ImplicaçÕes psicossociais do desemprego para a consciência individual: manifestaçÕes no pensamento e emoçÃO



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LEÃO, I. B.; MALDONADO, E. H.; MOURA, P. B.; TERUYA, P. S.; ARAÚJO, A. K. de, ESPÍNDOLA, G. M.; SANTOS, L. G.; MOURA, L. H. Implicações Psicossociais do Desemprego para a Consciência Individual: Manifestações no Pensamento e Emoção.

IMPLICAÇÕES PSICOSSOCIAIS DO DESEMPREGO PARA A CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL: MANIFESTAÇÕES NO PENSAMENTO E EMOÇÃO
PSYCHOSOCIAL IMPLICATIONS OF UNEMPLOYMENT FOR INDIVIDUAL CONSCIOUSNESS: ITS MANIFESTATIONS IN THOUGHT AND EMOTIONS
Inara Barbosa Leão1

Elódia Herminia Maldonado2

Priscilla Bolfer Moura3

Priscilla Soares Teruya4

Adriano Kasiorowski de Araújo5

Guilherme Madureira Espíndola6

Lívia Gomes dos Santos7

Luís Henrique de Moura8




RESUMO


Apresenta algumas considerações sobre um projeto de pesquisa que objetiva obter o perfil psicológico do trabalhador desempregado no estado de Mato Grosso do Sul, pesquisa as implicações psicossociais do desemprego para a consciência individual e suas manifestações no pensamento e na emoção, baseado na Teoria Psicológica Sócio-Histórica. Pretende verificar como se dá o processo de subjetivação dos indivíduos desempregados e oferecer suporte a projetos sociais voltados para esse segmento populacional. Para tanto, destaca que só é possível entender as implicações do desemprego no âmbito dos processos psicológicos quando o concretizamos na realidade social, considerando que, com as mudanças na base econômica, a superestrutura se transforma e constitui novos significados (sociais) para a realidade. Destacamos as transformações materiais das condições econômicas de produção e as formas ideológicas (religião, política, artes, filosofia, etc.) pelas quais os homens tomam consciência do conflito que se estabelece entre ambas as esferas sociais e os tornam elementos de suas consciências que os conduzem em seus aspectos psíquicos. Assim, é possível investigar as conseqüências psicológicas do desemprego porque os seus determinantes podem ser apreendidos e analisados.

Palavras-Chave: Processos psicológicos, trabalho, desempregados


ABSTRACT


This article presents a research project that aims at obtaining the psychological profile of the unemployed worker in the Brazilian state of Mato Grosso do Sul, in order to study the psychosocial implications of unemployment for the individual consciousness and its manifestations in thoughts and emotions. The research is based on the Socio-historical Theory. It aims to investigate the process of subjectivation among unemployed individuals. It seeks to obtain better knowledge of the living conditions of this group in order to propose social projects oriented to them. It emphasizes that the understanding of the psychological implications of unemployment shall be rooted in social reality. When the economic foundation of society changes, superstructure is also transformed and new meanings for social reality are constituted. The authors argue in favor of the distinction between the material transformation of the economic conditions of production from those ideological forms [religion, politics, arts, philosophy, etc.] by which people become conscious of the conflict that exists between these two social spheres, leading them into their psychological reality and taking them as elements of their consciousness. Thus, it is possible to investigate the psychological consequences of unemployment as far as their determinants can be apprehended and analyzed.

Key Words: Psychological processes, labor, unemployment

A intenção deste é comentar alguns aspectos de uma das investigações desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa “Aspectos psicossociais da educação e do trabalho”, vinculado ao Curso de Psicologia e ao Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. O Projeto “Implicações psicossociais do desemprego para a consciência individual: manifestações no pensamento e emoção” objetiva a construção do perfil psicossocial dos trabalhadores desempregados no período atual do desenvolvimento do capitalismo. Temos como referência as suas manifestações no estado de Mato Grosso do Sul; principalmente porque este ainda apresenta um conjunto de características sócio-econômicas que manifestam processos elementares, tal como se expressam nas atividades agropecuárias, até os mais desenvolvidos, como encontramos na indústria e prestação de serviços.

Tomarmos o desemprego como a condição material que altera as mediações das relações entre os indivíduos e a sociedade onde se inserem, exige que estejamos atentos ao fato de que este é condição social e não psicológica. Deve-se à forma de ordenamento da produção e historicamente é fenômeno recorrente, que aparece sempre que temos desenvolvimentos tecnológico e científico que permitem o aumento da produção com menor necessidade de mão-de-obra.

Esta referência à historicidade do desemprego considera que houve piores conseqüências em períodos anteriores de falta de ocupação da mão-de-obra e é necessária para lembrarmo-nos que naqueles momentos as soluções só puderam se dar com a ação grupal e nunca individual, tal como se percebe atualmente. Tivemos revoluções, convulsões sociais, programas de recuperação econômica, sempre dados no nível macro-estrutural. As ações individuais nunca criaram novos postos de trabalho suficientes para debelar as crises, nem alteraram os rumos do desenvolvimento econômico e das formas de produção excludentes de mão-de-obra e de trabalho humano.

Estas breves considerações indicam a forma de ação necessária sobre os aspectos individuais, sobre as condições psicológicas. A atuação com os indivíduos em particular, quando visa à promoção de condições sociais, como o caso do desemprego, não cria empregos, não cria renda, não traz alteração dos descompassos entre as necessidades e as suas satisfações. Portanto, os trabalhos voltados para tais circunstâncias exigem ações grupais, que ao se multiplicarem se tornam sociais e efetivamente permitem a participação nos processos sócio-políticos que geram trabalho.

É sob estas circunstâncias que o nosso trabalho pretende apreender os aspectos psicológicos de trabalhadores desempregados, com vistas a delinear um perfil que permita a intervenção sócio-psicológica no âmbito das políticas públicas para transformação das condições deste segmento social. E para tanto mantemos as atividades vinculadas às instâncias municipais e estaduais encarregadas dessas políticas.

Nossa preocupação se deve à consideração que o homem constitui-se como tal por suas atividades, das quais o trabalho social é o que mais tem exigido a construção de instrumentos práticos e psicológicos que lhe possibilitem agir no meio em que vive e adequá-lo às suas necessidades, conforme os seus motivos. Neste aspecto da humanização, o desemprego reorganiza a relação dos indivíduos no meio social e conseqüentemente os seus aspectos subjetivos manifestos na emoção, linguagem, pensamento e nos significados e sentidos que estruturam as suas consciências. Portanto, precisamos explicitar como as funções, sistemas e processos psicológicos que constituem a subjetividade são permeados pelo trabalho e como estes são afetados nos trabalhadores desempregados.

Entretanto, como o desemprego é uma conseqüência da forma de produção do sistema capitalista, no qual existe um mercado que regula a ocupação ou não da população economicamente ativa, torna-se necessária à delimitação do seu entendimento para a orientação da investigação dos aspectos psicológicos. A definição de desemprego não se baseia exclusivamente na combinação simultânea dos três critérios tradicionais: ausência de trabalho, procura e disponibilidade para trabalhar. Explicar o desemprego exige a consideração de outros critérios, tais como: (a) a ausência de trabalho, que para ser tomada como critério de aferição foi revista admitindo que, inexistindo mecanismos amplos de apoio aos desempregados, parte das pessoas nesta situação, para obter algum rendimento, realizaria atividades irregulares e descontínuas, sem perspectiva de duração, enquanto procuram trabalho; e (b) a procura de trabalho, que pode não mais ocorrer se as expectativas de alguns desempregados não se realizarem nos trinta dias anteriores, por acreditarem não haver oportunidades de trabalho para eles. O que também manifesta condições subjetivas sobre a condição de desemprego.

Daí ser necessário destacarmos que o tratamento da problemática do desemprego, em seus vários aspectos e, principalmente, no que se refere às implicações para os processos psicológicos exige a sua concretização na realidade. Esta se explicita quando consideramos que com a transformação da base econômica, a superestrutura se altera e constitui novos significados sociais, enquanto no âmbito psicológico exige novos sentidos para os significados. Na apreensão de tais transformações devemos distinguir entre a modificação material das condições econômicas de produção e as formas jurídicas, políticas, religiosas, cientificas e filosóficas, existentes nesses momentos; em resumo, temos que diferenciar as formas como os homens tomam consciência do conflito que se estabelece entre ambas as esferas sociais e os conduzem e no aspecto individual de que maneira os interiorizam tornando-os elementos das suas consciências.

A análise necessária para apreensão das alterações psicológicas individuais, dada a base teórica em que nos apoiamos exige a consideração das condições sócio-históricas em que as relações humanas interindividuais e intergrupais promoveram as atuais características tidas como necessárias e desejáveis aos homens para manterem a sua sobrevivência e a dos grupos aos quais integram. Aqui as apresentaremos sinteticamente, apenas para referenciar os aspectos psicológicos que privilegiamos na pesquisa e como os trataremos na indicação das prováveis alterações promovidas pelo desemprego.

Na perspectiva da construção das características psicológicas humanas, o trabalho é a atividade do homem por excelência, por ser através dele que podemos modificar a natureza em nosso benefício, além de transformarmos o nosso corpo e promovermos a nossa subjetividade. Os aspectos subjetivos a serem abordados são aqueles vinculados à condição humana de trabalhar e que na ausência desta atividade tem sua psicologia alterada, pois, estes se devem, segundo a Teoria Psicológica Sócio-Histórica, ao fato dos seres humanos serem ativos, sociais e históricos. Daí que as suas relações com meio e a constituição das suas subjetividades se darem através das mediações sociais como a linguagem e o trabalho, entendendo este último como atividade institucionalizada.

Ao longo da história da humanidade as formas de produção (trabalho) vêm se modificando, e, conseqüentemente a atividade psíquica em geral, também se encontra em processo de mudanças. Por isso, uma breve recomposição do histórico de como os modos de produção e constituição psíquica dos homens vêm se alterando ao longo desse processo, se torna necessária para entendermos as implicações das transformações atuais.

Os dados indicam que as primeiras formações sociais (comunidades) surgiram em decorrência da fragilidade do homem frente às forças da natureza. Nessas não existia uma rígida divisão de trabalho (somente a divisão por sexo e idade), não havia a noção de propriedade privada e nem diferenciação social (classe) entre as pessoas.

Quando o homem assumiu a postura ereta, permitiu que as suas mãos ficassem livres para realizar o trabalho (começou a fabricar instrumentos) e para gesticular. A linguagem inicialmente foi desenvolvida como um mediador para o atendimento das necessidades sociais básicas que surgiam, estabelecendo relações dentro do grupo, possibilitando o início da construção de uma cultura e do pensamento. Com o desenvolvimento da linguagem dá-se o pensamento e os homens passam a estabelecer acordos e dividir as tarefas, além de planejar as ações. A divisão do trabalho passa a ser social ainda que eminentemente calcada sobre o biológico.

Foi a divisão do trabalho que levou à “especialização” e ao desenvolvimento de técnicas então necessárias. Assim, alguns indivíduos passam a ter domínio sobre determinadas áreas de ação e acumulam “conhecimentos”, fazendo com que o restante do grupo dependa deles. Surgem assim os meios privados de produção. A ampliação do domínio sobre a natureza permitiu também o domínio sobre os outros humanos que ainda não haviam alcançado o mesmo nível de desenvolvimento técnico e conseqüentemente não tinham consciência de todos os aspectos agora contidos na sua própria cultura.

O estabelecimento da escravidão permite uma ampliação da força produtiva e aumento da produção. Ainda que no início desse período o trabalho fosse de subsistência, e coercitivo para alguns, acresce-se às condições de constituição da subjetividade humana o fato do escravo ser visto como um objeto. Portanto, não possuía nem os instrumentos, nem o produto final da atividade laboral e assim não construía motivos pessoais que promovessem atividades para melhoria da produção e do trabalho, o que gradativamente rebaixa a produtividade e impede a ampliação do desenvolvimento psicológico. Dilata-se assim a falta de domínio consciente de todos os aspectos contidos na cultura; tanto para o escravocrata como para o escravo.

Com a derrocada do escravismo, os novos senhores feudais passam a utilizar a mão-de-obra do servo. O servo, por ser dono de seus instrumentos de trabalho e negociarem os meios de produção, interessam-se mais pela produtividade. As relações de trabalho, entre o servo e o senhor feudal eram mantidas por obrigações recíprocas, pois quando o servo jurava fidelidade ao Senhor, este se comprometia a protege-lo e defende-lo. Dessa maneira, suas necessidades estavam subordinadas às do senhor feudal. Tais características promovem a reorganização da subjetividade, pois ao mesmo tempo que não permitiam a construção de uma individualidade para os servos, que se identificavam plenamente com o seu Senhor; recuperaram as possibilidades de constituição e ampliação da consciência de todos os aspectos contidos na própria cultura a que se vinculavam, fundamentalmente, ao trabalho e às suas formas de criação e desenvolvimento de meios e formas de produção.

Também a supremacia da ideologia religiosa influiu na organização da subjetividade, pois naquele período os homens se sentiam parte de uma ordem superior que os amparava e embora houvesse poucos elementos para que se reconhecessem como seres moralmente autônomos, capazes de iniciativas, dotados de sentimentos e desejos próprios; a identidade gerada coletivamente, ou seja, a percepção de quem (os homens) eram estava remetida a dois senhores: um terreno a quem deviam destinar o produto de seus trabalhos e outro representado sob o conceito de Deus, a quem deviam destinar as suas almas. Ou seja, esta duplicidade da representação de si mesmos lhes proporcionava dupla experiência subjetiva. Esta constituição da subjetividade dividida e a conseqüente cisão da consciência eram reforçadas pelo poder que a Igreja exercia, pregando a diferenciação social como determinação divina e o trabalho como uma missão de manutenção, reprodução e salvação da espécie.

No período de decadência da Idade Média os núcleos urbanos começaram a crescer para garantir o abastecimento e troca de excedentes, promovendo o comércio. Os habitantes destes burgos formaram um novo segmento social, a burguesia, a qual como classe revolucionária que lutava contra a ordem dominante, desenvolveu a tese de que todos os sujeitos são naturalmente iguais e, portanto, deveria existir liberdade para todos. Após se rebelarem contra os senhores feudais obtiveram liberdade de trabalho e comércio. Nestas condições houve a ruptura dos vínculos de exploração e proteção que existiam entre senhor e servo. O servo passa a gozar de uma liberdade que não é positiva, uma vez que perde o apoio, os meios de sustentação, a solidariedade de seu grupo e a proteção do senhor. O indivíduo fica desamparado, seu futuro passa a depender unicamente dele, de sua capacidade, determinação, força de vontade, inteligência, esperteza e sorte. Assim, dá-se a definição da instância subjetiva em todo o seu aspecto que a caracterizarão durante o próximo período histórico.

Foram estas características que permitiram uma nova organização social, na qual a burguesia se torna hegemônica. Quando a burguesia aumentou seu poder, estabelece-se a necessidade de substituir o sistema de dirigir e governar as novas técnicas por uma outra estrutura, que já carregava as principais características do capitalista: o mercantilismo, que torna o comércio o setor mais desenvolvido da economia européia. Esse novo sistema social e econômico aprofundou as experiências de subjetividade e individualidade, pois os indivíduos passam a ter que identificar suas capacidades, se aperfeiçoar e se adaptar a elas. Surge a percepção de que o lucro de um pode ser o prejuízo do outro, devendo cada um defender seus interesses. Assim, as capacidades, competências e qualidades são vistas como naturais e o indivíduo passa a ter consciência dessa especialidade.

Com o aumento da demanda do mercado e o avanço da tecnologia, a forma de produção manufatureira em vigor passa a ser substituída pelo modo de produção industrial. A partir da Revolução Industrial os trabalhadores começam a ser substituídos por máquinas, porém, estas permitem que as crianças e mulheres passem a integrar o contingente de trabalhadores uma vez que as máquinas não necessitam de força na sua operação. Portanto, além do trabalhador torna-se descartável, um grande excedente de mão-de-obra fica à disposição dos empregadores e é utilizado como meio de controle dos trabalhadores empregados e desempregados.

A partir de então a sociedade se divide definitivamente em duas classes principais e opostas: a Burguesia e o Proletariado. Os membros de cada classe vão constituir-se com características psicológicas diferentes, de acordo com as atividades diversas que desenvolverão devido à inserção em uma dessas classes opostas e as conseqüentes funções antagônicas que desempenharão na sociedade.

Tais condições sociais criam uma infra-estrutura altamente produtiva, mas excludente e que exige a construção de uma superestrutura que defenda as conquistas da Revolução Burguesa, ao mesmo tempo em que controle os anseios do proletariado. Será o Liberalismo a doutrina capaz de se tornar a ideologia dominante, pois ao calcar-se nos ideais da propriedade privada e da liberdade absoluta, oriundas do estado natural, e na individualidade como condição original e imutável do homem; atribui à cada um as possibilidades e conseqüências das suas próprias condições. Ao mesmo tempo utiliza e reforça os aspectos subjetivos já desenvolvidos e sedimentados desde os períodos anteriores.

Nesse momento surge a Psicologia como ciência que estuda o homem, porém com dificuldades de trabalhar a contradição entre a objetividade e a subjetividade, não conseguindo superar a dicotomia mente/corpo, nem o determinismo biológico. A maioria das teorias Psicológicas desde então assumem o enfoque individualista e naturalizante. Esses enfoques individualistas impedem que as novas condições sociais que a industrialização trouxe consigo sejam consideradas, como é o caso da diminuição da privacidade e espaço dos trabalhadores, pela necessidade de morarem em casas que são muito próximas; a inversão da relação familiar, uma vez que agora os que têm mais conhecimentos e condições sociais não são os mais velhos e sim os mais novos que trabalham. Está dada a confirmação da individualidade independente de cerceamentos e apoiada exclusivamente nas ações dos indivíduos particulares que, portanto, determinarão o destino social de quem as carregam tal como exigidas pelas condições sociais.

A chamada Segunda Revolução Industrial ocorreu no fim do século XIX. E uma das suas características foi a fusão de várias empresas rivais e a absorção de empresas menores, assim como a automatização das máquinas, ou seja, a criação das “multinacionais”. As máquinas passaram a controlar e programar o processo produtivo exigindo um número ainda menor de trabalhadores. O desenvolvimento da automatização muda o caráter e as formas de trabalho e fazem desaparecer velhas profissões e surgirem novas.

Este período Monopolista intensifica a produção mas, amplia a freqüência de acidentes no trabalho e faz com que estudos sobre aspectos fisiológicos e psicotécnicos sejam desenvolvidos com o intuito principal de garantir um maior rendimento da máquina mediante a segurança e comodidade do trabalhador. A partir daqui a Psicologia começa a trabalhar com a idéia do “homem certo no lugar certo”. Em conjunto com a Sociologia, a Psicologia elabora um conjunto de teorias e recomendações de caráter econômico, social, cultural e desportivo que recebem o nome de Relações Humanas. Estas teorias têm como objetivo aumentar a produtividade e os ganhos, além de deixar o trabalhador satisfeito com o trabalho. Tal “satisfação" trará conseqüentemente a estabilidade interna para empresa, pois um trabalhador satisfeito com seu trabalho, produzirá mais e ficará menos atento à exploração imposta pelo capitalista. Investe-se no fortalecimento das relações dentro do grupo de trabalho e da empresa em geral, entretanto com um fim único de aumentar o lucro.

O começo do século XX é marcado pela Grande Depressão, quando houve um colapso na economia e desemprego em massa. Nesse momento, a idéia e as manifestações da individualidade já estão consolidadas a tal ponto que permite o surgimento de teorias que culpabilizam os indivíduos pela crise econômica. O economista, J. M. Keynes, defende que os culpados pela depressão econômica, pela onda de desemprego e baixa do consumo são os indivíduos, que instintivamente manifestam suas tendências para economizar/reter o dinheiro e não aplicá-lo no consumo ou investimentos, o que vai intensificar a aplicação de teorias e técnicas psicológicas ao trabalho, inclusive com a elaboração e aceitação da Teoria do Capital Humano.

A partir de 1970, dá-se nova crise econômica devida á reorganização do capitalismo, agora no sentido de ampliar-se através do capital financeiro e aumentar a produção com bases em novas tecnologias computadorizadas. Superestruturalmente buscam apoio e explicações para a nova onda de desemprego em massa na rearticulação do ideário do Liberalismo, porém com novas características, e denominado Neoliberalismo.

Esse Neoliberalismo reapresenta a oposição a qualquer intervenção do Estado na economia e reafirma que o “Mercado” deve reger as relações produtivas bem como ao sistema social e as consequentes interações entre os homens, que voltam a ser vistas como dependentes da sorte e a competência de cada um. São criadas expressões próprias para esse ideário, tendo como base o princípio de esvaziamento do controle do Estado: descentralização, desregulamentação (diversidade de ofertas e oportunidades), dessubstancialização do sujeito, autonomia, iniciativa individual, cooperação, solidariedade e privatização. Há um individualismo exacerbado, pois o investimento passa a ser feito somente em si próprio, o outro deixa de existir como finalidade para se converter e meio.

Em suma, como a subjetividade é constituída nas relações sociais de trabalho, no modelo de produção capitalista é o próprio modo de produção que dita o tipo de trabalhador que ele precisa a cada momento. A idéia de sujeito produzida pela modernidade é a de indivíduos livres e iguais, mas apesar de iguais, possuidores de interesses próprios e particulares.

A Psicologia até então vinha confirmando essa ideologia, tratando o desenvolvimento do psiquismo como natural e imutável, se voltando à individualidade em detrimento das construções sociais, porém com essa breve retomada histórica podemos perceber que, nenhuma mudança na sociedade se deu a partir de uma ação individual, mas sim através da coletividade, pela transformação do sistema econômico e político. Atualmente temos enfrentado uma nova mudança. Um número crescente de desempregados, que no Brasil já se encontra na terceira geração, pessoas que não entrarão ou que nunca estiveram no mercado de trabalho.

É nestes moldes que o trabalhador contemporâneo produz sua existência e sua consciência, não detendo o produto de seu trabalho, não percebendo como suas relações com a realidade se dão de forma parcial em decorrência deste modo de produção, e não mais se reconhecendo como produtor de sua própria vida.

Entretanto, devido à dialeticidade da realidade, as características do capitalismo engendraram novas formas de organização social e da produção. Dentre estas se estabeleceu em alguns países os modelos socialista e comunista, que têm por base as concepções de produção coletiva da vida e da produção social das características humanas. Daí são geradas as teorias psicológicas de base materialista histórico-dialética, que entendem que os movimentos da base material promovem novas conformações para as funções psicológicas, tomando-as como produção direta das relações sociais, mas que se tornam cada vez mais individualizadas e, necessariamente, ordenadas subjetivamente em uma instância que vem sendo denominada de consciência. Esta, ao longo da história recebe diferentes explicações derivadas das formas dominantes de apreensão e explicação do mundo e suas possibilidades de representação. Portanto, encontramos tanto na filosofia, como na sociologia e psicologia conceituações que a tomam como instância primeira, dada a priori, como nas formulações eminentemente idealistas ou como derivada das condições de existência, tal como aqui a trataremos.

A Teoria Psicológica Sócio-Histórica é uma das abordagens psicológicas que se baseiam nos pressuposto do materialismo histórico e dialético. E tem como elemento principal o conceito de consciência. Esta é entendida como um conjunto de conteúdos e processos subjetivos, tais como imagens sensoriais, percepções, representações da realidade e os significados sociais e sentidos pessoais interiorizados a partir da atividade individual. Este conjunto é elaborado pelas Funções Psicológicas Superiores, através dos quais o homem organiza as suas relações com o ambiente material e social e pôde também construir a cultura e a sociedade.

A gênese da consciência se dá por meio da atividade do indivíduo na realidade objetiva. Ao entrarmos em atividade, criamos novas conexões intrapsíquicas, formando assim as Funções Psicológicas, com as quais iremos nos orientar no mundo. A consciência é pautada pela representação social, isto é, pelo significado, que é um conjunto de representações construídas socialmente e convencionadas por determinada cultura; e pelo sentido, que se constrói como representação individual produzida pela atividade do sujeito em relação ao significado social. Em outras palavras, o significado é social e o sentido é individual, pois o significado é elaborado pelos grupos no contexto sócio-cultural onde o indivíduo se insere e é ressignificado pela sua atividade, que a medeia atribuindo-lhe sentido próprio com base nas suas experiências afetivas anteriores e pelas necessidades que atende. Aquele nos permite analisar o objeto, distinguir nele propriedades essenciais e relacioná-lo a determinada categoria e o sentido exprime os componentes afetivos que impulsionam a exploração da realidade.

Para entendermos a consciência, faz-se necessário à explicação de como seus conteúdos e processos são interiorizados. A princípio, o homem, devido à capacidade biofisiológica de ser afetado pela realidade objetiva, estabelece relações com ela em busca da saciação das necessidades que então são provocadas, sejam elas biológicas ou sociais. Para isso, necessita entrar em atividade neste meio social, porém essa atividade deve ser motivada e é este motivo que indica os objetos para a consecução de seus objetivos. Ou seja, o motivo é a contradição dialética entre necessidade individual e condições de saciação dessa necessidade dadas pela realidade material. O motivo da atividade é essencialmente emocional, tanto que nos sentidos do sujeito encontramos seus motivos, ou seja, encontramos o princípio emocional que o levou a entrar em atividade.

Outro elemento mediador da consciência é o grupo social do qual o indivíduo faz parte. Este grupo representa a macro-sociedade, mas com algumas particularidades condicionadas à sua própria dinâmica e organização. Segundo Vygotsky (1999), a palavra é o microcosmo da consciência, isso nos indica que ela é ao mesmo tempo elemento representativo da linguagem e um mediador da consciência, pois carrega a significação e o sentido para o sujeito. Contudo, esta representação da linguagem é contingente ao processo grupal no qual se dão as representações.

Finalmente, a consciência é a instância produzida pela atividade do homem e que está constantemente produzindo o homem, em conjunto com o movimento histórico da humanidade.

Como o ser humano está inserido em um contexto sociocultural, será através das relações que mantém nesse que desenvolverá suas Funções Psicológicas Superiores. Portanto, é com a atividade que o homem se insere no mundo, e por meio dela ele se constitui; o que nos leva a concluir que a elaboração, desenvolvimento e caracterização da atividade são processos que compõem e promovem o funcionamento psicológico do ser humano.

Atividade pode ser mais bem compreendida como mediação entre o homem e a realidade. Ela não é a ação, embora possamos dizer que a atividade é a ação do homem sobre o mundo, inclusive sobre ele mesmo. De acordo com Wertsch (1988, p. 210 apud LEÃO, 1999, p. 31) a Teoria da Atividade de Leontiev diferencia três níveis de atividade, cada um caracterizado por um tipo específico de unidade. No primeiro nível, estão as atividades reais, concretas, desenvolvidas e determinadas pelo contexto sociocultural no qual o homem está inserido.

O outro nível dá-se no fato de "ser a unidade de uma ação orientada para um objetivo" (LEÃO, 1999, p. 31). A ação é um meio de realizar a atividade e, conseqüentemente, de satisfazer o motivo. O traço característico dela é o fato de que é sempre orientada para um objetivo, almeja satisfazer um objetivo particular. Isso significa que uma ação pode fazer parte da realização de diversas atividades, de forma relativamente independente, uma vez que um motivo pode ser constituinte de diferentes atividades. O terceiro nível refere-se às operações, que se relacionam com as circunstâncias específicas que estão em volta da execução da ação, constituem o meio pelo qual uma ação é realizada. Enquanto uma atividade é orientada por um motivo, as ações são orientadas por metas, e as operações orientadas pelas condições. Uma atividade é realizada através de ações cooperativas ou individuais, podendo se estabelecer cadeias ou redes de ações que estão relacionadas umas com as outras por buscarem atingir a mesma meta. Uma característica importante de uma ação é que ela é planejada antes de sua execução.

Para a formação da consciência, a atividade ao realizar a interação humana com a realidade objetiva; promove a diferenciação entre o mundo real e as impressões interiores individuais. Assim, a consciência adquire a capacidade de observar a si mesma, de forma a manter a estabilidade das propriedades objetivas da realidade independentemente das subjetivas. É, por se dar através da atividade, que a apreensão da realidade objetiva não ocorre de forma passiva, mas de maneira ativa, criativa, sobre a base e no decorrer da transformação prática da realidade.

A atividade também é determinante na constituição da identidade, que é o processo resultante da relação que o sujeito estabelece com o meio. É um fenômeno social, e como tal não tem nenhuma característica de permanência; mas enquanto representação social é apenas pressuposta: cabe ao indivíduo, através da atividade, identificar-se ou não com a representação atribuída a ele. Daí entendermos que a identidade se constrói através da atividade.

A atividade interna é um processo histórico: foi a partir do aperfeiçoamento das relações sociais que o homem tornou-se capaz de raciocinar e resolver tarefas apoiando-se na linguagem, sem que ocorresse a externalização de sua ação. Ela começa como uma atividade material, e a partir da linguagem, se interioriza na forma de sistemas neuropsicológicos sobre a base do sistema fisiológico, o que foi propiciado pelo desenvolvimento filogenético dos seres humanos. Portanto, a atividade interna é constituída socialmente, mas é produto da atividade cerebral, uma vez que os processos psíquicos e fisiológicos constituem uma unidade indissociável.

De acordo com Leão (1999),
o pensamento apresenta-se como uma atividade propriamente dita, com ações, operações e as funções cerebrais que as possibilitam. Essas transformações têm por base o desenvolvimento da linguagem e da palavra, quando estas passam a permitir a realização de ações, pela transmissão verbal de certos conteúdos. Especificamente, estes conteúdos só podem organizar os aspectos de planificação, organização e direção de uma atividade, visto que não podem produzir alterações físicas na natureza (LEÃO, 1999, p. 45).
Para a Psicologia são estes aspectos os seus objetos. Tanto que o significado da realidade, que é inicialmente construído pelo contexto sócio-cultural onde o indivíduo vive, tem que ser ressignificado pela sua atividade para tornar-se especificamente individual. Para tanto os homens apóiam-se na linguagem. Sem ela tanto atualmente como na sua gênese os homens só se relacionam com as coisas que observa diretamente, porém com a participação desta passa a se relacionar também com o que não percebe diretamente podendo, assim, operar mentalmente com objetos, inclusive na ausência destes. Com a construção da linguagem o homem desenvolve uma nova dimensão da consciência, formando imagens subjetivas do mundo objetivo.

A linguagem consiste em um sistema de códigos que introduzem cada coisa em um sistema de relações, sendo que na linguagem verbal a palavra é o elemento fundamental. Tais características, segundo Luria (1986, p. 28), se deveriam à atividade laboral.

Quando a linguagem se emancipou do terreno da prática e as palavras tornaram-se um meio autônomo de códigos, passamos a dispor de diferentes possibilidades para designar qualquer objeto e expressar qualquer idéia. Ou seja, foi o estabelecimento do sistema sinsemântico, cujos signos estão enlaçados uns aos outros por seus significados, que formou um sistema de códigos que podem ser compreendidos mesmo quando não se conheça a situação. A parir de então, as principais funções da palavra são: designar um objeto, uma ação, uma qualidade ou uma relação, ou seja, a referência objetal (representação ou substituição do objeto); abstrair, analisar e generalizar as características das coisas, categorizando-as (veículo de pensamento) e; é também um meio de comunicação (transmissão de informação). Com a separação de uma característica de um objeto, sua generalização e inclusão em determinada categoria, a palavra executa também um trabalho de análise deste transmitindo-lhe a experiência das gerações anteriores, acumulada na história da sociedade, essa é a função do “significado” da palavra.

Em resumo, podemos dizer que o significado nos permite analisar o objeto, distinguir nele propriedades essenciais e relacioná-lo a determinada categoria, mas é o sentido que exprime os componentes emocionais para a exploração da realidade.

A importância fundamental do acima exposto para o contexto da pesquisa sobre as implicações do desemprego para a consciência do trabalhador desempregado é que a consciência caracteriza-se pela relação que o indivíduo faz entre sentido (pessoal) e significado (social), através da atividade trabalho. Como o trabalho empregado se manteve como principal forma de atividade laboral social, ao faltar, altera as relações do sujeito com o meio e consigo mesmo. Tais alterações têm implicações para os vários aspectos da subjetividade. Entretanto, parece-nos ser a Identidade o processo mais diretamente afetado e a partir do qual os sentidos se reorganizam.

Isto porque a atividade, ao mesmo tempo em que é construção do homem sobre os condicionamentos da organização social do trabalho, na situação de desemprego ela torna-se a busca de novo emprego ou de um trabalho, mesmo que informal. Assim, há interiorizações das quais não conhecemos as implicações e as considerações acerca da atividade, da consciência ou de aspectos psicológicos do ser humano deixam de levar em conta este contexto e os significados e os sentidos orientadores do pensamento assim construído.

Para falar sobre o pensamento é necessário mantermos a atenção sobre alguns aspectos já mencionados sobre a linguagem que, juntamente com os afetos e os sentimentos, são os mediadores que constituem o psiquismo do homem.

Neste âmbito, a linguagem é entendida, segundo Luria (1991), como um sistema de códigos que designam os objetos do mundo exterior, qualidades, ações e relações entre eles; é o processo que transmite a informação na qual o homem se baseia no processo de pensar sendo, portanto, um processo psicológico de formulação e transmissão do pensamento através dos recursos da língua. Esta última entendida como um sistema básico de códigos que se formaram no processo histórico-social do homem e que lhe possibilita refletir a realidade exterior e formular pensamentos.

A palavra é a unidade básica do discurso e o principal meio de formação de conceito. Este, ao analisar objetos, distinguir nestes suas propriedades essenciais e relacioná-los a determinadas categorias, torna-se meio de abstração e generalização por carregar as relações entre os objetos. Com isso, a linguagem, através da palavra permite ao homem conservar as informações captadas externamente e preservá-las. Dessa forma, ela altera tanto os processos de atenção do homem quanto seus processos de memória, pois lhe permite desprender-se da experiência imediata, servindo de base à criação orientada e dirigida.

É a interiorização da linguagem que estabelece as bases para a constituição do pensamento. Este é entendido como um processo que tem sua gênese na história social, dado inicialmente como uma atividade material, com ações e operações e que faz uso do sistema da linguagem tanto como um sistema de relações semânticas quanto um sistema gramatical. Só posteriormente assume formas reduzidas, adquirindo o caráter de atos intelectuais internos e originando o comportamento intelectual, que é caracterizado por resolver tarefas complexas primeiramente no plano mental e posteriormente concretizar-se em ações exteriores.

O pensamento do homem está baseado na atividade material e nos recursos da linguagem, sendo uma forma especifica de atividade produtiva, pois permite ordenar, analisar e sintetizar informações, relacionar os fatos percebidos a certas categorias e ultrapassar os limites da informação imediatamente recebida fazendo conclusões.

Sabendo que o pensamento tem sua origem na esfera da motivação, ou seja, é gerado por nossos desejos, necessidades e interesses e que vários são os mediadores constituintes do psiquismo do homem, cuja identidade é construída no bojo das relações sociais, a mudança de vínculos já estabelecidos provocada pela situação de desemprego implica na reestruturação das atividades cognitivas e emocionais deste homem. Isto porque toda a significação necessária para se relacionar com a realidade é fornecida pelo grupo no qual a pessoa se insere. A maneira pela qual o sujeito vai “compreender” e atuar na realidade está diretamente relacionada com aquilo que é interiorizado a partir do que lhe é atribuído na relação com o outro. Sendo a linguagem produto das relações desenvolvidas pelo trabalho produtivo do homem e diretamente relacionada com o grupo no qual o sujeito está inserido qualquer mudança na estrutura social acarretará alterações na relação significado e sentido, estabelecidos através da atividade do homem.

Portanto, a condição de desempregado afeta, principalmente, os processos de sustentação da identidade: auto-imagem, relações interpessoais, modo de organização e expressão de emoções e análise da realidade. Tais alterações nos permitem considerar que o desemprego atual, ao promover mudanças sociais implica na forma de representação da realidade que se manifesta na atividade consciente do homem; principalmente quanto à utilização dos instrumentos de trabalho, dos instrumentos psicológicos como o domínio da linguagem, das emoções e os significados e sentidos. Mostra assim a incapacidade própria do momento sócio-histórico em reformular a valoração atribuída aos trabalhadores atingidos pela perda do emprego, que continuam sendo representados com significações depreciativas dedicadas aos que se recusavam à participar da produção da vida coletiva.

Sendo assim, a emoção tem um papel mediador muito importante na relação do sujeito com as objetivações da realidade. Como são as emoções que sinalizam os motivos particulares inconscientes presentes sob a forma de tônus emocional das ações, os estados emocionais direcionarão o sujeito para determinados objetos. A perda do trabalho sob a forma de emprego extingue a dupla troca entre a objetividade do mundo real, que concretiza o ato para o indivíduo, e a sua subjetividade, que atribui um sentido ao mundo real ao modificá-lo na sua ação.

Em conseqüência desse processo, o homem, na relação com os objetos e objetivos sociais e individuais, altera o contato com o mundo real, concreto, e descobre-se diferente dos outros homens, principalmente porque não é reconhecido e nem se reconhece como integrante da condição histórica-social. Nesta condição mudam as possibilidades de identificar-se enquanto ser humano próprio deste momento histórico. Isto porque, devido à organização da subjetividade, ele vai se diferenciar dos outros homens, que produzem a sua própria vida pelo trabalho e construir a sua individualidade, com suas vivências, experiências, frustrações e afetos que lhes são atribuídos socialmente como inadequados para o seu completo reconhecimento social.

É assim, porque o trabalho, mesmo sob a forma de emprego, carrega as suas determinações sociais, tais como: valores morais, comportamentos adequados, remuneração e até a roupa ideal, enquadrando o indivíduo que exerce cada função em um papel social. Essas determinações são mostradas pelo status social, alto ou baixo dependendo de sua importância para o funcionamento de todo um sistema ou ordenamento sócio-econômico vigente.

Com os aspectos acima mencionados podemos entender que a re-significação das emoções no trabalhador desempregado constrói as novas mediações das suas relações com o mundo e, portanto, altera a identidade dos sujeitos. Devemos considerar também que na situação de desemprego atribui-se ao sujeito várias características que são refletidas nos conceitos sociais, sendo que todas carregam o mesmo sentido de culpabilizar o indivíduo, como se pode verificar quando é chamado de inútil ou incapaz. Esta trama sociopsíquica apenas reapresenta o ideal liberal de individualidade, que é permeada pela ideologia de que o trabalho na forma de emprego é o correto ou essencial.
CONSIDERAÇÕES SOBRE A OBJETIVAÇÃO DAS CONDIÇÕES MATERIAIS E SUAS IMPLICAÇÕES PARA SUBJETIVIDADE DO TRABALHADOR DESEMPREGADO NA CONTEMPORANEIDADE

O desemprego massivo devido à crise de produção do capitalismo que atravessamos é visto estruturalmente como conseqüência da mudança da forma de produção do fordismo para o toyotismo. Esta articulou as mudanças do cenário mundial influenciada pela globalização e pelas idéias neoliberais, com a necessidade de uma reestruturação nos modos de produção Capitalista, e a flexibilidade conseguida pela forma de produção toyotista, que veio de encontro às novas exigências.

Vamos nos deter nos aspectos mais salientes das alterações no trabalho e conseqüentemente na relação do sujeito com o seu ambiente e consigo mesmo, para a partir deste modelo mais avançado podermos deduzir as diversas implicações psicológicas e suas gradações conforme o estágio de absorção dele.

O método Toyotista de produção permite variar a produção rapidamente, atendendo às constantes exigências de inovação do mercado consumidor e das mudanças aceleradas nas formas e técnicas de produção e de trabalho. A ordem é manter estoques mínimos, produzindo apenas quando os clientes efetivam uma encomenda. Assim, conforme Alves (2003), sua flexibilidade no aparato produtivo e sua adaptação às flutuações da produção, flexibilizam também a organização do trabalho. O trabalhador passa a exercer uma quantidade maior de funções com o fim de reduzir o tempo máximo da não-produção. Na Toyota, desde 1955, um trabalhador opera em média cinco máquinas. Enquanto quatro delas funcionam automaticamente, ele carrega, descarrega e prepara a quinta. Segundo Gounet (apud ALVES, 2003), isso acarreta duas conseqüências, a primeira se refere ao trabalho de equipe, pois se há duas máquinas para serem operadas ao mesmo tempo ele chama um colega, diferente do trabalho individualizado e racionalizado do taylorismo; a segunda é que o trabalhador se torna polivalente para operar as várias máquinas. Com isso a nova natureza do trabalho começa a perder sua feição fragmentada e isolada e passa a ser coletiva, multifuncional e polivalente.

Com o toyotismo houve uma transformação na lógica de produção de mercadorias, acrescentando outros princípios de administração e de gestão da força de trabalho à produção capitalista, porém ele não chegou a romper com a lógica do taylorismo-fordismo, é apenas um estágio superior a ela. Pois, ao contrário do que parece, a desespecialização do operário, ou a sua polivalência, não fez com que ele se tornasse mais qualificado e consciente de todo processo de produção, e sim representou o extremo da desqualificação, ou seja, seus trabalhos foram despojados de qualquer conteúdo concreto de sua atividade.

Em meio a esse contexto a noção de competência ganha força, embora não esteja claramente definida. Entende-se então que é oriunda do discurso empresarial surgido na década de 1980, na França (HIRATA, 1997, apud LINDQUIST, 2003) e supre a necessidade de avaliar e de classificar conhecimentos recentes e novas habilidades requeridas pelas alterações do modelo de produção. Alguns estudiosos têm destacado que por esse termo não possuir uma definição conclusiva, ele mantém a capacidade de ser usado em lugares diferentes e, portanto, servindo a interesses diversos, sendo a plasticidade do termo um elemento da força social que o reveste e das idéias que veicula. Entretanto, Lindquist (2003), indica que no dicionário das empresas modernas, competência significa a soma de conhecimentos, habilidades e comportamentos, para gerar um resultado superior nas mais diversas situações.

Na realidade o termo habilidade serve para definir o conjunto de comportamentos físicos adquiridos da capacidade que os organismos têm de se adaptar ao meio em que vivem, e conseqüentemente competência seria o conjunto de processos psicológicos adquiridos dessa habilidade.

No entanto a real contradição posta é que em face do avanço tecnológico, as execuções das tarefas se tornam cada vez mais simplificadas, porém o que se vê é uma crescente exigência das empresas, por um conjunto de habilidades e modos de comportamentos propagados como necessários à competitividade. Assim a sociedade dita qual o tipo de trabalhadores que ela precisa no momento, e quais são os requisitos que esse trabalhador deve ter para garantir seu posto de trabalho. Este trabalhador por sua vez, recorre a processos educativos de qualificação profissional, a fim de se tornar apto para este novo processo produtivo.

Na perspectiva da determinação material sobre a individualidade através da educação, Frigotto (1999) afirma que é errado admitir que sistemas educacionais e de formação profissional que desenvolvem competências exigidas pelo "mercado" definem o mecanismo fundamental que permite às pessoas "empregabilidade". Isso significa apenas reproduzir a ideologia liberal, deslocando a responsabilidade coletiva e pública diante do desemprego, acidentes de trabalho, doenças e misérias para o plano individual. Conseqüentemente, a psicologia, neste contexto contribui com a reprodução dessa ideologia e serve como instrumento de alienação por ser uma ciência voltada para o indivíduo.

Não há como negar que é necessário garantir ao trabalhador a qualificação que lhe permita adquirir as condições para sobreviver neste modelo produtivo, mas que para tanto é indispensável uma educação que seja voltada "à promoção da reflexão e da crítica, que poderão propiciar a construção e reorganização das funções físicas e intelectuais, principalmente quando é exigido que o trabalhador se adapte rapidamente a cargos e funções dentro da produção" (Leão, 2001, p.46).

Porém, tal condição não se resume a reproduzir o "mito das habilidades e competências". Especialmente a Psicologia deve atentar para não incorrer nesta reprodução, pois confirmaria “cientificamente” para os trabalhadores desempregados a identidade de um ser “problemático”, que não é nem hábil nem competente para garantir um posto de trabalho. E, como a identidade não é criada por ele próprio e sim pelo grupo social, esta se reproduzirá também nos membros de sua família e nos demais grupos que componha.

Portanto, não é possível que a Psicologia admita o discurso de que basta desenvolver competências e treinar habilidades para garantir a permanência ou a conquista de um posto de trabalho. Isso significaria, mais uma vez, acatar a máxima ideológica do liberalismo e confirmar aos indivíduos a responsabilidade por seus sucessos ou seus fracassos. Negar-se-ia com isso toda uma crise instaurada pela atual conjuntura do sistema capitalista, na qual não há postos de trabalhos para todos e endossar-se-ia a tergiversação da origem de toda a concorrência, que é resultante de um imenso exército de reservas de força de trabalho vindos da reestruturação produtiva.

Como é sabido, para se entender as mudanças em seu objeto, a Psicologia deve abordá-lo em suas várias determinações; deve compreender como está sendo orientada a atividade do desempregado para conseguir meios de sanar suas necessidades; sejam elas materiais, como alimentação, água, pagamento de impostos; sejam elas subjetivas como honra, dignidade, esperança, e uma gama de outras formas que os valores podem assumir.

O que pode parecer apenas números nas estatísticas divulgadas pelo Governo representa, para a Psicologia, um novo homem, um homem diferente daqueles que ainda possuem algum trabalho sob a forma de emprego que os orienta em suas visões de mundo. Temos um discurso geral que diz que o homem deve “ganhar o pão com o suor de seu rosto”; que “o trabalho dignifica” etc.; entretanto, existem alguns que não conseguem, e estes têm pelo menos sua dignidade afetada. Porém, este é apenas um indicador de como há dificuldades para se entender este novo homem; pois será que o conceito de dignidade, tal como o entendemos até agora: referindo-se ao respeito a si mesmo; amor-próprio e brio ainda lhe são próprio? E, quanto aos outros aspectos de sua vida, será que ainda os compreendemos a luz da Psicologia?

Se mantivermos o entendimento do indivíduo tal como está apregoado pela ideologia liberal, a qual diz que cada um é livre para trabalhar desde que não viole o direito dos outros de serem livres para a mesma coisa; confirmamos para aqueles que não conseguem emprego, os seus sentimentos de fracasso, como se não fossem “tão bons” quanto os que têm trabalho, como se fossem culpados de uma situação, na qual estão devido a problemas estruturais, sociais, e, portanto, contra os quais, individualmente, nada têm a fazer, senão procurar emprego.

Devemos considerar que o mercado do sistema capitalista demanda mão-de-obra conforme sua necessidade. Como os meios tecnológicos têm avançado com o propósito de diminuir a porção humana na produção, o emprego vai se tornando cada vez mais raro. A partir daí, temos presenciado o Estado intervir como mediador, criando políticas para a geração de empregos e capacitação de desempregados. Mas estas políticas têm caráter compensatório e não estrutural e uma vez que o problema do desemprego é estrutural, apresentam-se ineficazes para a solução da questão.

Quando falamos em atividade que orienta o pensamento, na emoção, e em outros aspectos da subjetividade do sujeito, queremos dizer que é segundo as características próprias de cada atividade desempenhada que o sujeito que a desempenha vai entender o mundo. É isso que faz com que o emprego específico daqueles que trabalham forme sua maneira de entender o mundo e é isso, ainda, que faz dos desempregados pessoas com uma visão de mundo diferente, seus vínculos serão estabelecidos de outra maneira; o raciocínio, o amor, a esperança, a raiva, a culpa, tudo muda.

O desempregado está sob uma constante relação de “não ter”, isso não se restringe a não ter emprego, mas não tem dignidade, não tem mérito, não tem competência, não tem habilidade, mesmo que tenha uma profissão, não tem capacidade de exercê-la. São estes sentidos e significados que passam a integrar as atividades e que irão mediar a consciência destas pessoas. Aqui reside o caráter multideterminado da consciência: é um reflexo da realidade, mas a realidade de um sujeito em um contexto social e histórico que é, portanto, diferente de outros em outros contextos.

Nosso sistema não oferece outras formas que não a da venda da força de trabalho em um mercado que lucra com isto, então, caberá ao grupo dos desempregados apreender esta contradição inerente a esta forma de produção e divisão de renda. Isto se dando, haverá uma ressignificação nas consciências desses desempregados, pois, conforme nos indica a Teoria Sócio-Histórica, os sentidos individuais são produtos da contradição entre a história individual (sujeito de necessidades e sem meios nem perspectivas de saciação das mesmas) e a realidade material (conjunto de condições objetivas para a saciação).

Muitas vezes, o desemprego não é tratado exatamente como “problema”, uma vez que é uma conseqüência lógica da forma de produção, ou seja, o trabalho está restrito à lei da oferta e da procura, justamente por ser concebido como produto, mas esta lei é regida pela classe que detém os meios de produção. É também para a manutenção desta situação de dominação que o desemprego permanece em níveis altos, ou seja, os desempregados fazem parte do chamado exército de reserva; é a necessidade de manter desempregados para que a mão-de-obra permaneça barata e os sindicatos fiquem paralisados. Trabalhador nenhum vai lutar por melhores condições de trabalho e renda com o desemprego tão próximo e com tantos desempregados precisando ocupar seus postos de trabalho.

Esta situação de extrema instabilidade na estrutura social está transformando os desempregados em trabalhadores de empregos precários, que contribuem para que percam a esperança de conseguir trabalhar novamente e sejam chamados de “desempregados por desalento”. Porém, de nada adiantaria tantos termos para as diversas formas que o desemprego assume se elas não forem utilizadas para se entender o que se passa na consciência das pessoas que estão desempregadas.

A possibilidade de superação de tais condições nos tem sido apontada pelas mediações grupais e não pela intervenção nas condições individuais. Para tanto, temos buscado orientações teóricas e metodológicas nas teorias psicológicas sobre os processos grupais, a partir das quais iniciaremos a elaboração de metodologias de intervenção junto a grupos de trabalhadores desempregados, bem como, ofereceremos as contribuições para as políticas municipal e estadual de combate ao desemprego.

Na sua revisão das Teorias Psicológicas sobre os grupos, Lane (1987) nos ofereceu uma análise que nos possibilita percebermos que a postura tradicional destas tem tido, principalmente (a) a função de definir papéis e, conseqüentemente, a identidade social dos indivíduos e (b) garantir a sua produtividade, através da harmonia e manutenção das relações apreendidas na convivência. Assim, também estas Teorias Psicológicas acabaram por reafirmar como individuais aspectos sociais e dificultaram a superação da alienação pela educação e apreensão de gênese real da maioria das dificuldades individuais. Contribuíram assim para responsabilizar os indivíduos pelas condições sociais que lhe são impostas pela estrutura social e às quais não conseguirão superar a não ser com ações grupais.

Com outros pressupostos e objetivos, temos Teorias que (a) enfatizam o caráter mediacional do grupo nas relações dos indivíduos com a sociedade e (b) destacam os processos pelos quais o grupo se produz. Estas são abordagens que consideram as determinações sociais mais amplas e necessariamente presentes nas relações grupais, tais como as classes sociais, as instituições, a escolarização, etc.

Com estas premissas temos que
todo e qualquer grupo exerce uma função histórica de manter ou transformar as relações sociais desenvolvidas em decorrência das relações de produção e, sob este aspecto, o grupo, tanto na sua forma de organização como das suas ações, reproduz ideologia, que sem um enforque histórico, não é captada (LANE, 1987, p. 81-82).
No caso das análises das alterações da subjetividade dos trabalhadores desempregados, temos buscado o apoio teórico e metodológico para a consideração das mediações oferecidas pelos grupos na teoria de Ignácio Martin-Baró.

Este autor trata dos processos grupais e não de grupos ou dinâmicas de grupos. Ao falar em processo remete ao fato do próprio grupo ser uma experiência histórica, que se constrói num determinado espaço e tempo, fruto das relações que vão ocorrendo no cotidiano, e ao mesmo tempo, traz para a experiência presente vários aspectos gerais da sociedade, expressas nas contradições que emergem no grupo. O autor define grupo como "uma estrutura de vínculos e relações entre pessoas que canaliza em cada circunstância suas necessidades individuais e/ou interesses coletivos" (MARTIN-BARÓ, 1989, p. 206).

Ressalta ainda que um grupo é uma estrutura social, “é uma realidade total, um conjunto que não pode ser reduzido à soma de seus membros” e que "a totalidade do grupo supõe alguns vínculos entre os indivíduos, uma relação de interdependência que é a que estabelece o caráter de estrutura e faz das pessoas membros" (MARTIN-BARÓ, 1989, p. 206).

Assim, um grupo constitui um canal de necessidades e interesses em uma situação e circunstância específica, afirmando com isso o caráter concreto, histórico de cada grupo.

Utilizando as dimensões de Identidade, Poder e Conhecimento é possível distinguir grupos primários, funcionais e estruturais, que correspondem às relações sociais do mesmo tipo que articulam o trabalho social das pessoas. São eles: os Grupos Primários, os primeiros grupos nos quais o indivíduo se insere, amigos e família. Os vínculos entre os membros são de caráter interpessoal, o poder caracteriza-se de modo pessoal, assim como a atividade busca a satisfação pessoal; e os Grupos Funcionais, que são aqueles que correspondem à divisão do trabalho no interior de um determinado sistema social. O poder dos grupos funcionais depende do valor e da importância que seu trabalho tenha em uma sociedade, a atividade vincula-se a satisfação de necessidades sistêmicas; e os Grupos estruturais, que correspondem à divisão entre os membros da sociedade de acordo com os interesses, objetivos derivados da produção. Portanto, o poder é dado por aquele que controla os meios de produção, a atividade que busca satisfazer interesses de classe.

Em relação à referência intergrupal, no grupo funcional a capacidade para desenvolver uma determinada tarefa é mais importante que a identidade pessoal de seus membros. A identidade do grupo é desenvolvida frente ao que os outros grupos lhe exigem, lhe atribuem e esperam dele. Isso não quer dizer que a personalidade dos membros do grupo funcional seja sempre ignorada, ao contrário, existem funções que necessitam de características peculiares. Porém, na dinâmica intergrupal um dos processos mais conhecidos é sua unificação e coesão interna no momento em que se vê ameaçado por outro grupo.

A tarefa do grupo funcional é outra característica importante. Ela se refere ao que o grupo faz, ou seja, sua tarefa característica. Sendo assim, um grupo é funcional porque cumpre uma função, satisfaz uma necessidade ou responde a uma exigência da sociedade. O autor ressalta que, “neste sentido, a funcionalidade de um grupo depende da importância que para um determinado ordenamento social tenha uma necessidade ou uma exigência” (MARTIN-BARÓ, 1989, p. 327).

Portanto, o desempregado não pode ser tomado como um ser abstrato, que possa ser entendido ou explicado pela Psicologia generalizadamente, como um “excluído” ou “desfiliado”. Estas categorizações da Sociologia são necessárias para a macroanálise, a contextualização que indica os aspectos que implicam na constituição da sua consciência.

Para nós psicólogos o desafio é saber o quê, na ausência do trabalho, promove os sentidos que articulam a consciência a partir da experiência cotidiana. Tomando como parâmetro alguns dados já acumulados sabemos que há quebra de vínculos tradicionais, organizados pela condição de provedor que o trabalhador permitia ao indivíduo. Prover a sua própria sobrevivência e a daqueles que são seus dependentes manteve a estrutura familiar como a conhecemos, e construiu as identidades individuais e sociais com as quais reconhecemos e organizamos as nossas atividades cognitivas e emocionais.

Ao perdermos o trabalho empregado, indicador de quem somos, não temos elementos para contrapor ao que nos atribuem como característica. Assim, para o grupo de desempregados a problemática é saber a que recorre como elemento identificador a quem se acusa de vagabundo, quando a condição que negaria a vagabundagem sempre foi ser socialmente produtivo; em que basear a autoridade social ou familiar quando o que a sustentava era o reconhecimento de que era importante porque trabalhava e, portanto construía algo que sabia como fazer; como se entender desejável ou com características que nos torna aptos a sermos amados, quando ser desejável e amável esteve determinado pela capacidade de atender as necessidades do outro, o que sem trabalho parece ser impossível já que nos apresenta como incapazes. E ainda: quais valores morais e éticos podem substituir aqueles construídos no conjunto dos sujeitos que se vêem no mundo em que reconhecem como seu porque os construiu.

Sem estas respostas e outras que nos apresenta o desemprego, a Psicologia não estará apta para intervir, pois não se explica o objeto que não se conhece.

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CONTATO

Inara Barbosa Leão

Endereço Eletrônico: inarableao@ibest.com.br
CATEGORIA: Relato de Pesquisa
Recebido em 22 de out 2006

Aprovado em 26 de nov 2006



1 Professora dos cursos de graduação em Psicologia e Comunicação Social/Jornalismo e dos cursos de Mestrado e Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.


2 Psicóloga vinculada como pesquisadora adjunta.


3 Psicóloga vinculada como pesquisadora adjunta.


4 Psicóloga vinculada como pesquisadora adjunta.


5 Aluno do curso de Psicologia vinculado como pesquisador assistente.


6 Aluno do curso de Psicologia vinculado como pesquisador assistente.


7 Aluna do curso de Psicologia vinculada como pesquisadora assistente.


8 Aluno do curso de Psicologia vinculado como pesquisador assistente.



Pesquisas e Práticas Psicossociais, v. 1, n. 2, São João del-Rei, dez.2006




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