História da educaçÃo física e do esporte no brasil



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HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DO ESPORTE NO BRASIL

- PANORAMA, PERSPECTIVAS E PROPOSTAS –

Prof. Dr. Victor Andrade de Melo1


Universidade Federal do Rio de Janeiro- EEFD-

RESUMO


Este artigo tem por objetivo apresentar um panorama da estruturação da Educação Física, procurando apresentar: a) de que forma tais estudos têm sido desenvolvidos no decorrer do tempo (uma breve abordagem da história da História da Educação Física e do Esporte); b) como na atualidade nacional e internacional tem se apresentado a estruturação de tais estudos; e c) os problemas que temos encontrado nesse desenvolvimento. Ao final, tento apontar algumas perspectivas e propostas, tendo claro que tal tarefa deve ser desenvolvida com cuidado extremo, para que não se confunda com um exercício irresponsável de futurologia.

Palavras-chaves: História da Educação Física; História do Esporte

Na historiografia brasileira ainda não são usuais os estudos que se dedicam a discutir profunda e especificamente as peculiaridades do Esporte e da Educação Física. Mais ainda, aparentemente esses dois objetos não têm sido considerados como relevantes para a compreensão de nossa sociedade; ao contrário de outros países, onde o Esporte já ocupa significativo espaço nos meios acadêmicos. Podemos perceber isto, por exemplo, na História Social Inglesa, onde tem sido considerado um importante objeto de estudo devido a grande dimensão que tem assumido na estrutura social e cultural2. Este destacado papel tem inclusive há algum tempo atraído a atenção e conduzido a cuidadosas reflexões de renomados intelectuais, como Eric Hobsbawn3, um dos mais importantes historiadores ingleses vivos.

No Brasil, contudo, ainda (ou já) estamos dando os primeiros passos no sentido de tornar mais estruturado um grupo de pesquisadores interessados nos estudos históricos ligados à Educação Física e ao Esporte. Este artigo tem por objetivo apresentar um panorama desta atual estruturação, procurando apresentar: a) de que forma tais estudos têm sido desenvolvidos no decorrer do tempo (uma breve abordagem da história da História da Educação Física e do Esporte); b) como na atualidade nacional e internacional tem se apresentado a estruturação de tais estudos; e c) os problemas que temos encontrado nesse desenvolvimento. Ao final, tento apontar algumas perspectivas e propostas, tendo claro que tal tarefa deve ser desenvolvida com cuidado extremo, para que não se confunda com um exercício irresponsável de futurologia.

Qual e como tem sido construída uma possível legitimidade acadêmica para a História da Educação Física e do Esporte no Brasil? Como têm se desenvolvido os estudos históricos em nossa área? Não se pode dizer que tais questionamentos sejam novidades. De alguma forma, mesmo que não explicitamente, têm sido discutidos nos Encontros Nacionais4 e outros espaços dedicados a discutir a História da Educação Física e do Esporte no Brasil5.

Tais questionamentos se ligam diretamente a discussões em torno da qualidade de nossa produção, de sua 'validade' para a compreensão da Educação Física e do Esporte brasileiro, de sua 'utilidade' para a compreensão da sociedade brasileira e do espaço que temos construído. Discussões fundamentais para que possamos 'correr o risco' de levantar perspectivas; indicadores para sugerir direcionamentos para nossa atuação, na busca de torná-la mais adequada.

Este artigo, logo, não carrega em si a pretensão da originalidade absoluta. É, na verdade, a adequação de três outros artigos que escrevi, buscando possíveis perspectivas a partir da compreensão do atual momento de nossos estudos. Inicialmente procurei perspectivas em compreensões ligadas à história de nossa História6. Posteriormente, busquei aprofundar tais compreensões historiográficas7. Finalmente, procurei traçar paralelos entre nosso 'movimento' e o desenvolvimento internacional da História da Educação Física e do Esporte8. Neste artigo, objetivei desenvolver uma síntese desses estudos, vislumbrando apresentar o mais adequadamente possível esta nova sub-área de estudo9.



História da História da Educação Física e do Esporte



A primeira fase


Podemos considerar o desenvolvimento dos estudos históricos na Educação Física brasileira dividindo-o em três fases, marcadas, além de suas diferentes características, por autores que se destacam e de alguma forma sintetizam em suas obras as características da referida fase.

A primeira fase é marcada pelo caráter embrionário de desenvolvimento dos estudos. Nesta fase, onde a produção nacional era pequena, a utilização de livros importados era notável. Destacam-se os livros de LAURENTINO LOPES BONORINO e colaboradores (1931)10, primeira publicação específica do gênero escrita no Brasil, e as contribuições de Fernando de Azevedo. Ambos tinham suas preocupações mais voltadas para os aspectos históricos da ginástica enquanto forma de 'educação do físico', com ênfase nas compreensões e abordagens de caráter mundial. Azevedo merece destaque maior, pela natureza de suas preocupações com a História e por sua contribuição para o desenvolvimento de estudos na área.

É importante entender que a preocupação básica de Fernando de Azevedo para com a História estava em utilizá-la como forma de apresentar os métodos e sistemas europeus de Educação Física, vislumbrando definir aquele a ser considerado o mais adequado a ser adotado no Brasil (PAGNI, 1995)11. Isto é, Azevedo buscava subsídios na história da Educação Física, assunto que manifestadamente era de seu gosto, para defender a utilização do método sueco de ginástica, desencadeando resistências ao método alemão, bastante influente e presente nos primórdios da Educação Física nacional.

Seu conceito de História estava ligado a uma discussão sobre a busca das origens da evolução da Educação Física e dos Esportes (ibid.). Tais preocupações explicitam bem uma visão dos acontecimentos históricos que, encarados enquanto um progresso linear, servem para legitimar e explicar plenamente o presente.

A obra de AZEVEDO, que muitas vezes nem mesmo tem sido considerada como uma fonte possível para compreender o estudo da história, devido ao seu caráter sociológico pronunciado, lança as bases de uma abordagem historiográfica que, com idas e voltas, impregnará nossos estudos: a utilização bem restrita de fontes; um caráter 'militante', a história servindo para provar e legitimar algo já previamente estabelecido irreversivelmente; a preocupação central exacerbada com o levantamento de datas, nomes e fatos; uma história pautada única e exclusivamente na experiência de grandes expoentes; uma história que não busca uma periodização interna, preferindo se vincular a periodização política geral; uma história traçada superficialmente em longos períodos.

De fato, pode-se considerar que no momento dessa produção a forte influência do positivismo ainda imperava, relegando à História uma função descritiva-factual. Os movimentos de redimensionamento dos estudos históricos, como a influência do marxismo e as propostas da Escola dos Annales, apenas eram embrionários no cenário mundial (BURKE, 1991)12, tanto mais no Brasil. Assim, de alguma forma é compreensível que sua obra estivesse adequada a tais padrões13.

Curioso observar que, nesta época, já há algum tempo existiam preocupações com a história do Esporte no Brasil. Tais preocupações eram, no entanto, identificadas fora dos circuitos acadêmicos tradicionais. Os estudos eram normalmente escritos por antigos praticantes e/ou apaixonados pelos determinados esportes, muitas vezes jornalistas que acompanharam de perto o desenvolvimento da modalidade. Exemplos disto são os livros de ALBERTO B. MENDONÇA (1909)14, sobre história dos esportes náuticos; e os livros de THOMAZ RABELLO (1901)15 e E.P. (1893)16, sobre o turfe. Este último autor deixa-nos um relato bastante instigante em seu livro, expressando as preocupações que já existiam em se resguardar a história das recentes práticas esportivas no século XIX17:
"Mais vale tarde do que nunca. Já não é cedo para se escrever a história do turf nacional, história que, na falta de testemunhas oculares e de documentos já hoje raríssimos, poderá ser para o futuro adulterada" (p.3).
As características destas obras se alinhavam perfeitamente com as que levantamos para a obra de AZEVEDO. Os autores, no entanto, não pareciam querer defender ou provar nada, mas simplesmente guardar fatos e datas para que não se perdessem com o tempo. Uma visão em nada desalinhada com as perspectivas historiográficas de seu tempo. De fato, este tipo de obra, ligada à história dos esportes, escrita por não acadêmicos e sem outra preocupação do que o resguardo de informações, até hoje pode ser encontrada, inclusive com características semelhantes as de então.

Somente em 1996, quando foi realizada mais uma edição dos Jogos Olímpicos, pelo menos quatro livros dessa natureza foram lançados: 'De Atenas a Atlanta - 100 anos de Olimpíadas' (Ed. Scritta), de MAURÍCIO CARDOSO; 'Olimpíada 100 anos - História Completa dos jogos' ( Círculo do Livro e Nova Cultural), de SÍLVIO LANCELLOTTI; 'Todos os esportes do mundo' (MAKRON BOOKS), DE ORLANDO DUARTE; e 'Guia dos Curiosos/Esporte' (Cia. Das Letras), DE MARCELO DUARTE. Podemos observar procedimento semelhante também quando clubes esportivos completam tempo significativo de vida, como recentemente por ocasião do centenário do Clube de Regatas do Flamengo (Rio de Janeiro).



A segunda fase


Voltemos à História da Educação Física. Uma segunda fase é marcada pelo início de uma produção e preocupação maior com os estudos históricos, tanto nos aspectos qualitativos quanto nos quantitativos. Neste período temos que ressaltar a magnífica obra de INEZIL PENNA MARINHO, sem dúvida um dos maiores, senão o maior, estudiosos da história da Educação Física e do Esporte no Brasil. Sua influência foi tão grande que chegou a homogenizar as abordagens no trato para com esta disciplina no Brasil (CASTELLANI FILHO, 1988)18. Sua obra não significou uma completa ruptura com as características da fase anterior, mas não se pode negar uma sensível diferença, principalmente no que se refere à profundidade teórica da abordagem historiográfica.

A obra de INEZIL apresenta uma qualidade teórica e metodológica destacável. Sua obra, sem dúvida, é um exemplo de estudo histórico bem desenvolvido nos padrões da história documental-factual19. Suas diferenças começam na sua preocupação central com a história da Educação Física e do Esporte no Brasil, até então pouco abordada em estudos que preferiam uma abordagem mundial mais ampla; e passam pela sua incrível erudição e preparação teórica, que o leva, por exemplo, a utilização de fontes mais diversificadas: leis, teses da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e de Pernambuco (além da Faculdade de Direito), livros pioneiros relacionados à área de Educação Física e Esportes, súmulas e resultados de competições esportivas, jornais e outros periódicos, livros sobre a História do Brasil, entre outras.

Embora apresente claras diferenças, algumas similaridades com a fase anterior ainda são observáveis: a periodização ainda é exterior ao objeto de estudo, isto é, ligada a periodização política nacional; suas obras ainda são um levantamento de datas, fatos e nomes, apresentados sequencialmente, ano após ano, sem uma preocupação maior com a análise crítica deste material; continua a apresentar uma 'história oficial', onde os expoentes recebem lugar de privilégio absoluto.

Esse autor foi bastante criticado por alguns estudiosos da década de 80, devido as características de sua obra. Entretanto, poucos foram os que buscaram conhecer profundamente a vida e a obra de INEZIL PENNA MARINHO20, preferindo construir suas críticas em cima de um único livro21, que era na verdade um resumo de outra obra maior de quatro volumes22, esta também um desdobramento de estudo anterior.

Embora já viesse desenvolvendo e apresentando estudos sobre a história da Educação Física e do Esporte no Brasil desde 194023, foi em 1943 que lançou 'Contribuições para a História da Educação Física e dos Desportos no Brasil', editado pela Imprensa Nacional, a base de sua mais extensa e famosa obra: 'História da Educação Física e dos Desportos no Brasil', publicada em 4 volumes nos anos de 1952/1953 e republicada resumidamente em um volume em 1980, devido à falta de obras ligadas ao assunto. Estas são suas obras mais conhecidas, obras que merecem uma boa leitura. Mas não se pode compreender efetivamente a obra historiográfica de Marinho se não tivermos acesso a outras de suas obras menos conhecidas.

Seus artigos e discursos publicados nos 'Arquivos da ENEFD'24 estão entre suas obras mais marcantes no campo da História. Dos artigos, penso que entre os mais interessantes estão 'Subsídios para a história da capoeiragem no Brasil'(1956a)25 e 'Contribuição para a história do futebol no Brasil'(1956b)26, mas marcantes e esclarecedores são seu discurso por ocasião de sua posse como catedrático da cadeira de História e Organização da Educação Física e Desportos da ENEFD(1958)27 e seu discurso de paraninfo das turmas da ENEFD de 195328. Influências e tendências claramente humanistas se destacam nesses textos e, sem dúvida, o destacavam no contexto da ENEFD e na Educação Física nacional como um todo.

No que se refere ao estudo e ensino da História da Educação Física e do Esporte, já manifesta preocupações e propostas bem mais elaboradas, claras iniciativas de mudança de rumo. Ao assumir a cátedra, MARINHO deixa claro que pretende redimensionar o ensino da História, seja através de melhorias como a contratação de um tradutor para línguas clássicas, mas também buscando torná-la mais crítica e menos preocupada com nomes e datas.

"O importante no estudo da história, não é a memorização de fatos e datas, não é a fixação daquilo que os compêndios formalizaram e, algumas vezes, até padronizaram. Como professor de história desejo suscitar em meus alunos o interesse que os leve à investigação dos fatos, ao aproveitamento das experiências por outros povos, a interpretação consciente dos dados oferecidos à sua razão" (1958, p.143)29.


Enfim, não é possível afirmar que houve uma mudança completa, nem tão pouco que Marinho promoveu todas as mudanças que anunciou, mas sua obra sem dúvida é de caráter marcante e de grande importância no aprofundar e valorizar dos estudos históricos no interior da Educação Física brasileira. Além de MARINHO, queremos lembrar o nome de JAYR JORDÃO RAMOS, outro autor bastante interessante. Sua obra possui características semelhantes, mas suas abordagens se voltam mais para a Educação Física Mundial30.

Devemos ressaltar que na obra destes autores, os aspectos históricos dos Esportes já dividiam espaço com os ligados à Educação Física. Com certeza isto é um reflexo do crescimento da importância do esporte no âmbito da Educação Física, mas também na sociedade com um todo.

A despeito disso, as obras históricas ligadas exclusivamente à determinadas modalidades, com características de uma abordagem documental-factual, como anteriormente, continuavam a ser publicadas. Podem ser exemplificados os interessantes estudos de ADOLPHO SCHERMANN (1954)31, acerca de vários esportes no mundo e no Brasil, e de CÁSSIO COSTA (1961)32, mais uma iniciativa ligada a história do turfe. Temos que destacar também os estudos de MÁRIO RODRIGUES FILHO (1964)33 sobre a história do futebol, já com um caráter bastante diferenciado e de transição.

Na verdade, o futebol progressivamente passou a ser um assunto fartamente estudado, devido a dimensão que ocupou na cultura brasileira, por estudiosos de diferentes áreas, já com concepções teóricas e posicionamentos críticos destacáveis. A título de exemplificação, e devido a proximidade com a História, citamos os recentes trabalhos de JOEL RUFINO DOS SANTOS (1981)34, JOSÉ CARLOS MEIHY e JOSÉ SEBASTIÃO WITTER (1982)35 e WALDENIR CALDAS (1990)36. Efetivamente já temos hoje muitos e bons estudos ligados a história do futebol37.



A terceira fase


A terceira fase dos estudos históricos ligados à Educação Física e ao Esporte é marcada pela busca do redimensionamento das características dos estudos até então desenvolvidos, a partir fundamentalmente de uma crítica à obra de Marinho e de uma inspiração teórica marxista, onde se destaca o estudo de LINO CASTELLANI FILHO (op.cit.)38, hoje uma das obras mais lidas na nossa área. Nesse estudo, bastante influenciado pelas discussões peculiares à Educação Física da década de 80, o autor fundamentalmente objetivou recontar a história da Educação Física no Brasil dando ênfase ao desvelar dos aspectos ideológicos que estiveram por trás de tal desenvolvimento e percurso.

Embora as obras desta fase tenham significado uma importante mudança de enfoque, alguns problemas das fases anteriores continuariam persistindo, além de um novo problema ter emergido (ou reemergido): metodologicamente, no que se refere à História, as obras são mais confusas e incompletas.

A periodização continua a se submeter a especificidades exteriores ao objeto, além de referendarem uma impressão de continuidade e linearidade, sempre tão presente em todas as fases anteriores; a história é entendida como responsável por explicar linearmente o presente, fato agravado por uma compreensão que parte do presente com hipóteses traçadas já basicamente confirmadas, o que praticamente faz forjar no passado os elementos necessários para provar a hipótese inicial; a exasperação da crítica ao caráter documental-factual das obras anteriores findou por muitas vezes no dispensar de datas, fatos e nomes, tão importantes em qualquer estudo historiográfico.

Além do estudo de CASTELLANI FILHO (ibid.), outros estudos se destacaram. O estudo de MÁRIO CANTARINO FILHO (1982)39 foi na verdade um marco inicial desta fase. Em sua dissertação de mestrado, Cantarino Filho procura analisar as relações entre a Educação Física e o Estado Novo, se destacando por uma abordagem crítica não observada até então nos estudos históricos em nossa área. Também não podemos deixar de citar o estudo de PAULO GHIRALDELLI JÚNIOR (1988)40, que embora tenha uma ligação mais direta com a filosofia, foi bastante utilizado enquanto estudo histórico. Seu estudo apresentou uma periodização para entender a História da Educação Física no Brasil que teve grande influência e foi bastante utilizada.

Os estudos de CARMEM LÚCIA SOARES (1990)41 e SILVANA VILODRE GOELLNER (1992)42 ainda apresentam características aproximadas com os outros estudos desta terceira fase, mas já anunciam uma mudança de postura nos estudos históricos em nossa área.
Considerações finais (ou à guisa de conclusão)
Esse estudo em momento algum objetivou ser um levantamento de autores, obras e seus resumos. Sem descartar a priori a importância dessa iniciativa, inclusive porque de alguma forma possibilita conhecimento de nossa produção no campo da História, pretendemos identificar algumas especificidades no atual momento de nossos estudos históricos. A partir dessas considerações, nesse momento final objetivamos mais do que fazer uma síntese das discussões. Ao apontar algumas sugestões, esperamos interferir e influenciar nos caminhos a serem trilhados a partir de então. Para tal, pretendemos também tecer paralelos sobre a vinculação de nossos estudos com as teorias e discussões na área de História, que em última instância determinam como tem se dado o elencar e utilizar de procedimentos metodológicos.

Acreditamos assim que as escolhas, intencionais ou não, de ordem metodológica/epistemológica têm um peso fundamental na escrita da história. Isso é, a escolha de técnicas narrativas e formas de análise têm implicações sociais e políticas claras. As percepções ideológicas tornam-se então mais sutis e mais interiores ao campo de conhecimento da História (HUNT, 1992)43. Logo, não estou a abandonar a possibilidade de análise dos aspectos ideológicos, mas a considerar que é possível inferir e desvendar tais aspectos no interior das opções metodológicas/epistemológicas.

Penso que qualquer tipo de justificativa pautada na recência de nossos estudos na área da História, que explicaria seu desenvolvimento ainda embrionário e sua fragilidade metodológica, além de comprovar o desconhecimento de nossa produção, principalmente das décadas de 40 a 60, não pode servir para obliterar a necessidade imperiosa de superação qualitativa. O respeito e a consideração pelo que foi produzido até os dias de hoje não pode substituir ou impedir a rigorosa crítica permanente (tão rigorosa quanto possível for) que deve ser efetuada.

WARDE (1990)44, refletindo sobre a História da Educação, afirma que o presentismo pragmatista ocupou espaço central nos estudos da área, até mesmo espaço maior que o positivismo. Ao proceder uma análise em nossa área parece se confirmar procedimento semelhante. É interessante perceber como a História foi/é utilizada fundamentalmente a partir de sua utilidade para justificar o presente, a partir de uma compreensão linear de causa e conseqüência, onde o presente nada mais é que reflexo e a soma do que ocorreu no passado.

Como vimos no capítulo anterior, um exemplo disso é facilmente identificável não só nos estudos históricos, mas também nas disciplinas ligadas a História da Educação Física e do Esporte nos cursos de graduação em Educação Física. Logo, o aluno já sai da graduação sem compreender o sentido dessa disciplina ou com uma apreensão bastante complicada.

Um exemplo da utilização da história como 'justificativa' do presente pode ser obtido no costume, bastante difundido em nossa área, de inserção de capítulos introdutórios dedicados a uma 'contextualização' histórica. Normalmente desconexos do contexto central dos estudos, a presença desses capítulos se dá na tentativa de mostrar que o problema levantado nada mais é que reflexo do passado. Além dessa controversa impropriedade teórica, esses capítulos, inclusive por não serem o alvo central do estudo, recebem uma atenção menor por parte do autor, sendo apresentados sem uma reflexão historiográfica mais profunda e reproduzindo os esquemas históricos tradicionais, normalmente justificados ‘por serem somente um capítulo introdutório’.

Esses capítulos introdutórios não contribuem nem com o entendimento do problema central do seu estudo, nem com a História da Educação Física e do Esporte, contribuindo antes para sua desorganização e desorientação. Tais capítulos, se não têm sentido no conjunto da obra e se não merecem uma preocupação maior, podem ser perfeitamente retirados e/ou utilizados no interior das considerações em geral. Não há nada que obrigue a existência de um capítulo inicial dedicado a história. Mas, caso exista, deve receber o mesmo cuidado que os outros e partir de uma cuidadosa reflexão teórica.

De fato, penso que a História da Educação Física e do Esporte precisa encontrar sua definição e seu espaço, abolindo a compreensão de que todo amontoado de datas e fatos, colocados em qualquer momento, mesmo que seja com uma pretensa abordagem crítica, é história. Precisa encontrar uma especificidade e uma qualidade que a destaque, e isso deve ser preocupação central daqueles que estudam mais sistematicamente a história, construindo exemplos também para aqueles que eventualmente fazem seu uso.

Parto de uma premissa principal: a História da Educação Física e do Esporte precisa romper quaisquer fronteiras e resistências, descobrindo seu lugar no vasto campo de conhecimento da História. Isso é, a História da Educação Física e do Esporte é antes de tudo História, e seu lugar na Educação Física/Ciências do Esporte está em, utilizando os referenciais e constructos teóricos da História, ter a Educação Física e o Esporte como objetos de estudo. A História da Educação Física e do Esporte, no momento que tem a Educação Física e o Esporte como objetos de estudo, contribui para as discussões pertinentes a esses, mas para isso faz uso da História. Penso que a História da Educação Física e do Esporte seja uma das especializações da História, se considerado o aspecto temático.

Enquanto estudo de um dos temas do campo de conhecimento da História, um dos elementos da multiplicidade do real histórico, a História da Educação Física e do Esporte também tem a contribuir com a História na sua compreensão da sociedade. Não só por apontar novas possibilidades temáticas e por contribuir para a compreensão da complexidade histórica, como também indicar novos procedimentos para efetivar essa compreensão.

A História da Educação Física e do Esporte terá também, nesse esforço de delineamento, que lidar com os problemas relativos a indefinição do seu campo de conhecimento, principalmente da Educação Física. Afinal, o que é Educação Física? Essa questão tem mobilizado continuamente os pesquisadores na nossa área e está longe de ser respondida.

Não descartando essas discussões, nem a contribuição da História para elas, uma solução momentânea estaria em explicitar os limites a se considerar. Penso que um caminho seja delimitar o que é interessante para o estudo da própria definição da Educação Física e do Esporte, além de suas fronteiras móveis como objeto de interesse. Particularmente, não penso em dispensar a priori determinadas manifestações da cultura corporal, como a dança, desde que sua relação se dê no âmbito do interesse da área de Educação Física e do Esporte.

É fundamental, logo, que preocupações quanto a fragmentação da Educação Física/Ciências do Esporte não venham impedir a História da Educação Física e do Esporte de se desenvolver no seio da História, já que isso não significará o abandono da Educação Física/Ciências do Esporte. Antes o contrário: a potencialização de sua contribuição.

Partindo dessa premissa, nesse momento as preocupações metodológicas/epistemológicas devem ocupar lugar central nos estudos históricos em nossa área. A História tem caminhado notoriamente e redimensionado constantemente seu campo e forma de atuação45 e as possibilidades abertas nesse processo parecem ainda não terem sido consideradas profundamente no âmbito de nossos estudos. Ao orientar nossa produção histórica em consonância com o momento historiográfico em geral, ampliando nossas possibilidades teórico-metodológicas, devemos ter cuidado, todavia, para que não venhamos a aceitar passivamente as 'novas propostas', acreditando que por si só são suficientes para redimensionar o campo de estudo da História da Educação Física e do Esporte no Brasil. Antes, devemos estar atentos às possíveis críticas a essas 'novas propostas', fazendo um 'desconfiado' uso, sempre prontos a questionar suas reais contribuições46.

Um exemplo da carência de preocupações metodológicas em nossa área pode ser encontrado mesmo na utilização de fontes. Também é preciso que estejamos mais atentos a nossa própria história e as 'lacunas' ainda existentes nessa. Não podemos deixar de descobrir e estudar novas 'lacunas', além de redescobrir e reestudar, sobre novas óticas, antigas constatações. Creio que estamos correndo risco de estar escrevendo a história sem conhecer o que já foi escrito até então:
"Não é cabível, por exemplo, que estudos que se pretendam históricos sejam arquitetados com base no desconhecimento do que já foi produzido na área sobre os mesmos temas já escolhidos" (WARDE, op.cit, p.6)47.
Sem dúvida, devemos considerar ainda que os fatos e as datas, os acontecimentos, têm adquirido um novo sentido e importância. As críticas à cronologia têm sido relativizadas e percebe-se cada vez mais novas formas de narrativa que considerem essa importância48.

Devemos também estar atentos para não confundir uma compreensão histórica que tenha direta ligação com a vontade de transformar e interferir na realidade social, com outra que a confunda com empenho ideológico a priori. Esse esforço deve estar aliado a outro no sentido de repensar a relação entre a história que estamos escrevendo e aquela vivida, ocorrida. A relativização da verdade não pode significar o abandono de sua busca, nem tão pouco a substituição de uma verdade estabelecida por outra a ser aceita a partir de então. Ao reconhecermos a possibilidade de certas regularidades não podemos correr o risco de sermos deterministas ou lineares ao extremo. Devemos tomar cuidado, enfim, para que nosso exercício não acabe se inserindo no campo da filosofia da história49.


"Com muita freqüência os historiadores fazem, inconscientemente, sem saber, teoria ou ideologia em seu trabalho, e é preciso tomar consciência ou fazer com que se tome consciência, desse latente teórico" (LE GOFF, 1990b, p.5)50.
Enfim, creio que os estudos históricos têm muito a contribuir para o estudo da Educação Física, do Esporte e da sociedade brasileira, permitindo interpretações de seus processos e caminhos no decorrer do tempo, lançando luz nas discussões contemporâneas, e, diriam alguns, até mesmo contribuindo no perspectivar do futuro. Mas é perigoso que para isso venha a coadunar com uma perspectiva linear causa-conseqüência ou a permitir que inferências a priori ideológicas obliterem a especificidade de sua contribuição.

É comum que a história seja uma seqüência de novas leituras do passado, plenas de perda e ressurreição, falhas de memória e revisões, ocasionadas pela busca incessante da verdade e da objetividade. Talvez um pouco mais de desconfiança, um pouco menos de linearidade e unanimidade, possa nos ser muito útil. Trabalhar um pouco mais as contradições, nas fronteiras, com as ambigüidades e inexatidões que segundo Paul Ricoeur são equívocos bem fundamentados que caracterizam e justificam o difícil trabalho do historiador.

"A história só é história na medida em que não consente nem no discurso absoluto, nem na singularidade absoluta...a história é essencialmente equívoca, no sentido de que é virtualmente evenementielle e virtualmente estrutural...a história quer ser objetiva e não pode sê-lo. Quer fazer reviver e só pode reconstruir. Ela quer tornar as coisas contemporâneas, mas ao mesmo tempo tem de reconstituir a distância e a profundidade da lonjura histórica” (RICOEUR apud. LE GOFF, 1990b, p.21).
Enfim, não se pode negar que o avanço tem sido flagrante e as preocupações metodológicas têm cada vez mais ocupado a ordem do dia. Por todo o país muitos pesquisadores têm dado sua contribuição e muitas propostas, discussões, estudos, artigos, monografias etc. têm surgido, grande parte no sentido de buscar um novo caminho para o estudo da história da Educação Física e do Esporte no Brasil. Mas ainda existem muitas lacunas, principalmente no que se refere à qualidade, natureza e especificidade desta produção. Há muito trabalho a ser feito.

Penso que um bom começo e uma medida imediata está em, como tentei apontar nesse artigo, orientar os caminhos da História da Educação Física e do Esporte em consonância com o desenvolvimento do campo de conhecimento da História. E, logo, estabelecer um diálogo aberto e desprovido de preconceitos ou corporativismos entre os pesquisadores da Educação Física e da História. Penso que é necessário encararmos essa possibilidade/necessidade, sob o risco de dificilmente nos aproximarmos mais efetivamente do alcance de nossos objetivos e contribuições.





1 Professor da Escola de Ed. Física da UFRJ. Doutor em Ed. Física e Pesquisador . Coordenador do Instituto Virtual da FAPERJ.

2. Uma análise muito interessante neste sentido pode ser encontrada no estudo: HILL, JEFREY. British Sports History: a post modern future? Journal of Sport History, v.23, n.1, p.1-19, 1996.

3. Uma importante observação sobre a compreensão de Hobsbawn acerca da relevância do esporte no mundo contemporâneo é desenvolvida por J.A.Mangan na apresentação da série 'International studies in the History of Sport', publicada pela Manchester University Press (1992). Para o autor, HOBSBAWN acredita que o esporte é uma das mais importantes práticas sociais do final do século XIX na Europa, importância notadamente crescente no decorrer do século XX.

4. Já foram realizados vários Encontros Nacionais específicos para discutir a História da Educação Física e do Esporte. O primeiro em Campinas (Unicamp-1993), o segundo em Ponta Grossa (UEPG-1994), o terceiro em Curitiba (UFPr-1995), o quarto em Belo Horizonte (UFMG-1996) e o quinto em Maceió (UFAl-1997). No ano de 1998, o Encontro da UGF/RJ, além de outros que se seguiram.

5. Por exemplo, no IX Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte (Vitória-1995) foi realizada a oficina 'A historiografia na Educação Física', conduzida pelo prof. PEDRO PAGNI.

6. MELO, VICTOR ANDRADE DE. História da História da Educação Física - perspectivas e propostas para a década de 90. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v.16, n.2, p.134-138, jan./1995a.

7. MELO, VICTOR ANDRADE DE. Reflexão sobre a História da Educação Física no Brasil - uma abordagem historiográfica. Movimento, Porto Alegre, ano 3, n.4, p.41-48, 1996/1a.

8. MELO, VICTOR ANDRADE DE. Encontros Nacionais e o 'Movimento' da História da Educação Física/Esporte no Brasil - perspectivas internacionais. In: RODRIGUES, MARILITA APARECIDA ARANTES. Encontro Nacional de História do Esporte, Lazer e Educação Física, 4, Belo Horizonte, 1996b. Coletânea. p.393-402.

9. Penso que mais do que uma temática possível de abordagem histórica, temos observado a construção de uma sub-área de estudo. Pretendo desenvolver melhor tal raciocínio no decorrer do artigo.

10. BONORINO, LAURENTINO LOPES ET ALLI. Histórico da Educação Física. Vitória: Imprensa Oficial, 1931.

11. PAGNI, PEDRO. História da Educação Física no Brasil - notas para uma avaliação. In: FERREIRA NETO, Amarílio et alli. As ciências do esporte no Brasil. Campinas: Autores Associados, 1995. p. 149-163.

12. BURKE, Peter. A Escola dos Annales. São Paulo: UNESP, 1991.

13. Entre as obras de Azevedo, é das mais interessantes a obra 'Da educação física: o que ela é, o que tem sido e o que deveria ser', publicada pela primeira vez em 1920, mas com reedição de 1960 (Editora Melhoramentos) disponível em muitas bibliotecas do país.

14. MENDONÇA, Alberto B. História do sport náutico no Brazil. Rio de Janeiro: s.n., 1909.

15. RABELLO, Thomaz. História do Turf no Brazil. Rio de Janeiro: Leuzinger, 1901.

16. E.P. Crônicas do turf fluminense. Rio de Janeiro: s.n., 1893.

17. Maiores informações sobre as práticas esportivas no século XIX podem ser obtidas no estudo: MELO, VICTOR ANDRADE DE. Turf: o esporte brasileiro no século XIX. In: ENCONTRO NACIONAL DE HISTÓRIA DO ESPORTE, LAZER E EDUCAÇÃO FÍSICA, 3, Curitiba, 1995b. Coletânea. p. 444-451.

18. CASTELLANI FILHO, LINO. Educação Física no Brasil: a história que não se conta. Campinas: Papirus, 1988.

19. Estou a chamar de história documental-factual aquela que tem como objetivo central e quase exclusivo o levantamento de fatos, datas e nomes, sem a preocupação de análise crítica do material encontrado. Seria um conceito bastante próximo de história episódica ou événementielle (BURKE, op.cit.).

20. Recentemente a professora Célia Carvalho do Nascimento apresentou a dissertação de mestrado 'INEZIL PENNA MARINHO: o tempo de uma História' (1997) no programa de pós-graduação em Educação da PUC de São Paulo, preenchendo uma importante lacuna em nossa produção.

21. MARINHO, INEZIL PENNA. História da Educação Física e dos Desportos no Brasil. Rio de Janeiro: Ebal, 1980.

22. MARINHO, INEZIL PENNA. História da Educação Física e dos Desportos no Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1952/1953.

23. MARINHO, INEZIL PENNA. Educação Física - estatísticas. Rio de Janeiro: DEF/MES, 1940.

24. Os 'Arquivos da ENEFD' eram o periódico oficial da Escola Nacional de Educação Física e Desportos, responsável por divulgar o resultado das pesquisas e as notícias ligadas àquela importante instituição de nível superior, primeira escola de formação na Educação Física brasileira a estar ligada à uma universidade (Universidade do Brasil), além de ser considerada como escola-padrão. Maiores informações podem ser obtidas no estudo: MELO, Victor Andrade de. Escola Nacional de Educação Física e Desportos - uma possível história. Campinas: Unicamp, 1996c. Dissertação (Mestrado em Educação Física).

25. MARINHO, INEZIL PENNA. Subsídios para a História da Capoeiragem no Brasil. Arquivos da ENEFD, Rio de Janeiro, ano 9, n.9, p.81-102, jan.-jun./1956a.

26. MARINHO, INEZIL PENNA. Contribuição para a história do futebol no Brasil. Arquivos da ENEFD, Rio de Janeiro, ano 9, n.10, p.41-45, jul-dez./1956b.

27. MARINHO, INEZIL PENNA. Discurso de posse de cátedra de História e Organização da Educação Física e Desportos. Arquivos da ENEFD, Rio de Janeiro, ano 11, n. 12, p.127-145, 1958.

28. MARINHO, INEZIL PENNA. Discurso de paraninfo das turmas da ENEFD de 1953. Arquivos da ENEFD, Rio de Janeiro, ano 7, n. 7, p.121-127, jan/1954.

29. MARINHO, INEZIL PENNA, 1958, op.cit.

30. Embora desde a década de 60 já escrevesse artigos ligados à história, sua obra mais conhecida somente foi publicada na década de 80: RAMOS, Jair Jordão. Os exercícios físicos na história e na arte. São Paulo: IBRASA, 1982.

31. SCHERMANN, ADOLPHO. Os desportos de todo o mundo. Rio de Janeiro: A.A.B.B., 1954.

32. COSTA, CÁSSIO. O turfe de outrora. Rio de Janeiro: Vida Turfista, 1961.

33. RODRIGUES FILHO, MÁRIO. O negro no futebol brasileiro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964.

34. SANTOS, JOEL RUFINO DOS. História política do futebol brasileiro. São Paulo: Brasiliense, 1981.

35. MEIHY, JOSÉ CARLOS, WITTER, José Sebastião. Futebol e cultura: coletânea de estudos. São Paulo: IMESP/DAESP, 1982.

36. CALDAS, WALDENYR. Memória do futebol brasileiro. Ibrasa: São Paulo, 1990.

37. Maiores referências sobre tais estudos podem ser encontradas em: GENOVEZ, PATRICIA DE FALCO, MELO, VICTOR ANDRADE DE. Bibliografía brasileña sobre Historia de la Educación Física y del Deporte. Lecturas: Educacion Física Y Deportes, Buenos Aires, ano 2, n.10, 1998.

38. CASTELLANI FILHO, LINO, 1988, op.cit.

39. CANTARINO FILHO, MÁRIO RIBEIRO. A Educação Física no Estado Novo: história e doutrina. Brasília: UnB, 1982. Dissertação ( Mestrado em Educação).

40. GHIRALDELLI JÚNIOR, PAULO. Educação Física progressista. São Paulo: Loyola, 1988.

41. SOARES, CARMEM LÚCIA. O pensamento médico-higienista e a Educação física no Brasil - 1850/1930. São Paulo: PUC, 1990. Dissertação ( Mestrado em Educação).

42. GOELLNER, SILVANA VILODRE. O método francês e a Educação Física: da caserna à escola. Porto Alegre: UFRGS, 1992. Dissertação (Mestrado em Educação Física).

43. HUNT, LYHN. A Nova História Cultural. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

44. WARDE, MIRIAN JORGE. Contribuição da História para a Educação. Em aberto, Brasília, n.47, jul.-set./1990.

45. Entre outros, aponto os questionamentos à epistemologia racionalista-científica-objetiva, o questionamento da dimensão macro-explicativa, a possibilidade de utilização de novos objetos, o surgimento de novos temas, a recuperação da dimensão subjetiva, a relativização do conceito de verdade, a crítica a tradição marxista ortodoxa, a crítica a linearidade evolutiva do processo histórico, a utilização da crítica literária.

46. Maiores informações sobre críticas e ressalvas sobre o 'novo' podem ser encontradas nos estudos ´ZAIDAN FILHO, MICHEL. A crise da razão histórica. Campinas: Papirus, 1989´; e PETERSEN, SÍLVIA REGINA FERRAZ. Algumas interrogações sobre as tendências recentes da Historiografia brasileira: a emergência do ´novo´ e a crítica ao racionalismo. LPH: revista de história, Ouro Preto, v.3, n.1, 1992´.

47. WARDE, MIRIAN JORGE, 1990, op.cit.

48. PETER BURKE (A Escrita da História. São Paulo: Unesp, 1992) resume bem as discussões que tem se estabelecido no interior da História: "A oposição tradicional entre os acontecimentos e as estruturas está sendo substituída por um interesse por seu interrelacionamento e alguns historiadores estão experimentando formas narrativas de análise ou formas analíticas de narrativa" (p.30).

Também JACQUES LE GOFF (A História Nova. São Paulo: Martins Fontes, 1990a) crê que a cronologia..."...continua sendo um conjunto de referências que sem dúvida deve ser enriquecido, flexibilizado, modernizado, mas que permanece fundamental para o próprio historiador, para os jovens e para o grande público" (p.7).



49. Segundo LE GOFF (1990b) a filosofia da história "...tendência, nas suas diversas formas, para levar a explicação histórica à descoberta ou à aplicação de uma causa única e original, para substituir o estudo pelas técnicas científicas de evolução das sociedades, sendo essa evolução concebida como abstração baseada no apriorismo ou num conhecimento muito sumário dos trabalhos científicos" (p.19).

O autor, longe de negar a priori a filosofia da história, chama atenção para o fato de que como não é histórica, muitas vezes acaba por desvirtuar e ideologizar o conceito de História. Acredita então que a História deva introduzir , por outras vias que não a ideologia e respeitando a imprevisibilidade, o horizonte do futuro na reflexão.




50. LE GOFF, JACQUES. História e memória. Campinas: Ed.Unicamp, 1990.






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