História do Rádio



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História do Rádio
Heinrich Hertz provou a existência das ondas sonoras em 1887. Anos depois, Guglielmo Marconi construiu a antena receptora (1894) que captou sinais de alfabeto Morse. Três anos depois, Marconi ganhou a patente inglesa para o telégrafo sem fio. E a primeira mensagem que cruzou o Oceano Atlântico pelas ondas do rádio aconteceu em 1901.
          Começava a era da radiodifusão. Tanto o rádio como a telegrafia sem fio não poderiam ser proprietárias do bem comum e infinito das freqüências. Para decidir com quem ficaria cada freqüência (espaço no "dial"), foi criada, no início do século, a Associação Internacional de Rádio e Telegrafia.
          A partir daí, até os dias de hoje, assistimos às mais diversas formas da manifestação de poderes para definir os critérios e direitos de exploração das ondas de rádio. As ondas sempre serão bens de todos porque são recursos proporcionados pela própria Natureza. O rádio (sistema de emissão e de recepção), como conhecemos hoje, só foi descoberto em 1920 por um engenheiro da companhia norte-americana Westinghouse. Neste mesmo ano, a primeira emissora entrou no ar promovendo a campanha presidencial nos Estados Unidos.
          O primeiro comercial do rádio norte-americano foi ao ar em 1922. E, cinco anos mais tarde acontecia a primeira transmissão nacional de um jogo de futebol americano.
          A época de ouro do rádio nos Estados Unidos começou na década de 30 quando já existiam mais de 14 milhões de aparelhos receptores. Em 1932, o sistema de Freqüência Modulada - FM foi patenteado por Edwin Armstrong. E, com a invenção do transistor (1947), os aparelhos a válvula foram pouco a pouco substituídos por receptores de rádio mais leves, e até portáteis.
          O Rádio no Brasil
          A primeira emissão radiofônica realizada no Brasil aconteceu no dia 6 de abril de 1919 através da Rádio Clube de Pernambuco, fundada no Recife por Oscar Moreira Pinto.
          Três anos mais tarde, um serviço de "rádio-telefone com alto-falantes" transmitia o discurso do então presidente Epitácio Pessoa, no Rio de Janeiro, durante as comemorações do Centenário da Independência do Brasil.
          No dia 20 de abril de 1923 começou a funcionar a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, a atual Rádio MEC. Criada por Roquette Pinto e Henrique Moritze, tinha como objetivo "lutar pela cultura dos que vivem em nossa terra".
          As rádios existentes no Brasil (quase todas) até 1930 eram clubes, associações ou sociedades sustentadas pelos ouvintes que pagavam uma mensalidade para cada "clube" produzir e emitir, no ar, suas programações.
          Nenhuma emissora ficava mais do que quatro horas seguidas no ar. Era como se evitava o superaquecimento dos transmissores. Na época, existiam poucos aparelhos receptores. Os equipamentos custavam caro e eram importados da Europa e dos Estados Unidos. Esta é uma das razões de que o rádio, em seu começo, não era considerado um meio de comunicação popular.  Além disso, a programação refletia o gosto da elite da época, colocando no ar óperas e conferências -  algumas em língua estrangeira. Estas foram as principais atrações durante toda a década de 20 em nossas rádios.
          Anos dourados
          Em 1936, Roquette Pinto, pressionado pela concorrência das rádios comerciais, doou a Rádio Sociedade ao Ministério da Educação e Cultura, com a condição de que fosse mantido o compromisso da emissora com a educação.
          Já na década de 20, os veículos de comunicação tinham a preocupação com a prática da língua portuguesa.
A Rádio Clube Carioca, a exemplo do Jornal do Brasil, em novembro, iniciou uma série diária de lições no rádio, para corrigir os erros comuns da língua falada.
          O cartunista Antônio Nássara, pela sua irreverência, provocou a transformação nas rádios brasileiras. Em 1932, ele improvisou um fado para anunciar uma padaria do Rio de Janeiro: "seu padeiro não se esqueça, tenha sempre na lembrança, o melhor pão é o da padaria Bragança".

          Este primeiro "jingle" abriu espaço para a veiculação de anúncios. E o governo federal começou a distribuir concessões de canais para particulares, nos modelos de licença e de controles criados pela Lei do Rádio dos Estados Unidos.


          Getúlio Vargas foi quem mais influenciou a história do rádio. Desde que assumiu a presidência com a Revolução de 1930, manteve o rádio entre as suas áreas de controle direto. No período de governo do Estado Novo (1937/1945), Getúlio usou o rádio para fazer propaganda da sua ideologia política.
          O programa "A voz do Brasil", na época "Hora do Brasil", foi criado em 1937 para ser o divulgador oficial do governo, principalmente, dos discursos de Getúlio. Era transmitido de segunda a sexta-feira em cadeia nacional de rádio. Logo se transformou em transmissão obrigatória.



          Nos anos 30, os minutos finais da "Hora do Brasil" eram culturais, dedicados à transmissão de sucessos da música popular brasileira.
          A participação de artistas de prestígio, como a vedete do teatro de revista Virgínia Lane, era uma forma de Getúlio aceitar, com humor, as críticas ao seu governo. Pela vaidade, gostava de se mostrar presente junto à população.
          O governo de Getúlio Vargas assumiu o controle da Rádio Nacional do Rio de Janeiro em março de 1940. A partir desta data, começaram as novas transformações nas programações das rádios brasileiras.
          No mercado de trabalho, os artistas da Nacional deixaram de ganhar por apresentação e passaram a ter contrato assinado com salário fixo. Alguns radioatores, cantores, autores, passaram a ser exclusivos da Nacional.
          O governo, como grande anunciante da Rádio Nacional, promoveu a corrida para o sucesso. A Nacional chegou a ser a maior emissora do País. Os programas de auditório, musicais, humorísticos, radionovelas e os jornais falados conquistaram, definitivamente, a audiência brasileira.
          A segmentação da audiência flutuava, de acordo com a qualidade dos programas, entre as emissoras comerciais de sucesso nos anos 40. Entre elas, a Record de São Paulo, a Gaúcha de Porto Alegre, a Tabajara de João Pessoa, a Difusora de Maceió, a Tupi e a Mayrink Veiga do Rio de Janeiro.

Musicais


          Nos musicais, a Rádio Nacional consagrou cantores como Francisco Alves (o Rei da Voz), Orlando Silva (o Cantor das Multidões), Cauby Peixoto (o Rei do Rádio), Carmélia Alves (a Rainha do Baião), Ademilde Fonseca (a Rainha do Chorinho) e Emilinha Borba (a Favorita da Marinha), que travou com Marlene e Dalva de Oliveira a luta eterna pelo trono do Reinado do Rádio.
Humorísticos
          Paulo Gracindo e César de Alencar promoveram os grandes programas de auditório. Entre os programas humorísticos de maior sucesso estão: "PRK-30", comédias que imitavam os principais programas da própria emissora - a Rádio Nacional; "Jararaca e Ratinho", dupla caipira que cantava com humor os acontecimentos e as figuras de destaque da política brasileira; "Balança mas não cai", programa com grande elenco de cantores e radioatores que interpretavam histórias engraçadas, como as da dupla consagrada "Primo Pobre e Primo Rico". 
Radioteatro
          "Em busca da felicidade" foi a novela que marcou a era do radioteatro. Com os ingredientes de uma boa trama criada por Janete Clair, a novela ficou quase dois anos no ar. O desenvolvimento da produção de radionovela promoveu a busca pela qualidade da linguagem acústica. A sonoplastia com sons produzidos, realísticos, fantasia, somados aos sons ambientes, teve início com os trabalhos do sonoplasta Edmo do Vale.
Hoje, a engenharia de som pesquisa e trabalha outros tipos de sons ainda não classificados, que promovem na audiência abstrações, como as expectativas, os suspenses, climas, motivando os sentimentos e marcando uma pontuação própria.
Radiojornalismo
          As técnicas de produção de notícia em  radiojornalismo, praticamente, não existiram durante os 18 primeiros anos. A produção se resumia na leitura de notícias recortadas dos jornais de dos terminais de telex.
          O rádio começou a produzir notícias na realização da primeira edição do "Repórter Esso", na Rádio Nacional, que foi ao ar no dia 28 de agosto de 1941, quando o Brasil entrou na Guerra ao lado das forças aliadas. O jornal falado já era produzido, de forma experimental, na Rádio Farroupilha de Porto Alegre.
          A criação "original" deste jornal falado veio das rádios norte-americanas que, fruto da "política de boa vizinhança" com os países da América Latina, o "Repórter ESSO" era produzido  em Nova Iorque, Buenos Aires, Santiago, Lima e Havana.
          O "Repórter Esso" era produzido no escritório da agência estrangeira McCann-Erickson de publicidade no Rio de Janeiro com notícias distribuídas pela UPI - United Press International.
          As notícias transmitidas pelo jornal falado até maio de 1945, quando a guerra acabou, eram informes sobre o desenrolar do conflito mundial. Daí terem sido criados os "slogans": "o primeiro a dar as últimas notícias" e "testemunha ocular da história". Eram "slogans" com objetivos claros, diferentes dos de hoje, massificados, que ganham espaços sem ecos: "Rede Globo, tudo a ver!" ou "Rede Globo, um caso de amor com o Brasil!"

          Várias foram as transformações feitas e/ou implementadas pelo "Repórter ESSO". Uma delas foi o de criar na audiência o hábito de ouvir nos jornais falados os blocos de notícias nas horas cheias, além de inserções de edições extras identificadas por "códigos paralelos", criados através de vinhetas sonoras.
O jornal falado passou a impor ao mercado radialista, dentro do radiojornalismo, as bases de posturas éticas, na época, determinando, inicialmente, que o "Repórter ESSO" é apenas um programa informativo; que não seria permitido comentar nenhuma notícia; e que, sempre, identificaria as fontes das notícias.
          Heron Domingues que apresentou durante anos o "Seu repórter ESSO" foi quem criou a primeira seção de jornais falados e reportagens. Era a primeira produtora de notícias nas rádios brasileiras. Formada por quatro redatores e um chefe de reportagem e um colaborador do noticiário parlamentar, não escondia a adaptação da experiência do jornal impresso, com nomenclaturas e hierarquia, nas rádios. As fontes da produção de notícias eram a reportagem local e as notícias recebidas de serviços noticiosos como a "France Press, Associated Press, Agência Nacional e UPI.
          Com a formatação em blocos de notícias políticas, econômicas, esportivas, cidade, internacionais e previsão do tempo, o primeiro grupo de jornalistas e de radialistas, com Heron Domingues, criaram em 1953, a Rede Nacional de Notícias. Era um serviço de retransmissão em ondas curtas dos jornais falados da Rádio Nacional do Rio por emissoras de todas as regiões do País.
          Rádio AM - Amplitude Modulada
          As rádios de faixa de ondas médias, conhecidas por AM - Amplitude Modulada é considerada "popular" por causa da programação mais coloquial, falada, do que musical. Elas exploram a função do companheiro, intimista e "amigo" do ouvinte - audiência.
          Outra característica é sua capacidade de atingir mais pessoas porque seus sinais conseguem chegar, com boa qualidade, tanto nos diversos bairros das cidades quanto nas áreas rurais do Estado. No campo, os programas sertanejos são campeões de audiência. Já na cidade o perfil da audiência é caracterizado por donas de casa, aposentados (o que não quer dizer "vagabundos"), motoristas de táxis e trabalhadores noturnos.
          A programação "amiga" está, normalmente, voltada para prestação de serviços, música, informação e muito bate-papo.
          Rádio FM - Freqüência Modulada
          A faixa da freqüência modulada começou a ser explorada nos anos 60, época em que foi regulamentado o seu uso pelo governo federal. Antes disso, era uma freqüência que servia de via para comunicação entre estúdio e a antena de retransmissão da emissora.
          A primeira a operar em FM foi a Rádio Imprensa do Rio de Janeiro em 1955. Ela lançou dois canais. Um comercial, com programação para uma rede de supermercados, e o outro canal, não-comercial, com músicas para lojas e escritórios. Na época, essa era a única maneira de se escutar transmissões em FM, porque não existiam no Brasil aparelhos receptores para FM.
          As rádios FM´s, como conhecemos, começaram a operar nos anos 70, no Rio de Janeiro e em São Paulo. As mais importantes foram a JB FM, com transmissão em mono; a Globo FM, com transmissão em estéreo; a Eldo-Pop, também do Sistema Globo de Rádio, caracterizada com a programação exclusiva de música contemporânea e a Nacional FM, só com música popular brasileira.

As FM´s se caracterizaram por sua programação voltada para jovens, com muita música, brincadeiras, sorteios, distribuição de LP´s - "long-plays" (hoje, CD´s), ingressos para shows. Nos últimos dez anos, as emissoras FM´s se tornaram mais intimistas como as AM´s, apenas com a diferença da qualidade de som das emissões e das recepções. De acordo com o gênero de música que as caracterizam - rock, pagode, samba, clássica, popular, funk, punk, happy core, soul, techno, ritm's & blues, forro, ska, rap e outros estilos - as emissoras passaram a se qualificar. Portanto, podemos dizer que a segmentação da audiência, a linguagem informal e a predominância musical são, hoje, as caraterísticas genéricas das rádios FM´s.



Rádio OC - Ondas Curtas

          As rádios na faixa de freqüência de Ondas Curtas são as que conseguem atingir grandes distâncias, ultrapassando, por exemplo, as fronteiras de um país. Essas ondas têm maior alcance do que as ondas médias.


          A Rádio Nacional foi pioneira na transmissão em OC que, a partir de 31 de dezembro de 1942, passou a produzir programas diários em inglês, francês e espanhol, além do português.
Várias emissoras estrangeiras produzem programas em português, transmitido em OC para os ouvintes brasileiros. A NHK, Nippon Hoso Kyokai, do Japão, é uma delas. Essas rádios podem ser sintonizadas, normalmente, à noite e durante a madrugada.


Rádios comunitárias e Rádios populares

          As rádios comunitárias tiveram seu início com o "sistema fechado" de alto-falante. A programação seria dirigida aos segmentos sociais menos favorecidos, com o objetivo de disseminar e democratizar a informação. Os sistemas de alto-falante também ajudavam os membros da comunidade a se conhecerem, a identificar os seus problemas e a trocar experiências para melhorar e buscar uma qualidade ideal de vida para todos.


          Também, na década de 60, outros segmentos comunitários, como os movimentos de base cristã, fizeram uso do sistema fechado de alto-falante com o objetivo de estimular o ensino.
O MEB - Movimento de Educação de Base criado por decreto presidencial, organizou escolas radiofônicas no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil com o objetivo de promover a alfabetização.



Rádios piratas ou Rádios livres

          Vinte anos mais tarde, em 1981, surgiram no estado de São Paulo as primeiras "rádios piratas", pequenas emissoras em FM que funcionavam sem autorização. Elas contribuíram para o crescimento das rádios comunitárias no País, ao permitir a participação de pessoas que não tinham vez nas emissoras AM e FM.


          Um dos objetivos das rádios livres era, entre outros, o de protestar contra o monopólio da informação e denunciar a forma de distribuição das concessões de canais radiofônicos do Brasil.
Entre 1981 e 1984, estudantes da cidade paulista de Sorocaba, com algum conhecimento de eletrônica, montaram várias emissoras clandestinas.
          No dia 1º de maio de 1986 entrou no ar a "Rádio Invasão" ligada ao movimento operário e sindical de São Bernardo do Campo (SP). Diferente das rádios piratas existentes na época, era feita por e para operários que usavam linguagem didática mas conservavam bastante a irreverência na locução.
          A "Rádio Comunitária da Maré", no Rio de Janeiro, foi uma das primeiras experiências de sistema de alto-falantes com programas para a população local. Começou com o apoio de alunos e professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro para melhorar as condições de saúde e educação dos moradores das nove favelas que existiam em volta da Universidade.
          No final da década de 80, várias emissoras comunitárias começaram a integrar uma rede de informações: Rádio Sabiá do Recife (PE), Rádio Popular Santa Amélia de Curitiba (PR), Rádio Calabar de Salvador (BA), Rádio Popular de Heliópolis e Rádio do Povo (SP), Rocinha e Rádio Saara (RJ), a Rádio Novos Rumos de Queimados, criada em 1990 no Rio de Janeiro.
          A característica geral das rádios comunitárias em emissão FM ou em "sistema fechado" de alto-falantes é apresentar uma programação direcionada, especialmente, para a própria comunidade, com programas de prestação de serviços, notícias e músicas. Geralmente estas emissoras são financiadas pelas associações de moradores, partidos políticos, prefeituras municipais, grupos religiosos, universidades, comerciantes, e organizações não-governamentais.
          Características gerais da produção em Rádio
A emissão em rádio explora os sentidos da audição em sua maior expansão. Isto porque a capacidade de recepção sonora pelo ouvido humano é em progressão logarítmica, o que permite a produção de sons em uma combinação de freqüências ilimitadas e provocam a manifestação do imaginário da audiência. O som na produção em Radialismo é um dos elementos essenciais para a realização ilimitada da criatividade humana. Ele induz a audiência a criar cenas imaginárias e a aflorar suas sensibilidades sentimentais.
          O som é muito mais do que uma pontuação interpretativa de situações modais e casuais. Pode ser usado para reforçar, fortalecer o impacto da mensagem. Pode se tornar mais forte que o imaginário e conduzir as emoções da audiência para qualquer ponto desejado.
 


A imagem acústica

          A imagem acústica, em sua forma simplificada, é a imagem criada pela nossa imaginação, depois de ouvirmos um som que nos remeta - "ligue" - a um referencial de tempo, modo, espaço ou ambiência, que está registrado em nossas memórias na forma de sentimentos construídos ao longo de nossas existências.


          Uma música qualquer com o seu volume aumentado lentamente, como o som dos passos de uma pessoa se acelerando, provoca na audiência uma expectativa. Ficamos "ligados", esperando uma condição modal. Ou, os sons produzidos pelas gaivotas durante um diálogo entre duas pessoas, leva a audiência a criar através deste som uma imagem acústica - saberá, certamente, que ambos estão conversando perto do mar, de um porto.

Radionovela e Telenovela


As origens mais antigas da radionovela encontram-se nos folhetins ao mesmo tempo literários e jornalísticos do século XIX e que ainda persistiram na primeira década do século XX. Esta forma radiofônica do melodrama seriado ou em capítulos foi criada nos Estados Unidos, em 1930, por meio de emissões diárias com duração de quinze minutos, sendo as duas primeiras Painted Dreams (Sonhos coloridos) e Children's today (Crianças de hoje). Com a expansão do sistema radiofônico naquele decênio, acompanhada pela venda de unidades domésticas, as empresas químicas de sabão e de produtos de toalete e limpeza decidiram investir na produção de séries mais longas (30 minutos), tendo como público-alvo de suas campanhas publicitárias as donas de casa. Por esse motivo, receberam a alcunha de soap-operas. As radionovelas norte-americanas optaram mais comumente por uma dramaturgia baseada em pequenas histórias diferentes, mas completas em cada edição, vividas por personagens destacado, uma família ou grupo social de vizinhança (Ma Perkins, Home sweet home, Song of the city, The O'Neills, The guiding light, Road of life). O mesmo sucesso de público ocorreu emCuba, ainda nos anos 1930, cujo tratamento excessivamente romântico deste tipo de melodrama serviu de modelo para a América Latina (Los Ángeles de la Calle, El derecho de nacer, Divrociadas, Mujeres que trabajan, Yo no quiero ser mala, El dolor de ser madre) e ainda revelou um autor prolífico e bastante requisitado, Felix Caignet. À diferença de sua congênere norte-americana, a radionovela cubana optou por entrechos mais longos e fragmentados, formato seguido pelas produções mexicanas, pelas argentinas e, mais tarde, pelas brasileiras. Aqui, a radionovela estreou em 1941, após Oduvaldo Viana, então diretor artístico da Rádio São Paulo, tê-la conhecido na Argentina. Naquele ano, sua emissora pôs no ar A predestinada, enquanto a Rádio Nacional preferiu a versão cubana Em busca da felicidade. Tanto em Cuba quanto no Brasil, as mesmas indústrias químicas norte-americanas foram as que investiram mais assiduamente nesses programas, estimulando a criação a adaptação de uma média superior a trinta emissões anuais somente naquelas rádios. O advento da televisão trouxe consigo a telenovela, cujo tratamento acabou por incorporar, ainda que parcialmente, a tradição do teatro e a linguagem cinematográfica. No Brasil, a primeira experiência deu-se em 1951, na TV Tupi de São Paulo: Sua vida me pertence, de Walter Foster. Embora se tenham criados textos especiais para o novo gênero, com destaque para José Castelar (Um beijo na sombra, Roas para o meu amor, Direto ao coração) e J. Silvestre (Uma semana de vida, Meu trágico destino, Abismo), ambos provenientes do rádio, o período entre 1952 e meados da década de 1960 caracterizou-se, sobretudo, pelas adaptações de romances consagrados, nacionais e estrangeiros, o que afastou a telenovela, nesses primeiros anos, do melodrama radiofônico mais característico: Senhora, de José de Alencar, Iaiá Garcia, de Machado de Assis, Oliver Twist, de Charles Dickens, Miguel Strogof, de Julio Verne, Jane Eyre, de Charlote Brontë, Ana Karenina, de Leon Tolstoi, Scaramouche, de Rafael Sabatini, O corcunda de Notre Dame, de Victor Hugo, Os três mosqueteiros, de Alexandre Dumas, ou Anos de ternura, de A. J. Cronin. Ainda nesses anos iniciais, a telenovela só contava, geralmente, com duas emissões semanais e não desfrutava do mesmo prestígio e audiências alcançadas pelo teleteatro. Em seu formato diário, a telenovela implantou-se na TV Excelsior em 1963, com a peça 2-5499, ocupado, de autoria do argentino Alberto Migré. A decisão decorreu de um acordo entre aquela emissora e a multinacional Colgate-Palmolive, interessada na substituição da radionovela por um meio publicitário em expansão. A experiência, que se revelou promissora após dois meses, deu impulso às audiências cativas e populares obtidas desde então. Tanto que, no ano seguinte, Borelli filho, um articulista da Revista do Rádio, podia escrever: "[...] as novelas em TV, por obra não se sabe do quê, viraram epidemia neste país. É uma doença agradável, que se contrai com prazer e alcança foros epidêmicos que ultrapassam toda imaginação".


A partir daí, e embora continuasse havendo adaptações de narrativas nacionais e estrangeiras, a telenovela foi absorvendo temas, situações e tipos marcadamente brasileiros, com perspectivas mais realistas e uma linguagem prosaica e contemporânea. Como resultado dessa inflexão, deu-se o aparecimento de autores nacionais ou aqui radicados, que logo adquiriram renome no universo televisivo. Entre tantos, a cubana Glória Magadan, Benedito Rui Barbosa, Oduvaldo Viana, Ivani Ribeiro, Raimundo Lopes, Geraldo Vietri, Lauro César Muniz, Bráulio Pedroso (que, com Beto Rockfeller - 1968/1969 - baseado em um personagem pícaro, revolucionou o gênero), Marcos Rey, Janete Clair, Walter Durst, Chico de Assis, Jorge de Andrade e Dias Gomes (os dois últimos, dramaturgos já consagrados quando contratados para a produção telenovelística), Cassiano Gabus Mendes ou Sílvio de Abreu. Registre-se ainda que as telenovelas brasileiras, sobretudo as da emissora Globo, converteram-se em produto de exportação para vários países da Europa e Ásia.

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