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Privatização do bem público: o acesso da população aos manguezais e demais ambientes costeiros é vedado ou dificultado, pois os empreendimentos utilizam cercas e/ ou muros.

  • Conflitos sociais: a dificuldade do acesso das populações aos ambientes para pescar é um dos principais causadores de conflitos sociais nas áreas em que a carcinicultura se estabelece.

  • Mortandades e patógenos: as mortandades por doenças (patógenos) ocorrem nos viveiros de camarão. Qualquer atividade agro-industrial está sujeita às mortandades, entretanto, na maioria das atividades de carcinicultura praticadas atualmente no nordeste, as toneladas de camarões mortos ou são enterradas em aterros comuns, ou são descartadas nos estuários e manguezais adjacentes, colocando em risco de contaminação as espécies nativas. E, ainda, são desconhecidas, pelo menos por parte da sociedade e dos órgãos fiscalizadores, as causas das mortandades.

  • Sem controle fitossanitário. Essa é uma realidade vigente e chocante para uma atividade que se pretende agro-industrial no país. É necessário que haja um rigoroso controle fitossanitário nas atividades que pretendem ser sustentáveis.



    • Salinização de áreas: no litoral do Piauí, por exemplo, encontram-se áreas de carnaubais mistas com o mangue-de-botão, contíguas às fazendas de camarão, onde ocorre mortalidade de árvores pela salinização do solo.

    • Baixa qualificação, baixos salários, alta rotatividade: os trabalhadores que entrevistamos em fazendas de camarão do Piauí, responsáveis pelo trabalho pesado, revelaram que o salário mais alto é o de vigia (R$ 350,00), por questão de piso da categoria. Os demais recebem salário mínimo e a duração no emprego é, em geral, de 2 anos, sendo demitidos e contratados outros grupos, para evitar maior tempo de serviço (questões trabalhistas). Além disso, os trabalhadores têm baixa escolaridade e, até onde se sabe, as camaroneiras não têm programas sociais para eles e suas famílias.

    ECOSISTEMAS ASSOCIADOS


    Os manguezais estão estreitamente associados com os:
    • ESTUÁRIOS

    • APICUNS

    Tanto os manguezais, quanto os estuários e os apicuns situam-se na região entre-marés e guardam uma estreita interdependência. A água dos estuários banha os manguezais diariamente por meio da ação das marés. Logo, as ações sobre um são sentidas no outro. Por exemplo, a contaminação da água do estuário polui o manguezal, o desmatamento do manguezal aporta sedimentos para dentro do estuário, assoreando-o. Entre manguezais e apicuns há trocas geoquímicas e a influência por infiltração do solo.




    RECURSOS NATURAIS

    Produtividade e Estoque

    Os manguezais são fundamentais na manutenção da produtividade e dos estoques de vários dos recursos naturais costeiros e estuarinos.

    • PESQUEIROS (peixes, caranguejos, camarões, ostras, mariscos, sururus)

    • FLORESTAIS (cascas, madeiras, etc)

    • HÍDRICOS (abastecimento, energia, navegação, lazer, etc)



    SUSTENTABILIDADE

    • Ambiental

    • Social

    • Econômica

    • Espacial

    • Temporal

    • Pressupostos éticos e políticos

    O desenvolvimento sustentável em áreas de manguezal deve resguardar as dimensões ambiental, social, econômica, levando-se em conta o espaço e o tempo. Para o êxito da sustentabilidade, acreditamos na importância de alguns pressupostos éticos e políticos básicos como a solidariedade, a cidadania, a parceria, os interesses públicos.




    PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO AMBIENTAL

    • TANGÍVEL E INTANGÍVEL

    • MATERIAL E IMATERIAL

    • PREÇO E VALOR


    À tudo o que tem preço, damos o devido valor. Mas a recíproca não é verdadeira: há valores que não têm preço.

    Qual o preço de uma floresta para uma comunidade indígena que dá à floresta o valor sagrado de guardar os espíritos de seus ancestrais?

    Qual o preço da paisagem, para uma pessoa que dá valor ao lugar onde mora “porque é agradável”?

    Precisamos preservar também o intangível, os bens imateriais. O Centro Histórico de São Luís é Patrimônio da Humanidade, pela UNESCO, o valor desse patrimônio é muito maior do que o simples preço de seus prédios e do material de que eles são feitos. Os manguezais devem ser vistos como um Patrimônio do Maranhão, da Costa Norte e do País.



    QUALIDADE DE VIDA


    A tão desejada qualidade de vida não é responsabilidade de um ou outro setor, e, sim, de todos nós. Portanto, somam-se aos saberes e poderes da ciência, do Estado, do mercado, do povo, outras vozes: a dos artistas, dos poetas, dos músicos...

    O poema a seguir, é uma adaptação de estrofes de dois poemas do poeta maranhense José Chagas: “A Palafita” e Maré Memória”




    Não veio de Portugal

    nem é lembrança bonita

    a imagem da palafita

    da França Equinocial.

    Ela vem de muito antes

    do quanto a história nos diz.

    Por isso seus habitantes

    não são bem de São Luís.

    O homem nela está fora

    da cidade. É um marginal

    que ali nos deteriora

    o orgulho colonial,

    Que ali ergue moradias

    em campo de caranguejos,

    negando as glorias sadias

    de sacadas e azulejos.




    De lama, tábuas e palha

    constrói-se a Veneza espúria,

    que não sabe o que agasalha,

    se amor, humildade ou fúria;

    Que ali está construída,

    por obra e graça de quem

    paga, para estar na vida,

    a vida que nunca tem

    Que está ali num conjunto

    de habitação planejado



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