I o cristianismo em Jerusalém o propósito de Deus Para Sua Igreja / 2 o preparo dos Doze / 17



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ndice



I. O Cristianismo em Jerusalém

1 O Propósito de Deus Para Sua Igreja / 9

2 O Preparo dos Doze / 17

3 A Grande Comissão / 25

4 O Pentecoste / 35

5 O Dom do Espírito / 47

6 À Porta do Templo / 57

7 Uma Advertência Contra a Hipocrisia / 70

8 Perante o Sinédrio / 77

9 Os Sete Diáconos / 87
II. O Cristianismo na Palestina e Síria

10 O Primeiro Mártir Cristão / 97

11 O Evangelho em Samaria / 103

12 De Perseguidor a Discípulo / 112

13 Dias de Preparo / 123

14 Um Inquiridor da Verdade / 131

15 Liberto da Prisão / 143
III. O Cristianismo vai aos Confins da Terra

16 A Mensagem do Evangelho em Antioquia / 155

17 Arautos do Evangelho / 166

18 Pregando Entre os Gentios / 177

19 Judeus e Gentios / 188

20 Exaltando a Cruz / 201

21 Nas Regiões Distantes / 211

22 Tessalônica / 221

23 Beréia e Atenas / 231

24 Corinto / 243

25 As Cartas aos Tessalonicenses / 255

26 Apolo em Corinto / 269

27 Éfeso / 281

28 Dias de Lutas e Provas / 291

29 Mensagem de Advertência e de Apelo / 298

30 Chamado a Mais Elevada Norma / 309

31 A Mensagem Atendida / 323

32 Uma Igreja Liberal / 335

33 Trabalhando Sob Dificuldades / 346

34 Ministério Consagrado / 359
IV. O Ministério de Paulo

35 A Salvação Para os Judeus / 372

36 Apostasia na Galácia / 383

37 A Última Viagem de Paulo a Jerusalém / 389

38 Paulo Prisioneiro / 399

39 Perante o Tribunal de Cesaréia / 419

40 Paulo Apela Para César / 428

41 Quase Persuadido / 433

42 A Viagem e o Naufrágio / 439

43 Em Roma / 447

44 Os da Casa de César / 461

45 Carta de Roma / 469

46 Em Liberdade / 485

47 A Última Prisão / 489

48 Paulo Perante Nero / 492

49 Última Carta de Paulo / 498

50 Condenado à Morte / 509
V. O Ministério de Pedro

51 Um Fiel Subpastor / 514

52 Firme Até o Fim / 529
VI. O Ministério de João

53 João, o Discípulo Amado / 539

54 Uma Fiel Testemunha / 546

55 Transformado Pela Graça / 557

56 Patmos / 568

57 O Apocalipse / 578

58 A Igreja Triunfante / 593
I. O Cristianismo em Jerusalém

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O Propósito de Deus



Para Sua Igreja

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A igreja é o instrumento apontado por Deus para a salvação dos homens. Foi organizada para servir, e sua missão é levar o evangelho ao mundo. Desde o princípio tem sido plano de Deus que através de Sua igreja seja refletida para o mundo Sua plenitude e suficiência. Aos membros da igreja, a quem Ele chamou das trevas para Sua maravilhosa luz, compete manifestar Sua glória. A igreja é a depositária das riquezas da graça de Cristo; e pela igreja será a seu tempo manifesta, mesmo aos "principados e potestades nos Céus" (Efés. 3:10), a final e ampla demonstração do amor de Deus.

Muitas e maravilhosas são as promessas citadas nas Escrituras com respeito à igreja. "Porque a Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos." Isa. 56:7. "E a elas, e aos lugares ao redor do Meu outeiro, Eu porei por bênção; e farei descer a chuva a seu tempo: chuvas de bênção serão." "E lhes levantarei uma

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plantação de renome, e nunca mais serão consumidas pela fome na Terra, nem mais levarão sobre si o opróbrio dos gentios. Saberão, porém, que Eu, o Senhor seu Deus, estou com elas, e que elas são o Meu povo, a casa de Israel, diz o Senhor Jeová. Vós, pois, ó ovelhas Minhas, ovelhas do Meu pasto: homens sois, mas Eu sou o vosso Deus, diz o Senhor Jeová." Ezeq. 34:26 e 29-31.



"Vós sois as Minhas testemunhas diz o Senhor, e o Meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e Me creiais, e entendais que Eu sou o mesmo, e que antes de Mim deus nenhum se formou, e depois de Mim nenhum haverá. Eu, Eu sou o Senhor, e fora de Mim não há Salvador. Eu anunciei, e Eu salvei, e Eu o fiz ouvir, e deus estranho não houve entre vós, pois vós sois as Minhas testemunhas, diz o Senhor; Eu sou Deus." Isa. 43:10-12. "Eu o Senhor te chamei em justiça, e te tomarei pela mão e te guardarei, e te darei por concerto do povo, e para luz dos gentios; para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas." Isa. 42:6 e 7.

"No tempo favorável te ouvi e no dia da salvação te ajudei, e te guardarei, e te darei por concerto do povo, para restaurares a terra, e lhe dares em herança as herdades assoladas: para dizeres aos presos: Saí; e aos que estão em trevas: Aparecei: eles pastarão nos caminhos, e em todos os lugares altos terão o seu pasto. Nunca terão fome nem sede, nem a calma nem o sol os afligirá; porque o que Se compadece deles os guiará, e os levará

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mansamente aos mananciais das águas. E farei de todos os Meus montes um caminho; e as Minhas veredas serão exaltadas.



"Exultai, ó Céus, e alegra-te tu, Terra, e vós, montes, estalai de júbilo, porque o Senhor consolou o Seu povo, e dos Seus aflitos Se compadecerá. Mas Sião diz: Já me desamparou o Senhor, e o Senhor Se esqueceu de mim. Pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, Eu, todavia, Me não esquecerei de ti. Eis que nas palmas das Minhas mãos te tenho gravado: os teus muros estão continuamente perante Mim." Isa. 49:8-11 e 13-16.

A igreja é a fortaleza de Deus, Sua cidade de refúgio, que Ele mantém num mundo revoltado. Qualquer infidelidade da igreja é traição para com Aquele que comprou a humanidade com o sangue de Seu unigênito Filho. Almas fiéis constituíram desde o princípio a igreja sobre a Terra. Em cada era teve o Senhor Seus vigias que deram fiel testemunho à geração em que viveram. Essas sentinelas apregoaram a mensagem de advertência; e ao serem chamadas para depor a armadura, outros empreenderam a tarefa. Deus pôs essas testemunhas em relação de concerto com Ele próprio, unindo a igreja da Terra à do Céu. Enviou Seus anjos para cuidar de Sua igreja e as portas do inferno não puderam prevalecer contra Seu povo.

Através de séculos de perseguição, conflito e trevas, Deus tem amparado Sua igreja. Nenhuma nuvem sobre ela caiu, para a qual Ele não estivesse preparado;

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nenhuma força oponente surgiu para impedir Sua obra, que Ele não houvesse previsto. Tudo sucedeu como Ele predisse. Ele não deixou Sua igreja ao desamparo, mas traçou em declarações proféticas o que deveria ocorrer, e aquilo que Seu Espírito inspirou os profetas a predizerem, tem-se realizado. Todos os Seus propósitos serão cumpridos. Sua lei está vinculada a Seu trono, e nenhum poder do mal poderá destruí-la. A verdade é inspirada e guardada por Deus; e ela triunfará sobre toda oposição.

Durante séculos de trevas espirituais a igreja de Deus tem sido como uma cidade edificada sobre um monte. De século em século, através de sucessivas gerações, as puras doutrinas do Céu têm sido desdobradas dentro de seus limites. Fraca e defeituosa como possa parecer, a igreja é o único objeto sobre que Deus concede em sentido especial Sua suprema atenção. É o cenário de Sua graça, na qual Se deleita em revelar Seu poder de transformar corações.

"A que", perguntava Cristo, "assemelharemos o reino de Deus? ou com que parábola o representaremos?" Mar. 4:30. Ele não podia empregar os reinos do mundo como uma similitude. Na sociedade nada achou com que o pudesse comparar. Os reinos da Terra se regem pela supremacia do poder físico; mas do reino de Cristo são banidos cada arma carnal, cada instrumento de coerção. Este reino deve erguer e enobrecer a humanidade. A igreja de Deus é o recinto de vida santa, plena de variados dons e dotada com o Espírito Santo. Os membros devem encontrar sua felicidade na felicidade daqueles a quem ajudam e abençoam.

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Maravilhosa é a obra que o Senhor Se propõe realizar por intermédio de Sua igreja, a fim de que Seu nome seja glorificado. Um quadro desta obra é dado na visão que teve Ezequiel, do rio de águas purificadoras: "Estas águas saem para a região oriental, e descem à campina, e entram no mar; e, sendo levadas ao mar, sararão as águas. E será que toda a criatura vivente que vier por onde quer que entrarem estes dois ribeiros, viverá." "E junto do ribeiro, à sua margem, de uma e de outra banda, subirá toda a sorte de árvore que dá fruto para se comer: não cairá a sua folha, nem perecerá o seu fruto: nos seus meses produzirá novos frutos, porque as suas águas saem do santuário; e o seu fruto servirá de alimento e a sua folha de remédio." Ezeq. 47:8-9 e 12.

Desde o início tem Deus operado por intermédio de Seu povo a fim de trazer bênçãos ao mundo. Para a antiga nação egípcia Deus fez de José uma fonte de vida. Através de sua integridade a vida de todo o povo foi preservada. Por meio de Daniel salvou Deus a vida de todos os sábios de Babilônia. E esses livramentos são como lições objetivas; eles ilustram as bênçãos espirituais oferecidas ao mundo, pela ligação com o Deus a quem José e Daniel adoravam. Todos aqueles em cujo coração Cristo habita, cada um que mostre Seu amor ao mundo, é um cooperador de Deus, para bênção da humanidade. À medida que recebe do Salvador graça para reparti-la com outros, de seu próprio ser fluem torrentes de vida espiritual.

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Deus escolhera Israel para revelar Seu caráter aos homens. Ele queria que eles fossem fontes de salvação no mundo. A eles foram entregues os oráculos do Céu, a revelação da vontade de Deus. Nos primeiros dias de Israel, as nações do mundo, mediante práticas corruptas tinham perdido o conhecimento de Deus. Eles O haviam conhecido antes; mas porque "não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu". Rom. 1:21. Mas em Sua misericórdia Deus não as riscou da existência. Ele Se propôs dar-lhes nova oportunidade de se familiarizarem com Ele por intermédio de Seu povo escolhido.



Mediante os ensinos do sacrifício expiatório, Cristo devia ser exaltado perante todas as nações, e todos os que olhassem para Ele viveriam. Cristo era o fundamento da organização judaica. Todo o sistema de tipos e símbolos era uma compacta profecia do evangelho, uma representação em que se continham as promessas de redenção.

Mas o povo de Israel perdeu de vista seus altos privilégios como representantes de Deus. Esqueceram-se de Deus e deixaram de cumprir Sua santa missão. As bênçãos por eles recebidas não produziram bênçãos para o mundo. Apropriaram-se de todas as suas vantagens para glorificação própria. Excluíram-se do mundo para escapar à tentação. As restrições por Deus impostas na sua associação com os idólatras como um meio de prevenir-lhes o conformismo com as práticas pagãs, eles as usaram para levantar um muro de separação entre si e as demais nações.

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Roubaram a Deus no serviço que Ele requerera deles e roubaram ao próximo na guia religiosa e santo exemplo.



Sacerdotes e príncipes fixaram-se numa rotina de cerimonialismo. Satisfizeram-se com uma religião legal e era-lhes impossível dar a outros as vivas verdades do Céu. Consideravam suficiente sua própria justiça e não desejavam a intromissão de um novo elemento em sua religião. A boa vontade de Deus para com os homens não era por eles aceita como algo à parte deles próprios, mas a relacionavam com seus próprios méritos por causa de suas boas obras. A fé que opera por amor e purifica a alma não achava lugar na união com a religião dos fariseus, feita de cerimonialismo e injunções humanas.

De Israel disse Deus: "Eu mesmo te plantei como vide excelente, uma semente inteiramente fiel: como pois te tornaste para Mim uma planta degenerada, de vide estranha?" Jer. 2:21. "Israel é uma vide frondosa; dá fruto para si mesmo." Osé. 10:1. "Agora pois, ó moradores de Jerusalém, e homens de Judá julgai, vos peço, entre Mim e a Minha vinha. Que mais se podia fazer à Minha vinha, que Eu lhe não tenha feito? E como, esperando Eu que desse uvas, veio a produzir uvas bravas?

"Agora pois vos farei saber o que Eu hei de fazer à Minha vinha: tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto; derribarei a sua parede, para que seja pisada; e a tornarei em deserto; não será podada nem cavada; mas crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela. Porque a vinha do

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Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta das Suas delícias; e esperou que exercessem juízo, e eis aqui opressão; justiça, e eis aqui clamor." Isa. 5:3-7. "A fraca não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza." Ezeq. 34:4.

Os líderes judeus imaginavam-se demasiado sábios para necessitar de instrução, demasiado justos para necessitar de salvação e demasiado honrados para necessitar da honra que vem de Cristo. O Salvador afastou-Se deles para outorgar a outros os privilégios de que tinham abusado e a obra que haviam negligenciado. A glória de Deus tinha de ser revelada e Sua Palavra confirmada. O reino de Cristo tinha de ser estabelecido no mundo. A salvação de Deus tinha que se tornar conhecida nas cidades do deserto; e os discípulos foram chamados para fazer a obra que os líderes judaicos deixaram de fazer.

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O Preparo dos Doze



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Para a tarefa de levar avante Sua obra, Cristo não escolheu os doutos ou eloqüentes do Sinédrio judaico ou do poder de Roma. Passando por alto os ensinadores judaicos cheios de justiça própria, o Mestre por excelência escolheu homens humildes, iletrados, para proclamarem as verdades que deviam abalar o mundo. Ele Se propôs preparar e educar esses homens para dirigentes de Sua igreja. Eles, por sua vez, deviam educar outros e enviá-los com a mensagem evangélica. Para que pudessem ter sucesso em sua obra, deviam eles receber o poder do Espírito Santo. Não pelo poder humano ou humana sabedoria devia o evangelho ser proclamado, mas pelo poder de Deus.

Por três anos e meio estiveram os discípulos sob a direção do maior Professor que o mundo já conheceu. Por associação e contato pessoal, Cristo preparou-os para Seu serviço. Dia a dia caminhavam a Seu lado, conversando com Ele, ouvindo Suas palavras de ânimo aos

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cansados e quebrantados, e vendo a manifestação de Seu poder em favor dos doentes e sofredores. Às vezes Ele os instruía, assentando-Se entre eles junto às montanhas; outras vezes, junto ao mar ou andando pelo caminho, lhes revelava os mistérios do reino de Deus. Onde quer que houvesse corações abertos para receber a divina mensagem, Ele desdobrava as verdades do caminho da salvação. Não mandava que os discípulos fizessem isto ou aquilo, mas dizia: "Segue-Me." Mar. 2:14. Em Suas jornadas através dos campos e das cidades, levava-os com Ele para que pudessem ver como ensinava o povo. Viajavam com Ele de um lugar a outro. Tomavam parte nas Suas frugais refeições e, como Ele, estiveram algumas vezes famintos e não raro cansados. Estiveram com Ele nas ruas apinhadas, junto ao lago e no solitário deserto. Viram-nO em todos os aspectos da vida.

Foi na ordenação dos doze que se deram os primeiros passos na organização da igreja, que depois da partida de Cristo devia levar avante Sua obra na Terra. A respeito desta ordenação, diz o relato: "E subiu ao monte, e chamou para Si os que Ele quis; e vieram a Ele. E nomeou doze para que estivessem com Ele e os mandasse a pregar." Mar. 3:13 e 14.

Considerai a tocante cena. Vede a Majestade do Céu tendo em torno os doze por Ele escolhidos. Logo os separará para a obra que lhes destinou. Por meio desses débeis instrumentos, mediante Sua Palavra e Espírito, Ele Se propõe colocar a salvação ao alcance de todos.

Com alegria e júbilo, Deus e os anjos contemplavam esta cena. O Pai sabia que por intermédio desses homens a luz do Céu haveria de brilhar; que as palavras por eles ditas

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ao testemunharem de Seu Filho haveriam de ecoar de geração em geração, até o fim dos séculos.



Os discípulos deviam sair como testemunhas de Cristo para anunciar ao mundo o que dEle tinham visto e ouvido. Seu cargo era o mais importante dos cargos a que já haviam sido chamados seres humanos, apenas inferior ao do próprio Cristo. Eles deviam ser coobreiros de Deus na salvação dos homens. Como no Antigo Testamento os doze patriarcas ocupavam o lugar de representantes de Israel, assim os doze apóstolos representam a igreja evangélica.

Durante Seu ministério terrestre Cristo deu início à obra de derribar o muro de separação entre judeus e gentios e apregoar a salvação a toda a humanidade. Embora judeu, comunicava livremente com os samaritanos, anulando costumes farisaicos dos judeus com respeito a este desprezado povo. Dormia sob seu teto, comia a suas mesas e ensinava em suas ruas.

O Salvador ansiava por desdobrar aos discípulos a verdade referente à demolição da "parede de separação" (Efés. 2:14) entre Israel e as outras nações - a verdade de que "os gentios são co-herdeiros" dos judeus, "e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho". Efés. 3:6. Esta verdade foi revelada em parte quando Ele recompensou a fé do centurião de Cafarnaum, e quando pregou o evangelho aos habitantes de Sicar. Isto foi ainda mais plenamente revelado por ocasião de Sua visita à Fenícia, quando curou a filha da mulher cananéia. Estas experiências ajudaram os discípulos a compreender que entre

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aqueles a quem muitos consideravam como indignos da salvação, havia almas famintas pela luz da verdade.

Assim buscou Cristo ensinar aos discípulos a verdade de que no reino de Deus não há fronteiras territoriais, nem classes sociais; que eles deviam ir a todas as nações, levando-lhes a mensagem do amor do Salvador. Mas não foi senão mais tarde que eles compreenderam em toda a plenitude que Deus "de um só fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da Terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, O pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós". Atos 17:26 e 27.

Havia nesses primeiros discípulos frisante diversidade. Eles deviam ser ensinadores do mundo e representavam amplamente variados tipos de caráter. Para conduzir com êxito a obra para a qual haviam sido chamados, esses homens, diferindo em características naturais e em hábitos de vida, necessitavam chegar à unidade de sentimentos, pensamento e ação. Esta unidade Cristo tinha por objetivo assegurar. Para alcançar este fim Ele procurou mantê-los em união consigo próprio. A responsabilidade que Ele sentia em Sua obra por eles é expressa em Sua oração ao Pai: "Para que todos sejam um, como Tu, ó Pai, o és em Mim, e Eu em Ti; que também eles sejam um em Nós." "Para que o mundo conheça que Tu Me enviaste a Mim, e que os tens amado a eles como Me tens amado a Mim." João 17:21 e 23. Sua constante oração por eles era que fossem santificados pela verdade; e Ele orou com segurança, sabendo que um decreto da parte do Todo-poderoso tinha sido feito antes que o mundo

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tivesse vindo à existência. Sabia que o evangelho do reino devia ser pregado a todas as nações para testemunho; que a verdade armada com a onipotência do Santo Espírito seria vitoriosa na batalha contra o mal, e que a bandeira sangrenta um dia haveria de tremular triunfante sobre Seus seguidores.

Ao aproximar-se o término do ministério terrestre de Cristo e reconhecer Ele que logo precisaria deixar que Seus discípulos levassem avante a obra sem Sua pessoal supervisão, procurou encorajá-los e prepará-los para o futuro. Não os enganou com falsas esperanças. Como num livro aberto, leu o que devia acontecer. Sabia que estava prestes a ser separado deles, para deixá-los como ovelhas entre lobos. Sabia que haviam de sofrer perseguição, que seriam lançados fora das sinagogas e metidos nas prisões. Sabia que por testemunharem dEle como o Messias, alguns experimentariam a morte. E falou-lhes alguma coisa disto. Referindo-Se ao futuro deles, foi claro e definido, para que nas aflições que viriam pudessem lembrar Suas palavras e ser fortalecidos para crer nEle como o Redentor.

Falou-lhes também palavras de encorajamento e de esperança. "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, Eu vo-lo teria dito: vou preparar-vos lugar. E, se Eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para Mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também. Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho." João 14:1-4. Em vosso benefício vim ao mundo; em vosso favor tenho estado trabalhando. Quando Eu for,

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ainda trabalharei ardentemente por vós. Eu vim ao mundo para Me revelar a vós a fim de que pudésseis crer. Vou para o Meu Pai e o vosso Pai, para cooperar com Ele em vosso benefício.

"Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em Mim também fará as obras que Eu faço, e as fará maiores do que estas; porque Eu vou para Meu Pai." João 14:12. Não queria Cristo dizer com isto que os discípulos fariam maiores esforços do que os que Ele havia feito, mas que sua obra teria maior amplitude. Ele não Se referiu meramente à operação de milagres, mas a tudo quanto iria acontecer sob a influência do Espírito Santo. "Mas, quando vier o Consolador", disse Ele, "que Eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade que procede do Pai, Ele testificará de Mim. E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio." João 15:26 e 27.

Maravilhosamente foram estas palavras cumpridas. Depois da descida do Espírito Santo os discípulos sentiram tanto amor por Ele, e por aqueles por quem Ele morreu, que corações se comoveram pelas palavras que falaram e pelas orações que fizeram. Falaram no poder do Espírito; e sob a influência desse poder, milhares se converteram.

Como representantes de Cristo, os apóstolos deviam fazer decidida impressão sobre o mundo. O fato de serem homens humildes não devia diminuir-lhes a influência, antes incrementá-la; pois a mente de seus ouvintes devia ser levada deles para o Salvador que, conquanto invisível, estava ainda operando com eles. O maravilhoso

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ensino dos apóstolos, suas palavras de ânimo e confiança, assegurariam a todos que não era em seu próprio poder que operavam, mas no poder de Cristo. Humilhando-se a si mesmos declarariam que Aquele que os judeus haviam crucificado era o Príncipe da vida, o Filho do Deus vivo, e que em Seu nome haviam feito as obras que Ele fizera.



Em Sua conversação de despedida com os discípulos, na noite anterior à crucifixão, o Salvador não fez referência ao sofrimento que Ele havia suportado e teria ainda de suportar. Não falou da humilhação que estava a sua frente, mas buscou levar-lhes à mente o que lhes pudesse fortalecer a fé, levando-os a olhar para a frente, à recompensa que espera o vencedor. Ele Se regozijava na certeza de que poderia fazer por Seus seguidores mais do que havia prometido, e o faria; de que dEle brotariam amor e compaixão que purificariam o templo da alma e fariam os homens semelhantes a Ele no caráter; de que Sua verdade, armada com o poder do Espírito, sairia vencendo e para vencer.

"Tenho-vos dito isto", declarou Ele, "para que em Mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo." João 16:33. Cristo não fracassou, nem Se desencorajou; e Seus discípulos deviam mostrar fé da mesma persistente natureza. Deviam trabalhar como Ele havia trabalhado, buscando dEle forças. Embora seu caminho fosse obstruído por aparentes impossibilidades, por Sua graça deviam ir para a frente, de nada desesperando e esperando por tudo.

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Cristo havia terminado a obra que Lhe fora dada para fazer. Tinha reunido os que deviam continuar Sua obra entre os homens. E disse: "E nisso sou glorificado. E Eu já não estou mais no mundo; mas eles estão no mundo, e Eu vou para Ti. Pai santo, guarda em Teu nome aqueles que Me deste, para que sejam um, assim como Nós." "Eu não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela Sua palavra hão de crer em Mim; para que todos sejam um." "Eu neles, e Tu em Mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que Tu Me enviaste a Mim, e que os tens amado a eles como Me tens amado a Mim." João 17:10-11, 20-21 e 23.



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A Grande Comissão

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Após a morte de Cristo, os discípulos ficaram quase vencidos pelo desalento. Seu Mestre tinha sido rejeitado, condenado e crucificado. Os sacerdotes e príncipes haviam declarado zombeteiramente: "Salvou a outros, e a Si mesmo não pode salvar-Se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e creremos nEle." Mat. 27:42. O sol da esperança dos discípulos tinha declinado, e a noite havia descido sobre seus corações. Muitas vezes repetiram as palavras: "E nós esperávamos que fosse Ele o que remisse Israel." Luc. 24:21. Desolados e com o coração em dor, lembraram-se de Suas palavras: "Se ao madeiro verde fazem isto, que se fará ao seco?" Luc. 23:31.



Por várias vezes havia Jesus tentado abrir o futuro a Seus discípulos, mas eles não haviam querido refletir no que Ele dissera. Por causa disto, Sua morte veio-lhes como uma surpresa; e mais tarde, ao rememorarem o passado e verem o resultado de sua incredulidade,

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encheram-se de tristeza. Quando Cristo foi crucificado, eles não creram que Ele ressurgisse. Ele havia afirmado claramente que haveria de ressurgir ao terceiro dia, mas eles ficaram perplexos sobre o que Ele queria dizer. Esta falta de compreensão deixou-os ao tempo da Sua morte em extremo desesperançados. Ficaram amargamente desapontados. Sua fé não penetrava além das sombras que Satanás tinha baixado em seu horizonte. Tudo lhes parecia vago e misterioso. Tivessem eles crido nas palavras do Salvador, e quanta tristeza teria sido evitada!

Esmagados pelo desapontamento, angústia e desespero, os discípulos se reuniram no cenáculo e fecharam as portas, temendo que o destino de seu bem-amado Mestre pudesse tocar-lhes também. Foi nesse recinto que o Salvador, depois de Sua ressurreição, lhes apareceu.

Por quarenta dias permaneceu Cristo na Terra, preparando os discípulos para a obra que deviam fazer, e explanando o que até então eles tinham sido incapazes de compreender. Falou-lhes das profecias concernentes a Seu advento, Sua rejeição pelos judeus e Sua morte, mostrando que cada especificação dessas profecias tinha sido cumprida. Falou-lhes também que deviam considerar o cumprimento dessas profecias como garantia do poder que haveria de assisti-los nos seus futuros labores. "Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras. E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dos mortos; e em Seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as

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nações, começando por Jerusalém." E Ele acrescentou: "E destas coisas sois vós testemunhas." Luc. 24:45-48.

Durante esses dias que Cristo passou com os discípulos, eles adquiriram nova experiência. Ao ouvirem o querido Mestre explicar-lhes as Escrituras à luz de tudo quanto acontecera, sua fé foi inteiramente firmada nEle. Chegaram ao ponto em que podiam declarar: "Eu sei em quem tenho crido." II Tim. 1:12. Começaram a compreender a natureza e extensão de sua obra e a reconhecer que deviam proclamar ao mundo as verdades a eles confiadas. Os acontecimentos da vida de Cristo, Sua morte e ressurreição, as profecias que apontavam para esses acontecimentos, os mistérios do plano da salvação, o poder de Jesus para remissão de pecados - de todas estas coisas haviam eles sido testemunhas e deviam torná-las conhecidas ao mundo. Deviam proclamar o evangelho de paz e salvação mediante o arrependimento e o poder do Salvador.

Antes de ascender ao Céu, Cristo deu aos discípulos uma comissão. Disse-lhes que eles deviam ser os executores do testamento no qual Ele legava ao mundo os tesouros da vida eterna. Tendes sido testemunhas de Minha vida de sacrifício em favor do mundo, disse. Tendes visto Meus labores por Israel: E embora Meu povo não quisesse vir a Mim para ter vida, embora sacerdotes e príncipes tenham feito comigo o que desejaram, conquanto Me tenham rejeitado, terão ainda outra oportunidade de aceitar o Filho de Deus. Vistes que todos os que vieram a Mim confessando seus pecados, Eu os recebi

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livremente. Aquele que vem a Mim, de maneira nenhuma o lançarei fora. A vós, Meus discípulos, Eu entrego esta mensagem de misericórdia. Ela deve ser dada tanto a judeus como a gentios - primeiro a Israel, e então a todas as nações, línguas e povos. Todos os que crerem devem ser congregados numa única igreja.

A comissão evangélica é a Carta Magna missionária do reino de Cristo. Os discípulos deviam trabalhar fervorosamente pelas almas, dando a todas o convite de misericórdia. Não deviam esperar que o povo viesse a eles; deviam eles ir ao povo com sua mensagem.


Deviam os discípulos levar avante sua obra no nome de Cristo. Cada uma de suas palavras e atos devia atrair a atenção sobre Seu nome como possuindo esse poder vital pelo qual os pecadores podem ser salvos. Sua fé devia centralizar-se nAquele que é a fonte de misericórdia e poder. Em Seu nome deviam apresentar suas petições ao Pai, e receberiam resposta. Deviam batizar no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O nome de Cristo devia ser a senha, a insígnia, o laço de união, a autoridade para sua norma de prosseguimento e a fonte de seu sucesso. Nada devia ser reconhecido em Seu reino que não trouxesse Seu nome e inscrição.

Quando Cristo disse aos discípulos: Ide em Meu nome ajuntar na igreja a todos quantos crerem, deixou claro perante eles a necessidade de manterem simplicidade. Quanto menor a ostentação e exibicionismo, maior seria sua influência para o bem. Os discípulos deviam falar com a mesma simplicidade com que Cristo havia falado. Deviam imprimir no coração dos ouvintes as mesmas lições que lhes havia ensinado.

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Cristo não disse a Seus discípulos que sua obra seria fácil. Mostrou-lhes a vasta confederação do mal arregimentada contra eles. Teriam de lutar "contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais". Efés. 6:12. Mas não seriam deixados a lutar sozinhos. Assegurou-lhes que estaria com eles; e se fossem avante com fé, seriam protegidos pelo Onipotente. Ordenou-lhes que fossem valorosos e fortes; pois Alguém mais poderoso que os anjos - o General das hostes celestiais - estaria em suas fileiras. Ele tomou completas providências para a prossecução de Sua obra, e assumiu a responsabilidade de seu êxito. Enquanto obedecessem Sua Palavra e trabalhassem em harmonia com Ele, não fracassariam. Ide por todas as nações, ordenou Ele. Ide às mais distantes partes do mundo habitado, e estai certos de que Minha presença estará convosco mesmo ali. Trabalhai com fé e confiança; pois em tempo algum vos deixarei. Estarei sempre convosco, ajudando-vos a executar vossas tarefas, guiando-vos, confortando-vos, santificando-vos e vos sustendo, dando-vos sucesso, quando falardes, de maneira que vossas palavras atrairão a atenção dos outros para o Céu.



O sacrifício de Cristo em favor do homem foi amplo e completo. A condição da expiação tinha sido preenchida. A obra para que viera a este mundo tinha sido realizada. Ele conquistara o reino. Arrebatara-o de Satanás, e Se tornara herdeiro de todas as coisas. Estava a caminho do

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trono de Deus, para ser honrado pela hoste celestial. Revestido de autoridade ilimitada, deu a Seus discípulos sua comissão: "Ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que Eu vos tenho mandado; e eis que Eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos." Mat. 28:19 e 20.

Antes de deixar Seus discípulos, Cristo uma vez mais definiu a natureza de Seu reino. Trouxe-lhes à lembrança as coisas que lhes havia falado anteriormente com relação a esse reino. Declarou-lhes que não era Seu propósito estabelecer neste mundo um reino temporal. Ele não havia sido indicado para reinar como um rei terrestre sobre o trono de Davi. Quando os discípulos Lhe perguntaram: "Senhor, restaurarás Tu neste tempo o reino a Israel?" Ele respondeu: "Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo Seu próprio poder." Atos 1:6 e 7. Não lhes era necessário ver mais distante no futuro do que as revelações que lhes havia feito os capacitavam a ver. Sua obra era proclamar a mensagem evangélica.

A visível presença de Cristo estava prestes a ser retirada dos discípulos, mas uma nova dotação de poder lhes pertenceria. O Espírito Santo ser-lhes-ia dado em Sua plenitude, selando-os para a sua obra. Disse o Salvador: "Eis que sobre vós envio a promessa de Meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder." Luc. 24:49. "Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o

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Espírito Santo; não muito depois destes dias." "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-Me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da Terra." Atos 1:5 e 8.

O Salvador sabia que nenhum argumento, embora lógico, enterneceria corações endurecidos ou atravessaria a crosta da mundanidade e do egoísmo. Sabia que os discípulos precisavam receber o dom celestial; que o evangelho só seria eficaz se proclamado por corações aquecidos e lábios tornados eloqüentes pelo vivo conhecimento dAquele que é o caminho, a verdade e a vida. A obra comissionada aos discípulos iria requerer grande eficiência, porque a onda do mal corria profunda e forte contra eles. Um vigilante e determinado líder estava no comando das forças das trevas, e os seguidores de Cristo somente poderiam batalhar pelo direito com o auxílio que Deus, pelo Seu Espírito, lhes daria.

Cristo disse a Seus discípulos que começassem o trabalho em Jerusalém. Aquela cidade fora o cenário de Seu estupendo sacrifício pela raça humana. Lá, envolto nas vestes da humanidade, andara e falara com os homens, e poucos discerniram quão próximo da Terra estava o Céu. Lá fora condenado e crucificado. Em Jerusalém havia muitos que, secretamente, criam que Jesus de Nazaré era o Messias, e muitos que haviam sido enganados pelos sacerdotes e príncipes. A esses o evangelho devia ser proclamado. Deviam ser chamados ao arrependimento. Devia ser esclarecida a maravilhosa verdade de que

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somente por meio de Cristo pode ser obtida a remissão dos pecados. E era enquanto toda a Jerusalém estava agitada pelos acontecimentos sensacionais das poucas semanas passadas, que a pregação dos discípulos faria a mais profunda impressão.

Durante Seu ministério, Jesus tinha conservado constantemente perante os discípulos o fato de que eles deviam ser um com Ele em Sua obra de recuperação do mundo da escravidão do pecado. Quando Ele enviou os doze, e depois os setenta, para proclamarem o reino de Deus, estava-lhes ensinando o dever de repartir com outros o que lhes havia dado a conhecer. Em toda a Sua obra Ele os estava preparando para trabalho individual, que devia ser expandido à medida que seu número aumentasse, e finalmente alcançar os confins da Terra. A última lição que deu a Seus seguidores foi que lhes tinham sido confiadas as boas novas de salvação para o mundo.

Ao chegar o tempo para Jesus ascender ao Pai, Ele levou os discípulos até Betânia. Ali parou, e eles se agruparam em torno dEle. Com as mãos estendidas para abençoar, como a assegurar-lhes Seu protetor cuidado, vagarosamente subiu dentre eles. "E aconteceu que, abençoando-os Ele, Se apartou deles e foi elevado ao Céu." Luc. 24:51.

Enquanto os discípulos olhavam atônitos para o alto, procurando captar o último vislumbre da ascensão do Senhor, foi Ele recebido pela jubilosa hoste de anjos celestiais. Enquanto estes anjos O acompanhavam às cortes celestes, cantavam triunfalmente: "Reinos da Terra,

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cantai a Deus, cantai louvores ao Senhor. Aquele que vai montado sobre os céus dos céus." "Dai a Deus fortaleza: a Sua excelência, está sobre Israel e a Sua fortaleza nas mais altas nuvens." Sal. 68:32-34.



Os discípulos ainda estavam com os olhos fitos no céu quando, "eis que junto deles se puseram dois varões vestidos de branco, os quais lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no Céu, há de vir assim como para o Céu O vistes ir". Atos 1:10 e 11.

A promessa da segunda vinda de Cristo devia conservar-se sempre viva na mente de Seus discípulos. O mesmo Jesus, a quem viram subir ao Céu, viria outra vez, para receber aos que na Terra se entregam a Seu serviço. A mesma voz que lhes disse: "Estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mat. 28:20), dar-lhes-ia as boas-vindas a Sua presença no reino celestial.

Como no cerimonial típico o sumo sacerdote despia suas vestes pontificais e oficiava vestido de linho branco dos sacerdotes comuns, assim Cristo abandonou Suas vestes reais e Se vestiu de humanidade, oferecendo-Se em sacrifício, sendo Ele mesmo o sacerdote, Ele mesmo a vítima. Como o sumo sacerdote depois de realizar essa cerimônia no santo dos santos, deixava este lugar e se apresentava ante a expectante multidão, em suas roupas pontificais, assim Cristo virá a segunda vez, trajando os mais alvos vestidos, "como nenhum lavadeiro sobre a Terra os poderia branquear". Mar. 9:3. Ele virá na Sua própria glória, e na glória de Seu Pai, e toda a hoste angélica O escoltará em Seu caminho.

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Assim se cumprirá a promessa de Cristo a Seus discípulos: "Virei outra vez e vos levarei para Mim mesmo." João 14:3. A todos os que O têm amado e esperado por Ele, Ele coroará com honra, glória e imortalidade. Os justos mortos ressurgirão de suas sepulturas, e os que estiverem vivos serão arrebatados com eles para encontrar o Senhor nos ares. Eles ouvirão a voz de Jesus, mais suave que qualquer música jamais ouvida por ouvido mortal, dizendo-lhes: Vossas lutas estão terminadas. "Vinde, benditos de Meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo." Mat. 25:34.

Bem podiam os discípulos rejubilar-se na esperança da volta do Senhor.

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O Pentecoste



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Ao voltarem os discípulos do Olivete para Jerusalém, o povo fitava-os, esperando descobrir-lhes no rosto expressões de tristeza, confusão e derrota; mas viram a alegria e triunfo. Os discípulos não pranteavam desapontadas esperanças. Viram o Salvador ressurgido, e Sua promessa de despedida lhes ecoava constantemente aos ouvidos.

Em obediência à ordem de Cristo, esperaram em Jerusalém o cumprimento da promessa do Pai - o derramamento do Espírito. Não esperaram ociosos. Diz o registro que "estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus". Luc. 24:53. Reuniram-se também para, em nome de Jesus, apresentar seus pedidos ao Pai. Sabiam que tinham um representante no Céu, um advogado junto ao trono de Deus. Em solene reverência, ajoelharam-se em oração, repetindo a promessa: "Tudo quanto pedirdes a Meu Pai, em Meu nome, Ele vo-lo

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há de dar. Até agora nada pedistes em Meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra." João 16:23 e 24. Mais e mais alto eles estenderam a mão da fé, com o poderoso argumento: "É Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós." Rom. 8:34.

Ao esperarem os discípulos pelo cumprimento da promessa, humilharam o coração em verdadeiro arrependimento e confessaram sua incredulidade. Ao trazerem à lembrança as palavras que Cristo lhes havia dito antes de Sua morte, entenderam mais amplamente seu significado. Verdades que lhes tinham escapado à lembrança lhes voltavam à mente, e eles as repetiam uns aos outros. Reprovavam-se a si mesmos por não haverem compreendido o Salvador. Como numa procissão, cena após cena de Sua maravilhosa vida passou perante eles. Meditando sobre Sua vida pura, santa, sentiram que nenhum trabalho seria árduo demais, nenhum sacrifício demasiado grande, contanto que pudessem testemunhar na própria vida, da amabilidade do caráter de Cristo. Oh! se pudessem viver de novo os passados três anos, pensavam, quão diferentemente agiriam! Se pudessem somente ver o Mestre outra vez, com que ardor procurariam mostrar quão profundamente O amavam, e quanto se haviam entristecido por terem-nO ferido com uma palavra ou um ato de incredulidade! Mas estavam confortados com o pensamento de que haviam sido perdoados. E determinaram que, tanto quanto possível, expiariam sua incredulidade confessando-O corajosamente perante o mundo.

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Os discípulos oraram com intenso fervor para serem habilitados a se aproximar dos homens, e em seu trato diário, falar palavras que levassem os pecadores a Cristo. Pondo de parte todas as divergências, todo o desejo de supremacia, uniram-se em íntima comunhão cristã. Aproximaram-se mais e mais de Deus, e fazendo isto sentiram que era um privilégio o ser-lhes dado associar-se tão intimamente com Cristo. A tristeza lhes inundava o coração ao se lembrarem de quantas vezes O haviam mortificado por terem sido tardos de compreensão, falhos em entender as lições que, para seu bem, estivera buscando ensinar-lhes.



Esses dias de preparo foram de profundo exame de coração. Os discípulos sentiram sua necessidade espiritual, e suplicaram do Senhor a santa unção que os devia capacitar para o trabalho de salvar almas. Não suplicaram essas bênçãos apenas para si. Sentiam a responsabilidade que lhes cabia nessa obra de salvação de almas. Compreendiam que o evangelho devia ser proclamado ao mundo, e reclamavam o poder que Cristo prometera.



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