Instituto de desenvolvimento educacional do alto uruguai faculdades ideau



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INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL DO ALTO URUGUAI

FACULDADES IDEAU




a literatura atuando no desenvolvimento de cada indivíduo
ALBUQUERQUE, Renata Joaquim de¹

GUIZZO, Taiane¹

HANAUER, Adriana¹

GRADIN Roberta²

MOTTIN Elisandra²

SLAVIERO Angelice Melânia Barancelli²

SPILMANN Marvone²
¹Acadêmicas do Curso de Pedagogia, Faculdade IDEAU, nível IV.

²Professoras orientadoras do trabalho teórico prático do curso de pedagogia, faculdade IDEAU, nível IV.


re.j.albuquerque@hotmail.com

taiguizzo@hotmail.com

adripedagoga@outlook.com.br

robertagradin@ideau.com.br

elisandra@ideau.com.br

angelice@ideau.com.br

marvone@ideau.com.br


RESUMO: Este artigo tem por objetivo fazer uma breve reflexão sobre a importância da literatura no desenvolvimento de cada indivíduo. A literatura contribui de forma significativa e prazerosa a vida de qualquer pessoa, foi o que ficou evidenciado através das práticas realizadas nos ambientes da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e no Lar dos Idosos. O livro dos sentimentos foi o escolhido para realizar a oficina pedagógica, na qual se colheu diversas emoções, e muitos aprendizados. A experiência de compartilhar os sentimentos foi esplêndida, pois cada um do seu jeito representou o quanto à atividade contribuiu para a sua vida.
Palavras-chave: Literatura; oficina pedagógica; aprendizagem;
ABSTRACT: This article aims to make a brief reflection on the importance of literature in the development of each individual. The literature contributes significantly and pleasurable way to anyone's life, that is what was evidenced through the practices carried out in environments APAE (Association of Parents and Friends of Exceptional) and the Lar dos Idosos. The book of feelings was chosen to carry out educational workshop, in which it reaped many different emotions and learning. The experience of sharing feelings was splendid because each in his own way represented as the activity contributed to their life.

Keywords: Literature; educational workshop; learning;

1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O presente artigo deriva do PATP (Projeto de Aperfeiçoamento Teórico Prático) do quarto semestre do curso de Pedagogia da faculdade IDEAU – Getúlio Vargas – RS, tendo como objetivo realizar Oficinas Pedagógicas em ambiente educativo referentes ao tema “Contação de Histórias”.

As práticas realizadas e citadas no decorrer deste trabalho foram desenvolvidas na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e no Lar dos Idosos, na cidade de Getúlio Vargas – RS. Foram abordados neste artigo questões como: O que é oficina pedagógica; de onde e como surgiu a contação de histórias; a importância da literatura no desenvolvimento do ser humano e o ambiente educativo da APAE e do Lar dos Idosos.

Este trabalho justifica-se pela relevância que a literatura tem na formação da personalidade e no desenvolvimento de cada pessoa. Sendo que a literatura e a contação de histórias estimula de forma prazerosa a imaginação tanto do ouvinte, quanto do narrador.

Os métodos de pesquisa usados para compor este artigo foram livros, artigos científicos, e internet. Como estratégia para contação de história foi desenvolvido um livrão (livro ampliado, confeccionado pelas acadêmicas.), que é usado com criatividade para se contar histórias.


2 CONCEITO DE OFICINA PEDAGÓGICA
Oficina refere-se a uma aula ou curso prático sobre determinado assunto ou atividade. Pedagógica tem como significado algo que procure educar ou ensinar. Portanto, oficina pedagógica é uma atividade sobre um assunto específico que tem intuito educativo. (AURÉLIO).

Oficina pedagógica é uma forma concreta de construir conhecimentos, que leva em consideração os conhecimentos prévios dos educandos. Neste ambiente o professor esquece a perspectiva tradicional de educação e passa a ser o mediador de conhecimento, dando possibilidades para que o aluno construa seu conhecimento de forma autônoma.

Oficina é um tempo e um espaço para aprendizagem; um processo ativo de transformação recíproca entre sujeito e objeto; um caminho com alternativas, com equilibrações que nos aproximam progressivamente do objeto a conhecer. (CUBERES 1989, p.3)

As concepções de oficinas pedagógicas são variadas e de diversos autores, mas de certa forma tais opiniões se complementam.

Uma oficina é uma prática iluminada pela teoria, com a qual se adquire a capacidade de aplicar conhecimentos teóricos e de dar às ações uma perspectiva e significação que transcende enquanto concreto. (ANDER-EGG 1991, p.36)

Para Vieira e Volquind (2002, p.11) “Oficina é uma modalidade de ação.” As oficinas precisam partir da realidade de cada pessoa, motivando-os a pensar, a imaginar, a criar. Além disso, faz-se necessário que as oficinas mexam com o senso de investigação e inquietação perante determinado assunto, promovendo a ação, a reflexão e o trabalho em equipe.

As oficinas pedagógicas refletem em uma aprendizagem dinâmica, através de jogos, contação de histórias, brincadeiras, rodas cantadas, entre outras. Devido a essa dinamicidade torna-se uma maneira eficaz de construção de conhecimento.

O objetivo da oficina pedagógica é unir teoria e prática, de uma forma que oportunize aos educandos um desenvolvimento significativo nos variados ambientes educativos. Estes espaços destinados à educação possibilitam o aprender fazendo, ou seja: vendo, tocando, discutindo sobre determinados assuntos, relatando suas ideias. Essas atividades concretas tornam os alunos cidadãos críticos, capazes de se posicionar perante a sociedade.

Contação de histórias foi a oficina pedagógica escolhida pelos integrantes deste trabalho, para a qual, com o intuito de trabalhar os sentimentos, as emoções, a empatia e a coletividade escolheram o seguinte livro: O livro dos sentimentos do autor Todd Parr. Com poucas palavras e bastantes ilustrações o livro aborda de uma forma divertida e colorida como as pessoas se sentem, fazendo uma reflexão sobre os sentimentos de cada um.
2.1 CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS

Contar histórias é um meio de usar a imaginação dos humanos e é um ato que existe há milhares de anos, os povos antigos contavam histórias muito antes de surgir a escrita. Ao contar as histórias os homens transmitiam as informações, conhecimentos de geração a geração, perpassavam as suas crenças, mitos e tradições. Em todos os tempos existiram contadores de histórias. Conforme as necessidades de cada povo as informações eram modificadas, o próprio homem só confiava em sua própria memória para transmitir o conhecimento até o surgimento da escrita.

Segundo Coelho (2000 p. 65) o homem desde suas origens na pré- história procurou se comunicar ou marcar sua presença no mundo através de uma determinada escrita, isto é, de uma forma concreta de registrar sua fala e fazê-la perdurar no tempo. O autor destaca que o homem inventou a escrita na necessidade de deixar registros concretos de suas falas, histórias para as futuras gerações.

O conto oral é uma das mais antigas formas de expressão. E a voz constitui o mais antigo meio de transmissão. Graças à voz, o conto é difundido no mundo inteiro, preenche diferentes funções, dando conselhos, estabelecendo normas e valores, atentando os desejos sonhados e imaginados, levando às regiões mais longínquas a sabedoria dos homens experimentados (PATRINE, 2005, p.118).

Ouvir ou contar histórias é extremamente importante para a formação de qualquer indivíduo, pois traz muitos benefícios, inclusive quando o bebê ainda está na barriga da mãe, o ato de escutá-las ou contá-las já é um caminho para tornar-se leitor. A contação de histórias é algo mágico que enriquece o mundo interior, pois através delas pode-se descobrir coisas novas, conhecer lugares diferentes e entender o mundo de uma forma melhor. Na medida em que se familiariza com as palavras, os contos, as ilustrações, o contato com histórias bonitas e bem contadas, com esses elementos a criança vê na história uma necessidade diária, essencial e proveitosa, que instiga no indivíduo o prazer de ler sempre mais, buscando outras, as mesmas e novas histórias, acumulando assim conhecimentos preciosos para sua qualidade de vida.

A contação de histórias é atividade própria de incentivo à imaginação e o trânsito entre o fictício e o real. Ao preparar uma história para ser contada, tomamos a experiência do narrador e de cada personagem como nossa e ampliamos nossa experiência vivencial por meio da narrativa do autor. Os fatos, as cenas e os contextos são do plano do imaginário, mas os sentimentos e as emoções transcendem a ficção e se materializam na vida real. (RODRIGUES, 2005, p. 4).

Para Fanny Abramovich (2006, p.23) escutar histórias pode estimular diversas habilidades, como: desenhar, pensar, imaginar, brincar, escrever, entre outras. Através deste fato se dá a grande importância em estimular crianças, jovens e adultos a se apaixonarem pela literatura, afinal não há um limite de idade para imaginar.

Os ambientes para contar uma história são diversos: na sala, no quarto debaixo de uma cabana de cobertas, no pátio, na sala de aula, em um domingo chuvoso, em um feriado, todos os lugares e dias podem ser aproveitados para ouvir um bom livro. Ouvir histórias é estimular o imaginário, é responder à curiosidade, é ter o entusiasmo pelo final feliz. Os livros proporcionam às pessoas diversas possibilidades para resolver problemas, conflitos e, além disso, proporcionam emoções diferentes, o que aproxima o ouvinte da narrativa que está sendo contada. Para tal, é preciso entender que:

Para contar uma história – seja qual for – é bom saber como se faz. Afinal, nela se descobrem palavras novas, se entra em contato com a música e com a sonoridade das frases, dos nomes... Se capta um ritmo, a cadência do conto, fluindo como uma canção... Ou se brinca com a melodia dos versos, com o acerto das rimas, com o jogo das palavras... Contar histórias é uma arte... e tão linda!!! É ela que equilibra o que é ouvido com o que é sentido, e por isso não é nem remotamente declamação ou teatro... Ela é o uso simples e harmônico da voz. (ABRAMOVICH 2006, p. 18.)

O objetivo da contação de história é proporcionar conhecimentos e reflexão, existindo diversas formas de se trabalhar e em qualquer idade. O ato de contar histórias abre possibilidades de criar vínculos afetivos, transmitir valores, estimular a aprendizagem, a criatividade e a imaginação. Há diversas formas de contar uma história: primeiramente a história tem que ser atraente e para isso o contador poderá usar vários recursos como cantar uma música, ler um poema, acender uma vela, usar objetos de um baú ou caixa surpresa ou até mesmo, sentar-se em silêncio e contá-la, ou montar um personagem caracterizando-se do mesmo.

O ofício de contar histórias é remoto (...) e por ele se perpetua a literatura oral, comunicando de indivíduo a indivíduo e de povo a povo o que os homens, através das idades, têm selecionado da sua experiência como mais indispensável à vida. (MEIRELES, 1979, p. 41)

A voz assume grande importância na narrativa interessante, que envolve todos os ouvintes, o uso de recursos vocais da modulação da voz, variação, intensidade, onomatopeias (sons de vento, chuva, relógio, etc.), estas variações vocais dão movimentos para as palavras e ritmo à narrativa, além de o contato olho no olho que é fundamental, pois estabelece um vínculo com o ouvinte.

Não há registros concretos de quando surgiu o ofício de contar histórias mas sabe-se que ele existe há milhares de anos, que através das histórias o homem se comunica e é necessário para sua existência.

2.2 A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA NO DESENVOLVIMENTO DO SER HUMANO

A literatura tem grande importância no desenvolvimento de cada indivíduo, influencia de forma direta na oralidade e na escrita. Dessa forma torna-se fundamental trabalhar com a literatura desde os primeiros dias de vida.

Se despertado o gosto pela leitura, esta deixa de ser apenas uma tarefa escolar e torna-se objeto de prazer repleto de conhecimentos. Cabe ainda à literatura auxiliar na socialização e na capacidade de lidar com emoções, medos e sentimentos. A literatura tem o poder de despertar e estimular a imaginação, a autoconfiança e a autonomia, dando espaço para que o educando tenha a possibilidade de construir seu próprio conhecimento.

Para estimular o gosto pela leitura cabe ao professor proporcionar o encontro entre o livro e o aluno, fazendo com que se conheçam e comecem uma amizade. O indivíduo precisa tocar, folhear, ler as ilustrações, ver outros livros, uns mais grandes, outros mais pequenos, alguns com bastante texto outros com pouco, assim aos poucos o aluno vai adquirindo o prazer pela literatura. Assim: “A literatura é uma grande metáfora da vida do homem. Sendo assim, é sempre surpreendentemente, uma maneira nova de se apreender a existência e instituir novos universos.” (CAVALCANTI, 2002, p. 12). Para GOES (1990, p.16) a leitura para a criança não é, como às vezes se ouve, meio de evasão ou apenas compensação. É um modo de representação do real. Através de um "fingimento", o leitor re-age, re-avalia, experimenta as próprias emoções e reações.

Quanto aos contos de fada, estes surgiram primeiro de forma oral, de forma mais simplificada. Com o passar do tempo eles contos foram ganhando espaço significativo na literatura, pois a maneira de contar para as crianças de forma prazerosa, lúdica atrai muito mais olhares curiosos, encantados refletindo um mundo de imaginação, pois a criança começa a se interessar pela leitura, tendo mais atenção ao ouvir o que é imprescindível para o entendimento do conto.

Assim a literatura infantil pode influenciar na formação da criança, pois ao ler ou ouvir os contos de fadas, depara-se com o mundo real (concreto), e o mundo fictício (abstrato), pois, nos contos abordam-se os sentimentos intrínsecos que fazem parte da vida do ser humano, como o bem e o mal, amor, amizade, as perdas, medos, valores, entre outros.

O conto é o primeiro contato da criança com a literatura. É na fase inicial da infância que ela absorve mais os conhecimentos, desenvolvendo-se, ajudando-a a lidar com seus sentimentos, iniciando o gosto pela leitura prazerosa desde cedo.

Por outro lado, são poucas as iniciativas no Brasil com fins de formação de leitores na Terceira Idade. Nascer, crescer, desenvolver, reproduzir, envelhecer e morrer são fases comuns ao ser humano. Desta forma pensa-se a velhice, como, a última imagem que se tem do homem.

A maioria das pessoas deseja chegar à Terceira Idade com saúde e disposição para enfrentar o cotidiano. Uma forma de viver essa fase da vida de um modo proveitoso é aproveitar o tempo livre com atividades diversificadas.

O desprezo quanto às capacidades da pessoa idosa traz problemas como a depressão e a baixa autoestima. Dentre as atividades de lazer que apresentam uma grande importância, pode-se incluir o ato da leitura, pois ela traz benefícios relacionados à saúde física e mental, e possibilita que o indivíduo adquira novos conhecimentos, extravase os seus sentimentos, amplie o convívio social e se fortaleça, conseguindo ter uma nova visão de mundo.

A leitura é uma atividade que também pode estar incluída em projetos que proporcionam trocas de experiências e a interação entre jovens e idosos. Neste momento de leitura em grupo, o importante é saber que cada leitor compreenderá um mesmo texto lido de diversas formas, criam-se mentalmente os cenários, interpretam-se diálogos e há uma infinidade de emoções. A leitura, seja ela qual for, pode tornar uma pessoa alegre ou deprimida e provocar satisfação. Ainda, verificar, na literatura pertinente, a importância da leitura como lazer na terceira idade, pois alguns gêneros de leitura, entre eles, o de autoajuda, em muitos casos possui a virtude de ser curativa para algumas pessoas.

Outras atividades culturais são tmbém, componentes fundamentais, pode-se citar a dança, o teatro, a música, o cinema e a leitura. A leitura, quando feita por prazer, pode significar liberdade intelectual, pois quem lê cria tanto ou até mais que o autor.

A leitura, ao longo dos tempos, vem desenvolvendo um importante papel na sociedade, pois proporciona novas perpectivas de vida, tanto para as crianças, quanto para o idoso, pois em diferentes faixas etárias a leitura se torna um grande meio de comunicação, de trocas de ideias e o mais importante, proporciona uma visão de mundo novo ou diferente.

De acordo com a Associação Americana de Desenvolvimento Mental Voivodic, (2007, p. 43) Deficiência Intelecutal “é a condição na qual o cérebro está impedido de atingir seu pleno funcionamento, prejudicando a aprendizagem e a integração social do indivíduo”, gerando por consequência, um atraso nas áreas do desenvolvimento físico e mental em maior ou menor grau. Essas pessoas não devem ser esquecidas em sala de aula, pois, precisam ser incluídas de forma que tenham a oportunidade de aprender e alcançar um desenvolvimento significativo para sua vida.

A prática da contação de histórias proporciona a comparação do mundo mágico das fantasias com o mundo real. Assim melhora o desenvolvimento cognitivo das mesmas contribuindo para a construção do conhecimento. A literatura para Cunha (2006) amplia e enriquece a visão da realidade de um modo específico, permitindo ao leitor a vivência intensa e, ao mesmo tempo, a contemplação crítica das condições e possibilidades da existência humana. Pois neste sentido:

A literatura é porta de entrada para variados mundos que nascem das várias leituras que dela se fazem. Os mundos que ela cria não se desfazem na última página do livro, na última frase da canção, na última fala da representação, nem na última tela do hipertexto.Permanecem no leitor, incorporados como vivência, marcos da história de leitura de cada um (LAJOLO, 2001, p.44).

É muito importante que o professor introduza em sua rotina escolar a literatura juntamente a contação de histórias, como meio de incentivador da oralidade, leitura e a escrita assim sempre lembrando que cada pessoa tem seu tempo de aprender. O professor como mediador da aprendizagem ao introduzir a literatura por meio da contação de histórias contribui para a formação de leitores críticos.

2.3 ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS
Segundo o site APAE BRASIL, o movimento apaeano é uma grande rede constituída por pais e amigos e pessoas com deficiência, voluntários, profissionais e instituições que promovem a defesa dos direitos de cidadania e inclusão de pessoas com deficiência. Este movimento integra as FENAPAES – Federação Nacional das Apaes, as FEAPAES – Federação das Apaes nos estados, e as APAES que são distribuídas em diversas cidades do território brasileiro. Estes ambientes proporcionam diariamente atendimento integral a cerca de 250.000 pessoas com deficiência. Dessa forma torna-se o maior movimento social em nível nacional e mundial em contexto de atuação.

A Federação Nacional das Apaes – FENAPAES, é uma organização sem fins lucrativos, sendo considerada utilidade pública federal e certificada como beneficente como assistência social. Tem caráter cultural, assistencial e educacional, sua missão é promover e articular ações que defendam os direitos de cidadania das pessoas com deficiência. Cabe ainda às FENAPAES representar o movimento apaeano frente aos órgãos nacionais e internacionais, tendo em vista o melhoramento da qualidade dos serviços prestados as pessoas com deficiência, ressaltando a inclusão social de seus usuários.

Ao todo são 23 Federações das Apaes do estado – FEAPAES, estas designam uma associação civil, beneficente de assistência social, que assessora, defende e garante os direitos de formação, capacitação de lideranças das pessoas com deficiência, promove a cidadania enfrentando as desigualdades sociais. Dirigi-se ao público de política de assistência social, nas áreas de educação, saúde, esporte, cultura, formação de trabalho, estudo e pesquisa, sem intuito lucrativo. Sua missão é defender os direitos das pessoas com deficiência.

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) nasceu no Rio de Janeiro no ano de 1954. A APAE é uma organização social, que tem por objetivo atender pessoas com deficiência, especialmente indivíduos com deficiência intelectual e múltipla. Hoje a APAE está presente em dois mil municípios em território nacional.



Neste contexto é imprescindível que durante a formação acadêmica do pedagogo se realizem práticas educativas nesses espaços. A APAE na qual foi realizada a Prática Pedagógica referente ao PATP localiza-se no município de Getúlio Vargas – RS. A primeira visita a este ambiente foi no dia 25 de setembro de 2015, no local as acadêmicas foram recepcionadas pela diretora da manhã a professora Dina. As discentes do curso de pedagogia tiveram a oportunidade de conhecer os diversos espaços que há na APAE, entre eles estão: refeitório; salão\auditório; sala de brinquedos; sala de artesanato; duas pracinhas. Pela parte da manhã são recebidos 60 alunos na escola, que se deslocam dos municípios de Erebango, Estação, Charrua e da própria cidade de Getúlio Vargas. Estes 60 alunos são organizados por turmas, sendo elas: Educação Infantil, Ensino Fundamental; EJA e PPE. Alguns desses alunos contam com a atividade de equoterapia que se realiza na sexta-feira no município de Sertão-RS.

Os alunos da APAE seguem uma rotina, quando chegam à escola pela manhã são recepcionados no saguão, quem precisar tomar café pode se dirigir ao refeitório, e os outros permanecem na sala. Após contando com todos os educandos é feita a leitura da Bíblia e a oração do Pai Nosso, seguindo os professores fazem os combinados do dia com os discentes. Depois da rotina, todos os alunos se organizam com o auxílio de seus professores e vão para suas salas de aula.

A Prática Pedagógica aconteceu no dia 05 de outubro de 2015, pela parte da manhã. Para realizar a contação de história escolheu-se a literatura infantil como foco principal e uma obra considerada válida é o “Livro dos Sentimentos”, através deste livro teve-se a proposta de trabalhar os sentimentos, pois as emoções vêm e vão acompanhanhando as pessoas por todas as suas vidas. Foi confeccionado um livrão (Livro ampliado feito pelas acadêmicas de pedagogia) para ser usado como método de contar a história, levando em conta a forma lúdica, diferente e atraente que o livrão proporciona a todos os olhares. O livro foi contado a todos os alunos que se encontravam na escola pela parte da manhã. Todos os educandos se direcionaram para o auditório para ouvir o livro e lá foi visto que os objetivos das acadêmicas foram alcançados. Destaque-se que o livrão é um ótimo meio para contar histórias. Foi perceptível o brilho no olho e o encanto de cada um que estava presente.

Seguindo a atividade foi proposto aos alunos do ensino fundamental a confecção do livro dos sentimentos deles. Então foram encaminhados para o refeitório onde as mesas foram ocupadas para desenhar. Este momento foi bastante prazeroso, pois lá as acadêmicas puderam ver mais de perto cada um, saber de onde são e conversar com eles sobre os sentimentos. Com certeza a atividade foi bastante proveitosa e trouxe muitas aprendizagens e boas experiências tantos para as acadêmicas quantos aos alunos da APAE.
2.4 INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA PARA IDOSOS

O surgimento de leis específicas para idosos é recente e no Brasil estes têm seus direitos assegurados pelo Estatuto do Idoso que foi instituída na Câmara Federal, no ano de 2000, a lei nº 3.561 de 1997.

Segundo BARTHOLO (2003): "O asilo é tradicionalmente empregado com sentido de abrigo e recolhimento, usualmente mantidos pelo poder público ou por grupos religiosos." A partir desta ideia nota-se que é muito importante a existência de asilos, pois eles dão lugar a pessoas que não tem onde ficar e, muitas vezes, cuidam de quem não é bem tratado pela família.

Define-se asilo como casa de assistência social, onde são recolhidas, para sustento ou também para educação pessoas pobres e desamparadas, como mendigos, crianças abandonadas, órfãos e velhos. Devido ao caráter genérico dessa definição outros termos surgiram para denominar locais de assistência a idosos como: abrigo, lar, casa de repouso, clínica geriátrica e ancionato. Para padronizar a nomenclatura, tem sido proposta a denominação de INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA PARA IDOSOS (ILPI), sendo assim, estabelecimentos para atendimento integral a idosos.

Uma vez os asilos eram considerados um lugar ruim, mas hoje tornaram-se importante, pois capacitam-se pessoas para cuidar de idosos de forma humana, com amor, carinho e ética. Existem as intituições privadas e as públicas. Na instituição privada o custo para manter um idoso é muito alto, porém tem-se outra qualidade, muitas vezes um espaço diferenciado, com pátio, lazer, atividades físicas e mentais, ginástica, profissionais mais especializados, entre outros aspectos. Já nas intituições públicas, onde está a maioria dos idosos o tratamento já não é mais muito diversificado, pois não possui muitas vezes um número significativo de profissionais qualificados em todas as áreas que eles precisem, e também pelo motivo de muitas vezes os espaços serem pequenos, com estruturas precárias. E, na maioria das vezes, eles não tem nenhum contato com seus familiares.

O número de asilos no Brasil vêm aumentando assustadoramente. As instituições asilares funcionam muitas vezes, por causa da falta de cuidados pelos familiares, por diversas razões, como dificuldades financeiras, precariedade quanto à saúde, pela vida corrida das pessoas, ou seja, a falta de tempo.

Com o avanço da idade, não há uma perda de inteligência. Porém, os idosos têm um desempenho menos satisfatório em algumas atividades e é um momento em que ele reage de forma mais lenta, mas conseguindo realizar tarefas do seu jeito, no seu tempo. Portanto eles têm assimilação de informações mais lenta e comprometimento na memória, muitas vezes.

O envelhecimento populacional é uma conquista da humanidade, mas apresenta desafios a serem enfrentados pela sociedade, pois quando a velhice chega poucos sabem para onde vão. Alguns se refugiam em suas próprias casas aos cuidados dos parentes, e outros que não têm este cuidado são encaminhados para os asilos. Os estados com a maior proporção de idosos em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) são Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Góias.

Sabe-se que em qualquer idade a família é a base o maior laço afetivo que qualquer pessoa tem. Há algum tempo as pessoas cuidavam dos idosos em casa, mas como os padões sociais mudaram, muitos foram para os asilos. Ao deparar-se com essa separação o idoso acaba tendo que adaptar-se e aceitar normas, regulamentos, como horários e alimentação, por exemplo, nas intituições. Mas é necessário que, a pessoa se sinta bem, conforme Ribeiro (2001):

O nível da qualidade de vida depende dos aspectos do bem-estar, pela possibilidade da fruição. Ao entender gozar a vida, uma pessoa já tem em si bem-estar e algum tipo de qualidade de vida. Uma qualidade de vida só se torna possível se, além dos recursos objetivos, alguém se sente subjetivamente feliz. Ou ainda, se além de sentir-se feliz, uma pessoa obtivesse todos os recursos objetivos que acreditasse serem necessários para manter seu bem-estar, sem tanto tempo perdido com um trivial que delimita sua fuição da vida. As dificuldades financeiras seriam portanto determinantes para afetar a qualidade do bem-estar, principalmente se pensa que vivemos numa lógica de mercado em que ter (adquirir) coisas significa de todas as propagandas a que somos expostos, estar "bem".


Com isso defende-se que o "bem-estar" é essencial, procura-se diversas maneiras de ter este bem-estar, melhor dizendo "estar bem", um mecanismo muito utilizado é o consumismo, o qual não é ideal.

Com a inserção da mulher no mercado de trabalho, a redução das famílias e a falta de tempo na vida atual vêm modificando então as relações. Com todas estas mudanças tornou-se difícil arranjar um tempo para se dedicar a cuidar de forma humana dos idosos, com amor, carinho, com toda a atenção de que eles necessitam.

O Lar dos Idosos onde se concretizou a prática pedagógica localiza-se na cidade de Getúlio Vargas-RS. O ambiente de âmparo aos idosos conta com 34 moradores (21 mulheres e 13 homens), advindos de cidades da região de Getúlio Vargas. Os internos ficam em uma faixa etária de 60 a 90 anos de idade. A maioria dos pacientes recebem medicação controlada, devido a doenças como: Esquizofrenia, Sindrome de Down, Alzheimer, Parkson, Hipertensos, AVC Hemorrágico, diabéticos, Ataxia Cerebelar Degenerativa, Transtorno Bipolar, dificuldade visual e CA.

A rotina diária segue da seguinte forma: início do dia higienização de cada um, administração da medicação do jejum, chimarrão, desjejum, após administração da medicação da manhã, em seguida permanecem na sala de TV assistindo, outros no pátio na área de lazer, metade da manhã novamente tomam chimarrão, almoçam, tiram um cochilo, pela parte da tarde lancham e tomam as medicações.

O Lar dos Idosos conta com diversas atividades diárias, entre elas estão: duas vezes por semana tem atividades físicas, duas vezes no mês atividades religiosas, e uma vez por semana massagem terapêutica e relaxante (profissional voluntário) e semanalmente visitas de grupos 3º idade e escolas.

Os horários de visitas para amigos e familiares ficam entre 15h e 17h horas todos os dias. Em outros horários deve ser comunicado, e para alguma apresentação agendar o dia e horário.

No total, o Lar dos Idosos conta com 21 funcionários, distribuídos nos seguintes cargos: administradora, psicóloga, assistente social, enfermeira, nutricionista, educador físico, técnico em enfermagem, cuidador, cozinheira, serviços gerais e jardineiro.

Como atividade prática foi contado O Livro dos Sentimentos, e novamente a proposta do livrão deu certo. As pessoas ali presentes gostaram e se divertiram muito, se identificando com cada página do livro.

O objetivo era trabalhar as diferentes emoções de cada um, e felizmente a meta foi alcançada. Para fazer a roda de conversa foi usada a dinâmica do balão, sendo que cada um recebia um balão e enchia, mas sem amarrá-lo (alguns precisaram de auxílio para encher o balão), a prospota era que enquanto o balão esvaziasse cada um falasse um pouco de como estavam se sentindo. A dinâmica funcionou muito bem e foi prazeroso ver os exemplos de vida que estavam ali impressos no rosto de cada um. Praticamente todos participaram e relataram como estavam seu humor, suas emoções e seus sentimentos.

A experiência contribuiu de forma grandiosa tanto para o crescimento pessoal quanto profissional das discentes do curso de pedagogia. Acredita-se também que atividade foi muito importante para cada um que estava presente no Lar dos Idosos naquele dia.



3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A prática pedagócia dos IV semestre do curso de pedagogia foi maravilhosa aos olhos de todas as acadêmicas. A oportunidade de interagir com as pessoas no ambiente da APAE e no Lar dos Idosos foi única e muito construtiva. É magnífica a experiência de poder ajudar, de alegrar, de divertir pessoas e ver o sorriso impresso no rosto de cada um.

Além de instigar a imaginação de ouvinte e narrador a literatura complementa o desenvolvimento da personalidade de cada indivíduo, contribuindo para o crescimento intelectual e pessoal.

Através da experiência com “O Livro dos Sentimentos”, conclui-se que a literatura atua de forma significativa no desenvolvimento de cada um. As ideias levantadas neste artigo ficaram todas confirmadas através da atividade prática. Realmente a literatura tem a capacidade de instigar a imaginação e de transformar cada indivíduo através de sua criatividade. Fica aqui evidenciado que é imprescindível que a literatura faça parte da vida de todas as pessoas, independente da idade.



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Mostra de Iniciação Científica e Mostra de Criação e Inovação – ISSN: 2316-1566 – Getúlio Vargas – RS – Brasil







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