Histórico Edifício Imperial



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Histórico Edifício Imperial

 

O Cine Theatro Imperial, inaugurado em 18 de abril de 1931, abriu suas portas para os porto-alegrenses sob o signo da novidade. Ao contrário da maioria das outras salas de cinema da capital gaúcha, o Imperial possuía cadeiras dispostas de maneira que a visibilidade fosse conveniente de qualquer lugar da sala, o que era não só um incremento tecnológico, mas também um pequeno luxo. O primeiro filme a ser rodado nas telas do Imperial foi Romance, estrelado por Greta Garbo.


De acordo com a jornalista Suzana Gastal, o Cinema Imperial “é apresentado por Nilo Ruschel como o mais luxuoso da cidade, iniciativa de um grupo de nova geração formado por Gabriel Pedro Moacyr, Manequinha Martins, Carlos Fuchs e Oscar Gertum.”  Nem mesmo o Cine Capitólio, uma das salas de maior renome do Rio Grande do Sul à época, alcançava a imponência e luxo do Imperial. A importância da sala era tanta que o próprio representante geral da MGM para a América Latina, William Melunker, visitou a sala, como noticiou o jornal Correio do Povo de 18.04.1931. 

 

No dia seguinte à inauguração da sala, o mesmo Correio do Povo utilizava as seguintes palavras para noticiá-la: “mais de três mil pessoas assistiram ontem à inauguração do Cine Theatro Imperial, instalado no moderno arranha-céu à Praça da Alfândega (...). O Cine Theatro nas suas linhas elegantes e leves constitui o mais confortável dos cinemas do Estado, o mais luxuoso e moderno, pela riqueza e magnificência de suas instalações.” . O aspecto luxuoso da fachada do prédio era reafirmado pela escadaria da entrada do edifício, pelo granito polido das paredes, em tom marrom e pelos trabalhos arquitetônicos que ornamentavam as paredes e os umbrais das portas e janelas, em estilo gótico. Ainda de acordo com o Correio, tudo na sala dava a “sensação agradável de um ambiente de luxo e comodidade onde se torna delicioso assistir às exibições cinematográficas. Mas o que mais agrada, o que mais constitui novidade é a distribuição da luz, em cores, pela grande sala.”  O jornal completava a reportagem afirmando que o “Imperial é o nosso melhor cinema”.



 

A partir daí, o Imperial se firmou como uma das mais importantes salas de cinema do Estado, revezando-se com o Guarany na exibição de super espetáculos de Hollywood e produções européias de primeira linha.  Mas além de ser uma casa exibidora, o Imperial também era um ponto de encontro e convívio social. Podemos usar as palavras do jornalista e pesquisador Claúdio Todeschini sobre os cinemas de Porto Alegre, para exemplificar o significado do Imperial para a nossa cidade: “os freqüentadores sentem-se familiarizados com o firmamento cinematográfico do ambiente daqueles grandes saguões de entrada, as salas de espera formadas por inumeráveis fotos de divas e galãs, entre o colorido dos cartazes eletrizantes.” 


Dois anos depois de sua fundação a casa passou para o controle de Horácio Castello, que mais tarde também seria proprietário do lendário Cine Castello na Azenha. Castello, um paulista radicado em Porto Alegre desde 1921, trabalhara anteriormente na distribuição de filmes. A companhia fundada por ele para a administração do Cine Imperial viria a se tornar uma das principais empresas administradoras de cinemas de Porto Alegre, o Grupo Nacional de Cinemas.
Os anos 30, década da construção do Imperial, significaram para Porto Alegre a era de ouro dos cinemas. Durante toda esta época Porto Alegre viveu uma espécie de febre cinematográfica, com o crescimento incontido de salas de cinema nos mais diferentes bairros da Capital. A cidade tinha, na década de 40, 50 salas exibidoras, 28 distribuidoras e mais de 1000 funcionários envolvidos com a indústria cinematográfica. Estes números, numa cidade que ainda não possuía meio milhão de habitantes, eram mais do que expressivos e representavam a euforia que vivia a cidade em relação ao mercado cinematográfico. Era a época de ouro dos chamados cinemas de calçada. Cada bairro tinha o seu ponto cativo de exibição de filmes e as matinês de Sábado desta época se tornaram legendárias e estão até hoje presentes no imaginário de Porto Alegre. Era a era dos cowboys e dos índios, dos galãs e das eternas musas, de Humphrey Bogart e de Rita Hayworth. Uma geração cresceu embalada pelas telas prateadas do Imperial e de outros cinemas. No entanto, apesar de toda esta euforia, os cinemas de calçada logo entrariam em um processo de decadência de caráter irreversível.

Nas décadas de 40 e 50 o Imperial continuou seu legado de glória, como um dos cinemas mais luxuosos e mais inovadores do estado. Em 1954 a sala importou dos Estados Unidos a tecnologia do cinemascope, surgida um ano antes. O cinemascope significou, à época, uma das maiores revoluções tecnológicas da história do cinema. Em 25 de fevereiro de 1953 o Correio do Povo anunciava eufórico o surgimento da nova tecnologia: “Tão revolucionária quanto o cinema falado, a nova técnica fotográfica (...) não requer modificações importantes nos atuais aparelhos cinematográficos. Nos cinemas será necessária a instalação de um dispositivo de som e tela grande, instalação que será de custo módico” . Na mesma reportagem o periódico também expressava seu juízo sobre esta nova criação tecnológica: “Nossa opinião, compartilhada por líderes importantes da indústria, é que este novo elemento cinematográfico, o cinemascope, permite ao público sentir o drama e a ação vivida a partir da sensação que esta produz vivamente. Em extensão maior do que representações teatrais. É uma profunda emoção podermos entusiasticamente declarar que pusemos agora os meios de vigorar e ampliar o horizonte dos filmes cinematográficos a um grau jamais alcançado.”    


A década de 60 representa o início da longa derrocada e agonia dos cinemas de calçada. O encarecimento dos custos afasta os investidores e isto acaba refletindo diretamente na qualidade das salas. O surgimento da televisão afasta os espectadores. Muitas casas se deterioram e perdem público. Os cinemas dos bairros mais afastados são os que primeiro sentem o baque da crise e muitos são obrigados a cerrar suas portas. A década encerraria com o fechamento de 36 cinemas.


Os cinemas do Centro ainda conseguem manter-se em uma relativa prosperidade até a década de 70. A crise na indústria exibidora, contudo, não tardaria a se fazer sentir.. Logo, torna-se inviável a manutenção das grandes casas de espetáculos. Muitas fecham as portas e outras, como o Capitólio e o Carlos Gomes, passam a exibir filmes pornográficos. O Imperial, entretanto, conseguiu manter um razoável nível de público, não se rendendo à tentação de exibir pornografia. Uma década mais tarde, em 1986, a casa inaugura o Cinema Guarani em seu mezanino, diminuindo seu tamanho e tornando-se mais viável sob o ponto de vista econômico. O Imperial mantém-se até hoje como uma das poucas casas do Centro a exibir filmes comerciais, com relativo sucesso de público.

 



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