História, política e imagem dialética



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Apresentam
SEMINÁRIO

HISTÓRIA, POLÍTICA E IMAGEM DIALÉTICA”



Locais de Realização:

Cinemateca Brasileira (Largo Senador Cardoso, 207, Vila Clementino, São Paulo - SP) – dias 19 e 20 de maio, terça e quarta

Museu da Cultura (Rua Monte Alegre, 984, PUC-SP | Perdizes | subsolo do prédio velho) – dia 21 de maio, quinta

Acontece de 19 a 21 de maio (terça a quinta) o Seminário: “HISTÓRIA, POLÍTICA E IMAGEM DIALÉTICA”, uma realização do Núcleo de Pesquisa e Produção de Imagem – NUPPI e do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política – NEAMP. O evento visa interlocução de pesquisadores e artistas maranhenses com pesquisadores, sociedade e pesquisadores de outras latitudes, no intuito de intensificar o debate em torno de questões importantes às ciências humanas e ao pensamento crítico. A partir de um enorme esforço interinstitucional, um grupo de pesquisadores de diferentes áreas se debruçarão sobre a obra do filósofo Walter Benjamin e Glauber Rocha, além de outros pensadores, e, a partir desse encontro, traçarão considerações sobre as relações entre arte, política, história e imagem dialética. Este evento é o segundo de um ciclo de seminários que estão previstos para as cidades de São Luís (MA), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) e que culminarão na publicação de um livro.



Programação
terça – 19 de maio – 15 horas

Local: Cinemateca Brasileira – Sala BNDES
Abertura:

15:00 horas

Projeção do filme MARANHÃO 669 – JOGOS DE PHODER (2014), de Ramusyo Brasil (60 min)

Sinopse:

A partir do documentário Maranhão 66, filme pouco conhecido da cinematografia de Glauber Rocha, Maranhão 669 - Jogos de Phoder atualiza a potência estética do cinema glauberiano articulando-o com o pensamento histórico de Walter Benjamin. Traça pontes entre poéticas corporais performativas e o inconsciente político brasileiro, numa trama onírica que investe nos processos ritualísticos de produção audiovisual. Com acento nitidamente ensaístico, recolhe fragmentos de raiva poética que cintilam entre o erótico e o infernal, a psique e a política, o real e o imaginário, o documental e o ficcional.



16:00 horas

Maranhão 669 – cinema, poesia e performance

Marcus Ramusyo de Almeida Brasil

Professor de Comunicação / Fotografia e Multimídia do curso de Artes Visuais do IFMA. Doutor em Ciências Sociais / área: política (PUC-SP). Coordenador do Núcleo de Pesquisa e Produção de Imagem (NUPPI / IFMA). Pesquisador do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política (NEAMP / PUC-SP). Pós-Doutor em Comunicação (ECO-UFRJ).


Resumo:

Tento encontrar possíveis conexões existentes entre o cinema de Glauber Rocha, com sua estética e seu fluxo temporal próprios, e o pensamento filosófico de Walter Benjamin, principalmente no tocante às técnicas de montagem e à utilização de alegorias como forma de encontrar uma imagem dialética latente. A ideia é criar uma revisitação do filme Maranhão 66 (1966) a partir da problematização crítica do cinema de Glauber e da perspectiva teórica de Benjamin. Desse processo reflexivo surgiu outro filme, o Maranhão 669, um ensaio audiovisual que se propõe como uma imagem que possibilita analisar o Maranhão atual à luz do seu passado político, por isso o 9, que, ao se colocar ao lado do 6 compõe uma imagem reflexo (ou real)[69], mitigando uma reflexividade histórica tal como uma imagem de espelho, opticamente refletida e invertida sobre o próprio eixo, que questiona, assim, a ordem linear do espelho como um duplo e a recoloca sob a lógica de um espectro, de uma sombra, de um vestígio, de um fantasma.




16:45 horas

Como filmar o real alegórico? No cinema entre Benjamin e Jodorowsky

Carolina Libério
Professora do Departamento de Comunicação Social / Rádio e TV da Universidade Federal do Maranhão. Doutoranda em Comunicação (UFRJ). Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa e Produção de Imagem (NUPPI).
Resumo:

Walter Benjamin em sua pesquisa sobre o drama barroco alemão define a alegoria como a vida que irrompe no símbolo e que o tira do caminho direto de correspondência com um sentido único ideal. Se a alegoria é uma escrita e, antes de mais nada, uma escrita de imagens a partir de imagens (mentais ou mediais), ela constitui-se principalmente por uma tessitura em camadas, camadas densas que atraem para si a necessidade de uma leitura atravessada pela temporalidade histórica, não cronológica, mas antes de tudo tópica e residual. A alegoria é densa e não nos deixa livre qualquer via de correspondência direta, mas contorce-se sobre si mesma, em dobras e cambalhotas. À via direta ofertada pelo símbolo, a alegoria nos oferece um espaço curvo, no qual é preciso se instalar antes de encontrar qualquer saída. A presente fala visa uma correspondência entre a ideia de alegoria presente na obra de Walter Benjamin e o cinema de Alejandro Jodorowsky, para discutir de que modos o real se instala em e para além da imagem no cinema. Partindo antes de tudo da ideia de existência do alegórico no real, não como algo preexistente, mas como formulação problemática possível, pensamos a formulação de imagens como uma forma processual de lidar com o presente e com a história. Neste sentido, discutimos os procedimentos utilizados por Jodorowsky em filmes como “A montanha sagrada” (1974) e “Fando y Liz” (1968), bem como apresentamos a experiência de filmagem durante a produção do filme “Maranhão 669” (2014)
17:30 horas

Os muitos Maranhões no cinema documentário do governo José Sarney

Wagner Cabral

Professor do departamento de História da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Doutor em História Social (UFC). Mestre em História (UNICAMP). Autor de inúmeros artigos em livros e periódicos especializados sobre história política e grupos de poder no Maranhão.


Resumo:

Análise dos documentários Maranhão 66 (Glauber Rocha) e Milagre do Maranhão (Isaac Rosenberg), como integrantes das estratégias de legitimação do governo José Sarney (1966-1970). Contudo, os dois documentários guardam grandes diferenças entre si, pois, de um lado, o criador da Eztetyka da Fome, realizou uma experimentação com a linguagem do cinema-verdade, causando forte impacto e provocando intensa polêmica; enquanto, de outro lado, o cineasta romeno produziu um documentário na vertente tradicional de exaltação do poder, das obras e da vontade do governante e da “revolução” (leia-se, ditadura militar). Nesse sentido, os dois cineastas elaboraram e recriaram, cada qual a seu modo, várias representações sobre o Maranhão e sua identidade no contexto nacional e internacional, de microcosmo alegórico do subdesenvolvimento latino-americano a exemplo regional bem-sucedido do “Brasil Grande Potência”, tal como apontado na Doutrina de Segurança Nacional.



18:15 horas

Políticas de cinema no Brasil: impactos e permanências

Telmo Antônio Dinelli Estevinho

Doutor em Ciência Política pela PUC-SP e professor do Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal do Mato Grosso, UFMT. É especialista em políticas culturais e políticas de cinema no Brasil, atuando também nas áreas de políticas públicas e teoria política contemporânea.



Resumo:
Em 1966 o regime militar criava o Instituto Nacional de Cinema (INC), disposto a apoiar a produção regular de filmes no Brasil. A criação desta agência governamental estruturou um campo de ação para cineastas, produtores e políticos que tem mantido suas características básicas desde então. Trinta e cinco anos depois, em 2001, foi criada a Agência Nacional de Cinema (Ancine), com prerrogativas e linha de atuação muito semelhantes àquelas do antigo instituto. Independente de governos ou de regimes políticos, o cinema brasileiro continua mantendo um diálogo com o Estado, estabelecendo uma estrutura básica nas mais variadas formas de apoio à produção cinematográfica. Diante desse quadro, nos cabe perguntar sobre a intensidade dessa relação e os diferentes mecanismos que podem conformar filmes, estilos e políticas. O objetivo é discutir a relação entre Estado e cinema no Brasil e seu desdobramento temporal, entre os anos 1960 a 2000, aproximando agências, modelos e padrões de políticas com características distintas no formato e nos mecanismos de atuação.

quarta – 20 de maio – 19:30 horas

Local: Cinemateca Brasileira – Sala Petrobrás
Projeção-Instalação do filme MARANHÃO 669 – JOGOS DE PHODER (2014), de Ramusyo Brasil (60 min)

Sinopse:

O filme traça pontes entre poéticas corporais performáticas e o inconsciente político brasileiro. Nessa exibição, será realizada uma tríplice projeção, com inclusão de imagens que ficaram fora da montagem final, além de jogos de percepção e atenção a partir das imagens projetadas nas diferentes telas.


quinta – 21 de maio – 17:00 horas

Local: Museu da Cultura – PUC-SP
Performances Filmagem do filme PROJETEU – O DEUS DA IMAGEM

Performance #1 - TRANSfigurações – Lanakin N. 01 (Áurea Maranhão)

Performance #2 - Programa Soul da Suja (Sara Panamby e Filipe Espíndola)

Com Sara Panamby, Filipe Espíndola e Áurea Maranhão

Sinopse:
O filme Maranhão 669 – Jogos de Phoder é o primeiro de uma trilogia que chamamos de Cine Ebó. As metodologias audiovisuais do Cine Ebó terão sua continuidade com o segundo filme da trilogia: Projeteu – O deus da imagem, que intenciona investir em poéticas visuais que se sustentam na estética do acontecimento e na ficção de ideias. Por estética do acontecimento entende-se, aqui, por planos sequências que possam entrar em consonância com a fruição da cena e dos atuadores, para assim poder encontrar a verdade da atuação na cena. No caso da noção de ficção de ideias, compreendemos como a ideia de que, em vez da narração tradicional em si, é preciso preservar a cena, para se encontrar outras formas de se narrar. Que para além da representação das personagens interessa sua atuação (a-tu-ação!). O Cine Ebó busca caminhos ritualísticos de produzir audiovisual, a fim se encontrar imagens profundas e reflexivas. Neste sentido, optamos pelo modelo: Cena-Atuação-Ritual, em vez do tradicional Narração-Representação-Indústria.
A ideia do filme trabalha com um panteão de deuses pós-modernos, no qual o principal é o Projeteu, o deus da imagem. Projeteu lança fogo e imagens sobre as instituições que ofenderam suas leis. A outra deusa é Lanakin, a dona do cabaré, e deusa do capetalismo selvagem. Da união de Projeteu e Lanakin nasce Sendha, a deusa crackuda(!), que horroriza as ruas do Centro Histórico de São Luís - MA. Completa o panteão, Ajapó, um índio que inventa a cocaína para destruir os homens que destroem a natureza, porém, se vicia no bagulho. Ajapó é seguido pela sua esposa, a deusa Copa, um misto de copa da árvore e copa do mundo. Copa agencia a venda dos corpos no cabaré. O panteão ainda conta com Sucuruiú, a deusa serpente que engolirá a cidade de São Luís quando a cabeça encontrar o rabo. E, por fim, ou melhor, pelo começo, tem-se o deus Mondego, que guarda a porta do cabaré, na linha cruzada de Exu.
Nas performances realizadas in situ no Museu da Cultura, acontecerão os rituais de nascimento das deusas Lanakin, a deusa do capetalismo e Sendha, a deusa crackuda. A proposta é que os deuses surjam através de intervenções urbanas e in situ filmadas, que comporão o material fílmico no qual trabalharemos ao longo do work in progress. A performance de nascimento de Lanakin chama-se TRANSfigurações – Lanakin N. 01, e a performance de nascimento de Sendha intitula-se Programa Soul da Suja.
Assomado ao material das intervenções, será realizado em um casarão do Centro Histórico de São Luís, um plano sequência de 45 minutos onde 3 câmeras filmarão os acontecimentos que se encenam no átrio do casarão. Ao lado, um editor de imagens operacionalizará uma mesa de corte, na qual terá as 3 câmeras sob controle, além de intervenções pré-filmadas com os deuses do panteão. A edição ao vivo das imagens serão transmitidas "just in time" para uma sala de projeção onde haverá uma plateia assistindo e um grupo musical trilhando o filme ao vivo na sala de projeção. Esta proposta de linguagem se apresenta desafiadora no sentido que será um filme que se encena, se filma, se monta, se trilha e se projeta simultaneamente.


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