Homilias sagrada família 1992-2017 Temas tratados nas Homilias da Festa da Sagrada Família



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HOMILIAS

SAGRADA FAMÍLIA

1992-2017

Temas tratados nas Homilias da Festa da Sagrada Família

1992-2017


2017

Uma família pobre de meios, mas rica no amor

2016

(não houve domingo entre Natal e Ano novo)

2015

Família, Casa de Misericórdia

2014

Uma casa, para a alegria do evangelho

2013

A família, uma felicidade controversa

Novas Bem-aventuranças da família



2012

O caminho da fé em família

2011

(não houve domingo entre Natal e Ano novo)

2010

A Família e os desafios da presente crise económica e social

2009

Família, escola de gratuidade e casa de gratidão

2008

Famílias,

protagonistas de primeira linha, na nova evangelização

2007

Contar a história do natal e da família

2006

Pais aflitos. Relação pais-filhos

2005

(não houve domingo entre Natal e Ano novo)

2004

Família e Eucaristia

2003

A procura de Deus une a família

2002

Família e Educação da Fé (Oração)

2001

Crianças em risco

2000

Adolescência e vigilância

1999

Os anciãos fazem parte do presépio

1998

A figura do Pai

1997

Família humana e família cristã

1996

?

1995

Ampara a velhice do teu pai

1994

(não houve domingo entre Natal e Ano novo)

1993

Às portas do Ano Internacional da Família

1992

A encarnação na família e uma família encarnada
Homilia na Festa da Sagrada Família B 2017

Uma família rica no amor
1. Natal e Família são dois amores inseparáveis. E, por isso, na celebração anual do mistério da encarnação, eis-nos de olhos fixos, na riqueza do amor, que brilha como marca distintiva da Sagrada Família de Jesus, Maria e José.
Bem vistas as coisas, o acontecimento do Natal, pelo qual o Verbo Se fez Carne, é a história de uma família, cruzada nas histórias de outras famílias, onde todos são protagonistas e ninguém é excluído: os casais, as crianças, os jovens, os adultos e os anciãos. E vemo-lo, por exemplo, no evangelho de hoje: quarenta dias depois do nascimento, o Menino é apresentado por Maria e José, no Templo de Jerusalém, juntamente com duas pombinhas, precisamente a oferta de quem, por modéstia de recursos, não podia permitir-se pagar um cordeiro (cf. Lc 2,24; Lv 5,7). E ali estão, em vigilante expectativa, dois idosos, movidos pela Estrela que brilha no amor. Eis que seguram nos braços o Menino Deus, que, por sua vez, os sustém a eles na esperança e é, para todos, Luz das nações. Não falta nesta história, o drama de uma família, refugiada no Egito. Pobre de meios, não chegam lá de mãos vazias, pois levam uma bagagem feita de coragem, capacidades, energias e aspirações, para além dos tesouros da sua própria cultura. Esta família resiliente regressará mais tarde a Nazaré, onde Jesus vive 30 anos de silêncio, ganhando o pão, com o trabalho das suas mãos.
Resumindo, “este é o mistério do Natal e o segredo de Nazaré, cheio de perfume a família! É o mistério do qual bebem também as famílias cristãs para renovar a sua esperança e alegria(AL 65). “Aqui se aprende o que é a família, a sua comunhão de amor, a sua austera e simples beleza, o seu caráter sagrado e inviolável(Paulo VI, Alocução em Nazaré, 5 de janeiro de 1964).
2. Não estamos, pois, diante de família encantada ou idealizada, por um conto de fadas. Não. Estamos diante de uma família encantadora, porque fiel, acolhedora, livre, pobre de meios, mas rica no amor e, por isso mesmo, missionária. Esta “aliança de amor e fidelidade, vivida pela Sagrada Família de Nazaré, ilumina o princípio que dá forma a cada família e a torna capaz de enfrentar melhor as vicissitudes da vida e da história. Sobre este fundamento, cada família, mesmo na sua fragilidade, pode tornar-se uma luz na escuridão” (AL 66) e “uma alegria para o mundo(Tema do Encontro mundial de famílias 2018). Na verdade, “a força da família reside essencialmente na sua capacidade de amar e ensinar a amar. Por muito ferida que possa estar uma família, ela pode sempre crescer a partir do amor” (AL 53). Este amor, sem preferência, que não depende da escolha nem da comparação, pede exigência para consigo e ternura para com os outros, humildade para pedir perdão e misericórdia para o oferecer, esforço da caridade para amar o outro, tal como é e não na medida das minhas expectativas. Sujeita a inevitáveis crises, a família caminha, cresce e amadurece, na medida em que vive a alegria do amor, paciente e amável, generoso e prestável, aquele amor que tudo desculpa, tudo crê e tudo suporta (cf. I Cor 13,4-7). A família deve ser o lugar onde cada pessoa é amada e não avaliada; em que cada pessoa vale pelo seu Q.A. (quociente de amor) e não pelo seu Q.I. (quociente de Inteligência), em que cada pessoa é amada pelo que é e não pelo que faz, pelo que dá ou recebe e não pelo que produz ou ganha!
3. Queridas famílias: viveis a partir do amor, para o amor e no amor? Como seria rica de amor a vida familiar, se cada dia vivêsseis as três palavras mágicas: «por favor», «obrigado» e «desculpa»! Não tenhais medo de as usar, porque têm duração ilimitada! Quanto mais uso tiverem, mais o vosso amor conjugal e familiar se há de robustecer e crescer, noite e dia, à imagem daquele Menino, que Se tornava robusto e crescia em sabedoria e em graça. Uma família rica de amor é como o Natal, uma boa nova de paz e alegria para o mundo! Caminhemos nessa direção.

Homilia na Festa da Sagrada Família C 2015 – fórmula revista

1. Natal e família são inseparáveis! O Filho de Deus veio ao mundo numa família. Dizemos que é «Sagrada» esta família, mesmo sabendo que o Menino nasceu de Maria, que O concebera, no seu noivado, quando ainda nem sequer coabitava com José! E dizemos que é “Sagrada” esta família, em que um tal José acolhe, sem preconceito, a Virgem Maria, como sua esposa, e acaba por adotar Jesus, como filho, não de outro homem, mas do Eterno Pai. Tudo isto, à revelia completa dos bons costumes da época, que exporiam Maria à condenação, e fariam de José um usurpador, por posse ilegal de filho menor. É «Sagrada» esta Família, mesmo sendo uma perigosa família “de refugiados”, que foge para o Egipto, por perseguição política e religiosa. De regresso à sua terra, esta família viverá trinta anos de vida escondida, em Nazaré e nem sempre as coisas correm de feição, como percebemos da aflição de Maria e José, que se sentem perdidos e fazem perguntas a Jesus, sem O condenar, prontos a escutar e a aceitar que o Filho não lhes pertence, e que, juntos, terão de se encontrar sob o abrigo da casa do Pai.
2. Faz-nos bem pensar nisto, para não desesperarmos da imperfeição e das dificuldades das nossas famílias, algumas também ditas “irregulares”. “Não existe família perfeita. Uma família perfeita seria uma anormalidade. Por isso, não é fácil a vida diária de nenhuma família. “A família é sempre o lugar onde nem tudo funciona bem, porque não é um lugar executivo, mas um espaço existencial. Como toda a aventura humana, é frequentada, sem cessar por conflitos, falhas, ofensas, que suscitam rancor e exigem perdão” (Fabrice Hadjadj, Qué es una família, 46). Não há por que estranhar as tensões na família, que é, por excelência, o lugar da diferença: em primeiro lugar, da diferença sexual entre o próprio casal, em que cada um é outro e de outro modo (Ib.,78). Esta diferença, por sua vez, é geradora de outra diferença: a diferença geracional, entre pais e filhos e avós. A família é, por isso, o lugar onde se tecem e articulam estas diferenças, que não podem nem devem ser abolidas, para fugir às tensões e dificuldades relacionais, mas assumidas, para reforçar os laços do amor conjugal, filial e fraternal.

A tentação, hoje, para resolver estas tensões e conflitos, é preferir a consulta no especialista à conversa em família; é substituir a mesa pela tablete eletrónica; é trocar o leito conjugal pelo divã do psiquiatra; é fugir da Confissão e expor-se inteirinho na televisão. Não faltará até quem sugira substituir a instituição “família” por um organizado club de encontros ou de afetos.
3. Neste Ano Jubilar é importante reafirmar a família, como primeiro lugar da misericórdia. Para isso, é necessário que as suas misérias sejam superadas, não mediante soluções técnicas, aditivas ou paliativas, mas com a paciência do diálogo e a benevolência do perdão dado e recebido. Vale mais o diálogo do filho com um pai imperfeito do que uma consulta com um perito em família. Vale mais uma carícia de um avô imperfeito do que qualquer técnica de terapia familiar. «A ternura nos relacionamentos familiares é a virtude de todos os dias, que ajuda a ultrapassar os conflitos interiores e relacionais” (Relação Final do Sínodo dos Bispos 2015, nº88).
Então, sim, quando a família se torna o primeiro lugar da misericórdia, até as debilidades dos pais e os seus fracassos acabam por ser uma força, porque lhes permitem voltar-se, juntamente com os filhos, para o único Pai, rico em misericórdia. E, desse modo, manifestarão uma vida bela, mais forte que os seus poucos êxitos.
4. Queridos irmãos e irmãs: É verdade: não existe família perfeita. Não temos pais perfeitos não somos perfeitos, não nos casamos com uma pessoa perfeita nem temos filhos perfeitos. Temos queixas uns dos outros. Dececionamo-nos uns aos outros. Por isso, não há casamento viável nem família saudável sem o exercício do perdão. O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual. Sem perdão a família torna-se uma arena de conflitos e um reduto de mágoas. Sem perdão a família adoece. O perdão é a purificação da alma, a limpeza da mente e a libertação do coração. Quem não perdoa não tem paz na alma, nem comunhão com Deus. A mágoa é um veneno que intoxica e mata. Guardar mágoa no coração é um gesto autodestrutivo. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente. É por isso que a família precisa de ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento; palco de perdão e não de culpa. O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza; cura, onde a mágoa causou doença" (Papa Francisco).
Por isso, não se pode viver bem, especialmente em família, sem perdoar. Porque todos os dias cometemos injustiças, uns contra os outros, devido à nossa fragilidade e ao nosso egoísmo. No entanto, o que se nos pede é que curemos imediatamente as feridas que causamos uns aos outros, que voltemos a tecer imediatamente os fios, que dilaceramos em família. Se esperarmos demasiado tempo, tudo se tornará mais difícil. E há um segredo simples para curar as feridas e resolver as acusações. É este: não deixar que o dia termine sem pedir perdão, sem fazer as pazes entre marido e esposa, entre pais e filhos, entre irmãos e irmãs, entre nora e sogra! Se aprendermos imediatamente a pedir e a conceder o perdão recíproco, as feridas curam-se, o matrimónio fortalece-se e a família torna-se um lar cada vez mais sólido, que resiste aos abalos das nossas pequenas e grandes maldades. E para isto não é necessário pronunciar um grande discurso, mas é suficiente uma carícia: uma carícia e tudo acaba e recomeça. Nunca termineis o dia em guerra” (Papa Francisco, Audiência, 4.11.2015)!
Disse hoje mesmo o Papa: “O perdão é a essência do amor, que sabe compreender o erro e pôr-lhe remédio. Ai de nós se Deus não nos perdoasse! É no seio da família que as pessoas são educadas para o perdão, porque se tem a certeza de ser compreendidas e amparadas, não obstante os erros que se possam cometer” (Papa Francisco, Homilia, 27.12.2015).
5. Queridos irmãos e irmãs: que o Jubileu da Misericórdia seja vivido, em primeiro lugar, nas relações diárias, entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos e irmãs, sem esquecer a proteção dos avós! “Não percamos a confiança na família! É bom abrir sempre (a porta do) o coração uns aos outros, sem nada esconder. Onde há amor, também há compreensão e perdão” (Papa Francisco, Homilia, 27-12-2015). Que ao atravessarmos o limiar da “porta santa” da nossa casa, experimentemos sempre a alegria da misericórdia, a confiança no perdão, a ternura de um regaço, de um beijo, de um abraço. Um pouco mais de misericórdia salvará a nossa família e fará deste mundo a nossa casa comum, onde é tão “belo viver como irmãos” (Sl.133)!

Homilia na Festa da Sagrada Família B 2014
1.Uma casa para a alegria do Evangelho”! Assim é a Família de Nazaré, cuja festa litúrgica, celebramos, em plena oitava do Natal. Na verdade, a celebração do Natal acende uma luz forte, sobre o desígnio de Deus, para a família humana. Jesus nasceu numa família! Podia ter vindo de modo espetacular, como um guerreiro ou imperador. Mas não: veio como filho, numa família. Deus quis nascer numa família humana, que Ele mesmo formou. Forjou-a num longínquo povoado da periferia do Império romano: em Nazaré. E aí, na família de Nazaré, Jesus viveu 30 anos, com Maria e José, e era-lhes submisso (cf. Lc.2.51).
2. Sem curas nem milagres, sem pregações nem multidões, numa terra de “onde não podia vir coisa boa” (Jo.1,46), Jesus vive todo esse tempo, na normalidade de uma família, seguindo os costumes de uma família israelita, piedosa e diligente (Lc.2,22): rezando diariamente em casa e frequentando fielmente a sinagoga, no dia consagrado ao Senhor. Em casa trabalhava-se, normalmente: a mãe cozinhava, ocupava-se dos afazeres da casa; o pai, carpinteiro, labutava e ensinava o filho a trabalhar. Era precisamente assim, numa família normal, da periferia, que Jesus “crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens” (Lc. 2, 51-52).
3. E foram trinta anos, no recolhimento e escondimento de uma família normal! «Mas que desperdício», direis vós! Não. No desígnio de Deus, é muito importante, que Jesus possa nascer, viver e crescer em família. É aí que o Menino se torna adolescente e jovem; é aí que entende a necessidade e a beleza de cultivar a sua vocação mais profunda e 0s seus sonhos grandiosos! É aí, nesse tempo e templo familiar, que Jesus cultiva a vocação, para a qual o Pai o enviara! E aí, com a vida santa de Maria Imaculada e José, homem justo, Jesus cresce, em coragem, para decidir, ir e seguir em frente, com a sua missão!

4. Queridos irmãos e irmãs, queridas famílias: a esta luz, deixai que vos sugira duas atitudes, para fazermos da nossa família, “uma casa, para a alegria do evangelho”:
Primeira atitude: Deixar que Jesus cresça, na nossa família!
Não basta a Jesus ter lugar, no nosso Presépio, como recém-nascido. Jesus, que nasceu para nós, quer crescer em cada um de nós! Mas também hoje, este Jesus que crescia na família de Nazaré, quer crescer na família de cada um de nós! Cada família é chamada a tornar-se verdadeira “Igreja doméstica”, onde Jesus reina e a sua Paz tem lugar. Cada família cristã deve acolher Jesus, ouvi-l’O, falar com Ele, conservá-l’O, protegê-l’O, e crescer com Ele, e só assim pode melhorar o mundo. Esta é a grande missão da família cristã: acolher Jesus, isto é, acolher Jesus na pessoa dos filhos, que são uma bênção do Senhor; acolher Jesus, na pessoa do marido ou da esposa, que se devem um ao outro, no amor de Cristo; acolher Jesus, na pessoa dos mais velhos, que tanto precisam do nosso afeto e compreensão! Jesus quer crescer aí: em cada pessoa e em cada relação familiar.
Segunda atitude: Dar importância ao tempo em família, ao tempo para a família!
Queridas famílias: Nunca é um desperdício, nunca é de mais, o tempo de estar em família, a brincar, a conversar, a rezar, a conviver, a trabalhar. E, como aconteceu naqueles trinta anos, em Nazaré, assim também deve ser hoje na nossa família: é preciso fazer com que o amor se torne normal, e não o ódio; fazer com que a entreajuda se torne comum, e não reine a indiferença ou a inimizade; fazer com que a alegria de viver em família, se torne a regra e não a exceção. Uma família feliz é sempre uma boa nova, para o mundo! Por isso, não o esqueçais: “a alegria do evangelho da família é a nossa missão”!

HOMILIA NA FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA – ANO A – 2013 – fórmula mais breve
1. A tradição já não é o que era! Mesmo se a “família” é ainda hoje uma instituição altamente apreciada, como valor inestimável, a verdade é que a configuração das famílias tem, na atualidade, contornos, que não se comparam aos de há cinquenta anos. O número crescente de casais à experiência, de uniões de facto, de casamentos apenas pelo civil, de divórcios, de novos casamentos de divorciados, de filhos nascidos fora do casamento, e até de uniões homossexuais, põe em evidência uma realidade nova, a que não escapam as famílias “tradicionais”!
2. Não se vê que haja caminh0, na ilusão de um regresso saudosista, que pretenda restaurar uma espécie de “paraíso” em ruinas. Sobre a família, temos hoje e cada vez mais perguntas, do que respostas! Pastores e fiéis perguntam-se, por exemplo: que podemos aprender com estas novas experiências, onde o bem e o mal, o santo e o perverso, os êxitos e os fracassos humanos, andam sempre, mais ou menos, misturados? Que caminhos novos abrem estas realidades, a outras formas de ver e de viver o Evangelho? São algumas questões levantadas, no célebre questionário de preparação, para o próximo Sínodo dos Bispos, em outubro de 2014, sobre «os desafios pastorais da família no contexto da nova evangelização». Sem remédio caseiro - que para o caso não há - penso que todos nós teremos de aprender a escutar, a acompanhar, a dialogar, com todas estas novas formas de preparar, de construir ou de refazer a família, mesmo sem deixarmos de propor um certo ideal e a descoberta de uma certa ordem de valores. Mas tudo isto, sem nunca impor, como lei ou tradição, o que só pode ser escolhido!
3. Sejam quais forem as respostas, aos desafios da família em mutação, nós sabemos, à partida, que a família será sempre o lugar da nossa felicidade, mas de uma felicidade sempre controversa! Mais de 70% dos portugueses continua a associar a felicidade, à vida em casal e em família! Por isso, atrevo-me hoje e aqui, a enunciar oito novas aventuranças da família1, que nos ajudem a reencontrar essa felicidade, tão controversa, aliás, como as próprias bem-aventuranças:


  1. Bem-aventuradas as famílias que entendem a sua missão, como uma arte de hospitalidade. Em família, não somos donos de nada, nem de ninguém: somos elos de uma corrente, companheiros. Acolhamo-nos, portanto, uns aos outros, na gratuidade, desinteressadamente e só assim, a família se tornará «porto de abrigo» para todas as marés.

  2. Bem-aventuradas as famílias que diariamente combatem o analfabetismo dos afetos. Sejamos, em família, artesãos do afeto, num amor que nos aceita por inteiro, que abraça o que somos e o que não somos, o que nós já fomos e aquilo em que nos tornámos. Mesmo se as panelas ou os pratos andarem lá em casa pelo ar, ninguém se deite nem adormeça, sem primeiro fazer as pazes!

  3. Bem-aventuradas as famílias que compreendem a importância do inútil. Não deixemos que nenhum membro da família se torne descartável, pelo facto de não ser útil ou lucrativo! Estar juntos, em casa, sem fazer nada, é tão necessário, como trabalhar, para ganhar o pão de cada dia. Os mais novos e os idosos, que não fazem nada, fazem-nos mais falta, do que o trabalho que nos dão! Saibamo-los ouvir e aprender com eles e seguir em frente, com sabedoria!

  4. Bem-aventuradas as famílias que cultivam uma arte da lentidão. Na pressão de decidir, precisamos de uma lentidão, que nos proteja das precipitações mecânicas, de gestos cegamente compulsivos, de palavras fatais ou banais. Rezar, juntos, em família, também nos modera a pressa e nos modela na arte do amor paciente de Deus para connosco!

  5. Bem-aventuradas as famílias que não deitam fora a caixa dos brinquedos. Em família, brincar é uma coisa tão necessária e tão importante como trabalhar e falar a sério! Brinquem a sério! A sério, brinquem mais uns com os outros.

  6. Bem-aventuradas as famílias que arriscam fazer bom uso das crises. Mudar de vida, não significa tornar-se outro, ou, pior ainda, partir para outra… (outra pessoa, outra experiência…). Quanto mais conscientes dos nossos entraves, limites e contradições, mas também das nossas forças e capacidades, tanto mais poderemos dar-nos conta de quem somos e do lugar que ocupamos, na vida dos outros! A crise não se destina a afundar, mas a aprofundar a relação!

  7. Bem-aventuradas as famílias que se assumem como um laboratório para a alegria, uma escola do sorriso, um ateliê para a esperança, uma fábrica para o abraço e para a dança. Aquilo que mais pesa na vida é não receber um sorriso, é não se sentir querido. Em vez de crescermos na severidade, na intransigência, na indiferença, na maledicência, no lamento, cresçamos na alegria, na simplicidade, na gratidão e na confiança.

  8. Bem-aventuradas as famílias que vivem abertas às surpresas do futuro e põem a sua confiança em Deus. O «sim» do amor, dado, pelo casal, e para sempre, «na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida» conta com a graça do Sacramento do Matrimónio. Esta graça, não é uma decoração para uma cerimónia bonita; é para tornar fortes os casais, para os fazer corajosos, a fim de que possam seguir em frente! Mas se o sonho do casamento se tornar um pesadelo, se algum de vós se sentir rejeitado, tende ainda esta confiança: Deus não desiste de nenhum de vós; o seu amor por cada um de vós não volta atrás!


Todas estas bem-aventuranças, não são mais do que o desenvolvimento daquela outra que não é nova, mas é para todos e é para sempre: “Felizes os que reconhecem o Senhor, felizes os que seguem os seus caminhos” (Sal127/128).


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