Henri Bergtson (1859-1914), revolucionista francês, defendeu a existência de um “impulso vital” que leva o mundo adiante, sust



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Encontro19.08.2017
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O Idealista Washington Albino

Henri Bergson (1859-1941), revolucionista francês, defendeu a existência de um “impulso vital” que leva o mundo adiante, sustentando que o futuro será determinado pela escolha das alternativas feitas no presente. Segundo esta concepção, há homens que não vivem apenas de ideias – mas de ideais.
Washington Albino Peluso de Souza, falecido na semana passada, encarnou, ao longo de sua fecunda existência, este conceito de Bergson.
Viveu a experiência da Constituição de 1934 e assistiu, apreensivamente, a chegada do Estado Novo.
Em 1938, já lecionava Economia Política na Faculdade de Direito e foi o responsável pela introdução na grade curricular da disciplina de Direito Econômico. Naquela Casa, obteve os títulos de livre docente, doutor e titular, coordenando os cursos de pós-graduação até que assumiu a Diretoria da Escola.
Criador da Fundação de Direito Econômico, que presidiu, foi membro da “Association Internationale de Droit Economique”, na Bélgica. Seu nome figura na galeria dos maiores vultos do Direito Econômico, ao lado de Eros Roberto Grau, Ives Gandra, Antonio Augusto Cançado Trindade e outros. Participou de inúmeras bancas examinadoras, sendo autor da obra “Teoria da Constituição Econômica”.
Emprestou o seu talento ao governo de Milton Campos e à administração do prefeito Américo Renné Giannetti. Como jornalista, atuou, também, no “Diário do Comércio” ao lado de seu amigo José Costa, na defesa dos princípios nacionalistas, empenhando-se na criação da Petrobrás, Usiminas, Açominas, granjeando merecido prestígio nas áreas empresariais, com marcante atuação na ACMinas, cujo departamento econômico dirigiu.
Em 2009, aos 91 anos, o Instituto dos Advogados de Minas Gerais concedeu-lhe a mais alta honraria daquele Sodalício, pela sua profícua atuação no magistério superior. Como o único remanescente da turma de bacharéis de 1959, da UFMG, foi-lhe tributada homenagem especial, pois, na busca da verdade, Washington Albino sustentava que a tarefa da inteligência humana é transformar o valor das coisas, retirando-as da obscuridade para a luz.
Daí a necessidade de se utilizar o tempo de maneira criadora, reconhecendo sempre a urgência de fazer logo e certo tudo o que o mundo reclama de nós.
As reformas estruturais que defendeu na cátedra eram também as de um homem prático e concreto, que tinha noção do poder exercido democraticamente como único meio de alcançar a reforma duradoura.
A racionalidade econômica, a segurança reclamada pelo investidor, a importância de um contrato, a construção de fontes alternativas de financiamento da produção, segundo ele, tudo isso depende da capacidade de darmos inteligência jurídica às relações econômicas.
Washington Albino sempre esteve em sintonia com os principais problemas jurídicos decorrentes da urbanização, preocupado com a emergência de uma classe industrial, com a nova realidade societária, promovendo o esboço das primeiras preocupações ambientais de que se tem notícia.
Ao longo de sua atuação exemplar, infundiu em dezenas de gerações a sua confiança no Brasil, na sua potencialidade, na defesa de seus recursos naturais, advertindo que aqueles que têm medo do futuro também têm medo de ser livres, pois o futuro não é o que vai acontecer, mas será o que fizermos dele.
Com inexcedível entusiasmo, repetia as palavras de Tancredo Neves de que “A pátria não é a aposentadoria dos heróis, mas uma tarefa a ser cumprida”.
Dele, como seu ex-aluno, posso repetir o que alguém afirmou de Churchill, na Câmara dos Comuns: “Os mais velhos não conheceram ninguém parecido; os mais novos dificilmente encontrarão outro igual”.


Aristoteles Atheniense – Advogado. Membro do Conselho Superior do IAMG.



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