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Nos Trilhos da Revolução: A Invasão Ferroviária de Santa Catarina em Outubro de 1930
Prof. Me. Roberto Bondarik

bondarik@utfpr.edu.br

Universidade Tecnológica Federal do Paraná


RESUMO:

O presente trabalho foi conduzindo dentro da temática referente à Revolução de 1930 no Brasil. Seu objetivo principal é demonstrar e apresentar a sequência de acontecimentos desencadeada pela invasão do Estado de Santa Catarina por tropas sul-rio-grandenses que haviam aderido àquele movimento político e militar em outubro de 1930. A estas forças invasoras caberia assegurar o domínio e o controle sobre as estações e localidades do formado pelo eixo da Ferrovia São Paulo – Rio Grande entre Marcelino Ramos-RS e Porto União-SC, o que fizeram de maneira efetiva e rápida. Procura-se demonstrar que o domínio dessa ferrovia era essencial para o sucesso da Revolução e garantindo as bases estratégicas para a vitória do movimento. As fontes utilizadas neste artigo constituem-se de documentação retirada de arquivos pessoais e arquivos oficiais civis e militares. Foram utilizadas ainda fontes bibliográficas e hemerográficas através das quais se procurou reproduzir e discutir as diversas situações de combate e as estratégias usadas para a tomada das estações e das localidades ao longo da Ferrovia São Paulo – Rio Grande. Procurou-se uma metodologia que proporcionasse o entendimento do sobre o passado, porém não de forma apenas a rememorá-lo, mas que o inserisse em um contexto histórico, político e social mais amplo buscando encontrar nas ações dos indivíduos considerando as suas interligações e implicações, levando em conta que seus personagens são entidades sociais sujeitas a influências, cenários e variáveis. Possibilidades de comportamento pessoal que são passiveis de análise, não significando com isso ater-se ao factual dentro do estudo da história, apresentando o fato, tornando-o conhecido para que possa ser analisado e compreendido. Desta forma procurou-se fazer uso da micro-história dentro das possibilidades encontradas, considerando a sua redução da escala e do campo de observação para o historiador com a sua análise microscópica dos fatos históricos, quase que individual e baseando-se no estudo intenso do material e das fontes documentais de arquivo e hemerográficas que fizemos uso. Demonstrou-se que a partir das ações de controle da Ferrovia São Paulo – Rio Grande a determinação do movimento político militar de outubro de 1930 em atingir os objetivos a que se propunham: retirar do poder o Presidente da República Washington Luis, impedir a posse do paulista eleito para o cargo, Júlio Prestes e alçar ao poder central o gaúcho Getúlio Dornelles Vargas. Este movimento revolucionário tornou-se um eixo catalisador em torno do qual girou toda a cultura social e política brasileira adquirindo uma nova configuração. Neste sentido ela se configurou sim como um marco da história do Brasil por ter feito sentir que houve um antes diferente de um depois.



PALAVRAS-CHAVE:
Revolução de 1930; Ferrovia São Paulo – Rio Grande; História do Brasil; Combates da Revolução de 1930; História de Santa Catarina
1 - A Revolução de 1930
Historiadores chegam a desconsiderar o movimento político-militar de outubro de 1930 por este não possuir as características de uma revolução clássica, entre estas a tomada do poder por meio de ações violentas e transformações profundas na estrutura social e política do país, esta mais uma alegação de cunho ideológico. Este trabalho procura se debruçar sobre acontecimentos verificados nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, procurando apresentar a ação militar conduzida pelas forças gaúchas ao tomar as estações ferroviárias e as localidades às margens da Ferrovia São Paulo Rio Grande do Sul. Ações que evidenciam justamente a utilização da violência de forma prática ou considerada, para garantir a tomada do poder político no Brasil. Ações estas que dão a esta ferrovia um valor estratégico e inconteste para o sucesso daquele movimento que se convencionou chamar de Revolução de 1930.

Um método histórico deve proporcionar o entendimento sobre o passado, porém não de forma apenas a rememorá-lo. Este método ideal deve procurar mostrar como as sociedades se comportam e evoluem, buscando encontrar nas ações dos indivíduos as suas interligações e implicações. A análise dos acontecimentos verificados nas operações de tomada do controle sobre a Ferrovia São Paulo – Rio Grande leva em conta que seus personagens são entidades sociais sujeitas a influências, cenários e variáveis. Possibilidades de comportamento pessoal que são passiveis de análise, não significando isso para Giovanni Levi (1992) ater-se ao factual dentro do estudo da história, pois afinal o fato precisa também ser apresentado, conhecido para poder ser analisado. Far-se-á o uso da micro-história dentro do que for possível, considerando a redução da escala e do campo de observação para o historiador que ela possibilita. A sua análise dos fatos históricos é microscopia, quase que individual e baseia-se no estudo intenso do material e das fontes documentais de arquivo e hemerográficas que fazemos uso.

Em Cinco de Outubro de 1930 o Rio Grande do Sul encontrava-se completamente sob o controle dos revolucionários, as unidades militares federais dominadas e fieis ao movimento, quer pela adesão de seus oficiais ou pela sublevação dos subalternos e soldados. A Revolução deveria seguir o seu curso rumando para Rio de Janeiro, impedir a posse de Julio Prestes, depor Washington Luis e alçar Getúlio Vargas à chefia do país. Neste dia a vanguarda gaucha já se encontrava em Porto União, Santa Catarina e também a totalidade das forças federais e estaduais do Paraná aderia a Revolução. Porém fora uma jornada arriscada chegar até as margens do Rio Iguaçu.

Sem o apoio da Marinha de Guerra aos revolucionários do Rio Grande do Sul restava-lhes seguir pela Ferrovia São Paulo – Rio Grande do Sul (FSPRG). Esta ferrovia seria a única fonte de reabastecimento de homens, armas e viveres que o movimento possuiria no Sul, ainda mais critica seria a situação se houvesse uma resistência mais prolongada por parte da Legalidade e dos paulistas.
Para os atacantes, a ação era extraordinariamente difícil. O domínio do litoral pela esquadra impedia que o Paraná [através do porto de Paranaguá] pudesse valer de centro de abastecimento das colunas revolucionarias. Tal função cabia efetivamente, ao Rio Grande do Sul, ligado a São Paulo por uma única estrada de ferro, com mais de 1.400 quilômetros de Itararé [SP] a Santa Maria [RS] e insuficiência de material ferroviário (LIMA SOBRINHO, 1975, p.175).
A estratégia de uso da EFSPRG baseava-se em um antigo plano de defesa do Sul concebido pelo Exercito nos anos 1920. Em caso de um ataque argentino, acreditava-se que ele se concentraria na invasão do Rio Grande do Sul, forçando o Brasil a depender da Ferrovia São Paulo – Rio Grande. Esse valor estratégico foi transposto para o contexto de 1930, considerando a necessidade de velocidade do avanço gaucho rumo ao Estado de São Paulo.
Se a guerra viesse, Tasso [Fragoso] achava que, em razão da imensidão do Brasil, a Argentina se limitaria a tentar destruir a Marinha e invadir o Rio Grande do Sul a fim de atrair o Exercito para uma batalha decisiva. Não podendo deslocar-se por mar, os brasileiros seriam forçados a depende da ferrovia que, para Tasso Fragoso, lembrava a Transiberiana na Guerra Russo – Japonesa. Essa era a estrada de ferro cuja construção estivera entre as causas da luta no Contestado [...] O hipotético ataque argentino viria por Corrientes e Missiones em Uruguaiana, Itaqui e São Borja. Os brasileiros teriam de limitar-se a defender a linha férrea até reunir forças suficientes para contra-atacar (MACCANN, 2007, p.328).
Reunir forças para barrar o avanço dos gaúchos em 1930 pela ferrovia até que fosse possível uma batalha decisiva, forte o suficiente para acabar com a Revolução, foi o que aparentemente o Governo Federal e o Governo Estadual de São Paulo procuraram fazer. Empurrar a resistência da legalidade para os limites do Estado de São Paulo era o objetivo dos revolucionários e precisavam ser rápidos nisso. O plano de defesa do Sul e o seu estudo efetivo eram de conhecimento dos oficiais do Exercito, sendo que desenrolar dos acontecimentos sugere que ele foi seguido pelo menos em partes pelos contendores de 1930.

O jornal A Manhã afirmava em 25 de outubro de 1929 que o Presidente da República Washington Luiz estava disposto a esmagar as pretensões de Minas Gerais e Rio Grande do Sul se fosse preciso, conforme relatado por Meireles (2005). O Presidente da República se preparava desta forma para uma revolução a ser conduzida a partir do Rio Grande do Sul ou para a secessão deste Estado. E neste plano de contensão da o Estado de São Paulo era o baluarte em virtude de sua condição política sendo a sua oligarquia era a principal viga de sustentação Governo Federal. O presidente paulista àquela época, Júlio Prestes, fora o candidato oficialmente indicado por Washington Luiz tendo sido eleito para sucedê-lo. Outro ponto a sua Força Pública, composta por 15 mil homens, era disciplinada e treinada, uma missão militar francesa especial havia atuado em São Paulo de 1906 até 1924 transformando aquela força policial em um pequeno e moderno exercito.


Em fins de 1924, as autoridades paulistas dispensaram a missão francesa independente que vinha treinando a Força Pública estadual desde 1906. Os oficiais paulistas prosseguiram como trabalho, à medida que os estado expandia a Força até 14.200 soldados, criando um “formidável exercito” na “Prússia brasileira” (MCCANN, 1982, p.220).
Os revolucionários precisavam se aproximar do território paulista o mais rapidamente possível. O domínio da FSPRG era essencial para o sucesso da Revolução desta forma já no dia 03 de outubro, horas antes dos eventos de Porto Alegre que marcam o inicio oficial do movimento, as forças rebeldes comandadas pelo General Miguel Costa já avançavam pelo interior do Estado de Santa Catarina. Tomaram as estações e firmaram posições ao longo da via férrea, garantindo o controle e o domínio rebelde.
Esse ímpeto da Revolução – lançando-se para fora do Estado [do Rio Grande do Sul] – foi condição inicial do seu triunfo. Punha as guarnições vizinhas no dilema de combater ou aderir. Aderiram, predispostas pelos entendimentos prévios, pela camaradagem nos Quartéis (CALMON, 1957, p.356).
A velocidade desta ação era um fator para a vitória da Revolução e também um importante fator psicológico para convencer outras unidades militares federais em Santa Catarina e no Paraná a aderirem ao movimento.
2 - A Revolução em Marcelino Ramos
A jornada da vanguarda revolucionária de Miguel Costa tivera o seu inicio na manhã do dia 03 de outubro em Marcelino Ramos, pequena cidade gaucha e estação férrea na divisa do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Dominar esta localidade era o primeiro passo para o sucesso da Revolução. A vigilância sobre essa localidade era importante também para o Governo Federal e a manutenção da Legalidade. O que ocorresse em Marcelino Ramos seria o prelúdio da Revolução no Brasil.

A ação revolucionária era intensa em Marcelino Ramos desde o momento em que as pretensões da candidatura de Getulio Vargas haviam sido derrotadas por Júlio Prestes. O assassinato de João Pessoa em julho de 1930 levantou a fervura do caldo político nos Estados que haviam apoiado abertamente da Aliança Liberal: Rio Grande do Sul, Paraíba e Minas Gerais. A vigilância federal sobre Marcelino Ramos se intensificou, como demonstram os telegramas trocados entre o Ministro da Guerra e o Comando da Região Militar do Paraná e Santa Catarina em setembro de 1930:


Diretor estrada de ferro acaba informar agente estação Herval comunicou que o Cel. Maia havia telegrafado Presidente Santa Catarina dizendo estavam se reunindo grupos Marcelino Ramos vg referido diretor pedindo informações respeito agente estação Rio Uruguai conformou reunião grupos Marcelino Ramos pt Ainda não recebi informações Cel. Maia nem qualquer outra fonte referente esses grupos pt Diretor estrada mandou retirar todas locomotivas existentes entre Rio Uruguai e Herval (TOURINHO, 1980, p.37).
A possibilidade da Revolução e ocorrência de combates na divisa do Rio Grande com Santa Catarina enchia de temor os habitantes próximos a Estação de Rio Uruguai, uma pequena vila catarinense diante de Marcelino Ramos. Os sinais do movimento tornavam-se perceptíveis e evidentes para quem se prestasse a querer enxergá-los. O Governo Federal e o de Santa Catarina procuravam precaver-se diante disso:
Transmito informações transmitidas agente Herval [em Santa Catarina] ao chefe tráfego estrada ferro São Paulo Rio Grande pt. Corre que proximidades Marcelino Ramos estão reunindo elementos para entrarem em atividade tendo ontem chegado caminhões com munição e pessoal que aderiram movimento pt Às 16 horas Uruguai nos informou quem em M. Ramos estavam em atividade pt Aqui estamos em serviço de observância movimentos pt Autoridades providenciaram reforços para ou proximidades fronteira Estado pt Ainda 22 horas tivemos comunicações com governo do Palácio em Rio Uruguai pt Moradores estão retirando-se e até pernoitando fora suas residências pois agora é só aguardarmos o dia de amanhã dia 7 que foi marcado para inicio mazorca (TOURINHO, 1980, p.37).
O Exercito estava certo em considerar Marcelino Ramos um área de ação, tanto que correu o boato de que o Governo Federal ordenaria ao 8ºR.I. de Passo Fundo, que fosse até o local para guardar da ponte ferroviária do Rio Uruguai e patrulhar a área:
Quando em Porto Alegre o General Gil de Almeida fazia concentração de forças, provocando protestos da imprensa e do Governo do Estado, também em Marcelino Ramos correu com insistência o boato de que uma companhia do 8ºR.I., aquartelado em Passo Fundo, iria guarnecer a ponte que liga os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Se realmente o Governo Federal tomasse essa medida, grandes seriam os embaraços para o feito da Revolução. De forma alguma convinha a ponte em poder do Exercito (SPALDING, 1931, p.228b).
Para manter o controle sobre Marcelino Ramos e a ponte ferroviária o governo gaucho agiu para afastar a hipótese de controle federal sobre a área. Dirimiram-se as duvidas e desconfianças federais e catarinenses.
Os primeiros grupos chegados encheram de curiosidade e apreensões a pacata população da vila. O grupo, porém, aumentava dia a dia chamando a atenção em demasia. Por isso, a fim de evitar comentários e mesmo despistar algum secreta que por ali andasse, resolveu o Dr. José Carlos de Mendonça dispersar a rapaziada, dando disso ciência ao Chefe de Policia do Estado, Dr. Florêncio de Abreu que, com as necessárias instruções enviou a Marcelino Ramos um Esquadrão do 2º R.C. [Regimento de Cavalaria] da Brigada Militar do Estado, aquartelado em Passo Fundo (SPALDING, 1931, p.228b-228c).
Simulava-se a obediência à legalidade e acatamento aos pedidos do Governo Federal e de Santa Catarina, serenando os ânimos com a presença de uma guarnição militar de plena confiança dos gaúchos. Sem despertar a atenção, os policiais poderiam circular livremente pela área em seu intuito de manter a ordem e o controle local. A presença do Esquadrão do 2ºR.C. da Brigada Militar a partir de 07 de setembro fez com que os grupos de “moços de lenço vermelho”, cujo espírito revolucionário era mais evidente desaparecessem do local.
Divulgaram-se noticias de que o Governo do Estado, disposto a manter a ordem e evitar qualquer excesso por parte do povo, fizera dissolver um grupo localizado cujos fins pareciam ser a propaganda de uma revolta e a perturbação da ordem pública (SPALDING, 1931, p.228c).
A dispersão dos grupos pela policia gaucha não passou despercebida aos agentes do Governo Federal e podemos dizer que se o objetivo era dispersar também as desconfianças sobre as suas intenções, o Governo de Getulio Vargas aparentemente estava obtendo sucesso. Telegrama enviado ao Ministro da Guerra em 07 de setembro de 1930 informava que os membros deste grupo encontravam-se completamente desanimados com as ordens do Chefe de Policia.
Agente estação Rio Uruguai esteve ontem [07 de setembro] Marcelino Ramos tendo sabido foi adiado três dias movimento havendo muitos grupos preparativos vg chegou ontem Marcelino Ramos destacamento Brigada com 80 homens garantindo ordem vg mazorqueiros retiraram-se para vizinhanças dando entender fracasso movimento pt. Estas informações foram prestadas por agente Herval ao Diretor Trafego E.F. (TOURINHO, 1980, p.39).
Os revolucionários procuraram planejar e antever todos os problemas e percalços que poderiam ter na execução de seus planos. Spalding (1931) relata a formação de um “Batalhão Lança Minas e Chamas” e a fabricação e adaptação do material bélico a ser usado nos combates. Os grupos que se formaram no Rio Grande para tais fins eram divididos para melhor burlarem a vigilância federal e agir com tranqüilidade.
Para Marcelino Ramos seguiu um desses grupos chefiado pelo Cap. Kim, com recomendação especial ao Cap. Anísio [Miranda] e Major [Apolinário] Krause que o alojaram em lugar próprio onde pudessem, ocultamente trabalhar na fabricação de bombas, granadas de mão e barcos desmontáveis (SPALDING, 1931, p.228b).
Assim, o dia 03 de outubro chegou calmo a Marcelino Ramos, os soldados da Brigada Militar passeavam tranquilamente pelas ruas e realizavam sua patrulhas pela região. A ordem e a legalidade pareciam garantidas por mais aquele dia. A população trabalhava, a ferrovia funcionava normal e despreocupadamente. Porém essa data estava fadada a ser especial, assegurando sua inserção na história do Brasil.

A Revolução em Marcelino Ramos inicia-se a partir da metade da manhã, quando chegou, proveniente de Passo Fundo um trem especial conduzindo Miguel Costa e seu Estado Maior. Antigo oficial da Força Pública de São Paulo, Miguel Costa participara ativamente da Revolução Tenentista de 1924, seguiu até Foz do Iguaçu, no Paraná, juntou-se com Luiz Carlos Prestes. Juntos, porém sob o comando de Miguel Costa, cruzaram o Brasil com a mítica coluna que enfrentou forças policiais, do Exercito e dos chefes políticos do interior até se internaram na Bolívia. “General dos Tenentes Rebeldes” acreditava Miguel Costa que o momento, tão esperado, da Revolução era esse, cabendo-lhe importante papel de líder.


As 10 ½h [10h30m] deu entrada na Estação [Ferroviária de Marcelino Ramos] um trem especial que também não chamou a atenção. Vinha de Passo Fundo conduzindo o General Miguel Costa e [seu] Estado Maior. Ás 11 horas chegou, de automóvel, acompanhado de alguns oficiaes, o General Felipe Portinho (SPALDING, 1931, p.228b).
Pelo plano traçado caberia a Miguel Costa o comando da coluna que iria invadir Santa Catarina pela Ferrovia, devendo controlar estações, vilas e cidades ao longo do seu traçado até chegar a Porto União, na divisa com o Estado do Paraná. Ás margens do rio Iguaçu deveria esperar os reforços gaúchos e a adesão desse Estado ao movimento. Em caso negativo Miguel Costa iria preparar-se ai para um combate decisivo.
Góes Monteiro, chefe militar das tropas revolucionárias do Rio Grande do Sul, já havia traçado os planos da grande e decisiva batalha, a qual deveria ser travada às margens do Iguaçu, mas em consequência do movimento da guarnição de Curitiba, a 05 de outubro [de 1930], os planos da batalha decisiva, deslocaram-se para a zona da Ribeira, Itararé e Paranapanema (PILOTO, 1982, p.40).
O General Felipe Portinho se encontrava em Bôa Vista do Erechim quando recebeu de Miguel Costa as ordens para que se mobilizasse e se preparasse para a invasão ferroviária de Santa Catarina, naquele mesmo dia. Conforme relatado por Ilgenfritz (1931) eram 5h30min quando isso ocorreu:
Refeito da surpresa, ordenou [o General Felipe Portinho] a mobilização dos seus legionários, marchando para Marcelino Ramos, onde, a despeito do inesperado da irrupção do movimento naquelle dia, poude fornecer diversos contingentes para a tomada do Herval [em Santa Catarina] (ILGENFRITZ, 1931, p.239).
Uma vez em Marcelino Ramos os Generais Miguel Costa e Portinho reuniram-se com o grupo de legionários chefiado por Elisiário Paim, outro general que comandava uma tropa de provisórios aliancistas no Oeste catarinense. Assim unificados sob o comando de Miguel Costa todos os grupos que aguardavam ali naquela divisa estadual, dão inicio a marcha vitoriosa da vanguarda revolucionaria que cruzaria todo o interior de Santa Catarina, rumo ao Paraná.
No dia 3 de outubro fomos chamados no Hotel do Sr Schiller, em Marcelino Ramos, pelo General Miguel Costa, os officiaes Cap. Isaac Silva, Cap. Anysio Miranda, Cap. Hermínio Prado e chegando a presença do General, delle recebendo as ordens de marcha (PRADO, 1931, p.257).
Desta forma, após conferenciar também como o Capitão Trajano Marinho, que comandava o Esquadrão de Cavalaria da Brigada Militar, o grupo armado mais preparado e experimentado que havia ali no momento, o Miguel Costa e seu Estado Maior e seguiram para a Estação Ferroviária de Marcelino Ramos.
Precisamente ao meio dia de 03 de outubro, o tenente-coronel Trajano Marinho, que desde 07 de setembro, achava-se em Marcellino Ramos commandando o destacamento, então no posto de capitão, recebeu ordem do Commando da Brigada de se pôr á disposição do general Miguel Costa (CORREIO DO POVO, 16 DE OUTUBRO DE 1930, p.01).
Diante da situação a estação e os funcionários da ferrovia foram colocados a disposição da Revolução. Combinaram-se em seguida os procedimentos para a invasão de Santa Catarina.
Ficaram encarregados da invasão e da tomada da Estação Rio Uruguai os Srs. Antonio Simões, agente [da Estação Ferroviária] de Marcelino Ramos e Kriett, telegrafista, mais os tenentes Edmundo Hoffmeister e João Ferras, o Sargento João Ramos, estes da Coluna General E. Paim (SPALDING, 1931, p.228c).
A respeito da preparação das tropas revoltosas e do nível dos soldados que avançaram a partir do Rio Grande do Sul, uma idéia disso pode ser tomado a partir do que Ernesto Geisel relatou sobre a composição da força que ele comandou até a frente de Itararé:
Quando estourou a Revolução de 1930, revoltei a bateria de artilharia em que servia em Santo Ângelo e cooperei com os camaradas da cavalaria para o levante do regimento. Segui depois comandando a bateria para a frente de Itararé, na divisa Paraná-São Paulo. Era uma viagem difícil, porque dispúnhamos de duas composições: num trem iam os canhões, todos os materiais, inclusive a munição, as viaturas e a tropa, e no outro ia a cavalhada. (...) Os soldados que vieram na minha bateria, do ponto de vista profissional, de instrução militar, não eram mais recrutas, já tinham mais de seis meses de instrução. Estavam preparados, aptos. Foram sorteados na região de Santo Ângelo, das colônias. Eram soldados muito bons. Os sargentos excelentes. E o fato é que nós fizemos a revolução sem dar um tiro. Chegamos a entrar em posição [em Itararé] mas não atiramos. Mas não foi uma frustração, porque de qualquer maneira era a vitória. Ficava-se a imaginar a perspectiva do que ia acontecer (D’ARAUJO; CASTRO, 1997, p.49-50).
O preparo destas primeiras forças que partiram para o front paulista, foi ressaltado por Getúlio Vargas quando, em carta pessoal1, explicou a Borges de Medeiros a natureza, composição e capacidade destas tropas.
Desde que irrompeu o movimento, houve tal agglomeração de voluntários, desejosos de incorporação que para evitar o congestionamento, agravado, fatalmente, pela confusão dos primeiros movimentos, pela despesa com o levantamento de grandes massas e a necessidade urgente de fazer seguir tropas para o Norte, foi adoptado o critério de aproveitar, por emquanto, sómente as tropas regulares, já adestradas, completando-se, apenas, com a chamada de reservistas, os effectivos dos corpos do exercito. As primeiras forças que seguiram, devidamente organizadas, são dirigidas por officiaes revolucionários. Taes tropas de élite constituem as nossas vanguardas, que deverão demonstrar, nos primeiros recontros, a maior efficencia techinica, de modo a confirmar, ainda uma vez, as tradições do soldado gaúcho (SILVA, 1966, p.236).
Os revoltosos iniciavam uma caminhada que esperavam não tivesse volta. Atravessando o Rio Uruguai esperavam que seu último passo fosse dado no Rio de Janeiro.
3 – A invasão de Santa Catarina
A travessia da ponte ferroviária e o ataque a Estação Rio Uruguai deu-se por um comboio conduzido pela Locomotiva nº53, uma pequena máquina destinada a manobra de vagões nas duas estações. As máquinas maiores e mais potentes haviam sido retiradas do trecho do Rio Uruguai para evitar o seu uso ou danificação pelos rebeldes, conforme Tourinho (1980). As 11h30m os revolucionários em Rio Uruguai, tomaram a estação, prenderam o agente e o delegado de policia local, ferido ao tentar reagir. Este primeiro destacamento agiu com velocidade evitando o alarme do ataque as outras estações a frente pela ferrovia.

Ferroviários simpáticos ao movimento assumiram a estação em Rio Uruguai, simulando regularidade para não despertar as atenções de algum comboio que chegasse do norte. Desta forma às 14h40min chegou o trem noturno procedente de São Paulo e que nada notou seguindo rumo a Marcelino Ramos. Nele viajava o General Candido Mariano Rondon e apenas quando chegaram ao lado gaucho é que os passageiros se deram conta da ação revolucionária.


Ao entrar na estação, o trem foi detido e invadido, logo, o carro reservado, pelos generais Miguel Costa e Felipe Portinho e um jornalista.

– Em nome do governador provisório do Brasil, Dr. Getúlio Vargas, convido V.Excia a se considerar preso.

O General Rondon nada compreendia, mas o General Miguel Costa prosseguiu.

– Determine V.Excia onde que ficar: no Hotel ou no carro?

– Não sei do que se trata – Respondeu o General Rondon.

O Jornalista, então, esclareceu a situação advertindo-o de que se achava em presença do General Miguel Costa.

Só ai verificou a situação critica em que se achava. Contudo arriscou:

– Sr. General, estou ás suas ordens. Antes, porém, peço permissão para me comunicar, por telegrama como Sr. Washington Luis.

O General Miguel Costa advertiu-o, porém, de que já estavam sob o regime da Revolução e que, portanto, não lhe podia de forma alguma ser concedida tal licênça, mas que, podia escolher o local em que desejava ficar prisioneiro (SPALDING, 1931, p.228d).
Rondon foi conduzido a Porto Alegre e os revolucionários se apossaram da locomotiva de sua composição. A locomotiva nº404 puxou o “Trem Vanguardeiro” dos gaúchos na tomada do longo trecho catarinense da ferrovia São Paulo Rio Grande até atingir o Paraná.

Havia a necessidade de dissimular as ações da expedição para surpreender as estações e seus funcionários. O alarme emitido via telegrafo poderia provocar um bloqueio da ferrovia transformando a Revolução em mais uma Guerra Civil, longa e sangrenta. Ações haviam sido planejadas e incluíam desde a preparação de levantes em pontos do Estado do Paraná até declarações ferroviárias falsas, para que o trem vanguardeiro não chamasse a atenção e fosse evitada e abreviada sua parada nas estações.


Uma hora após a prisão do General Candido Rondon, isto é, às 15.40hs, partiu de Marcelino Ramos o primeiro trem – a que deram o nome de TREM DE SUINOS, para mais facilmente prosseguir sua marcha – levando a grande força que iria atravessar Santa Catarina e entrar no Paraná: 22 praças da Brigada Militar, 26 civis dos quaes alguns pertenciam a Coluna General E. Paim, e mais a meia dúzia que tomara a Estação Rio Uruguai na 53 (SPALDING, 1931, p.228d).
O primeiro trem a avançar foi comandado pelo Capitão Anísio Miranda. A primeira ação deste grupo em território ocorreu em Rio do Peixe, onde souberam de um médico que guardava certa quantidade de armas. Havia a necessidade de armar e equipar os civis que aderissem a Revolução, manter e aumentar o poder de fogo do grupo que avançava. O Governo Federal havia procedido a uma severa vigilância no intuito de evitar a compra e a circulação de armas de fogo pelos governos estaduais onde desconfiavam da ocorrência de uma rebelião. O estoque de armas foi evitado até para que não levantasse suspeitas sobre as intenções dos rebeldes.
Às 15.55hs saiu da Estação Uruguai a 404 e as 16.25hs chegou a Rio do Peixe, tido como foco do perrepismo. Comandava a coluna vanguardista o Cap. Anísio Miranda que, ao chegar a Rio do Peixe, teve denuncia de que na residência de certo medico da localidade havia regular quantidade de armas e munições. Imediatamente o Cap. Anísio determinou o Cap. Alfredo Gonzaga para, com quatro praças, fazer uma visita ao tal médico e requisitar todo o material bélico, que encontrasse (SPALDING, 1931, p.228d).
Houve resistência e no tiroteio foi ferido o soldado Domingos Macedo, da Brigada Militar. Registra Spalding (1931) que este soldado faleceu horas depois. É possível considerar que ele seja talvez o primeiro revolucionário morto em ação naquele dia 03, mas não seria o único até que o mês de outubro de 1930 chegasse ao fim junto a Revolução.
Sem mais novidades, sempre tomando, sem resistências, as estações Rio Capinzal e Barra do Leão, ocupado as próprias federaes e estadoaes, chegara à estação Barra Fria. Ai o Cap. Anísio teve conhecimento de que o destacamento da força Policial do Herval fora bastante reforçado. Por isso ordenou ao maquinista Sr. Pirahy, que fizesse alto ao boeiro, mil metros mais ou menos antes da estação Herval. Sendo a coluna revolucionária pequeníssima, pouco mais de 60 homens, era necessário muita precaução afim de evitar um fracasso que seria fatal [à Revolução]. E resolveram tomar de assalto a vila (SPALDING, 1931, 228d-228e).
O ataque a Herval deu-se quando já era noite alta na passagem de três para quatro de outubro. A força que seguiu com o primeiro comboio foi dividida em diversos grupos. Mas a surpresa do ataque se desfez, um disparo acidental alertou a guarnição da policia catarinense na estação ferroviária que fez fogo sobre os atacantes. Os rebeldes prenderam o cabo que comandava o local e puseram em fuga o restante dos soldados.
Enquanto isso é efetuado o assalto ao quartel da policia e ao hotel. Por engano o Cap. Isaac assalta o [Hotel] Central em vez do [Hotel] Serrano, e sua força é recebida à bala por um grupo de civis. Com o ruído da fusilaria, em auxilio dos civis correu uma patrulha da policia, deixando assim, o capitão Isaac entre dois fogos. Vendo o perigo correu em seu auxilio o Cap. Anísio. Nessa ocasião saiam do Hotel Serrano o Capitão Paiva e Tenente Orion. E enquanto este foi em busca de reforços, aquele procurava saber o que havia. E tanto se aproximou da força revolucionária que o Cap. Isaac poude aprisioná-lo quase que de surpresa, entregando-o, em seguida, ao Cap. Anísio (SPALDING, 1931, p.228e).
Por mais de uma hora a luta seguiu intensa com os homens da Força Pública Catarinense defendendo-se em seu quartel. Os policiais julgavam que os atacantes fossem apenas bandoleiros em busca de armas e que sua força fosse inferior à deles:
Em vista disso, resolveu o Cap. Anísio e colocou na frente de sua força, já reforçada, a peito descoberto, o Cap. Paiva. E desse modo conseguiram a rendição A defesa do quartel era composta de 4 homens apenas. Esses verdadeiros heroes, cientificados do que havia, incorporaram-se á força revolucionaria do trem vanguardeiro (SPALDING, 1931, p.228e).
No Quartel os revolucionários encontraram fuzis, winchesters, munição e fardamento. Todo esse material foi tomado e auxiliou no reforço da coluna vanguardeira que logo retomou a sua marcha rumo a Porto União. Na madrugada do dia 4 de outubro chegou à Herval o segundo comboio da Revolução com cinqüenta homens, um pelotão da Brigada Militar e civis.
Apoiando a primeira composição que era leve e levava apenas 52 soldados, seguiu pouco depois das 14 horas, de Marcellino Ramos, o segundo trem levando forças sob o commando do tenente Hugo Berenhausen e ás 18 horas e 25 minutos partiu o grosso da vanguarda sob o commando do capitão Trajano Marinho, perfazendo essas forças um total de 160 homens (CORREIO DO POVO, 16 DE OUTUBRO DE 1930, p.01).
Coube ao pelotão da Brigada, comandado pelo Tenente Hugo guarnecer a localidade de Herval garantindo-a em definitivo. Ao amanhecer Cruzeiro também estava sob controle.
Em nosso poder aquela praça [Herval], seguiu [de Marcelino Ramos] no 3º trem, o próprio General Miguel Costa e logo após marchou o General Portinho, no 4º [trem] depois de encaminhar aquelle illustre prisioneiro [o General Rondon] para esta capital [Porto Alegre] (ILGENFRITZ, 1931, p.238).
Quando se preparavam para avançar a partir de Herval, receberam a noticia de que seguia rumo ao Sul o “trem do pagador” da Ferrovia São Paulo – Rio Grande, com a segurança de dez soldados da policia de Santa Catarina. Anísio Miranda tomou as medidas para que fosse aprisionado esse comboio, se possível sem derramamento de sangue. O trem foi encontrado na Estação Perdizes, onde os soldados da escolta foram facilmente rendidos e aprisionados. Porém o responsável pelo dinheiro fugiu com a locomotiva levando os valores consigo.
Temendo que o pagador alertasse a zona, em nome do sargento comandante da escolta telegrafou para a estação Rio das Antas, dizendo ter o trem sido assaltado por um grupo de desordeiros e que estavam todos presos, havendo diversos feridos que seguiriam em trem especial. Daí por deante o pseudo trem de suínos passou a denominar-se TREM DE FERIDOS, conseguindo, assim grande facilidade no prosseguimento a vanguarda revolucionaria. Em Perdizes incorporaram-se às forças gauchas os srs. Euclides Bacelar e Ernesto Home (SPALDING, 1931, p.228e).
Em Rio das Antas, a vanguarda encontrou uma situação inusitada: um criminoso comum fugia da policia catarinense e ao se aproximar correndo a estação, vendo-a ocupada por soldados da Revolução, confundiu-se e abriu fogo contra eles. O tiroteio que se seguiu foi intenso e nele acabaram perecendo o criminoso fugitivo e um soldado da Brigada Militar, sendo outro ferido levemente. Em São João a vanguarda revolucionaria deteve um Tenente do 5º de Engenharia do Exercito e um cabo da Policia de Santa Catarina. Neste local o Anísio Miranda foi avisado por Miguel Costa de que o 13º Batalhão de Caçadores estacionado em Porto União aderira ao movimento revolucionário. Era o ainda o dia 4 de outubro, a Revolução se espalhava.

Os revolucionários organizaram o comboio que conduziria um carro apenas com os representantes de todas as forças gauchas reunidas pela Revolução: Exercito, Brigada Militar e os voluntários (provisórios) combatentes civis dos partidos Republicano e Libertador. Seguiram todos imediatamente com destino a Porto União. A Revolução chegava a divisa dos Estados de Santa Catarina e Paraná.


(...) recebeu o Capitão Comandante da vanguarda revolucionaria um telegrama do General Miguel Costa, communicando-lhe que o 13º B.C. de Porto União aderira ao movimento reivindicador e ordenando-lhe que fosse tratar de comunicar-se com o Tenente Silvino. (...) No carro puxado pela 404 seguiram: Cap. Anísio Miranda, Cap. Isaac Silva, Cap. Alfredo Gonzaga, Tenente Francisco Medeiros e Tenente Gomercindo, acompanhados de duas praças da Brigada Militar. Em Nova Galícia, porém, encontraram o Tenente Silvino acompanhado de um sargento e o fiscal de trem Braulino Machado, esperando-os já (SPALDING, 1931, 228e).
O comboio revolucionário entrou na estação ferroviária de Porto União sob aclamações.
Antes, porém, de chegar a Porto União foi o capitão Trajano áquella cidade numa composição leve negociar a adhesão do 13ºB.C., tendo se apresentado ao quartel com civis levando uns lenços verdes, outros lenços encarnados, tendo de se apresentar á quasi todos mostrando os emblemas da Brigada, do P.R.R. e do P.L. para demonstrar que o Rio Grande ia em peso, unido e forte em conquista de um Brasil Novo (CORREIO DO POVO, 16 DE OUTUBRO DE 1930, p.01)..
Estabilizada a situação Anísio Miranda buscou o restante da coluna encerrando assim a primeira etapa do avanço que as forças da Revolução deveriam efetuar. Estava aberto o caminho para a junção das forças gauchas com os revolucionários do Paraná. Coube ao Tenente Silvino seguir de automóvel até Palmas-Pr para efetuar a ligação com 5º de Engenharia que aderia o movimento.
4 – Epílogo
Em Porto União a vanguarda revolucionária gaucha assegurava o controle sobre a ferrovia, sua retaguarda, garantindo após as ações dos grupos paranaenses civil e militar, o avanço e o fluxo das tropas rumo à São Paulo, procurando atingir o Palácio do Catete, derrubando Washington Luiz, impedindo a posse de Júlio Prestes e alçando Getulio Vargas à chefia do país. Diante de si o Capitão Anísio Miranda e o General Miguel Costa puderam vislumbrar o Estado do Paraná já rebelado pelos próprios paranaenses, aderindo em sua totalidade à revolução. Abria-se desta forma outro capítulo escrito a partir daquele momento: a Revolução de 1930 no Estado do Paraná.

Demonstrava-se a partir das ações que asseguraram o controle da Ferrovia São Paulo – Rio Grande a determinação dos revolucionários gaúchos em atingir os objetivos a que se propunham. A partir de então teve condições de rapidamente ter sucesso. Nos dizeres de Antonio Cândido o movimento revolucionário tornou-se um eixo catalisador em torno do qual girou toda a cultura social e política brasileira adquirindo uma nova configuração. Neste sentido ela se configurou sim como um marco da história do Brasil por ter feito sentir que houve um antes diferente de um depois.


REFERÊNCIAS
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CÂNDIDO, Antônio. A Revolução de 1930 e a Cultura. In: Novos Estudos Cebrap, São Paulo, v.2, 4, p.27-36, Abril 1984;



COMO FOI LEVADA A EFEITO A INVASÂO DE SANTA CATARINA E PARANÁ. Jornal Correio do Povo, Ano XXXVI – Nº 245 , Porto Alegre , 16 de Outubro de 1930, p.01;

D’ARAUJO, Maria Celina; CASTRO, Celso. (Orgs). Ernesto Geisel. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getulio Vargas, 1997;

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LIMA SOBRINHO, Alexandre José Barbosa. A Verdade Sobre a Revolução de Outubro: 1930. 2ªed. São Paulo: Alfa - Omega. 1975;

MACCAN, Frank D. Soldados da Pátria: História do Exercito Brasileiro (1889-1937). São Paulo: Companhia das Letras, 2007;

MCCANN, Frank D. A influência estrangeira e o exército brasileiro, 1905-1945 / Tradução Lúcia Hippólito. In: Revolução de 30: seminário internacional realizado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea da Fundação Getulio Vargas. Brasília, D.F.: Ed. Universidade de Brasília, c1982. p. 211-246.

MEIRELLES, Domingos. 1930: Os Órfãos da Revolução. Rio de Janeiro: Record, 2005;

PILOTO, Valfrido. Quando o Paraná se Levantou Como Nação. Curitiba: Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense, 1982;

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SPALDING, Walter. Marcelino Ramos e a Revolução. In: Revolução de 1930: Imagens e Documentos, Revista do Globo – Edição Especial, Fevereiro de 1931, Porto Alegre: Barcellos, Bertaso & CIA, p. 228b-228f;



TOURINHO, Luiz Carlos Pereira. A Revolução de 1930 no Paraná. In: Cinqüentenário da Revolução de Trinta no Paraná. 2ª Ed. Curitiba: Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense, 1980, p.11-75;


1 Original guardado no CPDOC da Fundação Getúlio Vargas;






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