios.

Que os serafins me atem!

Conforta o meu anjo…

Põe-me fora de mim.

Dá-me o que preciso…

Nesta versão da tradução, adaptada à legendagem, o texto final foi substancialmente alterado, embora tenha continuado a ser mantido o objectivo inicial de ser o mais fiel possível à intenção da mensagem poética. Todavia, foram feitas algumas concessões na forma do texto, para que se tornasse mais compreensível ao ser lido por um espectador português.

As expressões traduzidas já não procuram reproduzir literalmente o que é dito no original, cingindo-se bastante mais à mensagem original implícita no texto de partida.

Foi introduzida pontuação para conferir maior dinamismo ao texto em língua portuguesa, na tentativa de o tornar mais comunicativo e espontâneo, sobretudo tendo em conta a música que o acompanha

A mesma “dificuldade” emergente da referida espontaneidade e da característica libertária do texto confere ao tradutor uma maior margem para conseguir ultrapassar os impasses com que se depara ao traduzir um texto deste estilo, pois, como refere William Weaver, autor de vários livros acerca de ópera e tradutor de literatura italiana contemporânea, “because there are no rules, no laws, there cannot be an absolute right or an absolute wrong,” num processo de tradução (117).

Em grande parte, a musicalidade do discurso original de Kerouac perde-se na transposição do texto para língua portuguesa. Por exemplo, quando o autor menciona “the Empire State Building that had not doomed the dumb eyes of New York all the time.”, a aliteração “doomed the dumb”, que facilmente se poderia associar a um ritmo jazzístico, não sobrevive na opção de tradução conseguida para português: “do Empire State Building que não condenava para todo sempre os estúpidos olhos de Nova Iorque.” No entanto, o principal objectivo da tradução, com vista à aplicação do texto em legendas, consiste em transpor para o texto de chegada o essencial da mensagem do texto de partida. Tendo esse objectivo em conta, no exemplo acima mencionado, a musicalidade perde-se, embora o sentido da mensagem poética seja mantido. No caso de Pull My Daisy, e apesar da impossibilidade de reproduzir por completo a musicalidade do texto, há outro factor extremamente importante que já pode ser salvaguardado na tradução: o ritmo do discurso.

Todo o texto declamado vive da entoação que Kerouac lhe confere, pelo que é necessário ter em conta os elementos paralinguísticos. Os planos são acompanhados por diferentes tons de narração, ora de carácter mais introspectivo, ora mais brincalhão, ora mais extrovertido, com maior ou menor intensidade, com maior ou menor rapidez. As conversas entre as personagens são igualmente concebidas pelo narrador. As personagens estão lá, o cenário foi construído e as cenas provavelmente mais ou menos ensaiadas, mas o conteúdo do discurso poderia ter sido outro que não o improvisado por Kerouac. Por outras palavras, apesar de o argumento ser um improviso livre do narrador, este tinha à partida definidas algumas características da situação e das personagens sobres as quais iria improvisar.
2. The Last Clean Shirt
A segunda curta-metragem trabalhada, The Last Clean Shirt, pode também ser considerada um produto da Beat Generation. Tal como Pull My Daisy, The Last Clean Shirt foi também realizada pelo pintor americano e realizador Alfred Leslie em 1964. Leslie concluiu o filme com legendas do poeta Frank O’Hara3. A primeira exibição do filme teve lugar no Museu de Arte Moderna de São Francisco, em 1964, e mais tarde, nesse mesmo ano, no Lincoln Center em Nova Iorque, provocando agitação na audiência.

Segundo Olivier Brossard, podemos ver The Last Clean Shirt como “uma paródia sobre um filme de viagens, podendo eventualmente pensar-se que estamos a conduzir por uma rua paralela em vez de o fazer pela rua principal: se aceitarmos o passeio que nos é oferecido, em breve desviar-nos-emos, descobrindo percursos desconhecidos por territórios metafóricos e virtuais” (50). E ainda:

Utilizar a via secundária: tal poderia ser o sinal incluído por Alfred Leslie no início do filme. Efectivamente, o carro não parece ir a lugar nenhum embora o vejamos em movimento. (…) Não há acção no filme para além da gesticulação e da verbosidade da mulher, sentada no carro. (51-52)

Neste filme, o espectador é, quase literalmente, conduzido numa viagem em que o cenário é o menos importante. Durante o percurso, ficamos prisioneiros do realizador que, num filme cuja acção se resume aos movimentos da protagonista no carro e à deslocação do próprio carro em três voltas ao mesmo quarteirão, apenas nos concede a liberdade de divagar pelas questões de carácter existencial e filosófico abordadas por Frank O'Hara e que Alfred Leslie escolhe introduzir nas legendas.

Ao contrário do que acontece em Pull My Daisy, em que os acontecimentos se sucedem a uma velocidade rápida, “ditando” as palavras no discurso de Kerouac que por vezes se atropelam, já em The Last Clean Shirt, as legendas integradas na obra detêm um ritmo autónomo, ora mais lento ou mais rápido, consoante as ideias que o autor/realizador pretende provocar ou destacar com maior ou menor intensidade. Não aparentam seguir quaisquer normas de legendagem.

Com base numa análise ao tempo de duração de permanência das legendas no ecrã, as ideias que o realizador apresenta como fulcrais no filme são as seguintes:



  1. 04:00

É claro que fiquei ofendida quando a

Bernice disse que sou confusa…

349 04:14

Acho que ele é um dos homens

mais talentosos do nosso tempo.

374 04:00

É a natureza de todos nós

querermos ficar desligados…

384 04:00

Se vais ter um daqueles

horríveis ataques de culpa,

391 09:08

Tenho outra opinião acerca da culpa.
Estes textos surgem como ponto de partida para o desenrolar do fluxo de pensamento que ilustra as imagens. Como se mantêm durante mais tempo no ecrã, a mensagem é reforçada, chamando a atenção do leitor/espectador para o que se sucede, não necessariamente nas imagens mas no discurso. Nas legendas há um encadeamento espontâneo de ideias que, na maioria dos casos, não estão relacionadas directamente com o que se vê no ecrã. A única legenda cujo conteúdo tem directamente a ver com o que passa no filme é:
350

Vai ali um homem

com o braço ao peito.
Contudo, mesmo neste caso, esta afirmação serve apenas para os personagens/actores divagarem até outro qualquer pensamento que, aparentemente, no momento lhes ocorra, através das palavras de Frank O’Hara, inseridas pelo realizador. No ecrã não se vislumbra o tal homem com o braço ao peito, que pode ter sido notado quer pelo homem quer pela mulher. As legendas podem corresponder ao discurso da mulher, mas também aos pensamentos do homem que conduz o automóvel. A decisão sobre “quem diz o quê” fica a cargo do espectador.


  1. O processo de tradução e legendagem



  1. As etapas

Neste projecto de legendagem foram consideradas três etapas no trabalho: a tradução, a adaptação e a sincronização, sendo estas duas últimas consideradas como complementares e interdependentes.




    1. Tradução

Iniciado o processo de legendagem das curtas-metragens Pull My Daisy e The Last Clean Shirt, em primeiro lugar, foi necessário começar por traduzir o conteúdo verbal dos respectivos argumentos, da língua de partida para a língua de chegada. Como tal, partiu-se da necessidade de compreender e enquadrar os textos relativamente ao estilo literário a que correspondem, à relação que têm com as imagens do documento audiovisual, ao nível de língua mais adequado a utilizar no texto traduzido, assim como ao público-alvo a que se destinam, por outras palavras, à cultura do texto de chegada.

A necessidade de ter em consideração o público-alvo, ao qual estes filmes poderia suscitar interesse, baseia-se na distinção que se pode fazer entre os conhecedores do que foi o movimento artístico/literário da Beat Generation e para os que ainda não conhecem esse ambiente cultural. A forma como os filmes são visualizados e a importância que a legendagem pode ter diferem, naturalmente, consoante o grau de conhecimento que o eventual público poderá ter sobre o estilo de Jack Kerouac ou mesmo sobre os versos de Frank O'Hara, enquadrados na perspectiva artística da Beat Generation. Na opinião de Newmark, o que é implícito em argumentos de ficção para televisão ou cinema deve manter-se implícito na respectiva tradução (apud NederGaard-Larsen 221). Mas existe um grande risco de que essas implicações não sejam entendidas pela cultura do texto de chegada, num contexto cultural diferente, embora a maior parte das pessoas as entendam imediatamente na cultura do texto de partida. A este propósito, Birgit NederGaard-Larsen considera ainda que:

As a translator or subtitler you will therefore have to estimate the distance between the two languages and cultures, and you will obviously have to decide whether you want to be loyal to the author's exact words or his intention. (222)

Para a tradução do argumento dos dois filmes, optou-se pela tentativa de ser leal à intenção do texto, tentando todavia não descurar as construções frásicas que o enformam.

Hatim e Mason apresentam uma teoria da tradução que se baseia no contexto cultural e na sua importância decisiva, considerando o tradutor como mediador:

Translators mediate between cultures (including ideologies, moral systems and socio-political structures), seeking to overcome those incompatibilities which stand in the way of transfer of meaning. What has value as a sign in one cultural community may be devoid of significance in another. (1990: 223)

Para melhor conseguir esta mediação cultural, manteve-se sempre a preocupação de tornar a tradução o mais comunicativa possível, tendo em consideração o que Peter Newmark define como sendo o método de tradução comunicativa:

Communicative translation attempts to render the exact contextual meaning of the original in such a way that both content and language are readily acceptable and comprehensible to the readership. (47)

Assim, para a tradução procurou utilizar-se um nível de língua entre o familiar e o popular, como sendo o mais indicado para transpor a mensagem dos textos da língua de partida na língua de chegada, abordando-os da forma mais simples possível, evitando a ornamentação excessiva do texto. Isto também obviamente condicionado pelas limitações de espaço impostas pelas definições das legendas.


    1. Adaptação e sincronização

Num documento audiovisual, a adaptação do diálogo oral ao texto traduzido escrito e segmentado em legendas e a sincronização dessas legendas com as imagens constituem etapas interdependentes essenciais no processo de legendagem. Para os autores Zoé de Linde e Neil Kay, a transformação do diálogo em legendas é influenciado sobretudo por três factores, nomeadamente:

captions must integrate with the existing material and semiotic structure of a film; speech has to be presented in an altered written mode and subtitles must be designed so as to take account of viewers' reading capacities. (26)

As legendas devem servir como complemento do que surge no ecrã, permitindo ao espectador compreender melhor o que não é passível de ser transmitido apenas pelas imagens. Por exemplo, no início de Pull My Daisy as legendas correspondem a uma descrição genérica do que se passa no ecrã, porém na sequência da conversa com o bispo as legendas tornam-se mais importantes para a compreensão do teor da conversa, por parte de quem não conseguir acompanhar o discurso na língua de partida. O discurso oral é moldado à forma escrita que melhor o represente e facilite a compreensão na língua de chegada, recorrendo para o efeito à pontuação como, por exemplo, às reticências ou aos pontos de exclamação. Com o mesmo objectivo, deve ser tomado em linha de conta a duração da permanência da legenda no ecrã. Regra geral, consoante a maior ou menor habituação do espectador à legendagem, a legenda deve permanecer no ecrã durante menos ou mais tempo, respectivamente.

Ao adaptar o texto de chegada ao formato de legenda predefinido pelo programa de software utilizado, Spot, o principal desafio foi, especialmente no caso de Pull My Daisy, definir regras para “controlar” um texto que foi gerado num impulso criativo do autor Jack Kerouac e, como tal, imune à restrição formal. Para adaptar o texto traduzido às legendas, torna-se fundamental compreender a estrutura narrativa do argumento.

A curta-metragem Pull My Daisy é um filme imprevisível, livre de qualquer forma de ordem imposta artificialmente, um mistério poético tão esquivo como a própria realidade. Retrata basicamente um dia no quotidiano de uma família residente na Bowery, da Nova Iorque dos anos cinquenta, que procura com a ajuda dos amigos tentar escapar à rotina. Porém esta fuga à rotina é vivida de forma diferente pelo casal. Ao serão, Milo, o marido, experimenta o jazz e a partilha de experiências poéticas com os amigos, ao passo que a sua mulher procura a convivência e aceitação social, por exemplo neste caso, pela família do bispo da sua religião.

O discurso de Kerouac deambula por entre todos os protagonistas deste serão épico, em que há permanentemente uma miríade de ideias e acções a fervilhar. O filme foi filmado sem som e Jack Kerouac fala por todas as personagens, comentando também livremente as suas acções. Durante a gravação do comentário, Kerouac vocaliza as deixas de cada actor sem nenhuma preparação ou estudo prévios do filme – numa espécie de transe alucinado. Nele, devido às diferenças sociais e aos interesses culturais de cada interveniente, são abordadas inúmeras perspectivas filosóficas, referências culturais, pormenores que podem à primeira vista parecer irrelevantes, mas na realidade contribuem para diversificar extremamente o carácter caleidoscópico desta curta-metragem. Pode considerar-se um retrato da condição interior de uma geração inteira. Poderia eventualmente ter sido designado como “filme beat” – sendo o único verdadeiro filme beat, se é que existe algum, no sentido em que beat é, nos anos cinquenta, uma expressão da rejeição inconsciente e espontânea da nova geração da forma de vida da classe média/burguesa, o estilo de vida do homem de negócios. Apesar de ter sido realizado em 1959, muitas das questões apresentadas neste filme são perfeitamente actuais.

De facto, talvez apenas a característica da contemporaneidade das questões sugeridas pelo filme seja a que mais contribui para facilitar o processo de adaptação do texto traduzido à legendagem. A actualidade da insatisfação registada em algumas das personagens consiste talvez num ponto comum de aproximação entre o sentido de observação e de humor do autor do texto com os do espectador/leitor da obra.

Já em The Last Clean Shirt, o filme mostra duas personagens, um homem preto e uma mulher branca, que circulam por Manhattan num descapotável. Esta curta-metragem é uma genuína colaboração entre as imagens de um realizador de filmes e as palavras de um poeta, uma vez que Alfred Leslie utilizou linhas de texto de Frank O’Hara como legendas para o diálogo, ou melhor, o monólogo: a mulher é a única personagem que fala, expressando-se numa tagarelice que parece finlandês, embora não se trate de nenhuma língua específica, o que exigiu que fossem incluídas legendas.

Neste caso, as dificuldades de adaptação do texto de partida à legendagem no texto de chegada não se fizeram sentir, pelo facto de o texto já constituir ele próprio uma legendagem. Inicialmente, o único problema previsto seria a questão de sobreposição da legenda no texto de chegada na legenda original, integrada no próprio filme. Contudo, também devido às possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias, este problema não se verifica, ou seja: é possível definir o espaço no ecrã onde a legenda no texto de chegada deverá aparecer, sincronizada com a legenda original integrada no próprio filme.


  1. As ferramentas

a. A legendagem antes da era digital

O dicionário de língua portuguesa define “legenda” como:
Legenda s.f. 1. inscrição; 2. letreiro; rótulo; dístico; 3 nota informativa que acompanha uma imagem ou um esquema; 4 CINEMA, TELEVISÃO texto que corre em rodapé no ecrã com a tradução do texto original dos programas. (…)4
Tomando como ponto de partida esta definição comum, pode verificar-se que uma das definições de “legenda” está interligada com o âmbito da tradução, ou melhor, a legenda surge associada à necessidade de transpor o texto de um documento audiovisual para outra língua.

Fotios Karamitroglou afirma que “as legendas surgiram juntamente com a invenção dos filmes, já na época do cinema mudo e, desde então, têm vindo a evoluir de forma a transmitir os diálogos dos actores à audiência” (6). O tipo de audiência continua a ser o que define os parâmetros a utilizar no complemento à transmissão audiovisual.

Na época do cinema mudo, começaram por ser introduzidos na película fotogramas de texto que exprimiam as emoções dos actores em cena, davam voz às interjeições eventualmente necessárias ou apresentavam notas explicativas sobre o decurso da acção. Na óptica de Yves Gambier:
Le cinema n’s jamais été vraiment “muet”, grâce à dês intertitres ni non plus vraiment “silencieux”, grâce aux musiques d’accompagnement d’abord jouées dans les salles de projection. (1996: 8)
Estes fotogramas podem ser considerados como a primeira forma de legenda. Naquela época, se por exemplo um filme americano fosse exibido em França e incluísse um fotograma cujo conteúdo impresso fosse visível no ecrã, seria substituído por um outro fotograma com o conteúdo equivalente em francês.

Com o desenvolvimento da indústria cinematográfica, com a inclusão do som nos filmes e dada a importância, especialmente em termos financeiros, que adquiriu, as técnicas de legendagem evoluíram também de forma proporcionalmente rápida. Da inserção dos fotogramas de texto passou-se à inclusão do texto traduzido directamente na própria película por processos químicos.

Depois, com o aparecimento da televisão, o mercado audiovisual amplificou-se, ganhando proporções titânicas. O volume de documentos audiovisuais multiplicou-se exponencialmente, pois agora, para além dos filmes, começava a haver programas de televisão de todos os géneros que exigiam processos de legendagem ou de dobragem. A dobragem consiste noutro processo de tradução de um produto audiovisual, em que a banda sonora original é substituída por outra, na língua de chegada. A decisão de utilizar a legendagem ou a dobragem baseia-me frequentemente mais em considerações de carácter económico do que em características culturais. Os países com relativamente menor número de espectadores e, consequentemente, níveis limitados de investimento e de produção, tendem a favorecer a legendagem, uma vez que consiste no método mais barato. Em contraposição, os países maiores favorecem a dobragem pois, muito embora seja a alternativa mais cara, pode potencialmente atrair maior número de espectadores. Em Portugal, a legendagem é ainda o modo de tradução audiovisual dominante (Linde & Kay 1).

Posteriormente, com a introdução dos computadores em todas as áreas de trabalho, a da legendagem não foi excepção. Assim começou a programar-se software específico que torna possível o processamento de texto e a sua inserção no produto audiovisual.

Hoje em dia, a legendagem pode ser considerada um sector satélite indispensável e de “matéria-prima” inesgotável da indústria audiovisual. Por exemplo, basta pensar que todos os vários milhares de filmes exibidos em circuito comercial e distribuídos pelas salas de cinema europeias necessitam de legendagem e, para além disso, todos os mesmos títulos que entretanto passam das bobines de filme para DVD, PSP2 ou outro formato, seja ele qual for, exigem normalmente novo processo de tradução e de legendagem.
b. Software utilizado

Para a inserção da tradução nas legendas nos filmes foi utilizado o programa Spot 4.3. Trata-se de uma aplicação de software de 32 bits do Windows que permite criar, editar, marcar (ou seja sincronizar com um ficheiro de vídeo digital ou cassete VHS com códigos de tempo) e guardar legendas livremente em vários formatos diferentes de legendas ou editar para um sistema de documentos em hipermédia de DVD. Neste programa de software é possível legendar qualquer filme ou documento audiovisual, desde que convertido em formato AVI ou semelhante5.



Destina-se a ser utilizado por tradutores ou agências de tradução nas áreas do cinema, vídeo e televisão, que procurem um meio não dispendioso mas eficaz de produzir ficheiros informáticos prontos a difundir, que incluem todas as informações necessárias para apresentar a legendagem no ecrã, por exemplo, no que respeita aos tempos de inserção da legenda nos fotogramas.

Fig.1: Disposição da aplicação no ecrã do computador


O Spot arranca em modo de vídeo digital, por isso quando se abre não surge nenhuma imagem na janela de vídeo. A área de edição de legendas é onde se pode digitar e editar a respectivas marcações de entrada e saída. Também apresenta informação acerca da legenda e/ou linha actuais, assim como quaisquer comentários associados às legendas.

Fig.2: Área de edição de legendas


No mercado existem diversos programas de software que permitem fazer a legendagem de filmes e programas de televisão6. No entanto, esta versão do Spot é, por enquanto, provavelmente a aplicação mais versátil e de fácil utilização. Uma vez compreendidas as funções e opções de menu básicas, definidos os parâmetros exigidos para cada trabalho e treinada a sincronização, o processo de legendagem decorre de forma quase intuitiva.

Após a tradução estar concluída, o requisito seguinte necessário para a execução deste projecto de legendagem foi precisamente a conversão dos filmes, que se encontram em formato de vídeo analógico NTSC, para AVI.

Em seguida, o texto traduzido foi transferido para o programa Spot e adaptado de acordo com os parâmetros estipulados para este trabalho.

No mercado da legendagem comercial, cada produto audiovisual é legendado de acordo com as definições impostas pelo cliente do serviço solicitado. Isto é, todas as definições de formato como, por exemplo, o número de caracteres, de linhas de texto, o tipo de formatação, entre outras, são estipuladas a priori, devendo ser aplicadas a todos os trabalhos. Normalmente, clientes diferentes solicitam definições de legendagem diferentes.

Para este projecto, como definição de base foi definido um máximo de 37 caracteres por linha, não permitindo a inclusão de mais do que duas linhas por legenda. O formato itálico foi reservado exclusivamente para as legendas de versos de canções.

Tal como descreveu Carrie Rickey, crítica de cinema do Philadelphia Inquirer: “Subtitling is a complicated tango during which [the subtitler] dances with the film until both are equal partners” (apud Béhar 82).




  1. Legendagem




      1. Legendagem impressa

(Ver ficheiro PMDaisy_TLCShirt_V1.spt)


      1. Filmes legendados em suporte digital

(Ver ficheiros .spt e .avi)


  1. Análise comparativa de duas versões de legendagem:

Aspectos teórico-práticos
A propósito da natureza da legendagem, Henrik Gottlieb afirma o seguinte:
Subtitling is an amphibion [sic]: it flows with the current of speech, defining the pace of reception; it jumps at regular intervals, allowing a new text chunk to be read: and flying over the audiovisual landscape, it does not mingle with the human voices of that landscape: instead it provides the audience with a bird's-eye view of the scenery. (101)
As legendas devem funcionar como complemento à imagem. Quão melhor a legendagem, menos será notada, devendo fluir com o discurso, tal como Gottlieb menciona, definindo o ritmo de recepção pelo espectador. As legendas devem flutuar sobre a paisagem audiovisual, ao invés de se tornarem elemento perturbador. Como afirma Henri Béhor, “Subtitling is a form of cultural ventriloquism, and the focus must remain on the puppet, not the puppeteer” (85). Numa situação ideal, a atenção do espectador deve ser direccionada para a mensagem do texto audiovisual como um todo, ao invés de se dispersar devido a erros de contextualização, formatação, condensação ou de fluência do texto nas legendas.

No que respeita à procura e utilização de normas para o processo de tradução e legendagem de um documento audiovisual, Fotios Karamitroglou considera o seguinte:


Norms and systems in audiovisual translation, just as in written translation, presuppose and overlap with each other. (…) Deviation from or conformity to (audiovisual) translation norms is a matter of what the target system is willing to accept, modify or reject. In this respect, the role of the source system, as well as that of the 'equivalence' established between the source and target poles (language/ text/ culture/ system) is considerably restricted, since it can serve only as a reference point that one has taken for granted before proceeding with the actual investigation into the function of target products within the target system.

Deviation from ou conformity to the norms of the target system might involve decisions instigated by human agents alone; nevertheless, these decisions are taken on the basis of a series of considerations and numerous factors involved in the target system. (250-251)


Tendo estas considerações em conta, verifica-se que a legendagem se rege também pelas restrições impostas pelas capacidades humanas de leitura da respectiva audiência. Essas limitações são depois consideradas e traduzidas em parâmetros definíveis na tecnologia utilizada para a criação das legendas, por exemplo, no que respeita à limitação de caracteres e de se utilizar apenas duas linhas por cada legenda, sendo a velocidade do discurso a principal adversidade com que nos deparamos. Se no caso de The Last Clean Shirt esta adversidade foi contornada com relativa facilidade, devido ao facto de a principal imposição a ter em consideração ser o da sincronização exacta da legenda no texto de chegada com a legenda original do texto de partida, com Pull My Daisy a situação altera-se.

Tomando como ponto de partida a presença das principais restrições resultantes do processo de legendagem, que criam dificuldades específicas ao tradutor, adiante abordadas e enunciadas por Basil Hatim e Ian Mason (1997: 78-79), é possível exemplificá-las através de ocorrências específicas que se encontram no texto traduzido, com que nos deparámos durante o trabalho.

Logo à partida, foi necessário ter em conta a alteração de modo do discurso para o modo de escrita, o que resulta em que algumas características de discurso como, por exemplo, os auxiliares enfáticos como a entoação, as modificações no código e no estilo linguístico ou a tomada da palavra, não serão automaticamente representadas na forma escrita do texto de chegada.

Por exemplo:

Discurso:

“Ela tem de acordar o miúdo para ir para a escola, Pablo. Ele diz, Tenho de comer aquilo outra vez, aquela fariña? Não vou dizer que vá viver cem anos, mas tenho comido fariña desde há cem anos.

(truz truz)

Ela diz, Aperta a braguilha e vai à porta ver quem é.”


Legendagem:

17

Ela tem de acordar o miúdo para ir para



a escola, o Pablo.

18

Ele diz: Tenho de comer aquilo outra



vez, aquelas papas?

19

Não vou dizer que vá viver cem anos,



mas tenho comido papas desde há cem.

20

Ela diz: Aperta a braguilha e



vai à porta ver quem é.
Na adaptação deste segmento de texto à legendagem, foi necessário efectuar algumas alterações. Por exemplo, substituiu-se "Fariña" por "papas", por um lado porque "papas" tem menos caracteres, facilitando assim a coerência de utilização nas legendas 18 e 19. Por outro, para um espectador português, “papas” é, porventura, mais imediatamente compreensível do que "fariña". A onomatopeia do texto original indicando que alguém bate à porta, “knock, knock”, traduzida por “truz, truz”, foi omitida, tendo em conta que todas as indicações sonoras deste género fazem parte integrante da banda sonora, logo não necessitam de ser indicadas na legendagem, até por uma questão de limitação de espaço.

Outra restrição enunciada pelos autores Hatim e Mason é a imposta pelos factores que regulam o meio ou o canal através do qual o significado deve ser transmitido:


These are physical constraints of available space (generally up to 33, or in some cases 40 keyboard spaces per line, no more than two lines on screen – These norms appear to be generally observed in Europe and the Western world as a whole. It should be noted that, elsewhere, far greater intrusion of text on screen may be tolerated) and the pace of the sound-track dialogue (titles may remain on screen for a minimum of two and a maximum of seven seconds). (1997: 78)
Como já foi referido, optou-se, aqui, pela limitação europeia de trinta e sete caracteres por linha, com duas linhas por fotograma. O principal objectivo é proporcionar sempre a melhor apreciação possível do filme legendado, permitindo uma boa legibilidade e tentando não retirar nada ao original. No caso específico de Pull My Daisy, optou-se pela primazia da fluência do discurso face à divisão em sintagmas – que, por norma, contribuem para uma maior legibilidade –, dadas as características do texto poético.

Por exemplo:


Discurso:

“Assim Gregory diz, Agora ouça, vou-lhe perguntar algo que nos diz respeito a todos. Ele diz, É verdade que agora estamos todos no céu e não o sabemos? E que se o soubéssemos ainda o saberíamos. Mas, como não o sabemos, acabamos por agir tal como agimos quando o sabemos. Mas não é estranho perceber que o Budismo tem tudo a ver com o facto de que não termos de nos decidir de uma forma ou de outra em relação a coisa nenhuma e podemos fazer tudo o que realmente queremos?”

Legendagem:

125 01:20

Assim Gregory diz: Agora ouça,


  1. 03:16

vou-lhe perguntar algo que nos diz

respeito a todos. Ele diz: É verdade

127 02:11

que agora estamos todos no céu e

não o sabemos?

128 01:05

E que, se o soubéssemos,

129 01:14

ainda o saberíamos.

130 01:20

Mas, como não o sabemos,

131 03:22

acabamos por agir tal como agimos

quando o sabemos.

132 05:02

Mas não é estranho perceber que o

Budismo tem tudo a ver com o facto de

133 01:10

não termos de nos decidir de uma forma

ou de outra em relação a nada

134 02:01

e podemos fazer tudo o que realmente

queremos?

Neste segmento, tal como em todo o texto traduzido, a fluência da legendagem teve de obedecer ao ritmo de narração imposto pela fluência do autor/narrador do texto. Os tempos de duração da permanência das legendas no ecrã são por isso irregulares. Para melhor verificar o modo como as limitações de tempo na duração da permanência da legenda no ecrã afectam a transposição do texto traduzido para a legenda e, consequentemente, a compreensão do texto pelo espectador, foi preparada uma segunda versão da legendagem. Como instrumento de comparação utilizou-se a predefinição de seis segundos de duração para cada legenda – valor próximo dos sete segundos admitidos como duração máxima de permanência das legendas no ecrã7, relativamente à versão considerada mais adequada para a legendagem de Pull My Daisy e The Last Clean Shirt. Face aos resultados e a uma condicionante de tempo deste tipo, o texto sofreu alterações e, em alguns casos, omissões, resultando a legendagem final num produto bastante diferente (cf. PMDaisy_TLCShirt_V2.spt) e, obviamente, distanciado, do estilo espontâneo e livre do texto original de Kerouac. Devido a estes factores reguladores e limitadores do meio em que a legendagem é apresentada, e tal como afirmado pelos autores mencionados, Hatim e Mason:

o trabalho de tradução tem de reavaliar permanentemente estratégias de coerência, de forma a maximizar a obtenção de significado numa versão, na língua de chegada, mais concisa. Na comunicação em presença, a redundância normal do discurso proporciona aos receptores várias oportunidades de compreenderem o significado da mensagem transmitida; na legendagem, a redundância é inevitavelmente reduzida e, como tal, as oportunidades de recuperação de elementos da mensagem transmitida são, assim, muito menos. Além do mais, ao contrário do que acontece com outras formas de comunicação escrita, a legendagem não permite ao leitor/espectador voltar atrás, para perceber melhor o significado (1997:79).

Um outro requisito será o de fazer corresponder o texto à imagem visual. As imagens acústicas e visuais são inseparáveis no filme e, no processo de tradução e adaptação do texto de partida, é imprescindível assegurar a coerência entre o texto da legenda e a própria imagem em movimento. No entanto, fazer corresponder a legenda com o que é visível no ecrã, pode por vezes criar uma limitação suplementar. Para além da necessidade imediata de conseguir coerência também na fluência do discurso escrito, entre as próprias legendas. A tradução mantém um estilo comunicativo e todas as construções procuram proporcionar a maior compreensão possível do texto traduzido.

Em ambas as curtas-metragens trabalhadas a preocupação com a coerência texto/imagem foi uma constante. É importante conseguir a mencionada coerência entre o texto da legenda e a própria imagem em movimento, sob pena de fazer com que o espectador se sinta desorientado em relação ao que se passa no plano enquadrado pela câmara. Esta importância verifica-se facilmente com particular frequência na segunda versão da legendagem, em que o texto foi condicionado à imposição de seis segundos por legenda. Sempre que a velocidade de discurso aumenta, deixa de ser possível incluir todo o texto do discurso no espaço destinado à legenda. Como consequência, é necessário omitir ou readaptar o texto, para que faça sentido e para garantir que a função da legenda, enquanto mediadora entre a imagem e o espectador, não se esgote.

Por exemplo, em Pull My Daisy, mais do que a coerência entre a imagem e a legenda, é especialmente notória a necessidade de manter o ritmo imposto pela cadência do discurso. Se o ritmo não for mantido, existindo um condicionamento extremo como o de manter um período regular para a permanência das legendas no ecrã de, por exemplo seis segundos, perde-se parte do conteúdo da mensagem original do texto de partida.

Discurso:

“Ei, isso é bastante bom, diz ele. Também tenho um poema novo. Diz, o amigo Rainey a morrer numa ambulância. Ei, escrevi alguns poemas, vejo os teus poemas –

Todos estes poetas. A lutarem para serem poetas. Kenneth Fearing e Kenneth Rexroth e W. H. Auden e Louise Bogan e todos os poetas. Porém a arderem no luar púrpura também, se eles assim quiserem.”
Legendagem:

45

Ei, isso é bastante bom, diz ele.



Também tenho um poema novo.
46

Diz: o amigo Rainey a morrer

numa ambulância.

47

Ei, escrevi alguns poemas, vejo os teus



poemas – Todos estes poetas.

48

A lutarem para serem poetas...



49

Kenneth Fearing, Kenneth Rexroth,

W. H. Auden, Louise Bogan e todos.

50

Porém, a arderem no luar púrpura



também, se eles assim quiserem.
Legendagem, versão 2:

34

O meu poema novo diz: o amigo Rainey



a morrer numa ambulância.

35

Kenneth Fearing, Kenneth Rexroth,



W. H. Auden, Louise Bogan e todos.

36

Porém, a arderem no luar púrpura



também, se eles assim quiserem.
Neste exemplo é bastante claro que a omissão de texto na legendagem, nesta segunda versão, não respeita de forma alguma o texto original, falhando completamente a coerência entre as legendas, possível de outro modo ao ser dada prioridade à correspondência do texto traduzido com a fluência do texto declamado. Assim, de acordo com o que o autor Jorge Díaz Cintas afirma, são vários os factores que contribuem para a qualidade linguística final da legendagem ou, por outras palavras, para a melhor compreensão da totalidade da mensagem do texto:
The discursive cohesion and coherence, the numerous attempts at attaining the same impact as the original, the recreation of the different linguistic registers, the implementation of the compensation strategy, the absence of deficiencies or errors, etc. are all key elements in this positive perception of the whole. (Cintas 2001: 207)
Tendo em consideração, por exemplo, o impacto do original de The Last Clean Shirt, a imposição da limitação de tempo na segunda versão da legendagem afecta a “interacção” do realizador Alfred Leslie e do poeta Frank O’Hara com o espectador, tentada através da inclusão das legendas na própria película.

Por exemplo:

Legenda original:

… to want to be unconnected.

… to want to be unconnected.

… to want to be unconnected.

It's the nature of us all

to want to be unconnected…

It's the nature of us all

to want to be unconnected…


Legendagem:

403 00:24

… querermos ficar desligados.

404 00:18

… querermos ficar desligados.

405 00:24

… querermos ficar desligados.

406 00:24

É a natureza de todos nós

querermos ficar desligados…

407 00:24

É a natureza de todos nós

querermos ficar desligados…

Legendagem, versão 2:

286 06:00

… querermos ficar desligados.

287 06:00

É a natureza de todos nós

querermos ficar desligados…
O reforço destas ideias, marcado pela repetição, perde-se totalmente se as legendas no texto de chegada não reproduzirem a mesma repetição, como acontece se existir uma imposição de tempo genérica de seis segundos para todas as legendas. O significado das palavras é transmitido, porém o estilo poético não é mantido.


  1. Conclusão

Em cada tipo de argumento e em cada género de filme, as características do texto são diferentes. Consequentemente, a tradução de uma comédia exige atenção a aspectos diferentes, relacionados com a sintaxe e a semântica, se comparados com a tradução de um drama ou de um filme de acção. Essas diferenças são evidentes nas dificuldades inerentes à transposição dos elementos paralinguísticos, característicos da oralidade, para a legendagem.

Seja qual for o tipo de documento audiovisual a legendar, tal como no trabalho de tradução que lhe é indissociável, a importância de enquadrar o texto é prioritária. Este enquadramento é que vai ditar o fio condutor para a compreensão e a tradução do texto de partida de uma cultura no texto de chegada de outra cultura. O objectivo é que o resultado final seja idêntico em ambas as culturas, ou seja, que por exemplo uma comédia faça rir ou um drama faça pensar em assuntos mais introspectivos.

Por outro lado, no suporte audiovisual que serve de base a um processo de legendagem, independentemente do objectivo final de um texto/argumento, há sempre a conciliar a banda sonora ou o discurso narrado, declamado ou comunicativo na língua de partida com o que é expresso no texto escrito na língua de chegada. É neste momento do processo que surge a necessidade de integrar as marcas de oralidade existentes em cada texto fílmico na legendagem que o completa.

Neste projecto, foram escolhidos e trabalhados dois filmes cujo texto a traduzir e a adaptar na legendagem possui características muito próprias, resultantes da sua poeticidade. Logo, a dificuldade maior está em reproduzir na legenda a função poética do texto narrado ou visível no ecrã, para além da dificuldade inerente à tradução escrita do texto poético. Contudo, tal como refere Roman Jakobson:

Qualquer tentativa de reduzir a esfera da função poética à poesia seria uma simplificação excessiva e enganadora. A função poética não é a única função da arte verbal, mas tão-somente a função dominante, determinante, ao passo que, em todas as outras atividades verbais ela funciona como um constituinte acessórios, subsidiário. (128)

Por outras palavras, a “poeticidade” não consiste em acrescentar ao discurso ornamentos retóricos; implica antes, numa total reavaliação do discurso e de todos os seus componentes, quaisquer que sejam.

Um missionário censurou seu rebanho africano por andar despido. “E o senhor?”, responderam os nativos, apontando-lhe para o rosto, “não anda também despido em alguma parte?” “Bem, mas é meu rosto.” “Pois bem”, retorquiram os nativos, “conosco, tudo é rosto.” Assim também, em poesia, qualquer elemento verbal se converte numa figura do discurso poético. (161)

De uma forma geral, resta ao tradutor/legendador a tentativa de reproduzir o melhor possível a intenção inferida pelo texto. No caso de The Last Clean Shirt, as construções são mais óbvias e relativamente mais simples de reproduzir no texto da cultura de chegada do que em Pull My Daisy. Aqui, o principal objectivo é não desvirtuar em demasia a característica poética das palavras. As legendas não têm outra possibilidade, por vezes, senão a de se tornarem meras “pistas” para a intenção do texto, cabendo ao leitor/espectador grande parte do processo de descodificação das mensagens. É um processo bastante diferente de quando as legendas descrevem situações facilmente identificáveis na película, como por exemplo nos filmes de acção ou nos desenhos animados.

As marcas de oralidade registadas na legendagem são seleccionadas tendo em conta a sua relevância para a compreensão do texto na cultura de chegada, assim como a complementaridade com o que se passa no ecrã. Todos os elementos relacionados com a paralinguagem, como a entoação, a velocidade e o tom de discurso ou a tomada de palavra são, normalmente, identificados pelo espectador quando assiste a um filme, adoptando a legendagem a função de complemento para quem não está familiarizado com a língua utilizada. Conforme se procurou demonstrar, nestas duas curtas-metragens essa identificação não é tão imediata. Os argumentos dos filmes são uma perspectiva interpretativa do que passa nas imagens. Há pensamentos e reflexões que não têm directamente a ver com os fotogramas exibidos.



Neste exercício procurou-se, assim, reproduzir da melhor forma possível toda a energia, “batida” e “força” contidas nas palavras dos autores, de forma a contê-las também no espaço condicionado da legendagem, conduzindo a uma interpretação em português dos temas abordados. As duas curtas-metragens não constituem provavelmente uma obra fechada em si, sendo antes excelentes pontos de partida para começar a descobrir qual era a perspectiva da Beat Generation sobre a criação de poemas e sobre a importância das palavras, bem como qual o significado da palavra no ecrã.


  1. Fontes e Bibliografia


Filmografia


  • Pull My Daisy. Realiz. Robert Frank e Alfred Leslie. Prod. Robert Frank e Alfred Leslie. Actores: Allen Ginsberg, Gregory Corso, Beltlane, Larry Rivers, Peter Orlovsky, Mooney Peebles, David Amram, Pablo Frank, Alice Neal, Sally Gross. G-String Productions, 1959. VHS. Kultur/The Museum of Modern Art. S/d.




  • The Last Clean Shirt. Realiz. Alfred Leslie. Prod. Czé Zléyieuz Edu Filméei. 1964. VHS. Kultur/The Museum of Modern Art. S/d.



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Software


  • Spot Subtitle Editor. Vers. 4.3. 28 Julho 2008

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