História da ciência e das universidades a determinação histórica nas atividades científicas



Baixar 375,35 Kb.
Página4/5
Encontro10.06.2018
Tamanho375,35 Kb.
1   2   3   4   5

Difunde-se a crença na verdade absoluta do conhecimento científico, que caminhava para a resolução de todos os enigmas do universo.

Nesta época então:

O conhecimento científico é tido como o único verdadeiro (mito da cientificidade) v

O desenvolvimento da ciência e da técnica são os únicos que poderão conduzir a humanidade a um estado superior de perfeição (mito do progresso)

A resolução dos problemas da humanidade passa a ser de responsabilidade dos detentores do conhecimento técnico e científico (mito da tecnocracia).

1.1.4. Idade Contemporânea

Que a ciência desse respostas definitivas às nossas perguntas, de modo a ampliar cada vez mais o conhecimento humano, e que tal conhecimento pudesse ser aplicado na satisfação de necessidades concretas do homem, era o que cada vez mais pessoas esperavam. Assim, a ciência foi conquistando cada vez mais adeptos, tornando-se objeto de uma confiança ilimitada. Isto é, surge um verdadeiro culto da ciência, o cientismo. O cientismo é, pois, a ciência transformada em ideologia. Ele assenta, afinal, numa atitude dogmática perante a ciência, esperando que esta consiga responder a todas as perguntas e resolver todos os nossos problemas. Em grande medida, o cientismo resulta de uma compreensão errada da própria ciência.

As ciências da natureza e as ciências formais do século XIX e XX conheceram desenvolvimentos sem precedentes. Mas porque o espírito científico é um espírito crítico e não dogmático, apesar do enorme desenvolvimento alcançado pela ciência no século XIX, os cientistas continuavam a procurar responder a mais e mais perguntas, perguntas cada vez mais gerais, fundamentais e exatas. E a resposta a essas perguntas conduziu a desenvolvimentos científicos que mostraram os limites de algumas leis e princípios antes tomados como verdadeiros.

O mecanicismo foi refutado no século XIX por Maxwell (1831-1879), que mostrou que a radiação eletromagnética e os campos eletromagnéticos não tinham uma natureza mecânica. O mecanicismo é a idéia segundo a qual tudo o que acontece se pode explicar em termos de contactos físicos que produzem «empurrões» e «puxões».

A geometria, durante séculos considerada uma ciência acabada e perfeita, foi revista. Apesar de a geometria euclidiana ser a geometria correta para descrever o espaço não curvo, levantou-se a questão de saber se não poderíamos construir outras geometrias, que dessem conta das relações geométricas em espaços não curvos: nasciam as geometrias não euclidianas. A existência de geometrias não euclidianas conduz à questão de saber se o nosso universo será euclidiano ou não. E a teoria da relatividade mostra que o espaço é afinal curvo e não plano, como antes se pensava.

No início do século XX, Einstein destrói a concepção determinista do conhecimento científico ao negar a simultaneidade entre fenômenos acontecidos a grandes distâncias. Einstein demonstrou que o tempo é a quarta dimensão do espaço e que, na velocidade da luz, o espaço “encurva-se”, “dilata-se”, “contrai-se” de tal modo que afeta o tempo. Alguém na velocidade da luz atravessaria num tempo mínimo um espaço imenso, mas abaixo daquela velocidade sentiria o tempo escoar lentamente ou “normalmente”. A física passa a depender da observação, do observador ou do sujeito do conhecimento.

Heisenberg introduziu o princípio de incerteza ou de indeterminação que abalou o determinismo da física de Newton. No nível atômico, conhecer o estado ou a situação atual de um fenômeno não permite prever a situação ou o estado seguinte, nem descobrir qual foi a situação ou o estado anterior (posição/ velocidade).

No século XX deixa-se de falar em certezas absolutas, para se falar de incertezas e probabilidades.

1.1.4.1 Pós Modernidade

O conhecimento científico deixa de ser visto como absoluto. A atividade científica deixa de estar acima do poder e dos benefícios econômicos e está cada vez mais comprometida com a construção de armas de guerra ou na criação de produtos destinados à comercialização por grandes grupos econômicos em escala mundial.

A promessa de uma paz perpétua que surgiria dos avanços da racionalidade cientifica não se cumpriu. Os enormes progressos foram acompanhados do desenvolvimento de tecnologias de guerra com poder destrutivo sem precedentes históricos.


Século XVIII

68 guerras

4.400.000 mortes

Século XIX

205 guerras

8.300.000 mortes

Século XX

237 guerras

98.800.000 mortes

A promessa de um domínio da natureza, pela ciência, redundou na exploração excessiva dos recursos naturais e em desequilíbrios ecológicos que atingiram tais proporções que colocam em risco a sobrevivência da humanidade. A promessa de um progresso contínuo da humanidade redundou em disparidades mundiais gritantes.

Enquanto em um grupo de países se acumulam riquezas e desperdiçam recursos, na maioria dos restantes populações inteiras são dizimadas pela fome e epidemias e são espoliados seus recursos naturais.

Os anos 60 marcam o início da pós-modernidade e, na década de 70 o debate se torna mais inflamado. O desencanto que se instala na cultura é acompanhado da crise de conceitos fundamentais ao pensamento moderno, tais como verdade, razão, legitimidade, universalidade, sujeito, progresso, etc. O efeito da desilusão dos sonhos alimentados na modernidade se faz presente na estética, na ética e na ciência.

A possibilidade de domínio científico nos afastaria dos infortúnios ligados a imprevisibilidade do mundo natural (condições climáticas e de relevo, doenças físicas e mentais). A natureza deveria submeter-se ao poder da Razão humana.

Este sonho, que permitiu a hiper-valorização do conhecimento objetivo e científico, custou caro á para a humanidade. A expectativa quanto aos frutos da ciência foi dolorosamente interrompida por eventos que marcaram profundamente a sociedade atual: a Segunda Guerra Mundial, Auschwitz, Hiroshima...

A dúvida sobre os “benefícios” trazidos pela tecnologia torna-se cotidiana, à medida que se intensifica a dependência a esta mesma tecnologia (aparelhos eletrodomésticos, automóveis). Antes a produção de mercadorias era apenas conseqüência das necessidades do consumidor, hoje é preciso produzir os consumidores, é preciso produzir a própria demanda.



A pós-modernidade desafia do direito da ciência de validar e invalidar, de legitimar e deslegitimar, de traçar a linha divisória entre conhecimento e ignorância. A ansiedade pós-moderna pela liberdade reflete a profunda descrença em um “caminho seguro” para a felicidade.

Pós-modernidade???? O que vem depois???

1.1.6. História universidades

Um universitário de hoje talvez imagine que a ciência sempre foi parte integrante dessas instituições, mas a ciência chega relativamente tarde à comunidade universitária, vencendo muitas vezes grandes oposições.

A universidade antiga (medieval) tinha duas funções características:

preparava os jovens – com o trivium (gramática, retórica e lógica) e o quadrivium (geometria, aritmética, música e astronomia), para a formação profissional ministrada em escolas

preparava profissionais para três profissões distintas - teologia, medicina e direito.

A base proporcionada pelo trivium e quadrivium, que em conjunto formavam as sete artes liberais, era filosófica, retórica e matemática. Ensinava-se pouco e havia um professor para todas as matérias. A formação era liberal. Na prática, no entanto, as artes liberais assumiam freqüentemente mais importância dentro das universidades do que o ensino profissional, propiciando um desenvolvimento cultural e intelectual no interior das universidades que nem sempre se acomodava com facilidade à verdade religiosa, que era o fundamento legitimador da coexistência entre as universidades e a Igreja. Nas escolas profissionais aprendia-se cada carreira, mas sem base em investigação científica. O conhecimento adquirido era reverenciado como patrimônio imutável.



A revolução no pensamento científico ocorreu no século XVII extra-muros universitários. Grandes nomes da ciência como Kepler, Galileu, Boyle e Newton promoveram uma revolução no pensamento humano devido a sua busca pela compreensão do universo. Estes pensadores atuavam fora das universidades, que se mantinham impermeáveis à criação científica. As universidades resistiam à penetração da ciência, mas o mesmo não se pode dizer do público. A ciência despertava a curiosidade das pessoas mais ou menos cultas pela convivência dos cientistas em reuniões ou conferências, com demonstrações. Dificilmente se poderia distinguir o profissional do amador e fundavam-se sociedades muito ativas que difundiam a ciência. Mais tarde iriam ligar a técnica à ciência, impelindo até mesmo “cientistas puros” a procurar resolver problemas de natureza técnica.

Reunião científica com demonstração.



1   2   3   4   5


©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal