I – LÍngua portuguesa e literatura brasileira



Baixar 213,42 Kb.
Encontro30.07.2018
Tamanho213,42 Kb.




I – LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA BRASILEIRA



TEXTO I
Exagerado

(Cazuza)


1 Amor da minha vida

Daqui até a eternidade

Nossos destinos foram traçados

Na maternidade


5 Paixão cruel, desenfreada

Te trago mil rosas roubadas

Pra desculpar minhas mentiras

Minhas mancadas


9 Exagerado

Jogado aos teus pés

Eu sou mesmo exagerado

Adoro um amor inventado


13 Eu nunca mais vou respirar

Se você não me notar

Eu posso até morrer de fome

Se você não me amar


17 Por você eu largo tudo

Vou mendigar, roubar, matar

Até nas coisas mais banais

Pra mim é tudo ou nunca mais


21 Exagerado

Jogado aos teus pés

Eu sou mesmo exagerado

Adoro um amor inventado


25 Que por você eu largo tudo

Carreira, dinheiro, canudo

Até nas coisas mais banais

Pra mim é tudo ou nunca mais


(Disponível em: <www.lyrics.com.br>).
1. No texto acima, o verso “Adoro um amor inventado” (linha 12) sugere que o eu-lírico
a) não estabelece uma relação amorosa, baseada na idealização do amor.

b) tem consciência acerca dos exageros do seu amor romântico.

c) faz distinção entre o amor inventado e seu comportamento exagerado.

d) usa o termo “inventado” para referir-se a um amor real.

e) manifesta insatisfação em viver um “amor inventado”.

2. O eu-lírico, no texto I, refere-se ao seu interlocutor através das palavras e expressões:
a) amor da minha vida / te / teus / você / paixão cruel / desenfreada

b) exagerado / paixão cruel / desenfreada / você / teus / te

c) amor da minha vida / exagerado / paixão cruel / desenfreada / teus

d) jogado / você / paixão cruel / te / amor da minha vida / teus

e) jogado / teus / você / paixão cruel / exagerado / te

3. O texto I estabelece relação com a poética do Romantismo no que diz respeito à(ao):
a) representação idealizada da mulher.

b) presença do amor erótico e sensual.

c) devoção pela noite e ambientes soturnos.

d) exaltação de um amor ingênuo e doce.

e) sentimento de auto-destruição.


TEXTO II



Idéias íntimas (fragmento)

(Álvares de Azevedo)




1

5

10



15

Junto ao meu leito, com as mãos unidas,

Olhos fitos no céu, cabelos soltos,

Pálida sombra de mulher formosa

Entre nuvens azuis pranteia orando.

É um retrato talvez. Naquele seio

Porventura sonhei doiradas noites:

Talvez sonhando desatei sorrindo

Alguma vez nos ombros perfumados


Esses cabelos negros, e em delíquio*


Nos lábios dela suspirei tremendo.

Foi-se a minha visão. E resta agora

Aquela vaga sombra na parede

– Fantasma de carvão e pó cerúleo**,

Tão vaga, tão extinta e fumarenta

Como de um sonho o recordar incerto.




* delíquio: desfalecimento

** cerúleo: da cor do céu
4. Com relação ao texto II, é correto afirmar:
a) A expressão “Junto ao meu leito” (verso 1) traduz o modo como “a pálida sombra” (verso 3) se apresenta ao eu-lírico.

b) As formas nominais orando, sonhando, sorrindo e tremendo expressam a maneira como o eu-lírico se apresenta diante da mulher amada.

c) No verso “Como de um sonho o recordar incerto” (verso 15), o conectivo como estabelece uma relação de causa com o verso “tão vaga, tão extinta e fumarenta” (verso 14).

d) O uso do pronome se (verso 11) realça o desaparecimento da visão do eu-lírico.

e) Nos versos “Porventura sonhei doiradas noites” (verso 6) e “talvez sonhando desatei sorrindo” (verso 7), o verbo sonhar apresenta o mesmo comportamento sintático.

5. Sobre os textos I e II, é correto afirmar:
a) Apenas no texto II ocorre a representação do amor idealizado.

b) A ausência da descrição da pessoa amada, no texto I, torna a representação dessa pessoa menos real.

c) O eu-lírico do texto II não se mostra vacilante em relação à mulher amada.

d) A concepção de amor como predestinação está presente em ambos os textos.

e) O romantismo, como estado de alma, atitude profundamente emotiva diante da vida, está presente em ambos os textos.

TEXTO III





1

5

10



15

20

25



Que fazias tu, mãe cautelosa e ríspida que não vinhas arrancar às mãos e à boca da filha um veneno tão sutil e mortal? D. Benedita, à janela, olhava a noite, entre as estrelas e os lampiões de gás, com a imaginação vagabunda, inquieta, roída de saudades e desejos. O dia tinha-lhe saído mal, desde manhã. D. Benedita confessava, naquela doce intimidade da alma consigo mesma, que o jantar de D. Maria dos Anjos não prestara para nada, e que a própria amiga não estava provavelmente nos seus dias de costume. Tinha saudades, não sabia bem de que, e desejos, que ignorava. De quando em quando, bocejava ao modo preguiçoso e arrastado dos que caem de sono; mas se alguma coisa tinha era fastio, - fastio, impaciência, curiosidade. D. Benedita cogitou seriamente em ir ter com o marido; e tão depressa, a idéia do marido lhe penetrou no cérebro, como se lhe apertou o coração de saudades e remorsos, e o sangue pulou-lhe num tal ímpeto de ir ver o desembargador que, se o paquete* do Norte estivesse na esquina da rua e as malas prontas, ela embarcaria logo e logo. Não importa; o paquete devia estar prestes a sair, oito ou dez dias; era o tempo de arranjar as malas. Iria por três meses somente, não era preciso levar muita coisa.

Ei-la que se consola da grande cidade fluminense, da similitude dos dias, da escassez das coisas, da persistência das caras, da mesma fixidez das modas, que era um dos seus árduos problemas: – por que é que as modas hão de durar mais de quinze dias?


(Trecho do conto “D. Benedita” de Machado de Assis)


* paquete: navio veloz e luxuoso, originariamente a vapor, para transporte rápido e regular de passageiros.

6. O texto III apresenta um perfil psicológico da personagem D. Benedita. Considerando a ironia própria à escrita de Machado de Assis, pode-se afirmar que D. Benedita
a) caracteriza-se como uma mulher paciente e cautelosa.

b) demonstra ser uma personagem consciente dos seus sentimentos.

c) possui uma personalidade acomodada.

d) adora as novidades, o espetáculo, o fugaz.

e) toma as decisões após refletir longamente.

7. O trecho: “Que fazias tu, mãe cautelosa e ríspida que não vinhas arrancar às mãos e à boca da filha um veneno tão sutil e mortal?”
I. constitui uma avaliação irônica do narrador acerca da personagem D. Benedita.

II. reforça, através do discurso da personagem D. Benedita, sua personalidade fútil.

III. é um diálogo entre o narrador e a personagem.
Está(ão) correta(s):
a) apenas I d) apenas I e III

b) apenas I e II e) todas

c) apenas II

8. Observando-se as relações sintático-semânticas estabelecidas entre as orações do texto III, pode-se afirmar:
I. Entre as orações “e tão depressa, a idéia do marido lhe penetrou no cérebro” e “como se lhe apertou o coração de saudades e remorsos” (linhas 16 a 18), existe uma relação de simultaneidade das ações.

II. A oração destacada no período “o sangue pulou-lhe num tal ímpeto de ir ver o desembargador que, se o paquete do Norte estivesse na esquina da rua e as malas prontas, ela embarcaria logo e logo (linhas 18 a 21) expressa uma idéia de conseqüência.

III. As orações intercaladas “se o paquete do Norte estivesse na esquina da rua e as malas prontas” (linhas 19 a 21) traduzem uma idéia de temporalidade.
Está(ão) correta(s):
a) apenas I d) apenas I e III

b) apenas I e II e) todas

c) apenas II

9. No conto Os Fícus do Senhor, de Rubem Braga, existe uma comparação entre a natureza das árvores e a do homem. Neste sentido, é correto afirmar:
a) O fícus representa o orgulho e a dignidade humana.

b) O jardineiro que poda o fícus é movido por sentimentos nobres.

c) A submissão do fícus às formas que lhe dá o jardineiro lembra a subserviência humana.

d) A tirania do jardineiro não se assemelha ao fascismo.

e) A capacidade de aceitar a imposição é peculiar a todo ser humano.

TEXTO IV
De Seattle a Gênova
Uma radiografia dos movimentos antiglobalização
O movimento antiglobalização apresenta-se, na virada deste novo milênio, como uma das principais novidades na arena política no cenário da sociedade civil, dada sua forma de articulação/atuação, em redes com extensão global. Ele tem elaborado uma nova gramática no repertório das demandas e dos conflitos sociais, trazendo novamente as lutas sociais para o palco da cena pública e a política para a dimensão pública – tanto na forma de operar, nas ruas, quanto no conteúdo do debate que trouxe à tona: o modo de vida capitalista ocidental moderno e seus efeitos destrutivos sobre a natureza.

O movimento antiglobalização criou um novo ator sociopolítico de caráter mundial que pautou, na agenda dos grandes problemas internacionais, um dos maiores desafios do século 21: como atuar diante do choque entre as diferentes culturas nacionais e da ampliação dos conflitos étnicos. Ele fez isso ao denunciar as contradições existentes entre a voracidade da globalização econômica no plano das nações e seus mercados e os efeitos destrutivos da globalização no plano cultural, no nível local. Ao criar esse novo repertório, ele criou uma densa rede de resistência, expressa em atos de desobediência civil e propostas alternativas à forma atual da globalização, considerada como o fator principal da exclusão social existente. Ele pautou também a agenda de um outro tipo de globalização, baseada na solidariedade e respeito às culturas, voltada para um novo tipo de modelo civilizatório, com desenvolvimento econômico mas também com justiça e igualdade social.

(GOHN, Maria da Glória. Caderno Mais, Folha de São Paulo, 27 jan. 2002).


Gabarito

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10

E A C D B C E A B D



10. É comum em todas as áreas do conhecimento a utilização, por empréstimo, de terminologia própria de outras áreas para facilitar a compreensão das idéias expressas. Em relação ao texto IV, constituem exemplos desse procedimento, adotado pelo autor para falar de antiglobalização, as palavras ou expressões:
a) antiglobalização, nova gramática, conflitos étnicos, novo ator, cena pública.

b) globalização, novo ator, agenda, repertório, nova gramática.

c) nova gramática, repertório, novo ator, agenda, palco.

d) novo milênio, agenda, arena política, cena pública, novo ator.

e) exclusão social, agenda, cena pública, novo ator, nova gramática.






: secoes -> provasVestibular
provasVestibular -> Português
provasVestibular -> I – LÍngua portuguesa e literatura brasileira
provasVestibular -> L I n g u a g e n s
provasVestibular -> Ii –– LÍÍngua portuguessa e liiteratura brassiileiira para responder às questões de 1 a 6
provasVestibular -> I – LÍngua portuguesa e literatura brasileira texto I fragmento da Carta de Pero Vaz de Caminha
provasVestibular -> I – LÍngua portuguesa e literatura brasileira texto I texto II
provasVestibular -> I língua portuguesa e literatura brasileira
provasVestibular -> Português o texto serve de referência para você responder às questões a seguir. Texto cidadãs do mundo
provasVestibular -> Língua portuguesa e literatura brasileira
provasVestibular -> I – LÍngua portuguesa e literatura brasileira




©livred.info 2019
enviar mensagem

    Página principal