Hermetismo e terapêutica espiritual



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HERMETISMO E TERAPÊUTICA ESPIRITUAL




A minha tarefa esta noite é a de falar sobretudo sobre a vida de dois mestres: Ciro Formisano e Manlio Magnani e dos ambientes que frequentaram, assim como das obras que realizaram. Logo após descreverei de maneira sintética a Escola que Formisano fundou na Itália e Magnani na América Latina, qual foi o programa desta Escola e a atividade que desenvolveu na Itália e que desenvolve atualmente no Brasil. Em primeiro lugar eu gostaria de esclarecer que a minha presença aqui tem a única finalidade de transmitir um conhecimento. Não existe de minha parte nenhum propósito de proselitismo porque a Fraternidade Hermética da qual falarei não é uma seita, não é uma religião, não é uma associação profana e eu não sou o gurú ou o pastor de uma nova fé que promete a felicidade e o sucesso.

Minha exposição se limitará às notícias mais importantes porque desejo reservar a maior parte do tempo a um colóquio entre nós, para poder responder às perguntas que certamente não faltarão e poder então explicar com maiores detalhes os argumentos que em minha leitura são sumariamente apresentados. Querendo facilitar o debate que seguirá, é necessário que eu explique o significado de alguns termos que serão usados com uma certa frequência em minhas palavras e que fazem parte do vocabulário da Fraternidade Hermética.

Estas são: fraternidade – hermetismo – magia, mago, mágico – miriam – terapêutica – iniciação – tradição.
Fraternidade.

O conceito de Fraternidade ou Irmandade provém da palavra latina frater (irmão) que exprime geralmente a relação carnal entre os filhos nascidos dos mesmos pais. Foram os alquimistas medievais que introduziram em sua linguagem o termo fratres para indicar aqueles que seguem os mesmos estudos, as mesmas investigações dos mistérios da natureza humana, o mesmo ideal, para indicar uma ligação que estes consideravam mais elevada e mais duradoura do que aquela do sangue, uma ligação espiritual que mantinha unidos os fratres também depois da morte física. Neste sentido são irmãos os iniciados do mundo inteiro porque todos percebem a verdade da mesma maneira e com as mesmas leis.
Hermes, hermetismo.

Quem é Hermes, palavra da qual deriva hermetismo? Hermes é o Mercúrio alado dos Fenícios e dos Romanos; o Anubis egípcio. A palavra hermes segundo os antigos Gregos significava sutileza, astúcia, sagacidade, e Mercúrio nas características antigas era astuto e sagaz, embaixador dos Deuses. Então  a filosofia hermética foi a filosofia sutil, capaz de interpretar e fazer manifestar o hermes, foi a ciência por excelência, que penetra na parte mais misteriosa do nosso campo mental, e hermetista chamou-se o artista que colocava em prática e realizava os predicados da ciência hermética como ciência sutil a ponto de acreditar que fosse divina. Basicamente, hermes é o intelecto da força que diviniza o homem e filosofia hermética é a ciência que procura este deus inatingível e o fixa.
Myriam.

Myriam é o nome da rosa mística dos Rosa+Cruzes e representa um estado de pureza virginal, a eterna manifestação do amor. Para que se entenda este nome, imagine-se Miriam como o tipo da mais benéfica divindade, como a Diana da mitologia clássica, como a milagrosa e encantadora Isis egípcia, ou como o símbolo de um estado especial de purificação do espírito humano que é fonte de todos os mais maravilhosos prodígios. Miriam representa então a alma humana perfeita, virgem e limpa de qualquer sujeira. Miriam é tambem um estado operante por amor fraterno e enfim Miriam é a Minerva médica que dispensa a saúde pro salute populi (para a saúde de todos).
Magia.

Quando vocês ouvirem esta palavra eu peço para que esqueçam os ilusionistas e os prestigiadores do circo. Eles não tem nenhuma relação com a magia e o mago da doutrina hermética. Magia é uma alteração da palavra Mag, que nas línguas do antigo oriente significa sacerdote perfeitíssimo, sábio. Em língua caldéia Magdhira significa grande sabedoria. Mas se a palavra Magia soa mal a muitos ouvidos modernos, especialmente porque abusaram dela, a substituiremos então com duas palavras que a explicam: ciência integral. Ciência que completa (integra) o homem ensinando-o a técnica e a prática para que retorne para o seu profundo ancestral e para prevenir as suas metas finais; de modo que na própria unidade vivente ele possa discernir o “ fui – sum – ero” ou seja resolver o enigma do “nosce te ipsum” ou seja conheça a si mesmo. E' uma palavra que contém todos os atributos da onipotência divina; se vocês dão ao nome deus o valor da suprema inteligência que cria, regula e conserva o universo o MAGO é o possessor, o depositário vivente e usuário da ciência de deus.
Iniciação

Esta palavra, assim como a palavra magia e como a palavra esoterismo pode criar muitos equívocos e confusão porque é usada imprópriamente por muitas pessoas. É uma palavra extremamente precisa e deve ser usada com muita prudência. É importante que se entenda o significado clássico da palavra iniciação. A palavra latina initia indica um movimento para o interno, por isto antigamente quando se pronunciava o verbo inter-ire, isto è ir em direção ao interno, queria-se dizer a morte. Consequentemente a iniciação fazia com que se conhecesse os princípios das coisas e o iniciado conquistava a razão de viver com alegria mas conquistava também a razão de morrer com uma esperança melhor. Em resumo, a iniciação elevava a alma de uma vida material, simplesmente humana, para uma comunhão com o mundo divino. Portanto para ser um iniciado é preciso morrer para a vida comum e renascer para uma vida sagrada.
Terapêutica.

A palavra terapêutica na nossa Escola está quase sempre associada a magia e a miriam. A razão é muito simples: a fraternidade representa uma força ativa dirigida para beneficiar os sofredores. A nossa é uma escola de amor e os fatores da nossa ajuda são fisicamente estabelecidos como forças ativas e benéficas. E’ uma associação de vontades humanas dirigidas para o bem da humanidade, uma associação cientificamente constituída, para que o homem que faz parte cumpra a sua missão de ajudar o próprio semelhante com todas as suas energias psíquicas colocadas em movimento pela própria vontade; uma vontade purificada de qualquer egoismo e animada pela consciência de produzir o bem dos outros, sem ambição pessoal premiável e sem esperança de nenhuma compensação.
Tradição.

A palavra “tradição” – escreve Guénon – exprime etimológicamente a ideia de transmissão. Muitas pessoas não sabem que a palavra qabbalah, vulgarmente transcrita cabala designa a palavra “tradição” e exprime o significado mais preciso de transmissão. Mas quando falamos de “transmissão” nós não nos referimos às coisas de natureza profana, porque o termo “tradição” foi usado sempre por nossos Mestres em um âmbito de caráter sagrado e iniciático.

Consequentemente uma escola como a Fraternidade Hermética, respondendo a todos os requisitos pedidos por uma organização esotérica, é sobretudo “tradicional” já que a “transmissão” dos ensinamentos herméticos são de natureza vertical, do mundo sobre-humano àquele humano.
A vida de Giuliano Kremmerz.

No final do século XIX, exatamente em 1888 desembarcava em Montevidéu no Uruguai de um navio proveniente de Nápoles o doutor Ciro Formisano, formado em literatura em Nápoles. Era a época da grande migração italiana para a América do sul. Mas, ao contrário de tantos italianos que partiam para as Américas à procura de sorte e para dar um futuro a seus filhos, Ciro Formisano tinha um sonho em sua mala: o sonho de um homem predestinado a realizar grandes coisas e a fundar uma grande Escola de magia na Itália.

Giuliano Kremmerz, nome sagrado do Dr. Ciro Formisano nasceu em Portici, perto de Nápoles em 8 de abril de 1861. Na juventude Ciro entrou em contato com um sábio personagem, Pasquale De Servis, mais conhecido pelos esoteristas do tempo como Izar. Este inspirava-se à tradição de origem pitagórica que floresceu no sul da Itália e ao cultos isíacos (lunares) e osirideus (solares) importados do Egito. De acordo com o que diz Kremmerz foi o próprio De Servis quem transmitiu ao jovem Ciro, juntamente com o seu patrimônio sapiencial, a iniciação aos mistérios da ciência sagrada.

De fato Izar, mesmo mantendo um relacionamento direto com alguns ilustres protagonistas do cenário cultural do tempo, entre os quais o advogado Giustiniano Lebano e o príncipe Leone Caetani duque de Sermoneta, foi exatamente no jovem Formisano que reconheceu as qualidades do futuro mestre da Schola Hermetica.

A formação cultural de Formisano, completou-se, sobretudo, nos anos que vão de 1888 até 1893, naqueles cinco anos coincidentes com a sua estadia na América Latina formando-se médico homeopàta.

Desta misteriosa estadia falarei agora em linhas gerais, já que, quando ilustrarei o papel de Magnani na Fraternidade Hermética latino-americana, serão inevitáveis as aproximaçõesMyriam__e,_consequentemente,_com_a_viagem_do_hermetista_napolitano_na_Argentina.__Em_uma_biografia_de_Kremmerz_intitulada_“'> e comparações com a Fraternidade de Myriam e, consequentemente, com a viagem do hermetista napolitano na Argentina.

Em uma biografia de Kremmerz intitulada “Il mito del Kremmerz”, no capítulo “La permanenza in America”, podem ser lidas as informações que comprovam uma atividade de jornalista no jornal “L’Operaio Italiano” de Buenos Aires.

Em outra biografia de Kremmerz lemos, ao contrário, que Ciro Formisano “... tinha seguido uma expedição científica capitaneada por um Príncipe, da qual faziam parte vários homens de ciência, nas florestas do Mato Grosso”.

Pois bem, todos sabem como poderia ser aquela região naqueles anos: uma selva interminável, habitada por poucos indígenas, misteriosos e inacessíveis, e onde era impossível penetrar. É porém indubitável que o Mato Grosso, tal como toda a bacia amazônica, conservava e conserva alguns elementos, entre os mais interessantes, de uma cultura xamânica antiquíssima e da magia natural; magia esta baseada, sobretudo, no conhecimento e no uso das ervas, da qual Kremmerz dará provas da sua mestria quando fundará em Nápoles a Fratellanza di Myriam.

Não é então arriscado supor que, naquela breve estadia sul-americana, Kremmerz tivesse tido contatos com alguns grupos ou personalidades locais e que tivesse praticado a medicina hermética, da qual, a partir de 1896, com o início da publicação de “Il mondo secreto” será o propagador nos círculos esotéricos italianos.

Outra hipótese, certamente mais audaz, mas que se baseia sobre alguns elementos que trataremos de colocar em evidência no decorrer da nossa palestra, é a de que Kremmerz, no decorrer das suas viagens sul-americanas, teria descoberto na Argentina ou, talvez, em outro lugar, uma fonte, ou, se preferirmos, um foco da tradição hermética, que assumiria na Itália, por obra do próprio Kremmerz, a direção e as aplicações conhecidas sob o nome de Myriam e na Argentina, por obra de Magnani, sob o nome de Fraternidade Hermética, e sob a denominação comum de Schola Philosofica Hermetica Classica.

Elementos que o Mago de Portici teria sabiamente integrado na terapêutica mágica da “Ordem” napolitana de caráter egípcio, da qual um representante em Nápoles era o advogado Giustiniano Lebano (a esq: Lebano na sua livraria), e que remonta ao Príncipe Luigi d'Aquino Caramanico, ao Príncipe Raimondo de Sangro e ao próprio Cagliostro.


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