Iniciação pessoal ao estudo da Ética



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42. Metaética.
Nos estudos modernos sobre a Ética encontro uma novidade: o objeto da Metaética, ou seja, o campo do conhecimento filosófico que tem por objeto o estudo analítico da Ética em si mesma. Integra a Ética Especulativa e, via de conseqüência, a Ética Filosófica.

O vocábulo Metaética entrou em uso somente neste século. Cuida de apurar a consistência lógica e o significado dos termos normativos. Saber se o conteúdo das palavras direito, bem, dever, justiça e obrigação são idéias estáticas, absolutas em si mesmo, ou devem ser adotadas como idéias dinâmicas, reveladoras de ininterrupto vir-a-ser é um dos fenômenos que são objeto da Metaética. A Metaética também procura identificar interconexões entre essas idéias; descobrir se algum desses conceitos é básico na formação do conhecimento ético e em que medida deles dependem os conceitos morais.

Uma das recentes proposições da Metaética é saber se uma obrigação ( contida na idéia de si mesma que é de natureza abstrata), ou um dever ( contido na idéia de si mesmo) podem ser deduzidos ou originados de um existir, seja físico ou abstrato.

A Metaética propõe-se: enunciar a relação causa-efeito entre fatos e valores éticos; saber se é possível analisar e julgar juízos morais; desvendar se há uma relação causa-efeito pela qual as proposições morais possam ser definidas, independentemente da eficácia e validade dos credos e crenças morais que os motivaram. Se a resposta for positiva, a Metaética pode ser moralmente neutra, caso contrário, não.

A Metaética também se ocupa da análise da natureza dos julgamentos morais e em determinar se podem ser justificados e tomados como falsos ou verdadeiros. Entre as principais formas de abordagem estão as correntes denominadas naturalismo, cognotivismo, intuicionismo e subjetivismo.
43. Naturalismo
O naturalismo defendido, embora com diferentes bases de argumentação, por Lao-Tsé, na China do séc. V a.C., por J. J. Rousseau, Herbert Spencer, John Dewey e outros. Na realidade, já em cerca de 500 a.C., na China, Lao Tsé, mestre de Confúcio, pregava o naturalismo como essencial à sociedade. Daquele tempo vem o taoísmo, que tem sido adotado como religião por muitos. A moderna Ética Naturalista afirma que os juízos morais podem ser construídos por investigações científicas ou fatuais.

Segundo afirma Charles Pidgen, ao escrever sobre Naturalismo, em Companion to Ethics, moralidade não é uma ficção, um erro ou um mito, mas um conjunto de conhecimentos , ou pelo menos, de informações de várias origens.

A Ética naturalista observa que há uma profunda diferença entre dever e ser. A idéia do que é, em si mesma, não tem necessidade de conter a idéia do dever. O que é existe por que é, e não por que deve ser.

A visão do naturalismo conduz a idéia da imanência dos conteúdos, ou seja, o que é não depende do que está fora , nem necessita transformar-se ou conter alguma vontade externa. Por isso que, para os naturalistas, a idéia do o que é não necessita conter a idéia do que deve ser, mas simplesmente do que, naturalmente, verifico que é.

O ovo é um ovo, não porque contém a idéia de um frango de uma galinha, mas porque é um ovo.

Os naturalistas reconhecem, porém, que o vir-a-ser prevalece sobre o ser, ou seja, o constante devenir é o processo pelo qual os fenômenos ocorrem e são verificados, num eterno tornar-se. E assim, são levados a aceitar que o processo de tornar-se tem uma direção e um sentido determinados por alguma vontade externa (força). A esta vontade os naturalistas não dão necessariamente o nome de Deus. Mas nesta idéia de Vontade Externa e Superior, referida pela Ética Naturalista, a imensa maioria das pessoas procura captar a idéia de Deus.

A Ética Naturalista se aproxima muito, quanto ao método de trabalho, à Ética Positivsta, anunciada por Augusto Comte.


As correntes do naturalismo reconhecem, umas que os juízos morais são proposições que podem ser falsas ou verdadeiras. Outras que o não-cognotivismo nas várias formas em se apresenta, , é falso. Outras assumem que alguns juízos morais são verdadeiros( o que não implica que os outros sejam falsos)e que o niilismo é falso. Finalmente, há outras que entendem que os fatos ou propriedades de coisas ou processos que não podem ser reduzidos a elementos menores, conduzem à idéia do intuicionismo, que por isso é uma idéia falsa.

44. Cognotivismo
A teoria cognotivista sustenta que os juízos morais podem ser verdadeiros ou falsos, e podem, em princípio, tornar-se objeto do conhecimento ou da cognição. De uma certa forma, cognotivismo e naturalismo se entrelaçam. Este campo da Ética tem por objeto o estudo e avaliação dos juízos morais.

Não podemos deixar de lembrar que a idéia do conhecimento liga-se à idéia de verificação, constatação, seja esta via de um procedimento concreto, no mundo físico. Conhecer, no método científico, corresponde a dizer que sei a causa e o efeito do fenômeno. Se sei a causa, posso dizer que cada vez que ela ocorrer tenho o fenômeno. Se tenho o fenômeno é por que aquela causa ocorreu.

Conhecer, incluído como o processo do cognitivismo, implica em saber qual é a causa e qual é o efeito. Daí por que, para o naturalismo e para o cognotivismo, a intuição não pode ser tomada como conhecimento, por que é da essência do método intuitivo proceder fora da relação causa-efeito.
45. Intuicionismo
O intuicionismo afirma que o tipo de conhecimento que temos sobre o certo e o errado é imediato e evidente por si mesmo, ou seja, é intuitivo. O intuicionista acredita que há dentro do homem uma intuição latente que o leva a distinguir imediatamente se o que faz é certo ou errado, justo ou injusto. Coincide com a idéia de que há um código genético de natureza moral. As respostas do ceticismo à proposição formulada pelo intuicionismo levaram ao subjetivismo, ao emotivismo e ao imperativismo.

Uma revelação que tem passado quase despercebida pelo mundo intelectual, que resulta de informações por mim colhidas na fonte, deve ser anotada sobre a intuição.

A religião mais antiga do Tibet, encontrada pelos Budistas quando lá chegaram, foi a religião Bon Po.

- Afinal, o que é a intuição?

As primeiras informações que tenho sobre o Bonismo e a intuição foram colhidas junto a um Lama Bon Po, que visitei em um monastério situado em Oochgat, na Índia, nos idos de fevereiro de 1970 Tibetan Bon Po Foundation). Ajusto-as às informações que me chegaram, pela Internet, em maio deste ano, originadas dos sites sugeridos por Tenzin Wangyal Rinpoche, ajustando-a às

Segundo esse pensador bonista,
o ser humano deve tentar entender a si mesmo e também procurar compreender as verdadeiras condições a que estamos sujeitos. Podemos observar que todos os conceitos têm origem no contexto em que nós nos manifestamos como seres viventes. Aqui nascem as idéias e se desenvolvem as linhas e formas de pensar. Neste mesmo contexto elas se entrelaçam e se complementam para, depois, desaparecerem.

Ao descobrir que a transitoriedade é a própria condição do pensamento na condição física em que vivemos, teremos encontrado o estado primordial de nós mesmos. E, assim, é-nos sugerido que, para compreender nossa condição existencial, nós devemos ir além dos conceitos e dos pensamentos.

Nossa condição original é fora do pensar e, por essa razão, não pode abordar o que está além do pensamento. Podemos servir-nos de uma explicação verbal para introduzir a consciência do estado original, mas esta explanação não é a realização do estado. Dzogchen é o entendimento direto, sem pensamento e não deformado pelas formas discursivas de expressão.
Procuro entender o recado transmitido pelas palavras escritas. A idéia contida na palavra Dzogchen é a própria intuição. Leva-nos e dirige-nos diretamente, sem intermediações de qualquer natureza, ao conhecimento do universo independentemente da conscientização das linhas e formas de pensar. Não é limitada pela linguagem, nem discursiva nem matemática. A intuição está, portanto, fora das amarras da palavra!

Segundo Budha, a alma humana atinge o Nirvana quando fica livre das amarras da palavra. Vou mais longe por esta linha de pensar. Entendo a palavra a que o Iluminado Budha se refere como a palavra-idéia. Intuo que a alma, a individualidade humana, fica livre quando se liberta das idéias e das razões de pensar!

Continuo a leitura e vejo que o caminho sugerido pelo Bonismo é o mesmo que, desde tempos imemoriais, foi proposto na inesquecível gravação em Delfos: Conhece-te a ti mesmo.

Tenho de reconhecer que assiste razão tanto ao grego desconhecido que nos deixou esta mensagem há milênios, como aos bonistas tibetanos. Cada pessoa que pretende evoluir deve olhar para dentro de si mesmo e trabalhar mentalmente para descobrir a origem das linhas e formas de pensar.

Os Bonistas ensinam que, a partir do momento em que o indivíduo manifesta a vontade firme de ingressar dentro de si mesmo, pode recorrer a um mestre que já tenha vivido essa experiência. Torna-se então um neófito. Atento ao que vai descobrindo e deixando-se conduzir com humildade, a iniciação poderá introduzi-lo no processo de conscientização do estado original e, a partir desse momento, o aluno poderá vivenciá-lo conscientemente

Observo que a sugestão bonista é que, no caminho iniciático, os neófitos, sejam guiados pelos seus hierofantes. E, da mesma forma que na maiêutica socrática, ensinada e sistematizada por Platão em seus Diálogos, o mestre não introduz seus próprios conceitos nas formas de pensar do discípulo mas acompanha-o e avança com ele, confirmando e estabelecendo o que o discípulo revela.

Sinto uma força intuitiva que provoca uma dissonância entre as minhas observações e as informações e as obtidas pela Internet. De outro lado, os escritos de Tenzin Wangyal Rinpoche afirmam, segundo o site, que os pensamentos surgem do vazio, pois esta é a verdadeira condição do indivíduo.

Para mim os pensamentos surgem de um potencial existente na condição humana. Potencialidade é um substantivo que traduz a existência de um poder de desenvolvimento mas não de criação. Dentro das minhas formas de pensar, a criação é obra do Criador. Criador, para mim, é Deus. Nós temos dentro de nós o potencial de desenvolver a obra da criação, mas não de sermos criadores, no rigoroso sentido que empresto ao vocábulo. Esta divergência talvez seja apenas lingüística e deverá ser resolvida com o exercício dos meus potenciais mentais. Ë preciso continuar o trabalho intelectual para que possa avançar nos resultados.


46. Subjetivismo
Subjetivistas sustentam que os juízos morais expressam somente fatos subjetivos acerca das atitudes e não dependem do objeto ou do fenômeno em si mesmo. Assim, se alguém diz que algo é errado, apenas afirma que ele ou a sociedade desaprovam a ocorrência. Ou seja, o subjetivismo toma em maior conta o que para o indivíduo aprova ou desaprova, o que lhe parece conveniente ou inconveniente. O subjetivismo embora não seja não-cognitivo, não tem utilidade na Ética cognitiva.

Para David Hume, filósofo empirista inglês,


O desenvolvimento histórico do subjetivismo ilustra um processo típico das teorias filosóficas, por que a moralidade é mais uma matéria de sentimentos do que de razão.
James Rachels, discorrendo sobre o subjetivismo em Companion to Ethics, obra já antes, mencionada, conclui que a formulação final do subjetivismo ético nos leva muito próximos da teoria do observador ideal, que sustenta a idéia de que a coisa certa a fazer é conquistar o melhor juízo perfeitamente racional, imparcial e benevolente.

Analisando estas palavras, posso resumir que, pela Ética subjetivista, temos de escolher a melhor opção, animados pelo ânimo benevolente, que tem vontade do bem, e saber escolher, ou seja, aplicar os métodos próprios que levam ao conhecimento.



47. O emotivismo
Os emotivistas, liderados por J. Ayer e C. L. Stevenson, afirmam que os juízos morais não estabelecem nada acerca do que é verdadeiro ou falso, certo ou errado, mesmo subjetivamente, porque apenas expressam emoções; os termos morais, de acordo com este ponto de vista, têm apenas significado emocional, como exclamações ou desabafos sonoros. O emotivismo afirma que o agente não se preocupa em saber se o que faz é certo ou errado. Faz porque recebe ordens para fazê-lo. Se o que faz é certo ou errado não afeta a sua maneira de pensar, pois não tem nem a preocupação quanto à moralidade da causa nem quanto à moralidade do efeito.

48. O imperativismo
O imperativismo, sustentado por Rodela Carnap, afirma que os juízos morais são comandos dirigidos, ou seja, a expressão "você deve fazer isto" significa "faça isto", e por isso são proposições incapazes de enunciar o certo e o errado, ou distinguir o falso do verdadeiro.

Imperativismo e emotivismo são procedimentos que ocorrem no campo da Ética não-cognitiva, em que se inclui também o intuicionismo.



49. O ceticismo
Qualquer consideração filosófica da moralidade submete-se ao crivo do ceticismo, e estas diferentes teorias metaéticas são como respostas diversas para as mesmas proposições do ceticismo.

O indivíduo conhecido por cético, ou cínico, é aquele que duvida de tudo que os demais aceitam rotineiramente como válido e certo. Na realidade, o termo ceticismo vem do grego skeptesthai (skeptesthai) que significa "examinar" ou "considerar", é a denominação dada à atitude científica ou filosófica que rejeita o que em geral o senso comum adota como certeza. O ceticismo opõe-se ao dogmatismo, que é uma atitude de certeza decorrente do conhecimento assimilado por autoritarismo. O autoritarismo, por sua vez, é a forma pela qual assimilamos o conhecimento confiando na autoridade de quem no-lo transmite.

O conteúdo filosófico, básico e fundamental do ceticismo é que a possibilidade do conhecimento repousa ou nas limitações da mente ou resulta da inacessibilidade do objeto do conhecimento. A certeza e o ceticismo se opõem em razão das confusões da linguagem, dos diferentes significados para as mesmas palavras, dos critérios distintos e das ambigüidades no campo conceitual. Há um ceticismo de natureza teórica, que nega as teorias, juízos e idéias. Há um ceticismo de natureza prática, que refuta os conhecimentos mostrados ou trazidos pelas experiências oriundas do mundo sensível. Demócrito é, em geral, apontado como o primeiro cético. Em apoio de suas dúvidas ele trazia sempre o exemplo de seus sentidos, visando a comprovação da realidade objetiva quando esta enfrentava a idéia de uma "realidade" imaterial e não acessível aos sentidos. Platão desenvolveu o ceticismo de tal forma que seus seguidores adotaram como posição central de suas proposições filosóficas a dúvida sistemática. Pyrrho de Elis, Timon de Atenas (320-230 a.C. ) e, antes deles, Górgias, o Sofista, defenderam o ceticismo, explorando os desencontros entre os filósofos e os cientistas de seu tempo. Sexto Empírico (século II a.C.) afirmava que, para os pensadores de diferentes origens filosóficas, a certeza variava de acordo com os critérios (critherion <  ) adotados pelas diferentes escolas de que tinham origem. Esta conceituação leva à idéia de que há uma certeza ou uma verdade para cada diferente critério.

No período moderno, Montaigne expressou suas dúvidas acerca das normas transculturais da mesma forma que os sofistas haviam feito. Descartes adota a dúvida sistemática como ferramenta principal de seu método. David Hume estabelece o procedimento do cético através de seus Diálogos sobre a Religião Natural. A crítica que se faz ao ceticismo é que, em adotando como certeza o princípio da dúvida sistemática, ele atua e procede como se a dúvida, em si mesma, fosse um dogma indiscutível e, por esta razão, incide no mesmo erro dos dogmáticos. A certeza e o ceticismo se opõem em razão das confusões dos significados, dos critérios distintos e das ambigüidades no campo conceitual. Mas será somente por esta razão?

O ceticismo moral gera as proposições que sustentam que os princípios morais não podem ser provados; não existem verdades morais; a moralidade não tem base racional e certo ou errado é questão de gosto ou convenção. Subjetivismo, imperativismo e emotivismo são, assim, formas de ceticismo quanto aos resultados dos trabalhos da Ética Teórica.

50. Relativismo
A Ética Relativista afirma que não há uma única padronização ética; que não há apenas um código moral para todos os povos em todas as épocas; que cada grupo social tem suas idéias morais relativas a seus desejos e valores e que todas as idéias morais são necessariamente relacionadas a uma certa cultura, em determinada época e dentro de contexto específico. De acordo com este ponto de vista os canibais estão justificados por comer a carne humana em razão dos padrões de sua própria cultura, mesmo que em desacordo com os padrões da cultura ocidental, e não há base para se proclamar que os padrões da cultura ocidental são melhores ou superiores aos da cultura dos canibais.

O relativismo se constitui num problema tanto para a Ética Normativa como para a Metaética, pois se adotado há de aceitar-se que não existe certo ou errado fora de determinada cultura ou contexto. Assim, o sujeito que dirige o seu comportamento ético em razão de uma determinada cultura deve comportar-se de acordo com seus princípios originários ou, quando em viagem, de acordo com os dos povos que visita.

A Ética Relativista justifica tudo: o político pode ser corrupto, se estes são os costumes de seu tempo ou de seus iguais; o homem pode ser pederasta, se seu grupo social pratica a pederastia; as mulheres podem ser adúlteras ou lésbicas se o adultério ou a homossexualidade são regra tolerável no meio em que se encontram; os empresários podem ser sonegadores, porque a sonegação é tolerável; os empregados podem ser ineficientes, se a inoperância ou a ineficiência é tolerada; os filhos podem ser desrespeitosos, se o desrespeito é a regra. E assim por diante.

David Wong, ao dissertar sobre relativismo, sintetiza:


O relativismo metaético é a visão de que nas questões morais não existem verdades universais, pois a moralidade é relativa a cada sociedade ou cultura particular.
Evidentemente, a adoção da Ética Relativista, muito em uso em nossos dias, deve ser repensada, porque ela não leva em conta nem o código genético, nem a estrutura do Universo, nem os imperativos morais que atuam sobre o homem em sociedade. Anoto que os conceitos da Ética Relativista tem muito a ver com o que Confúcio entendia por decência. Na ética relativista, o que para uns é corrupção e como tal um vício, para outros é virtude que enriquece e traz prazeres. Para a vítima a ética relativista é sempre ruim. Para o beneficiário dos resultados, chega assumir caraterísticas de utilitarismo hedonista.

Como campo de conhecimento, todavia, a abordagem da ética relativista pode ser orientada por conceitos mais profundos. Vamos tentar:

Ficou claro para mim, no relato que fiz extraído da mitologia persa, que a o conteúdo da ética universal, deve estar intimamente ligado à idéia (logos) de conteúdo de verdade, ou seja, de que a palavra-idéia-logos deve ser a expressão do que conhecemos ou estamos convencidos que é a verdade. Procuro valer-me da intuição e da razão, para esta conclusão. A idéia da verdade, seja o que é ou o que vai sendo, na forma do que minha consciência (ou intuição) indicar como verdade, deve ser um requisito essencial, necessário e indispensável nas minhas palavras. É a maneira de me fazer caminhar seguro e respeitado em toda a peregrinação intelectual, e seguir por este processo de abordagem. E esta idéia é relativa, não ao local em que estou, nem às condições relativas definidas pelo contexto. A idéia de uma verdade dinâmica que corresponde a um universo dinâmico mostra que há um relativismo de tempo e espaço possível sem chegar às raias do relativismo desordenado, com pontos de referência impropriamente definidos.

Admito e intuo a hipótese de um relativismo ético sadio, em função de um método objetivo e das relações que quero estudar.



51. A Ética teleológica
Para Kant, o indivíduo agirá corretamente quando seu ato puder ser considerado regido por uma lei que sirva ao Universo, ou seja, que a ação decorrente da vontade do indivíduo sirva para todos. Portanto, o estudo da ética kantiana depende da conceituação de uma vontade individual definida em consonância com a vontade Universal; de que a ação seja tão justificada para esse indivíduo como para os demais (imperativos categóricos de Kant); e de que a ação de um indivíduo só tem valor moral quando a causa da ação é a vontade de fazer o que é direito. Ou seja, Kant admite uma causa teleológica, de natureza ética, que em si mesma atribui ao ato o conteúdo moral que lhe deu causa. Para o filósofo alemão, o conteúdo moral depende do motivo ou da intenção do indivíduo, da causa que gerou a ação, e não efetivamente do resultado.

A causa da ação certa deve ser a teleológica, ou seja, é a vontade de acertar eticamente, não o seu resultado. E percebe-se uma superposição da causa teológica - que é a vontade do resultado certo - com a causa deontológica - que visa a justificar o resultado em função da vontade de fazer, e não necessariamente de acertar no resultado. A forma kantiana de justificar os procedimentos humanos é: ajo desta forma porque esta é a forma certa de agir. Se os resultados são os desejados ou não, este é outro problema.


52. Hedonismo
Quantas trilhas perigosas existem para o vagar do pensamento e do intelecto! Assinalo a existência de um caminho perfumado, gostoso de andar. É o que nos mostra a teoria hedonista, de natureza teleológica, e que envolve a teoria dos valores em função do bom como um fim em si mesmo. Assim, o ato é bom porque gerou prazer. Hedonismo - do grego hedone (hdonh), que significa prazer - é o nome que se dá às duas maneiras de encarar o prazer como o bem maior da vida humana. Há o hedonismo do prazer, primeira e principal corrente que sustenta que o hedonismo é a forma pela qual as opções do indivíduo humano são ditadas por uma constante busca do prazer. O homem escolhe o que lhe dá mais prazer, e suas ações são ditadas por esta motivação. Ou seja, a ação do homem tem como causa a busca do prazer.

Há também o hedonismo do bom que afirma que o hedonismo é a teoria normativa do bom, ou seja, de que o que é bom é o único valor intrínseco das coisas. Por isso atrai o homem. Ou seja, o prazer atrai o homem porque é o único valor positivo que este reconhece como válido. As opções, em ambos os casos, devem ser feitas de tal forma a proporcionarem ao indivíduo o máximo prazer possível. Esta teoria ética foi defendida por Aristipo (entre os cirenaicos), Epicuro e também pelos utilitaristas modernos, tais como Bentham, J. Stuart Mill e Sidgwick.

Há divergências entre os hedonistas quanto aos maiores prazeres e quanto às diferenças entre eles. Há também no hedonismo que ser entendido o alcance do bom: se para muitos ou somente para alguns. Já o hedonismo filosófico apela para uma escolha racional diante da opção entre valores simples, sensíveis e presentes. Mas, para um procedimento racional, falta a contabilidade dos prazeres, ou seja, a quantificação e a medida do prazer: O que dá mais ou menos prazer? Ao longo de quanto tempo e para quantas pessoas? Quando se tem mais ou menos prazer? Como se tem mais ou menos prazer? Só através dessa quantificação, o hedonismo filosófico poderá produzir resultados significativos, que sirvam à razão, ao conhecimento e à sociedade.

Ao hedonismo opõe-se os filósofos moralistas que, por trocadilho, chamam-no eudaemonismo (eu = verdadeiro; daemon = demônio). Há uma visão ética do hedonismo que é séria, produtiva e que serve à atividade política e empresarial, aos profissionais liberais, aos empregados e aos produtores rurais: a destinação de espaços comunitários e de condições para a atividades turísticas, esportivas, artísticas e de lazer. O turismo, os esportes e as artes, tomados como uma legítima busca do prazer sadio, podem tornar-se um objetivo político e social positivo, honesto e justo, para a definição dos objetivos sociais permanentes de uma cidade, de uma região ou mesmo de um país: é eticamente positivo, é bom e é rentável.




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