I – LÍngua portuguesa e literatura brasileira



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I – LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA BRASILEIRA

Para responder às questões de 1 a 5, leia atentamente o texto I.



TEXTO I

Durante dois anos o cortiço prosperou de dia para dia, ganhando forças, socando-se de gente. E ao lado o Miranda

assustava-se, inquieto com aquela exuberância brutal de vida, aterrado defronte daquela floresta implacável que lhe

crescia junto da casa, por debaixo das janelas, e cujas raízes, piores e mais grossas do que serpentes, minavam por

toda a parte, ameaçando rebentar o chão em torno dela, rachando o solo e abalando tudo.

Posto que lá na Rua do Hospício os seus negócios não corressem mal, custava-lhe a sofrer a escandalosa fortuna do

vendeiro “aquele tipo! um miserável, um sujo, que não pusera nunca um paletó, e que vivia de cama e mesa com uma

negra!”


À noite e aos domingos ainda mais recrudescia o seu azedume, quando ele, recolhendo-se fatigado do serviço,

deixava-se ficar estendido numa preguiçosa, junto à mesa da sala de jantar, e ouvia, a contragosto, o grosseiro rumor

que vinha da estalagem numa exalação forte de animais cansados. Não podia chegar à janela sem receber no rosto

aquele bafo, quente e sensual, que o embebedava com o seu fartum de bestas no coito.

(...)

E depois, fechado no quarto de dormir, indiferente e habituado às torpezas carnais da mulher, isento já dos



primitivos sobressaltos que lhe faziam, a ele, ferver o sangue e perder a tramontana, era ainda a prosperidade do

vizinho o que lhe obsedava o espírito, enegrecendo-lhe a alma com um feio ressentimento de despeito.

Tinha inveja do outro, daquele outro português que fizera fortuna, sem precisar roer nenhum chifre; daquele outro

que, para ser mais rico três vezes do que ele, não teve de casar com a filha do patrão ou com a bastarda de algum

fazendeiro freguês da casa!

Mas então, ele Miranda, que se supunha a última expressão da ladinagem e da esperteza; ele, que, logo depois do

seu casamento, respondendo para Portugal a um ex-colega que o felicitava, dissera que o Brasil era uma cavalgadura

carregada de dinheiro, cujas rédeas um homem fino empolgava facilmente; ele, que se tinha na conta de invencível

matreiro, não passava afinal de um pedaço de asno comparado com o seu vizinho! Pensara fazer-se senhor do Brasil e

fizera-se escravo de uma brasileira mal-educada e sem escrúpulos de virtude! Imaginara-se talhado para grandes

conquistas, e não passava de uma vítima ridícula e sofredora!...

AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. Rio - São Paulo - Fortaleza: ABC, 2004: 23.



Glossário:

fartum – mau cheiro resultante de ranço; bafio; mofo.

tramontana – rumo; direção.

ladinagem – astúcia; esperteza

1. Quanto às imagens utilizadas pelo narrador para

descrever o cortiço, no primeiro parágrafo do

texto I, é correto afirmar:

a) As expressões “floresta implacável” e “raízes,

piores e mais grossas do que serpentes

caracterizam uma natureza semelhante

àquela descrita pelos românticos.

b) A expressão “piores e mais grossas do que

serpentes” traduz uma forma objetiva e

impessoal de descrever o cortiço, princípio

defendido pelos realistas e naturalistas.

c) As imagens utilizadas para a descrição da

natureza representam o crescimento

desordenado do cortiço.

d) A expressão “raízes, piores e mais grossas

do que serpentes” refere-se à moradia de

Miranda.


e) As expressões “floresta implacável” e “raízes,

piores e mais grossas do que serpentes

estabelecem uma oposição entre o cortiço e a

natureza.

2. No terceiro parágrafo do texto I, observa-se que

I. a descrição caracteriza o ambiente através

da exploração das sensações auditiva,

olfativa e tátil.

II. a expressão “fartum de bestas no coito

traduz apenas a visão do narrador sobre os

habitantes do cortiço.

III. a expressão “fartum de bestas no coito

revela a animalização do personagem

Miranda.

Está(ão) correta(s):

a) apenas I d) apenas II e III

b) apenas II e) I, II e III

c) apenas I e II

3. Observe a passagem:

Pensara fazer-se senhor do Brasil e fizera-se



escravo de uma brasileira mal-educada e sem

escrúpulos de virtude! Imaginara-se talhado para

grandes conquistas, e não passava de uma vítima

ridícula e sofredora!”

Tendo em vista a relação de sentido entre os

termos e as orações, a conjunção e possui

respectivamente um valor:



a) aditivo, aditivo, adversativo, adversativo.

b) adversativo, aditivo, adversativo, aditivo.

c) adversativo, adversativo, aditivo, adversativo.

d) aditivo, adversativo, aditivo, adversativo.

e) aditivo, aditivo, aditivo, aditivo.

_______ _ _ ___ ___ ________ __

_____ _ _______

2

4. Quanto ao uso dos elementos de coesão,

destacados no primeiro parágrafo do texto I,

verifica-se que esses elementos – lhe, cujas e



dela – referem-se respectivamente a(à):

a) daquela floresta implacável / janelas / floresta

b) exuberância brutal de vida / cortiço / da casa

c) de Miranda/ daquela floresta implacável / da

casa


d) exuberância / janelas / vida

e) Miranda / daquela floresta implacável/ gente

5. Observe a passagem:

Posto que lá na Rua do Hospício os seus negócios



não corressem mal, custava-lhe a sofrer a

escandalosa fortuna do vendeiro “aquele tipo! um

miserável, um sujo (...)”

Considerando-se a relação sintático-semântica

entre as orações desse período, a expressão

Posto que” pode ser substituída, sem alteração

de sentido, por:

a) Desde que d) Ainda que

b) Porque e) Dado que

c) Visto que

Para responder às questões de 6 a 10, leia



atentamente o texto II.

TEXTO II

Jesuítas

Quando o vento da Fé soprava Europa,

Como o tufão, que impele ao ar a tropa

Das águias, que pousavam no alcantil;

Do zimbório de Roma – a ventania

O bando dos Apost’los sacudia

Aos cerros do Brasil.

Tempos idos! Extintos luzimentos!

O pó da catequese aos quatro ventos

Revoava nos céus...

Floria após na Índia, ou na Tartária,

No Mississipi, no Peru, na Arábia

Uma palmeira – Deus! –

(...)


Um dia a taba do Tupi selvagem

Tocava alarma... embaixo da folhagem

Rangera estranho pé...

O caboclo da rede ao chão saltava,

A seta ervada o arco recurvava...

Estrugia o boré.

E o tacape brandindo, a tribo fera

De um tigre ou de um jaguar ficava à espera

Com um gesto ameaçador...

Surgia então no meio do terreiro

O padre calmo, santo, sobranceiro,

O Piaga do amor.

Quantas vezes então sobre a fogueira,

Aos estalos sombrios da madeira,

Entre o fumo e a luz...

A voz do mártir murmurava ungida

“Irmãos! Eu vim trazer-vos – minha vida...

Vim trazer-vos – Jesus!”

Grandes homens! Apóstolos heróicos!...

Eles diziam mais do que os estóicos:

“Dor, – tu és um prazer!

“Grelha, – és um cetro! Chama, – um diadema

Ó morte, – és o viver!”

Outras vezes no eterno itinerário

O sol, que vira um dia no Calvário

Do Cristo a santa cruz,

Enfiava de vir achar nos Andes

A mesma cruz, abrindo os braços grandes

Aos índios rubros, nus.

Eram eles que o verbo do Messias

Pregavam desde o vale às serranias,

Do pólo ao Equador...

E o Niagara ia contar aos mares...

E o Chimborazo arremessava aos ares

O nome do Senhor!...

ALVES, Castro. Espumas flutuantes.

São Paulo: FTD, 1997: 73-76.



Glossário:

alcantil – rocha talhada a pique; lugar alto e escarpado.

zimbório – parte mais alta e exterior da cúpula de um edifício.

estrugir – fazer estremecer com estrondo; estrondar.

boré – tipo de flauta utilizada pelos índios brasileiros.

piaga – chefe espiritual dos índios; feiticeiro; pajé.

ungida – sagrada; purificada.

estóico – partidário do estoicismo; impassível ante a dor e a

adversidade.



Niagara – o mesmo que Niágara; cataratas na fronteira dos

Estados Unidos com o Canadá.



Chimborazo – vulcão extinto dos Andes (Equador).

6. Considerando-se a relação do texto II com o

Romantismo, percebe-se que esse texto



a) apresenta uma visão bucólica da natureza.

b) retrata, com neutralidade, o primeiro século

da colonização portuguesa.



c) afasta-se da postura da primeira geração

romântica, segundo a qual a colonização

ocorreu sem conflito e sem resistência.

d) representa os índios de forma heróica, numa

atitude própria aos poetas da primeira fase do

Romantismo.

e) caracteriza-se como um texto de denúncia

social, típico da terceira fase do Romantismo.



7. Sobre a relação entre os jesuítas e os índios, o

eu-lírico do texto II

I. critica o processo de catequização adotado

pelos jesuítas.

II. apresenta uma oposição entre o mártir e o

selvagem.

III. defende radicalmente a preservação dos

costumes indígenas.

Está(ão) correta(s):

a) apenas I d) apenas II e III

b) apenas II e) I, II e III

c) apenas III

8. Quanto ao uso da linguagem figurada, é

INCORRETO afirmar que o texto II

a) caracteriza os índios como parte da natureza

selvagem.



b) revela, através de comparações com

elementos da natureza, uma concepção

negativa da fé cristã.

c) estabelece uma relação de comparação entre

os jesuítas e as águias, valorizando os feitos

daqueles.

d) compara o vento da fé com o tufão.

e) representa os jesuítas como mártires,

propagadores da fé no novo mundo.



9. A metonímia é a figura de linguagem que

consiste em substituir uma palavra por outra, em

vista de uma relação de proximidade de sentidos

que há entre elas. Considerando-se esse

conceito, verifica-se que as expressões “pó da

_______ _ _ ___ ___ ________ __

_____ _ _______

catequese” (estrofe 2) “estranho pé” (estrofe 3) e

mesma cruz” (estrofe 7) podem ser substituídas,

respectivamente, por

a) águias / jesuíta / sol

b) águias / indígena / cristianismo

c) palavra de Deus / jesuíta / sol

d) palavra de Deus / indígena / cristianismo

e) palavra de Deus / jesuíta / cristianismo

10. Releia a estrofe:

Quando o vento da Fé soprava Europa,



Como o tufão, que impele ao ar a tropa

Das águias, que pousavam no alcantil;

Do zimbório de Roma – a ventania

O bando dos Apost’los sacudia

Aos cerros do Brasil.

Observando-se a relação sintática entre os

termos, é correto afirmar:

a) O termo Europa funciona como o agente da

ação expressa pelo verbo soprar.



b) O pronome que (verso 3) recupera apenas o

termo tropa.



c) O emprego do verbo pousar no plural

caracteriza um erro de concordância, de

acordo com a Gramática Normativa.

d) A conjunção como é usada para estabelecer

uma comparação entre os termos tufão e



Europa.

e) A expressão O bando dos Apost’los exerce

a ação expressa pelo verbo sacudir.




Gabarito


01 02 03 04 05 06 07 08 09 10

C A B C D C B B E A
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