História intelectual e história da educaçÃO: Uma análise das relações entre o professor e o político na Parahyba republicana (1905-1929)



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HISTÓRIA INTELECTUAL E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO:

Uma análise das relações entre o professor e o político na Parahyba republicana (1905-1929).

Jean Carlo de Carvalho Costa1

(jeanccosta@yahoo.com.br)
Ricardo Targino Pereira2

(ricardismojp@hotmail.com)




  1. RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo analisar as relações entre o professor e o político na Parahyba do Norte –atual João Pessoa- no período da Primeira Republica, no Brasil. Desse modo, visamos observar as contribuições que essas personalidades efetuaram na política e na sociedade, tendo como enfoque as suas participações no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano. Buscamos compreender de que modo se efetivou a trajetória política desses sujeitos, tendo como base um levantamento do cenário intelectual desse período, em que a participação desses professores foi significativa na construção da historiografia local e nacional, evidenciando a educação como estratégia fundamental para a construção da nação brasileira. Para tanto, apresentaremos as ações desenvolvidas no projeto – PROLICEN/2013 - e os resultados parciais da nossa investigação.



PALAVRAS CHAVE: Intelectuais. Professores. Políticos. Instituto Histórico Geográfico Paraibano (IHGP).



  1. INTRODUÇÃO

No Brasil, das últimas décadas, tem sido possível identificar o processo de retomada e avaliação crítica da memória nacional a partir de diversas abordagens teóricas e metodológicas. A partir de novas fontes de análise e de modos distintos de abordar essas fontes, as quais têm nos auxiliado na compreensão de uma diversidade de transformações, em uma infinidade de áreas constitutivas da vida em sociedade, e mesmo de rever o passado com um olhar mais crítico e ampliado com inevitáveis consequências para o presente. Esse projeto coletivo de estudo e pesquisa se debruça sobre a produção do pensamento brasileiro, a partir do lugar social de seus atores, ainda que, muitas vezes, difuso e especializado, haja vista que envolve pesquisadores em diferentes áreas - historiadores, sociólogos e antropólogos - e abordagens distintas - hermenêutica histórica, biografias, história oral, etnometodologia, neo-funcionalista, sociologia histórica etc. Nesse sentido, também procuramos envolver o pedagogo no debate contemporâneo sobre a cultura que é, na verdade, consequência da constante reatualização das discussões sobre a formação nacional.

Segundo Oliven (2002), essas questões perpassam os temas que têm como pano de fundo a Cultura Brasileira e Identidade Nacional, e que necessita de sujeitos que a problematizem constantemente. As ideias sobre a educação não estão desvinculadas das questões sociais, ou seja, a escola foi fruto da concepção de modernização que envolveu o homem em redes de socialização mais amplas fazendo conexão com a escola e a sociedade (VEIGA, 2000). Compreender e refletir sobre a cultura escolar, elaborada ao longo da história paraibana, faz parte do debate que envolve a questão da cultura nacional do nosso país.

Desse modo, temos como objetivo geral: O levantamento dos principais sujeitos que compuseram a cena intelectual paraibana no período que compreende o ano de fundação Instituto Histórico Geográfico e Geográfico Paraibano, 1905, até a fundação da Academia Paraibana de Letras, 1941. Essa periodização privilegiará os seus sujeitos fundadores a partir da atuação específica no âmbito da educação, considerando que muitos desses sujeitos foram, além de parlamentares, Presidentes de Estado, e escritores, também atuaram como professores em diversas Instituições na Paraíba.

E como objetivos específicos são: identificar as suas principais obras, verificar as formas de inserção no campo intelectual da época; analisar de que modo as categorias aludidas acima foram tratadas e, gradativamente, materializadas na cena intelectual desse estado a partir do diálogo/reprodução existente entre esses sujeitos e o bando de ideias novas.


  1. METODOLOGIA

Do ponto de vista metodológico, esse Projeto situa-se no âmbito das abordagens interpretativas, fundamentalmente, basilado na hermenêutica histórica de Hans-Georg Gadamer (GADAMER, 1998) e na sociologia configuracional de Norbert Elias (1994), as quais nos auxiliaram nas leituras, organização e sistematização teórica do “campo intelectual”. Para tanto, iniciamos nossas investigações nos arquivos públicos da cidade, a saber: Instituto Histórico Geográfico Paraibano (IHGP) e Biblioteca Álvaro de Carvalho da Academia Paraibana de Letras (APL). Nesse primeiro momento, fizemos um levantamento dos sujeitos partícipes do período selecionado, identificando em suas obras categorias analíticas mais centrais, tendo como enfoque os temas principais abordados por esses sujeitos.




  1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Nos aponhamos em estudos desenvolvidos por Gomes (2009) e Schwarcz (2010), os quais evidenciam a importância da fundação do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro na construção da história e identidade do Brasil. Para Gomes (2009, p.12) a fundação do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro foi fundamental “[...] na construção de uma escrita da história e de uma cultura cívica republicana [...]”. Schwarcz (2010) elucida que essas instituições foram pensadas como lócus da produção da ciência, procurando formular - utilizando-se de suas escritas e seus discursos - um modelo e uma concepção de nação, focando suas produções para a construção de uma história nacional. A fundação do IHGP foi tardia em relação aos Institutos analisados por Schwarcz (2010), porém, essa posterioridade não modificou substancialmente sua função, qual seja: “‘Coletar para bem guardar. Guardar para servir bem’. Eram máximas desse tipo de estabelecimento que se manteve ativo até os anos 30 do presente século [XX].” (SCHWARCZ, 2010, p. 137).

No bojo dessas relações, no dia sete de setembro de 1905, em uma comemoração à independência do Brasil no Lyceu Parahybano, foi fundado por uma comissão - sob a presidência de Álvaro Lopes Machado, então presidente do estado da Parahyba - o Instituto Histórico Geográfico Paraibano (IHGP). Foram partícipes dessa comissão diversos intelectuais como Castro Pinto, Francisco Seraphico da Nóbrega, João Américo de Carvalho, Eutiquio de Albuquerque Autran, Manoel Tavares Cavalcanti, Major Álvaro Evaristo Monteiro, Capitão Augusto Alfredo de Lima Botelho, Francisco Coutinho de Lima e Moura, Cláudio Oscar Soares, José de Borba Vasconcelos, Romulo Pacheco e Padre José Thomaz Gomes da Silva. No discurso inaugural, o orador “[...] demonstrou a necessidade da fundação de um instituto que se consagrasse ao estudo e ao amor do passado [...]”. (REVISTA..., 1909, p. 21).

Pensando em uma relação e atuação dos sujeitos que foram professores e políticos, podemos destacar o caso da Geração de 70 brasileira, expressão cunhada para traduzir os desdobramentos intelectuais e políticos derivados do lançamento do manifesto republicano e da fundação do Partido de mesmo nome, eventos históricos tradutores de mudanças mais amplas para além da realidade brasileira. Os intelectuais desse período ocupavam-se das discussões que, no Brasil, estavam atreladas, em especial, à transição do Império à República, tendo a ela subjacente, dúvidas relativas a esse processo e, particularmente, inquietações sobre proeminência de certas reformas que a essa transição deveriam está vinculada.


  1. CONCLUSÕES

Nesse projeto, foram analisados textos do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano com o intuito de identificar como os professores, os quais também eram político, interagiam e pensavam a realidade de sua época, e suas preocupações com a história de seu estado. Ainda observamos que, anteriormente a fundação do IHGP, já havia a participação desses professores como políticos, podemos citar, entre esses, a atuação de Francisco Seráfico da Nobrega, Francisco José Rabelo e Francisco Inácio Carneiro. Esses sujeitos foram membros fundadores por que viam uma necessidade em que o estado também tivesse um instituto que tratassem da catalogação de um acervo, o qual contasse a história da Parahyba do Norte.

Como resultados parciais das nossas investigações, apresentaremos uma breve trajetória dos sujeitos mencionados, identificando em suas atuações suas relações com as atividades de professores e políticos. O primeiro foi Francisco Seráfico da Nobrega nasceu em Santa Luzia do Sabugi, em 29 de novembro de 1863. Formou-se em Direito, em 1894, no Rio de Janeiro, onde, por algum tempo advogou e dedicou-se ao magistério. Exerceu elevadas posições na vida pública, nos três Poderes. Deputado estadual por mais de uma legislatura. Eleito 2º Vice-Presidente do Estado, teve a oportunidade de assumir o Governo de fevereiro a junho de 1905. De 1909 a 1916, foi Deputado Federal. Exerceu o cargo de Procurador Geral do Estado, de 1927 a 1931. Novamente eleito Deputado, faleceu a 24 de maio de 1935, logo após haver assinado a nova Constituição do Estado. Compôs a Diretoria do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, como seu primeiro Presidente, em 1905, exercendo o cargo até 1907. É patrono da Cadeira nº. 17 do IHGP. O segundo Francisco José Rabelo nasceu em 1858. Durante muitos anos prestou serviços como serventuário da Justiça, no cargo de 1º Tabelião e Escrivão de Órfãos e do Registro Civil da Comarca de Cruz do Espírito Santo, com exemplar correção. Exerceu notável atividade como líder católico na Paróquia local, de cuja Conferência Vicentina foi Presidente. Faleceu naquela cidade aos 7 de março de 1919. E, por último, Francisco Inácio Carneiro nasceu em 1858, como Professor, exerceu a cátedra na Escola Normal Oficial, da qual foi também Diretor. Ocupou ainda a Diretoria da Instrução Pública do Estado. Militou na política partidária, tendo sido eleito Deputado Provincial. Foi também Secretário do Governo, em 1883. Jornalista combativo. Dirigiu o Diário da Paraíba. Faleceu em 24 de fevereiro de 1907.

As breves trajetórias desses sujeitos nos permitem constatar que as suas atuações, as quais marcaram a configuração do campo intelectual desse período, cujo estreitamento entre o professor e o político nos indicam a necessidade de rememorar a atuação desses personagens na Primeira República parahybana. Desse modo, apontamos que no segundo momento da pesquisa, a qual se realizará em mais dois arquivos da capital – Arquivo Histórico Waldemar Duarte (FUNESC) e na Biblioteca Central (UFPB), buscaremos mapear os escritos desses sujeitos – livros, opúsculos, matérias em jornais e revistas – os quais os conteúdos nos permitam compreender quais eram suas ideias educacionais e de que modo esses sujeitos contribuíram para a conformação da educação no estado.

REFERÊNCIAS

BOTELHO, André. Aprendizado do Brasil. A nação em busca dos seus portadores sociais. Campinas: Editora Unicamp, 2002.

GADAMER, Hans-Georg. Verdade e Método: Traços Fundamentais de uma Hermenêutica Filosófica. Petropólis: Vozes, 1997.

GOMES, Ângela de Castro. A República, a história e o IHGB. Belo Horizonte: Argvmentvm, 2009.

GUIMARÃES, Luis Hugo. História do Instituto Histórico e Geografico Paraibano. João Pessoa. Editora Universitaria, 1998. 300p.

INSTITUTO HISTÓRICO GEOGRAFICO PARAIBANO-IHGP. Disponível

Em: Visualizado em 05 setembro 2013.

OLIVEN, Ruben George. Cultura Brasileira e Identidade Nacional (O eterno retorno). In: MICELI, Sergio (Org.), O que ler na ciência social brasileira, 1970-2002, vol. 4. Brasília: DF, CAPES, 2002.

VEIGA, Cynthia Grave. “Educação Estética para o povo”. In: LOPES, Eliane Marta Teixeira; FARIA FILHO, Luciano Mendes de; VEIGA, Cynthia Greive (Orgs.). 500 anos de educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.



REVISTA DO INSTITUTO HISTORICO E GEOGRAPHICO PARAHYBANO. Parahyba: Imprensa Officeal da Parahyba, 1909.


1 Coordenador do Projeto e Professor Adjunto de Sociologia do Departamento de Fundamentação da Educação (CE/UFPB), do Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE/UFPB) e do Programa de Pós-graduação em Sociologia (PPGS/UFPB).

2 Bolsita do PROLICEN e aluno do curso de Pedagogia (CE/UFPB).






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