Ii congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional



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II Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional

V Encontro Nacional O Insólito como Questão na Narrativa Ficcional

XIII Painel Reflexões sobre o insólito na narrativa ficcional

(Re)Visões do Fantástico: do centro às margens, caminhos cruzados

Instituto de Letras da UERJ, de 28 a 30 de abril de 2014



Simpósios abertos com vagas para inscrições externas:

As propostas de comunicação em simpósio devem ser submetidas diretamente à coordenação


do simpósio pretendido, preenchendo e enviando a ficha que se encontra no seguinte link:

http://www.sepel.uerj.br/documentos/ficha_de_inscricao_de_comunicacao_em_simposio.doc

1. Literaturas em diálogo: o Brasil e outras literaturas

Coordenação:



Maria Cristina Batalha (UERJ/CNPq) – cbatalh@gmail.com

Fernanda Aquino Sylvestre (UFU) – fernandasyl@uol.com.br

Este simpósio tem como proposta discutir a literatura insólita dentro de uma perspectiva comparatista, que afaste a ideia de "influência" e trabalhe em paralelo algumas manifestações literárias, de diferentes latitudes e com origem em várias tradições literárias, que expressem pontos em comum com a produção ficcional brasileira. O contato entre culturas e o diálogo entre elas promove importantes ressignificações e cria novos caminhos para se repensar as configurações genéricas, os diferentes motivos literários e novos jogos intertextuais. Pensamos, por exemplo, no frutífero diálogo entre o pensamento alemão do chamado primeiro romantismo e autores como Álvares de Azevedo, onde o viés da ironia romântica encontra um solo fértil para se discutir e repensar a formação de cânones em nossa nascente tradição literária. Os ecos da literatura de E. T. Hoffmann também se fazem presentes em diversos contos de Machado de Assis; Monteiro Lobato, Medeiros e Albuquerque, Simões Lopes Neto e Inglês de Souza são leitores de Guy de Maupassant; o diálogo tantas vezes evocado entre Kafka e Murilo Rubião pode ser objeto de revisão crítica. Sendo assim, daremos voz ao estudo da literatura brasileira e ao diálogo que ela estabelece com as manifestações do insólito em outras literaturas de língua estrangeira.






2. Para onde os mitos nos levam?

Coordenação:



Cynthia de Cássia Santos Barra (UNIR – Porto Velho) – cynthiacsbarra@gmail.com

Heloísa Helena Siqueira Correia (UNIR – Porto Velho) – heloisahelenah2@hotmail.com

O Simpósio pretende analisar e discutir obras cuja tessitura de escrita se apoia em matrizes mitológicas. A questão inicial é: como os mitos gregos, amazônicos, indígenas, africanos, latino-americanos se mantêm vivos na literatura contemporânea? Nosso objetivo específico é discutir as relações entre mito, escrita e literatura, buscando identificar as contribuições, os impasses e os conflitos que as teorias do fantástico, do insólito e do maravilhoso podem suscitar no campo dos estudos literários. Sabemos, cada obra literária produz/segue uma estratégia discursiva e inventiva específica para ficcionalizar o mito: transcrição; adaptação; transcriação; restauração; tradução intercultural. Assim, textos que releem o mito, como o conto “La casa de Asterión” de Jorge Luis Borges, as adaptações literárias das mitologias destinadas ao público infanto-juvenil, as produções contemporâneas de restauração e/ou transcriações de mitos, como as obras “Meu destino é ser onça”, de Alberto Mussa, e “Dessana, Dessana ou O Começo antes do começo”, de Márcio Souza, e as produções mais recentes de autoria indígena, como “Irakisu: o menino criador”, de René Kithãulu; e “Shenipabu Myui: histórias dos antigos”, do povo Kaxinawá, provocam a multiplicação das hipóteses e questões. Pergunta-se então: em que medida é possível aproximar e fazer avizinharem-se as noções de mito e as concepções do fantástico, do insólito e do maravilhoso? A escrita do mito pode ser considerada, por excelência, escrita literária? Como ler ̷ pensar obras literárias que se fazem a partir dos mitos? Levando em consideração que há determinada racionalidade presente nos mitos, que eles participam predominantemente das matrizes não ocidentais do discurso e do pensamento, e que, paralelamente, o fantástico literário é tributário da tradição ocidental e está, a todo o momento, em relação com as matrizes ocidentais do pensamento, perguntamos: qual a produtividade de conceber uma poética latino-americana aberta ao diálogo entre a racionalidade do fantástico e a dos povos tradicionais?






3. O Gótico e suas interseções teórico-críticas

Coordenação:



Aparecido Donizete Rossi (UNESP – Araraquara) – adrossi@fclar.unesp.br

Luiz Fernando Ferreira Sá (UFMG) – saluiz@terra.com.br

Este simpósio tem como objetivo discutir tanto as manifestações do gênero gótico de época quanto as suas sobrevidas em momentos históricos posteriores, incluindo a contemporaneidade. No tocante ao aspecto contemporâneo relacionado ao gênero, tencionamos suscitar a importância dos seus desdobramentos contemporâneos, seus desgastes e paródias, sua permanência em meio às “novas tecnologias” do fazer literário e sua presença sub-reptícia nos fazeres teóricos e críticos. Para a percepção dessas construções e desgastes relativos ao gótico, teremos também como linhas de investigação deste simpósio: as relações teóricas possíveis e pertinentes entre o gótico na literatura e o insólito; o gótico literário e suas manifestações nas telas (artes plásticas, cinema, vídeo e videogame) e nos textos teórico-críticos; o gótico em performance, ou seja, até que ponto o gótico se encontra renovado em textos dramáticos e em montagens teatrais; e o gótico na música, espaço artístico onde o gênero encontrou melodias e harmonias para as letras que cantam o lado sombrio, perigoso e incontrolável da existência.






4. Insólito e alteridade nas literaturas: do romantismo à contemporaneidade

Coordenação:



Sylvia Maria Trusen (UFPA – Belém) – sylviatrusen@oi.com.br

Mayara Ribeiro Guimarães (UFPA – Belém) – mayribeiro@uol.com.br

É conhecida a definição dada por Todorov ao fantástico, distinguindo a literatura do gênero de outros dois vizinhos: o estranho e o maravilhoso.



No entanto, o livro de Todorov, Introdução à literatura fantástica, embora reconhecido em seu afã por criar um modelo que explicite as leis do fantástico, é criticado por Victor Bravo (Los poderes de la ficción), uma vez que sua teoria estaria assentada sobre a figura do leitor – para o crítico venezuelano, de cunho extraliterário. Outrossim, para Irène Bessière, Todorov, preso à sua concepção de gênero histórico, não atenta para o fato de que o fantástico resulta da conjugação de contrários. Parece, portanto, ser oportuno pensar o fantástico e as narrativas a ele vinculadas como gênero que, subvertendo a ordem lógica da civilização moderna ocidental, encenam um mundo-Outro, conforme proposição de Victor Bravo.

El drama de toda cultura [....] es el intento de reducir lo irreductible, la alteridad, hacia la tranquilidad, ideológica de lo Mismo, de la Identidad. La alteridad parece ser insoportable. El ‘orden’ que toda cultura de alguna manera sacraliza, es el intento de reducir la alteridad hacia las formas de lo Mismo.” (BRAVO, 1985, p. 16)

Nesse sentido, partindo das premissas lançadas por Victor Bravo, este simpósio propõe-se a examinar as relações entre a alteridade e o insólito, dialogando inclusive com as práticas ficcionais nas regiões da Amazônia.

Serão, portanto, aceitos trabalhos que versem sobre a alteridade e seu enlace com o maravilhoso, o insólito, o fantástico, das narrativas tradicionais às contemporâneas, nos diferentes tipos de linguagens e de suportes midiáticos.


 

5. Realismo-maravilhoso e animismo entre griots e djidius:
narrativas e canções nos países de língua oficial portuguesa

Coordenação:



Jurema Oliveira (UFES) – juremajoliveira@hotmail.com

Regina da Costa da Silveira (UniRitter) – regina.flausina@gmail.com

O Simpósio propõe debate sobre o aporte teórico relacionado ao realismo-maravilhoso e ao animismo, aos estudos que vêm se acentuando sobre a produção literária nos países de língua oficial portuguesa no período da descolonização, em obras em que a condição humana (Hannah Arendt) instaura-se mediante a representação do labor, seguida do trabalho e da ação. No campo das atividades extensionistas, avança-se na prática docente interdisciplinar que pretende oferecer redes de possibilidades para a implantação da LDB, em seus desdobramentos (Lei 10.639/2003; Lei 11.468/2008). Historicamente, a interlocução da literatura com outras áreas não se constitui uma novidade, haja vista a preocupação de  Antonio Candido em Literatura e Sociedade, ao tratar da sociologia e da história, da filosofia e das artes em interação com o texto literário. Deparamo-nos, hoje, com uma produção literária proveniente de poetas, romancistas e, ao mesmo tempo, pensadores do seu tempo, como é o caso de Mia Couto, em E se Obama fosse africano?; lemos narrativas em que a poética de vivências, mitos e ritos se presentificam na criação de personagens que reencenam a vida humana em suas diferentes  condições, tal é a obra da moçambicana Paulina Chiziane em seu conjunto, e de João Paulo Borges Coelho que encena em As visitas do Dr. Valdez o final do império e o nascimento de um país. De Angola, a exemplo de Luandino, de Pepetela, e Boaventura Cardoso, a literatura dá mostras de que a guerrilha não cessa com a Independência. Na geração do período de pós-independência, entretanto, nasce uma Angola em processo de descolonização, berço espontâneo para a criação poética. É o caso de Ondjaki, de cuja obra brota o animismo angolano, de modo espontâneo, natural (e toma-se aqui o exemplo de O Assobiador), sem o efeito imposto pela mimese, tampouco sem o efetivo compromisso de extingui-la. Da Guiné-Bissau, a obra de Abdulai Sila reabilita o lugar de personagens vistas ainda como periféricas pela sociedade hierarquizada do colonizador. Na canção, o esforço dos djidius guineenses insere a participação dos homens na guerra e o sofrimento das mulheres, como se lê (e se ouve) na canção “Minjeris de pano pretu”, do poeta José Carlos Schwarz. A presença de metáforas, que animam coisas e condensam as comparações, dá margens para o estudo do animismo como a primeira concepção do universo. De acordo com Freud, à fase animista, em que o mito se instaura, segue-se a religião e a ciência. Como norte deste Simpósio, o conceito de realismo-maravilhoso será retomado tal como o concebemos em Carpentier, teórico e romancista, de que a obra Macunaíma, do brasileiro Mario de Andrade, é um dos exemplos possíveis. Quanto ao animismo, caberá estabelecer o diálogo teórico-crítico com o momento presente vivido pelos países de língua portuguesa, o que já se convencionou chamar de período descolonial,  com seu histórico que provêm do século XIX e que reacende hoje o interesse de filósofos como Harry Garuba, que o reencena mediante concepções do materialismo de Raymond Williams. São conceitos possíveis para encaminhar análise e debate que não se restringem apenas aos autores aqui mencionados, mas à produção literária dos oito países de língua oficial portuguesa.




6. Um ser tão fantástico: temáticas e configurações do sertão insólito

Coordenação:



Alexander Meireles da Silva (UFG – Catalão) – prof.alexms@gmail.com

Roberto Henrique Seidel (UEFS) – rhseidel@ig.com.br

O ano de 2014 marca os 150 anos de publicação de O ermitão de Muquém (1864), de Bernardo Guimarães, um dos primeiros romances da vertente regionalista ou sertanista de nossas letras cuja tradição passa por obras consagradas como O sertanejo (1875), de José de Alencar, Os sertões (1902), de Euclides da Cunha e Vidas secas (1938), de Graciliano Ramos. Ao lado de outros exemplos de seus respectivos momentos literários, estes romances ajudaram a construir o chamado “sertão brasileiro”, enquanto imagem/conceito descritivo de uma região/geografia/local espacial que, dentre outras leituras e com maior ou menor preocupação com a precisa descrição da realidade local, é representada na forma de uma terra estrangeira para os próprios brasileiros ou como lócus das enormes diferenças sociais dentro do país. Este, no entanto, é apenas uma faceta do sertão. Sob a sombra dos ipês e nos quartos esquecidos dos grandes casarões pulsa um mundo de lendas, contos populares, causos de cangaceiros, crimes sanguinários, histórias de assombrações, horrores e misticismos de toda ordem que povoam o imaginário do ser “sertanejo” e proporcionam subsídios para a criação e recriação de obras simbólicas deste ser tão insólito. Assim, os heróis de José Alencar dividem a cena romântica sertanista com as criaturas góticas de Bernardo Guimarães; o discurso racionalista de Euclides da Cunha sobre o sertão convive com os horrores decadentistas de Hugo de Carvalho Ramos e a denuncia modernista do mundo rural feita por Graciliano Ramos ganha uma dimensão fantástica na obra de Bernardo Élis. É dentro deste quadro pouco explorado pelos estudos literários brasileiros — a leitura do sertão nacional como lócus do insólito — que a proposta deste simpósio se coloca. O próprio sertão sendo plural — considerado, portanto, de uma forma não essencialista —, pode ser encarado na atualidade como espaço de disputa sócio-simbólico, ensejado por um imaginário social resultado de processos híbridos e transculturadores de várias matrizes culturais (tais como o armorial-medieval, o indígena, o afro-americano), bem como eminentemente caracterizado por temporalidades sobrepostas e imbricadas de forma complexa. As temporalidades sobrepostas geram conflitos entre o velho e o novo, entre o antigo e o moderno, entre práticas sociais obscurantistas e práticas sociais ditas iluministas; tal conflito é de ordem simbólica e se plasma nas narrativas, sendo ainda uma das marcas do insólito encontrado nas narrativas fantásticas tradicionais, elas mesmas parte de uma tradição literariamente marginal pela sua recusa do fixo, do homogêneo que atesta tanto sua natureza fronteiriça nos termos propostos por Remo Ceserani quanto sua intrínseca ligação com o medo enquanto efeito estético conforme salienta Noël Carroll e David Roas. Neste contexto, algumas perguntas surgem: quais são as expressões do fantástico que tomam o sertão como espaço da narrativa? De que forma o sertão é literariamente construído visando fomentar o discurso insólito? Dentro deste amplo cenário, este GT convida pesquisadores a apresentarem trabalhos que abordem a relação sertão brasileiro x literatura fantástica.




7. O fantástico mirabolante no romance histórico

Coordenação:



Maira Angélica Pandolfi (UNESP-Assis) - mairapan@gmail.com

Maria Dolores Aybar Ramirez (UNESP- Araraquara) – lolaybar@uol.com.br

O esquema do romance histórico concebido por Walter Scott, Alexandre Dumas e Tolstoi se difundiu no Brasil sobretudo a partir das obras de José de Alencar. Seu enquadramento histórico, muitas vezes ambientado num passado distante, combinava-se quase sempre com um episódio amoroso e, por vezes, trágico, correspondendo ao gosto romântico de um público leitor de folhetins. Com o passar do tempo, o romance histórico sofreu profundas modificações intimamente relacionadas à sua essência híbrida. Foi, portanto, a partir do impacto das vanguardas no início do século XX e das novas concepções acerca do discurso histórico que esse gênero narrativo passou a apresentar profundas renovações em sua forma de conceber o mundo externo. Por essa razão, o romance histórico contemporâneo não se sujeita mais ao pacto de verossimilhança com a realidade empírica e tende a criar seu próprio universo estreitando, assim, seus vínculos com o insólito e o fantástico. O crítico Fernando Aínsa aponta em seu ensaio sobre o romance histórico latino-americano (1991) que esse gênero tem apresentado uma polifonia de estilos baseada na fragmentação de signos e identidades nacionais. Com uma escritura deliberadamente paródica e carnavalizante, o romance histórico contemporâneo beira a hipérbole e o grotesco, criando cenários que ousamos chamar aqui de fantástico mirabolante. Esse simpósio tem o objetivo de congregar narrativas de extração histórica que se utilizam desse despojamento, ou seja, desse “não compromisso” com uma realidade empírica, mas que realizam uma releitura dessa realidade, construindo alegorias e fábulas morais dessacralizantes do passado histórico de forma absolutamente mirabolante.






8. Visões do aquém

Coordenação:



Andrea Santurbano (UFSC) – andreasanturbano@gmail.com

Este simpósio pretende discutir as relações entre a literatura e as visões da morte no âmbito das críticas às metafísicas transcendentes, de Kant em diante. Em particular, o leque crítico e teórico da proposta se pauta indicativamente em dois pólos: a “morte de Deus” de Nietzsche, resultando no derrubamento dos grandes sistemas morais e religiosos, e o espaço literário na acepção sugerida por Blanchot, isto é, de lugar absoluto, onde o acontecimento, ao invés de ser relatado por meio da caução ficcional, se faz em si, encontrando sua autêntica realização para além dos “cantos das sereias”.

Esta proposta, portanto, visa a analisar e refletir sobre poéticas e narrativas que procuram reverter e recontextualizar os paradigmas tradicionais do horizonte da transcendência, abordando questões, por exemplo, como: a indistinção/indefinição de vida e morte; o mapeamento de novos “purgatórios” terrestres; as dimensões do pós-humano; os por vires, os infinitos e os eternos retornos.

Nessa perspectiva será também possível reler obras clássicas ou menos clássicas, modernas e contemporâneas, de Kafka a Borges, de Murilo Rubião a Giorgio Manganelli, consideradas a partir dessa abordagem que vê a literatura como terreno privilegiado de investigação sobre o reposicionamento do sujeito perante um horizonte “intranscendente”: se a morte é absolutamente incontável como experiência, será contudo embargável, a partir dessa sua impossibilidade, no espaço franco da literatura, chamada todavia a redefinir seus vínculos quer com seu universo referencial quer com o uso da linguagem. Por conseguinte, a vertente fantástica que se pretende focar aqui se propõe a resgatar de sua inoperância os laços ficcionais da literatura, assim como a denunciar por tabela suas mentiras, como quer Manganelli.

À luz do exposto, é possível enfim entender como o aquém utilizado no título aponte para uma deformação paródica do além, o qual, diante das questões sugeridas, vê assumir definitivamente um aspecto dessacralizado e descomissionado.





9. Imagens do insólito na literatura contemporânea: a tradição revisitada

Coordenação:



Ana Lúcia Trevisan (Mackenzie) – ana.trevisan@mackenzie.br

Maria Luiza Guarnieri Atik (Mackenzie) – vatik@uol.com.br

O simpósio tem como objetivo discutir a multiplicidade de imagens do insólito presentes na literatura contemporânea. O gênero fantástico, muito cultivado no século XIX, continua inovando e redimensionando suas manifestações nos século XX e XXI, o que possibilita a discussão de perspectivas teóricas e de construções narrativas diferenciadas. O cruzamento de enfoques teóricos variados, que enriquecem o estudo de temáticas e construções discursivas, revela que o estudo das imagens do insólito na literatura contemporânea configura a possibilidade de uma análise crítica das mentalidades do tempo presente.

O fantástico entretecido na ficção contemporânea permite a perspectiva de um olhar crítico e paradoxalmente realista a respeito da cultura e da história, ainda que elaborado pelo viés da construção de uma realidade desconcertante, absurda e transgressora.  Observando como são construídas certas imagens insólitas é possível discutir os contextos multiformes da atualidade, perceber a construção de novos heróis em suas trajetórias urbanas e cotidianas e identificar os tempos sobrepostos nas narrativas como formas de relatar experiências de deslocamentos e de confluências de memórias pessoais. Os ecos de um processo de individuação e subjetivismo extenuados na contemporaneidade são evidencias que transparecem nas imagens insólitas e permitem uma discussão sobre as identidades plurais. Na tessitura das tramas, observa-se a problematização do fantástico e a explicitação dos limites que o separariam de outros gêneros, nos jogos de construção da verossimilhança, o fantástico se hibridiza e se confunde com formas tradicionais de expressão literária tais como o regionalismo, o relato policial, ou biográfico, que ganham, então, novos contornos pela presença do insólito. Pretende-se, pois, neste simpósio, discutir como o insólito, apenas sugerido ou amplamente narrado, corrobora para o efeito estético da narrativa e potencializa, ao mesmo tempo, sentidos propiciados pelo texto.






10. O insólito nas literaturas de língua inglesa

Coordenação:



Claudio Vescia Zanini (UNISINOS) – haunted32@yahoo.com.br

Sandra Sirangelo Maggio (UFRGS) – maggio@cpovo.net

As literaturas de expressão inglesa apresentam tradição significativa em gêneros como o horror (que tem como alguns de seus expoentes Edgar Allan Poe, Stephen King e Bram Stoker), o romance policial e de mistério (Agatha Christie, Sir Arthur Conan Doyle e, novamente, Poe), a fantasia (J.R.R. Tolkien, J.K. Rowling) e a ficção científica, como nas obras de H.P. Lovecraft e H.G. Wells, constituindo-se assim em terreno fértil para aanálise do insólito. Foram obras produzidas originalmente em língua inglesa que trouxeram à dimensão ficcional personagens como Victor Frankenstein e sua criatura, Professor Moriarty, Conde Drácula, Lorde Voldemort e o Senhor Hyde. O estranhamento, a alteridade bizarra e a sensação de deslocamento são recorrentes em diversos momentos da produção cultural anglófona. Na literatura isso é fortemente percebido em momentos como o final da Era Vitoriana, o romantismo inglês do século XIX, os góticos sulistas dos EUA e do Canadá, ou a contracultura contemporânea. O cinema, a televisão e os quadrinhos produzidos originalmente em inglês também se caracterizam pela estranheza causada pelo insólito, haja vista a produção de diretores como Alfred Hitchcock e Tim Burton, ou a nova onda de séries de TV com pendor para o horror ou o thriller, como The Walking Dead, American Horror Story, Bates Motel, Dexter ou CSI em todas as suas variantes. Desta forma, o simpósio “O insólito nas literaturas de língua inglesa” se pretende um espaço para discussão de diferentes momentos e vertentes do insólito nas literaturas anglófonas. Serão acolhidos trabalhos que se debrucem sobre o imaginário que traduz o insólito nas literaturas de língua inglesa ou abordagens teórico-críticas pertinentes: a morte, as trevas, o sangue, o monstruoso, o estranho de Freud, a sombra de Jung, o vazio angustiante da pós-modernidade, ou o abjeto conforme definido por Kristeva, para citar alguns exemplos. Também são esperadas contribuições que versem sobre textos e movimentos canônicos dentro da crítica literária, bem como propostas que analisem obras mais recentes e em diversas mídias ou questões relacionadas à adaptação ou à transposição de obras para diferentes mídias.




11. O fantástico em Ibero-América: literatura e cinema

Coordenação:



Rita Diogo (UERJ) – ritauerj@gmail.com

Ana Cristina dos Santos (UERJ) – anacriss@terra.com.br

No presente simpósio nos propomos a discutir as manifestações da narrativa fantástica na literatura e no cinema ibero-americanos. Para tanto, partimos da noção do fantástico como um macrogênero (REIS, 2001), ou seja, como uma categoria narrativa, cuja principal característica está na subversão à representação mimética, organizada segundo os conceitos de tempo, espaço, perspectiva visual e linguagem ditados pela razão, ou ainda, pela compreensão do mundo a partir de relações de causa e efeito. Nesse sentido, o termo fantástico aqui utilizado engloba vários subgêneros, tais como o maravilhoso, o grotesco, o estranho, entre outros, os quais apresentam como elemento comum o insólito no sentido de não habitual (GARCÍA, 2013), que coloca em questão o senso comum de “real”, desestabilizando-o ou mesmo contribuindo para a sua desintegração.

Segundo Victor Bravo, o fantástico implica a presença de uma fronteira que estabelece o limite entre o “real” e o seu “outro”, sendo o primeiro entendido a partir da noção racional de tempo-espaço, cujas leis acabam sendo ameaçadas pela irrupção da “outredade”, colocando em questão o próprio estatuto do “real”, de modo que podemos definir esta vertente como um contexto de combate entre forças que procuram reduzir o “outro” à ordem vigente, apesar de sua irredutibilidade (BRAVO, 1987).

De fato, apesar de a narrativa fantástica atual propor formas que se diferenciam da de seus antecessores mais canônicos, tais como Gabriel García Márquez, Julio Cortázar ou Carlos Fuentes, muitas vezes até rejeitando a comparação com esses escritores, sabemos que se há algo que as une é a manifestação do insólito. Esse, segundo nossa hipótese, é um dos elementos responsáveis pela diversidade que marca a produção dessa narrativa, já que o vasto terreno por onde transita o insólito oferece ao escritor/cineasta infinitas possibilidades tanto de exploração do "real" quanto da linguagem, seja ela literária ou cinematográfica.






12. O fantástico na época da disseminação planetária do medo

Coordenadores:



Ângela Maria Dias (UFF) – angelmdias@gmail.com

Maria Conceição Monteiro (UERJ) – mcmont@bighost.com.br

Maximiliano Torres (UFRRJ) – maxitorres@uol.com.br

Na contemporaneidade, os dispositivos tecno-científicos de comunicação, informação e propaganda implicam no redimensionamento radical da temporalidade e sua contrapartida de neutralização do espaço, resultante dos efeitos da velocidade e da ubiquidade na vida social. Nesse sentido, propõe-se o exame das transformações da literatura fantástica depois do colapso das grandes narrativas utópicas e das instituições tradicionais, em favor de um capitalismo do consumo e do desperdício ecológico. O contraponto entre a diversidade do imaginário fantástico antes e depois da vigência dos mitos do progresso e da emancipação pode oferecer um percurso interessante para o exame da produção pós-kafkiana, marcada pela contracena entre o excesso significante e a vacuidade do sentido.



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