I – o que é próprio do homem



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O Capitalismo como processo sociológico em Max Weber

Autor: ANDRÉ, Marisandra Natalia e FELÍCIO, Liliane.

Orientador: OLIVEIRA, Fábio Falcão.

Escola: E. E. Prof. Pedro Crem Filho

Palavras chaves:

Capital e Estrutura Social
RESUMO
Weber (1844-1900) tentará explicar os processos de transformações e organizações sociais que levaram ao surgimento do capitalismo. Foram Marx e Nietzsche, os grandes referenciais de Weber, admitindo serem os pensadores decisivos de seu tempo.

Weber explicará o grande desenvolvimento capitalista ocidental, através de aspectos culturais e não econômicos como Marx, de forma alguma negando a importância e a influência econômica para o desencadeamento de tal processo.

Dentro de sua analise, Weber se prenderá a três aspectos essenciais: a ação social, a relação social e a dominação, ou exploração para Marx. Segundo QUINTANEIRO (1995), Weber se propõe a analisar a estrutura social e sua peculiaridades, assegurando as diversidades sociais produzidas e reproduzidas na sociedade.

METODOLOGIA

A pesquisa foi desenvolvida por meio de estudos teóricos, segundo os autores citados na bibliografia. As consultas bibliográficas, as leituras, a investigação, foram realizadas juntamente com o orientador escola E. E. Prof. Pedro Crem Filho que explicava o sentido dos textos. As anotações destes encontros foram cruciais para a elaboração deste trabalho. Levamos em conta a problematizarão deste trabalho e fazemos um desenvolvimento do conceito sociológico que Weber utiliza para definir a sociedade e o capitalismo no meio dela.



OBJETIVO

Entender que as normas sociais observadas por Max Weber são resultados de uma série de conjuntos de ações individuais, portanto, são as ações individuais as responsáveis pelas ações coletivas. De acordo com o autor, é a partir das ações sociais que se estabelecem as relações sociais. Dessa forma, Weber utilizará da conduta religiosa como instrumento favorecedor do processo capitalista. Existe uma relação entre a religião, mais precisamente o Protestantismo, e o capitalismo ocidental. Weber acredita que o controle prévio democrático, garantido por uma burocracia racional capaz de assegurar tal possibilidade, consiga trazer à sociedade a estabilidade da qual necessita o capitalismo.



INTRODUÇÃO
Max Weber nasceu em 1864, na cidade de Erfurt, na Alemanha. Da mãe herdou o protestantismo, do pai o espírito liberal. De ambos, teria herdado o seu espírito paradoxal, contraditório.

Suas maiores preocupações sobre o desenvolvimento da Alemanha no século XIX, foram sobre a política, a religião e o capitalismo. Sem sombras de dúvidas, sua inclinação à política esteve diretamente ligada ao pai, enquanto sua religiosidade a mãe, da mesma forma, que seu interesse pelo capitalismo esta intrinsecamente associado as condições de desenvolvimento tardio da Alemanha, quando comparada ao restante da Europa.

De acordo com Weber, as relações sociais são as práticas das ações sociais, portanto, as motivações dessas ações é quem são responsáveis pela mobilização social, ou seja, são comportamentos e ações motivadas a partir de algum interesse em comum. Desta forma, Weber encara a ação social como sendo orientada pela conduta do outro. A relação social predominante é a dominação, e para que ela ocorra é necessário que haja a submissão.

Max Weber acreditava na democracia, no Estado burocrático responsável pela preservação das leis e primordialmente, defensor dos direitos sobre a propriedade privada. “Por conseguinte, entenderemos por política o conjunto de esforços feitos visando a participar do poder ou a influenciar a divisão do poder seja entre Estados, seja no interior de um único Estado” (WEBER, 2001, p. 60). Sua concepção sobre poder, tem como base a tradição da razão de Estado alemão, ou seja, a fundamentação e legitimação desse Estado através da coesão física, da força.


O CAPITALISMO E WEBER

Dentro desse quadro que Weber estabelece sob a dominação, ele a justifica através de três fundamentos legais. Inicialmente através da autoridade, ou poder tradicional, neste caso a dominação ocorre devido à autoridade influenciada pelos antigos costumes. Segundo Weber “...costumes santificados pela validez imemorial e pelo hábito, enraizado nos homens, de respeitá-los” (Ibidem, 2001, p. 61) Em segundo lugar, a autoridade calcada no carisma, no fascínio pessoal capaz de influenciar outras pessoas através do poder carismático. Enfim, a dominação legal, ou poder legal, consiste na dominação assegurada através da legitimidade dos estatutos e leis, “...estruturada em regras racionalmente estabelecidas ou, em outras palavras, a autoridade fincada na obediência, que reconhece obrigações concernentes ao estatuto estabelecido” (ibidem, 2001, p. 61).



Segundo o GERTZ: “A caracterização de diferentes estruturas de poder como carismáticas, racional-legais ou tradicionais refere-se às bases de legitimação: os valores que permitem aceitar a dominação” (1997, p. 107) Sendo assim, os valores políticos só podem ser artificialmente separados dos outros valores estabelecidos pela sociedade, e de acordo com a teoria weberiana, a forma de dominação reconhecida representa o consenso desta sociedade.

De acordo com Weber, a racionalidade esta diretamente expressa na forma de dominação legal, sendo esta capaz de desenvolver através do capitalismo um modo racional de vida. Para Weber, a racionalidade representa uma postura de vida peculiar própria da sociedade ocidental. Para o autor, o burguês é a representação dessa postura diferenciada ocidental, que se reflete tanto no espírito do capitalismo, quanto no protestantismo. De acordo com sua teoria, a racionalidade exerce influência e orientação na religião e na economia.


Segundo Weber, devemos à ciência e a sua técnica, o aprimoramento da racionalização intelectualista da sociedade. O autor GERTZ, demonstrará perfeitamente o processo de inserção dessa racionalização diante o contexto alemão: O sucesso mais geral e mais profundo da racionalização é aquilo que Weber demonstra estar principalmente ao alcance da ciência: um desencantamento fundamental do mundo (1997, p. 23 - 24). Dentro desse contexto, o desencantamento dos homens mediante ao mundo, tem como principal fator a falta de fé. Os antigos relacionamentos entre os homens e o mundo, tornam-se insatisfatórios tendo em vista que eles se baseavam na fé. Essa ausência, segundo Weber, será responsável pelo individualismo, pois esta diretamente ligada a responsabilidade racional subjetiva desses homens. Segundo GERTZ:
“A postura básica que Weber assume dentro desse mundo racionalizado, e que também determina sua metodologia, consiste, portanto, numa firmeza objetivamente insustentável do indivíduo que se responsabiliza diante de si mesmo. Colocado dentro deste mundo de servidão, o indivíduo como homem pertence e está abandonado a si mesmo” (1997, p. 2224).
Para Max Weber, o espírito do capitalismo só existe mediante a presença do modo de vida racional instituído pela burguesia, sustentado através do estabelecimento de uma relação entre a ética capitalista e a ética protestante. De acordo com GERTZ:
“...a peculiaridade de seu método empírico – especializado também decorre do fato de que ele não se deixava determinar por nenhuma especialização da vida ou do conhecimento e combatia qualquer método dogmático como forma científica de uma postura do homem diante do mundo com raízes no transcendente, como uma fixação muito rápida em instâncias supostamente últimas, de tipo religioso, social ou também econômico” (1997, p. 28).
Dentro de sua tipologia, Weber analisou e controlou condições materiais distintas do contexto Ocidental. Sua metodologia, permitiu uma analise comparativa sobre o desenvolvimento capitalista e a ideologia religiosa, tendo como referência o processo capitalista ocidental. Fez uso de civilizações distintas e isoladas uma das outras, tendo em vista uma hipótese específica, o Ocidente.


CONCLUSÃO.

Desde o século XIV, a Europa assistia o ressurgimento das cidades e do comércio, intensificavam-se os contatos e laços comerciais, acontecia à ruptura dos antigos elos feudais, dissolviam-se as ordens corporativas e a dependência social.

A falência do senhorio, representa a expropriação do campesinato. A expulsão dos campos é a quebra do antigo sistema vigente, com seu fim encerra-se a servidão e implanta-se o assalariado, ou trabalhador livre. A burguesia dissolve os antigos laços de fidelidade que sustentavam o sistema feudal, substituindo-os por simples relações monetárias. Esse novo sistema reduz valores e revoluciona os instrumentos de produção, consequentemente modificando todas as relações produtivas e sociais existentes até então.

O esgotamento das relações feudais – permuta subsistência, etc. – se deu através da inexistência de normas constitucionais que comportassem o desenvolvimento dos meios de produção e circulação. O capitalismo é o aprimoramento da relações econômicas ao longo dos séculos. Quando o capital comercial transforma-se em capital industrial, ou seja, quando a mercadoria vai perdendo seu lugar para o dinheiro, inicia-se o processo de acumulação primitiva do capital.

Neste contexto a apropriação dos meios de produção são essenciais para as relações capitalistas. Uma pequena parcela da população, é detentora desses meios tornando-se proprietária e contratadora da força de trabalho de uma massa considerável da população. Segundo Weber: “nas sociedades capitalistas modernas, a propriedade de certos bens e as possibilidades de usá-los no mercado são um dos determinantes essenciais da posição das pessoas” (QUINTANEIRO, 1995, p. 111).

Weber acreditava ser o capitalismo uma estrutura econômica única, capaz de exigir naturalmente uma nova sociedade. Dentro dessa concepção, seria ampliada a produtividade cultural e material dessa nova sociedade. Segundo GERTZ:


Weber acentuou que os meios e os fins da ação sob o capitalismo não eram simplesmente expressões de algum impulso econômico universal, mas constituíam um forma definida e socialmente sancionada, que se distingue na busca de satisfação que caracterizava o homem de forma generalizada (1997, p. 101).
Para Weber, a racionalidade é o ponto-chave da distinção entre o feudalismo e o capitalismo, entre as relações tradicionalistas e racionais. De acordo com o autor, o tradicionalismo de cunho econômico significa a estagnação em padrões imutáveis, enquanto a racionalidade representa uma avaliação contínua. Se a racionalidade é a base de sustentação da concepção weberiana, nada melhor que um Estado racional-legal - uma estrutura política burocrática, capaz de assegurar o desenvolvimento dessa nova atividade econômica - para sustentar o capitalismo.

Segundo Weber, os novos valores sociais adquiridos pelo no processo capitalista, não eram naturais e sim produtos do desenvolvimento histórico. De acordo com GERT, o capitalismo representa uma ruptura com o tradiciolanismo, tanto no que diz respeito aos meios quanto aos fins econômicos. Isto não significa que o capitalismo seja indisciplinado, em contraste com os procedimentos tradicionais santificados. Mas significa que a disciplina econômica especificamente capitalista é a maximização da eficiência técnica (1997, p. 103).

Para Weber (2001), essa nova concepção que rompia com o tradicionalismo e implantava novos valores, instituía a incompatibilidade com os antigos princípios medievais, com suas visões mágicas e sacras do mundo. Dentro desta analise, Weber concorda que a classe capitalista empresarial não advém das antigas classes mercantilistas e sim da burguesia ascendente. “Era a pequena e média burguesia que rompia com as tradicionais práticas e restrições das guildas e que se opunha aos monopólios estatais” (GERTZ, 1997, 103). De acordo com Weber (2001), esta classe foi a responsável e, portanto, portadora por excelência daquele espírito aquisitivo e daquela racionalidade recém-descrita.

Max Weber faz uma relação entre a ideologia religiosa e o desenvolvimento social. Tendo como objetivo, esclarecer os efeitos do processo capitalista sobre sociedade, abrangendo-a como um todo: “a estrutura familiar, a dominação política, a estrutura da personalidade e fenômenos culturais como a ciência e as artes” (Ibidem, 1997, p. 100).

De acordo com Weber (2002), o capitalismo e suas instituições necessitaram de uma mudança de conduta e hábitos, determinados valores e determinados impulsos psicológicos para o desdobramento máximo de suas potências (GRTZ, 1997, p. 116). A religião corresponde as necessidades dos homens mediante as interpretações coerentes de sua situação de vida. Desta forma, WEBER (2002) defende que a prática religiosa e a fé determinam a direção dos modos de vida dos indivíduos dentro da sociedade.

O tradicionalismo religioso medieval, era constituído de elementos mágicos e sacros. Os pecados eram sanados através da confissão: “...com isso o catolicismo medieval fornecia um alivio e evitava a racionalização [...] somente um determinado grupo, os monges, era incentivado a racionalizar suas vidas” (GERTZ, 1997, p. 113).

Lutero e Calvino rejeitam a idéia de que somente a Igreja católica possuía poderes mágicos capazes de livrar o homem de seus pecados e os encaminharam com certeza para a graça.

Weber (2002) mostrou que certos tipos de Protestantismo (em especial o Calvinismo) favoreciam o comportamento económico racional e que a vida terrena (em contraste com a vida eterna) recebeu um significado espiritual e moral positivo. O Calvinismo trouxe a idéia de que as habilidades humanas (música, comércio, etc.) deveriam ser percebidas como dádiva divina e por isso incentivadas. Este resultado não era o fim daquelas idéias religiosas, mas antes um subproduto ou efeito lateral. A lógica inerente destas novas doutrinas teológicas e as deduções que se lhe podem retirar, quer direta ou indiretamente, encorajam o planejamento e a abnegação ascética em prol do ganho económico.




REFERÊNCIAS

GERTZ, René E (org.). Max Weber & Karl Marx. São Paulo: Hucitec, 1997.

QUINTEIRO, Tânia (org.), BARBOSA, Maria Lígia de O., OLIVEIRA, Márcia Gardênia de. Um Toque de Clássicos: Durkheim, Marx e Weber. Belo Horizonte: UFMG, 1995.

WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Trad. NASSETTI, Pietro. São Paulo: Martins Claret, 2002.



WEBER, Max. Ciência e Política – Duas Vocações. Trad. MELVILLE, Jean. São Paulo: Martins Claret, 2001.



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