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PROBLEMAS URBANOS E TEMAS DE CAMPANHA:

a eleição para prefeito de Curitiba em 2012 na televisão1
URBAN ISSUES AND CAMPAIGN SUBJECTS:

the election for mayor of Curitiba city in 2012, on television
Luciana Panke2

Ricardo Tesseroli3


Resumo: As pesquisas de opinião pública compreendem um dos instrumentos fundamentais de apoio em uma campanha eleitoral. Por sua vez, o Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) sinaliza o início da contenda e um dos principais dispositivos de comunicação eleitoral dos candidatos. Desta forma, o presente estudo pretende demonstrar, por meio de revisão bibliográfica, análise das pesquisas divulgadas pelo Ibope, análise do HGPE e entrevistas em profundidade com coordenadores de campanha, a utilização das pesquisas eleitorais na formulação de estratégias de comunicação para persuasão eleitoral nos programas eleitorais em televisão. O estudo de caso é composto pela campanha para a Prefeitura de Curitiba em 2012, com o objetivo de verificar o índice de a coincidência entre os assuntos que foram apontados pelos eleitores como os principais problemas urbanos de Curitiba e a exposição destas temáticas nos programas do HGPE, no primeiro turno, dos três principais candidatos a prefeito da capital paranaense, Gustavo Fruet (PDT), Luciano Ducci (PSB) e Ratinho Jr (PSC).

Palavras chaves: Comunicação Política, Marketing Eleitoral, Pesquisas Eleitorais, HGPE
Abstract:Public opinion researches include a major tool of support in an election campaign. In turn, the Free Political Advertising Time (Horário Político Eleitoral Gratuito - HGPE) signals the start of contention and represents a major political communication device candidates possess. Thus, this study aims to demonstrate, through a literature review, an analysis of researches published by the Ibope institute, an analysis the Free Political Advertising Time (HGPE) and in-depth interviews with campaign managers about the use of polls in the formulation of communication strategies for political persuasion within the political programs on television. The case study consists of the campaign made for the City Hall of Curitiba, in 2012, in order to verify the content of the coincidence of the issues that were expressed by voters as the main urban problems in Curitiba city and the exposure of these issues during the HGPE programs in the first round, by the three main candidates for mayor of Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), Luciano Ducci (PSB) and Ratinho Junior (PSC).

Keywords: Political Communication, Political Marketing, Persuasion Strategies, Political Research, HGPE

1. Introdução
O primeiro turno das eleições de 2012 em Curitiba foi um dos mais concorridos na história da capital paranaense, tendo, pela primeira vez, uma disputa protagonizada por três candidaturas com chances reais de vitória, Gustavo Fruet (PDT), Luciano Ducci (PSB) e Carlos Roberto Massa Junior, o Ratinho Junior, (PSC) o que fez com que o HGPE ganhasse significativa relevância dentro do processo eleitoral.

Deste modo, os temas abordados nos programas recebem uma visibilidade maior. Com isso, o estudo que apresentamos teve os objetivos de levantar se houve ou não equivalência entre os assuntos apontados pelo Ibope como principais problemas de Curitiba e a exposição de temáticas de campanha no HGPE; de verificar de que forma se deu a utilização das informações referente a esses problemas, nos programas eleitorais; além de analisar os motivos que levaram cada candidatura a abordar tais assuntos. Para isso, foram realizadas entrevistas em profundidade com consultores políticos que participaram das respectivas campanhas.

O trabalho parte do pressuposto que os consultores políticos utilizam os resultados das pesquisas eleitorais para direcionarem as estratégias de comunicação de seu candidato e que os assuntos apontados como principais problemas enfrentados pela população tendem a ser os mais discutidos durante a campanha no HGPE.

Como se verá no decorrer do texto, as entrevistas demonstraram que as campanhas de Gustavo Fruet e Ratinho Jr seguiram a lógica das candidaturas de oposição, respeitando as particularidades de cada uma, com o primeiro se apresentando como candidato tradicional e experiente e segundo como novidade em um cenário político dominado por famílias tradicionais. Luciano Ducci se posicionou como típico candidato situacionista, que representava a continuidade de um grupo político no poder.

Tendo como base a comparação das informações disponibilizadas pelas pesquisas de opinião e os assuntos abordados nos programas eleitorais, este trabalho apresenta como objetos de estudo os programas do HGPE na televisão dos candidatos de Gustavo Fruet, Luciano Ducci e Ratinho Jr e as pesquisas divulgadas pelo Ibope, do período pré-eleitoral até o último dia de exibição do HGPE, compreendendo entre 29 de março e 04 de outubro de 2012.

Considera-se que as pesquisas são mecanismos importantes para orientar a elaboração de estratégias dentro de uma campanha eleitoral Manhanelli (1988), Baquero (1995), Albuquerque (1999), Cavallari (2000), Kuntz (2006), Figueiredo (2004) e Barth (2007). Não somente apontam quem está na frente como também auxiliam na estruturação do discurso do candidato, podem orientar temas e definir a abordagem no horário eleitoral.

No período regulamentado de propaganda eleitoral, entre 21 de agosto e 04 de outubro de 2012, foram veiculados 19 programas eleitorais de cada um dos candidatos, com duas exibições diárias, das 13h às 13h30 e das 20h30 às 21h, nas segundas, quartas e sextas-feiras, de acordo com a resolução nº 23.341 do Tribunal Superior Eleitoral.

Os programas eleitorais do HGPE dos três candidatos foram coletados, decupados e categorizados pelo Grupo de Pesquisa em Comunicação Eleitoral da Universidade Federal do Paraná, sendo analisado um total de 114 programas. Depois de transcritos, foram classificados em 15 temáticas (Administração Pública; Assistência Social; Assuntos Econômicos, Candidato; Cidade; Desqualificação; Educação; Esporte, Lazer e Cultura; Infraestrutura; Meio Ambiente; Mobilidade Urbana; Religião; Saúde; Segurança e Serviços Urbanos). A partir da contabilização do tempo dedicado a cada assunto por programa, calculou-se a incidência dos temas apresentando a porcentagem total de veiculação durante o período eleitoral no HGPE.

O Ibope incluiu em seus questionários uma pergunta que buscou identificar os principais problemas enfrentados pela população de Curitiba. As alternativas de respostas foram divididas nas seguintes temáticas: Calçamento de ruas e avenidas, Saúde, Educação, Trânsito, Assistência social, Geração de emprego, Iluminação pública, Limpeza pública, Abastecimento de água, Segurança pública, Habitação, meio Ambiente, Impostos e Taxas, Administração pública, Atividades Esportivas, opções de lazer e Corrupção. Por meio da comparação dos assuntos citados como principais problemas de Curitiba e as temáticas de campanha levantadas pelo grupo de pesquisa, constatou-se equivalência entre os dois, o que facilitou a apuração dos dados empíricos4.

Para verificar a coincidência de assuntos, foi realizado a comparação entre os dados de cinco pesquisas eleitorais e as análises quantitativas feitas pelo Grupo de Pesquisa.Três entrevistas em profundidade, realizadas com Gerson Guellmann (coordenador da campanha de Gustavo Fruet), Maurício Ramos (coordenador de marketing da campanha de Ratinho JR), e com um dos coordenadores de comunicação da campanha de Ducci (que terá preservada a identidade), fazem parte desse trabalho e buscam explorar de forma aprofundadas as questões relativas à discussão das temáticas de campanha dentro do HGPE.

2. Persuasão eleitoral

Uma das questões centrais da comunicação eleitoral gira em torno da resolução dos problemas apontados como principais pelos eleitores (Almeida 2008), Lavareda (2009), Oliveira, Romão e Gadelha (2012). Esse aspecto é tido como um dos fatores de êxito para uma campanha, tanto que Almeida afirma que o candidato não pode responsabilizar o eleitor caso seja derrotado, em uma eleição, depois de fazer uma campanha em que o centro de discussão não era o principal problema do eleitorado (ALMEIDA, 2008, p.7).

Em consonância com o pensamento de Almeida (2008), Oliveira, Romão e Gadelha (2012) trazem considerações úteis ao abordarem a utilização das pesquisas eleitorais dentro do contexto eleitoral. Os autores afirmam que,
É importante que o estrategista descubra qual é o grande tema da campanha. Os eleitores têm desejos, ou melhor, demandas em relação à administração. Tem-se a hipótese de que essas demandas são advindas de problemas de contexto social, os quais não foram solucionados ou amenizados pela gestão atual. O grande tema da campanha significa portanto, um problema a ser solucionado, pois o eleitor assim deseja. (OLIVEIRA, ROMÃO; GADELHA, 2012, p. 203)

As contribuições dos autores apresentam a questão central deste estudo que trata da discussão dos problemas a serem resolvidos pelos candidatos, dentro do HGPE. É neste ponto que se enquadram as pesquisas eleitorais, pois são elas as responsáveis por transformar a opinião dos eleitores em dados e apresentar quais são os problemas que devem ser resolvidos.

Com a colaboração de pesquisas qualitativas, é possível identificar os problemas da cidade, estado ou do país. Diante da identificação, o candidato oferecerá propostas e soluções para tais problemas no percurso eleitoral. Por exemplo: pesquisa revela que o trânsito é o principal problema do recifense ou do curitibano. Em virtude disso, o candidato oferecerá proposta com a intenção de solucionar esse problema. É possível que na disputa eleitoral existam vários grandes temas. Porém, o candidato deve escolher os temas que mais preocupam o eleitor (ou exigem solução). (OLIVEIRA, ROMÃO; GADELHA, 2012, p. 203)

Faz parte então das estratégias eleitorais levar a conhecimento do eleitor as soluções apresentadas pelo candidato para resolver os problemas que mais afligem a população. As pesquisas, adquirem relevância neste contexto, pois são elas que apresentam as informações que servirão de subsídio para as campanhas.Será do marketing eleitoral a responsabilidade de trazer esses temas à tona, de tirá-los dos relatórios de pesquisas, determinar das estratégias de persuasão mais eficazes para atingir o eleitor, expô-los à sociedade e apresentar as soluções. De acordo com Silveira (2000), o candidato deve mostrar que "representa a melhor alternativa para o enfrentamento dos problemas ditos principais e como seus adversários não são os mais indicados para esta tarefa" (SILVEIRA, 2000, p.130).

O (suposto) interesse em enfrentar os problemas apontados pelos eleitores está ligado à possibilidade que os candidatos têm de saber quais são as demandas de seu eleitorado, os grandes temas da campanha e propor soluções, no intuito de oferecer ao eleitor a maximização de seus ganhos e assim conquistar o apoio eleitoral.

A combinação na aplicação das pesquisas pode apresentar, não somente quais são os principais problemas do eleitor, mas os detalhes de cada um deles, fazendo com que as campanhas não saibam somente quais são os "grandes temas" mas as questões específicas de cada área, podendo assim preparar as estratégias de comunicação de forma mais especifica.


Qual delas vai ocupar o topo do ranking? Será a questão do emprego? Será o combate à violência ou a discussão de como melhorar o trânsito e o transporte público? Que importância terão os problemas da saúde.

E quando ouvirem falar em saúde, no que as pessoas vão pensar? Estarão mais preocupadas com as filas nos hospitais, com a distribuição gratuita de remédios, ou com a visita domiciliar das equipes de saúde? E quanto às filas, qual é a sua expectativa? Eliminá-las com a contratação de mais médicos e pessoal de enfermagem, ou através da construção de mais postos de saúde ou policlínicas?

O estudo deve, em um esquema parecido, oferecer respostas para cada uma das áreas mais problemáticas: educação, formação profissional, combate às drogas, inflação, agricultura, meio ambiente, entre outras. É certo que para cada esfera em disputa - federal, estadual e municipal - os problemas concernidos têm diferença. Algumas, óbvias. Dificilmente se discutirá, por exemplo, detalhes da inflação, numa eleição municipal. Outras, nem tanto. A segurança Pública hoje freqüenta o temário de qualquer eleição, em qualquer nível, embora naturalmente desperte expectativas de atuação diferentes em cada um deles. Que expectativas? (LAVAREDA, 2009, p. 77-78)

Os estudos de Lavareda apontam a importância de ouvir as necessidades do eleitor. Nesta consulta aos assuntos, são encontradas informações necessárias para trabalhar o discurso de persuasão eleitoral, em cima dos principais temas de campanha, e assim adequar a postura, o discurso e as propostas de acordo com aquilo que o eleitor espera ouvir do candidato.


3. Problemas urbanos e temáticas de campanha

Os assuntos predominantes de campanha, ou os grandes temas, são abordados agora em uma perspectiva comparada, a partir da análise quantitativa das pesquisas eleitorais e também dos dados obtidos pelo Grupo de Pesquisa em Comunicação Política da UFPR para dar início à verificação das estratégias de comunicação eleitoral dentro do HGPE.

No relatório das pesquisas do Ibope divulgadas nos dias 29/03, 10/08, 24/08, 14/09 e 01/10/2012, disponibilizadas para download no site do instituto5 e, portanto, acessíveis às coordenações das campanhas, consta a seguinte pergunta: “Desta lista de áreas onde as pessoas vêm enfrentando problemas de maior ou menor gravidade, por favor, diga qual é a área em que, na sua opinião, a população de Curitiba está enfrentando os maiores problemas?”.

A partir das respostas dos eleitores, fazendo uma média do percentual nas cinco pesquisas, pode-se constar que Saúde era a grande preocupação dos curitibanos, com uma média de 40,8% de apontamentos. Em segundo veio Segurança com 23,4%, seguido de Educação em terceiro, com 8,2% e Trânsito e Infraestrutura com 6,4% e 5,2% em quarto e quinto lugares, respectivamente.

Por meio do desenvolvimento de uma metodologia própria, que dividiu os assuntos expostos no HGPE, em 15 temas,6 o Grupo de Pesquisa em Comunicação Eleitoral da UFPR identificou quais foram as temáticas mais abordadas pelos três principais candidatos a prefeito de Curitiba no HGPE. A tabela a seguir apresenta os dados aferidos pelo Ibope com o resultado do estudo e da categorização feitos pelo Grupo de pesquisa.

A partir do exposto, nota-se coincidência entre os assuntos apontados como principais problemas enfrentados pela população de Curitiba e as principais temáticas abordadas pelos candidatos. A temática Saúde teve abordagem acima dos 10% pelos candidatos Luciano Ducci e de Gustavo Fruet, mesmo assim ficou com um percentual muito abaixo do apontado pelas pesquisas do Ibope (40,8%). Saúde nem apareceu entre as cinco mais abordadas nos programas do HGPE de Ratinho Jr. Também nota-se a ausência da temática Segurança Pública (segunda mais apontada pelas pesquisas do Ibope) entre as principais abordadas pelos três candidatos.

TABELA 1

COMPARATIVO ENTRE PROBLEMAS URBANOS E TEMAS NO HGPE



Posição

Média Ibope

Ratinho Jr

Luciano Ducci

Gustavo Fruet



Saúde (40,8%)

Adm. Pública (7,7%)

Saúde (11,2%)

Saúde (12,3%)



Segurança (23,4%)

Educação (7,3%)

Infraestrutura (9,3%)

Cidade (9,2%)



Educação (8,2%)

Mobilidade (7,3%)

Ass. Social (9,2%)

Educação (7,8%)



Mobilidade (6,4%)

Ass. Social (5,4%)

Mobilidade (9,2%)

Mobilidade (7,1%)



Infraestrutura (5,2%)

Cidade 4,6%

Educação (7,1%)

Desqualificação (5%)

Fonte: Ibope e Grupo de Pesquisa em Comunicação Política UFPR


Pode-se enfatizar que desconsideradas Saúde e Segurança, as outras três categorias também tiveram um percentual baixo de apontamentos. Com as três, Educação, Mobilidade e Infraestrutura, apresentando menos de 10% das citações nas pesquisas.

Ao comparar as temáticas de cada candidato no HGPE com os problemas apresentados pelo Ibope, é possível afirmar que a candidatura de Ratinho Jr teve apenas dois assuntos (Educação e Mobilidade) figurando entre os cinco mais presentes no HGPE. A candidatura de Fruet apresentou três temáticas coincidindo com os principais problemas apontados pelo eleitor, Saúde Educação e Mobilidade. O HGPE de Luciano Ducci, foi o que mais teve semelhanças com os assuntos apontados pelo Ibope. Dos cinco problemas de Curitiba mais citados pelos eleitores, Ducci abordou, em seu programa eleitoral, quatro temáticas coincidentes, Saúde, Educação, Mobilidade e Infraestrutura.

Enquanto 40,8% dos entrevistados apontaram a Saúde como principal problema enfrentado, os candidatos Luciano Ducci e Gustavo Fruet dedicaram, respectivamente, 11,2% e 12,3% do tempo do HGPE para o assunto. Não é possível afirmar que devido a alta porcentagem, os eleitores esperavam que esse assunto fosse abordado mais intensamente pelos candidatos, no entanto, o percentual revela uma preocupação acentuada da população com as questões ligadas a Saúde Pública. Nos programas do HGPE de Ratinho Jr, Saúde nem figurou entre os principais assuntos. No levantamento total realizado pelo Grupo de Pesquisa, Saúde, na campanha de Ratinho Jr, apareceu na 9ª colocação com apenas 2,8% do tempo do HGPE.

Vale enfatizar a total ausência de Segurança Pública, nas temáticas do HGPE dos três candidatos no primeiro turno. Enquanto para 23,4% dos entrevistados a Segurança era o principal problema, Ratinho Jr dedicou 1,4% do tempo do programa ao assunto; Luciano Ducci, 3,9% e Gustavo Fruet, 2,9%.


4. Estratégias para o HGPE segundo os consultores políticos
Ratinho Jr se apresentou como um "candidato novo" (ITEN, KOBAYASHI, 2002, p.127). De acordo com o publicitário Maurício Ramos, responsável pelo marketing da campanha de Ratinho Jr, a campanha tentou inovar na forma de posicionamento do candidato e de abordagem dos temas no HGPE. Motivada, a principio por dificuldades internas, a coordenação apostou em um direcionamento que se distinguia dos demais concorrentes na abordagem e discussão dos assuntos.

De acordo com o publicitário, os problemas que afetavam a vida dos curitibanos eram conhecidos, as temáticas de campanha também, entretanto, questões de bastidores, em um primeiro momento, fizeram a campanha de Ratinho Jr pegar um caminho diferente do tradicional.


Nós fomos chamados, quase que 30 dias antes de começar o primeiro horário eleitoral. O que percebíamos era um cenário com um plano de governo ainda inconsistente. Por outro lado nosso radar indicava que as pessoas estavam saturadas do modelo tradicional de fazer campanha. Diante disso, trouxemos temas novos para a campanha, assuntos novos para o debate e isso de certa maneira ajudou a pautar outro modelo de campanha, por que enquanto todo mundo estava falando de um determinado assunto a gente falava em clínica para tratar os animais que estavam pela rua. (RAMOS, 2015)7
Ramos, ao citar que a campanha trouxe "novos assuntos para o debate", se referiu a inclusão de temas como a proteção aos animais e reciclagem de lixo. A proteção aos animais ganhou espaço dentro do HGPE em um programa que dedicou 25% do tempo total ao assunto. Nele, Ratinho Jr usou como personagem, o animal de estimação da família para falar sobre as propostas nessa área e também colocou o tema de forma crítica em relação a administração atual.

A reciclagem de lixo apareceu no HGPE na forma de pequenas inserções dentro dos programas do HGPE, para enfatizar a adoção de novas ações ambientais ou a retomada de programas. "Uma ideia (imagem de um cesto de lixo comum), uma nova ideia: Voltar a reciclar a maioria do lixo da cidade (imagem de cestos de lixo próprios para a reciclagem)" (RATINHO JR, HGPE, 03 de setembro de 2012). Essas novas ideias citadas pelo publicitário, não se revelaram, de fato, inovações nas propostas de governo, mas sim exposição de assuntos que, na eleição de 2012, não faziam parte dos assuntos que dominavam a discussão política.

A fragilidade do plano de governo, citada pelo publicitário, ajuda a entender o porquê de a campanha de Ratinho Jr ter sido a que apresentou, entre as cinco principais temáticas abordadas no HGPE, o menor índice de coincidência com os principais problemas de Curitiba, (dos problemas mais apontados, somente Educação e Mobilidade figuraram entre as cinco temáticas mais abordadas durante o HGPE do candidato). Questionado se essa deficiência da falta de um plano de governo consistente, no início da campanha, comprometeu a discussão de temas dentro do HGPE, o publicitário foi taxativo.
Com certeza. Com certeza isso aconteceu. Acho que nosso candidato sofreu por que não tinha a consistência necessária de plano de governo para um debate mais aguerrido. Mas isso é natural, por que não tivemos acesso a números, informações e uma porção de coisa referente a prefeitura. Isso foi um dos pontos de fragilidade da campanha. Como tínhamos um plano de governo um pouco frágil, nós fortalecemos as propostas. Uma coisa não tem necessariamente a ver com a outra. Propostas são ideias, nós trouxemos isso, ideias que podiam fazer com que o município melhorasse em alguns aspectos. (RAMOS, 2015)8

Mesmo reconhecendo a limitação para discutir os temas que se apresentavam como centrais, Ramos afirmou que a inclusão de assuntos que não figuravam entre as principais demandas do eleitor, não ocorreu devido ao fato da campanha não ter informações suficientes para dedicar mais tempo a Saúde, Segurança e Infraestrutura, por exemplo.


Nas nossas aferições percebíamos que as pessoas gostavam mais de ver programas que não tocavam em assuntos nefrálgicos. As qualitativas mostravam isso. As pessoas preferiam ver os cachorrinhos do Ratinho lambendo o rosto dele, ele brincando com as crianças e falando sobre as necessidades de ter uma política para os cães. Quando trazíamos isso saltava brutalmente a aceitação do programa eleitoral, se comparado a quando a gente trazia assuntos ligados a Saúde, Educação e questões mais estruturais. Esses assuntos caiam em lugar comum e caiam no conceito do eleitor. Nós lutávamos para não falar sobre o mesmo assunto. Isso fez a nossa estratégia de campanha ser diferente no HGPE. Mudamos de assunto e deixamos os outros candidatos se repetindo, se contradizendo, se acusando, e nós propondo um outro tipo de olhar. As campanhas estavam lá falando de Saúde e a gente mostrava a Lili, a fox paulistinha do Ratinho e todo mundo adorou. Isso foi feito de forma proposital. (RAMOS, 2015)9

A afirmação de Ramos se opõe aos estudos do marketing eleitoral. Ao dizer que o eleitor não estava disposto a ouvir o que o candidato tinha para falar sobre os assuntos centrais da campanha, ele caminha para uma direção contraria ao que afirmam autores como Lavareda (2009) Almeida (2008), Kuntz (2006) e Oliveira, Romão e Gadelha (2012). Em consonância, esses autores enfatizam que, "É importante que o estrategista descubra qual é o grande tema da campanha (...) O grande tema da campanha significa portanto, um problema a ser solucionado, pois o eleitor assim deseja" (OLIVEIRA, ROMÃO, GADELHA, 2012, p.203).

Apesar de seguir afirmando que as estratégias de comunicação na abordagem de temáticas de campanha do HGPE foram tomadas com base em pesquisas qualitativas e de forma proposital, Ramos entra em contradição ao detalhar os motivos que levaram a campanha a praticamente deixar de lado, por exemplo, o tema Saúde.
Saúde, que é um tema nevrálgico, nós falamos pouco. Eu sei te dizer por que aconteceu isso. Nós não tínhamos uma proposta consistente na saúde. Era um tema prioritário, mas nós não tínhamos bagagem para falar sobre ele, não tínhamos informações sobre atendimentos, sobre os principais problemas, nem projeto consistente na área da saúde no plano de governo. Então a gente até versou sobre esse assunto, mas fomos para outros onde a gente tinha domínio. (RAMOS, 2015)10

O HGPE de Ratinho Jr teve somente 2,8% do tempo total de veiculação dedicado Saúde. No ranking total dos assuntos ficou na 12ª colocação, de 15 temáticas. As abordagens dos demais assuntos nos programas eleitorais de Ratinho Jr, apesar de terem sido feitas com conteúdo superficial, seguiu a lógica de uma candidatura de oposição. No posicionamento do candidato e nos assuntos abordados predominou a crítica à atual administração.

Questões relacionadas aos servidores municipais foram predominantes na abordagem dos temas relativos à Administração Pública. O candidato aproveitou a insatisfação dos servidores públicos municipais para construir seu discurso e suas propostas. "Tínhamos relatos de membros da nossa campanha e apoiadores, principalmente servidores públicos, de uma insatisfação geral entre o funcionalismo, esse assunto acabou indo para o HGPE, onde tentamos comunicar diretamente com os servidores", explicou Ramos.

A abordagem da temática Educação foi centrada em duas propostas, a criação de vagas de creches e a distribuição gratuita de uniforme para os alunos da rede municipal. Educação teve 10min51s de tempo no HGPE, ficando na segunda colocação entre os cinco temas mais abordados pelo candidato, com 7,3%.


A educação foi um tema que cresceu muito durante a campanha por conta, principalmente, da proposta de distribuição de uniforme para as crianças. O assunto surgiu em uma das nossas pesquisas e teve uma aceitação enorme no HGPE. Tentamos mostrar as vantagens de uniformizar todos os alunos da rede municipal. (...) Em relação às creches, a reclamação de falta de vagas era constante, esse era um assunto que não tinha como fugir. As creches foram um assunto recorrente na eleição, abordado por todos os candidatos. (RAMOS, 2015)11

Com um discurso oposicionista, Ratinho Jr tentou desqualificar a administração de Luciano Ducci, enfatizando que iria resolver de forma definitiva a falta de vagas. "Como prefeito, vou resolver de verdade o problema das creches" (RATINHO JR, HGPE, 29 de agosto de 2012, grifo nosso).

Ratinho Jr, apresentou o tema mobilidade centrado na proposta de implantação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Além disso Ratinho Jr se apresentou como o único candidato que poderia, se eleito, revisar os contratos entre a prefeitura e as empresas que operavam o transporte coletivo.
A mobilidade urbana ganhou destaque por conta do argumento que usamos que apenas o Ratinho teria coragem de fazer o rompimento com as empresas de transportes, que eram financiadoras das campanhas de outros candidatos. Ele se mostrou como o único candidato capaz de romper com as empresas, fazer uma nova licitação e trazer um novo modelo de transporte coletivo e de mobilidade urbana para Curitiba. Percebemos que o eleitor não acreditava que o metrô fosse sair do papel, por isso apresentamos o VLT como uma alternativa ao metrô e falamos de ciclo-mobilidade. (RAMOS, 2015)12

A crítica à implantação do metrô expõe uma contradição de posicionamento de Ratinho Jr. Alguns meses antes do início da campanha, quando o governo federal anunciou o repasse de verbas para a implantação do metrô, Ratinho Jr espalhou outdoors pela cidade, anunciando que ele havia sido o responsável pela emenda ao orçamento da União que destinava recursos para as obras do metrô. O fato foi lembrado e reafirmado por Mauricio Ramos. "O Ratinho foi o autor da emenda que destinava R$ 1bilhão para a obra do metro", afirmou.

Ao enfatizar que o metrô era uma boa alternativa mas iria demorar muito para ser implantado e apresentar o VLT, Ratinho Jr, tira a prioridade de investir no metro como alternativa de Mobilidade e apresenta outra solução, que passa a ser prioridade nas suas propostas para a área. De acordo com Ramos, isso ocorreu pelo fato de pesquisas internas constatarem que o eleitor não acreditava que o metrô sairia do papel. Neste ponto a candidatura de Ratinho se diferencia das candidaturas de Ducci e Fruet, pois as duas optaram por apresentar o metro como principal obra de infraestrutura ou mobilidade para Curitiba. A análise dos dois candidatos será feita a seguir.

A temática Assistência Social, no HGPE, apresentou a situação de vulnerabilidade social de pessoas e famílias das classes mais baixas de Curitiba. Embora figure entre os temas mais abordados, com 5,4% do HGPE, não houve praticamente discussão de propostas nessa área. O HGPE, ao tratar desse assunto, explorou imagens de pessoas em situações de risco e de bairros carentes.


A ideia era passar que o Ratinho por ter vindo de uma família pobre, que com muito esforço conseguiu vencer na vida, tinha mais sensibilidade para lidar com as questões sociais do município. Tentamos fazer um contraponto com a campanha do Ducci, por que a campanha dele mostrava imagens de uma cidade que não existia, que não tinha problemas e nós tentamos mostrar as mazelas de Curitiba, a Curitiba real. (RAMOS, 2015)13

O que se pode constatar é que a apresentação da temática Assistência Social ocorreu sem detalhar as propostas para a área. O candidato somente citou alguns projetos e apostou em um discurso de valorização das mulheres.

A temática cidade, no HGPE, foi abordada levando em consideração a fama que Curitiba tem de cidade moderna. A campanha constantemente invocava o status de "cidade modelo" para mostrar que Curitiba foi um dia uma cidade que pensava em seu planejamento urbano, mas que abandonou essa característica. O discurso era usado com plano de fundo para fazer criticas a administração da cidade.

Na análise do conteúdo dos programas é possível constatar que o candidato tratava de temas como assistência social, saúde, educação e mobilidade, mas não apresentava dados concretos, como o percentual do orçamento do município que pretendia investir em Saúde, em quais programas e onde essas ações seriam concentradas; quais medidas iria implantar para que a população de Curitiba não sofresse mais; quanto iria custar a implantação do VLT (visto que o metro possuía um orçamento definido); quantas creches iria construir e em quais bairros.

Ao tentar explicar o porquê deste tipo de abordagem, o publicitário responsável pelo marketing da campanha, Maurício Ramos, minimizou os efeitos da falta de informações mais precisas nos programas do HGPE e preferiu enaltecer as estratégias de personificação da campanha.
As pessoas querem ver as propostas e a solução de problemas, mais antes disso elas querem saber se podem confiar no interlocutor que elas vão eleger. Falar sobre a pessoa, definir um perfil, demonstrar o caráter é tão necessário quanto você levantar as questões que precisam ser discutidas. Isso até faz com que os candidatos com maior capacidade teatral tenham maior sucesso, se comparado aos candidatos que tem uma capacidade técnica maior porém não possuem tanto carisma (RAMOS, 2015)14.
A explicação resume a estratégia de comunicação da candidatura de Ratinho Jr no HGPE. Uma estratégia que relegou a segundo plano a discussão dos problemas de Curitiba e focou na exploração da imagem pessoal do candidato. Isso pode ser constatado na explicação que o publicitário dá ao enfatizar que um candidato com maior carisma pessoal tem mais chances de sucesso na carreira política do que um candidato com reconhecida capacidade técnica, porém com pouco carisma.
5. Gustavo Fruet e a campanha tradicional no HGPE

Figura pública conhecida dos curitibanos, Gustavo Fruet se apresentou ao eleitor com um discurso típico de candidato oposicionista e de tradição política. Fruet, pode ser enquadrada no que Iten e Kobayashi (2002), classificam como candidato tradicional.


Entende-se o 'candidato tradicional' como aquele 'animal político' cuja história e nome já estejam gravados no cenário político da localidade, tenha presença e até mesmo domínio sobre o jogo político e que se apresenta como uma 'continuidade' enquanto presença pessoal ou de um determinado grupo político. (ITEN; KOBAYASHI, 2002, p.127).
As particularidades da campanha ficaram por conta do apoio do PT a um candidato que tradicionalmente circulava entre os eleitores centro-direita e direita. Melhor estruturada, a campanha trouxe com mais propriedade os problemas que afetavam a vida dos curitibanos. Assim como fez Ratinho Jr, Fruet centrou a sua estratégia de comunicação no HGPE na crítica a administração de Luciano Ducci, e teve como principal diferencial tentativa de desqualificação da administração municipal.

A condução da campanha, entretanto, se mostrou oposta, se comparada a de Ratinho Jr, principalmente no tocante à discussão dos problemas urbanos. Em entrevista, o coordenador da campanha de Fruet, Gerson Guelmann enfatizou a importância de se tratar temas centrais que afetam a vida dos eleitores.


A gente sempre sabe quais são os temas centrais, pouca coisa muda de uma eleição para outra, e o que muda as pesquisas mostram. Não são assuntos fáceis de serem tratados, alguns deles podem nem ser da competência administrativa de um prefeito, mas os temas estão lá e a população quer ver, por que o eleitor quer ver a discussão dos problemas que o afetam, e a gente tem que dar uma resposta para o eleitor. Nós tínhamos pesquisas, usamos pesquisas qualitativas durante toda a campanha, praticamente todos os dias, e tentamos fazer uma campanha baseada naquilo que as pessoas queriam ouvir15. (GUELMANN, 2015)

De forma imediata o consultor político deixa claro duas questões centrais deste estudo: a utilização de pesquisas nas estratégias de comunicação e a abordagem das temáticas de campanha dentro do HGPE.

A campanha tentou passar a imagem de um candidato que estava acima das questões partidárias. "Procuramos explicar com certa sutileza o que o Gustavo poderia fazer, uma vez eleito, com o apoio do governo federal, tentando se equilibrar nessa linha tênue que não fizesse o eleitor de Curitiba associar o Gustavo ao PT", (GUELMANN, 2015).

A apresentação dos temas de campanha seguiu um discurso oposicionista mesclando acusações e propondo ações para solucionar os problemas que a atual administração não havia resolvido. " De acordo com o documento registrado em cartório, o candidato a reeleição tinha que ter construído mais centros de especialidades odontológicas em Curitiba. Não foi feito" (FRUET, HGPE, 19 de setembro de 2012). Esse discurso foi adotado para outros assuntos levados ao HGPE na área da Saúde, tema com maior tempo dedicado, se comparado aos outros.
Saúde é um tema sempre presente, sempre vai ser a principal preocupação das pessoas, ainda mais nessa eleição onde tínhamos um médico candidato à reeleição. Tínhamos que ser propositivos e críticos. Houve um movimento questionador, por que a carreira de um dos nossos adversários foi construída em cima da Saúde. Tentamos mostrar que ele teve todas as condições de resolver os problemas nessa área e não resolveu. A população continuava descontente (GUELMANN, 2015).16

A intenção da coordenação da campanha, em trazer a discussão do tema saúde de forma crítica, alicerçada nas promessas não cumpridas por Luciano Ducci, fica perceptível na análise dos programas eleitorais. Saúde foi o assunto mais abordado do HGPE de Fruet, com 12,3% de todo o tempo do HGPE. Fruet tentou desqualificar a capacidade administradora de Ducci na Saúde e, se fez valer da sua reputação política, para dizer que era o único candidato capaz de resolver os problemas que Curitiba enfrentava nessa área.

De acordo com Guelmann, a principal intenção de se abordar assuntos relativos a categoria Cidade era "Explorarmos o sentimento de curitibanidade, o sentimento do cidadão curitibano, da Curitiba da cidade modelo que se perdeu, que não tem mais planejamento, que não tem mais soluções criativas". O tema Cidade ocupou, 9,2% do total de tempo do HGPE. A campanha de Fruet adotou um posicionamento semelhante ao que foi constatado na campanha de Ratinho Jr. Enquanto Ratinho Jr afirmava que Curitiba precisava voltar a ter novas ideias, Fruet argumentava que a cidade precisava voltar a planejar seu desenvolvimento e retomar a tradição que tinha em ser uma cidade inovadora.
Existe uma geração que já nasceu com a estação tudo na frente de casa e não sabe como foi Curitiba antes. Tínhamos uma parcela do eleitorado que tinha saudade dessa Curitiba moderna, inovadora. Tentamos abordar o que Curitiba perdeu em termos de planejamento. O que Curitiba já foi e não é mais e que precisava ser resgatado. (GUELMANN, 2015)17

Entretanto a apresentação da temática cidade, no HGPE, se deu de forma superficial. O resgate era feito através de pequenos apontamentos, geralmente feito pelo candidato quando iria abordar outros temas, não sendo tratada essa questão de forma específica. O sentimento de pertencimento citado pelo consultor era constatado geralmente em textos apresentados na abertura dos programas, com o locutor "em off" com uma série de imagens de Curitiba. A abordagem do tema de forma poética tenta persuadir o eleitor mais pela emoção do que pela apresentação de propostas e projetos que discutissem a cidade de Curitiba como um todo.

A presença da militância do Partido dos Trabalhadores teve seu reflexo durante a exposição da temática Educação no HGPE, que foi a terceira mais citada, com 7,8% do total. De acordo com Guelmann, apoiavam a candidatura muitos professores ligados a sindicatos de representação de classe. Esses profissionais acabaram munindo a campanha de informações. Além disso, a discussão sobre a falta de vagas em creches inicialmente exposta por Ratinho Jr, se fez presente e encorpou ainda mais a discussão da temática no HGPE.

De certa forma, presença da temática educação se assemelhou aos programas de Ratinho Jr, inclusive no uso de personagens para demonstrar os transtornos que a falta de vaga nas creches causaria às famílias. É perceptível, até por questões explicadas pelo coordenador da campanha de Fruet, que ele tenha dado uma abordagem com mais propriedade, como mostra o exemplo a seguir: “Vou aumentar os investimentos para 30% das receitas dos impostos e transferências. Serão mais de R$ 100 milhões, por ano. (FRUET, HGPE, 31 de agosto de 2012). O candidato usa de projeções orçamentárias e total de recursos mostrando conhecimento do assunto sobre o qual falava.

O tema Mobilidade mesclava aspectos relacionados à temática Cidade, mostrando que Curitiba já havia sido referência no assunto, mas que hoje apresentava inúmeras carências. A temática foi a quarta que mais teve tempo dedicado no HGPE, com 7,1% do total.
Era outro assunto recorrente, por que as pessoas falavam da questão do trânsito e do transporte coletivo, isso aparecia em praticamente todas as qualis que fazíamos. Era um assunto obrigatório para ser explorado. Tentamos com Mobilidade complementar o que nós expusemos sobre a Cidade como um todo. Mostrar o que Curitiba já foi e não é mais. Mas não ficamos restritos a questão dos ônibus e do trânsito, havia a necessidade de se falar em outras alternativas e mostrar um conceito mais humano quando se tratava de mobilidade (GUELMANN, 2015)18

O assunto foi tratado de forma diversificada. A implantação do metrô em Curitiba figurou entre as propostas expostas "O governo federal já viabilizou os recursos, e ele será construído, isso eu garanto" (FRUET, HGPE, 03 de setembro de 2012).

Ao citar ações como a construção de novas trincheiras e viadutos, 300 quilômetros de ciclo-rotas, requalificação do transporte coletivo, novas canaletas e sinalização inteligente em seus programas eleitorais, percebe-se uma tentativa colocar a Mobilidade de Curitiba de uma forma que ela não estivesse alicerçada em um grande projeto, mais sim em inúmeras medidas de menor impacto que juntas iriam melhorar o deslocamento dos cidadãos. "Tentamos mostrar que as soluções estão em obras de menor porte e não em grandes inovações" (GUELMANN, 2015).

O posicionamento da campanha de Fruet acabou fazendo com que a categoria desqualificação figurasse entre as cinco mais abordadas, com 5% de tempo dedicado no HGPE. Ao perceber que a disputa por uma vaga no segundo turno envolvia diretamente Fruet e Ducci, a campanha intensificou as estratégias de desqualificação, questionando vários aspectos da campanha adversária.


Chegou uma hora que partimos para o embate direto com o Ducci, isso tornou a campanha mais ácida. Tínhamos o Ratinho dado como certo no segundo turno, então nosso adversário direto era o Ducci. Usamos de várias estratégias, passamos a colocar em cheque a sua capacidade administrativa, abordamos as contradições da candidatura e chegamos a questionar a veracidade das pesquisas, por que havia essa necessidade. Além do eleitor comum, tínhamos que nos preocupar também com nosso exercito, no sentido de dar mais confiança ao nossos cabos eleitorais e partidários da candidatura (GUELMANN, 2015)19

Na tentativa de desqualificar a campanha de Ducci, Fruet abandonou a preocupação que tinha com a presença do apoio da presidente Dilma, à candidatura e assumiu publicamente o apoio da petista. A necessidade de cuidado com o assunto, revelada pelo coordenador da campanha, foi deixada de lado quando a disputa se acirrou. Para desqualificar o discurso do adversário a campanha não relutou em assumir para si, claramente, o apoio do PT a candidatura do pedetista.

A campanha de Fruet, que no início se mostrava temerosa em relação a como trazer o apoio da senadora Gleisi Hoffmann e da presidente Dilma para a campanha, acabou engajando o discurso de aliado político, chegando ao ponto de travar discussões para defender o apoio das duas, não poupando criticas aos demais candidatos que reivindicavam também o apoio da presidente.

É perceptível que Fruet coloca a sua reputação pessoal para passar a credibilidade que o eleitor precisa e para dar mais consistência ao seu discurso persuasivo. Em relação a discussão das temáticas, a exposição ocorreu de forma mais densa se comparada a Ratinho Jr, entretanto o posicionamento crítico do candidato em relação, principalmente à campanha de Ducci, foi o que predominou tanto no discurso pessoal, quanto na apresentação dos temas.


6. O HGPE de Ducci, o médico de capacete

A campanha de Luciano Ducci no HGPE foi, neste estudo, a que apresentou maior coincidência entre as temáticas de campanha e os problemas urbanos apontados pelos eleitores. Saúde, Infraestrutura, Mobilidade e Educação apareceram tanto nas pesquisas do Ibope quanto no HGPE. Com quase 11 minutos de tempo e mais de 1/3 do total do HGPE, Ducci apresentou uma campanha que abordou o maior número de assuntos. As temáticas no HGPE foram apresentadas com uma série de dados, projeções, orçamentos, croquis e infográficos, diferente das campanhas de Ratinho Jr e Fruet.

Ducci tirou proveito da condição de prefeito de Curitiba, com acesso a uma quantidade maior de informações a respeito da administração de Curitiba, e dotou a campanha com informações que as demais campanhas não apresentaram, como quantidade de consultas, exames médicos, número de ruas pavimentadas, total de ônibus novos circulando, etc.

Ducci se apresentou, de acordo com a classificação de Iten e Kobayashi (2002), como um "candidato tradicional", que pode ser caracterizado como aquele que:


(...) tenha presença e até mesmo domínio sobre o jogo político e que se apresente como uma continuidade enquanto presença pessoal ou de um determinado grupo político. Uma candidatura nesse perfil apresenta-se como solidificada e detentora de grupos de apoio que lhe garantem o recebimento de determinada quantidade de votos já próxima da necessidade mínima para assegurar sua reeleição. (ITEN e KOBAYASHI, 2002, p. 127).
Em entrevista, um dos membros da coordenação da campanha de Ducci detalhou como foram as estratégias adotadas para a abordagem de cada temática, citou as dificuldades de se produzir um programa eleitoral de quase 11 minutos e falou como tentaram vencer as limitações do candidato.

Tínhamos na cabeça as limitações do candidato, mas também sabíamos que estávamos disputando uma eleição e não um concurso de miss simpatia, por isso focamos a produção do HGPE nas coisas que o Ducci e o Beto tinham feito em Curitiba e no planejamento que tínhamos para o próximo mandato. Tínhamos muito material, muitos dados para expor. A cidade estava em obras, não podíamos perder esse conteúdo. Nós tínhamos também o apoio declarado do Beto, que tem capital eleitoral. A Fernanda, esposa do Beto, possui força na área social e também aproveitamos isso. Não era fácil produzir um programa daquele tamanho a cada dois dias, mas nós tínhamos conteúdo. Tínhamos o que mostrar. Nós conhecíamos as questões que precisavam ser discutidas, não somente as pesquisas apontavam isso, mas eram questões centrais, que estão presentes em praticamente todas as eleições (informação verbal).20


Ducci teve, como seu principal cabo eleitoral o governador Beto Richa e a presidente do Provopar do Paraná, Fernanda Richa. Dos 20 programas produzidos para o HGPE no primeiro turno, Richa apareceu em nove e Fernanda em outros três. As inserções se concentraram no início do período de veiculação do HGPE e nas duas semanas finais. Nesse ponto, vale retomar a argumentação de Iten e Kobayashi (2002) para comprovar a classificação de Candidato Tradicional. "...que se apresente como uma continuidade enquanto presença pessoal ou de um determinado grupo político" (ITEN e KOBAYASHI, 2002, p. 127). Foi isso que Ducci fez, se apresentou para o eleitor como a continuação do grupo político liderado pelo governador Beto Richa.

Pelo fato de ser médico de carreira e ter ocupado o cargo de secretário municipal da Saúde, a campanha de Ducci, apresentou a temática baseada em sua trajetória pessoal, nos programas que desenvolveu e no reconhecimento que ganhou pela implementação das políticas públicas na área.
Tínhamos o Mãe Curitiba que se tornou referência nacional. O município havia recebido prêmios na área da Saúde e o prefeito era médico. Tudo isso tinha que ir para o HGPE. Sabíamos da preocupação da população com a saúde pública, mas o tema saúde, não importa quanto você invista, ele sempre vai aparecer entre os principais. Saúde, Educação e Segurança sempre vão aparecer. Era um assunto que nós dominávamos e decidimos colocar o Ducci como um prefeito que entendia de saúde pública, que sabia o que precisava ser feito e que também reconhecia que, apesar de boa, a saúde do município ainda tinha muito para melhorar (informação verbal).21

Saúde apareceu em nove dos 20 programas do HGPE de Luciano Ducci. O assunto foi o mais abordado entre as 15 temáticas aferidas pelo Grupo de Pesquisa em Comunicação Eleitoral, com 11,2% do tempo total do HGPE. A linguagem predominante dos programas foi a de demonstração das ações realizadas pela prefeitura e nos futuros projetos que Ducci iria implantar. A imagem de bom gestor aplicada ao candidato, tangenciava todas as abordagens do tema.

A postura de Ducci com o tema saúde, no HGPE, pode ser enquadrada como um "argumento de autoridade". Nos estudos de Perelman e Olbrechts-Tyteca (1996) essa estratégia de retórica é caracterizada da seguinte forma: "O argumento de prestígio mais nitidamente caracterizado é o argumento de autoridade, o qual utiliza atos ou juízos de uma pessoa ou de um grupo de pessoas como meio de prova a favor de uma tese" (PERELMAN, OLBRECHTS-TYTECA, 1996, p. 348).

A "tese", citada pelos autores, nesse caso, pode ser entendida como a eleição, e a utilidade do argumento de Ducci, é justamente provar para o eleitor que ele era o candidato que tinha mais capacidade para cuidar das ações relacionadas a saúde.

O que deve ser destacado, em toda essa conjuntura de fatores que envolvem a abordagem da temática Saúde, por Luciano Ducci é que, além de saber qual era o problema que mais preocupava a população, Ducci priorizou a temática, dedicando a ela o maior tempo de HGPE, e ainda era médico e gestor de Saúde. Esses fatos faziam com que a candidatura de Ducci apresentasse uma série de fatores a seu favor para falar sobre Saúde.

As obras que estavam sendo executadas para que Curitiba pudesse receber os jogos da Copa do Mundo foram o pano de fundo para a abordagem da temática Infraestrutura. Ao apresentá-las, o candidato se posicionou como o único entre os postulantes ao cargo de prefeito que podia agregar o apoio do governo do estado e do governo federal para a realização de grandes obras.


Nós tínhamos que mostrar para o eleitor que o Ducci tinha conseguido muitos recursos por fazer parte de um partido que dava sustentação ao governo da Dilma e que também possuía o apoio do governo do estado. Citamos o viaduto estaiado e o metro como exemplo. Mostramos que eram obras importantes, de grande porte que ficariam como legado para a cidade, principalmente as relacionadas a Copa. O metrô não era uma obra da Copa, mas a liberação dos recursos por parte do governo federal mostrava a proximidade de Ducci com o governo Dilma, e colocava ele com um administrador que conseguiria circular em todas as esferas do poder (informação verbal).22

Ducci incorporou o discurso que era o candidato que seria capaz de conseguir investimentos dos governos estadual e federal e que era necessário aproveitar o momento, para a realização de grandes obras de infraestrutura. A abordagem do tema infraestrutura ficou centrada em aspectos políticos do que em questões técnicas ou na discussão de propostas.

A campanha apresentou os assuntos referentes a Assistência Social como sendo uma extensão da temática Saúde, usando comparações entre as duas áreas. Além disso, a candidatura abordou histórias de superação de cidadãos comuns, que contaram com o apoio das entidades assistenciais do município.

Desta forma, o candidato apresenta ações que estendem os projetos de assistência social para todas as pessoas, aproximando a administração da população com menos renda e em situação de vulnerabilidade social e tenta dar um caráter mais humanista as ações de governo.

Contrariando as demais candidaturas na abordagem da temática Mobilidade, a campanha de Ducci tentou mostrar os investimentos e inovações nesta área. Para isso expôs a implantação do Ligeirão Azul e dos ônibus que rodavam movidos a bicombustível. O principal mote de campanha nessa área foram os investimentos em revitalização de ruas, pavimentação, criação de novos eixos de circulação, trincheiras e investimentos em sinalização inteligente para melhorar o tráfego.

Mobilidade foi a quarta temática mais presente no HGPE de Ducci, com 9,2% do tempo total e foi o único assunto que figurou entre os mais abordados, pelos três candidatos. De acordo com o membro da campanha de Ducci entrevistado, a campanha tentou mostrar no HGPE a quantidade de obras e investimentos que haviam sido feitos nessa área.


A mobilidade era outra área que tinha muitos investimentos e a gente tinha muita coisa para mostrar. A cidade estava em obras com a revitalização de muitas ruas e a implantação do anel viário central. Levamos tudo isso para o HGPE para mostrar que Curitiba não parou ter investimentos ligados a mobilidade. Tinha o Ligeirião, os ônibus tocados a bicombustível (informação verbal).23
Com a estratégia, a campanha de Ducci tenta enfatizar, por meio de repetição do conceito, a capacidade administrativa do candidato e assim fixar essa imagem.

A falta de vagas nas creches foi assunto também no HGPE de Ducci. O candidato afirmou que Curitiba era a cidade com mais de um milhão de habitante no país que possuía o maior índice de crianças nas creches. Além disso, aproveitou para desqualificar o discurso dos adversários e usou a questão para mostrar sua proximidade com o governo federal dizendo que em parceria, iriam ser abertas mais 15 mil vagas das creches, no entanto, não explicou de que forma faria isso.

Ducci foi o candidato que abordou de forma mais direta em seu HGPE os principais problemas de Curitiba, entretanto a sua candidatura esbarrou em uma imagem pessoal pouco carismática, dificuldade de comunicação e também nas criticas dos adversários. Talvez por isso as questões técnicas estivessem voltadas para o enaltecimento da imagem pessoal.
A nossa campanha foi uma campanha consistente, nos tínhamos tudo a nosso favor. O Ducci se mostrava um candidato viável. É difícil explicar o que ouve, não foi um fato isolado, foi uma série de coisas que influenciaram. Mesmo apresentando um programa consistente, propostas de governo e discutindo os temas relevantes para a cidade, penso que o eleitor não se identificou com a candidatura. Esse fato foi agravado pelo bombardeio que sofremos dos adversários (informação verbal).24

Perante o exposto pelo membro da campanha de Ducci e o que foi mostrado no HGPE, pode-se destacar, que no caso da eleição para prefeito de Curitiba em 2012, o que garantiu o êxito de uma campanha, não foi a imagem pessoal forte do candidato, nem a abordagem correta das discussões que o eleitor queria que fosse feito dentro do HGPE, mais sim uma junção desses dois fatores, onde a discussão das temáticas de campanha fosse feita de forma consistente, mas alicerçada em uma imagem pessoal que passasse credibilidade e que tivesse empatia com o eleitor.



7. Considerações finais

A partir dos dados, e do que foi aferido com os consultores, pode-se concluir que as campanhas utilizaram as informações oriundas das pesquisas eleitorais, não somente divulgadas pela mídia, mas também fizeram uso de pesquisas internas tanto qualitativas como quantitativas. No entanto, entendemos que a opinião da população Curitiba poderia ter sido mais levada em consideração nas estratégias de comunicação do HGPE dos principais candidatos a prefeito. Foi possível constatar equivalência entre o que os eleitores gostariam que fosse tratado no HGPE e o que nos candidatos apresentaram, porém, é perceptível que, apesar da coincidência na comparação dos assuntos, o percentual das temáticas, principalmente Saúde e Segurança, ficaram aquém do que o eleitor esperava que fosse apresentado.

A abordagem dos temas pode não ter sido proporcional à importância dada pelos eleitores. Na média dos dados aferidos pelo Ibope, a Saúde foi apontada por 40,8% dos entrevistados e a Segurança por 23,4% como principal problema de Curitiba. No caso de Saúde, a exposição desse tema no HGPE dos candidatos não passou de 11% no HGPE de Ducci, 12% no de Fruet nem chegou a figurar entre os principais temas na campanha de Ratinho Jr, com somente 2,8% dedicado a esse assunto. Segurança não apareceu na lista dos cinco assuntos mais presentes no horário eleitoral, nos três candidatos. O tema teve somente 2,8% do tempo total do HGPE na campanha de Fruet, 4% na campanha de Ducci e 1,4% no HGPE de Ratinho Jr.

Isso demonstra que a população teve a oportunidade de pautar a campanha eleitoral, deixando claro, por meio das pesquisas, quais eram os problemas que consideravam mais graves em Curitiba, mas essa pauta foi pouco explorada pelos candidatos dentro do HGPE. Isso fez com que a campanha acabasse focada na imagem dos candidatos.

Os candidatos não se furtaram de apresentar as deficiências de gestão e explorar o sofrimento dos cidadãos comuns com a falta de investimentos na Saúde, Educação e Assistência Social. Assim como não pouparam críticas ao transporte coletivo e às obras de infraestrutura para mostrar os gargalos de mobilidade que a cidade apresentava.

Por outro lado, Luciano Ducci apresentou os programas do HGPE com conteúdo oposto as campanhas de Fruet e Ratinho Jr. O candidato, que tentava a reeleição, se apoiou em dados, estatísticas, investimentos, recursos e prêmios ganhos pela atual administração para mostrar as ações que haviam sido desenvolvidas por sua gestão e apresentar um discurso enaltecendo os feitos para persuadir o eleitor.

As entrevistas mostraram que as campanhas se utilizam e dependem das informações das pesquisas eleitorais para a abordagem de assuntos no HGPE, prova disso é o reconhecimento da aplicação de pesquisas qualitativas, tanto para levantar quais os assuntos a serem abordados no HGPE e de que forma, como também para averiguar a eficácia do discurso que foi veiculado.

Baseado no exposto, aponta-se que, trabalhar com gestão pública implica em estar atento às necessidades da população. Questiona-se até que ponto, as propostas das candidaturas chegaram a escutar de fato as demandas dos moradores. Os resultados que apresentamos aqui podem servir como um recado aos profissionais de marketing político e aos candidatos para darem mais atenção ao que é dito pelas pessoas que habitam as cidades que eles gostariam de administrar.


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1 Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho Mídia e Eleições do VI Congresso da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (VI COMPOLÍTICA), na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), de 22 a 24 de abril de 2015. Este artigo apresenta o resultado de um projeto de pesquisa para a obtenção do título de mestre em comunicação pela Universidade Federal do Paraná.

2 Pós-doutorado em Comunicação Política na Universidade Autônoma Metropolitana (UAM- México). Doutora em Ciências da Comunicação (USP); Professora da Universidade Federal do Paraná na graduação em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Líder do grupo de Pesquisa “Comunicação Eleitoral”. Autora dos livros “Lula – do sindicalismo à reeleição” (SP, Horizonte, 2010) e “Campañas electorales para mujeres – retos y tendencias” (México,Piso15, 2015) e-mail lupanke@gmail.com

3 Mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Paraná, integrante do grupo de pesquisa em “Comunicação Eleitoral”. E-mail: rgtesseroli@gmail.com

4Para que fosse possível efetuar uma correlação precisa entre as duas categorizações, a temática “Trânsito” dos questionários do Ibope foi equiparada à temática “Mobilidade Urbana” dos estudos do grupo de pesquisa; e a temática “Calçamento de ruas e avenidas” com “Infraestrutura Urbana”. Optou-se por tal adequação devido à similaridade das áreas e também para que fosse possível a correlação entre as respostas do Ibope e as temáticas do grupo de pesquisa.

5www.ibope.com.br

6 Metodologia utilizada neste estudo foi apresentada durante o V Congresso da Associação Brasileira dos Pesquisadores em Comunicação e Política - Compolítica. Anais disponíveis em http://www.compolitica.org/home/wp-content/uploads/2013/05/GT-09-Propaganda-e-Marketing-Pol%C3%ADtico-Luciana-Panke.pdf


7 RAMOS, M. Maurício Ramos: depoimento [jan. 2015]. Entrevistador: R. Tesseroli. Curitiba-PR: UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (50min). Entrevista concedida para este estudo.

8 RAMOS, M. Maurício Ramos: depoimento [jan. 2015]. Entrevistador: R. Tesseroli. Curitiba-PR: UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (50min). Entrevista concedida para este estudo.

9 RAMOS, M. Maurício Ramos: depoimento [jan. 2015]. Entrevistador: R. Tesseroli. Curitiba-PR: UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (50min). Entrevista concedida para este estudo.

10 RAMOS, M. Maurício Ramos: depoimento [jan. 2015]. Entrevistador: R. Tesseroli. Curitiba-PR: UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (50min). Entrevista concedida para este estudo.

11 RAMOS, M. Maurício Ramos: depoimento [jan. 2015]. Entrevistador: R. Tesseroli. Curitiba-PR: UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (50min). Entrevista concedida para este estudo.

12 RAMOS, M. Maurício Ramos: depoimento [jan. 2015]. Entrevistador: R. Tesseroli. Curitiba-PR: UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (50min). Entrevista concedida para este estudo.

13 RAMOS, M. Maurício Ramos: depoimento [jan. 2015]. Entrevistador: R. Tesseroli. Curitiba-PR: UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (50min). Entrevista concedida para este estudo.

14 RAMOS, M. Maurício Ramos: depoimento [jan. 2015]. Entrevistador: R. Tesseroli. Curitiba-PR: UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (50min). Entrevista concedida para este estudo.

15GUELMANN, G. Gerson Guelmann: depoimento [jan. 2015]. Entrevistador: R. Tesseroli. Curitiba-PR: UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (58min). Entrevista concedida para este estudo.


16 GUELMANN, G. Gerson Guelmann: depoimento [jan. 2015]. Entrevistador: R. Tesseroli. Curitiba-PR: UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (58min). Entrevista concedida para este estudo.

17 GUELMANN, G. Gerson Guelmann: depoimento [jan. 2015]. Entrevistador: R. Tesseroli. Curitiba-PR: UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (58min). Entrevista concedida para este estudo.

18 GUELMANN, G. Gerson Guelmann: depoimento [jan. 2015]. Entrevistador: R. Tesseroli. Curitiba-PR: UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (58min). Entrevista concedida para este estudo.

19 GUELMANN, G. Gerson Guelmann: depoimento [jan. 2015]. Entrevistador: R. Tesseroli. Curitiba-PR: UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (58min). Entrevista concedida para este estudo.

20 SANTOS, J. Entrevista 3. [fev. 2015]. Entrevistador: Ricardo Tesseroli. Curitiba-UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (26 min). Pseudônimo, identidade preservada.

21 SANTOS, J. Entrevista 3. [fev. 2015]. Entrevistador: Ricardo Tesseroli. Curitiba-UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (26 min). Pseudônimo, identidade preservada.

22 SANTOS, J. Entrevista 3. [fev. 2015]. Entrevistador: Ricardo Tesseroli. Curitiba-UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (26 min).


23 SANTOS, J. Entrevista 3. [fev. 2015]. Entrevistador: Ricardo Tesseroli. Curitiba-UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (26 min).

24 SANTOS, J. Entrevista 3. [fev. 2015]. Entrevistador: Ricardo Tesseroli. Curitiba-UFPR, 2015. Arquivo em mp3 (26 min).



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