Iniciação pessoal ao estudo da Ética



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Atividades
A motivação que leva as pessoas à realizarem sua vida de trabalho e ganhos financeiros dentro das atividades comerciais, industriais, agrícolas e pastoris são muito diversas. Muitas vezes é a mesma vocação que reconhecemos nos ofícios e profissões. E outras, embora vocacionadas para um determinado trabalho, o contexto arrasta os indivíduos para outros meios de produção, oferecendo-lhe novas e inesperadas oportunidades, onde se vêm a frente de atividades fascinantes, que sobrepujam inclusive as frustradas motivações anteriores.

E, nesse sentido, a razão moral que atua sobre cada um prevalece sobre as formalidades exigidas pelo contexto. O escritor vocacionado torna-se um bom alfaiate; o filósofo um bem sucedido mercador; o médico um grande terapeuta e o frustrado magistrado realiza-se na indústria.

Assim, para o caso das atividades, a multiplicidade de caminhos e trilhas abranda as frustrações de cada um em propicia magníficos horizontes. Mas isto não impede que aqueles que forma vocacionados para o comércio, para a indústria e para a prestação de serviços diversos encontrem, na resposta positiva a esse chamamento, também a realização e materialização de seu desejo inato de produção e desempenho.

A vida ensina que as atividades referentes ao trabalho e à produção e desempenho individual são também um meio de vida do qual o fim não pode ser excluído.



73. Subjetivismo e Objetivismo
Verifico que as profissões e os ofícios, modernamente, estão enquadradas num contexto maior de ações laboriosas, genericamente designado por prestação de serviços. Sou levado a admitir que a abordagem dos fenômenos éticos, contidos nas profissões, ofícios e atividades, pode ser feita a partir de dois pontos de observação: subjetivismo e objetivismo.

Subjetivamente, trabalho com linhas e formas de pensar herdadas pelos usos, costumes e tradições familiares. Elas correspondem às mesmas que integram a herança disponível no contexto social ao qual estou relacionado.

Surgem perguntas diretas:

- O processo de conhecimento é moral, amoral ou imoral?

- É moral o médico ou o advogado conhecer a intimidade ou a privacidade de seus clientes?

- É moral o profissional liberal abordar a vida íntima, os problemas mais profundos que envolvem o corpo e a mente de seus clientes?

- O profissional conhecedor da vida íntima ou da privacidade e das fragilidades pessoais, pode estabelecer ou manter relações amorosas com seus clientes? Há impedimentos éticos ou morais? Quais?

A resposta deve ser pesquisada nos princípios que norteiam a profissão, o seu exercício e o que a sociedade espera dessa atividade profissional.



74. Individualidade e Coletividade
Há também um enfoque do fenômeno ético contido nas idéias de profissão, ofícios e atividades, que diz respeito à individualização e à coletivização.

De uma certa forma ao ser abordada esta face do fenômeno observo implicações quanto à atualização e modernidade das regras morais ajustáveis aos contextos.

A experiência mostra que a sociedade industrial transformou-se em sociedade de consumo. O que tinha por objetivo atender indivíduos passou a ser destinado ao consumo das coletividades.

Alteraram-se os meios e os objetivos finais a que são dirigidas as profissões, os ofícios e as atividades.

A materialização da idéia representada pela inscrição qualidade superior em grande número de produtos, passou a informar toda a coletividade sobre uma pretensa qualificação objetiva.

E, com isso, rompeu-se o que era tido como privilégio econômico das classes mais abastadas. O mendigo de rua pode tomar um refrigerante de qualidade igual à que toma o magnata.

A expressão financeira dos produtos excepcionalmente caros ou caríssimos tornou-se objeto de consumo de tão poucos que os números a eles referentes não tem significado na ordem de grandeza com que, estatisticamente, podem ser identificados. Em geral tais números são inferiores às margens de erro.

Os indivíduos beneficiados pelo alto poder aquisitivo constituem, no Brasil, menos de um por cento da população global. E, mesmo nessa situação, não estão livres da industrialização. O diretor ou proprietário de uma grande indústria, de milhares de empregados, vai assistir, no mesmo cinema, ao mesmo filme que pode ser visto, na mesma hora, por seus empregados de menor salário.

A individualidade ajustou-se aos padrões que são também possíveis para o consumo da coletividade. O fenômenos éticos e sociais resultantes da industrialização, reduziram grandes disparidades nas relações de consumo.

A industrialização também causou mudanças sérias nos ofícios, profissões e atividades e, inclusive, nas formas de pensar. Torna-se inviável qualquer trabalho, remuneração ou aquisição sem uma avaliação prévia da relação custo-benefício.

Os artesãos perderam sua grande participação na economia e deram lugar às micro e pequenas empresas; médicos e enfermeiros passaram a enquadrar-se como empregados das empresas que prestam serviços hospitalares e de preservação da saúde; advogados, engenheiros, psicólogos e economistas trocaram a atividade identificada nas profissões liberais por relações de trabalho, empregado-empregador, onde o salário substituiu os honorários.

O reflexo é mais profundo na área da medicina. Quem dá e presta assistência é a entidade ambulatorial ou hospitalar pois os médicos foram despersonalizados, e distanciaram-se de seus pacientes. Houve uma coletivização do prestador do serviço profissional. O médico de plantão substitui o anterior e outro lhe dá seqüência. O paciente é atendido ora por um ora por outro.

O Judiciário também conseguiu descaracterizar a identidade dos juízes, pois por conveniência da organização judiciária, de fato, os magistrados não estão mais vinculados aos processos. De fato, a burocratização despersonalizou a prestação dos serviços jurídicos.

A idéia de indivíduo e coletividade atingiu e absorve, progressivamente, todas as relações de serviços, produção e comércio. Atividades, ofícios e profissões estão cada vez menos personalizadas e mais impessoais, ameaçando a todos, ricos e pobres, com a idéia da massificação.

Os comerciantes perderam, há tempos, a relação pessoal com seus clientes. Vendedoras e vendedores, que são postados na posição dos comerciantes, entregam-se a um trabalho assalariado muito distante da idéia original de comércio.

Na indústria os artesãos são substituídos por técnicos que manejam máquinas e a arte que os animava é substituída pelo movimento preciso dos conjuntos industriais.

O próprio conceito de coletividade mudou para uma consciência de comunidade, assimilando um aspecto mais político, de cunho mais societário, definido por objetivos comuns, por uma alma comunitária que se autoafirma, cada vez com mais freqüência.

A informatização avança sobre todos os ramos da ação humana e joga-nos todos, ricos e pobres, profissionais, oficiais, comerciantes, industriais, empresários, empregados ou empregadores, governantes e governados, com uma velocidade espantosa, em direção ao... futuro.



- O que é o futuro? A quem serve o futuro? Qual é a idéia com que nos acena?

A esta altura, ao tratar da ética das profissões, abre-se o horizonte para uma infinidade de possibilidades.


75. Abrindo novos horizontes
O final deste exigente percurso abre-nos horizontes muito amplos.

Cada um de nós sente os efeitos desta iniciação. Para muitos, o que foi visto é suficiente. Outros poderão interessar-se em seguir adiante.

Diante da trilha do que ora se apresenta, fica a sugestão de que os mais interessados em percorrê-la desenvolvam seus esforços e consigam sistematizar os conhecimentos que vierem a adquirir.

O resultado será um conjunto de informações, ainda não suficientemente e sistematizados de forma a atender os rigores da Ciência.

O conhecimento das leis que regem esses fenômenos éticos certamente ensejará um aporte de mudanças e clareamentos nas relações entre os profissionais e a coletividade a que estão integrados. Poderá ser largamente utilizado pela Ética Normativa e pela Ética Prática.

Foram indicadas, neste trabalho, algumas das trilhas que me pareceram essenciais à iniciação no campo de estudos da Ética.

Os fenômenos éticos também podem ser observados dentro dos limites indicados por duas séries de idéias opostas, designadas por qualidades ou atributos éticos. As idéias contidas no que reconhecemos como virtudes e vícios, tornam-se passíveis de uma qualificação moral comparativa, direta e imediata.

A quantificação, ou seja, atribuição de números(ou pesos) a essas virtudes e vícios, poderá proporcionar quantidades de atributos éticos.

A partir do momento em que eu admito a atribuição de quantidades às virtudes, posso designá-las como grandezas, porque no mundo da ciência, por definição, grandeza é tudo aquilo a que é possível atribuir valor numérico.

Os usos, costumes e tradições têm ensinado que há mulheres e homens virtuosos. Uns são mais, outros são menos dotados.

A sociedade consegue quantificar as virtudes. Estão ai os milhares de prêmios e condecorações concedidos aos mais virtuosos.

E também quantifica os vícios , Basta uma rápida leitura do Código Penal para que se possa verificar como as penas são quantificadas em função dos vícios comportamentais a que se referem.

Por serem mensuráveis, as virtudes e os vícios são grandezas morais.

Para fixar medidas é necessário definir padrões e unidades de medida aos quais atribuiremos valores numéricos.

Sou levado a crer que é perfeitamente possível dimensionar vícios e virtudes, quantificar os fenômenos éticos e encontrar leis matemáticas para expressar o que nos tem faltado na linguagem discursiva. Os economistas seguem por esse caminho há muito tempo.

É possível imaginar a aplicação de quantidades aos fenômenos éticos, descobrindo e enunciando relações numéricas nas leis que regem o comportamento e a conduta das pessoas.


A manifestação das combinações de virtudes e vícios leva-nos à avaliação do caráter que define e traz o respeito que nos merecem as pessoas.

Podemos dimensionar as forças morais e imorais que existem dentro de nós e cujas resultantes atuam no contexto.

O estudo da ética nos permite corrigir os vícios e acentuar as virtudes, de tal forma que , em cada opção, escolha ou ação, nós podemos obter o resultado mais justo, próprio e oportuno. Será justo nas relações espaço-forma-tamanho; próprio, quando e de acordo com a nossa natureza; e oportuno, porque adotado no tempo mais conveniente, em que os resultados serão os melhores possíveis.

Encadeando as virtudes, reunindo-as e aprendendo a utilizá-las em nossos procedimentos físicos ou mentais, cada um de nós poderá imiscuir-se infinitamente dentro de si mesmo e expandir-se pelo universo, de forma imprevisível.

Essa combinação positiva de virtudes, permite-nos avaliar a intensidade e a influência das forças morais e imorais que atuam sobre indivíduos e coletividades, bem como prever o resultado das ações envolvidas nesses fenômenos.

O uso de virtudes interligadas deverá levar, cada um de nós, a uma vivência mais satisfatória, tanto na vida física como no mundo das idéias, ensinando-nos e conduzindo-nos às melhores soluções. É o grande resultado que a Ética moderna sugere.

Uma sugestão final:acrescente à lista abaixo o que entende por vícios e virtudes. Exercite as virtudes, evitando os vícios. Os resultados ficarão evidentes em pouco tempo. Experimente. São os passos seguintes para prosseguir nesta iniciação.
Virtudes Vícios

Altruísmo Egoísmo

Amor Ódio

Audácia Temerariedade

Benevolência Malevolência

Clemência Inclemência

Compaixão Descompaixão

Coragem Covardia

Decência Indecência

Esperança Desesperança

Fidelidade Infidelidade

Força Fraqueza

Humanidade Desumanidade

Justiça Injustiça

Lealdade Deslealdade

Obediência Desobediência

Piedade Impiedade

Respeito Desrespeito

Sabedoria Ignorância

Segurança Insegurança

Sinceridade Insinceridade

Verdade Mentira





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