Iniciação pessoal ao estudo da Ética



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32. Indagações éticas.
Faço uma interrupção. Esta forma de abordar a Ética dirige-se por uma intrincada trilha, que bordeja os abismos do academicismo conceitual, mas não está preso a ele.

- Como prosseguir, neste trecho da iniciação, sem buscar conceitos firmes, que me pareçam suficientes?

Seria muito arriscado andar por outras trilhas O percurso não me permitiria avançar muito. Preciso desenvolver idéias que contenham, pelo menos, a aparência das idéias que procuro esclarecer. Não vejo outro caminho. Tenho de prosseguir, ainda que me cansem os nervos e doam os pés. Imponho-me firmar alguns enunciados.

Aceito como verdadeira a idéia de que as relações éticas, de qualquer natureza ou movidas em qualquer sentido, positivo ou negativo, dependem do indivíduo e do seu grupo social.

As idéias, a vontade de ordenar, criar e propiciar o nascimento ou a morte, o desenvolvimento ou a involução da sociedade são transmitidas, recebidas e herdadas das tradições, usos, costumes e formas de conhecimento. Constituem o patrimônio moral (de hábitos, usos e costumes) que está interiorizado no indivíduo e no grupo social a que se refere.

Observo que as minhas relações éticas com o contexto e a conjuntura em que vivemos dependem de inúmeros fatores.

Não me esqueço que já aceitei como verdadeira, que a idéia da verdade é dinâmica, está sendo transformada a cada instante, da mesma forma que tudo o mais que existe no universo. Anotei esta referência por que acredito nessa afirmação.

Procuro abordar as linhas de pensar que me ajudem a esclarecer até onde vivemos e participamos, com nossa consciência e nossa vontade, das relações éticas em nosso grupo social, em nosso país, em nosso Planeta ou no Universo.

Quero saber como ocorrem e podem ser reprimidas as vontades que induzem a agressão que o homem faz ao ambiente e à Natureza. Quero aprender com as tradições, usos, costumes e conhecimentos disponíveis como conduzir, eliminar, agredir, recuperar, alegrar, divertir, enganar ou educar os indivíduos, a espécie ou o gênero humano. Este é um dos objetivos da Ética Utilitarista, que serve também à Ética Prática, à Ética Naturalista e à Ética Social.

Constato que a cada um de nós é permitido inibir ou promover o progresso individual ou coletivo da sociedade humana, da mesma forma que podemos agredir, construir, melhorar ou piorar relacionamentos, processos e ações.

A questão como e por que agir num ou noutro sentido mostra que, em sendo os nossos gestos, ações e procedimentos fenômenos éticos, a contribuição da Ética pode ser reconhecida nas ações humanas, pelo sentido que lhes é dado, em relação à vontade pessoal e à do contexto.

A idéia de vontade corresponde à idéia de força. É o que a Física denomina vetor. A idéia de vetor é definida pela direção, sentido, intensidade e ponto de aplicação.

No estudo dos fenômenos éticos posso conceituar a vontade como sendo o vetor moral, que é definido pela direção fixada na linha de pensar, pelo ponto de aplicação, o sujeito da vontade; pela intensidade, maior ou menor em comparação com as demais vontades presentes no contexto ou no indivíduo; e pelo sentido, positivo ou negativo, em relação ao que nos é indicado pela tradição, usos, costumes e conhecimentos.

O pressuposto que a idéia de vontade corresponde a uma força coincide com a idéia de que o Universo físico, assim a Verdade, ensinada pela filosofia, pela ciência ou pela Ética, é dinâmica. As idéias de Verdade, Bem, Luz e Universo são dinâmicas.

Essas questões excitam minha vontade de conhecer e prosseguir nesta iniciação. Desenvolver esse tipo de proposições, diante de perguntas e respostas, levando em conta tradições, usos , costumes e conhecimentos, corresponde um ;processo de subida, a uma ascese mental, para chegar a lugares cuja visão amplia e alarga os horizontes.

Tomo consciência de que sou um dos indivíduos que participam do processo social, ativa ou passivamente, tendo benefícios ou sofrendo as conseqüências dos progressos ou recuos.

A vontade social deve ser definida pela somatória e integração das vontades individuais. Ou seja, por menor que seja, minha vontade integra e pesa nesta soma.



Devo aprender a querer e escolher, isto é, distinguir e decidir o que é mais ou menos possível, próprio ou conveniente.

A utilização dos conhecimentos éticos visa levar-nos a saber escolher a melhor opção, o melhor juízo.



Saber escolher, optar e julgar expressa um conjunto de virtudes éticas. Daí porque a Ética é um campo útil na atividade humana, tanto para a vida intelectual como prática.

O aceno deste prazer físico e intelectual com que a Ética me atrai, faz com que eu dê atenção à trilha que estamos percorrendo para que possa avançar sempre. Metodicamente, só devo dar um passo depois do outro.



- Piano, piano se va lontano – dizia meu avô.

33. Delimitando os objetos de estudo.
Há um método elementar a que todos podemos recorrer. A seqüência de perguntas - o que? por que? como? quando? - pede respostas simples e diretas.

Responder à primeira questão corresponde a definir o objeto da vontade, o que desejo.

Responder à segunda exige uma explicação causal, em que se define a causa primeira (deontológica) ou a final (teleológica). É tarefa para a Ética Teórica e Filosófica.

Descrever como proceder corresponde à ordenação e materialização dos recursos necessários para processar a vontade, visando sua realização é campo em que os estudos da Ética se socorrem do Naturalismo, do Positivismo e dos conceitos fornecidos pela Ética Prática.

A resposta à oportunidade da ação ou do fenômeno, tem muito a ver com a Ética Utilitarista e também com a Ética Científica, pois implica em marcações a serem feitas no eixo dos tempos.

Como Ciência, a Ética tem por objeto o estudo das relações indivíduo-indivíduo, indivíduo-sociedade e indivíduo-universo, bem como das leis que as regem. Enquanto Ciência, ela responde à pergunta: - como ocorrem os fenômenos éticos?

Torna-se fácil distinguir a Ciência Ética quando esta assume natureza filosófica. A Ética como Filosofia, ou seja, como busca da verdade, sai em busca das causas determinantes das relações éticas, e procura responder por que ocorrem os fenômenos éticos.

Quer como Ciência ou como atividade filosófica, a Ética visa o estudo das leis que regem os costumes, do conteúdo e da forma pela qual ocorrem os fenômenos éticos, e das leis e normas usuais que regem, devem reger ou explicam as relações do homem. Tais fenômenos de relacionamento ocorrem no contexto, com seus semelhantes e com o universo como um todo.

O estudo da moral e dos costumes é um dos objetos mas não o único objeto da Ética, nem como ciência nem como procedimento especulativo..

A mim me parece oportuno o enquadramento da Ética tanto no campo de atividades das Ciências Humanas como da Filosofia.

Como as ciências têm natureza experimental, sempre vinculada ao mundo da realidade sensível ou pelo menos perceptível, a Ética Científica se presta ao estudo das relações reais do homem com seu contexto. Adota como objeto o estudo das leis que regem as relações indivíduo-indivíduo, indivíduo-sociedade e indivíduo-universo.

É por esta trilha que os estudiosos procuram responder à pergunta: como ocorrem essas relações? As respostas podem ser enunciadas e definidas a partir, inclusive, da análise dos fenômenos e até mesmo da comprovação dos resultados em campos experimentais.

No campo da atividade filosófica, especulativa por excelência, impõe-se saber se o procedimento é de natureza ética-filosófica quando a indagação é dirigida às causas que regem e dão origem a essas relações. Daí por que torna-se indispensável firmar a idéia que corresponde aos conceitos de ação humana, investigando-lhe causas e efeitos. Em seguida, prosseguir pelo investigação conceitual do que são ações abstratas e físicas, ações criativas e repetitivas, ações morais, racionais e intuitivas, e as causas determinantes desses processos ou procedimentos.

Para prosseguir nesta iniciação devemos eleger o método de trabalho que dê suporte à pretensão e permita ascender nos estudos.

Sem outros compromissos senão a satisfação desta vontade de conhecer que nos dá força e motivação, observo que existem três opções fundamentais para estabelecer a metodologia de trabalho: um procedimento exclusivamente racional, operando com idéias, formas e linhas de pensar ajustadas segundo a indispensável relação causa-efeito que poderá ser apurada e comprovada a cada passo; um procedimento empírico, com base nos sentidos e nas práticas que nos são trazidas pelos costumes, pelos usos, tradições e conhecimentos de qualquer natureza; e finalmente, um procedimento intuitivo, baseado na acuidade pessoal de cada um e nas suas aptidões, visando explicar os fenômenos éticos, sem necessidade de recorrer aos pressupostos racionais ( idéia contida na relação causa-efeito) ou empíricas (idéias assimiladas por usos, costumes, tradições e conhecimentos).

O método racional servirá à postura racionalista adotada na abordagem dos fenômenos científicos, filosóficos ou éticos. Tem preocupação teórica e prática, na medida em que o homem só saber pensar fundado nas suas formas de percepção, embora só esteja habilitado a raciocinar em termos de abstrações. Sem recorrer à percepção a mente humana perde seu contato com a realidade existencial. Na metodologia sugerida pelo racionalismo sugere-se a redução da conduta apenas ao campo da Ética e esta a uma pura elaboração racional e abstrata.

O método do positivismo moral , por sua vez propõe-se reduzir a idéia da conduta ao fato ao qual ela se relaciona, e este fato é tomado como sendo a expressão exclusiva do que é designado por natureza, aqui incluído o conjunto de tradições, usos e costumes.

Por sua vez, o método intuicionista adota a ação resultante de forças interiores da mente humana, não explicadas e nem sujeitas às restrições do pensamento racional e nem às amarras das experiências sensíveis.

Proponho recorrer, em cada momento deste percurso, ao método que melhor satisfizer meu apetite intelectual. Agiremos sem restrições metodológicas, visando tão somente encontrar a verdade de conteúdo ético, seja ela a verdade estática originada de um ser único e imutável, como sugerem Parmênides e Platão, ou a verdade dinâmica que nos é proposta pela tradição mazdeísta e por Heráclito de Éfeso.

Vamos agora, pois, situar nossa individualidade nesse contexto.


34. Indivíduo, dualismo e contexto.
Tenho consciência de que estou individualizado, como ser humano. Tenho sexo definido, nacionalidade, nome, carteira de identidade, estado civil e profissão. Para a sociedade em que vivo sou um indivíduo, tenho impressões digitais. Para o Estado sou um cidadão.

A individualidade do homem diz respeito ao que é e de como está qualificado diante de outros do mesmo gênero, espécie, nacionalidade, que têm sexo, nome, estado civil, profissão e que estão identificados por um número através de um registro de identidades. Esse é o costume, essa é a tradição.

Para definir a minha individualidade não me perguntam se creio em Deus, se respeito meus pais, se penso de uma ou outra maneira, se tenho ou não religião e nem a que time empresto meu entusiasmo. Ensinam os usos e costumes que o indivíduo também é reconhecido por atributos, qualidades ou defeitos que revela em seu comportamento na sociedade.

A ciência genética avançou muito e, atualmente, identifica relações sanguíneas de um indivíduo com seus ascendentes ou descendentes por exames das moléculas de ácido desoxiribonucleico (DNA). Pai, mãe, filhos e descendentes têm combinações iguais ou semelhantes no DNA de suas células. Embora a ciência proceda com grande margem de segurança, nem só por que estou socialmente identificado minha individualidade é assegurada. Há outro elemento fático, que a experiência me revela em cores fortes: sinto-me individualizado quando tenho vontade, quando disponho da minha vontade, quando posso dizer, individualmente eu quero, eu sou.

O escravo pode afirmar sua individualidade porque, se não lhe for permitido dizer eu quero, poderá pensar eu quero. É esta afirmação interior de que tenho vontade, de que sou um, que me dá a idéia da individualidade. Querer é uma idéia de natureza ética, seja a vontade pessoal ou coletiva. E conscientizo que, como indivíduo eticamente vivo e reconhecido, tenho forma, poder de vontade, obrigações e direitos. Creio que para estar consciente da minha individualidade e por exercê-la convém conhecer os meus limites físicos, intelectuais e morais. É que farei, avançando por estes estudos.

Uma linha de pensar liga-me às idéias que compõem um trinômio: indivíduo, dualismo e contexto.

Os costumes sugerem que eu interprete o mundo por uma forma de pensar dualística., enunciando uma seqüência de fatos ou idéias que são sempre apreendidos e conhecidos através de contrastes entre os opostos. O dualismo, em nossas formas de pensar, nos arremessa aos abismos que existem entre as idéias opostas, contrárias, extremas e contraditórias.

Claro e escuro, alto e baixo, triste e alegre, são expressões atenuadas do dualismo. Mas quando me refiro a luz e trevas, sim e não, tudo e nada, céu e inferno, vivo e morto, bem e mal, verdade e mentira, infinitamente pequeno e infinitamente grande, ligo idéias radicalmente opostas e que se negam a si mesmas.

A experiência mostra que os opostos jamais se manifestam, de forma absoluta, nem na Natureza nem em nossos sentidos pois, como projeção de nossas idéias absolutas, ou há o bem ou há o mal, e seria inconcebível que o bem fosse vizinho do mal. Assim não há linha divisória, nem mesmo imaginária, que possa existir entre os opostos absolutos.

Chego pois à conclusão que o pensamento dualístico, na medida em que contém a idéia de coexistência de idéias opostas, absolutas em si mesmas, contraria o que nos ensina a experiência e é apenas uma hipótese fictícia a que recorrem as formas de pensar.

Ou seja, o dualismo como forma de pensar é apenas um artifício de linguagem discursiva. Tem utilidade na comunicação de idéias, mas não é uma verdade absoluta em si mesma.

Sinto através de nossos órgãos sensoriais, auxiliados pelas formas de percepção, o claro em relação ao escuro. Mas quando observo que os contrastes entre o claro e o escuro incluem o ambiente, exijo um terceiro elemento. O ambiente é o contexto ou campo da observação em que acontece o fenômeno. Nas ciências aplicadas corresponde à idéia das condições externas em que ocorre o fenômeno. Diferencio o cheio do vazio. Mas há sempre uma referência a outros termos: cheio do quê, vazio do quê?


Percepção traduz a ação de perceber. Etimologicamente vem do latim percipere, que significa apropriar-se, apoderar-se. Na linguagem corrente expressa o processo, ou a forma pela qual o que é captado pelos sentidos nos chega ao consciente, sendo apropriado pela mente como conhecimento. Portanto, perceber é o processo pelo qual a sensação (de natureza física-biológica) é transmitida ao cérebro e passa a constituir-se ou revelar-se como idéia, linha ou forma de pensar. Formas de percepção são os padrões pelos quais as sensações chegam ao nível da nossa consciência, como conhecimento empírico. Ou seja, as formas de percepção são regras que adotamos para conscientizar o que sentimos. Em linguagem corrente, as formas de percepção correspondem às regras que seguimos para identificação das sensações. A nossa memória reúne conhecimentos empíricos, que nos vem através das formas de percepção, e conhecimentos teóricos, que nos vêm exclusivamente através das formas de pensar. Formas de pensar toma por base idéias e linhas de pensar. Formas de percepção têm base nos sentidos nas formas pelas quais as sensações são traduzidas em idéias.
A vida contrasta com a morte, embora o contexto em que se dá a manifestação de vida e onde ocorre a morte, seja também um terceiro elemento, pois é o cenário da observação. E o cenário é sempre um contraste adicional entre os personagens.

Da mesma forma o plano e o curvo são diferenciados dentro de um ambiente em que há luz e observadores. O seco em relação ao molhado não separa nem divide o mundo em dois, mas é verificado dentro de um mundo de realidade sensível. A existência de pelo menos um terceiro ambiente, ser ou elemento, cenário ou pano de fundo, pode ser verificada sempre no dualismo que separa os opostos, sejam sensações, expressões ou linhas de pensar. Ocorre entre o quente e o frio. O completo em oposição ao incompleto. O colorido em oposição ao incolor. O transparente em relação ao opaco. O alto em relação ao baixo. O pesado em relação ao leve.

Percebo que também no campo do imaterial, através de formas abstratas de conhecimento, ocorre esse dualismo imaterial: é o certo em relação ao errado; o justo em oposição ao injusto; o bem opondo-se ao mal; o bom em relação ao ruim. Também com as idéias adjetivas dá-se o mesmo: o faminto em relação ao saciado; o satisfeito em oposição ao insatisfeito; o sincero em oposição ao insincero; o alegre em relação ao triste; o humano e o desumano; o próximo e o distante; o decente e o indecente; o agradável e o desagradável; o sábio e o néscio; o culto e o ignorante; o amoroso e o odiento; o egoísta e o altruísta; o pobre em relação ao rico; o doente em oposição ao saudável; o analfabeto em relação ao alfabetizado; o honesto opondo-se ao desonesto; o correto enfrentando o incorreto; o desajustado enfrentando o ajustado. E assim por diante.

Sou induzido a aceitar que nesse dualismo há sempre a existência de um terceiro elemento, aquele que contém os opostos e que, quando levado aos limites do infinito, chega ao que chamamos Universo, ou seja, o Contexto Total. Ou seja, o processo dualístico só vale quando excluo a observação do contexto. Usando de um procedimento crítico, pergunto-me:


- Como poderei acertar num juízo formulado com base nas proposições dualísticas, quando verifico que, para essa formulação, ignoro o contexto de que estão excluídas as dualidades?

Procurar responder a esta indagação é essencial para o estudo da Ética. Isto porque, quando tomo por objeto do estudo um certo fenômeno ético, posso alhear-me dos demais fenômenos éticos em si, mas não das idéias que estão neles contidas.

Ou seja, o contexto em que ocorre o fenômeno ético está sempre sujeito às regras que atuam sobre todas as demais relações entre o observador e o objeto de seu estudo.

- Estou estudando física para o vestibular. Tenho à frente os livros e anotações. O processo de aprendizagem é em si um fenômeno ético. O estudo da física é um fenômeno ético, em si mesmo. Embrenho-me pelos conhecimentos específicos. O meu campo de observações está limitado à Física. Todavia, sou chamado ao telefone, e dão-me notícia de que minha mãe sofreu um acidente. Por mais que eu tenha ideado manter-me em um campo de observação isolado, a notícia, por razões éticas, perverte a minha vontade. Deixo de lado o que me propunha fazer e saio para encontrar minha mãe.

Atuam sobre a minha vida inúmeros fatores, que não respondem apenas ao pensamento dualístico, mas essencialmente ao contexto. As interligações entre os fenômenos, quaisquer que sejam suas naturezas, não nos permite dividir nem o mundo nem as formas de pensar em dois.

A expressão dualística que se refere ao Universo como sendo a soma eu e o resto, é mais lógica e compreensível do que falar em uno e múltiplo. Uno e múltiplo implicam na existência de um vazio conceitual numérico entre o que é uno e o que é múltiplo. Ou seja, implica na aceitação de um terceiro elemento, ou seja, o contexto vazio que passa a existir necessariamente entre um conceito e outro..


Ora, a experiência ensina que aquilo que para duas pessoas parece certo ou errado, conveniente ou inconveniente, pode não ser certo ou errado para as relações que operam ou dominam o contexto. O que para uma pessoa ou um grupo social parece bom, pode ser ruim frente ao meio em que ambos se encontram. O que para dois povos pode ser ruim ou bom, pode parecer o inverso para os demais. O que é bom ou útil para uma minoria, pode ser péssimo ou inútil para outra minoria, ou quem sabe, para a maioria. Ou o reverso.

Sou levado a concluir que o dualismo é forma de pensar apreendida e utilizada segundo usos, costumes e tradições que adotamos sem questionamentos de eficácia ou validade. Pensamos dualisticamente porque assim nos foi ensinado.

Mas o contexto nos leva a uma forma diferente de relacionar as idéias. Por isso que devemos procurar entender o que nos é trazido por usos, costumes e tradições, visando explicar a inserção de nossa individualidade no universo e, mais diretamente, no mundo à nossa volta.
Indivíduo e contexto
O budismo é crença religiosa que marca a individualidade e alguns de seus contrastes. Creio ser necessário recolher alguns de seus ensinamentos para que traga novas linhas de pensar a estas minhas observações.
Pude logo observar que o Tripitaca constitui o livro principal que contém as Escrituras Sagradas dos budistas. É também conhecido como as Três Cestas de Sabedoria. No Suta-Pitaca, que é a segunda Cesta, estão reunidos os Sermões e Discursos de Buda, mais conhecidos como os Játacas. Os Játacas, como Histórias dos Nascimentos de Buda, na realidade se traduzem como Contos dos Nascimentos, cada qual baseado em alguma vivência de Buda, visando ensinar uma lição moral e a aperfeiçoar o espírito.
Em um dos Játacas, na versão portuguesa da Sabedoria das Grandes Religiões, traduzida do original inglês de Joseph Gaer, pode-se ler: "Nem o veneno mortal nem a espada afiada são tão fatais como a palavra maldosa."
Na mesma obra, selecionada entre as primeiras máximas do Dhammapada (A Senda da Virtude ou O Caminho da Doutrina), que é o livro budista dos provérbios, encontrei: "Tudo que somos resulta do que temos pensado; encontra-se em nossos pensamentos e é edificado em nossos pensamentos... Se alguém fala ou age com um mau pensamento, a dor o segue como a roda do carro segue a pata do boi que o puxa; se alguém fala ou age com um pensamento puro, a felicidade o segue, como a sombra que nunca o abandona... Como uma linda flor muito colorida mas sem aroma, são as belas palavras daquele que não procede de acordo com elas... Não se é sábio por muito falar."
O budismo, de fato, realça as amarras contidas nas palavras e no pensamento. O pensamento védico já estava bastante mudado em relação às suas origens, quando surgiu no cenário histórico a figura de Gautama Buda, o Iluminado.

Extremamente observador, o Iluminado vislumbra o conhecimento como principal resultante do pensamento racional.


Surgindo em seqüência ao jainismo, em que Mahavira propunha uma vida de extremado ascetismo, Gautama, antes de tornar-se Buda, o Iluminado, tinha estudado o pensamento de muitos de seus antecessores e afirmava que, mesmo no labor intelectual, o extremo ascetismo tornava as pessoas fisicamente fracas, e os que não soubessem manter-se saudáveis fisicamente também não poderiam conseguir a saúde mental.
Buda repelia os extremismos e recomendava o termo médio. Com o que hoje podemos chamar a mente muito aberta, Buda queria saber a razão de cada fenômeno que encontrava. Após ter as quatro visões, a saber, de um homem doente, de um homem velho, de uma pessoa morta e de um monge, ele perguntou-se sobre a causa da doença, da velhice, da morte e da renúncia.

Convenceu-se que cada um, sem exceção, deve sofrer em razão de doenças, velhice e morte. Mas também intuiu que deve haver um meio de afastar-se desses sofrimentos, pois, caso contrário, por que existiriam os monges? Há quatro formas verbais que insinuam os fundamentos do pensamento budista, que são chamadas as Quatro Nobres Verdades.

A Primeira Nobre Verdade consiste em saber que a existência neste Universo é cheia de sofrimento e miséria. Qualquer pessoa que tenha os sentidos de observação acurados chegará inevitavelmente a esta conclusão. Este primeiro enunciado é de manifesta origem nos sentidos e, portanto, de cunho empírico. Se a morte é penosa, e quando nascemos sabemos que vamos morrer, certamente viver se torna penoso.

A Segunda Nobre Verdade decorre da atuação das leis naturais sobre as pessoas. Consiste em que cada um é responsável por seus atos e deve arcar com as conseqüências de suas ações. Não existem exceções a esta regra. Esta verdade é causa geradora da idéia do Carma.


Este enunciado se afina com o texto de vários Upanishads, e se refere ao fato de que o nascimento de alguém acontece para que esta pessoa suporte as conseqüências de seus atos na vida anterior. Opondo-se aos Upanhishads, Buda entende que, se de um lado é verdade que a alma renasce para resgatar suas ações anteriores, de outro, a partir do momento em que resgatou seus desvios, cessa a causa de sua existência, e portanto, deixa de existir. O renascimento pode dar-se milhares de vezes, até que deixem de existir ações más, praticadas em vidas anteriores, que necessitem ou devam ser reparadas.
Para o pensamento do Gautama, se a impermanência (ou temporariedade da existência) é característica de todas as coisas, não há por que admitir-se-lhe exceções, nem mesmo para a alma. Buda afirma que tudo no Universo está sujeito a mudanças e nada é imutável. Esta concepção coincide com a que foi sustentada por Heráclito de Éfeso, um dos pré-socráticos, para quem a Filosofia é a própria Teoria do Devenir, da constante mutabilidade das coisas sensíveis.
De acordo com esta concepção de alma não-eterna, Buda enunciou a idéia da Dependência Original, chegando à conclusão de que o homem atinge o Nirvana quando se liberta da dependência da palavra e do pensamento. Com uma certa analogia, de alguma forma os ocidentais e os povos do mediterrâneo e do Oriente Médio absorveram essa mesma formulação, tendo-a tornado objeto de várias ciências e incontáveis estudos. Sentia que a trilha estava me levando ao objetivo, mas faltava muito... Não podia desistir.
A Terceira Nobre Verdade consiste em saber que tudo tem um fim, e que a regra é universal, não admitindo exceções. Dessa maneira, embora muitas vezes volte ao mundo para reparar suas deficiências anteriores, a alma, quando se redime de suas faltas, se liberta dos grilhões da palavra e do entendimento, e se reintegra, definitivamente, no Nirvana.

A Quarta Nobre Verdade é que, ao lado dos sofrimentos e da morte certa, há sempre possibilidade de uma redenção da alma pela reparação consciente das faltas, numa antecipação dos serviços a serem feitos nas suas futuras reencarnações.

As quatro palavras fundamentais do Budismo parecem-me transmitir as idéias de sofrimento compulsório de todos os viventes; responsabilidade individual que cada um tem em sua passagem pela vida; a idéia da mortalidade que é inerente a todos os seres e entes que fazem parte do Universo, e finalmente, a possibilidade de redenção pessoal através do esforço e do trabalho mental em busca do Nirvana. Ou seja, para Budha a individualidade tem um começo e um fim. É o que nos ensinam também as tradições, os costumes e os conhecimentos gerais que absorvemos.

Procuro o que me parece ser verdade no trinômio individualidade- dualismo-contexto. Na religião apresenta-se a Verdade como objeto da fé, contida nas afirmações de seus guias, profetas, iluminados ou sacerdotes. Na Filosofia, por princípio, todos procuram a Verdade e ninguém se julga conhecedor dela. A afirmação do que a Verdade, para os eternos estudantes de Filosofia, é um laborar constante das correntes de pensamento, esquadrinhando métodos, sistemas, fatos e objetos, num fantástico esforço do espírito para construir a estrutura das formas de pensar, adequando-as ao mundo das experiências sensíveis e fazendo por integrar todo o campo do conhecimento humano dentro do próprio filosofar.

No Oriente aceita-se como pressuposto que já se tem a Verdade através da tradição mística religiosa. Ainda que o racionalismo se encontre imperante no budismo e nos leve a admiti-lo como procedimento de natureza filosófica, na medida em que alguns princípios empíricos do budismo são aceitos como incontestáveis, o budismo se converte em religião, e aí, porque que não tem mais a preocupação de buscar a Verdade, porque acredita que já a tenha, afasta-se da Filosofia. As Quatro Nobres Verdades do Budismo são dogmáticas por natureza, na medida em que, embora verificáveis no mundo empírico das sensações e percepções, não são objeto de uma discussão e análise críticas. É por aí que o procedimento budista deixa de ser o da abordagem do conhecimento visando racionalizá-lo, e passa a ser de natureza religiosa, estribado na fé, na ética e no empirismo, tendo por objetivo final chegar ao Nirvana, afastando-se das amarras das palavras e da linguagem.

A Ética é um dos campos mais atuantes da atividade filosófica. Como especulação em busca da verdade, tem por objeto também o estudo das religiões. Mas, ao estudar as diversas manifestações de religiosidade, não se pode propriamente dizer que o budismo, ou qualquer outra religião, esteja em busca da Verdade. Esteados na fé, os procedimentos religiosos só admitem a razão enquanto esta não questiona os fundamentos da própria fé.



Ao cuidar de investigar o pensamento dos vedas na relação indivíduo-contexto, encontrei um precioso trabalho acadêmico, que me abriu perspectivas de uma nova trilha neste emaranhado de possibilidades. O Professor Ram Chandra Pandeya, do Departamento de Estudos Budistas da Universidade de Delhi, Índia, em seu Panorama da Filosofia Hindu (Ed. Motilai Banarsidass, 1966) nos apresenta as três dominantes tendências religiosas da Índia e suas origens:
"A cultura hindu é a mais antiga cultura viva no mundo. De acordo com historiadores, ela tem seu ponto de partida cerca de 2.000 anos antes de Cristo. Existia uma raça ariana que estava vivendo em algum lugar da Ásia Central. Começou migrando em busca de melhores condições de vida. Uma de suas ramificações encontrou a parte da Antiga Índia, que agora é chamada Afeganistão e Paquistão Ocidental. Os arianos lá se estabeleceram e consolidaram sua posição. No processo de consolidação, eles tiveram de lutar com os habitantes originais dessa terra. Ao final eles conquistaram esses povos e os tornaram parte da organização social ariana. Porém alguns estudiosos hindus acreditam que os arianos não vieram de fora. Que, originalmente, eles pertenciam à Índia. Mas nós não temos nenhuma notícia verdadeiramente confiável para, conclusivamente, provar quer que os arianos tenham vindo de fora, ou que eles habitassem originalmente a Índia. Os arianos eram um povo bem dotado. Eles tinham uma estrutura social bem fundamentada. Eles acreditavam na divisão do trabalho. Havia pessoas que eram responsáveis pelo progresso moral, religioso e intelectual da sociedade. Estes eram chamados "seers" ou "Rsis". Eles costumavam viver uma vida de meditação e sua obrigação principal era educar o povo. Eles eram os mestres em várias artes e artifícios. Também conheciam a Ciência da guerra e alguns deles eram, originalmente, pensadores. Havia outra classe de pessoas que era responsável pela segurança e prosperidade dessa sociedade. Este grupo lutava na defesa de seus domínios e por novas conquistas. Eles eram os guerreiros. Um terceiro grupo era responsável pelos negócios, pelo comércio e pela indústria, e o quarto consistia daqueles que eram responsáveis pelo conforto da sociedade como um todo. Estes quatro grupos formavam um todo unificado. A unidade da sociedade era principalmente devida à poderosa liderança de um sacerdote, pertencente ao primeiro grupo. Ele ditava um código de conduta e cada um da sociedade era obrigado a segui-lo.
Prendeu-me a atenção a classe de sacerdotes ou "Rsis", porque foram eles que formularam as bases de uma Filosofia, agora conhecida como a Filosofia Védica.
Os "Rsis" viviam às margens dos rios e nas florestas. Eles eram intelectualmente desenvolvidos com formas de pensar vincadas ao sentido espiritual que atribuíam a todas as coisas. Observavam a Natureza amiudadamente. Tomaram consciência de que o Sol nascia diariamente, e afirmavam que todos os dias ele nasceria, e que o colorido pôr-do-sol tomava conta de todo o mundo. Consideravam a água, o fogo, o ar, o sol, o trovão, a chuva e outros elementos como essenciais para a vida. Sem eles os homens não poderiam viver confortavelmente na Terra. Eles personificaram estes elementos naturais e rezavam para que propiciassem o conforto para os homens...
É, portanto, fácil de concluir que nas palavras cantadas ou recomendadas pelos sacerdotes há uma força muito grande que pode obter, em favor dos que as entoam, resultados muito favoráveis. Percebi que no Oriente também não há contestações sobre o poder criador da palavra.

Os intelectuais vedas haviam intuído que as palavras têm força e poder criador. As preces e prédicas podem ser encontradas no livro chamado Rgveda, o mais antigo documento religioso que nos é atualmente acessível. Nele se encontram cânticos e poemas cantados pelos sacerdotes, dirigidos a vários deuses. A leitura dos textos do ilustre Prof. Pandeya leva-me a estabelecer imediata correspondência entre os costumes do povo celta, da Bretanha e do Sul da Inglaterra, com os vedas citados.

Sacerdotes e druidas, margens dos rios e florestas, isolamento, liderança... outras não eram as cores com que sempre foram pintados os costumes, a estrutura social e os povos habitantes e freqüentadores de Stonehenge e Carnac.


O que é chamado de Filosofia Védica não é, na realidade, nem um sistema nem um método filosófico, mas sim o resultado da meditação e da inspiração dos sacerdotes védicos, objetivando granjear favores de seus deuses. É importante observar que, à medida em que os sacerdotes avançaram nas formas de pensar, logo perceberam de que, mesmo para os deuses, haviam leis e princípios de ordem.

Por exemplo, o Sol nasce todos os dias, impreterivelmente, pelo Oriente - e isto vale também para os deuses. As chuvas chegam em tempos aproximadamente constantes e, este fenômeno ocorre dentro dessas regras também para os deuses. As águas têm sua lei, pela qual fluem do alto para baixo. Ou seja, apesar destes deuses serem muito respeitados, também eles cumprem as leis de sua própria existência. O princípio de que há leis para os deuses deve encontrar, entre os homens, ressonância e também ser reconhecido na sua realidade.


O primeiro princípio aceito pelos Vedas é de que há leis universais, que valem para todos o seres, inclusive humanos e divinos.

Na medida em que o ser humano obedece às leis a que por natureza está sujeito, poderá encontrar conforto, alegria e prosperidade sobre a Terra, e ganhar as benesses divinas pelo seu sucesso. Por aí descortino que o primeiro fundamento da Filosofia Védica consiste em admitir e acreditar na existência de um princípio natural de ordem, regido por leis que devem ser cumpridas por todos, inclusive deuses e homens.

O segundo princípio em que se apoia o pensamento védico corresponde ao da unidade da Natureza.

Questionaram-se filosoficamente os sacerdotes se existiria um Supremo Deus que governa através das leis, que a todos obrigam.



- Seriam os deuses movidos e dirigidos por uma força que lhes era superior?

Respondendo afirmativamente, chegaram esses pensadores místicos à conclusão de que os deuses haviam sido criados, embora ninguém pudesse dizer quando. Porém passaram a admitir e acreditar que todo o Universo tinha sua origem em um Ser Supremo que reunia as qualidades de eternidade, onipresença e onisciência.

Da idéia de lei fundamental, concebida como Rta, foi posteriormente desenvolvida a idéia da lei da ação, ou Carma. A idéia de que tudo tem origem no Ser Supremo é hoje o fundamento do pensamento religioso hindu, na maioria das correntes filosóficas que o constituem.

O terceiro princípio da religião ou Filosofia Védica assenta-se em que os deuses gostam de ser adorados e ter suas virtudes realçadas. Por esse motivo os sacerdotes védicos se preocupavam, já há milênios, com a composição de cânticos que lhes fossem agradáveis, e visavam a estabelecer ritos, rituais e procedimentos para que os resultados fossem os mais favoráveis.

Para conseguir resposta positiva dos deuses às suas aspirações os homens devem cultuá-los e oferecer-lhes sacrifícios. Por essa razão, o Samaveda contém os métodos e rituais apropriados para que os cânticos recomendados pelos sacerdotes propiciem o resultado pretendido.

Finalmente, o Quarto Veda, também chamado Atharva Veda, diz respeito às matérias mundanas e às formulações mágicas. Sinto que o conteúdo do Quarto Veda irá, mais tarde, trazer-me algo muito positivo. Mas por ora não me vejo preparado para entendê-lo convenientemente.


Percebo que para quem pretende ir mais longe nas informações sobre os vedas e suas formas de pensar, é recomendável a leitura dos Upanishads, que são textos poéticos, de leitura extremamente agradável e representam a essência desses ensinamentos. Segundo os estudiosos, pode-se afirmar, sem temor de equívocos, que não há forma reconhecida como importante no pensamento hindu, incluindo-se o budismo e o bramanismo, que não tenha suas raízes, mais ou menos profundas, nos Upanishads.
Para dar seguimento a estas informações, procurei conhecer qual é a relação entre os brâmanes e o Ser Supremo e Eterno. No bramanismo, a idéia do Rta assume, como princípio regulador fundamental, os contornos de leis que regem as ações no Universo: unidade, conhecimento, pluralidade, sabedoria e ignorância.
Todos os Upanishads concordam em afirmar que existe uma realidade suprema, ou Brahma, como cenário de todas as coisas, que é reconhecido como sendo a Consciência Excelsa, com a responsabilidade por tudo que acontece. No enredo entre o nascer e o morrer, dentro do ciclo previsto no conjunto dos vários Upanishads, a mais fundamental realidade é a alma, que não morre, e repete, ciclicamente, através dos corpos em que se manifesta, a individualidade eterna. No Baghavadgita lê-se que o corpo é como uma roupagem para a alma. Quando a roupa fica velha é substituída por outra.
O objetivo principal do homem, proposto nos Upanhishads, é a completa libertação do ciclo nascer-morrer. Para o bramanismo, que antecede o raciocínio jônico contido nos enunciados de Parmênides de Eléa, Brahma está em tudo e acima de qualquer mudança.

Os princípios e conceitos anunciados nesta trilha marcada pela Ética Religiosa são sempre firmados em relação ao contexto . Não são mostrados como idéias absolutas em si mesmas. Assim, são noções explicáveis pelos usos, costumes e tradições que assumem função mais relevante que as noções trazidas pelos conhecimentos racionais.

Acomodados sobre a insuficiência da razão científica para explicar os fenômenos éticos de natureza religiosa, os sacerdotes põem à margem a necessidade das relações racionais e adotam como base de suas proposições as experiências sensíveis, envolvendo-as em mistérios, ligando-as aos usos, tradições e costumes.

Observo que a Natureza prossegue em sua obra de criação, eliminação e restauração da vida, implacavelmente, pois me parece inegável que, ao longo do tempo, o Contexto Total absorve os opostos e gera outros polos de relação, não necessariamente dualísticos. O princípio de conservação do produto matéria-energia é aceitável.





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